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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Trentemøller: Swerve


A sonoridade de "Swerve", obra do produtor e compositor dinamarquês Trentemøller (Anders Trentemøller, natural de Copenhaga), reflete uma marcante evolução estética. Tendo percorrido as origens da eletrónica e do minimal techno, o artista dinamarquês firma aqui uma identidade densa que cruza o dream pop, o shoegaze, o post-rock e a indietronica. A faixa é construída a partir de sintetizadores melancólicos, guitarras saturadas em reverberação e um ritmo hipnótico, criando uma atmosfera profundamente cinematográfica, sombria e nostálgica.

No centro da identidade sonora da canção está a contribuição de Sakura Katsuura . A artista e designer empresta a sua voz sussurrada e etérea em japonês, introduzindo uma dimensão íntima que contrasta com a frieza das texturas eletrónicas e reforça a sensação de distanciamento e introspeção. O próprio conceito de "Swerve" - a ideia de mudar bruscamente de direção ou desviar-se — evoca a perda de controlo, a impermanência e a vertigem dos momentos em que a vida muda imprevisivelmente de rumo, deixando o indivíduo a flutuar sem rumo fixo entre memórias e desilusões.

No teledisco, esta narrativa visual é ampliada pelas performances expressivas de um elenco composto por Sakura Katsuura, Sophie Vyshnevska, Viktor Farkas, Anni Chen e Swell . Através de dinâmicas corporais e olhares contidos, o teledisco explora o alienamento e a desconexão emocional na era moderna, retratando corpos fisicamente próximos cujas mentes permanecem isoladas. Com uma iluminação de alto contraste e movimentos de câmara fluidos, a estética cinematográfica gera um ambiente onírico onde o ato de desviar o olhar reflete a incapacidade de encarar a realidade ou o outro diretamente.

Esta fusão estética e conceptual estabelece pontes diretas com referências literárias e filosóficas marcantes. O desvio sugerido no título ecoa o conceito epicurista de clinamen - a inclinação imprevisível dos átomos teorizada por Lucrécio em De Rerum Natura e posteriormente analisada por Gilles Deleuze -, representando a rutura inesperada do fluxo contínuo e a entrada do caos na estabilidade diária. A faixa dialoga também com o existencialismo de Jean-Paul Sartre e Albert Camus ao evocar a alienação e a vertigem perante a ausência de sentido, enquanto a volatilidade das interações no videoclipe espelha a "modernidade líquida" de Zygmunt Bauman e a fragilidade dos laços humanos. Por fim, o contraste entre o vocal em japonês e o ambiente pós-punk remete para a atmosfera de realismo mágico urbana de Haruki Murakami, na qual personagens solitárias atravessam cenários frios imersas num isolamento psicológico e num surrealismo subtil.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Eivør - Spøkilsir - Revenants


Eivør (Eivør Pálsdóttir), uma das artistas mais emblemáticas das Ilhas Faroé — território autónomo do Reino da Dinamarca -, construiu uma identidade artística singular ao fundir as raízes do folk nórdico com dark folktronica, art pop e música ambiente. A canção "Spøkilsir", originalmente lançada em faroês no álbum Slør (2015) e mais tarde adaptada para o inglês sob o título "Revenants" (2017), exemplifica perfeitamente esta estética ao combinar técnicas vocais tradicionais escandinavas, como o kveding e o galdr, com sintetizadores industriais e paisagens sonoras cinemáticas.

Tematicamente, a composição explora o peso do passado e a forma como memórias, traumas e emoções mal resolvidas continuam a assombrar o presente. O termo revenant - referente a um espírito que regressa dos mortos - serve de metáfora para estas presenças internas que habitam o subconsciente, convidando o ouvinte a refletir sobre a aceitação da dor e a coexistência com as próprias sombras em vez da sua negação. No teledisco, esta mensagem ganha vida através das paisagens dramáticas, austeras e enevoadas das Ilhas Faroé, onde a natureza funciona como um espelho da psique humana. A performance de Eivør adquire contornos quase xamânicos e rituais, encenando um confronto poético com figuras veladas que simbolizam o limiar entre o visível e o invisível, a vida e a memória.

