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sexta-feira, 4 de agosto de 2023

A enorme e escandalosa borla fiscal à aviação


Em 2022, o Estado português perdeu 1,2 mil milhões de euros em receitas fiscais devido à baixíssima carga de impostos e taxas que aplica no sector da aviação
Numa altura em que as emissões de dióxido de carbono no mundo têm de baixar praticamente para metade até 2030 para evitar os efeitos mais catastróficos das alterações climáticas, a aviação é responsável por emissões crescentes desse gás, colocando-a perigosamente em contramão com um clima estável. Uma das principais razões para este crescimento nas emissões reside numa subtributação e subregulação crónicas do sector, que o desincentiva a investir em tecnologias menos penalizadoras do ambiente e torna as viagens artificialmente baratas, fazendo aumentar a procura. A manter-se este estatuto fiscal privilegiado, o tráfego aéreo e as emissões continuarão a crescer insustentavelmente.

A ZERO, como membro da Federação Europeia de Transportes e Ambiente, revela um novo estudo que mostra o quanto as viagens aéreas europeias de passageiros tiram partido de benefícios e isenções fiscais, olhando para as receitas que são efetivamente arrecadadas pelos Estados e comparando-as com as que deveriam ter sido angariadas se o sector da aviação deixasse de ter esses benefícios e isenções. Este diferencial de que o sector beneficia é, na prática, um buraco fiscal nos cofres do Estado e uma borla às companhias aéreas, as quais muito comumente não cobram IVA na emissão de bilhetes (ou cobram a uma taxa reduzida), abastecem de combustível não sujeito a imposto sobre produtos petrolíferos, e têm licenças de emissão de dióxido de carbono atribuídas gratuitamente. O estudo debruça-se sobre os países da UE27, Reino Unido, Noruega, Suíça e Islândia (referidos como Europa), e os resultados dizem respeito ao verificado em 2022 e previsto para 2025 (assumindo que por esta altura o tráfego aéreo já terá recuperado totalmente face aos níveis pré-pandemia).

Borla fiscal na Europa é todos os anos muito superior à totalidade do PRR português
Em toda a Europa, o fosso fiscal representa um enorme défice de receitas públicas. O estudo constata que, em 2022, os governos europeus perderam 34,2 mil milhões de euros dessa forma, o que, em termos comparativos, é mais de 50% superior a todo o envelope financeiro do Plano de Recuperação e Resiliência português. Na União Europeia (UE), que só cobrou em 2022 cerca de 5 mil milhões de euros em taxas e impostos à aviação, esse valor foi de 26,4 mil milhões de euros – ou seja, a UE no ano passado só cobrou cerca de 16% da receita que deveria ter cobrado.

Estes benefícios comparáveis tiveram ainda implicações em termos de emissões, pois viabilizaram um acréscimo de 34,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) emitidas para a atmosfera. Se contabilizados os efeitos não CO2 – que incluem a emissão de outros gases com efeito de estufa, tais como óxidos de azoto e vapor de água, bem como a formação de contrails (rastos de condensação) que têm um efeito de aquecimento da atmosfera –, o efeito é de cerca de 104,4 milhões de toneladas de CO2 e, o que é perto do dobro do total das emissões anuais registadas em Portugal em 2021.

Este paraíso fiscal tem efeitos muito prejudiciais na economia e ambiente, pois ao favorecer um sector em detrimento de outros leva a distorções de mercado, reduzindo a concorrência – da ferrovia, por exemplo –, tem custos de oportunidade – pois limita a receita dos estados e a disponibilidade de fundos para investimentos públicos na descarbonização das economias, incluindo a do sector da aviação –, exponencia um modelo de mobilidade insustentável assente em viagens aéreas artificialmente baratas sustentadas pelos contribuintes e poluentes, em que o princípio do poluidor pagador não é respeitado, e não dá o sinal necessário às companhias para adotarem tecnologias menos prejudiciais do ambiente.

Em 2025, caso os governos nacionais e da UE não acabem com estes benefícios, o buraco fiscal aumentará para 47,1 mil milhões de euros na Europa, e 35,7 mil milhões de euros na UE. Isto significa também um buraco crescente na redução de emissões de dióxido de carbono.

