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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Por favor Revejam o Documentário - Propaganda: The Art of Selling Lies (2019)


Introdução: Por que vale a pena rever este documentário hoje?

Num ecossistema global marcado pela policrise - onde a instabilidade económica, as alterações climáticas e os conflitos geopolíticos se entrelaçam -, a polarização entre os extremos do espectro político intensificou-se drasticamente. O debate público transmutou-se num campo de batalha ideológico entre visões radicais de extrema-esquerda e de extrema-direita, deixando os cidadãos imersos numa névoa de incerteza: afinal, quem manda verdadeiramente no mundo? Serão os governos eleitos, as multinacionais tecnológicas, os algoritmos das redes sociais ou os detentores do capital financeiro?

Rever Propaganda: The Art of Selling Lies (2019) no contexto atual não é um mero exercício de nostalgia cinefílica ou académica; é uma ferramenta de sobrevivência democrática. Ao desmantelar os mecanismos psicológicos e estéticos da persuasão, a obra de Larry Weinstein oferece uma chave de leitura essencial para compreender como as narrativas populistas contemporâneas alimentam a divisão social, exploram o medo e fabricam verdades à medida. Numa era de pós-verdade e desinformação sistemática, o documentário recorda-nos que a primeira linha de defesa contra a manipulação começa na nossa própria capacidade de questionar o que vemos e ouvimos.

O documentário Propaganda: The Art of Selling Lies (2019), realizado pelo cineasta canadiano Larry Weinstein, parte de uma interrogação fundamental sobre a condição humana: por que razão a humanidade é tão facilmente seduzida pela propaganda? Em vez de restringir a análise a um fenómeno político moderno ou a guerras geopolíticas pontuais, o realizador adota um prisma eminentemente artístico e histórico. A tese central da obra defende que a propaganda representa a arte da persuasão levada ao limite — uma ferramenta sofisticada que instrumentaliza a estética, a emoção e a narrativa para construir verdades fabricadas, manipular multidões e moldar o comportamento coletivo.

Para fundamentar esta premissa, o filme desenvolve uma jornada cronológica e conceitual que estabelece pontes entre as origens da civilização e o presente digital. A narrativa recua às civilizações da Antiguidade, demonstrando como os relevos mesopotâmicos, as moedas romanas e os monumentos egípcios funcionavam já como instrumentos primitivos de propaganda estatal destinados a legitimar o poder de reis e imperadores. Avançando na história, o documentário aborda a era da imprensa e o papel da arte sacra durante a Contrarreforma Católica, destacando a invenção de Gutenberg como o grande catalisador da disseminação de ideias em escala industrial.

A análise atinge particular densidade ao debruçar-se sobre o século XX, período marcado pelos regimes totalitários e pelas grandes guerras globais. Explora-se a estética fascista e nazi - com especial atenção ao trabalho cinematográfico de Leni Riefenstahl -, o realismo socialista da propaganda soviética e a emergência das campanhas de mobilização ocidentais, imortalizadas em ícones como o cartaz do Uncle Sam. Finalmente, o arco histórico culmina no século XXI, conectando a propaganda tradicional ao ecossistema dos algoritmos, das fake news, da mineração de dados no caso Cambridge Analytica e da proliferação da desinformação na era da pós-verdade.

O valor analítico da obra é enriquecido por um conjunto diversificado de testemunhos de artistas, ativistas e historiadores. O artista dissidente chinês Ai Weiwei reflete sobre a propaganda de Estado em regimes autoritários, contrapondo-a à "propaganda do indivíduo" através da arte enquanto ato de resistência. Por sua vez, Shepard Fairey, o designer responsável pelo icónico cartaz HOPE de Barack Obama, analisa a linha ténue que separa a arte urbana, a propaganda política e a comercialização da imagem. Paralelamente, diversos académicos explicam a forma como a neurociência e a psicologia das massas esclarecem a vulnerabilidade do cérebro humano ao medo, ao apelo tribal e às mensagens simplificadas.

Do ponto de vista cinematográfico, o filme funciona como uma experiência estética alinhada com o próprio tema. Fiel ao estilo do realizador, aborda cartazes, esculturas, quadros e excertos de filmes não apenas como documentos históricos, mas como peças de design persuasivo. A montagem dinâmica e o ritmo fluído utilizam uma linguagem visual próxima da colagem, combinando imagens de arquivo com grafismos modernos numa estrutura que espelha a saturação informativa contemporânea.

Apesar de a sua abordagem transversal conectar a história da arte antiga às redes sociais de forma excecional, o documentário apresenta algumas limitações. O esforço de cobrir milénios de história resulta inevitavelmente na abordagem superficial de determinados períodos, enquanto o foco acentuado no cenário político norte-americano no último terço do filme pode retirar-lhe alguma abrangência perante a evolução de novos cenários globais. Não obstante estas condicionantes, a obra sobressai pelo seu forte poder de provocação crítica, estimulando o espectador a questionar o viés de confirmação e as suas próprias certezas. Em última análise, Propaganda: The Art of Selling Lies constitui um alerta urgente sobre a fragilidade da perceção pública, demonstrando que a propaganda atinge a sua máxima eficácia quando aqueles que são manipulados nem sequer disso se apercebem.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dinheiro, gastos e benesses do Estado. Os segredos da vida financeira de Salazar


Há mitos que sobrevivem porque são confortáveis. O de D. Sebastião sobrevive porque alimenta a esperança. O de Robin dos Bosques porque consola os desfavorecidos. E o de António de Oliveira Salazar porque oferece aos seus admiradores uma espécie de superioridade moral retrospetiva: sim, foi ditador, dizem alguns, mas ao menos não roubou; sim, governou durante décadas sem eleições livres, mas morreu pobre; sim, concentrou um poder sem paralelo na história portuguesa contemporânea, mas nunca se aproveitou dele para enriquecer.

O problema dos mitos é a sua irritante tendência para se chocarem com os factos.