Esta abordagem carrega fortes influências literárias e filosóficas. Por um lado, bebe do folclore nórdico e nas sagas medievais, evocando a figura do draugr - o morto que regressa por deixar algo inacabado na terra. Por outro, dialoga diretamente com o conceito de "Sombra" da psicologia analítica de Carl Jung, sugerindo que o crescimento pessoal exige integrar as partes reprimidas da mente, bem como com a angústia existencial da temporalidade abordada por filósofos como Søren Kierkegaard. A obra filia-se ainda no Romantismo Escuro, onde o sublime e o aterrador se entrelaçam para encontrar beleza na melancolia e na impermanência.

domingo, 9 de agosto de 2026

Beach House - Lazuli

Melhor som aqui
Letra
In the blue of this light
Where it ends in the night
When you couldn't sleep
You would come for me

Wander eyes, ocean high
And we don't dare slip on by
Make her suffer
Like no other

It's nothing like
Lapis Lazuli
Let it go
Back to me

Like no other
You can't be replaced

Like no other (It's nothing like)
You can't be replaced (Lapis Lazuli)

O universo musical e conceptual de "Lazuli", do duo norte-americano Beach House
Formados em 2004 na cidade de Baltimore, Maryland, pelos músicos Victoria Legrand (vocais e teclados, de ascendência franco-americana) e Alex Scally (guitarra e teclados), os Beach House afirmaram-se como um dos nomes fraturantes do Dream Pop, do Indie Pop e do Shoegaze. A canção "Lazuli", pertencente ao aclamado álbum Bloom (2012), é um dos exemplos mais expressivos do seu estilo: constrói-se sobre um arpejo contínuo de sintetizador de textura brilhante e vítrea, guitarras elétricas imersas em reverso e reverb, uma percussão marcante e a voz etérea, aveludada e melancólica de Victoria Legrand.

O próprio título remete ao lápis-lazúli (Lapis Lazuli), uma rocha metamórfica de tom azul-profundo historicamente utilizada para produzir o pigmento ultramarino, associado ao sagrado e à iluminação na história da arte. Em termos de significado, a canção aborda a esperança, a renovação e os sentimentos que se esvaem para eventualmente regressar, contrapondo a melancolia a um vislumbre de clareza interior. Através de versos como "Like no other, you can't be replaced" e "Let it go / Back to me", a letra explora a aceitação do ciclo natural da vida - reconhecendo o valor único de uma pessoa ou momento, enquanto aceita a necessidade de deixar ir para reencontrar a própria essência.

O videoclipe oficial, realizado por Allen Cordell (que também assina "Walk in the Park"), traduz esta mensagem contrapondo a banalidade do quotidiano à transcendência cósmica e surrealista. A narrativa começa por apresentar três personagens isoladas em ambientes urbanos e domésticos banais, até que portais geométricos de estética psicadélica e retrofuturista invadem essa realidade. Os intervenientes acabam levitados e transportados para uma dimensão astral frente a uma fenda luminosa, culminando no plano de um olho humano que sugere que toda a travessia extradimensional ocorreu como uma expansão de consciência ou revelação interior.

No plano conceptual, a estética de "Lazuli" dialoga com várias referências filosóficas e literárias. Na psicologia analítica de Carl Jung, as pedras azuis simbolizam o Self e a integração da psique, espelhando o mergulho na sombra para alcançar o autoconhecimento ("In the blue of this light / Where it ends in the night"). Na literatura e na arte, a simbologia do azul conecta-se ao Romantismo - como a "Flor Azul" de Novalis, símbolo do anseio pelo infinito e do inalcançável - e a obras meditativas como Bluets, de Maggie Nelson. Há ainda uma ressonância existencialista próxima de Albert Camus, em que personagens imersas na rotina descobrem sentido através de instantes transcendentais de percepção.