Uma borla fiscal do Estado português à TAP e às outras companhias aéreas de 1,2 mil milhões de euros em 2022
No caso de Portugal, em 2022 o Estado português perdeu 1,2 mil milhões de euros em receitas fiscais devido à baixíssima carga de impostos e taxas que aplica no sector da aviação. Em 2025, se o Governo não revir os benefícios que aplica às companhias aéreas que operam no país, este valor atingirá mais de 1,4 mil milhões de euros, provavelmente mais de 1,5 mil milhões de euros considerando as projeções de crescimento do turismo em Portugal. Trata-se de valores anuais, que poderiam pagar a descarbonização do transporte rodoviário público em Portugal ou a terceira travessia exclusivamente ferroviária entre Chelas e Barreiro, uma infraestrutura essencial que permitirá operar serviços que competem com o transporte aéreo nas ligações até 600 quilómetros, permitindo a ligação Lisboa-Madrid em cerca de três horas.

Em Portugal não há impostos sobre o combustível dos aviões – situação comum ao resto da UE, em que as companhias aéreas nunca pagaram um único cêntimo deste imposto –, o IVA sobre os bilhetes é inexistente ou baixo – é aplicada uma taxa de IVA de 6% nos voos domésticos continentais –, é aplicada uma quase inexpressiva taxa de carbono fixa de dois euros por bilhete – que diminui nuns meros 3% o buraco fiscal da aviação em Portugal. Para agravar, as licenças de emissão de CO2 a que as companhias estão sujeitas só se aplicam nas viagens intraeuropeias, e muitas são oferecidas – o que também é comum ao resto da UE. O que não é comum ao resto da UE é que, no conjunto, em Portugal estas receitas representam apenas cerca de 10% do que deveriam representar, o que compara com os 16% na UE.

Só a TAP beneficiou em 2022 de 450 milhões de euros em isenções e subsídios fiscais – 270 milhões de euros por via direta de impostos sobre o combustível e sobre o preço do carbono e 180 milhões por via indireta do IVA e taxas de que os seus passageiros beneficiam.

É urgente a aplicação do princípio do poluidor pagador na aviação, pondo as companhias e passageiros a custear todos os prejuízos climáticos e ambientais que originam

No entender da ZERO e das suas congéneres europeias, é preciso a nível europeu acabar muito rapidamente com as isenções fiscais injustificadas ao combustível de aviação – por que razão a gasolina e o gasóleo para transporte rodoviário de passageiros e mercadorias são taxados (e bem) e o jet fuel não é? –, garantir que o Comércio Europeu de Licenças de Emissão cobre todas as emissões de carbono de todos os voos, incluindo os de longo curso, e aplicar IVA em todos os bilhetes de avião a uma taxa suficientemente elevada (o estudo recomenda uma taxa de 20%).

No curto prazo, os governos nacionais não estão de mãos atadas e podem e devem aplicar as suas próprias taxas desenhadas de forma a fechar o buraco fiscal. No caso de Portugal, essa taxa deveria ser de cerca de, em média, 20 euros para uma viagem doméstica, 48 euros para uma viagem intraeuropeia e 281 euros para uma viagem intercontinental de longo curso. Mas esta taxa pode ser aplicada diferenciadamente, por exemplo, incrementalmente em função do número de viagens que o passageiro faz regularmente, i.e., a chamada taxa de passageiro frequente, penalizando sobretudo quem viaja muito. Este tipo de taxa ajuda a reduzir o impacto ambiental das viagens aéreas, desencorajando voos excessivos e reduzindo as emissões.

Para a ZERO, a aplicação do princípio do poluidor pagador na aviação implica que as companhias aéreas e passageiros custeiem todos os prejuízos climáticos e ambientais pelo quais são responsáveis – por exemplo, pagando o ar condicionado em escolas e hospitais devido a Verões mais quentes –, e por conseguinte parte das receitas arrecadadas deve ser para aí dirigida. Paralelamente, deve-se assegurar que a outra parte é reinvestida em tecnologias limpas, incluindo combustíveis limpos na aviação (tendencialmente combustíveis sintéticos produzidos a partir de hidrogénio verde e CO2 capturado) e promoção e desenvolvimento de modos de transporte alternativos menos poluentes, como o ferroviário. A ZERO realça que estes impostos não devem ser percebidos como uma punição, mas antes como um imperativo social e ambiental.

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Livro- "21 Lições para o Século XXI" de Yuval Noah Harari


“Previously, we learned to manipulate rivers, forests, animals… but we didn’t fully understand the ecological system of the planet, and completely destabilized it. Now, because we don’t understand the human mind, danger is that Biotechnology (manipulating our bodies and brains) will destabilize our internal – our mental – ecological system.