Um extenso trabalho de investigação do jornalista Marco Alves publicado na revista Sábado (n.º 1160, de 22 a 28 de julho de 2026) veio reunir um conjunto impressionante de informações sobre a situação patrimonial do antigo presidente do Conselho. E aquilo que emerge não é a figura de um milionário extravagante nem a de um cleptocrata à escala de outros ditadores europeus. Mas também não é a imagem do professor pobre, vestido de modéstia franciscana, que alguns continuam a apresentar.

Marco Alves já tinha, em 2023, publicado o livro Salazar Confidencial. Durante quatro décadas, António de Oliveira Salazar recebeu milhares de cartas de amigos, familiares, ministros, padres e figuras ilustres da elite do Estado Novo. Mendigavam ao presidente do Conselho favores, ajudas e cunhas para obterem um cargo, uma promoção, uma casa em Lisboa ou uma palavra de Salazar para intervir em todo o tipo de problemas, incluindo em processos judiciais e em casos de crime, violência e adultério envolvendo figuras notáveis da sociedade.

Importa recordar que essa imagem não foi construída apenas pelos admiradores que lhe sobreviveram. Foi também alimentada pelo próprio. Salazar ajudou a moldar cuidadosamente a perceção pública de uma vida austera e quase desapegada dos bens materiais. Ficou célebre a frase segundo a qual devia “à Providência a graça de ser pobre”. Décadas depois, essa frase permanece viva na memória coletiva e continua a funcionar como uma espécie de certificado moral póstumo.

A verdade, porém, como tantas vezes acontece, é mais incómoda.

Salazar cultivou durante toda a vida uma imagem de austeridade. Essa imagem tinha fundamento. Gostava pouco de ostentação, não se deixou seduzir pelo luxo exuberante e manteve hábitos relativamente sóbrios. Contudo, austeridade não é sinónimo de pobreza. Uma pessoa pode ser frugal sem ser pobre. E uma pessoa pode viver de forma simples sem deixar de acumular património.

Quando morreu, em 1970, Salazar possuía contas bancárias, propriedades rurais, terrenos, casas, objetos de prata, ouro, livros, manuscritos, coleções e diversos bens cujo valor, atualizado para os dias de hoje, atingiria montantes muito significativos. Só os depósitos bancários conhecidos correspondiam a cerca de 113 mil euros em valores atuais. A isso somavam-se casas, quintas, vinhas, olivais, pinhais e terrenos cujo valor acumulado, nos preços do mercado contemporâneo, atingiria facilmente valores de vários milhões de euros.

Nada disto faz dele um magnata. Mas também não permite continuar a repetir, sem qualificação, que "morreu pobre".

Aliás, a reportagem desmonta um dos aspetos mais curiosos da narrativa salazarista. O homem que passava a vida a falar de contenção financeira era simultaneamente proprietário de um património rural bastante respeitável. Herdou parte dele, adquiriu outra parte e valorizou alguns desses bens ao longo do tempo. Isso não constitui qualquer crime. O problema surge quando essa realidade desaparece da história e é substituída por uma imagem quase monástica.

Há ainda outro equívoco recorrente.

Os admiradores de Salazar costumam estabelecer uma comparação implícita entre o chefe do Estado Novo e alguns governantes contemporâneos. A mensagem é simples: os políticos de hoje entram pobres e saem ricos; Salazar entrou pobre e saiu pobre.

A primeira parte da frase pode ser objeto de discussão. A segunda torna-se mais difícil de sustentar.

Segundo os elementos revelados pela investigação, o antigo governante acumulou poupanças ao longo da vida, possuía património imobiliário e conservava um espólio de valor considerável. Não estamos perante alguém dependente da caridade alheia ou reduzido à indigência. Estamos perante um homem que viveu confortavelmente durante décadas e que morreu com uma situação financeira sólida.

Há ainda um dado curioso que raramente aparece nestas discussões. Atualizado para valores de hoje, o salário de Salazar como presidente do Conselho rondaria os 8.450 euros brutos mensais, valor que não difere dramaticamente daquele que aufere um primeiro-ministro contemporâneo. À primeira vista, isto parece reforçar a narrativa da modéstia. Mas só à primeira vista. É que Salazar passou cerca de 31 anos instalado no Palacete de São Bento sem suportar uma despesa que pesa fortemente no orçamento de qualquer cidadão comum: a habitação. A comparação só é justa quando se compara o pacote completo.

A questão torna-se ainda mais interessante quando se observa a fronteira entre o dinheiro privado e os recursos públicos.

Não surgem provas de enriquecimento ilícito no sentido clássico do termo. Mas aparecem numerosos exemplos de uma realidade típica dos regimes longos: a progressiva confusão entre o Estado e o governante.

Funcionários públicos trataram de assuntos privados relacionados com propriedades suas. Membros do Governo ocuparam-se de questões pessoais. Houve intervenções administrativas relativas a casas, terrenos, obras, jardins, abastecimento de água e diversos problemas da sua esfera particular. Tudo isto era frequentemente encarado com naturalidade.

E porquê?

Porque as ditaduras tendem a produzir esse efeito. Ao fim de décadas, deixa de ser evidente onde acaba o poder do Estado e onde começa a vida privada de quem governa. O aparelho público passa gradualmente a funcionar como extensão do governante.

Nem sequer é necessário existir corrupção para que essa promiscuidade aconteça.

O mesmo se verifica nos últimos anos da sua vida. Após a queda da cadeira que o afastou do poder, o Estado suportou despesas significativas relacionadas com os seus cuidados médicos e com a sua situação pessoal. Segundo os elementos reunidos pela investigação, os encargos associados ao tratamento prolongado de Salazar ascenderiam, a valores atuais, a cerca de 1,9 milhões de euros. Além disso, foi-lhe atribuído um vencimento vitalício após deixar o exercício efetivo das funções governativas.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Investigação do New York Times revela campanha de influência estatal de Israel na Eurovisão


Israel impulsionou artificialmente a sua candidata à Eurovisão através de uma campanha de influência apoiada pelo Estado, alimentando especulações de que o seu segundo lugar no voto popular foi distorcido por intervenção governamental, revelou uma investigação do New York Times.