Página Oficial
Beach House

Outras redes sociais
Beach House

sábado, 18 de julho de 2026

Eivør - Drekafljóð (Dragon Maiden)

Melhor som aqui
Letra
Drekafljóð

Kom drekafljóð   
á mína slóð    
fest á mín rygg
gyltar veingir 
Støkkur tá ivin                           
vaknar eitt fyrndarljóð         
logar í mínum  
hjarta leingi

Tindrar í hválvi 
vísir mær veg  
kyknar í holdi 
grøðir meg

Kom áræði
streyma nú inn 
ígjøgnum sprekkur
á køldum klettum
Tá syngur í míni sál                         
tín veingjaði máttur                     
eg reisi meg upp
royni aftur

Tindrar í hválvi 
vísir mær veg  
kyknar í holdi 
endurføðir meg
grøðir meg

English translation
Dragon Maiden 
Come dragon maiden
grace me on my way
bestow me your gift  
of sun-soaked wings 
All my doubts allayed
a time-worn song awakes
sets my heart ablaze
in lasting light

The stars ignite
my path is lit
the fates rewrite
heal me

Come lasting love
wash in over me
through every fracture
in the cracked cliff-face
Now my soul thrums 
with your soaring force
I rise again
try once more

The stars ignite
my path is lit
the fates rewrite
grant me rebirth
heal me

Eivør Pálsdóttir, nascida nas Ilhas Faroé - um arquipélago autónomo que pertence ao Reino da Dinamarca -, transporta a herança isolada e mística do Atlântico Norte diretamente para a sua identidade artística. Em "Drekafljóð / Dragon Maiden", faixa que integra o seu álbum Tungl, a cantora opera numa fusão fluida de Folk Nórdico, Folktronica e Art Pop. O estilo combina o peso de batidas industriais e sintetizadores atmosféricos com o pulsar orgânico de tambores xamânicos, resultando num som avant-garde e cinematográfico.

O conceito central da canção e do seu videoclipe gira em torno da rendição ao fluxo e da perda de controlo. A palavra Drekafljóð cruza os termos para "dragão" e "correnteza" ou "inundação", servindo como uma metáfora para as forças inevitáveis da vida. Segundo a própria artista, a obra aborda o momento em que percebemos que a maior demonstração de força não é lutar contra a tempestade, mas sim permitirmo-nos ser carregados por ela. Visualmente, o vídeo ilustra esse contraste ao colocar a performance orgânica e visceral de Eivør em interação com uma estrutura mecânica e industrial imponente; ao tocar-lhe, a energia humana e o espírito da "Donzela Dragão" parecem dar vida e humanidade à máquina, gerando uma catarse.

Para construir esta atmosfera ritualística, Eivør recorre de forma intensa a técnicas vocais avançadas, destacando-se o uso de melismas e glossolália. A cantora utiliza melismas ao estender uma única sílaba por várias notas, misturando a sua formação clássica com o Gvøðu, um canto tradicional feroês. Paralelamente, a glossolália manifesta-se quando Eivør abandona as palavras com significado linguístico real para cantar sons puramente fonéticos, sussurros ritmados e vocalizações guturais, transformando a sua própria voz num instrumento de percussão abstrato que evoca um transe ancestral.

Esta abordagem estética está profundamente ligada a influências filosóficas e literárias. No plano filosófico, a aceitação do destino e a renúncia ao controlo absoluto aproximam-se do Estoicismo e do conceito de Amor Fati de Nietzsche. No campo literário e cultural, a obra bebe diretamente da Mitologia Nórdica e das baladas medievais feroesas (Kvæði). O dragão surge aqui não apenas como uma criatura temível, mas como o próprio símbolo do caos primordial e das forças tectónicas da natureza, reforçando a ligação intrínseca entre o isolamento geográfico do seu povo e as narrativas poéticas de sobrevivência perante o inevitável.

Página Oficial
Eivør

segunda-feira, 1 de junho de 2026

TR/ST - Shoom



Letra

I wish I could eat your Sun as
I see you in a model light as
Curse your chance to softly
May pick it up and waste of time fuck
I wish to go life spend making
That's a golden heights
I wish for a second best
It's all that's set in time

In here sit inside
Your simple side
Your simple side's in me
In her miss assign
This can't be mine
This can't be right
It's in me
Thinner curate side
This simple side
It's in me
Old words in the Sun
This can't be right
This can't be right
It's in me

They know I scream it whoa, oh, oh
They know I screamed it whoa, oh, oh

Sometimes it go
Whoa, oh, oh

Why push away me, push away it could
Push away life, oh shoom
Why push away me
Push away it could, push away life
Why push away me, push away it could
Push away life, oh shoom
Why push away me
Push away it could, push away life



