domingo, 4 de outubro de 2026
Geoffrey Hinton, o padrinho da IA: “A minha principal missão agora é avisar as pessoas sobre quão perigosa a inteligência artificial pode ser”
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Oceanos têm aquecido a “ritmo alarmante”
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Fascismo do Fim dos Tempos: Como Elites Tecnológicas e Religiosas se Preparam para o Apocalipse Global
Em setembro de 2026, a publicação do livro
Na perspetiva das autoras, o fascismo sempre funcionou como uma espécie de "capitalismo com dentes de fora" - uma reação violenta das elites para proteger as suas posições de poder quando o sistema económico entra em crise estrutural. Contudo, na sua nova roupagem, este fascismo do fim dos tempos funde três fações aparentemente distintas: fundamentalistas religiosos com visões messiânicas, etnonacionalistas obcecados pelo fecho de fronteiras e uma elite tecnológica de Silicon Valley que desistiu completamente da ideia de um futuro partilhado.
Um dos focos principais dessa análise é a ascensão da chamada "Máfia do PayPal" no poder político dos EUA. Nomes como
Ao mesmo tempo que promovem sistemas que aceleram a rutura social e ambiental, estas elites preparam o seu próprio escapismo através da construção de bunkers subterrâneos, estações espaciais e a ilusão do que Klein denomina de "arrebatamento pela riqueza" (wealth rapture). O livro exemplifica esta lógica com propostas de requalificação imobiliária apresentadas no
Os três pilares identificados por Naomi Klein e Astra Taylor constituem uma aliança frágil, mas extremamente perigosa, formada por grupos que divergem em crenças, mas convergem na aceitação da rutura do mundo para garantir o controlo ou a sobrevivência exclusiva durante o colapso.
O primeiro grupo é composto pelos Religiosos do Fim dos Tempos (Religious Endtimers), maioritariamente fundamentalistas associados a correntes do sionismo cristão e setores messiânicos. Para este pilar, os conflitos no Médio Oriente, a degradação ambiental e as crises sociais não são problemas a resolver, mas sim sinais proféticos incontornáveis do Armagedão ou da segunda vinda de Cristo. A sua função nesta aliança é conferir uma justificativa teológica e moral à destruição, encarando o caos e a violência apocalíptica como etapas necessárias de um plano divino.
Paralelamente surgem os Aceleracionistas Tecnológicos (Tech Endtimers), constituídos por bilionários, investidores e executivos de Silicon Valley ligados ao ecossistema da inteligência artificial. Embora reconheçam abertamente que a tecnologia desregulada pode causar desemprego em massa, rutura social ou até a extinção humana, adotam uma postura fatalista e aceleradora. Este grupo promove o que as autoras chamam de "arrebatamento pela riqueza" (wealth rapture), acreditando que o capital e a inovação lhes permitirão escapar às consequências da crise através de bunkers de luxo, colonização espacial ou fusão com a IA, lucrando com o colapso enquanto constroem saídas de emergência privadas.
Por fim, o pilar dos Etnonacionalistas (Ethonationalists) reúne movimentos e partidos da extrema-direita global focados na identidade nacional, racial ou cultural. A sua visão de mundo encara o futuro como um jogo de soma zero, onde recursos essenciais como água, terra e alimentos serão drasticamente escassos. O seu papel na aliança consiste em implementar o fecho absoluto de fronteiras, a militarização do Estado e a desumanização do "outro", canalizando o medo e a insegurança das populações contra alvos específicos, como imigrantes, minorias e refugiados climáticos.
Apesar das contradições evidentes entre o fervor religioso, o materialismo tecnológico e o nacionalismo estatal, estes três grupos encontram-se no mesmo ponto cego: todos desistiram da ideia de um futuro partilhado para toda a humanidade. Em vez de tentarem travar a crise global, unem forças para construir o que Klein e Taylor classificam como "arcas" exclusivas para as elites, abandonando o resto da população à mercê do colapso.
Para combater esta espiral autodestrutiva, Taylor e Klein propõem o conceito de "triplo desarmamento": desarmar arsenais nucleares e militares, estabelecer guardas-de-corpo rigorosas para tecnologias de alto risco como a IA e desmantelar a extrema concentração de riqueza, tratando a desigualdade desmedida como uma verdadeira arma de destruição maciça. A solução não passa por fugir do planeta, mas por um compromisso renovado com a sobrevivência e a solidariedade no mundo real.