A campanha - que incluiu fundos públicos, pressão diplomática, anúncios online multilingues e apelos diretos para que os espetadores votassem repetidamente - expôs como Israel transformou o concurso de música mais visto do mundo numa arma de soft power, enquanto a sua imagem global colapsava devido ao genocídio em Gaza.

A investigação do Times, baseada em documentos internos da Eurovisão, dados de votação confidenciais e entrevistas com mais de 50 pessoas, concluiu que o governo do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu gastou pelo menos 1 milhão de dólares em marketing relacionado com o festival. Parte do financiamento proveio do gabinete de hasbara de Netanyahu, amplamente entendido como o braço de propaganda de Israel no estrangeiro.

Só em 2024, os gastos do governo israelita em publicidade ligada à Eurovisão ultrapassaram os 800.000 dólares, a maioria proveniente do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Uma rubrica separada do gabinete de hasbara do primeiro-ministro terá alocado verbas especificamente para a “promoção do voto”.


As revelações levantam sérias questões sobre se os fortes resultados de Israel na Eurovisão refletiram um apoio público genuíno ou uma campanha governamental coordenada, concebida para fabricar uma aparência de popularidade na Europa, onde a opinião pública se virou drasticamente contra Israel devido ao genocídio em Gaza.

Supostamente, os governos não devem intervir na votação da Eurovisão, que é formalmente um concurso entre emissoras públicas e artistas. No entanto, o Times apurou que os esforços de Israel foram mais amplos e começaram anos antes do que se sabia. O governo israelita terá apoiado discretamente esforços promocionais em torno das suas participações desde, pelo menos, 2018, o ano em que Israel venceu o concurso.

O investimento aumentou acentuadamente após o início do genocídio em Gaza, quando cresceram os apelos em toda a Europa para que o país fosse excluído do certame. Segundo o jornal, as autoridades israelitas acreditavam que um desempenho forte demonstraria que Israel ainda era amado pelo público europeu, apesar dos protestos em massa, dos apelos ao boicote e das crescentes acusações de crimes de guerra.

O Padrão de Votação e a Reação Internacional
Em 2024, a representante de Israel, Eden Golan, ficou em segundo lugar no voto do público e liderou a votação em vários países onde o sentimento pró-palestiniano era forte. A comunicação social israelita celebrou o resultado como prova de que “o mundo, afinal, não está contra nós”.

O padrão repetiu-se em 2025, quando o representante de Israel, Yuval Raphael, terminou em segundo lugar na classificação geral e venceu o voto popular. Desta vez, o resultado gerou um escrutínio muito maior depois de a emissora finlandesa Yle ter revelado que o governo israelita comprou anúncios online em várias línguas, instando as pessoas a votarem em Israel até ao máximo de 20 vezes permitido.


O próprio Netanyahu publicou um gráfico nas redes sociais a encorajar o voto em Raphael (20 vezes). Grupos pró-Israel em toda a Europa circularam mensagens semelhantes, enquanto diplomatas e funcionários de embaixadas israelitas ajudaram a mobilizar o apoio da diáspora.

O diretor da Eurovisão, Martin Green, reconheceu que a campanha de Israel foi “desproporcionada” e “excessiva”, mas insistiu que esta não afetou o resultado. O Times, contudo, apurou que a União Europeia de Radiodifusão (EBU), que organiza o evento, não realizou uma investigação externa completa e manteve os dados detalhados da votação em segredo, inclusive perante as suas próprias emissoras membros.

A controvérsia intensificou-se à medida que várias estações de televisão europeias exigiram respostas. A emissora da Eslovénia solicitou repetidamente os dados da votação e ameaçou retirar-se. Espanha pediu um debate sobre a participação de Israel e alertou que o sistema de votação é vulnerável a manipulações. A emissora pública da Islândia acusou Israel de se apropriar indevidamente do concurso.

Com o aumento da indignação, Islândia, Irlanda, Holanda, Espanha e Eslovénia avançaram para um boicote à edição de 2026. Segundo o Times, os organizadores da Eurovisão temem perder centenas de milhares de dólares em taxas de participação caso o boicote se alargue.

Esta campanha faz parte de uma ofensiva de propaganda israelita muito maior. Israel aumentou drasticamente o financiamento para a hasbara à medida que o seu prestígio internacional colapsa. Relatórios indicam que o orçamento para a diplomacia pública de Israel disparou para cerca de 730 milhões de dólares — quase cinco vezes os 150 milhões alocados no ano anterior — numa tentativa de reabilitar a sua imagem após os acontecimentos em Gaza.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Claro que o partido Chega e Iniciativa Liberal estão contra a proibição das redes sociais aos menores de 16 anos

Na passada quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, o Parlamento português aprovou precisamente um projeto de lei (proposto pelo PSD) que acaba com o acesso livre de menores de 16 anos às redes sociais. Como se previa, o Chega e a Iniciativa Liberal foram os únicos partidos a votar contra a medida. Aqui está o resumo do que aconteceu e os argumentos que sustentam essa posição:
O que foi aprovado?
Idade Mínima: A "maioridade digital" sobe dos 13 para os 16 anos.
Consentimento Parental: Jovens entre os 13 e os 16 anos só podem ter conta se os pais autorizarem através da Chave Móvel Digital.
Restrições Técnicas: As plataformas ficam proibidas de usar scroll infinito, reprodução automática de vídeos (autoplay) e notificações não essenciais para este escalão etário.
Multas: As empresas que não cumprirem podem enfrentar coimas de até 2 milhões de euros.

Os argumentos do "Não" (Chega e IL)
Embora ambos tenham votado contra, as justificações focam-se em ângulos distintos
  1. Argumento Iniciativa Liberal (IL)- Defende que a solução deve passar pela literacia digital e não pela proibição. Mariana Leitão (líder da IL) afirmou que a medida exige uma "vigilância sobre todos" e que o Estado não deve substituir o papel dos pais na educação.
  2. Chega - André Ventura criticou a medida por considerá-la ineficaz e uma intromissão do Estado. O partido argumenta que proibir o acesso a jovens de 14 ou 15 anos — que já têm maturidade para outras decisões — é ignorar a realidade tecnológica atual.
Embora ambos os partidos sejam conhecidos por uma presença digital muito forte, as suas estratégias e "territórios" de eleição nas redes sociais são distintos, refletindo os seus diferentes públicos-alvo.

