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domingo, 16 de agosto de 2026

A carne vegetal entre a urgência planetária e a realidade do prato

A transição para um sistema alimentar de base vegetal vive atualmente um dos seus momentos mais paradoxais. Se, por um lado, a comunidade científica mundial reforça que mudar a forma como nos alimentamos é uma urgência ambiental e de saúde pública, por outro, a realidade dos supermercados e o comportamento dos consumidores mostram que a aceitação da carne vegetal continua a enfrentar barreiras profundas.

Do ponto de vista da urgência global, o diagnóstico da ciência é inequívoco. Como lembra a Plant Based Foods Association (PBFA) na sua tomada de posição sobre o Relatório da Comissão EAT-Lancet, a chamada "Dieta da Saúde Planetária" não é uma tendência passageira, mas sim um modelo desenhado por especialistas globais para garantir a nutrição humana sem ultrapassar os limites ecológicos da Terra. A redução drástica do consumo de carne animal e o aumento de alimentos de origem vegetal surgem aí como imperativos para mitigar as alterações climáticas, conter a desflorestação e prevenir doenças crónicas. Esta urgência é suportada pela evolução geral do mercado, onde o mais recente relatório State of the Marketplace 2024-2025 da PBFA revela que quase 60% dos lares norte-americanos já consomem produtos de base vegetal com regularidade, impulsionados pela procura de hábitos mais saudáveis.

Contudo, este crescimento no setor plant-based não se traduz de forma direta na adesão aos análogos da carne. Quando a teoria científica chega ao prato do dia a dia, esbarra na psicologia e no orçamento do consumidor habitual de carne. Um estudo da Universidade de Adelaide, publicado no Journal of Marketing Management, revela que os apelos publicitários e a consciência ambiental não chegam para vencer a perceção de risco dos consumidores. Segundo a investigação australiana, a maioria dos comedores de carne continua a rejeitar as alternativas vegetais devido ao seu elevado preço (price premium), a dúvidas quanto ao sabor e textura, e à preocupação de que estes análogos sejam produtos altamente processados. Na verdade, dados de mercado de entidades como o Good Food Institute em parceria com a Euromonitor confirmam que o chamado "Triângulo da Adoção" (Sabor, Preço e Conveniência) é o fator decisivo:mesmo em mercados maduros, a principal razão para o abandono das alternativas vegetais não é a falta de consciência ambiental, mas sim o preço elevado e expetativas frustradas quanto à textura e sabor.  A este cepticismo soma-se a percepção de risco nutricional revelada por investigações em revistas especializadas como a Appetite e a Food Quality and Preference. Muitos consumidores flexitarianos hesitam em trocar um corte de carne simples por análogos vegetais que associam a produtos ultraprocessados e com listas extensas de ingredientes. Cria-se, assim, um paradoxo: o desejo de fazer uma escolha sustentável colide com a receita da saúde e do orçamento diário. Para a grande maioria dos comedores de carne, a transição só ganhará escala real quando a indústria superar a barreira dos rótulos e entregar produtos genuinamente saborosos, acessíveis e transparentes.

Concluindo, o fosso entre o relatório EAT-Lancet e as conclusões do estudo de Adelaide demonstra que a transição alimentar não se concretizará apenas com discursos morais ou campanhas publicitárias emocionais. Enquanto as alternativas vegetais à carne não garantirem uma verdadeira paridade de preço, transparência nos ingredientes e uma experiência gastronómica equivalente à carne convencional, a sustentabilidade continuará a despertar o interesse dos consumidores na teoria, mas poucas mudanças no carrinho de compras.

Veja a íntegra da edição de 2025 do relatório e um resumo em português da Comissão EAT-Lancet aqui


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Dia Mundial do Ambiente - Relatório global oferece uma alternativa ao colapso climático, ao extremismo político e às tensões económicas

A humanidade pode elevar os padrões de vida, reduzir a desigualdade e manter o aquecimento global abaixo dos 2 °C, de acordo com uma visão abrangente para a sobrevivência do planeta.

O relatório do World Inequality Lab (WIL) pretende ser a tentativa mais detalhada até à data de navegar pela policrise que está a empurrar o mundo para o colapso climático, o extremismo político e tensões económicas e sociais cada vez maiores.

O documento oferece um conjunto de propostas políticas ousadas, incluindo impostos pesados sobre a riqueza dos multimilionários, reduções acentuadas no horário de trabalho, uma alteração nas dietas e uma transferência de investimento de setores materialmente intensivos, como a indústria e a mineração, para a educação e a saúde.

Se estas e outras medidas forem tomadas, diz o relatório, os rendimentos de 89% da população mundial duplicariam até 2100 e o aquecimento global seria mantido abaixo dos 2 °C em relação à média pré-industrial.

Os autores afirmam que a sua visão fornece uma alternativa positiva às projeções sombrias dos tecnoextrativistas de extrema-direita, nacionalistas e multimilionários que afirmam que o futuro trará inevitavelmente mais combustíveis fósseis, perturbação climática e desigualdade.

«Está a decorrer uma enorme batalha cultural, intelectual e política. E todos nós temos um papel a desempenhar», afirmou Thomas Piketty, codiretor do WIL e professor na Escola de Economia de Paris.

«A ideologia que vemos com [Donald] Trump e com todos os "pequenos Trumps" que temos por toda a Europa e por todo o mundo simplesmente não vai dar resultados. No final de contas, teremos de chegar a este tipo de redistribuição cooperativa de recursos e de poder, porque a alternativa levará simplesmente a resultados desastrosos, tanto no ambiente e no clima, como a nível social.»

O Global Justice Report (Relatório sobre a Justiça Global), publicado na quinta-feira, tenta superar as lacunas das abordagens tradicionais à policrise, incluindo a ênfase excessivamente materialista dos partidos tradicionais de esquerda, a eficácia questionável do decrescimento económico proposto por muitos ecologistas e a falta de estudos de impacto social por parte do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU.

O relatório visa retificar essas limitações incorporando estudos sobre a desigualdade, a ciência climática e propostas para a criação de uma coligação política capaz de reformar a arquitetura financeira mundial.

Este «plano para a igualdade e a prosperidade dentro dos limites planetários» é o produto de 45 autores, com base em bases de dados compiladas por mais de 200 investigadores de todo o mundo.

Na sua génese está o conceito de suficiência — a ideia de que as pessoas podem desfrutar de uma vida próspera e saudável sem procurarem constantemente consumir ou acumular mais bens materiais que degradam o mundo natural do qual depende toda a vida.

Para alcançar este objetivo, os autores preveem três etapas: reduzir para mais de metade o tempo médio de trabalho, passando de 2100 horas por ano para 1000 horas (o equivalente aproximado a uma semana de trabalho de dois dias e meio); incentivar as pessoas a comerem menos carne vermelha, que é o principal motor da desflorestação e da destruição ecológica; e redirecionar a economia para atividades de baixo consumo, duplicando o investimento na educação para 8400 € por pessoa e na saúde para 14 400 €.