A peça central desta contraofensiva reside no que as autoras definem como um "triplo desarmamento". Esta estratégia procura desmantelar as maiores ameaças existenciais do nosso tempo através de três frentes coordenadas: o desarmamento militar e nuclear, travando a corrida aos armamentos e a perigosa integração da Inteligência Artificial em sistemas de defesa; o desarmamento tecnológico, impondo regulamentação pública severa e guardas-de-corpo à IA antes que a sua expansão desenfreada cause danos irreversíveis; e o desarmamento da própria riqueza concentrada. Nesta última vertente, o acúmulo extremo de capital por parte dos bilionários é tratado como uma verdadeira arma de destruição maciça, exigindo políticas fiscais agressivas que redistribuam recursos e travem a privatização de infraestruturas essenciais.
Freneticamente oposta às fantasias corporativas de fuga para Marte, bunkers subterrâneos de luxo ou simulações virtuais na nuvem, surge a proposta de uma ética do "aqui" (here-ness). Esta postura filosófica e política recusa categoricamente o fatalismo de que o apocalipse é inevitável. Em vez disso, apela ao investimento direto na proteção das comunidades, dos territórios e dos ecossistemas reais, promovendo uma solidariedade horizontal entre as pessoas - em direto contraste com a solidariedade vertical oferecida pelos autoritários, que une o cidadão comum às elites através do medo e do ódio ao "outro".
Na prática, esta resistência já ganha forma em várias frentes de ação direta pelo mundo. Destaca-se a crescente vaga de protestos comunitários contra a construção descontrolada de data centers destinados à IA, devido ao seu consumo devastador de água e energia; a organização sindical de trabalhadores que lutam para impedir que a automação sirva unicamente para desmantelar direitos laborais; e a defesa ativa de migrantes e refugiados contra a militarização das fronteiras. Para guiar esta ação, as autoras sugerem o "Teste Steven Miller": uma métrica simples que estabelece que, se uma tecnologia ou concentração de poder for perigosa ao ponto de se tornar devastadora nas mãos do pior governante autoritário imaginável, essa ferramenta simplesmente não deve ter permissão para existir.
sábado, 12 de setembro de 2026
O colapso dos sistemas naturais pode intensificar o aquecimento em 30 por cento, alerta novo estudo
terça-feira, 1 de setembro de 2026
A transição energética e a aceleração da IA: os custos ocultos da mineração na biodiversidade global
Um estudo recente publicado na revista Nature Communications no passado mês de maio - e hoje destacado pela plataforma Greensavers - revelou que a exploração de minerais fundamentais para a produção e desenvolvimento de tecnologias limpas pode estar a causar “impactos negativos significativos” na biodiversidade à escala global. A investigação, conduzida por uma equipa da Universidade de Tohoku sob a liderança de Keiichiro Kanemoto, mapeou cerca de 70 mil locais de mineração de 20 minerais essenciais. Ao cruzar este mapeamento com dados públicos de desflorestação e de risco de extinção de espécies entre 2001 e 2022, os investigadores contabilizaram a perda de 16.268 quilómetros quadrados de floresta - com maior incidência nas florestas húmidas da Amazónia, do sudeste asiático e da Bacia do Congo.
Contudo, o trabalho faz sobressair uma “mudança crítica” no padrão do extrativismo mundial: enquanto a mineração tradicional de ouro continua a figurar como o principal motor da desflorestação direta e visível, a extração dos minerais da transição energética obedece a uma dinâmica diferente. Elementos vitais como o lítio, o cobalto e o níquel exercem pressões mais subtis, mas com riscos desproporcionalmente elevados para a biodiversidade em ecossistemas ecologicamente sensíveis. A extração de lítio em salinas e zonas húmidas, por exemplo, provoca uma perda de coberto florestal praticamente impercetível, mas desregula drasticamente os recursos hídricos de ecossistemas frágeis e coloca em risco espécies endémicas vulneráveis. Como alertam os autores, o caminho para a descarbonização traz consigo custos ambientais ocultos que exigem um reequilíbrio urgente entre as metas climáticas e a proteção da biodiversidade.
