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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Ainda o Mundial de Futebol- Denúncia de Racismo

Aleksander Čeferin

As federações de futebol de Cabo Verde, Curaçau, Usbequistão, Congo, Haiti, Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito, Gana, Senegal, Costa do Marfim e África do Sul expressam a sua profunda desilusão após as recentes declarações do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, sobre a expansão do Mundial da FIFA e a sua classificação de muitos jogos como 'desinteressantes'.

Para os nossos países, não existe nenhum jogo insignificante no Mundial da FIFA.

Para os nossos países, o apuramento para o Mundial da FIFA representa uma conquista histórica e a realização de um sonho partilhado por gerações.

Sugerir que alguns dos nossos jogos seriam de alguma forma menos importantes é profundamente dececionante e equivale a ignorar os esforços, sacrifícios e aspirações de jogadores, treinadores, clubes, dirigentes do futebol e adeptos em todo o mundo.

Por trás de cada apuramento, existem anos de trabalho árduo e investimento. Por trás de cada seleção nacional, existem comunidades inteiras e milhões de pessoas que veem o futebol como uma fonte de orgulho, esperança e união.

O futebol não pertence a um pequeno grupo de líderes privilegiados. A sua força reside na sua universalidade.

O Mundial da FIFA é a maior competição de futebol do mundo justamente porque reúne diferentes culturas, diferentes histórias e diferentes trajetórias no futebol.

Para muitos países, a participação no Mundial da FIFA não é apenas uma conquista desportiva. É um momento que inspira uma geração, acelera o desenvolvimento do futebol e cria memórias para a vida toda.

Acreditamos que toda a nação que se apura merece respeito.

Cada equipa qualificou-se por mérito.

Cada jogo conta.
Assinado por:
Federação Cabo-Verdiana de Futebol
Federação Senegalesa de Futebol
Federação de Futebol de Curaçao
Federação de Futebol do Uzbequistão
Federação Congolesa de Futebol
Federação Haitiana de Futebol
Em solidariedade com:
Federação Argelina de Futebol
Federação Tunisiana de Futebol
Federação Real Marroquina de Futebol
Federação Egípcia de Futebol
Associação de Futebol do Gana
Federação Marfinense de Futebol
Associação Sul-Africana de Futebol

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Investigação do New York Times revela campanha de influência estatal de Israel na Eurovisão


Israel impulsionou artificialmente a sua candidata à Eurovisão através de uma campanha de influência apoiada pelo Estado, alimentando especulações de que o seu segundo lugar no voto popular foi distorcido por intervenção governamental, revelou uma investigação do New York Times.

A campanha - que incluiu fundos públicos, pressão diplomática, anúncios online multilingues e apelos diretos para que os espetadores votassem repetidamente - expôs como Israel transformou o concurso de música mais visto do mundo numa arma de soft power, enquanto a sua imagem global colapsava devido ao genocídio em Gaza.

A investigação do Times, baseada em documentos internos da Eurovisão, dados de votação confidenciais e entrevistas com mais de 50 pessoas, concluiu que o governo do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu gastou pelo menos 1 milhão de dólares em marketing relacionado com o festival. Parte do financiamento proveio do gabinete de hasbara de Netanyahu, amplamente entendido como o braço de propaganda de Israel no estrangeiro.

Só em 2024, os gastos do governo israelita em publicidade ligada à Eurovisão ultrapassaram os 800.000 dólares, a maioria proveniente do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Uma rubrica separada do gabinete de hasbara do primeiro-ministro terá alocado verbas especificamente para a “promoção do voto”.


As revelações levantam sérias questões sobre se os fortes resultados de Israel na Eurovisão refletiram um apoio público genuíno ou uma campanha governamental coordenada, concebida para fabricar uma aparência de popularidade na Europa, onde a opinião pública se virou drasticamente contra Israel devido ao genocídio em Gaza.

Supostamente, os governos não devem intervir na votação da Eurovisão, que é formalmente um concurso entre emissoras públicas e artistas. No entanto, o Times apurou que os esforços de Israel foram mais amplos e começaram anos antes do que se sabia. O governo israelita terá apoiado discretamente esforços promocionais em torno das suas participações desde, pelo menos, 2018, o ano em que Israel venceu o concurso.

O investimento aumentou acentuadamente após o início do genocídio em Gaza, quando cresceram os apelos em toda a Europa para que o país fosse excluído do certame. Segundo o jornal, as autoridades israelitas acreditavam que um desempenho forte demonstraria que Israel ainda era amado pelo público europeu, apesar dos protestos em massa, dos apelos ao boicote e das crescentes acusações de crimes de guerra.

O Padrão de Votação e a Reação Internacional
Em 2024, a representante de Israel, Eden Golan, ficou em segundo lugar no voto do público e liderou a votação em vários países onde o sentimento pró-palestiniano era forte. A comunicação social israelita celebrou o resultado como prova de que “o mundo, afinal, não está contra nós”.

O padrão repetiu-se em 2025, quando o representante de Israel, Yuval Raphael, terminou em segundo lugar na classificação geral e venceu o voto popular. Desta vez, o resultado gerou um escrutínio muito maior depois de a emissora finlandesa Yle ter revelado que o governo israelita comprou anúncios online em várias línguas, instando as pessoas a votarem em Israel até ao máximo de 20 vezes permitido.


O próprio Netanyahu publicou um gráfico nas redes sociais a encorajar o voto em Raphael (20 vezes). Grupos pró-Israel em toda a Europa circularam mensagens semelhantes, enquanto diplomatas e funcionários de embaixadas israelitas ajudaram a mobilizar o apoio da diáspora.

O diretor da Eurovisão, Martin Green, reconheceu que a campanha de Israel foi “desproporcionada” e “excessiva”, mas insistiu que esta não afetou o resultado. O Times, contudo, apurou que a União Europeia de Radiodifusão (EBU), que organiza o evento, não realizou uma investigação externa completa e manteve os dados detalhados da votação em segredo, inclusive perante as suas próprias emissoras membros.

A controvérsia intensificou-se à medida que várias estações de televisão europeias exigiram respostas. A emissora da Eslovénia solicitou repetidamente os dados da votação e ameaçou retirar-se. Espanha pediu um debate sobre a participação de Israel e alertou que o sistema de votação é vulnerável a manipulações. A emissora pública da Islândia acusou Israel de se apropriar indevidamente do concurso.

Com o aumento da indignação, Islândia, Irlanda, Holanda, Espanha e Eslovénia avançaram para um boicote à edição de 2026. Segundo o Times, os organizadores da Eurovisão temem perder centenas de milhares de dólares em taxas de participação caso o boicote se alargue.

Esta campanha faz parte de uma ofensiva de propaganda israelita muito maior. Israel aumentou drasticamente o financiamento para a hasbara à medida que o seu prestígio internacional colapsa. Relatórios indicam que o orçamento para a diplomacia pública de Israel disparou para cerca de 730 milhões de dólares — quase cinco vezes os 150 milhões alocados no ano anterior — numa tentativa de reabilitar a sua imagem após os acontecimentos em Gaza.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Laibach - Musick (feat. Wiyaala)


Musick
(feat. Wiyaala)

(Intro: Wiyaala)
Aha, yeah!
We’re gonna play some musick!