Piketty explicou: «Um euro extra de PIB na educação e na saúde tem uma pegada material e um consumo de energia três a quatro vezes menor do que um euro extra de PIB no setor transformador. É por isso que as mudanças setoriais são imensamente importantes.»

Combater a desigualdade é um objetivo central. Segundo o plano, o rendimento nacional bruto médio per capita em todo o mundo seria de 5000 € por mês até ao final do século — um aumento para quase toda a gente, com os maiores ganhos no Sul Global. A exceção seriam os megarricos, que seriam fortemente tributados por serem os maiores responsáveis pela crise climática. A quota da riqueza global detida pelos multimilionários, que representam apenas 0,001% da população mundial, cairia de 6% para 0,05%, enquanto os 50% mais pobres veriam a sua quota de riqueza aumentar de 2% para 30%.

A outra prioridade é reduzir os riscos climáticos, cortando as emissões para o valor mais próximo possível de zero. O relatório analisa três cenários de descarbonização até meio do século delineados pela Agência Internacional da Energia (AIE) e projeta-os até 2100. Sob o seu plano mais ambicioso, o capital seria redirecionado dos indivíduos mais ricos do mundo e investido em tecnologia eólica, solar e outras energias renováveis para acelerar a descarbonização total e a eletrificação do abastecimento energético até 2050. Reduções adicionais de emissões viriam da redução do horário de trabalho e da mudança nas dietas e na atividade económica.

Prevê-se que isto mantenha o aumento da temperatura global nos 1,8 °C até ao final do século — consideravelmente abaixo das estimativas catastróficas de 4 °C a 4,5 °C em cenários de descarbonização lenta e de procura cada vez maior de bens materiais. É também um resultado melhor do que os 1,9 °C projetados num cenário de decrescimento económico generalizado.

Entre os passos práticos fundamentais necessários para alcançar as metas do relatório estaria a criação de um fundo de justiça global para financiar a transição energética e supervisionar um aumento dos gastos em educação e saúde para 38% do PIB mundial (atualmente fixado nos 13%). Este trabalho seria apoiado por um fundo soberano mundial, que reequilibraria as detenções globais de riqueza pública e privada para proporções semelhantes às vistas pela última vez em 1970.

«Um século XXI habitável e igualitário é materialmente possível», conclui o relatório. «O que impede a sua concretização não é a impossibilidade técnica, mas sim a escolha política e o trabalho árduo, mas crucial, de construir uma coligação que a apoie.»

Cornelia Mohren, coautora e coordenadora ambiental do WIL, admitiu que o relatório era «visionário e talvez utópico», mas afirmou que isso era necessário para mostrar que outros caminhos são possíveis.

«É bom saber que podemos combinar um mundo igualitário com o cumprimento dos orçamentos de carbono», disse. «Esse é um resultado muito útil. Dá-me esperança. Vimos o que é possível e também vemos o quão difícil é com esta realidade política, o que pode ser deprimente.»

Piketty afirmou que a história recente mostra que os objetivos do relatório são plausíveis. Países como a Suécia e a Noruega já foram extremamente divididos do ponto de vista económico, mas fizeram progressos rápidos na redução da desigualdade graças a políticas governamentais e ao redirecionamento do investimento para a educação e a saúde. Além disso, o horário de trabalho na Europa reduziu-se para metade desde o século XIX, o que vai ao encontro do objetivo traçado no relatório.

A chave, acrescentou Piketty, é abordar a desigualdade e a habitabilidade do planeta em conjunto. Sem essa abordagem dupla, afirmou, os governos correm o risco de repetir os erros que causaram os protestos dos gilets jaunes (coletes amarelos) na França, contra um imposto sobre o carbono que teria afetado as classes trabalhadora e média muito mais do que os ricos.

«Se não colocarmos isto no centro da análise e se falarmos de políticas verdes e de ambiente de forma abstrata, isto simplesmente não vai funcionar», sublinhou.

O relatório será apresentado e debatido na Conferência Mundial sobre a Desigualdade, que decorre de 4 a 6 de junho em Paris, contando com oradores como Ha-Joon Chang, Jean Drèze, Jayati Ghosh, Mariana Mazzucato, Branko Milanović, Lea Ypi e Gabriel Zucman.

Jason Hickel, professor na Universidade Autónoma de Barcelona e membro sénior visitante na LSE (London School of Economics), afirmou: «É uma intervenção importante e oportuna. Tudo isto é tecnicamente viável de alcançar — podemos ter vidas boas para todos dentro dos limites planetários — mas exigirá uma luta política organizada para que aconteça.»

Toda a informação, com gráficos ilustrativos aqui

Página Oficial do Dia Mundial do Ambiente 2026

segunda-feira, 1 de junho de 2026

História do naturismo na Alemanha: origens e evolução da Freikörperkultur (FKK)


O naturismo na Alemanha - historicamente designado por Freikörperkultur (FKK) ou "cultura do corpo livre" - não nasceu como uma mera preferência de lazer, mas sim como um movimento social, ético e terapêutico de rejeição aos efeitos colaterais da industrialização acelerada do século XIX.

Integrado no movimento amplo da Lebensreform (Reforma da Vida), o naturismo alemão combateu o sedentarismo urbano, o vestuário vitoriano constritivo e a alienação social, promovendo a regeneração do indivíduo através da luz solar, do ar livre e do desportivismo higienista.

Ensaio histórico: a evolução da Freikörperkultur
1. As origens e a Lebensreform (Finais do Século XIX a 1914)
Na viragem do século XIX para o século XX, a Alemanha viveu uma urbanização fulgurante. Em resposta ao crescimento das metrópoles poluídas e densas, surgiram correntes de medicina natural e higienismo que defendiam a helioterapia (cura pelo sol) e os banhos de ar. A prática da nudez coletiva ao ar livre afirmava-se como uma forma de "des-erotizar" o corpo humano, devolvendo-lhe a pureza natural em harmonia com os elementos da natureza.

Em 1898, fundou-se em Essen o primeiro clube formal de naturismo. Poucos anos depois, a expressão Freikörperkultur tornava-se o estandarte de uma filosofia que unia o vegetarianismo, o exercício físico e o desapego das convenções burguesas.

2. A idade de ouro na República de Weimar (1918–1933)
Foi no período intermédio entre as duas guerras mundiais que a FKK se transformou num movimento de massas. A República de Weimar proporcionou a abertura social necessária para o florescimento de escolas de cultura corporal e parques de ar livre (Freilichtparks).

Nesta época, a FKK dividiu-se em duas grandes correntes sociopolíticas:
  • Corrente Proletária / Socialista- ligada aos movimentos operários e ao Sozialdemokratische Partei Deutschlands (SPD), defendia o naturismo como uma ferramenta de igualdade de classes (sem roupas, desapareciam as marcas de estatuto social) e de emancipação dos trabalhadores.
  • Corrente Völkisch / Conservadora: Assente numa visão romântica da raça e da pureza física, encarava a nudez como um meio de fortalecer a "vitalidade germânica".
3. O Regime Nacional-Socialista (1933–1945)
Com a subida do regime nazi ao poder, a atitude em relação ao naturismo foi ambígua e contraditória. Inicialmente, as organizações de naturismo operário e de esquerda foram banidas e perseguidas. Em contrapartida, certas fações do regime assimilaram a estética do corpo nu e atlético como símbolo da escultura ariana. Em 1942, o regime acabou por regulamentar os banhos nus, permitindo-os desde que isolados do olhar público.