Embora este artigo científico não aborde de forma explícita o fenómeno da inteligência artificial, o seu diagnóstico valida de forma direta a reflexão que venho a consolidar no BioTerra. A infraestrutura material que viabiliza o boom da IA - desde os data centers de alta densidade até às redes de supercomputação - é profundamente intensiva em recursos minerais. Na prática, o setor tecnológico concorre diretamente com a transição energética pelas mesmas cadeias de suprimento de lítio, níquel, cobre e terras raras, sobrecarregando ainda mais esses ecossistemas vulneráveis.
Esta confluência entre o avanço sociotécnico e a degradação ambiental tem sido um eixo central nas publicações recentes do blogue:
No ensaio
(19 de agosto de 2026), explorei precisamente como a expansão da IA funciona como um acelerador extrativista e metabólico, intensificando a corrida às matérias-primas críticas e aprofundando as assimetrias do neocolonialismo extrativo no Sul Global.O ecossocialismo do decrescimento na era da Inteligência Artificial: entre o colapso e a esperança emancipatória Na reflexão
(31 de agosto de 2026), critiquei as contradições do modelo de consumo global perante a perda silenciosa de biodiversidade, evidenciando a forma como os danos ambientais são systematically delocalizados para zonas cegas do sistema.A ilusão do consumo e o silêncio da extinção No artigo
(3 de agosto de 2026), abordei a forte dependência europeia em relação ao lítio e ao cobalto, sublinhando a inviabilidade da descarbonização sem uma efetiva circularidade e a redução do consumo de recursos primários.Europa: estamos preparados para o fim de vida de 1 milhão de baterias de veículos elétricos?
As conclusões agora trazidas a público confirmam o alerta: quer se fale de veículos elétricos, de painéis solares ou de redes neuronais de IA, o modelo de expansão contínua assenta sobre a mesma base extrativa frágil. Sem uma viragem em direção à soberania metabólica e à redução do uso de matérias-primas, a promessa de uma transição verde continuará a transferir o seu custo para o silêncio e a degradação dos ecossistemas planetários.
Da estagnação económica ao colapso climático: a ilusão da neutralidade política que ameaça a democracia
- Interessante escutar este painel de debate How do we fix climate change? promovido pela London School of Economics and Political Science. Conheça os oradores aqui
- A ilusão do consumo e o silêncio da extinção: uma crítica da ecologia política ao poder corporativo
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Alerta de Jean Jouzel: A Catástrofe de 2050 e a Ecologia Política
A ilusão do consumo e o silêncio da extinção: uma crítica da ecologia política ao poder corporativo

Perante o fracasso da pedagogia e a captura anarco-capitalista da democracia liberal, a resposta teórica e prática desloca-se da persuasão moral para a soberania coerciva. No ensaio Political Theory and Climate Change: The Case for Eco-Authoritarianism (2021), Ross Mittiga defende explicitamente que, se os regimes liberais continuarem incapazes de garantir a segurança básica dos seus cidadãos perante a emergência climática, a restrição de certos direitos políticos e o recurso ao estado de exceção ecológico tornam-se moralmente legítimos. Esta incapacidade estrutural já tinha sido diagnosticada por David Shearman e Joseph Wayne Smith em The Climate Change Challenge and the Failure of Democracy (2007). Para estes autores, a democracia liberal falhou no combate à degradação ambiental devido à sua vassalagem aos mercados e ao poder corporativo, o que exige a transição para uma "epistocracia verde" - um modelo de governação liderado por autoridades técnicas e peritos ecologistas capazes de tomar decisões imunes ao ciclo eleitoral.
Críticos ao Estado de Excepção Ecológica
No entanto, o risco de o estado de emergência ser cooptado pelo próprio capital é alertado por Joel Wainwright e Geoff Mann em Climate Leviathan: A Political Theory of Our Planetary Future (2018). Os teóricos mapeiam a emergência do "Leviatã Climático", uma forma de soberania global de exceção onde o capital transnacional e as forças estatais se fundem para gerir a escassez de recursos sob o pretexto da urgência biológica, preservando contudo as assimetrias da estrutura de classes. Em contrapartida, sob a perspetiva da implementação pragmática, Yifei Li e Judith Shapiro, em China Goes Green: Coercive Environmentalism for a Troubled Planet (2020), analisam o "ambientalismo coercivo". Os autores demonstram como o uso centralizado do poder estatal - contornando a morosidade e as negociações paralisantes do parlamentarismo liberal - consegue impor metas de restauração ecológica e racionamento de recursos a uma velocidade incompatível com a lentidão das democracias de mercado.