Com base em dados recentes de 2024 e 2025 (incluindo relatórios da CNE e MediaLab/ISCTE), aqui estão as redes mais utilizadas por cada um:

Chega: O Domínio das Massas e do Vídeo
O Chega foca-se em plataformas que permitem um alcance viral massivo e uma comunicação direta e emocional, centrada fortemente na figura do seu líder, André Ventura.
  1. Facebook: Continua a ser o grande "quartel-general" do partido. É onde obtêm o maior número de interações (reações e partilhas) e visualizações de vídeos, chegando a atingir marcas de 9 milhões de visualizações em períodos eleitorais.
  2. TikTok: É uma ferramenta vital para o partido chegar ao eleitorado mais jovem e segmentar conteúdos curtos e incisivos. Ventura é frequentemente o líder político com mais tração nesta rede.
  3. Instagram: Usado para uma mistura de atividade política e momentos mais humanizados do líder, gerando milhões de interações mensais.
  4. YouTube: Utilizado para transmissões em direto e arquivo de intervenções parlamentares, funcionando como um canal de TV próprio.
  5. WhatsApp e Telegram: Canais crescentes para mobilização direta da base de militantes sem filtros de algoritmos.
Iniciativa Liberal (IL): O "Microcosmos" de Elite e Debates
A Iniciativa Liberal foca-se em redes que privilegiam a discussão de ideias, a literacia financeira/económica e o humor gráfico (memes).
  1. X (antigo Twitter): É historicamente o "porto seguro" da IL. O partido domina frequentemente o debate político nesta rede, sendo onde o seu conteúdo é mais partilhado e discutido pela bolha mediática e política.
  2. Instagram: Usado de forma muito profissional para infográficos, cartazes digitais e uma comunicação visualmente limpa e moderna. É a rede principal para o seu público urbano e jovem adulto.
  3. Facebook: Embora presente, o engagement é geralmente inferior ao do Chega nesta rede, sendo usado mais para fins institucionais e contacto com eleitores fora dos grandes centros.
  4. LinkedIn: Ao contrário da maioria dos partidos, a IL tem uma presença relevante aqui, focando-se no eleitorado corporativo, empreendedores e profissionais liberais.
  5. TikTok: O partido tem vindo a reforçar a aposta aqui para competir pela atenção da Geração Z, embora com um estilo menos agressivo que o do Chega.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Chameleons - Saviours Are A Dangerous Thing

[Intro]
Here he comes now

[Verse 1]
Here he comes gliding down the street
Thousand dollar trainers on his feet
All the monkeys part to let him pass
Thinks he's Jesus riding on an ass

[Pre-Chorus]
Super Nero and his ego smile
As they worship the king, dancing the tango
With opinions, roasted minions
Bow as they're kissing the ring

[Chorus]
Saviours are a dangerous thing
Saviours are a dangerous thing

[Verse 2]
Here he comes to sweep you off your feet
With his little orange parakeet
Bringing as he offers something sweet
Suck-suck-suck-suck-sucking on the teat

[Pre-Chorus]
Young Narcissus and his sisters swoon
In the madness they bring, dancing the fandango
Celebration population sings
Dancing the king

[Chorus]

[Bridge]
Far from you, I feel so very far from you
From everything you say and do, I feel so very far from you

[Pre-Chorus]
Super Nero and his ego smile
As they worship the king

[Chorus]

[Outro]
I feel so very far from you
From everything you say and do
I feel so very far from you
From everything you think is true
Here he comes now, saviours are a dangerous thing

Significado da canção
A canção "Saviours Are A Dangerous Thing", lançada pelo The Chameleons em 2024 (do álbum Arctic Moon), é uma crítica contundente ao cenário político global e ao perigo de seguir cegamente figuras messiânicas ou autoritárias.

De acordo com o vocalista e compositor Mark Burgess, o significado central gira em torno de três eixos:

1. Crítica ao Populismo e Autocracia
Burgess afirmou em diversas entrevistas que a letra reflete como as pessoas tendem a buscar "salvadores" em tempos de crise. Ele mencionou especificamente o comportamento de oficiais do governo que "fazem fila para beijar o anel de palhaços" que se comportam mais como reis autoproclamados do que como funcionários eleitos. A música faz referências visuais e líricas (como o "pequeno periquito laranja") que muitos interpretam como uma crítica à figura de Donald Trump e outros líderes populistas similares.

2. Ecos da História (Anos 1930)
O compositor declarou ver muitos paralelos perigosos entre o clima político atual e a década de 1930 na Europa — o período que precedeu a Segunda Guerra Mundial e viu a ascensão do fascismo. A canção alerta que a propaganda sedutora muitas vezes usa a "máscara da esperança" para esconder ideologias perigosas.

3. A Sedução da Propaganda
A letra explora como a humanidade se rende facilmente a promessas vazias de salvação, apenas para acabar presa por "algemas invisíveis". Termos como "Super Nero" e referências a Narciso na letra reforçam a ideia de líderes egocêntricos que queimam o mundo enquanto sorriem, enquanto seus seguidores (os "minions") os adoram cegamente.

Resumo do Conceito
O título já resume a tese da banda: "Salvadores são uma coisa perigosa". A mensagem é um chamado à vigilância individual e ao ceticismo diante de quem promete soluções fáceis para problemas complexos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Alerta: Não Amplifiquem a Propaganda Chegana

Assine aqui a Iniciativa Cidadã

Evitem partilhar, republicar ou comentar vídeos e publicações de páginas associadas ao Chega, mesmo que o façam com intenção crítica.
Nas redes sociais, cada visualização, partilha ou comentário (mesmo negativo) aumenta o alcance do conteúdo original e ajuda o algoritmo a promovê-lo a mais pessoas.