4. A Pós-Guerra: As Duas Alemanhas e a Era Contemporânea
Após 1945, o naturismo seguiu caminhos distintos:
  • Na Alemanha Oriental (RDA): o naturismo teve uma enorme adesão popular, em especial nas praias do Mar Báltico. O regime comunista, após reservas iniciais, acabou por tolerar a FKK, que funcionava para os cidadãos como uma válvula de escape de liberdade individual fora do controlo estatal.
  • Na Alemanha Ocidental (RFA): o movimento reorganizou-se formalmente em 1949 com a criação da Deutscher Verband für Freikörperkultur (DFK)
Hoje, a Freikörperkultur está plenamente integrada na identidade cultural alemã, visível em parques urbanos (como o Englischer Garten em Munique), saunas mistas sem fato de banho e praias dedicadas em todo o país.

Principais Promotores do Naturismo Alemão
  1. Karl Wilhelm Diefenbach (1851–1913): Pintor e reformador social. É considerado o pioneiro espiritual da FKK. Defendeu a nudez, o vegetarianismo e a vida em comunidade ao ar livre na sua comunidade de artistas em Höllriegelskreuth.
  2. Heinrich Pudor (1865–1943): Escritor que cunhou o termo Freikörperkultur em 1902. Publicou a obra seminal de três volumes Nacktkultur (1906), articulando a nudez com a higiene e a reforma social.
  3. Richard Ungewitter (1869–1958): Um dos organizadores e propagandistas mais influentes da fase inicial. Autor da obra Nacktheit (1906), vendeu dezenas de milhares de exemplares promovendo o naturismo como solução para a saúde pública e a regeneração moral.
  4. Adolf Koch (1896–1980): Pedagogista e líder do naturismo socialista durante a República de Weimar. Fundou escolas de cultura física em Berlim onde promovia a ginástica em nudez mista para a classe trabalhadora como forma de higiene corporal e mental.
  5. Alice Bloch (1883–1971) e Bess Mensendieck (1864–1957): Pioneiras na articulação entre o naturismo, a ginástica feminina e a postura física, promovendo o corpo livre de espartilhos e de peias morais.
  6. Hans Surén (1885–1972): Antigo oficial militar que popularizou o naturismo nas décadas de 1920 e 1930 com o livro Mensch und Sonne (1924), vendendo mais de 250 mil exemplares e enfatizando a vertente atlética e ao ar livre.
Referências Bibliográficas
  1. Hau, Michael (2003). The Cult of Health and Beauty in Germany: A Social History, 1890–1930. Chicago: University of Chicago Press.
  2. Jefferies, Matthew (2007).Turning to Nature in Germany: Hiking, Nudism, and Conservation, 1900–1940. Stanford: Stanford University Press.
  3. Ross, Chad (2005).Naked Germany: Health, Race and the Nation. Oxford: Berg Publishers.
  4. Toepfer, Karl Eric (1997). Empire of Ecstasy: Nudity and Movement in German Body Culture, 1910–1935. Berkeley: University of California Press.
  5. Ungewitter, Richard (1906). Nacktheit. Stuttgart: Selbstverlag.
  6. Williams, John Alexander (2007). "The Chaste Yawn of the Nudist: Body Culture and Left-Wing Politics in Weimar Germany". Journal of the History of Sexuality, 16(2), 241-274.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

UE: derrube a proibição contra os «hambúrgueres vegetais»

Uma estranha disputa está em curso na Europa – e tem a ver com o futuro da nossa alimentação. Dezoito governos estão empenhados em proibir termos como «hambúrguer vegetal» e «salsicha à base de plantas» – censurando alimentos sustentáveis para agradar ao lobby da carne.

Ao menos desta vez, a Alemanha decidiu defender o bom senso pelo futuro da nossa alimentação. Mas mesmo o poderoso governo alemão enfrenta uma batalha difícil: a oposição de um grande bloco de outros países e uma forte pressão por parte de grupos de lobby corporativos.

Nós podemos ajudar. Se a opinião popular mostrar seu apoio aos "hambúrgueres vegetais", isso pode ajudar as autoridades a se manterem firmes nas negociações e a convencerem outros países a aderirem à causa.

Vamos invadir Berlim e outras grandes capitais com um apelo urgente: barrar essa proibição e manter os hambúrgueres vegetais no menu. Assine agora e vamos entregar o nosso apelo diretamente aos negociadores da UE e aos deputados do Parlamento Europeu antes de eles se reunirem. Não vamos deixar que o lobby da carne dite as regras do nosso planeta ou do que comemos.

Assine e partilhe a petição

domingo, 6 de julho de 2025

“Na alimentação, há uma tempestade perfeita a formar-se. Chama-se sindemia”, sublinha nutricionista


A alimentação é mais do que o ato de ingerirmos nutrientes essenciais à vida. Estar à mesa é, também, convivialidade e prazer. Mais, “a forma como comemos tem impacto nas questões da sustentabilidade”. Com esta frase, a nutricionista e docente Cláudia Viegas dá o mote para uma questão premente nos nossos dias: As escolhas alimentares das famílias e a sustentabilidade do planeta e do ser humano.

“Há muito que a revista The Lancet, apontou os três fenómenos cruciais com um impacto brutal sobre o futuro do planeta e das pessoas”. De acordo com a docente, um trio que se prende com a “malnutrição, sob duas formas, a desnutrição e a obesidade, a que se acrescem as alterações climáticas”.

“A malnutrição é, neste momento, a maior causa de perda de saúde em todo o mundo, seja por via da falta de alimentos, seja por via do consumo excessivo de alimentos de baixo valor nutricional”, sustenta a nutricionista.

Para Cláudia Viegas, “as alterações climáticas vão levar à produção de alimentos com menor conteúdo nutricional, diminuição da produção de alimentos o que vai encarecer o preço dos produtos”. Um caminho que “reforçará, quer a insegurança alimentar, quer a desnutrição, assim como o desvio para o consumo de alimentos processados, de elevada densidade energética”. Deste último caso podemos concluir, de acordo com a nutricionista, que “vai sair reforçado o fenómeno da obesidade”.

“Na alimentação, há uma tempestade perfeita a formar-se. Chama-se sindemia, uma sinergia de epidemias, pois os três fenómenos que elenquei ocorrem em simultâneo no tempo e no espaço”, adianta Cláudia Viegas

É uma arma para o nosso planeta todo o processo industrial por detrás da produção
“É uma arma para o nosso planeta todo o processo industrial que está por detrás da produção. A agricultura representa 15 a 23% da emissão de gases com efeito de estufa. Contudo, nesta, 12 a 19% prende-se com a produção animal”, refere a docente.