Em termos de significado, as letras do TR/ST são famosas por sua natureza abstrata e fragmentada, mas "Shoom" foca predominantemente em temas como vulnerabilidade, obsessão e o conflito de identidade. Através de versos marcantes como "I wish I could eat your Sun" (Eu queria poder devorar o seu Sol), a composição sugere um desejo quase destrutivo de fusão absoluta com o outro, onde o eu lírico anseia por absorver a luz e a energia de alguém para preencher o próprio vazio. Essa busca por conexão é contrastada pela dualidade entre um "lado simples" e um "lado corrompido", além de um refrão que ecoa o medo da rejeição e a autosabotagem através da repetição de "Why push away me... push away life". Sem uma tradução literal, o próprio título da música funciona como uma expressão onomatopéica para o transe e a melancolia de se perder na noite.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Cocteau Twins - Orange Appled, Ella Megalast Burls Forever and Snub

Every song is so unique and its own. I really want to cry to this song everytime I listen to "Orange Apple".Thank you CT for such beautiful music

 

Ao vivo, Michigan, 1990- Great Artists made great live performance & this is a Hi quality Sound recording. This Live version is more dynamic energetic & faster whit a smart complexity produced by the Voice & the Guitar

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Documentário: Beautiful Noise


Direção e Produção
O filme foi realizado (dirigido) por Eric Green. Levou quase uma década para ser concluído, dependendo fortemente de uma campanha bem-sucedida no Kickstarter para conseguir licenciar a vasta quantidade de músicas icônicas presentes na trilha sonora.

Bandas em Destaque
O documentário foca no "triunvirato" sagrado da gravadora Creation Records e da 4AD, explorando como elas moldaram o som da época:
  1. My Bloody Valentine: O foco na genialidade (e perfeccionismo) de Kevin Shields.
  2. The Jesus and Mary Chain: A transição do ruído punk para as melodias pop.
  3. Cocteau Twins: A influência da voz de Elizabeth Fraser e das texturas de Robin Guthrie.
Entrevistas e Participações
Um dos grandes méritos de Eric Green foi reunir tanto os arquitetos do som original quanto os artistas que foram influenciados por eles.

Os protagonistas:
Kevin Shields (My Bloody Valentine)
Jim Reid (The Jesus and Mary Chain)
Robin Guthrie (Cocteau Twins)
Emma Anderson & Miki Berenyi (Lush)
Neil Halstead & Rachel Goswell (Slowdive)
Mark Gardener & Andy Bell (Ride)

Os admiradores (influenciados):
Robert Smith (The Cure)
Billy Corgan (The Smashing Pumpkins)
Trent Reznor (Nine Inch Nails)
Wayne Coyne (The Flaming Lips)
Bobby Gillespie (Primal Scream)

O que o documentário aborda?
O filme não é apenas uma lista de bandas; ele narra a evolução tecnológica e artística de como o ruído (noise) se tornou algo belo (beautiful).

Ele explora o uso de pedais de efeito, a técnica de "glide guitar" de Kevin Shields e como essas bandas foram inicialmente ridicularizadas pela imprensa britânica (que cunhou o termo "Shoegazing" de forma pejorativa) antes de se tornarem cultuadas mundialmente.

Destaque: O documentário é rico em imagens raras de arquivo de concertos em clubes pequenos e bastidores de gravações lendárias.

sábado, 31 de janeiro de 2026

A Shoreline Dream - The Chain


Tema homenagem aos Fleetwood Mac "The Chain", do álbum Rumours, lançado em 1977. O álbum Rumours é um dos mais vendidos de todos os tempos, ganhando o Grammy de Álbum do Ano em 1978. 
Histórico no BillBoard

Listen to the wind blow
Watch the Sun rise
Running in the shadows
Damn your love, damn your lies

And if you don't love me now
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

And if you don't love me now (if you don't love me now)
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

Listen to the wind blow
Down comes the night
Running in the shadows
Damn your love, damn your lies
Break the silence
Damn the dark, damn the light

And if you don't love me now
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

Em "The Chain", do Fleetwood Mac, a repetição marcante de "you would never break the chain" (você nunca quebraria a corrente) destaca tanto o desejo de manter um vínculo quanto a ironia de promessas não cumpridas. A música foi criada em meio ao fim do relacionamento entre Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, e esse contexto pessoal se reflete diretamente na letra. Todos os membros da banda participaram da composição enquanto enfrentavam conflitos internos, o que intensifica o peso emocional da canção. Aqui, a "chain" (corrente) representa tanto a ligação inquebrável entre os integrantes quanto as amarras dolorosas de relações desgastadas.