(Verso 1: Wiyaala)
You wake up and it’s there
In the water, in the air
Streaming through your very veins
Dulling all your daily pains
It’s a virus, it’s a cure
It’s the only thing that’s pure
From the cradle to the grave
Everyone is just a slave

(Refrão: Wiyaala & Milan Fras)
Musick!
It’s the rhythm of the heart
Musick!
Tearing everything apart
Musick!
The obsession, the disease
Musick!
Get down on your knees!

(Verso 2: Milan Fras)
Logic is a failing sound
Silence nowhere to be found
Synthesized and digitized
The human soul is advertised
Feed the rhythm, feed the greed
Everything is what you need
The algorithm knows your name
In the hall of sonic shame

(Ponte: Wiyaala)
(Canto em Sissala/Waala)
We dance to the beat of the machine
The loudest sound you’ve ever seen
Can you feel it?
Can you hear it?
It’s taking over your spirit!

(Outro)
Musick...
Musick...
The beat goes on and on and on...
Aha!

A canção "Musick", uma colaboração entre o coletivo esloveno Laibach e a artista ganesa Wiyaala, apresenta-se como uma fusão audaciosa de Eurodance, Industrial e Afropop. Lançada num contexto de exploração da cultura pop globalizada, a faixa marca uma viragem sonora para o grupo, que adota uma estética eletrónica mais vibrante e rítmica, embora mantenha a sua assinatura ideológica sombria e provocadora. Musicalmente, o tema assenta em batidas mecânicas e sintetizadores acelerados, típicos das pistas de dança europeias, que contrastam de forma fascinante com a energia orgânica, os ritmos tribais e o alcance vocal potente de Wiyaala.

No que toca ao significado, a obra funciona como uma crítica mordaz à omnipresença da música na era digital e ao domínio dos algoritmos. O Laibach utiliza a letra para descrever a música não como uma forma de arte sublime, mas como uma patologia, um vício ou um vírus que infeta a sociedade contemporânea. Não temos mais silêncio; a música nos persegue no supermercado, nos fones de ouvido e nas redes sociais. Através do contraste entre a voz profunda e autoritária de Milan Fras e o entusiasmo visceral de Wiyaala, a canção sugere que o ser humano se tornou um "escravo do ritmo", onde a música é utilizada pela indústria para preencher o silêncio e comercializar a alma humana. Em suma, acanção aponta que a música se tornou um produto de consumo rápido ("The human soul is advertised"), perdendo seu caráter sagrado para se tornar uma "doença" da qual não queremos ser curados.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Laibach - God Is God


(God is God)
(God is God)
(Is God)

(God is God) [4x]

You shall see Hell all clear in the sky
You shall see darkness (Darkness)
You shall see good and evil (Evil)
You shall see city walls crumble and towers fall

[Chorus:]
God is God
God is God
God is God
God (Is God)

You shall see Lord of Life and Death
You shall see Heaven in Hell (Heaven in Hell)
You shall be blinded by light
You shall see darkness (You shall see darkness)

[Chorus]

You shall see the walls crumble (Crumble)
Walls built of pain (The walls built of pain)
And above the cries of man (The cries of man)
Hear one voice saying: (Aaargh)

I am Alpha and Omega
The beginning and the end
I am the first
And I
Am the last

(God is God, Aagh)
(God Is God)
[3x]

You shall see Hell (You shall see)
You shall see evil (You shall see)
You shall see darkness (You shall see)
You shall see sorrow (You shall see)
You shall see Death (You shall see)
You shall see

[Chorus]

A canção "God Is God", lançada no álbum Jesus Christ Superstars (1996), é na verdade uma reinterpretação de um tema original dos Juno Reactor, um projeto de música eletrónica de nacionalidade britânica. 
Esta antecipação de cerca de sete meses só foi possível porque ambas as bandas faziam parte da família Mute Records. Durante uma visita aos escritórios da editora, os membros dos Laibach ouviram uma demo da faixa de Ben Watkins e, com o humor subversivo que lhes é característico, decidiram gravá-la primeiro.
Enquanto a versão original se focava num transe psicadélico e numa experiência espiritual de dança, o Laibach transformou-a num hino pesado e ritualista. O significado da faixa na voz do grupo esloveno reside na exploração da natureza do poder e da submissão; a repetição do mantra sugere uma verdade absoluta e inquestionável, confrontando o ouvinte com a forma como as massas se curvam perante figuras de autoridade, seja na religião ou na política.

A voz de barítono profunda de Milan Fras, cria e adensa essa atmosfera que oscila entre o solene e o provocatório.

Ao misturar o sagrado e o profano através de uma sonoridade militarista, a banda promove um espelhamento ideológico, questionando se a fé fervorosa difere, na sua essência, do fanatismo político.

Este processo é parte da estratégia de "superidentificação" do Laibach, que adota símbolos autoritários de forma tão extrema que força o público a refletir sobre a própria natureza da obediência.

"The cover version can be seen as a cynical populist tactic by artists lacking in originality, a gesture of contempt or as a respectful example of good taste and seriousness.
Laibach's open rejection of originality makes the first view irrelevant and the new originals are too ambivalent to be either entirely contemptuous or totally respectful.
A Laibachised song is sometimes more kitsch, sometimes more serious and sometimes more emotional than the "old original" it is based on.
Laibachisation re- and de-animates a song, reviving it for long enough to dispatch it again." - Alexei Monroe, author of Interrogation Machine

The origin of “God Is God” is as a semi-parody of Juno Reactor [remix]’s song of the same name, which includes samples of Charlton Heston in The Ten Commandments, in which the main character (Moses) declares the plagues and wrath that will come form God. Laibach expands on that concept by using their own verses based on that “you will see” motif.

As it happens, the Juno Reactor song this is based on was a response to Laibach’s previous hit “Life Is Life/Opus Dei.” Which, it turns out, was itself a thematic parody of a pop-rock song “Live Is Life” by Austrian light rock band Opus.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Laibach - Allgorhythm (feat. Wiyaala) - Allgorhythm


[Intro - Milan Fras]
(Voz cavernosa e ritmada)
There's a lot of talking
When Laibach drops a song
Because we do it raw
Ignoring every law
We're shattering the rules
We're tearing down the walls

[Pré-Refrão - Wiyaala & Milan Fras]
(Wiyaala): Hey! – (Let’s) go and do the dance
(Wiyaala): Hey! – (Let’s) fall into the bubble trance
(Wiyaala): Hey! – This is our last chance
(Ambos): Hey, hey – We all go rhythm!

[Refrão - Wiyaala & Coro]
All go rhythm! All go rhythm!
All go rhythm! All go rhythm!