“A nossa alimentação assenta, hoje, no consumo exagerado de carne. Muito além daquilo que é admissível, com 180 a 200 gramas por refeição. Um requisito por parte do público que entende que uma grande dose de carne é uma refeição bem servida. Por exemplo, o que preocupa as famílias é que à refeição a criança coma a carne até ao fim. Não temos a mesma perceção em relação aos hortícolas”.

No que respeita à restauração Cláudia Viegas deixa uma sugestão: “As ementas ao invés de destacarem a carne ou o peixe, os refira como acompanhamentos. Aliás, chamemos-lhes isso mesmo, acompanhamentos, porque não são o componente principal, o mais importante”.

A obesidade, um grande problema
No que respeita à obesidade, “um grande problema mundial”, as recomendações da Organização Mundial da Saúde “chegam-nos desde há mais de 30 anos. Todos os países aderem. Mas, na realidade, não há mudanças que sejam consideráveis e significativas”, sustenta Cláudia, para quem “há vários motivos para que isso aconteça e, algo com um peso muito forte, a oposição por parte daqueles que são os interesses comerciais e económicos”.

Somos um público pouco exigente ou pouco consciente do impacto que a alimentação tem nas nossas vidas.
“Todos nos lembramos da polémica em torno da lei que procurava regular o conteúdo do sal dos alimentos e que acabou chumbada pela pressão dos grupos económicos. São muito poucas, mas muito poderosas as empresas que gerem grande parte daquilo que temos disponível no mercado”.

Para a docente na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, “somos um público pouco exigente ou pouco consciente do impacto que a alimentação tem nas nossas vidas. Adultos e crianças têm cada vez menos literacia sobre aquilo que comemos, estando a perder-se a ligação entre o que nos aparece no prato e a origem do alimento”.

Neste âmbito, a nutricionista não poupa a indústria alimentar: “Passa-nos a ideia de que uma fruta e a congénere sob a forma bebível, em pacote, são a mesma coisa. Não o são, nem do ponto de vista nutricional, nem do ponto de vista do impacto sobre o planeta, ou mesmo naquilo que se entende sobre o que é um alimento”.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Portugal esgota hoje os recursos naturais que tinha para todo o ano


Portugal esgota hoje os recursos naturais que tinha disponíveis para este ano, 23 dias mais cedo que em 2024, começando a partir de agora a consumir “a crédito”, indicam dados da organização internacional “Global Footprint Network”.

Tal significa que os recursos do planeta disponíveis para este ano terminariam hoje se todas as pessoas do mundo consumissem como os portugueses.

No ano passado Portugal atingiu o chamado dia da sobrecarga a 28 de maio, pelo que recuou 23 dias no calendário e está a consumir recursos mais rapidamente.

A associação ambientalista Zero admite, num comunicado sobre o assunto, que os melhores resultados do ano passado refletiam o período da pandemia de covid-19, quando houve um abrandamento da produção e consumo.

A associação destaca que 5 de maio é o pior resultado dos últimos anos e avisa que se cada pessoa do planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa a humanidade precisaria de cerca de 2,9 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos.

“Portugal é, já há muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo)”, diz a associação, recordando que o resultado aproxima Portugal da média da União Europeia (UE) que teve o seu dia de sobrecarga no dia 29 de abril.

A associação diz no comunicado que o modelo de produção e consumo que suporta o estilo de vida dos portugueses é responsável pelo desequilíbrio, e explica que o consumo de alimentos (30% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) estão entre as atividades humanas diárias que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugal.

A Zero sugere medidas para inverter a tendência de antecipação do dia em que Portugal começa a usar o “cartão de crédito ambiental”, como apostar numa agricultura de qualidade, com mais produção de proteína vegetal, preservando os solos e reduzindo a poluição e consumo de água.

Também sugere reduzir as deslocações e viagens recorrendo ao teletrabalho e teleconferências, aumentar os modos suaves de transporte, como a bicicleta, e regulamentar para que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis (duráveis, podendo ser reparados, reutilizados e reciclados, por exemplo).

Cada português, diz ainda a Zero, pode contribuir privilegiando o uso de transportes públicos, consumindo de forma mais circular (não usar e deitar fora), e reduzindo o consumo de proteína animal.

Os dados para Portugal indicam, diz a associação, que cada português consome cerca de três vezes a proteína animal que é preconizada na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços das frutas.

Os Países Baixos esgotam também hoje os recursos que a Terra pode renovar num ano. E os neerlandeses, como os portugueses, vivem como se existissem quase três planetas e tratam a natureza como um recurso inesgotável, diz a “Global Footprint Network”.

Segundo a organização o primeiro país a esgotar os recursos este ano foi o Qatar, logo em 6 de fevereiro. O Luxemburgo aparece em segundo lugar, consumindo tudo a 17 de fevereiro.

Do outro lado do mapa, dos países que conseguem poupar mais os seus recursos destaca-se o Uruguai, que apenas esgota os que lhe estão destinados a 17 de dezembro, e a Indonésia, a 18 de novembro.

A “Global Footprint Network” é uma organização internacional de investigação que fornece a decisores ferramentas para ajudar a economia humana a funcionar dentro dos limites ecológicos da Terra.

A 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente, a organização anuncia a data do “Earth Overshoot Day”, o momento em que a necessidade de recursos e serviços ambientais por parte da Humanidade excede a capacidade do Planeta Terra para regenerar esses mesmos recursos.

domingo, 4 de maio de 2025

Cientistas confirmam que os caranguejos podem mesmo sentir dor



Os crustáceos podem ter um aspeto exterior duro, mas no seu interior podem ser mais sensíveis do que geralmente se supõe.

Pela primeira vez, os cientistas mostraram que os cérebros dos caranguejos-de-praia vivos (Carcinus maenas ) conseguem processar a dor de formas diferenciadas, dependendo da gravidade e da localização dos danos.

A descoberta deixa em aberto a possibilidade de que os caranguejos e crustáceos relacionados possam realmente sentir dor. E embora seja necessária mais investigação, isto significa que os humanos que fervem ou cortam estas criaturas vivas podem estar a causar sofrimento indevido.

"Precisamos de encontrar formas menos dolorosas de matar marisco se quisermos continuar a comê-lo", defende a zoofisiologista Lynne Sneddon, da Universidade de Gotemburgo.

"Porque agora temos provas científicas de que sentem e reagem à dor."
Os locais onde foram testados os estímulos dolorosos, incluindo os estímulos químicos (vermelho) e os estímulos mecânicos (preto). (Kasiouras et al., Biologia , 2024)

Os cientistas debatem há muito tempo o que significa sentir dor e, nos últimos anos, alguns especialistas têm defendido que é possível que os peixes , anfíbios e polvos respondam a estímulos nocivos a um nível cognitivo historicamente reservado aos vertebrados.

No início deste ano, por exemplo, um estudo descobriu que os caranguejos-da-praia mostraram sinais de ansiedade perante choques elétricos e luzes brilhantes, aprendendo a evitar os estímulos com o tempo. Isto é consistente com as previsões de que os crustáceos podem sentir dor. Mas alguns cientistas céticos defendem que isso é apenas reflexo.