O Diagnóstico de George Tsakraklides: nem reforma de esquerda, nem mercado de direita
Finalmente temos uma corrente colapsista, ecologia profunda contemporânea e anarco-socialista proposta por George Tsakraklides. Como defende que o colapso da civilização industrial é inevitável por limites biofísicos e termodinâmicos, o seu pensamento não oferece "soluções de políticas públicas" viáveis para aparelhos de Estado ou corporações. Tsakraklides rejeita a viabilidade de reformar o sistema. Para ele, qualquer tentativa institucional de "salvar o sistema" não passa de uma maquilhagem do que ele chama de necrosistema. George Tsakraklides desenvolve uma crítica incisiva à esquerda tradicional e aos movimentos ecologistas mainstream - como o Extinction Rebellion, a Greenpeace ou intelectuais como George Monbiot -, acusando-os de cobardia intelectual ao transformarem a sobrepopulação num tabu intocável. Na perspetiva do autor, o argumento comum da esquerda de que o problema reside exclusivamente no consumo excessivo do "1%" ou no capitalismo predatório assenta numa falácia estatística, pois ignora que o impacto ecológico absoluto é uma equação direta da pegada per capita multiplicada por biliões de indivíduos a exigir energia, tecnologia e alimentos. Como biólogo, Tsakraklides contesta a utopia ecologista de que é possível reeducar comportamentalmente oito mil milhões de pessoas para as tornar "ecologicamente neutras", sustentando que a espécie humana possui uma tendência biológica evolutiva para a expansão e ocupação de território que nenhuma propaganda ideológica conseguirá travar. O ensaísta defende que o receio de acusações de ecofascismo ou eugenia fez com que as organizações ambientais institucionais capitulassem diante da correção política para protegerem o seu financiamento e aceitação mediática. Além disso, Tsakraklides rejeita propostas como o Green New Deal ou a "transição energética" defendidas pelo ecologismo dominante, classificando-as como ilusões que apenas alimentam uma nova vaga de extrativismo mineral para sustentar uma escala demográfica insustentável, desculpabilizando a responsabilidade do próprio consumo de massa da população global.
A crítica de George Tsakraklides à direita política- abrangendo conservadores, liberais e o Partido Republicano nos EUA - é visceral e intransigente. Se o autor acusa a esquerda de ingenuidade e cobardia por alimentar uma «ilusão sustentável», enxerga a direita como o motor ideológico e o braço executivo do necrocapitalismo. Na sua perspetiva, a direita comete a heresia científica definitiva ao colocar o dogma do crescimento económico perpétuo, da desregulamentação e do mercado livre acima das leis invioláveis da termodinâmica e da biologia. Tsakraklides ridiculariza a crença de que a tecnologia, a inovação privada ou a "mão invisível" resolverão o esgotamento planetário, classificando o mercado livre como um algoritmo cego concebido para devorar matérias-primas e gerar lucro imediato. A acumulação de capital é descrita como uma força patológica que atua como um cancro, consumindo o hospedeiro ecossistémico até ao colapso inevitável.
Sendo a sobrepopulação um pilar central da sua reflexão, o ensaísta ataca frontalmente o natalismo conservador e a oposição aos direitos reprodutivos, sustentando que essas agendas servem unicamente para garantir mão de obra barata e expandingir a base de consumidores para as corporações. Ao alimentar o mito antropocêntrico de uma Terra com capacidade infinita, a direita recusa enfrentar a crise ambiental porque fazê-lo exigiria admitir o fracasso do capitalismo industrial. Em obras como Frankenpolitics, Tsakraklides evidencia como o setor empresarial privado e a direita fundiram o Estado e o capital, reduzindo a política a uma fachada destinada a proteger os lucros das indústrias extrativas enquanto a biosfera colapsa.