[Verso 1 - Milan Fras]
We must keep moving on
The past is dead and gone
No matter what you do
No one cares about your point of view
What matters is the algorithm works for you

[Pré-Refrão - Wiyaala & Milan Fras]
(Wiyaala): Hey! – (We all) go and do the dance
(Wiyaala): Hey! – (Let’s) fall into the bubble trance
(Wiyaala): Hey! – This is our last chance
(Ambos): Hey, hey – We all go rhythm!

[Refrão - Wiyaala & Coro]
All go rhythm! All go rhythm!
All go rhythm! All go rhythm!

[Ponte de Chamada - Wiyaala]
All the girls, and all the boys – All go rhythm!
Let's get loud and make some noise – All go rhythm!
Here's a beat you can't escape – All go rhythm!
Step right in and match the shape! – Let's all go rhythm!

[Interlúdio - Milan Fras]
Algorithm... Let's do it!
Algorithm... Slaves to algorithm!

[Refrão Expansivo - Wiyaala & Coro]
All go rhythm! Algorithm!
All go rhythm!
All go rhythm! Rhythm! Rhythm!
All go rhythm!

[Verso "Massas" - Wiyaala & Milan Fras]
(Wiyaala): All the tired and the poor – All go rhythm!
(Wiyaala): Huddled masses at the doors – All go rhythm!
(Wiyaala): The homeless and the rich – All go rhythm!
(Milan): From all the teeming shores...
(Ambos): Let's all go rhythm!

[Clímax Final - Wiyaala]
Some people go kung fu fighting
Some people go bit-coin mining
Oh yeah!
Some nations go dynamiting
We like to do some crazy rhyming
Yeah!
Wow, wow, wow, yeah...

[Outro - Todos]
All go rhythm!
Let's all go rhythm!
All go rhythm!
All go rhythm!
All go rhythm!
ALL!

Este é o single de impacto que prepara o terreno para o novo álbum de estúdio do Laibach, intitulado "MUSICK", com lançamento marcado para 1 de maio de 2026 pela Mute Records.

A faixa "Allgorhythm", gravada pelos Laibach em colaboração com a cantora ganesa Wiyaala, define-se musicalmente como uma fusão audaz entre o Industrial Marcial e o Afropop, operando dentro de uma estética de vanguarda que o grupo esloveno domina há décadas. O título é um trocadilho semântico direto entre as palavras Algorithm (algoritmo) e Rhythm (ritmo), servindo como o pilar central para uma crítica ácida à contemporaneidade digital. Através de batidas mecânicas e repetitivas que contrastam com a voz orgânica e potente de Wiyaala, a canção explora a transição da humanidade de antigos regimes totalitários para o que o grupo sugere ser a nova "ditadura dos algoritmos". Neste cenário, os cálculos matemáticos e os códigos invisíveis passam a ditar o ritmo da vida, decidindo o que consumimos, como pensamos e de que maneira nos movimentamos socialmente.

O significado da obra aprofunda-se no conflito entre o orgânico e o sintético, onde a presença de Wiyaala simboliza o espírito humano, a terra e o pulso vital em resistência contra uma instrumentação fria e robótica que representa a máquina. Esta dinâmica sugere uma luta pela sobrevivência da essência humana dentro de um sistema técnico que tenta quantificar e automatizar todas as formas de expressão. Fiel à sua veia satírica e provocadora, os Laibach utilizam a estética do controlo para denunciar a uniformização global promovida pela tecnologia. A música transforma o acto de dançar num comando autoritário, sugerindo que a massa moderna, embora se sinta livre, está apenas a seguir ordens programadas por inteligências artificiais num regime de opressão invisível e omnipresente.

sábado, 11 de outubro de 2025

Data de origem dos parques nacionais mais antigos da Europa

A ideia de parque nacional nasceu longe daqui — em 1872, com Yellowstone, nos Estados Unidos — mas foi na Europa que ela ganhou uma identidade própria: menos selvagem e mais humana, onde a natureza e a cultura se entrelaçam há séculos. 
Tudo começou em 1909, quando a Suécia criou os seus nove primeiros parques nacionais, entre eles Sarek e Abisko. Eram territórios de montanha e tundra, quase intocados, que simbolizavam o orgulho nacional e a necessidade de preservar paisagens únicas. Foi o nascimento oficial da conservação europeia moderna. 
Poucos anos depois, em 1914, a Suíça instituiu o seu Parque Nacional na Engadina — o mais antigo parque alpino e ainda hoje um exemplo de rigor científico. Em 1922, a Itália seguiu o caminho com o Gran Paradiso, criado a partir de uma antiga reserva de caça real. Um ano mais tarde nasceu o Parque Nacional dos Abruzos, reforçando a ideia de que proteger a natureza também é cuidar do património cultural e da vida rural. Nos Balcãs, o atual Parque Nacional do Triglav (Eslovénia) foi proposto em 1924, unindo montanhas, lagos e tradições locais — uma visão de natureza como paisagem vivida, não separada do humano. 
Depois da Segunda Guerra Mundial, o movimento expandiu-se: Reino Unido (1951), França (1963) e Espanha (1918, com Covadonga/Picos de Europa) integraram a rede de parques. A conservação deixou de ser elitista e passou a envolver o direito de todos a usufruir e proteger a natureza. A partir dos anos 1970, os parques nacionais tornaram-se também espaços de educação ambiental e sustentabilidade, com comunidades locais no centro das decisões. 
Hoje, a Europa conta com mais de 350 parques nacionais, cobrindo cerca de 1,3 milhão de quilómetros quadrados. São refúgios de biodiversidade, mas também laboratórios de convivência entre o humano e o natural — talvez a verdadeira marca do espírito europeu.

Fontes e referências
  1. Sveriges Nationalparker (oficial)
  2. Parco Nazionale del Gran Paradiso 
  3. Swiss National Park
  4. EUROPARC Federation 
  5. Terrestrial protected areas in Europe

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Música do BioTerra: Molchat Doma - Son (Молчат Дома - Сон)



Сон:

Красными искрами валится небо на нас,
Купол надежды расплавив в тот час.
Жалкими взглядами их не провести.
Поздно скрестись: нас не спасти.

Сон, мой страшный сон.
Есть только он, мой странный сон.
Я ставлю на кон,
Всю свою жизнь меняю на сон.

Тихо! Послушай, как ветер зовёт за собой,
Шепчет на ухо: «Заигрались с судьбой!»
Глянь на следы, что оставили мы.
Ветер развеет их вскоре — дальше иди.

Сон, мой страшный сон.
Есть только он, мой странный сон.
Я ставлю на кон,
Всю свою жизнь меняю на сон.


Dream:

The sky is falling down on us like red sparks,
The dome of hope melted during that time.
You can’t deceive them with pitiful glances.
It is too late to do the sign of the cross: we can’t be saved.

Dream, my terrible dream.
There is only it, my strange dream.
I am betting on it,
I change my whole life for a dream.