Afinal, mesmo os animais com sistemas nervosos básicos podem responder a estímulos dolorosos e aprender a evitá-los. Esta é uma parte muito importante da sobrevivência. Mas normalmente estas respostas são consideradas inconscientes, desencadeadas pelo sistema nervoso periférico.

O reconhecimento "consciente" do dano requer a integração de um sistema nervoso centralizado, e é isso que os investigadores mostraram agora ser possível nos caranguejos-da-praia.

A atividade do sistema nervoso do caranguejo foi monitorizada através de um instrumento semelhante a um eletroencefalograma (EEG), que regista a atividade elétrica do cérebro humano a partir do crânio.

Neste caso, foram colocados elétrodos em cascas de caranguejo, e os investigadores iniciaram um teste padrão de dor utilizado em vertebrados e peixes.

O sistema nervoso de um caranguejo-da-praia. (Kasiouras et al., Biologia , 2024)

Quando uma forma de vinagre com acidez variável foi espalhada nos tecidos moles em redor do corpo de vários caranguejos, os cientistas conseguiram ver recetores de dor no sistema nervoso periférico a sinalizar partes do cérebro.

Quanto maior for a concentração de ácido, maior será a resposta do sistema nervoso central do caranguejo.

Quando os caranguejos foram picados com um estímulo mecânico doloroso, em vez de um químico, o seu sistema nervoso central mostrou uma amplitude ainda maior de atividade elétrica, embora codificada num padrão diferente.

De facto, os investigadores conseguiram dizer apenas pela atividade cerebral do caranguejo se este estava a processar estímulos químicos ou mecânicos.

Neste momento, não é claro se a resposta cerebral ao estímulo mecânico se deveu ao toque ou à dor.

São necessários mais estudos para esclarecer os detalhes, mas esta é uma das primeiras experiências a utilizar sinais eletrofisiológicos para demonstrar respostas semelhantes à dor em todo o corpo de um crustáceo vivo.

Os autores esperam que as suas descobertas possam orientar as práticas de bem-estar animal para garantir o mínimo de sofrimento possível.

"É um dado adquirido que todos os animais precisam de algum tipo de sistema de dor para lidar com a falta de perigo. Não creio que precisemos de testar todas as espécies de crustáceos, pois têm uma estrutura semelhante e, portanto, sistemas nervosos semelhantes", afirma o biólogo Eleftherios Kasiouras, da Universidade de Gotemburgo.

"Podemos assumir que os camarões, os lagostins e as lagostas também podem enviar sinais externos sobre estímulos dolorosos para o cérebro, que processará essa informação."

O estudo foi publicado na revista Biology

terça-feira, 22 de abril de 2025

Dr. Jane Goodall’s 2025 Earth Day Message


There is one really important message that I want to share on Earth Day 2025: I urge everyone to treat every day of the year as Earth Day. Planet Earth is the only home we shall ever know yet we are relentlessly harming it. We are destroying forests, woodlands, wetlands, peatlands, savannas, prairies and all the other ecosystems I have not mentioned. We are polluting rivers, lakes and oceans. We are emitting greenhouse gasses that are causing temperatures to rise which lead to changing weather patterns with more hurricanes, tycoons, floods, draughts, heatwaves and forest fires that may destroy our homes. We are in the midst of the sixth great extinction of plant and animal life.

If we add to this list the fact that hundreds of thousands of people are suffering from war, poverty and discrimination — well it is not surprising that more and more people are losing hope. So, people ask me if I really have hope for our future. Well, I do believe there is a window of time when we can at least slow down climate change and loss of biodiversity. But only if we get together and take action now. And without hope we will fall into apathy and do nothing. Then we are doomed. 

Let me share my reasons for hope — and I think many of you already know them. 

Firstly there are our young people. Everywhere, once they understand the problems, and are empowered to take action, they are rising to the challenge.  Our own Roots & Shoots movement, now in 75 countries, is growing fast, and involves young people of ALL ages. They are truly making a difference, often influencing their parents, grandparents, teachers and friends.

Secondly, nature is amazingly resilient — I have seen so many places that we have totally destroyed where nature has taken over when given time — and perhaps some help (from Roots & Shoots often enough). I wrote a book about animals on the brink of extinction that have been given another chance — because of individuals who were determined they should not vanish. People who demonstrate that indomitable human spirit, tackling things that seem impossible and succeeding.

And then there is our amazing human intellect. Scientists are working on technologies that enable us to live in greater harmony with nature, such as alternative energy.

Perhaps you are thinking, how does this affect me? What can I do about these things? And I say to you that every day you live you make some impact on the world and you can choose what sort of impact you make. You can remember to turn off lights. Perhaps you can walk or cycle or take a train or bus instead of using a car. You can think about what you buy — when it was produced, did it harm the environment? Was it cruel to animals? Is it cheap because of unfair wages? Then search for a more ethically produced product. Will it cost more? Probably, but then you will value it more and waste less. And waste is a huge problem today.

And another very important thing you can do is to adopt a plant based diet. Partly because it will greatly reduce the suffering of the billions of animals currently crammed into factory farms, and also because huge areas of habitat are cleared for growing food to feed them. Much water is needed to change vegetable to animal protein, and the animals produce methane during digestion, a very virulent greenhouse gas. And I should add it is healthier for us.

Millions and eventually billions of people thinking about their own environmental footprints will make a huge difference and go a long way towards healing Mother Earth. And remember, we depend on the natural world for food, water — well everything. So, for the sake of our children and all future generations, please start today, not only on this Earth Day 2025, but on all the days that lie ahead.

Thank you.

domingo, 13 de abril de 2025

Vegetais e frutas congelados são mais saudáveis que os frescos?


É consensual que uma alimentação equilibrada deve incluir o consumo diário de frutas e vegetais. O ritmo de vida e o aumento dos preços é muitas vezes responsável pela tendência para cortar nesse tipo de alimentos. O consumo de legumes e frutos congelados é uma boa alternativa que, em certos casos, é até mais rica em alguns nutrientes, além de se tornar mais económica também pelo facto de evitar desperdícios.

Uma investigadora do Programa de Nutrição e Ciências dos Alimentos da Universidade do Sul da Austrália não só desfaz o mito de que "fresco é melhor", como também explica que em certos casos estes alimentos podem até ser mais ricos em alguns nutrientes quando são congelados.

Evangeline Mantzioris, diretora do Programa de Nutrição e Ciências dos Alimentos da Universidade do Sul da Austrália, explica que os vegetais e frutas congelados logo após o momento da colheita podem ser mais ricos em alguns nutrientes, como as vitaminas C e E.

A investigadora adianta que se estes produtos forem adequadamente congelados têm propriedades nutricionais equivalentes aos frescos.

"Minerais como cálcio, ferro e magnésio permanecem em níveis semelhantes nos produtos congelados em comparação com os frescos. Outra vantagem dos vegetais e frutas congelados é o potencial de redução do desperdício de alimentos, já que se pode usar apenas o que se precisa no momento", refere Mantzioris, num artigo publicado no site The Conversation.