Trechos como "running in the shadows" (correndo nas sombras) e "damn your love, damn your lies" (maldito seja seu amor, malditas sejam suas mentiras) evidenciam um clima de desconfiança e mágoa, remetendo a traições e ressentimentos vividos pelo grupo. A alternância entre "damn the dark, damn the light" (maldita seja a escuridão, maldita seja a luz) mostra que não há mais espaço para ilusões, apenas a necessidade de encarar a realidade. Mesmo com a separação, a corrente permanece, indicando que, apesar das feridas, existe uma conexão que resiste – seja por amor, história compartilhada ou compromisso profissional. "The Chain" transforma a dor da ruptura em uma afirmação de força coletiva, tornando-se um símbolo da trajetória do Fleetwood Mac.

And if you don't love me now (if you don't love me now)
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

And if you don't love me now (if you don't love me now)
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

Chain keep us together (run in the shadow)

domingo, 11 de janeiro de 2026

Cocteau Twins - Iceblink Luck


Iceblink Luck
Cocteau Twins

I'm seeming to be a little alive
I'm happy again, caught, caught in time
Expose the daughter of yourself well
Me, I think that you're in her heart

You're the March of Jericho
That will burn this whole madhouse down
And I'll throw open like the walnut safe
More like a love that's a bottle of exquisite stuff, yes

You yourself, and your father don't know,
So part in your own ways
You're really both bonesetters
Thank you for mending me babies

You're the March of Jericho
That will burn this whole madhouse down
And I'll throw open like a walnut safe
You will seem more like being that same bottle
Of exquisite stuff
Yes, you are the March of Jericho
That will burn this whole madhouse down
And I'll throw open like the walnut safe

You yourself, and your father don't know,
So part in your own ways
You're really both bonesetters
Thank you for mending me babies

Esperança e renovação emocional em “Iceblink Luck”, canção do álbum  Heaven or Las Vegas, de 1990
"Iceblink Luck", do Cocteau Twins, destaca-se pelo uso de imagens e metáforas para abordar transformação e cura emocional, sem seguir uma narrativa tradicional. O título faz referência ao fenómeno natural "iceblink", que é o brilho refletido pelo sol em campos de gelo. Essa imagem sugere uma luz inesperada ou esperança surgindo em meio ao frio e à adversidade, conectando-se ao tom optimista da música e ao momento de plenitude vivido por Elizabeth Fraser durante a composição.

A letra traz referências como "March of Jericho" (Marcha de Jericó), evocando a ideia de derrubar barreiras pessoais, assim como as muralhas de Jericó caíram na narrativa bíblica. Isso sugere que a presença de alguém especial pode transformar e libertar, como no verso "burn this whole madhouse down" (queimar esse manicômio todo), uma metáfora para romper com estados emocionais caóticos ou limitantes. A menção a "bonesetters" (quem conserta ossos) reforça o tema da cura, indicando pessoas que ajudam a reparar feridas internas. O verso "I'll throw open like the walnut safe" (vou me abrir como um cofre de noz) transmite a ideia de se abrir emocionalmente, enquanto a comparação com "a bottle of exquisite stuff" (uma garrafa de algo requintado) sugere que esse amor ou apoio é raro e precioso. Assim, "Iceblink Luck" celebra como relacionamentos de apoio podem promover cura e renovação, envoltos em uma atmosfera etérea e esperançosa.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Slowdive - Crazy For You


O single "Crazy for You" (1990) é uma das suas faixas mais icónicas do shoegaze, caracterizada por guitarras etéreas, vocais suaves e camadas sonoras densas.

A letra, composta por uma única frase repetida várias vezes, 'Crazy for lovin' you', transmite uma sensação de obsessão e fixação emocional. A repetição incessante da frase sugere um estado mental onde o amor se torna uma força avassaladora, quase sufocante, que domina todos os pensamentos e sentimentos do eu lírico.

A simplicidade da letra contrasta com a complexidade da música, destacando a profundidade do sentimento de amor obsessivo.