“No passado, aprendemos a manipular rios, florestas, animais… mas não compreendemos totalmente o sistema ecológico do planeta, e o desestabilizamos por completo. Agora, pelo fato de não compreendermos a mente humana, corremos o risco da Biotecnologia (por meio da manipulação dos nossos corpos e cérebros) desestabilizar o nosso sistema ‘ecológico’ interno (nosso sistema mental).” - Yuval Noah Harari

Resenhas

Curta-Metragem

O Futuro frente aos avanços da IA e da BioTecnologia - Prof. Yuval Harari


Roda Viva | Yuval Harari | 11/11/2019

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Os rastos dos aviões fazem parte de uma conspiração mundial? Não, dizem os cientistas


Há 20 anos nasceu a teoria de que os rastos brancos dos aviões no céu contêm propositadamente substâncias nocivas com um objectivo secreto. Esta teoria da conspiração voltou a chumbar na última avaliação dos cientistas.

Em 1915 — poucos anos depois dos primeiros voos controlados da história —, o físico austríaco Robert Ettenreich observava uma aeronave rodeando o céu no sul do Tirol quando notou uma longa e fina nuvem estendendo-se atrás dela.

Ettenreich descreveu o que viu em um estudo de 1919, como sendo "a condensação de uma linha de cúmulos com os gases de escape de uma aeronave", observando que ela ficou visível por um longo tempo.

Um capitão com inclinação poética do Corpo Médico do Exército dos Estados Unidos descreveu os rastos em 1918 como "diversas nuvens estranhas e impressionantes — longas e graciosas fitas brancas em laços". E acrescentou que nunca havia visto antes "um avião escrevendo em branco sobre a lousa azul do céu".

À medida que a jovem indústria da aviação amadurecia e se expandia pelos céus, os rastos de nuvens se tornaram uma visão cada vez mais comum. Sua presença chamativa despertou a atenção de muitas pessoas — e até gerou a crença, surpreendentemente comum, numa teoria da conspiração sobre os rastos deixados pelos aviões. Mas a real preocupação dos cientistas é o seu impacto climático.

As 'trilhas de condensação'
Após as primeiras observações no início do século 20, a causa exata dos rastos de nuvens deixados pelos aviões foi motivo de debate por décadas, segundo Ulrich Schumann, professor de física atmosférica do Centro Aeroespacial Alemão (DLR, na sigla em alemão).

As primeiras teorias propuseram que os rastos seriam vibrações do motor do avião ou efeitos de cargas elétricas. Outros imaginaram se elas ocorreriam devido ao vapor d'água supersaturado, mas isso foi descartado porque se acreditava que a quantidade de vapor emitida seria insuficiente.

Descobrir as causas dos rastos dos aviões não foi uma grande preocupação até a Segunda Guerra Mundial, quando eles foram considerados um problema pela primeira vez.

"Eles [os rastos] revelam a posição das aeronaves. Você pode ver o rastro de um avião durante o voo", afirma Schumann. "Por isso, durante a Segunda Guerra Mundial, os militares tentaram evitar os rastos de nuvens porque queriam impedir a visibilidade das suas aeronaves."

As primeiras explicações corretas sobre a formação dessas nuvens foram elaboradas no início dos anos 1940 e 50. Foi quando surgiu o que agora é conhecido como critério de Schmidt-Appleman, que demonstra que as condições para formação dependem da pressão ambiente, da humidade e da relação entre a água e o calor liberados pelo avião.

Em resumo, os rastos dos aviões — chamados em inglês de contrails, abreviação de "trilhas de condensação" — são nuvens de partículas de gelo em formato linear que se formam depois da passagem das aeronaves. Eles podem ter de 100 metros a vários quilómetros de comprimento.

Três coisas são necessárias para que os rastos se formem: vapor d'água, ar frio e partículas sobre as quais o vapor d'água possa condensar-se.

O vapor d'água é produzido pelos aviões quando o hidrogénio do combustível reage com o oxigênio do ar. Em condições frias (tipicamente, abaixo de cerca de -40 °C), ele pode condensar-se, normalmente sobre as partículas de fuligem também emitidas pelos motores das aeronaves, numa nuvem de gotículas que se congelam para formar partículas de gelo.

De forma geral, o processo relembra o congelamento da respiração em um dia frio de inverno, segundo Schumann.