Se quiserem denunciar ou expor uma publicação:
1. Façam capturas de ecrã (screenshots) ou gravem o vídeo, sem partilhar o link original.
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3. Denunciem diretamente na plataforma (Facebook, X/Twitter, Instagram, TikTok, YouTube) por incitação ao ódio, desinformação ou assédio.
4. Denunciem também na Internet Segura

Cada clique conta!
Não reforcem a máquina de propaganda do Chega! E de outros partidos racistas: ADN
Combatam-na com silêncio estratégico, factos e responsabilidade.

sábado, 26 de julho de 2025

“Tachos e tachinhos” atingem novo máximo em Portugal com Governo de Montenegro


O número de “tachos e tachinhos” no Governo de Luís Montenegro atingiu um novo máximo no terceiro trimestre de 2024, ao subir 48% face ao final de 2015, para 26,4 mil cargos, o que confirmou uma tendência que disparou durante a governação de António Costa.

De acordo com dados do Instituto Mais Liberdade, nunca houve tantos empregos públicos com vínculo de comissão de serviço, cargo político ou mandato, que abrangem todos os níveis da Administração Pública: central, regional e local. No cargo político estão ainda assessores e pessoal de apoio aos gabinetes do Governo, grupos parlamentares e autarquias.

Entre 2015 e o terceiro trimestre de 2024, há mais 8.508 cargos, sendo que 2.731 dizem respeito à administração central e 5.449 no local. Desde a chegada de Luís Montenegro ao Governo, os números dispararam para 26.358 cargos, sendo que 13 mil são de dirigentes intermédios e mais de quatro mil são representantes do poder legislativo – os restantes são técnicos e dirigentes superiores.

André Pinção Lucas, diretor executivo do Instituto Mais Liberdade, salientou que “devíamos, como sociedade, fazer um escrutínio maior destes cargos e questionar os Governos sobre a desagregação destes números pelo tipo de funções e perceber os motivos destes aumentos”. De acordo com o responsável, “só assim conseguiremos caminhar para um Estado mais eficiente e com menos gorduras”.


“É um hábito muito português na nossa política: quando há um problema, cria-se um grupo de trabalho, uma comissão ou nomeia-se um líder. E envia-se um sinal à sociedade de que alguma coisa está a ser feita”, apontou, destacando que “na maioria dos casos, é um placebo, com pouca eficácia”.

Acabar com os tachos


O Chega conquistou grande parte do seu eleitorado com a promessa que ia acabar com os tachos… ora, vamos perceber primeiro o que é um tacho.

É considerado um tacho político, ao cargo que é atribuído por lealdade partidária ou amizade, e não por mérito pessoal.

O Chega sempre teve esta como uma das suas maiores lutas. Acabar com os tachos que PS e PSD atribuíam aos seus próximos.

Entretanto, a assembleia da república tem sessenta deputados eleitos pelo chega, grande parte deles tinham rendimentos muito baixos, nalguns casos miseráveis, no ano anterior à sua entrada no parlamento.

A escolha destas pessoas é da exclusiva responsabilidade do presidente do partido, André Ventura.

Ventura já disse várias vezes que quando ganhar as eleições vai escolher os melhores para os ministérios, mas que credibilidade tem esta afirmação, quando escolheu os piores para a sua bancada parlamentar?

Ventura é uma pessoa com um ego imensurável, que precisa que os que estejam à sua volta o estejam consistentemente a bajular, a idolatrar.

Basta ver o que faz o líder da bancada parlamentar nas sessões plenárias, uma bajulação permanente e nalguns casos quase ao nível do endeusamento pacóvio.

Pedro Pinto era empresário na área da organização de eventos tauromáquicos, e é bom de ver pelos seus rendimentos, que era um dos piores na sua área, Ventura achou que era a pessoa ideal para ser líder da bancada parlamentar.

Declarou rendimentos de cerca de 16 mil euros anuais brutos, o que depois de impostos e segurança social lhe sobra menos que o salário mínimo nacional.

Das duas uma, ou é o pior na sua área, ou andou a fugir aos impostos de forma descarada.

Rita Matias, a menina dos olhos de Ventura é capaz de ser o caso mais anedótico da nossa democracia, senão vejamos.

A Rita nunca trabalhou na vida, pelo menos tendo em conta os rendimentos que declarou no ano anterior à sua entrada na AR, zero rendimentos.

A Rita tem voz todos os dias na casa da democracia, e nas televisões portuguesas.

A Rita nunca trabalhou, não faz a mínima ideia do que é procurar um emprego, não tem a mínima noção do que é começar uma carreira do zero, lutar pelo seu lugar laboral, ir a entrevistas de emprego, ser preterida em detrimento de outros. Zero.

O papá da Rita é amigo do Ventura, então falou com ele para arranjar um tacho para a sua rica filha.

Já houve muitos tachos em Portugal, mas arrisco-me a dizer que nenhum tão grande como o da Rita, que passou de zero euros de rendimento para sessenta mil por ano.

Esta gente convenceu mais de um milhão de portugueses que vai acabar com os tachos, e agora, enquanto alguns pobres que votaram neles contam os trocos para comer ao fim do mês, eles continuam a encher a conta pessoal, sem nunca se terem destacado em área nenhuma, apenas porque são amigos de Ventura, aquele que vai acabar com os tachos, enquanto enche as contas bancárias de quem o idolatra, com o dinheiro de todos nós. 

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Maravilha. Quando um patrão já não precisa do trabalhador, basta dizer: “Fica em casa, estás de férias... extra.” Sem salário, claro.