A escolha de repetir a mesma frase inúmeras vezes pode ser vista como uma metáfora para a natureza cíclica e inescapável do amor obsessivo. O eu lírico está preso em um loop emocional, incapaz de pensar em qualquer outra coisa além do objeto de seu afeto. Essa abordagem minimalista e repetitiva é eficaz em transmitir a intensidade e a singularidade do sentimento, fazendo com que o ouvinte sinta a mesma fixação e intensidade emocional que o eu lírico experimenta.
Filmagens de A Swedish Love Story 1970, por Roy Anderson

Adoro passear com pessoas que me dizem "olha aquela nuvem"!

Ulrich Schnauss rework

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Curve - Horror Head



Fireworks, blue and green
I can see what they sing
But you are away
You always smile

Boxing ring
The back of mules
You can really see, from the inside
Across the room

There's a horror in my head
When the blanket is gone
From the floor in my castle
Where I see the Sun from [2X]

In the comfort of this room 
The challenge died
Remember you and me
We laughed till we cried

Horror Head, cujo significado não é literal; é mais simbólico e emocional, como é comum na banda. Não fala de “terror” no sentido de monstros ou horror clássico, mas sim de um estado mental sombrio, quase claustrofóbico. A canção é frequentemente interpretada como uma elegia a um amante perdido ou uma exploração de sentimentos de perda profunda e catarse. No clipe oficial da canção Cabeça de Horror utiliza cores vibrantes e cortes rápidos para reforçar essa sensação de desorientação

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Cocteau Twins - Pearly Dewdrops' Drops


We'll be sold to Roddy
Comes for pearly dewdrop's drops
Weeks in our company
Buys the pearly dewdrop's drops

We'll be soaked and ruddy
Comes for pearly dewdrop's drops
Weeks in our company
Buys the pearly dewdrop's drops

We'll be soaked when Roddy comes
Rows of pearly dewdrop's drops
Tis the lucky lucky penny penny penny
Buys the pearly dew drips soaks

We'll be soaked when around he comes
Rows of pearly dewdrop's drops
Tis the lucky lucky penny penny penny
Buys the pearly dew drips soaks

Taciturn to fellow
So try to turn to loan him these
Bruised your eye on her staff
So when he turned around he saw

Taciturn to fellow
So try to turn to loan him these
Bruised your eye on her staff
So if we send the Roddy, soaks

We'll be soaked when roddy comes
Rows of pearly dewdrop's drops
Tis the lucky lucky penny penny penny
Buys the pearly dew drips soaks

(We'll be sold to roddy, sold to Roddy)
Rows of pearly dewdrop's drops
(We'll be sold to roddy, sold to Roddy)
Tis the lucky lucky penny penny penny
Buys the pearly dew drips soaks

“Pearly Dewdrops’ Drops” (1984), dos Cocteau Twins, é uma das canções mais emblemáticas do grupo — mas também uma das mais enigmáticas em termos de significado.

A banda, especialmente a vocalista Elizabeth Fraser, é conhecida por usar vocais etéreos e letras quase ininteligíveis, muitas vezes mais sonoros e emocionais do que literais. As palavras funcionam como instrumentos vocais, transmitindo emoção, atmosfera e textura, mais do que narrativas ou mensagens diretas.

Ainda assim, há algumas interpretações possíveis:
Pureza e renovação: O título “Pearly Dewdrops’ Drops” evoca imagens de orvalho e luz — símbolos frequentes de beleza natural, inocência e renovação espiritual.

Transcendência e espiritualidade: Muitos fãs e críticos sentem que a música expressa uma sensação de elevação, quase angelical, típica do dream pop e do shoegaze.

Natureza e delicadeza: As palavras “pearly” (nacarado) e “dewdrops” (gotas de orvalho) remetem à delicadeza da natureza, um tema recorrente na estética dos Cocteau Twins.

Fraser nunca explicou diretamente o sentido da letra — e parte da magia da banda está justamente nessa ambiguidade poética. A música é sentida, não decifrada.

domingo, 12 de outubro de 2025

Cocteau Twins - Lorelei (Extended Version)


Lorelei, alemã Loreley, lenda alemã de uma bela donzela que se atirou ao rio Reno em desespero por um amante infiel e foi transformada numa sereia que atraiu os pescadores para a destruição. O mito está associado a uma grande rocha chamada Lorelei, que fica na margem do rio Reno, perto de Sankt Goarshausen, na Alemanha, e é conhecida por produzir um eco. O essencial da lenda foi criado pelo escritor alemão Clemens Brentano em sua balada “Zu Bacharach am Rheine” (“Para Bacharach no Reno”), que apareceu pela primeira vez no seu romance Godwi (1800-1802). Lorelei tornou-se tema de várias obras literárias e canções; o poema “Die Loreley” (1824) de Heinrich Heine foi musicado por mais de 25 compositores. Cocteau Twins fizeram um tema muito belo.