Nem todas as aeronaves produzem rastos de nuvens. Estima-se que eles ocorram em cerca de 18% dos voos. É preciso que o ar esteja suficientemente frio para que a água congele e, por isso, eles normalmente aparecem apenas acima de certas altitudes — tipicamente, 6 km, ou 20 mil pés.

E a quantidade de voos que produz os rastos de nuvens mais persistentes é ainda menor. Quando o ar é limpo e sem nuvens, os rastos desaparecem rapidamente, pois o ar seco ambiente causa a sublimação das partículas de gelo (elas passam do estado sólido diretamente para o gasoso).

Mas se a atmosfera estiver húmida, as partículas de gelo não conseguem sublimar-se e os rastos podem durar por muito mais tempo.

"Os rastos podem durar apenas alguns minutos se o ar à sua volta for seco, mas, quando for húmido, eles podem persistir e espalhar-se para aumentar a formação de cirros", afirma Tim Johnson, diretor da organização sem fins lucrativos Aviation Environment Federation (AEF), com sede no Reino Unido.

Ele acrescenta que isso é importante porque os rastos de nuvens e o aumento da captura do calor irradiado pela Terra nas nuvens contribuem com o aquecimento do nosso planeta. E esse aquecimento é somado ao outro importante impacto climático da aviação — o CO2 lançado em imensas quantidades pelo escapamento dos aviões, que representa cerca de 2,5% das emissões globais de gás carbônico.

Mas o impacto climático dos rastos dos aviões é muito mais complicado que o das emissões de CO2

O efeito sobre o aquecimento global
Nos anos 1960, começaram a surgir os primeiros estudos observando que os rastos dos aviões poderiam ter um efeito sobre a Terra, mas de resfriamento, segundo Schumann.

Isso ocorre porque o tom de branco das nuvens induzidas pelos rastos dos aviões reflete a luz solar para longe da superfície da Terra durante o dia, de forma similar aos cirros, que são nuvens naturais também compostas de cristais de gelo.

Mas os cientistas logo perceberam que os rastos de nuvens dos aviões também podem ter efeito de aquecimento da Terra, por meio de um efeito "estufa" de captura da luz infravermelha. "Eles capturam o calor emitido pela superfície da Terra e emitem parte dele de volta para a superfície", afirma Schumann.

Este processo é similar à forma como os céus nublados produzem nuvens mais quentes.

Dependendo das condições exatas, um desses efeitos opostos pode sair vencedor. Rastos de nuvens formados sobre um cenário coberto de neve, por exemplo, não aumentam o resfriamento com a reflexão da luz solar, pois a superfície já é branca e refletora. Os rastos dos aviões também aquecem mais à noite, pois não há luz solar para ser refletida por eles. Por isso, o único efeito que ocorre é o de aquecimento.

Tudo isso, aliado à dificuldade de compreensão das condições atmosféricas exatas que formam os rastos dos aviões e a sua diferenciação dos cirros naturais depois que eles se espalham pelo céu, faz com que a definição de números exatos sobre o impacto climático dos rastos de nuvens dos aviões seja algo complicado.

Mas a compreensão atual é de que "em média, em todos os países do mundo, ao longo de um ano, os rastos dos aviões aquecem", segundo Schumann.

O último estudo importante sobre o impacto climático dos rastos de nuvens, publicado em 2020, estimou que os impactos da aviação não relacionados ao CO2 — basicamente, os rastos de nuvens — triplicam a "promoção radiativa" das emissões de CO2 isoladamente.

De certa forma, esta é uma comparação capciosa, já que os efeitos de aquecimento dos rastos dos aviões e do CO2 ocorrem em horizontes temporais muito diferentes. "Os rastos de nuvens têm um esforço promotor muito forte, muito mais forte que o CO2. Mas os rastos têm vida curta e desaparecem após cerca de uma hora. Já o CO2 permanece por muito tempo — ele pode permanecer por 100 anos", explica Schumann.

A solução
Ainda assim, os cientistas alertaram que o efeito de captura de calor dos rastos de nuvens poderá triplicar até 2050, se nenhuma medida for tomada.

A boa notícia é que esta pode ser, na verdade, uma ação razoavelmente simples. Pesquisadores demonstraram que apenas 2,2% dos voos contribuem com 80% dessa promoção e ajustes relativamente pequenos das altitudes desses voos — com baixo custo de combustível — poderão reduzir enormemente o efeito de aquecimento dos rastos de nuvens.

