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sábado, 7 de março de 2026

Mafalda Livermore: a ironia faz-se sózinha


O caso de Mafalda Livermore é o exemplo acabado de como a realidade, por vezes, se encarrega de expor as maiores contradições sem precisar de floreados. A ironia faz-se sozinha porque o choque entre a retórica e a prática é absoluto: uma criminologista, ligada a um partido que se apresenta como o único capaz de limpar a corrupção e combater o "sistema" de privilégios, acaba exonerada por um caso de nepotismo direto e pela exploração de condições de habitabilidade indignas. Rever Prova dos Factos

A situação torna-se particularmente gritante quando observamos que o lucro vinha precisamente da população imigrante, o grupo que o partido mais utiliza como alvo do seu discurso de insegurança e desordem. Quando uma estrutura política que reclama a exclusividade da moralidade e da "lei e ordem" se vê enredada em esquemas de favorecimento familiar e na precarização de seres humanos, a narrativa de "pureza" colapsa. Não é necessário um debate ideológico profundo para perceber a incoerência; basta olhar para os factos, que se revelam tão opostos às promessas eleitorais que a própria situação se torna uma sátira da mensagem política que o partido tenta vender.

O Chega é um verdadeiro poço de bandidos de toda a ordem. Quase não há dia nenhum em que não se descubra que mais um bandido chegano foi caçado numa das milhentas falcatruas possíveis de serem feitas neste mundo de pseudo empresários nascidos nas redes sociais.
As escandaleiras envolvendo cheganos são tantas e de tal ordem que já ninguém se admira quando um qualquer noticiário abre com a noticia de um chegano metido em vigarices ou enfiado num qualquer processo judicial. Escolheram-nos a dedo o que não admira numa seita montada sobre milhentas assinaturas falsificadas pelas quais ninguém foi responsável nem responsabilizado. Até hoje ninguém percebe como um gangue de bandidos pode concorrer a eleições com órgãos diretivos ilegais, com contas não aprovadas pelo tribunal Constitucional e com estatutos reprovados pelo mesmo Tribunal. O Chega utiliza estas derrotas no Tribunal Constitucional para alimentar a sua própria narrativa: presentam-se como vítimas de uma perseguição das elites ou dos juízes "do sistema" e quanto mais o TC chumba os seus estatutos, mais o partido diz aos seus eleitores que "eles" (os poderes instituídos) estão a tentar calar a voz do povo.
Mas se toda esta vigarice causa estranheza a muita gente mais estranheza causa que 25% dos eleitores nacionais estejam de tal forma alienados e hipnotizados com este bando de gangsters que lhes entregam o seu voto.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Chameleons - Saviours Are A Dangerous Thing

[Intro]
Here he comes now

[Verse 1]
Here he comes gliding down the street
Thousand dollar trainers on his feet
All the monkeys part to let him pass
Thinks he's Jesus riding on an ass

[Pre-Chorus]
Super Nero and his ego smile
As they worship the king, dancing the tango
With opinions, roasted minions
Bow as they're kissing the ring

[Chorus]
Saviours are a dangerous thing
Saviours are a dangerous thing

[Verse 2]
Here he comes to sweep you off your feet
With his little orange parakeet
Bringing as he offers something sweet
Suck-suck-suck-suck-sucking on the teat

[Pre-Chorus]
Young Narcissus and his sisters swoon
In the madness they bring, dancing the fandango
Celebration population sings
Dancing the king

[Chorus]

[Bridge]
Far from you, I feel so very far from you
From everything you say and do, I feel so very far from you

[Pre-Chorus]
Super Nero and his ego smile
As they worship the king

[Chorus]

[Outro]
I feel so very far from you
From everything you say and do
I feel so very far from you
From everything you think is true
Here he comes now, saviours are a dangerous thing

Significado da canção
A canção "Saviours Are A Dangerous Thing", lançada pelo The Chameleons em 2024 (do álbum Arctic Moon), é uma crítica contundente ao cenário político global e ao perigo de seguir cegamente figuras messiânicas ou autoritárias.

De acordo com o vocalista e compositor Mark Burgess, o significado central gira em torno de três eixos:

1. Crítica ao Populismo e Autocracia
Burgess afirmou em diversas entrevistas que a letra reflete como as pessoas tendem a buscar "salvadores" em tempos de crise. Ele mencionou especificamente o comportamento de oficiais do governo que "fazem fila para beijar o anel de palhaços" que se comportam mais como reis autoproclamados do que como funcionários eleitos. A música faz referências visuais e líricas (como o "pequeno periquito laranja") que muitos interpretam como uma crítica à figura de Donald Trump e outros líderes populistas similares.

2. Ecos da História (Anos 1930)
O compositor declarou ver muitos paralelos perigosos entre o clima político atual e a década de 1930 na Europa — o período que precedeu a Segunda Guerra Mundial e viu a ascensão do fascismo. A canção alerta que a propaganda sedutora muitas vezes usa a "máscara da esperança" para esconder ideologias perigosas.