Quiet! Listen, how the wind calls for you,
It whispers in your ear: “tempt fate!”
Look at the footprints we left behind.
The wind will blow them away soon – carry on.

Dream, my terrible dream.
There is only it, my strange dream.
I am betting on it,
I change my whole life for a dream.

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Abelha: sabia que enfrentam até mil vezes maior risco de extinção?


O Dia Mundial da Abelha celebra-se todos os anos a 20 de maio. Este dia homenageia o aniversário do esloveno Anton Janša, pioneiro nas modernas técnicas de apicultura do século XVIII.

Esta data comemora a importância dos seres polinizadores e procura sensibilizar-nos para as ameaças que as abelhas enfrentam. Pretende-se valorizar a sua importância para o equilíbrio do ecossistema, a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável.

A ONU estima que as várias espécies de abelhas enfrentam, atualmente, um risco 100 a 1.000 vezes superior de extinção, devido ao impacto humano na natureza.

O tema em 2024 é “Compromisso com as abelhas, de mãos dadas com os jovens”. Pretende sensibilizar os jovens e outros interessados ​​para o papel essencial das abelhas e de outros polinizadores na agricultura, no equilíbrio ecológico e na preservação da biodiversidade. Ao envolvê-los em atividades de apicultura, iniciativas educacionais e esforços de defesa, envolve-se uma nova geração de líderes ambientais de modo a influenciar positivamente o mundo.

O Dia Mundial da Abelha foi proclamado pela Resolução 72/211 adotada na Assembleia Geral da ONU de 20 de dezembro de 2017.

Mas porque há a necessidade desta preocupação toda com as abelhas?
Com o avanço do uso de pesticidas e agrotóxicos, a população mundial de abelhas tem sido severamente afetada. A vida humana sem esses insetos é praticamente impossível, afinal eles são responsáveis por pelo menos 90% das flores silvestres do mundo, de acordo com a ONU.

O impacto negativo dessas tecnologias de plantio pode trazer mais problemas para o mercado da agricultura do que benefícios. Isso porque, além dos potenciais efeitos colaterais dos agrotóxicos para os seres humanos, eles também podem exterminar populações inteiras de abelhas, danificando permanentemente a plantação.

Ao todo, existem mais de 25 mil espécies de abelhas na Terra, distribuídas através de todos os continentes – menos a Antártida. Todas elas são essenciais para a manutenção da segurança alimentar humana, devido ao seu trabalho polinizador. Até a menor das plantas pode ser polinizada por esses insetos alados, já que existem espécies tão pequenas que mal podem ser vistas.

Mas para além da polinização de culturas, a abelha também é importante para a produção de alimentos em escala mundial. Isso porque ela produz o mel e própolis, matérias primas para doces e certos medicamentos naturais.

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Anja Rozen - Os humanos tecem juntos

Anja Rožen, uma menina de 13 anos de Ravne na Koroškem, Eslovénia, tem uma visão de como é a paz. Anja deu vida a essa visão por meio de sua arte, ganhando o grande prémio no Concurso de Cartaz sobre a Paz do Lions Clubs International. Concurso Internacional Placat MIRU

O poster vencedor foi selecionado pela sua originalidade, mérito artístico e representação do tema do concurso, "Estamos Todos Conectados". O Lions Clube Slovenj Gradec patrocinou o concurso local que deu a Anja a oportunidade de participar deste evento global e partilhar a sua visão com o mundo.



Este desenho é de Anja Rozen, uma estudante da escola primária de 13 anos na Eslovénia, ela foi a vencedora do concurso internacional Plakat Miru.

Anja foi escolhida entre 600.000 crianças de todo o mundo. Veja a sua explicação:

"O meu desenho representa a terra que nos conecta e nos une. Os humanos tecem juntos. Se um desiste, outros caem. Estamos todos ligados ao nosso planeta e uns aos outros, mas infelizmente temos pouco conhecimento disso. Estamos tecidos um no outro. Outros tecem ao meu lado a minha própria história; e eu teço a deles."

This drawing is by Anja Rozen, a 13 year old primary school student in Slovenia. She was chosen from 600.000 children around the world to create a piece of art to show what peace looks like. She is the winner of the international Plakat Miru competition.

“My drawing represents the land that binds us and unites us.” Humans are woven together. If someone gives up, others fall. We are all connected to our planet and to each other, but unfortunately we are little aware of it. We are woven together. Other people weave alongside me my own story; and I weave theirs," said the young designer

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Musica do BioTerra: Laibach - Rossiya


United forever in vast, endless space
Created in struggle by unhappy race
We're sunrise of freedom
We're frozen in ice
United forever in great Russia's embrace.

From the Arctic Circle
To the southern seas
Deserted forests
Never-ending steps
The unbreakable union
Of fraternal states
United forever in Great Russia's embrace

Славься, Отечество
наше свободное,
Славься, страна моя!
Мы гордимся тобой!

The rise - the prisoners of starvation
The rise - the damned of the Earth
Let's get them together
Let's break us free
The world is changing
At it's core

Long live great Russia's motherland
Built by the people and their mighty hands
Long live young nation
United and free
Shining in glory
For all men to see

Славься, Отечество
наше свободное,
Славься, страна моя!
Мы гордимся тобой! 

Video e concerto censurado na Rússia 
Our Russian agent was now again trying to organize two Laibach shows in Moscow and St. Petersburg in February 2015, but he was advised from the ‘higher authority’, not to do these concerts, due to a 'strong political risk of a disturbing reaction from local "orthodox christianity” activists’. Laibach is apparently not the only foreign group on the ‘Black List’. We sincerely hope that these new dark times in Russia (and elsewhere in the world) will soon end and we can come to perform for you again, without the witch-hunt hysteria and black lists.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

O que aconteceu com o glifosato?

Obra do pintor bávaro Wilhelm von Kobell, “Rast beim Pflügen”, pintada em 1800.


No dia 15 de dezembro de 2022 aconteceu algo que passou completamente despercebido pela sociedade. Quase nenhum comunicado de imprensa foi coletado. Porém, é algo tão importante quanto chover ou não; tão importante quanto saber se a água que bebemos está contaminada ou não, mas o que foi omitido da sociedade?

A Comissão Europeia decidiu prorrogar, por mais um ano, a permissão de utilização do herbicida glifosato nos nossos campos de cultivo e parques públicos. E fê-lo sem ainda ter disponível o relatório da EFSA que apoia, ou não, a extensão legal da sua utilização. A EFSA é a Agência Europeia para a Segurança Alimentar, responsável por fornecer aconselhamento técnico-científico à Comissão Europeia. Deve recordar-se que esta agência deverá ser um organismo independente. No entanto, os seus relatórios têm sido historicamente influenciados por lobbies. A elaboração do relatório sobre a relação entre a saúde humana e o glifosato, por parte deste órgão, foi prorrogada para cinco anos, desde a anterior prorrogação legal do período de utilização ocorrida em 2017.