Pesquisas indicaram ainda que a formação de rastos de nuvens pode também ser reduzida diminuindo-se a quantidade de partículas de fuligem emitidas pelos voos, pois elas fornecem os núcleos onde se formam os cristais de gelo.

Evitar voar através de ar muito úmido, onde podem formar-se rastos de nuvens persistentes, é a medida mais importante neste processo, segundo Schumann, passando-se a voar acima, abaixo ou em volta dessas regiões. Mas ele afirma que são necessárias melhores previsões do tempo para possibilitar esta medida.

"As previsões meteorológicas que temos hoje em dia não são suficientemente precisas para este propósito", segundo ele.

Em carta à revista Nature em 2021, dois pesquisadores argumentaram que o ajuste das altitudes de voo para minimizar a formação de rastos de nuvens poderá ser uma das medidas climáticas mais económicas que podem ser tomadas.

Eles calculam que evitar os rastos de nuvens mais prejudiciais custaria US$ 1 bilião (cerca de R$ 5,1 biliões) por ano, com benefício de mais de mil vezes este valor. "Não conhecemos nenhum investimento climático comparável com probabilidade tão alta de sucesso", escreveram eles.

Mas, embora os governos reconheçam os desafios climáticos impostos pelos rastos dos aviões, poucas ações políticas foram tomadas até agora, segundo Tim Johnson.

"Todos os objetivos climáticos definidos para o setor pela indústria, pelos países e pelas Nações Unidas referem-se apenas ao CO2", explica ele. "O debate sobre a incerteza científica e medições apropriadas é frequentemente mencionado como razão para dedicar maiores pesquisas em vez de ações."

No Reino Unido, os consultores governamentais sobre mudanças climáticas afirmaram que efeitos não relativos ao CO2, como os dos rastos de nuvens dos aviões, precisam ser objeto de maior atenção.

Observar esses efeitos agora é essencial, especialmente considerando como as tecnologias do futuro, como o hidrogénio, podem reduzir as emissões do setor, segundo Johnson.

A teoria da conspiração
Apesar das complicações, os impactos de aquecimento e resfriamento dos rastos de nuvens são bem estabelecidos dentro da ciência.

Mas essas linhas finas que pairam acima de nós no céu também inspiraram uma teoria que não é sustentada pela ciência: que elas são rastos de substâncias químicas tóxicas pulverizadas de forma intencional na atmosfera por dezenas de milhares de aeronaves comerciais.

"As pessoas que acreditam na teoria da conspiração acham que os rastos de nuvens dos aviões são pulverizados deliberadamente para fins malignos", afirma Amy Bruckman, pesquisadora de computação social do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos. Em 2021, Bruckman foi uma das autoras de um estudo observando como as pessoas passaram a acreditar na teoria da conspiração dos rastos de nuvens dos aviões.

"Elas têm diferentes opiniões sobre os seus propósitos. Alguns acreditam que seja controle populacional ou controle da mente", segundo ela. "Diversas pessoas acreditam que seus problemas de saúde são causados pela pulverização."

A teoria da conspiração dos rastos de nuvens dos aviões é uma crença inacreditavelmente disseminada. Uma pesquisa concluiu em 2016 que 10% dos americanos acreditam que a teoria da conspiração é "totalmente verdadeira", enquanto outros 20-30% a consideram "um pouco" verdadeira.

A crença não apresenta divisões entre filiações partidárias e, ao contrário de outras teorias da conspiração, homens e mulheres parecem acreditar igualmente nos rastos dos aviões, segundo Bruckman.

No Reino Unido, os rastos de nuvens deixados pelos aviões viraram tendência nas redes sociais por diversas vezes no último verão do hemisfério norte. O site de verificação Full Fact desmente regularmente fotos e outras afirmações sobre supostos rastos de nuvens.

A crença, muitas vezes, é relacionada a preocupações de que os governos ou as empresas estão implementando modificações climáticas secretas em larga escala. Cerca de 61% das postagens em inglês nas redes sociais sobre geoengenharia entre 2008 e 2017 estavam relacionadas à teoria da conspiração dos rastos dos aviões.

Defensores da geoengenharia solar queixam-se de que a teoria da conspiração é tão grande que prejudica o debate público real sobre a geoengenharia.

A teoria da conspiração dos rastos de nuvens dos aviões começou nos anos 1990, mas irrompeu de forma generalizada no início dos anos 2000, quando se espalhou pela internet.