Aliás, já existe a possibilidade de, em conjunto com a empresa, o trabalhador tirar dias — mas agora esses dias têm preço. Basicamente, trata-se de mercantilizar as férias.
As férias tornaram-se um produto. No futuro, quem quiser férias terá de pagar. É sempre assim: cada vez mais à direita, cada vez pior e sempre um pouco de cada vez, para ninguém dar por isso.
Um mimo do “empreendedorismo moderno”. 
E depois há quem vote na direita porque tem medo de imigrantes.
Pois bem, agora trabalham para os donos dos Ferraris. Estão a colher o que semearam.
E não me venham os bonecos dos bilionários comentar que “o trabalhador tem de dar permissão para isso”.
Qual permissão, qual quê? Todos sabemos como funciona: o patrão diz “ou assinas ou faço da tua vida um inferno”.
Liberdade? Só se for para os de cima.
E nem falei da precariedade gourmet: trabalhas 12 meses, mas a empresa só te quer durante 10.
Vais para o desemprego e, depois, contratam-te por outsourcing durante os mesmos 10 meses. E nos outros dois? Passas fome.
A mesma direita que, cinicamente, fala de família e crianças é a que as destrói através da precariedade e da exploração.
Mas pronto, a culpa é sempre do imigrante — nunca do dono do Ferrari que compra o CHEGA ao quilo e mete avenças em políticos.

sábado, 5 de julho de 2025

O partido Chega que rasga as vestes a berrar para salvarem as nossas crianças é o mesmo partido que usa menores para “fazer propaganda” de ódio


Apesar da imunidade parlamentar, este depoimento da deputada Rita Matias configura um crime, previsto no Código Penal, com pena de prisão de seis meses a cinco anos visto ser clara a incitação ao ódio motivada por racismo, xenofobia, entre outras formas de discriminação (nomes estrangeiros).

Aliás o o nome completo da deputada é Rita Maria Cid Matias. Cid é um nome de origem muçulmana.
Basta procurar no Google para perceber que a origem deste apelido é marroquino, uma etnia de esmagadora maioria muçulmana. Derivado de "seid" ou "sayyid", que significa "chefe" ou "senhor".


Além disso depois de usar crianças para estimular o ódio, eis o jogo preferido do Chega: fomentar a divisão entre trabalhadores enquanto lhes negam direitos (creches públicas + vagas; reforço da proteção na maternidade). Nem a lama em que gostam de chafurdar consegue esconder a vossa hipocrisia.


domingo, 18 de maio de 2025

Putin faz apelo aos russos: devem ter oito filhos para salvar o país


A Rússia tem sofrido um declínio contínuo na taxa de natalidade. Supostamente o índice atingiu níveis não vistos desde o início do século XIX, de acordo com o The Moscow Times.
A Rússia vem enfrentando um problema de redução populacional há várias décadas, mas a guerra em curso na Ucrânia parece ter piorado drasticamente a situação.
Os homens russos enfrentam altas taxas de mortalidade enquanto lutam na Ucrânia ou são forçados a fugir para evitar o recrutamento, informa a Newsweek. De qualquer forma, a paternidade não é uma de suas prioridades.


O renomeado demógrafo Alexei Raksha, segundo o The Moscow Times, afirma que apenas entre 293.000 e 294.000 crianças nasceram na Rússia no primeiro trimestre de 2025, sendo fevereiro de 2025 o pior mês em mais de 200 anos.
Entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, houve uma queda de 7,6% nos nascimentos, com apenas cerca de 90.500 registados.
“Vivemos no maior país do mundo. E nossos números estão a diminuir a cada ano. E isso só pode ser resolvido aumentando a taxa média de natalidade”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citado pela Newsweek.

O jornal britânico The Guardian escreve que, em 2024, o governo russo estava discutindo a possibilidade de proibir a “propaganda” que glamoriza um estilo de vida sem crianças.
O The Moscow Times especula que, se a atual tendência nacional de nascimentos e mortes continuar, a população da Rússia poderá acabar diminuindo meio milhão de pessoas a cada ano.


Em 2010, as Nações Unidas informaram que, por cada 100 mulheres no mundo, existiam 102 homens. Em geral, as populações costumam estar distribuídas uniformemente, sendo que os homens ocupam geralmente apenas uma ligeira vantagem. Na Rússia, porém, as mulheres superam largamente os homens: em 2023, verificou-se que, por cada 100 mulheres russas, havia menos de 87 homens russos. Qual é a causa desta enorme discrepância que parece desafiar a norma global? São vários os fatores que contribuem para esta proporção assimétrica e preocupante. Fonte: From Superpower to Shrinking Nation: Is Russia Doomed to Decline?

Por causa dele têm morrido gerações de jovens russos por causa da guerra da Ucrânia e dos seus caprichos e é preciso uma lata para pedir isto à sua população que tem tantas dificuldades económicas.
Curioso em saber se os filhos dos seus ministros e militares de alta patente também estão na frente de combate.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Deportações na campanha e o ar de um tempo trágico


As deportações também rendem votos por cá. São inevitáveis. Não há novidade nas ordens de saída voluntária. Existem desde 2007 e até são inferiores, em número, a vários anos dos governos do PS. Mais uma vez, o governo faz passar por ação política procedimentos quotidianos da administração pública. O que mudou é serem anunciadas, num arranque de campanha, como bandeira política e em celebração, contribuindo para a demonização dos imigrantes. Estamos próximos do pleno emprego, temos falta de mão de obra nos setores que estes imigrantes procuram, precisamos deles para garantir a sustentabilidade da segurança social, são responsáveis pelo repovoamento de várias zonas do interior e travaram a nossa gravíssima crise demográfica. No centrão, só o PR juntou à consciência dos evidentes erros administrativos do passado, em que se deixaram pendurados processos de milhares de imigrantes, a importância económica da imigração e de valores básicos de humanidade, não celebrando a expulsão de pessoas que, como fizemos no passado, procuram uma vida melhor. Não cumprir os requisitos não é sinónimo de ser criminoso. Em Portugal, se vier uma crise económica e com este ambiente político, os imigrantes serão o bode expiatório. Nesse campeonato, só ganhará quem se especializou no filão. Como os conservadores britânicos estão a aprender.