3. A Sedução da Propaganda
A letra explora como a humanidade se rende facilmente a promessas vazias de salvação, apenas para acabar presa por "algemas invisíveis". Termos como "Super Nero" e referências a Narciso na letra reforçam a ideia de líderes egocêntricos que queimam o mundo enquanto sorriem, enquanto seus seguidores (os "minions") os adoram cegamente.

Resumo do Conceito
O título já resume a tese da banda: "Salvadores são uma coisa perigosa". A mensagem é um chamado à vigilância individual e ao ceticismo diante de quem promete soluções fáceis para problemas complexos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Portugal tem o segundo IVA mais alto da Europa, como diz André Ventura?



André Ventura falava daquilo que viu na Suíça a propósito das portagens. Por lá, paga-se uma taxa anual para poder circular; por cá, pagamos “por cada centímetro de estrada”, vociferou, indignado, o candidato a sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa.

Daí, saltou rapidamente para o Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA): “Temos o IVA a 23%. Sabem qual é o IVA nos outros países? Portugal tem o segundo IVA mais alto da Europa!”

Será que tem razão?

O IVA é um imposto sobre o consumo que se aplica a quase todos os bens e serviços comprados e vendidos na União Europeia, tendo regras que podem ser aplicadas de forma diferente em cada país.

A Comissão Europeia disponibiliza os dados das taxas de IVA em vigor em cada um dos Estados-membros da União Europeia. Em Portugal, a taxa normal aplicada é de 23% e a taxa reduzida é de 6%.

Estando André Ventura a falar dos 23%, estaria, portanto, a falar da taxa normal de IVA aplicada em Portugal e, assim sendo, os dados não batem certo.

Portugal surge em oitavo lugar, ao mesmo nível de Irlanda, Polónia e Eslováquia, todos com 23% de IVA. Acima do nosso país, há outros Estados-membros com taxas normais – ou padrão - superiores.

A Hungria destaca-se com a taxa mais elevada (27%), seguida pela Finlândia (25,5%), pela Dinamarca (25%), Croácia (25%), Suécia (25%), Estónia (24%) e Grécia (24%).

A SIC pediu esclarecimentos sobre qual a fonte em que o candidato presidencial sustentou a afirmação - visto não bater certo com os dados da Comissão Europeia - mas não obteve resposta.

Portugal não é o segundo país com a taxa de IVA mais elevada da Europa. Apesar de a taxa de 23% de IVA colocar Portugal num grupo de países com as taxas mais elevadas, não é verdade que o país esteja no segundo lugar, nem sequer no pódio deste ranking.

Por ser ter sido eleito deputado e por ser o povo que paga om seu salário, cada mentira que dissesse deveria levar uma multa.
Ele não defende o povo nem as pessoas de bem, como apregoa.

O histórico de relações promíscuas do líder do partido Chega, André Ventura tendenciosamente procura distanciar-se dos seus principais aliados políticos (criminosos) que sempre financiaram os seus projectos eleitorais, dolosamente omitindo a fonte destes financiamentos que depois da detenção do político e empresário Tito Gomes Fernandes, figura próxima do Presidente deposto da Guiné Bissau, Umaro Sissoco Embaló, por alegado transporte ilegal de 5 milhões de euro em várias malas.  O seu silêncio sobre este caso que o compromete é muito estranho que em condições normais e conhecendo a natureza controversa de André Ventura, surpreende-nos a todos o facto de não ter aproveitado e explorado politicamente este episódio como mais uma oportunidade para destilar o seu discurso inflamatório de condenação. Pois, preferiu o silêncio, porque tem consciência que o princípio da moralidade que sempre defende, carrega no oculto da sua trajectória, relações comprometidas e sustentadas em revelações que descortinam a ambiguidade do seu caráter e posicionamento político.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Inicitiva Liberal - um partido extremista e misógino