"Em 2001, muitas pessoas falavam sobre os rastos dos aviões, eles apareceram de repente", afirma Schumann. Ele ressalta que a teoria é "totalmente ilógica". Seu instituto mede as emissões causadas pelas aeronaves e não encontrou nenhuma substância química artificial.

"Tudo são coisas que você compreende facilmente a partir da combustão de querosene", segundo ele. "Não há nenhuma evidência de que existam rastos químicos."

Mas estas provas são regularmente desmentidas pelos teóricos da conspiração. Um colega de Schumann que citou seu trabalho para alguém que acreditava nos rastos químicos ouviu rapidamente que Ulrich Schumann era um "cientista inventado" que não existe — segundo o relato do próprio Schumann.

Não é difícil entender por que as pessoas vêm refletindo sobre o efeito dessas linhas finas feitas pelo homem no céu há mais de um século. Mas a necessidade real agora é concentrar-nos na sua melhor compreensão e na tomada de ações sobre os seus impactos climáticos.

Jocelyn Timperley é jornalista sênior da BBC Future. Sua conta no Twitter é @jloistf.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Geoengenharia poderia agravar ainda mais as mudanças climáticas, diz cientista


A geoengenharia seria uma maneira de combater as mudanças climáticas com a mesma urgência que o problema exige e alguns cientistas apostam nessa ferramenta, como lançar sulfatos à atmosfera para resfriá-la — pelo menos, em teoria. No entanto, outros alertam sobre as consequências nocivas que esta mudança artificial pode acarretar a planeta.

Enquanto o mundo avança para ultrapassar o limite de 1,5 °C de aquecimento global — em relação aos níveis pré-industriais —, a geoengenharia pode se tornar a resposta mais imediata em combate a este problema, mas isso não significa que seja a melhor alternativa.

A cientista climática Kate Ricke do Scripps Institution of Oceanography, explicou que, uma vez que a geoengenharia é relativamente simples e, portanto, de fácil acesso, inevitavelmente muitos países optarão por esta saída, mas as consequências podem ser desastrosas.

Além disso, Ricke ressaltou ainda não entender como o uso da geoengenharia — também conhecida como intervenção climática — ainda não tem uma grande adesão, uma vez que em termos de economia ela é vantajosa. Mas a cientista foi taxativa: “para mim, isso significa que é realmente urgente fazer mais pesquisas”.

Geoengenharia em ação

Uma forma de geoengenharia seria injetar grande quantidade de aerossóis de alguns sulfatos na atmosfera terrestre, onde seriam espalhados por todo o globo. Em teoria, essas substâncias atuariam refletindo parte da radiação solar e, assim, resfriaram o clima da Terra.

Nuvens liberadas pelo vulcão Cumbre Vieja, em setembro deste ano, dispersando-se pela atmosfera 

Este mesmo efeito é percebido quando ocorre uma erupção vulcânica, na qual suas grande colunas de fumaça lançam grande quantidades de sulfatos à atmosfera, derrubando a temperatura em algumas partes do mundo. No entanto, trata-se de um fenmeno natural que da história do planeta.

Já a geoengenharia poderia provocar o efeito oposto e piorar as condições climáticas, que já não andam muito bem — sobretudo porque definir seu impacto ´num sistema tão complexo quanto o terrestre é uma tarefa difícil. Além de depositar a solução das mudanças climáticas em uma única ferramenta.

Por essas e outras razões, a cientista climática ressaltou a necessidade de que mais pesquisas sejam feitas na área antes que qualquer geoengenheiro tente “salvar” a Terra. “[Para] ter uma tomada de decisão coletiva em escala global, você precisa de uma ciência vista como legítima por todos”, acrescentou Ricke.

Nuvens longas e estreitas deixadas por navios acima do Pacífico (Imagem: Reprodução/NASA)

Alguns projetos já estão em andamento, como a criação de nuvens mais brancas produzidas com a água do mar para refletirem mais luz solar e, portando, resfriar o planeta. Ainda assim, a pesquisa segue tentando entender os possíveis impactos locais e globais deste geoengenharia.

Fonte: Via Futurism

Saber mais:

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Por que a geoengenharia é uma promessa ambígua de proteção climática?