Mas não há realmente provas suficientes sobre como o glifosato afecta a biodiversidade dos nossos ecossistemas e a saúde humana? Pelo menos isso parece emergir das ações da Comissão Europeia. Apesar da recusa de vários países em continuar com a legalidade do seu uso como produto fitossanitário, incluindo a França, a UE decidiu usar a sua prerrogativa para desfazer o “bloqueio institucional” que tornou o glifosato ilegal, e assim prorrogar a licença.
Por enquanto, o glifosato é um perturbador comprovado do sistema endócrino, alterando o nosso sistema hormonal desde o primeiro desenvolvimento embrionário. Foi demonstrado que é capaz de alterar a biota intestinal de qualquer organismo a níveis patológicos. Da mesma forma, também provou ser um desregulador do ecossistema, afetando polinizadores, organismos fotossintéticos e a fauna e bactérias que habitam o solo.

Deste grupo dedicamos alguns artigos para demonstrar a abundante evidência científica disponível sobre os efeitos do glifosato na saúde humana ou sobre o seu efeito perturbador nos ecossistemas e a sua limitada capacidade de melhorar as técnicas convencionais de cultivo. Além disso, um estudo epidemiológico recente realizado pela Associação Campagne Glyphosate em França indica que 99,8% dos franceses teriam níveis detectáveis ​​de glifosato nos seus corpos. A quantidade média encontrada é de 1,19 ng/ml; quantidade aparentemente minúscula à qual, no entanto, se observou atividade estrogénica (disrupção endócrina) enquanto altera a expressão do receptor de estrogénio em células humanas em concentrações “ambientalmente relevantes”

Então porque é que a Comissão Europeia concordou em prolongar a sua utilização na União Europeia por mais um ano? O que há de novo nas evidências científicas disponíveis sobre como o herbicida mais utilizado no mundo afeta a saúde humana e os ecossistemas? O seu benefício realmente supera o risco?

Os números do capitalismo herbicida
Entre 2011 e 2020 , foram vendidas em média 350 mil toneladas anuais de pesticidas na União Europeia, herbicidas representando ⅓ do volume total de vendas e, destes, a maior parte deles, 40%, correspondem a herbicidas organofosforados, onde o glifosato é o representante da maioria. Em Espanha, durante estes anos houve um aumento de 46% nas vendas de herbicidas, ascendendo a cerca de 20.000 toneladas por ano.

Apenas um enorme volume de negócios como este pode explicar porque é que mais de 14 países apoiam a continuação da utilização do glifosato nos nossos campos. Países que, no seu conjunto, representam nada menos que 64,73% da população. No entanto, na Comissão de Recursos da Comissão Europeia, onde foi finalmente decidida a extensão da sua utilização, é necessária uma maioria qualificada de ⅔ para aprovar um parecer. O poderoso lobby do agronegócio quase teve sucesso. As grandes abstenções da França, Alemanha e Eslovénia, bem como o voto contra de outros 3 países (Croácia, Luxemburgo e Malta), permitiram bloquear uma votação a favor de uma licença de longo prazo para a utilização deste herbicida.

O grande volume deste negócio pode explicar por que tantos países são a favor do comércio legal desta substância nos nossos campos, apesar das abundantes evidências dos danos que causa à nossa saúde e aos ecossistemas. As vendas da empresa criadora do herbicida, Bayer-Monsanto, ascenderam em 2021 a cerca de 4.200 milhões de euros . É um herbicida que, comercialmente, apresenta cerca de 200 formulações e que existem diversas empresas que o comercializam. Nos EUA, as vendas totais deste herbicida ascenderam a mil milhões de dólares em 2018, enquanto em Espanha representaram cerca de 1.100 milhões de euros em 2017.

Em contraste com o poder das empresas que lucram com este negócio, destacam-se os quase 1,5 milhões de pessoas na Europa que se apresentaram e assinaram a favor da proibição do glifosato em 2017, quando a proibição estava a ser discutida pela primeira vez. .

Saúde humana
Desde que a proibição do glifosato foi rejeitada na UE em 2017, foram descobertos novos efeitos na saúde humana, tais como danos neurológicos e sintomas psicológicos decorrentes da exposição continuada. Além disso, já existe uma base empírica sólida que liga o glifosato a danos no tecido neuronal e algumas hipóteses sobre as vias de ação do glifosato na produção desses sintomas preocupantes.

Por outro lado, uma revisão da bibliografia recente, realizada pela pesquisadora Bożena Bukowska e vários colegas da Universidade de Łódź (Polónia), mostra que o glifosato estaria afetando a sociedade de forma sistêmica, além de poder prejudicar tecidos específicos. O herbicida seria capaz de alterar o padrão de expressão de múltiplos genes, inclusive daqueles que controlam a estrutura tridimensional do DNA quando ele está compactado no núcleo de nossas células. Essa estrutura tridimensional, que se forma graças a diferentes proteínas, inclusive as histonas, é chamada de cromatina. O glifosato estaria afetando a produção de algumas proteínas que controlam o grau de compactação da cromatina. Assim, muitas outras proteínas que devem se ligar a determinados locais para regular a expressão dos genes (proteínas chamadas fatores de transcrição) não seriam capazes de fazê-lo.

O grau de alteração é muito grande.Tanto que afeta a regulação do ciclo celular. O ciclo celular é um padrão altamente regulado de função, crescimento e divisão. Sua alteração é um dos requisitos na formação de tumores. Além disso, segundo Bukowska, não apenas a expressão desses “oncogenes” seria alterada, mas a expressão de outros genes importantes no metabolismo e na própria regulação da expressão gênica seria alterada. Mesmo em baixas concentrações de glifosato. Mas a coisa é ainda pior: existem alguns destes mecanismos reguladores cuja modificação durante a vida (seja pelo glifosato, por outros contaminantes, por estilos de vida e outros factores) é herdada pela descendência, pelo que potencialmente a nossa exposição ao glifosato pode afectar a vida dos gerações futuras.Isso é conhecido como epigenética e o glifosato estaria alterando isso.

Outra descoberta recente mostrou uma ligação plausível entre a exposição ao glifosato durante a gravidez e o nascimento prematuro.
O trabalho, realizado por um grupo interdisciplinar liderado por Corina Lesseur, do Departamento de Medicina Ambiental e Saúde Pública da Icahn School of Medicine (Nova Iorque, EUA), afirma que a exposição ao glifosato "pode ​​afetar a saúde reprodutiva, encurtando a duração do gestação” e lamentam a escassez de estudos a este respeito “dada a crescente exposição [ao herbicida] e o fardo para a saúde pública do nascimento prematuro”.

Na mesma linha, também foram encontradas evidências de que diminuiria o crescimento fetal nas concentrações atualmente presentes em nossos corpos.