Get off the car
Kick his chain, Kick his pride
Get him soaked hit run
Lift up your toes
In my mouth
And we can make love
And we can go

And we can go...
We're covered by the sacred fire
When you cut me, you cut me to the bone

Guilty girl, Guilty boy
Get to make out
Him chocked with mousse
Lift up your toes
In my mouth
And we can make love
And we can go

And we can go...
We're covered by the sacred fire
When you cut me, you cut me to the bone

terça-feira, 12 de março de 2024

Juno Reactor - God is God (2024)


Portanto, em 1997, juntei-me a Ray Stevens para criar o videoclipe de "God is God". Consegui os direitos de "A Cor da Romã", um filme de Sergei Parajanov. Um dos dez melhores filmes de Martin Scorsese.

Provavelmente, terminei o videoclipe por volta da altura do primeiro álbum, "Transmissions", mas simplesmente não combinava com os temas desses primeiros álbuns. Foi apenas em "Bible of Dreams" que Greg Hunter, um grande engenheiro e produtor, o misturou.

Uma coisa engraçada é que, quando "God Is God" foi lançado, fez furor nos programas de dança da noite da MTV e chamou a atenção de Alice Cooper e Mariah Carey. O marido de Mariah Carey, Tommy Mattola, CEO da Sony Records, chegou mesmo a contactar o meu manager, Mick Paterson, querendo que eu realizasse o próximo videoclipe da Mariah. Eu disse que não. Primeiro, porque tenho muito respeito por Sergei Parajanov e pelo seu trabalho original. Além disso, realizar um videoclipe com um orçamento tão grande! Tudo o que tinha feito até então era filmar em Super 8. E, sinceramente, fazer um vídeo para uma grande estrela não me parecia bem. Mesmo depois de o Tommy insistir, eu disse que não.
Um grande obrigado a Mike Stanton por sincronizar as filmagens e edições com uma versão ampliada do filme. A antiga estava meio desfocada.

[sample] 00:09 - que enterrou dois pastores [source] - Stefka Sabotinova and Marcel Cellier- Prïtourïtze Planinata (Chant De La Plaine Thrace Av. Orch.)
Le Mystère Des Voix Bulgares (Volume 1) Disques Cellier 1975 (appears at 0:16) [sample] 00:57 - You shall see hail fall from a clear sky. You shall see darkness... God is God. [source] - The Ten Commandments: (Cecil B. DeMille, 1956) Charlton Heston (as Moses) [sample] 03:50 - You shall see.. good.. and evil. You shall see.. bitter waters. You shall see.. laws of life. [source] - The Ten Commandments: (Cecil B. DeMille, 1956) Charlton Heston (as Moses) vocal Natacha Atlas The music video uses footage from The Color of Pomegranates. 1969 directed by Sergei Parajanov.

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

This Mortal Coil - Sixteen Days - Gathering Dust


Quando fui DJ e passava estes 2 temas milhentas vezes. Saudades dos anos 80-90.

Sixteen Days 

Sixteen days no bread and water
Sixteen days no light and day
Sixteen days without liquid on my stomach
Sixteen days without sun on my back
Sixteen days without ideas in my head
Sixteen days with writing on my hands

Ah...

 Gathering Dust 

The future holds the key for us to see
The future holds the key for us to see
The pressure's on, no time to lose
The pressure's on, no time to lose
The pressure's on, no time to lose

Inspiring dreams, all shattered and blown away
Gathering dust, the band played on again
Personal reasons are problems in the way
Waking up with just enough time to spare

Lalala...

Searching out thoughts, we set ourselves a sight
Power and death are always on our minds
The cause is laid out, no looking back for me
The future holds the key for us to see

Lalala...

