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domingo, 21 de junho de 2026

O economista Abhijit Banerjee, Nobel da Economia, defende taxar água utilizada para IA

“O projeto da inteligência artificial gerou tanto entusiasmo, que não conseguimos pensar em todas as consequências”, disse em entrevista à agência Lusa, defendendo que “em algum ponto é preciso pensar em como taxar o gasto na IA”.

Neste sentido, considera que se deve pensar no preço da água, sendo que em alguns lugares usam muita água para a IA e até em locais muito secos, pelo que existe uma avaliação errada dos preços e “estão a aproveitar-se disso e a construir centros de dados em lugares um pouco inesperados”.

“Precisamos de uma política sobre preços para todos estes recursos que estão a utilizar”, defendeu, nomeadamente tendo em conta os impactos que esta tecnologia vai ter no mercado laboral e o que Estado vai ter de gastar em termos de compensar os trabalhadores que vão perder o trabalho.

Já existem taxas por exemplo direcionadas às emissões de gases de estufa, como a taxa de carbono, sendo que um modelo semelhante poderia ser utilizado para a água, sugeriu.

“Existem tantos recursos que estão a ser usados para IA”, que estão a provocar danos no resto do mundo, disse.

Os serviços de inteligência artificial (IA) implicam mais água do que outras aplicações, sendo que a geração de 10 a 50 respostas em texto de uma ferramenta de IA generativa requer cerca de meio litro de água, segundo um estudo da Universidade da Califórnia.

De acordo com uma nota informativa da plataforma espanhola Maldita, “os serviços de IA exigem mais água do que outras aplicações típicas de ‘data center’ (centros de dados, em português)”, sendo que a geração de imagens por ferramentas de IA implica também mais energia e, consequentemente, mais água.

Abhijit Banerjee recebeu o prémio Nobel da Economia de 2019, em conjunto com Esther Duflo e Michael Kremer. Os três economistas foram premiados pela “abordagem experimental para aliviar a pobreza global”, segundo a Real Academia de Ciências da Suécia. 

Os trabalhos conduzidos pelos laureados “introduziram uma nova abordagem para obter respostas fiáveis sobre a melhor maneira de reduzir a pobreza no mundo”, adiantou a Academia.

sábado, 20 de junho de 2026

Nobel defende imposto sobre mais ricos para diminuir desigualdades


O Prémio Nobel da Economia de 2019 Abhijit Banerjee considerou, em entrevista à agência Lusa, que se deve tributar os mais ricos para diminuir a desigualdade e possibilitar mais margem orçamental para medidas de combate à pobreza.

Para o economista, desde a pandemia da Covid-19 tem havido uma série de choques que prejudicaram os rendimentos das famílias mais pobres, que têm vindo a estagnar.

"Até à pandemia, os rendimentos reais dos mais pobres estavam a aumentar e agora, em muitos sítios estão a estagnar", o que considerou não ser surpreendente tendo em conta a subida dos preços da alimentação, bem como as mudanças no mercado de trabalho.

Para Abhijit Banerjee, "há algo que mudou depois de 2019 no mundo e isso é mau para os mais pobres", disse.

O economista apontou ainda que se tem espalhado uma ideia de que o Estado-social talvez seja "demasiado generoso", nomeadamente pelos partidos de direita, mas ainda assim, "a desigualdade está a explodir por todo o mundo".

"Não entendo por que esta ideia tem recebido alguma legitimidade", confessou, salientando que "muitos países têm sistemas de providência social bem desenvolvidos na Europa, por exemplo, e poderiam fazer mais através desse sistema".

No entanto, tal pode não acontecer porque o envelope orçamental está a ser gerido da forma errada, "principalmente porque não estamos a conseguir taxar os ricos".

O Nobel considerou que há uma oportunidade para fazer este avanço, ainda que constatando que "os muito ricos são muito bons em desinformar as pessoas e tentar criar 'loop holes' (lacunas)", fingindo que não têm rendimentos nenhuns por forma a não serem taxados.

"Não estão a pagar taxas, está-se a cortar tudo o resto" e isso "parece insustentável", afirmou, sinalizando esperança de que "as pessoas realmente aceitem que isso é insustentável".

Os impostos sobre os mais ricos dariam margem orçamental para o Estado-social, tendo em vista mitigar as desigualdades, mas também para fazer face às consequências da implementação da Inteligência Artificial no mercado de trabalho, em particular na classe média, defendeu.

Quanto às medidas para mitigar as desigualdades, afiançou que não é preciso inventar políticas, mas sim assegurar que chegam às pessoas certas, apontando que em Espanha, onde foi feito um estudo, "muitas pessoas pobres não aproveitam os subsídios porque o acesso é muito complicado".

"A questão não é desenvolver mais complicações, mas ser relativamente generoso, especialmente no mundo de hoje com desigualdade e raiva social", apontou, acrescentando que "qualquer Governo que realmente queira ter durabilidade e bom impacto tem de pensar em como fazer bem o Estado-social".

"E isto não é sobre reduzir o Estado-social, é sobre aumentar os fundos e voltar a aplicar tributação aos mais ricos", concluiu.

Abhijit Banerjee recebeu o prémio Nobel da Economia de 2019, em conjunto com Esther Duflo e Michael Kremer. Os três economistas foram premiados pela "abordagem experimental para aliviar a pobreza global", segundo a Real Academia de Ciências da Suécia. 

Os trabalhos conduzidos pelos laureados "introduziram uma nova abordagem para obter respostas fiáveis sobre a melhor maneira de reduzir a pobreza no mundo", adiantou a Academia.