domingo, 4 de maio de 2025

A grunhificação do discurso político


"Entre cravos e concertos: como Luís Montenegro banalizou a Liberdade com música de tasca e propaganda de feira
Este ano, o 25 de Abril e o 1.º de Maio não foram celebrados pelo Governo.
Foram transformados num arraial de conveniência política, montado às portas de São Bento, onde a história foi abafada pelo som das colunas e pelas palmas coreografadas.
Com a subtileza de um apresentador de programa das manhãs, trocou o cravo pela concertina e a responsabilidade política pelo entretenimento.
O palco foi entregue a Tony Carreira, Montenegro cantou Sonhos de Menino, e a democracia assistiu, incrédula, ao primeiro-ministro a converter duas datas fundadoras da nossa identidade colectiva numa espécie de “festival popular de propaganda patrocinado pelo contribuinte”.
Isto é uma afronta a todos os que, da direita à esquerda, ainda acreditam na honestidade, no mérito, na justiça e no valor da memória.
Porque o 25 de Abril não é uma selfie pirosa com a esposa para parecer do povinho.
O 1.º de Maio não é uma feira de comes e bebes para disfarçar a ausência de política laboral e a falta de responsabilidade.
A Liberdade não se comemora com copos na mão e discursos de propaganda eleitoral na residência oficial do primeiro-ministro.
E, enquanto nos entretém com música e circo, vai enchendo os bolsos dos mais poderosos e dos seus amigos do partido.
Este desrespeito pela separação entre Estado e negócio, entre memória e espectáculo, entre Governo e comício, é perigoso.
Desenganem-se os que acham que isto foi apenas mau gosto ou parolice.
Isto é um projecto de apagamento.
De esvaziamento do valor político da Liberdade, da ética e da justiça social.
É substituir a memória por marketing.
A política por animação.
A ética por fuga e ilusões.
A verdade por spins e whataboutism.
Este tipo de instrumentalização, de despolitização calculada, não é um acidente — é um sintoma grave de uma democracia que começa a tropeçar no seu próprio desleixo e grunhificação do discurso político.
E cabe a todos, da esquerda à direita, dizer com firmeza:
Não em nosso nome."
Eduardo Maltez da Silva

Usar os imigrantes como carne para canhão para uma campanha eleitoral, isso é que não.

"Imigração.
Cumprir as leis do país, claro que sim.
Usar os imigrantes como carne para canhão para uma campanha eleitoral, isso é que não.
Sou filho de emigrantes, eu próprio fui um emigrante, sei bem as dificuldades que levam as pessoas a emigrar, sei bem os sacrifícios que os emigrantes passam para singrar nos países de acolhimento.
É por isso que me é insuportável que o governo esteja a explorar os anúncios sobre a imigração como mero expediente de campanha eleitoral. É indigno de um país de emigração. É indigno de um país que precisa dos imigrantes. É indigno de um Estado de direito, onde a aplicação da lei não pode estar sujeita aos interesses particulares e conjunturais de uma força política no governo.
Viver na legalidade, defender a legalidade, claro que sim.
Manipular a aplicação da lei para obter votos, envergonha qualquer pessoa decente. O que o governo está a fazer envergonha." - Porfírio Silva

quarta-feira, 16 de abril de 2025

O voo anti-feminista


Opinião de um grande amigo meu Nuno Gomes
"Se fosse eu a dizê-lo seria machista. Ainda bem que é uma mulher a afirmar que este voo feminino no pirilau voador de Jeff Bezos, que foi promovido pela sua mulher e que inclui Katy Perry, a tal que beijou o chão quando chegou e está a ser gozada por toda a gente, é um voo machista. 
O que diz a jornalista é que este episódio mostra o quanto o machismo está enraizado nestas mulheres. Lauren Sánchez não foi ao espaço porque é astronauta ou cientista mas sim porque tem o privilégio de ser companheira do dono da Amazon. Uma dona de casa, portanto, uma doméstica, como o nosso antigo regime cunhava nos BI's das nossas mães que não tinham emprego reconhecido apesar de cuidarem de toda a família, embora o chefe de família fosse o marido. Mas essas eram obrigadas, já estas, quando lhes convém, são propositadamente machistas. 
E o que estas mulheres foram fazer ao espaço? Defender a sua igualdade com os homens ricos? Lutar pelos direitos das mulheres oprimidas no Afeganistão? Fazer experiências científicas? Não, nada disso, apenas tirar umas selfies e mostrar como ficam jeitosas de fato azul no pirilau do Jeff. A jornalista tem razão, o que elas fizeram foi pôr uma pedra grande sobre o feminismo e assumir a sua leviandade, porque o dinheiro tudo desculpa. Ou um pirilau espacial, melhor dizendo!"

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Autocracy Inc, descreve a rede de autocratas que procuram minar a democracia, dentro dos seus países e nos EUA

NEW YORK TIMES BESTSELLER • An Economist Best Book of 2024 • A Financial Times Best Book of 2024 • From the Pulitzer-prize winning author, an alarming account of how autocracies work together to undermine the democratic world, and how we should organize to defeat them

“A masterful guide to the new age of authoritarianism… clear-sighted and fearless.”—John Simpson, The Guardian • “Especially timely.“—The Washington Post

We think we know what an autocratic state looks like: There is an all-powerful leader at the top. He controls the police. The police threaten the people with violence. There are evil collaborators, and maybe some brave dissidents.

But in the 21st century, that bears little resemblance to reality. Nowadays, autocracies are underpinned not by one dictator, but by sophisticated networks composed of kleptocratic financial structures, surveillance technologies, and professional propagandists, all of which operate across multiple regimes, from China to Russia to Iran. Corrupt companies in one country do business with corrupt companies in another. The police in one country can arm and train the police in another, and propagandists share resources and themes, pounding home the same messages about the weakness of democracy and the evil of America.

International condemnation and economic sanctions cannot move the autocrats. Even popular opposition movements, from Venezuela to Hong Kong to Moscow, don’t stand a chance. The members of Autocracy, Inc, aren’t linked by a unifying ideology, like communism, but rather a common desire for power, wealth, and impunity. In this urgent treatise, which evokes George Kennan’s essay calling for “containment” of the Soviet Union, Anne Applebaum calls for the democracies to fundamentally reorient their policies to fight a new kind of threat.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Retirem a Helena Ferro de Gouveia do Horário Nobre!