Esta transição ecológica desmantela a figura do político mercenário através de imperativos legais e fiscais draconianos: a proibição constitucional do lobbying corporativo, o racionamento severo de recursos primários, a taxação punitiva do sobreturismo e o encerramento forçado de indústrias ecocidas. Quando a deliberação democrática se torna refém da lógica do capital, a sobrevivência exige que a autoridade coerciva intervenha diretamente sobre as forças de mercado. A frase «We didn't notice them leaving» deixa, assim, de ser um lamento sobre o esquecimento passivo para se converter na certidão de óbito da ilusão liberal-democrática perante o ecocídio.
- Agamben, G. (2004). Estado de Sítio. Edições 70.
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- Latouche, S. (2009). Farewell to Growth. Polity Press.
- Leff, E. (2001). Saber Ambiental: Sustentabilidade, Racionalidade, Complexidade, Poder. Vozes.
- Li, Y., & Shapiro, J. (2020). China Goes Green: Coercive Environmentalism for a Troubled Planet. Polity Press.
- Loureiro, C. F. B. (2004). Trajetória e Desafios da Educação Ambiental Crítica. Editora Cortez.
- Mann, G., & Wainwright, J. (2018). Climate Leviathan: A Political Theory of Our Planetary Future. Verso Books.
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- Tsakraklides, G. (2020). Frankenpolitics: How corporate power and technology created a monster. Independently Published.
- Tsakraklides, G. (2021). Biology Lessons in Degrowth. Independently Published.
- Tsakraklides, G. (2022). Necrocene: The psychology of human collapse. Independently Published.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Por uma Economia da Felicidade e dizer não ao regresso do Fascismo
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
Relatório aponta caminhos para evitar catástrofe ambiental planetária
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| A Marcha Mundial pelo Clima levou milhares de pessoas às ruas de Belém (PA) em 15 de novembro de 2025, durante a COP 30, incluindo indígenas e outros povos tradicionais da Amazónia |
- Taxa de aquecimento global: provavelmente será maior do que as estimativas centrais das projeções anteriores do IPCC aumentando o risco de ultrapassar irreversivelmente vários pontos de rutura climática (tipping points) nas próximas décadas, incluindo grandes mudanças na circulação oceânica, perda acelerada de mantos de gelo, degelo generalizado do permafrost, declínio de florestas e colapso de ecossistemas de recifes de coral.
- Ameaça de extinção: 1 milhão, das cerca de 8 milhões de espécies conhecidas, está ameaçado de extinção, algumas nas próximas décadas. As populações de muitas outras espécies estão em declínio e a sua diversidade genética está a ser significativamente reduzida.
- Degradação terrestre: entre 20% e 40% da área terrestre foi estimada como degradada em 2022. Entre 2015 e 2019, pelo menos 100 milhões de hectares (o equivalente ao tamanho da Etiópia ou da Colômbia) de terras férteis e produtivas foram degradados anualmente em todo o mundo.
- Volume de resíduos: o volume anual de resíduos sólidos produzidos já ultrapassa os 2 mil milhões de toneladas e, mantidas as tendências atuais, deve aumentar para 3,8 mil milhões de toneladas até 2050.
- Economia e finanças: ir além do conceito de PIB (Produto Interno Bruto) para incluir métricas de riqueza mais inclusivas e abrangentes, que contemplem valores naturais e sociais; precificar as externalidades positivas e negativas para valorizar corretamente os bens; eliminar progressivamente e reorientar subsídios, impostos e outros incentivos que resultem em impactos negativos na natureza.
- Materiais e resíduos: implementar design circular de produtos, transparência e rastreabilidade de produtos, componentes e materiais; direcionar os investimentos para modelos de negócio circulares e regenerativos; mudar os padrões de consumo em direção à circularidade por meio da mudança de mentalidades e comportamentos.
- Energia: descarbonizar o fornecimento de energia; aumentar a eficiência energética; apoiar a sustentabilidade social e ambiental nas cadeias de valor de minerais críticos; ampliar o acesso à energia e combater a pobreza energética.
- Sistemas alimentares: transição para dietas saudáveis e sustentáveis; aumentar a circularidade e a eficiência da produção; e reduzir a perda e o desperdício de alimentos.
- Ambiente: acelerar a conservação e restauração da biodiversidade e dos ecossistemas; apoiar a adaptação e a resiliência climática, recorrendo a Soluções Baseadas na Natureza; implementar estratégias de mitigação climática, com redução nas emissões de gases do efeito de estufa.

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