The pressure's on, no time to lose [4x]

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Música do BioTerra: CocteauTwins - Musette And Drums


Did it again
We're fast follow trained, yes
Money and
Watching gets too hard
Writes a song
The favor of Juliet's
Somebody's
She turned thirteen oh

Tragedy end
Am I pretty enough

Musette and drums
Our answer Juliet's
Somebody's
She turned thirteen oh

Writes a song
The favor of Juliet's
Somebody's
She turned thirteen oh

Tragedy end
Am I pretty enough

Musette and drums
Watching is too

Musette

"Musette and Drums" é a peça que encerra o álbum Head Over Heels (1983) com uma grandiosidade quase esmagadora, marcando um ponto de viragem crucial na identidade dos Cocteau Twins. Musicalmente, a faixa é um dos pilares do que viria a ser o Dream Pop e o Shoegaze, fundindo a herança sombria do Post-Punk com uma parede de som densa e atmosférica. A guitarra de Robin Guthrie não funciona aqui apenas como um instrumento melódico, mas como uma massa sonora saturada de reverb e delay, criando uma textura que parece uma orquestra eléctrica em combustão. A bateria, como o próprio título sugere, tem um papel fulcral: é tribal, pesada e propulsiva, conferindo à canção uma urgência que contrasta com a natureza etérea da voz.

No que toca ao significado, entrar no universo de Elizabeth Fraser exige que abandonemos a procura por uma narrativa linear. Nesta fase da carreira, a vocalista já explorava a glossolalia e a fonética pura, escolhendo palavras mais pelo seu impacto sensorial e textura sonora do que pelo seu valor semântico. O título "Musette and Drums" sugere uma dualidade fascinante: a musette (um instrumento de sopro delicado, pastoral) em colisão com a força bruta da percussão. Esta tensão entre o frágil e o monumental é o coração da música. A letra evoca imagens fragmentadas de desorientação e êxtase, funcionando como uma catarse emocional onde o sentimento de urgência e deslumbramento sobrepõe-se a qualquer mensagem literal. No fundo, é uma canção sobre a intensidade da experiência humana, capturada num momento de pura tempestade sonora.


domingo, 25 de dezembro de 2022

Música do BioTerra: Dead Can Dance - Sanvean: I am your shadow


"Sanvean: I am your shadow" é uma canção co-escrita em setembro de 1993 por Lisa Gerrard e o compositor/multi-instrumentista Andrew Claxton durante os ensaios na Irlanda  para a tournée internacional dos Dead Can Dance nesse ano. Lisa Gerrard afirmou que escreveu esta música com saudades da sua família que permaneceu na Austrália. A sua primeira apresentação pública foi em Sligo, Irlanda e depois gravada em 1994 no álbum ao vivo Toward the Within, e mais tarde em 1995 no álbum a solo The Mirror Pool e The Best of Lisa Gerrard em 2007. Como a maioria das suas suas obras, é cantada num  registo eufónico e numa pseudo-linguagem emocional. 

It has become an iconic song through its frequent appearance on soundtracks and other uses:
In 1995, it appeared in a Hermès 24 Faubourg advertisement.

In 1999, Paul Oakenfold incorporated "Sanvean" into his release "Perfecto Presents: Another World".
UK Health Education Authority used the song between 1998 and 2003 in an MMR immunisation campaign.

The 2003 episode "7A WF 83429" of The West Wing.

The Cadets, a top five drum corps in Allentown, Pennsylvania, performed their own arrangement brass, percussion and solo vocal throughout the 2006 drum corps season. The use of amplification and the un-traditional solo singer caused some controversy among drum corps fanatics. "Sanvean" is included in their 2006 recording Through the Looking Glass Part II.

In 2006, a free right-of-use of the song was given to the Dutch NGO 'Natuur en Milieu' (Nature and environment), for their campaign 'Geef natuur de ruimte' ("make way for nature").

In 2007, the third episode "Paradise Lost" of Andrew Marr's History of Modern Britain, used an almost complete live version, which was broadcast on BBC2.

In 2008, Sarah Brightman included a cover of "Sanvean" in her album Symphony.

The 2012 episode "Last Straw" of CSI: Miami, used the song during the scene of an attempted suicide.
In 2017 Aly & Fila album "Beyond the Lights" the song was sampled in the track "Shadow"

It is a favourite choice throughout the world for weddings, funerals and other solemn occasions.

For many years it has also been performed internationally by Duo Spiritalis based in Switzerland.