A especialista enumera outras vantagens dos produtos congelados, nomeadamente a possibilidade de serem conservados durante mais tempo, quando são congelados logo após a colheita ou depois de comprados ao produtor, no mercado ou na feira.

Mantzioris indica também a técnica adequada para um congelamento adequado dos vegetais, que devem ser cozidos por pouco tempo em água a ferver e logo de seguida passar para água com gelo. Após este processo, o produto pode ser congelado sem perder os seus nutrientes.

"Os vegetais congelados não são adequados para saladas, mas podem ser consumidos assados ​​ou cozidos no vapor e usados ​​em sopas, ensopados, caçarolas, caril, tortas e quiches. As frutas congeladas podem ser usadas ao pequeno-almoço, com cereais, iogurte ou utilizadas na culinária de tortas e bolos de frutas, por exemplo", acrescenta a especialista.Mudar hábitos alimentares pode dar-lhe mais 10 anos de vida

Relação entre longevidade e o consumo de frutas e vegetais
A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de pelo menos 400g (o equivalente a cinco porções) de frutas e vegetais por dia. O reduzido consumo destes alimentos é um dos dez principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de doenças crónicas não transmissíveis, alerta a OMS.

Um estudo recente da Universidade de Harvard, divulgado pela Associação Americana de Saúde Pública, vem ao encontro das diretrizes da OMS ao concluir que para viver mais é recomendado o consumo de duas porções de frutas e três porções de vegetais todos os dias.

"Essa quantidade provavelmente oferece o maior benefício em termos de prevenção de doenças crónicas graves e é uma ingestão relativamente alcançável para o público em geral", refere Dong Wang, principal autor do estudo, em entrevista ao site CNBC.

Com o objetivo de investigar a relação entre longevidade, mortalidade e o consumo de frutas e vegetais, foram analisados dados de mais de 100 mil adultos desde 1984 a 2014.

Durante 30 anos, foram usados questionários de hábitos alimentar a cada dois ou quatro anos. Esta investigação também recolheu informações de outros 26 estudos sobre o consumo de frutas e vegetais.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Reduzir o consumo de carne e laticínios é uma estratégia essencial para mitigar os impactos ambientais negativos

Reduzir o consumo de carne e laticínios é uma estratégia essencial para mitigar os impactos ambientais negativos associados aos sistemas alimentares, incluindo as alterações climáticas, a perda de biodiversidade devido às alterações no uso do solo e o consumo de água doce.

Um estudo apresenta uma avaliação de alternativas à carne e ao leite, integrando análises nutricionais, de saúde, ambientais e de custo, com foco em países de elevado rendimento.

A análise incluiu 24 alternativas à carne e ao leite, comparando-as com produtos de origem animal e com alimentos vegetais não processados. O número total de participantes nos estudos analisados foi de 10000, e a duração dos estudos variou entre 6 meses e 2 anos.

Foram avaliados alimentos como ervilhas, soja, feijão, hambúrgueres vegetais, tempeh e bebidas vegetais.

Resultados:

🥗Alimentos vegetais não processados (ex.: ervilhas, soja e feijão) apresentaram o melhor desempenho em todos os critérios avaliados, incluindo benefícios ambientais, nutricionais e económicos.

🥗Produtos processados à base de plantas (ex.: hambúrgueres vegetais e leites vegetais) ofereceram vantagens substanciais em comparação com produtos de origem animal, mas com menores benefícios ambientais e custos mais elevados em relação aos alimentos não processados.

🥗A substituição de carne e laticínios por alternativas vegetais reduziu o desequilíbrio nutricional e os riscos dietéticos, diminuindo também a mortalidade associada a doenças relacionadas com a dieta.

🥗As alternativas reduziram significativamente o uso de recursos naturais, como água doce, e a poluição associada à produção de alimentos de origem animal.

O estudo mostrou que a substituição de carne e laticínios por alternativas vegetais, especialmente alimentos não processados, oferece múltiplos benefícios ambientais, nutricionais e económicos. No entanto, os produtos processados continuam a ser uma alternativa válida, mas menos vantajosa em termos ambientais e económicos.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Cartaz da Semana


O cartaz é injusto. Injusto porque há milhões de vegetarianos, milhões andar de bicicleta para o trabalho, milhares de ONG e colectivos na defesa da biodiversidade, muitos líderes ambientais são assassinados, milhões de pessoas com hábitos "ecofriendly" (cozinham a forno solar, permacultores, praticam a agricultura biológica, simplicidade voluntária, minimalistas, etc.), milhares são contra o glifosato e os OGM, milhares recusam os aviões, centenas de académicos produziram resultados que nos tornam apreensivos em relação às consequências do aquecimento global e ao colapso dos insectos e das aves. A extinção maciça de outras espécies, etc...
E o que vemos, em particular, Portugal? Um travão e uma marcha atrás que  amputa os objectivos já descritos. Com o SIMPLEX Ambiental, o Governo está a incumprir os seus compromissos internacionais, nomeadamente a Convenção de Aarhus sobre o acesso à informação, participação do público nos processos de tomada de decisão e acesso à justiça em matéria de ambiente. Assim não dá.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Dia da Sobrecarga do Planeta à escala mundial: A partir de hoje, Humanidade vive a ‘crédito’ na Terra


Esta quarta-feira, dia 2 de agosto, assinala-se o dia em que a Humanidade excedeu a capacidade do planeta para regenerar os recursos e serviços ambientais de que precisa para viver, no âmbito dos atuais padrões de produção, consumo e desperdício. A partir de hoje, estamos a usar os recursos naturais a ´crédito’, que só deveriam começar a ser usados a 1 de janeiro do próximo ano.
Em 2022, o Dia da Sobrecarga do Planeta chegou no dia 1 de agosto, e, segundo a associação ambientalista Zero, embora nos últimos 70 anos se tenha observado uma antecipação do uso do ‘cartão de crédito ambiental’, “a última década espelha uma desaceleração”.
Quanto aos últimos cinco anos, esse dia ocorreu entre 1 e 3 de agosto, com exceção de 2020, em que se assinalou a 16 desse mês (muito provavelmente devido aos efeitos da pandemia de COVID-19), com a Zero a dizer que “a tendência é de estagnação”.
Tal dever-se-á, sugerem os ambientalistas, “aos esforços de descarbonização e a um conjunto de políticas que visam promover o respeito pelos limites do planeta, muito embora possa também estar a ser influenciada por alguma desaceleração económica nos últimos anos”.
Apesar disso, a Zero alerta que “esta tendência é insuficiente para alcançar os objetivos do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPPC) de reduzir as emissões de carbono a nível mundial em 43% até 2030 (tendo por referência 2010)”. Para ser possível cumprir essas metas, “teremos de retirar 19 dias em cada um dos próximos sete anos”.
A organização portuguesa diz que “a Humanidade tem de acelerar o passo e promover as mudanças necessárias de forma a reduzir o impacte que as suas atividades e necessidades têm sobre a capacidade de carga do planeta”, explicando que aumentar o contributo das energias renováveis para 75% das necessidades mundiais de eletricidade poderá reduzir em 26 dias o uso do ‘crédito ambiental’, e que cortar em quase metade o desperdício alimentar a nível global “pode contribuir para uma redução de mais 13 dias”.
Além disso, a redução das emissões de dióxido de carbono e do consumo de carne são também apontadas como centrais para adiar o dia em que passamos a viver acima das nossas possibilidades na Terra.
Existem muitos projetos ativos que contribuem para equilibrar a atividade humana com o orçamento ecológico da Terra. Pode encontrar uma ótima visão geral aqui.