Ecossistemas e biodiversidade
Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade de Konstanz (Alemanha) encontrou mais um efeito do glifosato nos polinizadores. Já sabíamos que afectava a microbiota simbiótica das abelhas melíferas, mas o que não se sabia era que os zangões selvagens podiam ver a sobrevivência da sua ninhada afectada porque “a capacidade colectiva de manter as altas temperaturas necessárias da ninhada diminui em mais de 25% durante os períodos de limitação de recursos” na presença de concentrações de glifosato comuns em nossos ecossistemas. Para os polinizadores nos nossos ecossistemas altamente stressados, a exposição ao glifosato acarreta custos ocultos que até agora têm sido largamente ignorados.Na mesma linha, um estudo aprofundado dos efeitos do glifosato na microbiota e no sistema imunológico das abelhas melíferas, liderado por Erick VS Motta, da Universidade de Austin (Texas, EUA), não deixa margem para dúvidas:
As concentrações presentes nos campos de cultivo produzem uma inibição do sistema imunológico das abelhas melíferas e simplificam a sua microbiota intestinal, tornando-as mais suscetíveis a infecções por bactérias e fungos oportunistas.

Conclusão
Uma pesquisa publicada recentemente mostrou os efeitos nocivos do glifosato nos ecossistemas e na própria saúde humana. A Comissão Europeia não pode fazer ouvidos moucos às provas disponíveis de quantidade e qualidade suficientes para aplicar uma suspensão do uso de glifosato enquanto a legislação o permitir. O número de distúrbios de saúde que pode produzir e a profundidade das alterações sistémicas no nosso ecossistema não podem ser ignorados antes do relatório da EFSA, que será publicado ao longo deste ano. Nem sequer é necessário recorrer ao princípio da precaução dado o número de casos.

No entanto, a última decisão está nas mãos dos interesses políticos e dos mercados. E é aí que a sociedade civil deve organizar-se e influenciar para mudar as posições das suas elites políticas e assim evitar uma nova licença para este herbicida. O dilema é claro : a divulgação deste facto é necessária e o pessoal científico não pode ficar calado face a outro desastre para a vida no nosso planeta, como o glifosato.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Rachel Carson Pesticide Action Month


We're at Peak Pesticide and Silent spring is almost here...

Rachel Carson gave the world an important warning in 1962 with the publication of her famous book ‘Silent Spring’. It led to the very necessary ban of DDT and other highly toxic chemicals. But the system didn’t change. We didn't go 'the other way' she describes in the last chapter of her book. We let the pesticide industry define the rules. Other pesticides were introduced, toxic business went on as usual and the use went up. Pesticide reduction is a myth so far, the sales are higher than ever. We’re at Peak Pesticide and Silent Spring is almost here. We know it and many reports and recent publications show it. We urgently need a paradigm change away from pesticides to avert a total biodiversity crisis and create real foodsecurity. We have to strongly reduce pesticide use and start right now. We also expose the myth that we are doing well in the EU. Europe has not reduced pesticide use since 1990. The world has seen an 80% rise in pesticide use since 1990. And Europe is one of the world's leading pesticide exporters.

During the month, many pesticide related events will take place. Organised live and online, by the Pesticide Action Network and partner organisations. PAN Europe presented the report "Pesticide Paradise, how industry and officials protected the most toxic pesticides from a policy push for sustainable farming". This report stresses the urgence to free ourselves from the shackles imposed on us by the chemical industry. They have far too much control over regulations, rules and definition of criteria and indicators. The result we can see in the huge increase in pesticide use worldwide, as shown in the Pesticide Atlas 2022 and in various new report on biodiverity decline. We can only move towards a toxic-free world and give a future to the generations to come if we free ourselves from the suffocating influence of the pesticide industry.

1 Million EU Citizens vote for biodiversity and an end to synthetic pesticides

A great tribute to Rachel Carson came on October 10, when the EU Commission formally approved the Save Bees and Farmers citizens initiative. One million official votes by registred EU citizens for restoration of nature and biodiversity, an end to synthetic pesticides and support for farmers to work with nature. This marks the end of an era where the chemical industry called the shots. This time for real!

Quotes

“Can anyone believe it is possible to lay down such a barrage of poisons on the surface of the earth without making it unfit for all life? They should not be called “insecticides’, but “biocides’.”

Rachel Carson, Silent Spring P 7-8

“Future historians may well be amazed by our distorted sense of proportion. How could intelligent beings seek to control a few unwanted species by a method that contaminated the entire environment and brought the threat of disease and death even to their own kind? Yet this is precisely what we have done.”

Rachel Carson, Silent Spring, P 8-9

“Global biodiversity is in crisis, with extinction rates running at more than 1,000 times natural levels and likely to accelerate. Insects in particular are undergoing catastrophic declines, yet these small creatures are vital to the functioning of ecosystems and to our own survival. A major cause of their decline are the plethora of pesticides applied to farmland, and in our streets and gardens. Rachel Carson would weep is she were alive to see how much worse this has become since she published Silent Spring. We urgently need to move towards truly sustainable farming systems, and bring an end to all uses of pesticides in gardens and towns.”

Dave Goulson, Professor of Biology, University of Sussex

“We have lost 55% of farmland birds and 39% of grassland butterflies in Europe since 1990 alone. While we see a 300% increase in the volume of pollinator-dependent crops since 1961, we are also seeing a rapid loss of pollination services, especially by wild pollinators. These numbers seem staggering, but scientists estimate the speed of losses to be under-estimated. We know almost nothing about most invertebrates, and we know particularly little about soil organisms. We do know that we are emptying vast tracts of land from life. Through monocultures, urban infrastructure, transport systems, light pollution and pesticides (to name just a few), we generate landscapes that are devoid of life. We combat pests to maximise production, but with them we remove many more organisms that are trying to survive in the lands we have taken over. Even on cow-dung we see no flies or beetles, as deworming agents and antibiotics clean up animals’ stomachs - later on penetrating into the soil and the water we drink. Silent Spring is expanding to a silent life on Earth. Our pesticides, among other means to combat nature, are poisoning us too. Not only the food we eat, but also the land and water, the insects we depend on, and the soil that nourishes our crops. We are risking our future on Earth: we cannot produce on a dead land.”

Guy Pe'er, PhD, conservation biologist, butterfly expert, expert on the EU’s Common Agricultural Policy (German Centre for Integrative Biodiversity Research (iDiv) and UFZ - Helmholtz Centre for Environmental Research)

Our health in danger

"Parkinson's disease is currently the fastest-growing brain disease in the world. There is growing evidence that this serious neurological disease is largely caused by factors present in our environment. These include air pollution and repeated traumatic brain injuries, but also exposure to toxic substances in our environment, such as trichloroethylene and pesticides used in agriculture. The evidence for the relationship between Parkinson's and various pesticides is compelling: in a number of countries, farmers have been shown to have a significantly increased risk of developing the disease, and the same is true for those living near agricultural plots. Moreover, exposure of laboratory animals to various pesticides produces damage in brain regions relevant to Parkinson's, and leads to outwardly observable signs of parkinsonism in these laboratory animals. Fortunately, some of the most suspected pesticides have now been banned. However, the question is whether the currently used pesticides are completely safe; in this respect, there are increasing concerns that the currently used authorisation procedures do not provide sufficient insight into whether or not a specific pesticide increases the risk of Parkinsonism. Moreover, the risk of exposure to so-called cocktails of pesticides has hardly been considered to date, even though this is the reality in our daily lives. Farmers cannot be blamed in this regard, they are complying nicely with existing laws and regulations, and they themselves are the biggest victims as they seem to have the highest risk of Parkinson's. In order to curb the rapid global growth of Parkinson's, urgent steps are needed, including better protection of farmers and others exposed to pesticides, improving authorisation procedures at European level, and looking for alternatives to pesticides."

