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sábado, 21 de março de 2020

O Poder da Empatia nas Relações


Em “O Poder da Empatia”, uma das principais referências bibliográficas atuais sobre o tema – e muito importante para  o filósofo e historiador Roman Krznaric, clarifica o conceito da empatia, diferenciando-a de simpatia ou caridade, que ainda são um pouco confusos quando o tema é abordado. Ainda traz diversos casos reais e fictícios, argumentados com visões da filosofia, psicologia, neurociência, das artes, CNV (Comunicação Não Violenta) e do marketing contemporâneo.

A empatia, que o autor define como “a arte de se colocar no lugar do outro por meio da imaginação, compreendendo seus sentimentos e perspectivas e usando essa compreensão para guiar as próprias ações” (p.10), vem sendo muito citada nos nossos dias, mas parece contraditória nesta era de tecnologias e falta de tempo, que tende a nos deixar cada vez mais egoístas e autocentrados.

Mas em sua argumentação, o autor revela que o cérebro humano é equipado para a conexão social, e descreve os 6 hábitos de pessoas altamente empáticas, que podem nos ajudar a sermos mais empáticos, numa mudança que acontece de dentro para fora e pode transformar positivamente nossas atitudes com os outros. E quais são esses 6 hábitos? 

Vamos deixar aqui uma breve lista, mas vale conferir os detalhes no livro de Roman:
1) Acione seu cérebro empático: reconhecer e colocar a empatia como centro da sua vida e expandi-la sempre que possível;
2) Dê o salto imaginativo: fazer um esforço para colocar-se no lugar do outro, seja ele um desconhecido ou até mesmo o seu inimigo;
3) Busque aventuras experienciais: experimentar realidades diferentes das suas, através de viagens, cooperação social ou imersão direta;
4) Pratique a arte da conversação: retirar as nossas máscaras sociais para escutar o outro, principalmente aqueles que não conhecemos;
5) Viaje em sua poltrona: utilizar as artes, as redes sociais e todas as ferramentas possíveis para nos transportar para a mente de outras pessoas;
6) Inspire uma revolução: gerar empatia numa escala de massa para alcançar mudanças significativas.

Ao longo do texto, vemos histórias de figuras como Jesus, Gandhi, Mandela e Che Guevara, entre outras personagens reais, que viveram em ambientes diferentes dos seus, viveram experiências antes não imaginadas e conheceram pessoas que não conheceriam caso permanecessem estáticos. Com isso, conseguiram mudar suas vidas radicalmente, dedicando-se a uma causa maior, focados no objetivo de impactar positivamente aqueles ao seu redor.

Nesta reflexão bastante atual, Roman nos dá a oportunidade de enxergar o mundo sob uma visão mais ampla e menos individual, colocando-nos no lugar do outro, não através de métodos ou técnicas, mas da CONEXÃO. Não a conexão da internet, mas sim dessa necessidade de nós humanos, que, quando acontece, beneficia todas as pessoas envolvidas com uma gratificante experiência, além de transformar relacionamentos, abandonar preconceitos, julgamentos e que pode até mesmo mudar o mundo em que vivemos.

Sobre o autor
Roman Krznaric é historiador, com PhD em sociologia política, e fundador da The School of Life. Conselheiro de diversas entidades, como a Oxfam e as Nações Unidas, teve seu nome listado pelo The Observer como um dos mais influentes pensadores da Grã-Bretanha dedicado ao tema dos estilos de vida. Com livros publicados em mais de vinte idiomas, Krznaric dá palestras e workshops em todo o mundo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Dia Internacional da Resistência Não Violenta

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Frase de Bertold Brecht.
Dia Mundial da Resistência Não Violenta celebra-se a 2 de Outubro. Dia da Resistência Não Violenta pretende mostrar que se pode lutar pelo que se acredita sem recorrer à violência.

De acordo com os defensores da resistência não violenta, a luta deve ser baseada no diálogo e em manifestações pacíficas. Nunca em circunstância alguma recorrer à violência.