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Documentário - Comer Vai Nos Levar À Extinção


O documentário ‘Eating Our Way to Extinction’ (Comer vai nos levar à extinção) vai mudar a sua perceção sobre a comida e a sua relação com o futuro do nosso planeta.

Este documentário aborda “o elefante na sala” sobre o qual ninguém quer falar… Seremos a próxima espécie a caminho da extinção?

Qual é o verdadeiro custo da comida? Quem paga o preço?

Sabia que a pecuária é responsável por 80% da desflorestação da Amazónia?

“Este é o filme que as gerações futuras vão desejar que todos tivessem assistido hoje”, afirmou Leonardo DiCaprio.

Narrado por Kate Winslet, conta também a com a participação de Jeremy Rifkin e de Sylvia Earle. A versão em português do Brasil é narrada por Xuxa Mengehel.

Outros entrevistados:
  1. Bruce Friedrich
  2. Doug Maw
  3. Marco Springmann
  4. Michael Greger
  5. Tony Robbins
  6. Udo Erasmus

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Racing Extinction (Vida em Extinção) - tema original e tema com ANOHNI


A premissa do documentário, que o Discovery Channel exibiu em 220 territórios em 24 horas, é simples. A quinta fase de extinção na Terra, há 65 milhões de anos, foi a que fez desaparecer os dinossauros. A causa? Um asteróide. Em 2015, os cientistas ouvidos no documentário argumentaram que estamos a viver a sexta era, o Antropoceno. "A Humanidade é o asteroide". E esta é a ultima oportunidade para salvarmos o planeta. "Os meus amigos paleontólogos dizem que, se olharmos para a história do Homem desde a revolução industrial até 2100, a II Guerra Mundial será apenas uma nota de rodapé em comparação com a nossa geração, que está a levar a cabo a maior perda de diversidade desde a extinção dos dinossauros".

Realizado como um thriller de espionagem, Racing Extinction mostra Louie Psihoyos e a sua equipa em verdadeiras missões de detetives. Munidos de câmaras e microfones ocultos, viajam até Hong Kong, disfarçados de turistas gastronómicos, à procura de estabelecimentos que vendam espécies em vias de extinção. E é ali, no topo de um edifício, que fazem uma descoberta chocante. Depois, na província de Cantão, na China, visitam um mercado ilegal, em pleno céu aberto, onde são vendidas inúmeras espécies raras, desde corais a mamíferos. Do fundo do mar, Racing Extinction passa para a criação industrial de gado. Três quartos do terreno agrícola do mundo todo é usado para alimentar animais para consumo. E há uma conclusão que, na entrevista, Psihoyos faz questão de enfatizar: "A criação de gado emite mais gases nocivos do que todo o setor dos transportes. Um vegetariano que conduza um Hummer usa menos energia do que uma pessoa que coma carne e ande de bicicleta".

Mas nem tudo são más notícias: o documentário foca os resistentes, os investidores nas energias renováveis, os esforços feitos em países em vias de desenvolvimento para transformar regiões dependentes da caça de espécies em perigo em zonas de turismo. Racing Extinction não é apenas um documentário. Pretende criar um movimento, primeiro nas redes sociais, e depois na prática, usando a hashtag #Startwith1thing (em português, "começa com uma coisa"). Embora admita que governos e organizações governamentais "não estão a fazer o suficiente", o realizador salienta o facto de, "pelo menos, se estar a falar sobre estes assuntos".

Vale a pena conhecer o trabalho e activismo de J. Ralph

Ver também o lindíssimo vídeo com ANOHNI.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Sobre os hábitos alimentares dos Portugueses


Os portugueses são (de longe) os que mais comem peixe e marisco, os que mais comem arroz, os segundos que mais carne comem e dos que mais comem vegetais na Europa Ocidental/Central.
Se bem que na realidade o vegetal comum é a batata e uma salada de alface e tomate. 
Os vegetarianos portugueses ainda são uma minoria.
Comemos e bebemos muito. Ainda estamos a almoçar e já estamos a pensar no jantar.
Por experiência própria confirmo que na Irlanda e Reino Unido abundam alimentos processados. As sanduíches estão cheias de molhos. Uma surpresa foi quando estive na Suécia (que não aprece no mapa) e Finlândia. Realmente recorrem muito aos alimentos processados. A culinária é pobre. Arenques, alce e salmão. De resto é tudo fast-food.

sábado, 27 de maio de 2023

Documentário: Punk Rock Vegan Movie


"Punk Rock Vegan Movie” explora as ligações entre o punk e o veganismo e conta com as participações de Dave Navarro, Rob Zombie ou Ian MacKaye. Moby sabe do que fala: tem um passado no punk ‘hardcore’.

O documentário foi escrito e realizado pelo próprio Moby, que também se encarregou da banda-sonora, e contém entrevistas com nomes como Rob Zombie, dos White Zombie, Dave Navarro, dos Jane's Addiction, e Ian MacKaye, dos Fugazi, entre outros.

Moby é há muito ativista pelos direitos dos animais, tendo-se tornado vegetariano em 1984 e vegano em 1987. Em declarações ao “NME”, o músico revelou que o seu mundo se alterou quando os Vatican Commandos, banda hardcore punk da qual fez parte, passou uma noite numa casa ocupada vegana. “Tinha 15 anos e nem sequer sabia o que era um vegano”, disse.

“Punk Rock Vegan Movie” tem a duração de 1h30 e está disponível, na íntegra, no YouTube. “O realizador e os produtores esperam que ninguém pague para ver este documentário, já que é fruto de amor e ativismo”, pode ler-se na legenda no vídeo.

quinta-feira, 23 de março de 2023

É possível boicotar supermercados? Eles tentam todos os dias, mas não é fácil

Enquanto conversam sobre música e futebol, João Mendes faz as compras da semana ao Sr. José, do Pomar Coutinho. Começou a visitar com mais frequência o pequeno supermercado local, no centro da Trofa, há seis anos, quando decidiu evitar ao máximo entrar em grandes cadeias de supermercados.


Reportagem Público
O copywriter freelancer de 38 anos virou as costas quando se apercebeu que “os legumes e a fruta que comprava nas grandes superfícies duravam pouquíssimo tempo” em comparação com os produtos que chegavam de familiares e amigos que tinham hortas. Pouco depois, reparou que no minimercado da sua rua os preços estavam muito abaixo do que via no hipermercado onde costumava comprar. Produto a produto, foi fazendo comparações e reparou que lhe compensava mais comprar no pequeno comércio.