Exigimos a retirada de Helena Ferro de Gouveia do horário nobre da televisão devido ao seu apoio inabalável ao genocídio do povo palestiniano em Gaza

Nós, cidadãos do mundo, vimos por este meio expressar a nossa profunda preocupação com a presença de Helena Ferro de Gouveia no horário nobre da nossa televisão. Esta figura pública, que defende sem reservas uma campanha de violência extrema, compromete a integridade da opinião pública ao divulgar propaganda enganosa e sem contraditório sobre a situação em Gaza.

É do conhecimento geral que Helena Ferro de Gouveia, sem respeito pelo valor da vida humana, apoia abertamente a morte de milhares de pessoas como resposta desproporcional aos eventos de 7 de outubro de 2023, quando uma fação terrorista, inicialmente criada e apoiada por Israel, atacou indiscriminadamente cidadãos israelitas. Com cada intervenção, ela procura distorcer o cenário do conflito em favor de interesses socioeconómicos e políticos específicos, gerando um desequilíbrio na perceção pública da realidade e agravando uma crise que já afeta e tira a vida a milhares de pessoas, incluindo crianças inocentes, numa escala sem precedentes.

Razões para a petição:

Propagação de ódio: O horário nobre deve estar reservado a conteúdos de qualidade. A promoção de ideias de apoio ao genocídio é um insulto aos valores fundamentais da humanidade.

Normalização da violência: Ao permitir que Helena Ferro de Gouveia expresse publicamente o seu apoio à violência contra civis, estamos a contribuir para a normalização de atos desumanos, criando um ambiente em que o sofrimento de inocentes é relativizado.

Distorção da verdade: A repetição de propaganda sem contraditório ameaça gravemente a compreensão pública do conflito, desviando a atenção das reais causas e consequências e impedindo uma visão justa e equilibrada.

Erosão dos valores éticos dos media: Os meios de comunicação social têm a responsabilidade de apresentar informação com rigor e imparcialidade. Permitir que figuras públicas transmitam opiniões extremistas e unilaterais ameaça a credibilidade dos media e contraria os seus próprios princípios de neutralidade.

Impacto negativo na coesão social: Discursos de ódio e de incitação à violência contra um povo podem desencadear divisões internas, ampliando tensões sociais e contribuindo para um clima de intolerância e desumanização.

Apelamos a todos para que se juntem a esta causa. Com o vosso apoio, podemos restaurar o equilíbrio e proteger a dignidade de um povo, afastando as influências nocivas de Helena Ferro de Gouveia.

Assinem a petição. Salvemos o povo da Palestina. Expulsemos o ódio do horário nobre.

Obrigado!


sexta-feira, 2 de agosto de 2024

A Shell e a BP financiaram a máquina de propaganda da guerra fria da Grã-Bretanha

Reunião dos diretores da BP em Londres, 1960

Documentos até agora ultra-secretos mostram como as duas empresas petrolíferas financiaram as operações de propaganda secreta do Reino Unido durante as décadas de 1950 e 60. O objetivo era garantir o acesso britânico aos principais fornecimentos de petróleo em todo o mundo em desenvolvimento.

A BP e a Shell forneceram somas avultadas ao Information Research Department (IRD), que foi o braço da propaganda britânica na Guerra Fria entre 1948 e 1977. O IRD utilizou os subsídios secretos para financiar operações de propaganda secreta britânica durante as décadas de 1950 e 1960 no Médio Oriente e em África, onde os interesses petrolíferos britânicos eram substanciais. O objetivo era promover a "estabilidade" nestas regiões, combatendo a ameaça do comunismo e do nacionalismo de recursos, melhorando simultaneamente a "imagem pública" das principais companhias petrolíferas britânicas. O objetivo era garantir o acesso britânico ao fornecimento de petróleo do Médio Oriente e de África.

Fonte: Declassified UK

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Livro da semana - Os Engenheiros do Caos


Um livro de Giuliano da Empoli, consultor político de origem italiana e suíça. Licenciado de direito com Mestrado em Ciências Políticas, foi na política italiana que se instalou, teve cargos como conselheiro principal do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, tendo sido também conselheiro sénior do vice-primeiro-ministro e ministro da Cultura de Itália Francesco Rutelli, entre outros.

A ascensão dos populismos, na Europa e não só, ganhou a forma de uma dança desenfreada que inverte as regras estabelecidas e as transforma no seu contrário. Aos olhos dos eleitores, os defeitos dos líderes populistas são vistos como qualidades, a inexperiência deles é a prova de que não pertencem ao círculo corrupto das elites e a sua incompetência é garantia de autenticidade. Já as fake news que lhes pontuam a propaganda são a marca da sua liberdade de espírito.

No mundo de Donald Trump, de Boris Johnson, de Jair Bolsonaro ou de Matteo Salvini cada dia tem a sua gafe, a sua polémica, o seu brilharete. Ao contrário do que se possa pensar, por detrás das aparências de carnaval populista está o trabalho árduo de ideólogos, cientistas e especialistas em big data, sem os quais os líderes populistas dificilmente teriam chegado ao poder.

O livro explica muito bem o perigo da ‘internet’ e como um partido consegue reunir milhares de apoiantes utilizando apenas Fake news, mas não só, por exemplo, o Movimento 5 Estrelas não possui ideologia, ou seja, utiliza empresas consultoras para perceber qual é a opinião da maior parte do eleitorado e assim aglomerar mais apoiantes, apenas lhes interessa saber o que as pessoas querem. Estas ações têm sempre um "engenheiro" por de trás, um homem que apenas tem uma função, colocar o seu cliente no poder e até isso acontecer vale tudo!

Estes são os engenheiros do caos, cujo retrato Giuliano da Empoli pinta. Uma investigação que mostra uma galeria de personagens, muitas delas desconhecidas do público em geral, que estão a mudar as regras do jogo político. Com consequências sociais inegáveis.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

George Orwell sobre Jornalismo


Liberdade para Julian Assange e Pablo González, um jornalista basco com o azar de ter dupla nacionalidade: espanhola e russa e desde o início da guerra russo-ucraniana está na cadeia na Polónia acusado sem provas de ser espião russo, quando ele fazia jornalismo ao estilo de Bruno de Carvalho.