A Resistência Não Violenta (ou Ação Não Violenta) é a prática de exercer uma força para atingir uma meta sociopolítica através de um protesto simbólico, de não cooperação económica ou política, de desobediência civil e outros métodos, sem o uso da violência.
A Resistência Passiva é uma variedade de resistência não violenta, e é um termo usado, às vezes, de forma imprecisa como um sinónimo da mesma. Isto implica a resistência por inércia ou de conformidade não enérgica, em oposição à resistência por atividade de antagonismo. Satyagraha é uma refinada variedade de resistência não violenta desenvolvida por Mohandas Gandhi. Trata-se de uma iniciativa voltada para a educação para a paz, solidariedade e respeito pelos Direitos Humanos.
Como celebrar o Dia da Resistência Não Violenta
Este é uma oportunidade para dialogar com os seus alunos acerca da violência, o que é, como se desenvolve, os diversos tipos de violência, quais as formas e mecanismos que a podem parar, etc. Dê especial ênfase ao bullying, algo que lhes pode ser mais familiar e compreensível.
Proporcione debates, faça dinâmicas de grupo sobre este tema, promova jogos de cooperação e de trabalho em equipa.
Entretanto, trabalhar pela cultura da Não Violência nas escolas é um objetivo fundamental da ONU visando que as crianças e adolescentes possam aprender a valorizar princípios como o respeito, a tolerância, o diálogo e a solidariedade, porque a cultura da Paz faz-se nas pequenas ações do dia a dia.
Outro objetivo é fazer desta causa e ideal uma referência nas sociedades através de pequenas ações individuais mais pacíficas, lembrando que ser pacífico não é ser passivo, é agir de forma coerente e firme, norteados pelos ideais de rejeição de qualquer forma de violência.
Como outras estratégias de mudança social, ações de não violência podem surgir de diversos modos e graus. Elas podem incluir, por exemplo, uma variedade de formas como a guerra de informações, protesto artístico, lóbi, resistência à impostos, boicotes ou sanções, combate legal/diplomático, sabotagem de materiais e equipamentos,etc.
Alguns especialistas em não violência referem que muitos movimentos adotaram métodos de ação não violenta pragmáticos como uma maneira eficaz conseguir objetivos sociais ou políticos, distinguindo os métodos da ação não violenta daqueles de características morais da não violência ou dos outros de não dano.
Frases de Mahatma Gandhi sobre a Paz
  1. "Verdade, pureza, autocontrole, firmeza, coragem, humildade, unificação, paz e renúncia. Essas são as qualidades herdadas de uma pessoa que resiste." 
  2. "O mais perfeito acto do homem é a Paz. E por ser tão completo, tão pleno, em si mesmo, é o mais difícil."
  3. "As pequenas boas coisas parecem não ser nada, mas elas trazem a paz. Assim são as flores do campo que acreditamos não terem perfume, mas que, juntas, perfumam..."
Em 30 de Janeiro, na data do falecimento de Mahatma Gandhi, celebra-se o Dia Escolar Não-Violência e da Paz, um dia criado em 1964 pelo poeta e educador espanhol Llorenç Vidal.

Este Dia foi proclamado através da Resolução 61/271 adotada na Assembleia Geral da ONU a 15 de junho de 2007.
Documentos
Resolução 61/271 sobre o Dia Internacional da Não Violência adotada na Assembleia Geral da ONU [en]

terça-feira, 29 de julho de 2008

Comunicação Não Violenta


Uma visão contemporânea de gerir conflitos e frustrações e quais as consequências dos conflitos no relacionamento individual e social, por forma que seja seguro opinar, discordar, seja seguro formular a verdade.



O que é a comunicação não violenta?
A ''Comunicação Não-Violenta'' (CNV) é um processo de pesquisa continua desenvolvido por Marshall Rosenberg e uma equipe internacional de colegas, que apoia o estabelecimento de relações de parceria e cooperação, em que predomina comunicação eficaz e com empatia. Enfatiza a importância de determinar ações a base de valores comuns. Quando usada como guia na co-construção de acordos a CNV pode tomar a forma de uma série de distinções, entre as quais:
  • Distinção entre observações e juízos de valor
  • Distinção entre sentimentos e opiniões
  • Distinção entre necessidades (ou valores universais) e estratégias
  • Distinção entre pedidos e exigências/ameaças
Uma comunicação à base destas distinções tende a evitar dinâmicas classificatórias, dominatórias e desresponsabilizantes, que rotulem ou enquadrem os interlocutores ou terceiros.
A CNV enxerga uma continuidade entre as esferas pessoal, inter-pessoal e social, e proporciona formas práticas de intervir nelas.
Aqueles que se apoiam na Comunicação Não-Violenta (chamada também de "comunicação empática") consideram que todas as ações estão originadas numa tentativa de satisfazer necessidades humanas, mas tentativas de fazê-lo evitando o uso do medo, da vergonha, da acusação, da ideia de falha, da coerção ou das ameaças. O ideal da CNV é conseguir que nossas necessidades, desejos, anseios e esperanças não sejam satisfeitos às custas de outra pessoa. Um princípio-chave da Comunicação Não-Violenta é a capacidade de se expressar sem usar julgamentos de "bom" ou "mau", do que está certo ou errado. A ênfase é posta em expressar sentimentos e necessidades, em vez de críticas ou juízos de valor.
Rosenberg escolheu a comunicação conhecida como "não-violenta" para falar aproximadamente da filosofia de Mohandas Gandhi do ahimsa (ou não-violência). Não obstante, ao contrário de Gandhi, Rosenberg aprovava o uso defensivo da força - para evitar ferimentos, mas não com sentido punitivo (ou seja, com a intenção punir ou machucar alguém). Rosenberg afirma que esse desejo de punir e o uso de medidas punitivas existe somente nas culturas que têm visões moralistas do mundo, que usam as categorias de bom e mau. Ele diz que os antropólogos descrevem culturas em muitas partes do mundo em que a ideia de que alguém é "mau" não faz nenhum sentido, e que tais culturas tendem a ser pacíficas.

Utilização
Rosenberg, psicólogo clínico de formação, aplicou o modelo de Comunicação Não-Violenta em programas da paz em Ruanda, Burundi, Nigéria, Malásia, Indonésia, Sri Lanka, Oriente Médio, Sérvia, Croácia e Irlanda.
As contribuições teóricas e práticas de Rosenberg são amplamente utilizadas nas áreas de mediação e definição dos conflitos e são usadas por alguns mediadores em seu trabalho.

Ligações externas