A tecnologia, entre muitas coisas, está a serviço da proteção climática. São muitas as técnicas de geoengenharia que oferecem a possibilidade de sermos menos impactados pelo aquecimento global, ou que – em alguns casos – até poderiam nos ajudar na mitigação do fenômeno. Mas ainda pairam muitas dúvidas a respeito da segurança de sistemas que lidam com uma força em parte imprevisível: a natureza. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O director da CIA, John O. Brennan, admitiu, em 2016, o uso de rastos químicos para "reduzir" o aquecimento global (!!)


(PT/ EN)

Foi encontrada a solução para o aquecimento global...
O chefe da CIA admite o uso de partículas na atmosfera para diminuir o "aquecimento global". Estas nuvens de partículas, ou Chemtrails, refletem a luz do sol de volta para o espaço.

Global warming finaly solved. ...
"stratospheric aerosol injection, or SAI, a method of seeding the stratosphere with particles that can help reflect the sun’s heat, in much the same way that volcanic eruptions do.
"


À parte de qualquer teoria de conspiração, os rastos químicos revelam um padrão e uma permanência muito superior insustentável a mera condensação emitida pelos aviões comerciais.

Revelo aqui a opinião dos cépticos (em inglês). O debate continua, mas por mim os rastos químicos existem, são nefastos, atentam a nossa saúde e afectam os ecossistemas e por isso devíamos agir pela segurança e prevenção e conservação da Natureza e portanto, de nós próprios.

Skeptics argue the trails are nothing more than condensation. When both sides claim science is on their team, who can you believe? You can start with Flora and Stecco, who discuss the ins and outs of the theory in this episode of the podcast! (More info:  An Article, Another Article, A Skeptic Blog, A NASA Study)

Consultar o blogue: Contrail Science

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Documentário : Rastos Químicos - Why in the World are They Spraying?


By Michael J. Murphy, Co-Producer of “What in the World are they Spraying?


Since the release of the groundbreaking documentary “What in the World are They Spraying?”, millions have woken up to the damaging effects from chemtrail/geoengineering programs. As a result, movements around the world are being formed to address these crimes. While many who were previously unaware of these programs are now taking action, the question now that is often asked is “Why” is this happening. Michael J. Murphy, Originator and Co-Producer of “What in the World are They Spraying?” in association with Barry Kolsky have produced “Why in the World are They Spraying?” which will answer that question. “Why in the World are They Spraying?” is an investigative documentary into one of the many agendas associated with chemtrail/geoengineering programs, “weather control”.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Documentário:"A Silent Forest: The Growing Threat, Genetically Engineered Trees"

 
A Silent Forest: The Growing Threat of Genetically Engineered Trees from Earth Links, Inc. on Vimeo.