Prof. dr. Bas Boem, neurologist, Parkinsons specialist at Radboud University Medical Centre

Main issues and sources
Video


sexta-feira, 20 de maio de 2022

Dia Mundial das Abelhas




Em homenagem às verdadeiras raínhas e reis das flores - os nossos insectos polinizadores !
Abelhas, abelhões, moscas, formigas, escaravelhos, besouros, borboletas...e Outros - observem com atenção - todas as flores silvestres, das maiores às mais pequeninas, têm o seu ou os seus polinizadores- porque também eles evoluíram com elas em tamanho forma, para se ajustarem garantirem a polinização, fecundação e formação dos frutos e sementes - sim ervas espontâneas com flor também dão seus frutos e sementes!

As abelhas são frequentemente associadas ao mel, mas o seu papel na sustentabilidade do planeta vai muito além da produção desse alimento. Elas são os polinizadores mais importantes do mundo, atuando como um pilar invisível que sustenta a biodiversidade, a segurança alimentar global e o equilíbrio económico de diversas nações. Compreender a sua importância é o primeiro passo para travar o declínio alarmante das suas populações.

O Motor da Biodiversidade e do Equilíbrio Ecológico
A reprodução da grande maioria das plantas de flor depende diretamente da polinização, o processo de transferência de pólen das partes masculinas para as partes femininas de uma flor. Ao voarem de flor em flor em busca de néctar e pólen, as abelhas realizam este serviço de forma incrivelmente eficiente. Sem elas, a arquitetura dos ecossistemas colapsaria: a flora nativa reduziria drasticamente, afetando a sobrevivência de aves, pequenos mamíferos e insetos que dependem dessas plantas para alimentação e abrigo. As abelhas garantem, portanto, a variabilidade genética e a sobrevivência das florestas e pastagens do nosso planeta.

Segurança Alimentar e o Impacto na Economia Global
No que toca à alimentação humana, o impacto das abelhas é direto e vital. Estima-se que cerca de um terço dos alimentos que consumimos dependa, em alguma medida, da polinização por insetos, sendo as abelhas as grandes protagonistas. Cultivos essenciais como maçãs, amêndoas, melões, café, cacau e uma enorme variedade de legumes e vegetais dependem crucialmente deste processo para gerarem frutos viáveis e de qualidade. Além da segurança alimentar, existe um impacto económico mensurável: milhares de milhões de euros no setor agrícola global estão diretamente vinculados ao trabalho gratuito destes polinizadores. A escassez de abelhas traduz-se, inevitavelmente, em quebras de produção e no encarecimento dos alimentos.

As Ameaças Modernas à Sobrevivência das Abelhas
Apesar da sua importância inequívoca, as populações de abelhas enfrentam uma crise sem precedentes. O declínio acentuado das colónias — muitas vezes associado ao Distúrbio do Colapso das Colónias (CCD) — é provocado por uma combinação de fatores humanos. O uso intensivo de pesticidas e inseticidas na agricultura moderna (especialmente os neonicotinoides) afeta o sistema nervoso das abelhas, desorientando-as e impedindo o seu regresso à colmeia. A este fator somam-se a perda de habitats naturais devido à urbanização e monoculturas, as alterações climáticas que desregulam o tempo de floração das plantas e a propagação de doenças e parasitas, como o ácaro Varroa destructor.

Conclusão e Caminhos para o Futuro
Garantir o futuro das abelhas é garantir o próprio futuro da humanidade. Proteger estes insetos exige uma mudança de paradigma que passa pela redução do uso de agroquímicos agressivos, pela criação de corredores ecológicos e pela preservação da flora local. Pequenas ações individuais, como plantar flores nativas em jardins e varandas ou apoiar a apicultura local e sustentável, também fazem a diferença. Proteger a abelha não é apenas um ato de conservação ambiental; é uma necessidade urgente de salvaguarda da vida na Terra.

Referências Bibliográficas
  1. Aizen, M. A., et al. (2009). How much does agriculture depend on pollinators? Lessons from long-term international data. Annals of Botany, 103(9), 1579-1588.
  2. FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). (2018). Why bees matter: The importance of bees and other pollinators for food and agriculture. Roma: FAO.
  3. Goulson, D., et al. (2015). Bee declines driven by combined stress from parasites, pesticides, and lack of flowers. Science, 347(6229), 1255957.
  4. Potts, S. G., et al. (2010). Global pollinator declines: trends, impacts and drivers. Trends in Ecology & Evolution, 25(6), 345-353.

domingo, 23 de janeiro de 2022

Disposable e-bikes? The problem with unrepairable batteries


You’d be forgiven for thinking that bicycles are ideal products when it comes to repairability. Unfortunately, it seems, bikes too are a victim of the common trope: they don’t make ‘em like they used to, write Jean-Pierre Schweitzer and Chloé Mikolajczak.

At least this is what a US based campaign claimed last week, as bike mechanics called on manufacturers to stop producing “built to fail budget bicycles”. According to the campaign, some bikes last as little as 90 hours of riding, with essential components such as frames and bearings literally falling apart.

Aside from impossible to repair budget bicycles, the rapidly growing market for e-bikes is also presenting its own repairability dilemma: is it better to replace or repair e-bike batteries? And what can cyclists do when replacement batteries are not available?

E-bikes battery packs make up the most valuable component of electric bikes. Batteries can cost between 300 to over 1000 EUR and may make up to 50% of the overall cost. Yet batteries are ultimately consumables, and based on their usage they will need to be changed between every 2 to 7 years once power begins to fade.

The battery packs on e-bikes are composed of the battery cells, the casing and the battery management system. While battery cells have a standard format (18650 being the most popular), the battery packs and management systems are tailored to manufacturers and sometimes to specific bike models – which can create barriers to repair and replacement.

Just as in consumer electronics like smartphones, non-replaceable or non-repairable batteries in bikes and scooters can result in shorter product lifetimes, increased electronic waste, loss of rare materials, and unnecessary expenditure for consumers, as shown by a recent report by the EEB, the Right to Repair campaign and the Institute for Industrial Environmental Economics at Lund University.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Fossil fuel companies are suing governments across the world for more than $18bn

The majority of the cases are being brought under the Energy Charter Treaty, and are being hosted within the International Centre for The Settlement of Investment Disputes, a branch of the World Bank.