João não é único a trocar as grandes superfícies, empurrado pelo que classifica de “preços e lucros excessivos”. Outros apontam como razões a preocupação com a sustentabilidade ambiental ou com a sobrevivência dos negócios locais. E há quem questione se um boicote generalizado, mesmo sabendo o quão difícil é mudar rotinas e encontrar alternativas equiparáveis, ajudaria a baixar os preços galopantes e a passar uma mensagem de descontentamento perante irregularidades detectadas pela ASAE e denunciadas por consumidores.

“Existe sempre um produto que me obriga a voltar”

Hoje, 90% das compras de João são feitas entre o Pomar de José Coutinho, o mercado semanal da Trofa e um talho que fica a dois minutos de casa. No entanto, por vezes, ainda se vê obrigado a ir comprar aos grandes: “Existe sempre um produto mais complexo que me obriga a ir a uma grande superfície como um creme, umas bolachas que o meu filho quer muito, uma garrafa de vinho e pouco mais.”

Quando começou a comprar mais regularmente no minimercado da sua rua, João Mendes decidiu comparar o preço de vários produtos com os praticados numa grande cadeia de hipermercados de um grupo nacional.

A primeira diferença que encontrou foi no café. A mesma caixa de quarenta cápsulas era 2,39 euros mais barata no minimercado. Mas rápido percebeu que gastava menos em muitos outros produtos. Em alguns casos, como o do gel de banho, o preço caiu para metade (menos 119%, calculou).

Ana Machado, 35 anos, gerente de um estúdio de fotografia no Porto, já há algumas semanas que evita por princípio fazer compras em grandes superfícies. Costumava visitar o supermercado três vezes por semana, agora vai duas a três por mês: “Neste momento, incomoda-me gastar dinheiro num supermercado. Do ponto de vista ideológico também já não se aceita. Não se justifica.”

A preocupação em ser mais sustentável também levou Stefanie Silva a reduzir as idas aos supermercados. Sendo vegetariana, a enfermeira de Viseu diz que não compra quase nenhuma da comida que consome em grandes superfícies. Porém, não vive sozinha. Normalmente, recorre a hipermercados para comprar comida para os animais, “alimentos processados” e outros que a granel sejam mais difíceis de encontrar.

A viver longe do centro da cidade, reconhece que nem sempre é fácil fazer as compras em locais mais sustentáveis. ​“Procurando ser sustentável a todos os níveis, tenho de me organizar quando me desloco ao centro da cidade para fazer tudo aquilo que preciso. Organizar muito bem, não só as compras mas também a deslocação”, diz.

Há mais de 30 anos que os alimentos não eram tão caros

Rosa Silva, trabalhadora independente de 55 anos, costumava fazer as compras sempre no mesmo hipermercado. No final de 2022, quando a subida dos preços se tornou “um abuso”, procurou alternativas. Agora, opta por mercados locais (onde, diz, a especulação também existe) e mercearias.

“Eu sou muito básica nas compras, não me estico muito. São sempre as mesmas coisas há anos e sou fiel às mesmas marcas. Portanto, há aqui um referencial muito claro quando as coisas aumentam de uma forma absurda”, conta. A título de exemplo, refere o caso da manteiga dos Açores, que costumava usar: “Passou de 1,69 euros para 2,30.”

Nos mercados, os preços nem sempre são mais baixos. Rosa Silva, costuma dirigir-se ao mercado de São João da Madeira e já percebeu que os preços flutuam ao longo do dia. Com o contacto certo, porém, pode-se poupar: “Sei que os preços são mais caros durante o dia. Mas já encontrei, ao ir às sete da manhã, a pessoa certa que tem produtos muito mais baratos, bons e frescos.”

Desde que começou a comprar mais fora de supermercados, Ana Machado já reparou que gasta menos: “Este mês nem gastei o plafond todo do cartão de alimentação.”

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

O consumidor sustentável pode ser nossa mãe ou nossa avó (e há três razões para isso)


A maioria de nós, espanhóis, associa o perfil do consumidor sustentável à geração do milénio. No entanto, o perfil de quem tem um estilo de vida mais sustentável é o de uma mulher com mais de 55 anos. É o que revela o primeiro estudo do Monitor de Consumo Sustentável .

São as mulheres mais velhas que mais separam os resíduos em casa. As que mais economizam água e energia. Quem procura embalagens sustentáveis ​​ou produtos com ingredientes naturais. E as que mais reaproveitam ou dão uma segunda vida aos produtos.

Existem apenas três comportamentos sustentáveis ​​mais frequentes entre os jovens do que entre as mulheres idosas: mobilidade sustentável, compras de segunda mão e adoção de uma dieta vegana .

Também são eles que expressam em maior proporção se sentirem comprometidos, satisfeitos e orgulhosos com a sustentabilidade. Por outro lado, os millennials, especialmente os homens, relatam sentir raiva ou chateação quando questionados sobre sustentabilidade.

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eles, cuidadores

Existem várias razões pelas quais as mulheres mais velhas puxam esse movimento. Em primeiro lugar, a orientação do cuidado. O consumo sustentável é um trabalho de cuidado e as tarefas de cuidado geralmente são realizadas em grande parte por mulheres e mais por aquelas dessa geração.

Pesquisas com pessoas com mais de 65 anos mostram que esse segmento busca o cuidado como propósito vital. É plausível pensar que para esta geração proteger os recursos naturais é mais um reflexo dessa finalidade de cuidado.

Chama a atenção, por exemplo, que o perfil do consumidor mais sustentável coincida com o perfil do voluntário sénior : uma mulher com formação superior.

Um legado para o mundo

E é nessa terceira fase da vida que a generatividade desperta com mais força , quando você começa a pensar mais no que vai deixar para o mundo do que no que o mundo lhe deu.

A generatividade explica a geração de objetivos ligados ao bem comum, porque implica a consciência de nutrir e acompanhar os que serão adultos amanhã, e de manter as instituições e os recursos de que as gerações seguintes precisam para sobreviver.

Sobreviver à escassez

A última razão é a socialização. Esta geração sofreu tempos de severa escassez ou foi criada por pais que os viveram. Nesse contexto, o mais inteligente a fazer era prolongar a vida útil dos recursos – não era fácil repor – e usar recursos que eles sabiam que eram escassos.

Essas práticas foram internalizadas desde a infância, gerando hábitos de austeridade que perduram até hoje. Em contraste, a geração do milénio viveu em tempos de consumismo e superabundância de recursos. Por mais que seja a geração que cresceu ouvindo falar dos problemas ambientais, seus hábitos de consumo estão longe de ser os mais sustentáveis.

Para a geração sénior, a adoção de estilos de vida sustentáveis ​​é um prolongamento natural de outras práticas que já faziam, ou uma recuperação de práticas que tinham realizado ou observado na juventude.

A questão pendente agora é que essas gerações consigam transferir essas práticas para as próximas, que, embora envolvam pequenos esforços diários, têm um impacto muito importante na saúde do planeta.

Se seus filhos e netos já tiraram máquinas de costura e caixas de ferramentas do depósito com o movimento faça você mesmo , por que não tentar fazer com que eles voltem à gestão tradicional de recursos?