by Rady Ananda
Global Research, September 8, 2010

Imagine our declining pollinators – bees, moths, butterflies and bats – coming upon thousands of acres of toxic trees, genetically engineered so that every cell in the tree exudes pesticide, from crown to root. Imagine a world without pollinators. Without seed dispersers. Without soil microbes.
It would be a silent forest, a killing forest, an alien forest. No wonder Vandana Shiva scoffs at the moniker, biotechnology. “This is not a life technology. It’s a death science.”
Genetically engineered forests are a holocaust on nature. An award-winning documentary, A Silent Forest: The Growing Threat, Genetically Engineered Trees (2005, 46 mins) details the appalling effects.
Global Justice Ecology Project director, Ann Petermann defines the issue: “Genetically engineered trees are the greatest threat to the world’s remaining forests since the invention of the chainsaw.”
Jim Hightower calls them, “wildly invasive, explosively flammable, and insatiably thirsty for ground water.”
If planting a sterile, killer forest isn’t freaky enough, some GM trees will be viable and can and will contaminate natural species. Tree pollen can travel over 600 miles, according to a model created by Duke University, reported Petermann in 2006. Another study found pine pollen 400 miles from the nearest pines. This year, a scientist was surprised to find viable seeds 25 miles offshore.
“Sterile trees would also be able to spread their transgenes through vegetative propagation,” notes Petermann. Unlike with animals, being sexually sterile does not preclude reproduction when it comes to plants.
GM contamination occurs around the globe, as documented by GM Watch and the GM Contamination Register (among others). The technology cannot be contained. Genetically modified organisms are dominant over natural species and will forever alter Earth’s natural plants.
By the way, the latest batch of approved GM trees – 200,000 eucalyptus for seven southern states (Texas, Louisiana, Mississippi, Alabama, Georgia, Florida and South Carolina) – are engineered to be cold tolerant. A lawsuit has been filed to overturn their approval.
Chemically altering the atmosphere to be cooler
Not only are the powers-that-be genetically altering trees, food crops and animals, they’re also chemically altering the atmosphere. In 1976, the United Nations banned hostile environmental modification, after investigative reporter Jack Anderson uncovered its use in Vietnam, Laos and Cambodia. Next month, October 2010, the UN will vote on a resolution to stop all EnMod activities.
While the thought police label chemtrails a “conspiracy theory,” it’s unlikely that the UN scientific body calling for their termination would base such a recommendation on fiction. Those interested in scientific and legal proof can review the sources in my piece on atmospheric geoengineering.
Climate change is still being debated, especially after the University of East Anglia was caught publishing false data showing temperature increases. Significant errors in a report by the UN Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), where it also falsely asserted as fact that Himilaya glaciers would melt by 2035, also fuel the debate.
Recently, an independent investigative body told the IPCC to stop lobbying on behalf of global warming programs. Members of the IPCC were also ordered to reveal their financial connections to such programs.
The temperature of the planet is characterized as too warm, and so the wealthy and powerful want to cool down the planet. If they do, those cold-tolerant GM trees will survive.
Altering the chemistry of the hydrosphere
Governments also support altering the chemistry of the hydrosphere. There is still much debate as to whether iron-seeding the oceans can remove enough carbon from the atmosphere to actually cool the planet. But, like the Cap and Trade scam, profit can be made so policy makers still support the idea.
Beyond deliberate attempts at geoengineering, we also have industry to blame for doing so. For over a century, humanity has been conned into poisoning the environment with toxic chemicals that end up in our streams, lakes and oceans. “Conventional” agriculture and industrial pollution is killing us.
Corporations profit by this, of course, enabled and protected by governments. The most recent example, allowing BP to spray at least two million gallons of toxic oil dispersants into the Gulf of Mexico, is a case in point. This is after the Earth Day Blowout that released up to 350 million gallons of oil into the Gulf. Those dispersants enable oil to more readily penetrate the bodies of sea life, and they interfere with oil-eating microbes.
They’re destroying an ocean and the US Senate is giving BP a pass. It refuses to grant subpoena power to investigate, let alone criminally prosecute. Forget partisanship, says Dateline Zero, “they are the same party, and they get their money from the same people, they get their orders from the same people — and that includes big oil.”
The actions of the corporations involved and the governmental agencies charged with regulating them have caused an ongoing Extinction Level Event.
This is happening all over the world. Corporations are destroying the planet under the guise of seeking profit. But their ecocidal activities are so horrendous and so ubiquitous that profits seem hardly plausible as authentic motive.
When taken together – chemically altered skies and waters and genetically altered plants and animals – reasonable minds cannot but wonder at the alien transformation of Planet Earth that we are witnessing.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Documentário: O que andam a pulverizar pelo Mundo? Chemtrails… os rastos químicos.



Os aviões produzem contrails (rastos de condensação). Libertados por aviões comerciais normais, estes rastos resultam das diferenças de temperatura dos gases emitidos pelas turbinas e desaparecem segundos depois da sua formação. Já a palavra “chemtrail” significa “rasto químico”. Os chemtrails são criados intencionalmente, sendo formados por toxinas e metais pesados, dispersos deliberadamente através de aviões especialmente preparados. Aparecem em altitudes inferiores e permanecem ali durante horas no céu. Os chemtrails contêm metais pesados e outras substâncias prejudiciais para os seres humanos, animais e plantas; frequentemente peixes e pássaros apareceram mortos em grandes quantidades (envenenamento através de chemtrails).

domingo, 23 de março de 2008

Documentário "Bye! Bye! Blue Sky [chemtrails]" (legendas em francês)


“A verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos.” 
“Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux.” 
“The real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes.” 

Famosa frase de Marcel Proust (1871-1922) que Sofia Smallstorm usa para iniciar sua palestra.
Este documentário sobre rastos químicos é mais que nunca de extrema relevância. Um dos entrevistados no documentário é Rosario Marcianò, um dos especialistas sobre o tema e grande activista contra os rastos químicos ou chemtrails, como são chamados em inglês. 
O site dele é Tankerenemy .

sexta-feira, 23 de março de 2007

Dossiê Atmosfera

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domingo, 29 de outubro de 2006

Dossiê Química, Bioquímica e Farmácia

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