Fossil fuel companies are suing governments across the world for more than $18bn (£13bn) after action against climate change has threatened their profits, according to research conducted by campaign group Global Justice Now and provided exclusively to Sky News.

Five energy companies, including British companies Rockhopper and Ascent, are using a legal process that allows commercial entities to sue governments under international laws governing trade agreements and treaties.

These corporate arbitration courts operate outside of a country's domestic legal system.

According to Global Justice Now, which has collated publicly available information, five of the largest lawsuits under way are being brought by TC Energy, RWE, Uniper, Rockhopper and Ascent Resources.

The $18bn they are collectively suing for is almost a quarter of the entire climate funding provided by developed nations for developing ones, according to the Organisation for Economic Co-operation & Development's (OECD) most recent assessment.

Rockhopper is currently suing the Italian government for $325m (£234.8m) in a dispute related to a ban on offshore oil drilling close to the coastline.



Ascent is asking for $118m (£163.3m) from Slovenia after it passed legislation requiring environmental assessments for fracking.

Canada based TC Energy, the company behind the controversial Keystone XL pipeline, is suing the US government for $15bn (£10.9bn) after the Biden administration cancelled the project, citing the fight against climate change.

Meanwhile German companies RWE and Uniper are suing the Dutch government for $1.6bn (£1.16bn) and $1.06bn (£768m) each following the Dutch government's move to phase out coal and shut down coal-fired power plants by 2030.

Image:Uniper are suing the Dutch government after its move to phase out coal and shut down coal-fired power plants by 2030

The majority of the cases are being brought under the Energy Charter Treaty, and are being hosted within the International Centre for The Settlement of Investment Disputes, a branch of the World Bank.

The Energy Charter Treaty was created after the end of the Cold War and was designed to provide a stable, transparent legal framework that protected foreign investors as energy markets opened up.

Global Justice Now trade campaigner Jean Blaylock told Sky News: "Fossil fuel companies should be paying to fix the climate crisis they caused, but instead they want a payout.

"They're suing governments who take climate action through secretive corporate courts, massively increasing the cost of climate action".

She added: "These courts are built into trade deals and operate outside of and supersede domestic courts and legal systems. That means a country that passes meaningful legislation to phase out fossil fuels could face a multi-billion dollar fine, despite acting entirely legally. It's utterly undemocratic.

Countries 'not on track' to meet Paris climate pledges, says report


"These cases are only becoming more common as governments commit to climate action. World leaders may finally be waking up to the threat of the climate and ecological crisis, but fossil fuel companies are holding them to ransom, demanding ever-greater pay-outs through corporate courts.

"When world leaders gather in Glasgow, they'll make lofty promises on climate action, but it will all be for nought if fossil fuel companies can sue governments into a state of climate paralysis. It could make a mockery of pledges at COP26."

Global Justice Now campaigners say that the UK is a hub for the international arbitration system and that all, but two of the top 30 law firms, involved in the lucrative industry have offices in London.

Protestors are planning to gather outside these law and energy firms on Friday.


A spokesperson for Rockhopper told Sky News: "The Energy Charter Treaty is designed to provide a stable platform for energy sector investments. The Italian government issued licences and encouraged significant investment in oil and gas exploration, based on this platform.

"Clearly it is not equitable to change the rules halfway through. It is also important to note that those rule changes made by the Italian government were not related to climate change and that Italy continues to produce significant quantities of oil and gas within 12 miles of the coast."

A spokesperson for German company RWE said: "RWE is not suing the Dutch government for deciding to phase out coal. We expressly support the energy transition in the Netherlands and associated measures to reduce carbon emissions.

"[But] the Dutch law does not provide for the resulting disruption to the property of affected companies. We do not consider this right."

"RWE has therefore filed a request for arbitration against the Netherlands at the International Centre for Settlement of Investment Disputes [ICSID] in Washington under the Energy Charter Treaty."

A spokesperson for Ascent Resources told Sky News: "Slovenia's Ministry of Health, Ministry of Infrastructure, the Institute of the Republic of Slovenia for Nature Conservation, the Forestry Institute of the Republic of Slovenia, the Chemical Office of the Republic of Slovenia and the Conservation Institute of the Republic of Slovenia all concluded that an Environmental Impact Assessment (EIA) was not required.

"The ARSO [Slovenian Environment Agency] decision was therefore not based on the recommendations of Slovenia's own experts and, furthermore, it contradicted the opinions they gave.

"It is therefore manifestly arbitrary and unreasonable."

A spokesperson for Uniper said: "The Dutch government has announced its intention to shut down the last coal-fired power plants by 2030 without compensation.

Six everyday things you can do to help stop global warming

"Uniper is convinced that shutting down our power plant in Maasvlakte after only 15 years of operation would be unlawful without adequate compensation.

"International law provides a different standard of investment protection open to investors from other countries in international courts. The international tribunal is appointed by both parties, i.e. the Dutch state and Uniper.

"We are convinced that such an international tribunal will also form an objective opinion."

TC Energy said that it was unable to comment further on a legal matter.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Dia Mundial das Abelhas


Nas reuniões das Nações Unidas não se discutem só sanções económicas e notas de repúdio a decisões políticas. Outros assuntos dominam a agenda deste órgão multi-nacional que tem entre muitas outras funções a de designar os Dias Mundiais.

Estas efemérides são criadas em jeito de chamada de atenção para que o resto do mundo tome consciência sobre determinada assunto e, desta vez, são as abelhas a merecer a nossa dedicação.

20 de Maio foi o dia escolhido para se tornar o Dia Mundial da Abelha numa resolução praticamente unânime, apoiada por 155 dos 193 estados membros da ONU. A ideia é, cá está, evidenciar a importância destes pequenos insectos.

As abelhas são animais polinizadores por excelência e, por isso, elos vitais na cadeia alimentar. Para percebermos a sua importância na nossa sociedade, basta dizer que se estima que o seu “trabalho” anual esteja estimado entre 235 e 557 mil milhões de dólares de acordo com os dados da Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services.

Todos os membros da União Europeia se juntaram em apoio ao documento numa resposta clara ao contexto europeu – a percentagem de insectos polinizadores desceu 25% nos últimos trinta anos.

Embora não se saiba com certeza o que terá causado essa queda brutal e potencialmente destrutiva do ecossistema, os cientistas acreditam que se deva especialmente ao tipo de pesticidas como o neonicotinoide.

Nesse sentido, e numa atitude pioneira e politicamente inspiradora, na Eslovénia, é já desde 2011 banido o uso deste tipo de pesticida – uma decisão que a UE pretende alargar a todos os países do espaço europeu. O pequeno país balcânico foi um dos principais promotores desta iniciativa junto da ONU.

Dejan Židan, deputado e ex-ministro esloveno já reagiu ao anúncio dizendo sucintamente que “As abelhas e outros polinizadores têm finalmente o espaço que merecem em consideração pela sua importância para o mundo e a humanidade.”

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