"Sobre Bernardo Blanco diretor de campanha de Cotrim de Figueiredo e mencionado lateralmente na história de assédio da alegada vítima de Cotrim de Figueiredo. Uma vez convidou-me para uma palestra sobre liberalismo e feminismo. Eu aceitei e escreveu-me, como que a sugerir, de como afinal tinha sido o capitalismo a libertar as mulheres, com a invenção dos eletrodomésticos que facilitavam a vida às mulheres. Portanto para ele a libertação feminina tinha sido as mulheres deixarem de lavar a roupa num tanque à mão para passarem a pôr tudo numa máquina de lavar e, quiçá, não estragarem tanto a manicure. Disse-lhe que se fosse para propalar tão estúpida teoria eu não era a pessoa certa. Disse-me que não, para ficar, e eu já com má impressão lá fui para o IEP na Católica para a dita palestra. Foi uma coisa tenebrosa. Estava lá a palestrar também a Ana Vasconcelos, eurodeputada, que também já veio defender o seu colega do Parlamento Europeu. É uma daquelas mulheres que considero como idiota útil do patriarcado. Não sabia nada do assunto feminismo, dizia que o feminismo certo era o de John Stuart Mill (homem moderno para o fim do século XIX e agora completamente ultrapassado e que, como sabe quem já leu The Subjection of Women, com uma visão confrangedoramente conservadora sobre mulheres), negava que existisse qualquer preconceito que prejudicasse mulheres (donde, se enfrentam discriminação é porque são, coitadas, mázitas), até brincou que se calhar sofria de machismo intrínseco (no kidding), como se tal coisa não existisse. Ah, e não entendia por que carga de água as mulheres não formavam partidos se não estavam bem representadas nos existentes. A estupidez vinda desta senhora foi avassaladora.
A grunhice da conferência foi de tal ordem que houve quem sugerisse que se deviam diminuir os direitos das mulheres para não incomodar os imigrantes que chegavam de sítios mais conservadores. Bernardo Blanco e uma outra criatura da assistência puseram em causa a existência da licença de maternidade porque, afinal, é um direito que discrimina positivamente as mulheres e, portanto, não é justo para os homens; também argumentavam que não era o estado que tinha de suportar a escolha individual das mulheres terem filhos. Sim, foi a este nível e foi este Bernardo Blanco que Cotrim de Figueiredo escolheu para diretor de campanha. (Até a IL no parlamento já se conseguiu livrar de Bernardo Blanco, mas Cotrim reciclou-o).
Bernardo Blanco fez parte de uma coisa tenebrosa que era o Instituto Mises Portugal, grupo de gente anarco capitalista que gozava (gulosamente) com os assassinatos de Pinochet dos comunistas que eram atirados de helicópteros. Que debatiam, como se fosse debatível, a ‘remoção física’ de comunistas e - tcharan - democratas. Bernardo Blanco é um extremista e um fanático que faz António Filipe parecer moderado. E, na minha humilde opinião, capaz de tudo.
Outra pessoa que é mencionada nas alegações de assédio a Cotrim de Figueiredo é Ricardo Pais Oliveira. Não o conheço pessoalmente, mas foi a pessoa que organizou no twitter, nos primórdios da IL, a campanha mais nojenta de ódio online aos opositores que eu jamais vi. Não pode ser pessoa decente.
Isto para dizer o quê? Alguém que desgosta destas duas personalidades é uma pessoa com valores no sítio certo e que me merece, pelo menos, o benefício da dúvida. Mais do que quem escolhe rodear-se destas pessoas."

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Aguiar-Branco ataca candidatos presidenciais



O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, criticou os candidatos presidenciais, em especial Luís Marques Mendes. Num artigo publicado no semanário Expresso, Aguiar-Branco confessa-se impressionado com “a rapidez com que o debate tem resvalado para uma lógica de suspeição generalizada sobre os políticos”.

"O escrutínio é indispensável. A desconfiança permanente não”, alega.

“Lançam-se insinuações sobre o percurso pessoal e profissional dos adversários. Exigem-se exercícios de divulgação que em muito transcendem os deveres normais de transparência e prestação de contas. E incute-se, a tudo isto, a ideia de um julgamento ético em praça pública. Confundindo transparência com devassa, responsabilidade política com julgamento moral e escolha democrática com avaliação pública de caráter, obrigando os eleitores a serem juízes da probidade moral dos políticos”, acrescenta.

Aguiar-Branco escreve ainda que, durante a campanha, têm sido abordadas matérias que pertencem exclusivamente à competência do Parlamento, como é o caso de uma eventual revisão constitucional. “Este desvio tem consequências. Ao afastar temas estruturantes do seu enquadramento institucional, criam-se expectativas irrealistas nos cidadãos, confundem-se competên­cias entre órgãos de soberania e enfraquece-se a responsabilização democrática. Produz-se ruído, não clareza. Ausência de responsabilização, não prestação de contas”, considera.

A segunda figura do Estado dirige-se indiretamente a Marques Mendes, que sugeriu uma comissão de ética que decidiria "em situações de graves violações da ética política", ainda antes de ser candidato. “Reconheço que a proposta possa parecer apelativa à primeira vista. Enquanto presidente da Assembleia da República, considero-a inaceitável. Não apenas pelo contexto, mas sobretudo pelo princípio em causa”, considera.

Aguiar-Branco diz que “a democracia assenta num princípio claro: os representantes eleitos respondem politicamente perante os eleitores e juridicamente perante as autoridades competentes, nos termos da lei. Não respondem a instâncias informais, não eleitas e externas ao sistema constitucional”.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Porque votas chega?

Não há nada de revolucionário em votar no Chega.
Há desespero, há raiva, há frustração acumulada. E isso é compreensível, o que não é compreensível é confundir raiva com lucidez.
Durante décadas, Portugal foi governado pelos mesmos blocos políticos. Muitos de vós votaram neles. Outros abstiveram-se. Outros desligaram.
Agora, de repente, apresentam-se como “os que sempre viram a verdade”, como se tivessem acabado de acordar para um país que sempre existiu.
Não acordaram para a verdade!

Acordaram para um discurso simplista que vos disse exactamente aquilo que queriam ouvir!
Há algo que convém não esquecer: uma parte significativa das figuras do Chega vem precisamente desses blocos políticos que dizem combater. Vieram do PSD, do CDS, do sistema que hoje acusam de todos os males.

Durante anos, enquanto lá estiveram, o país não lhes parecia assim tão intolerável. A indignação só apareceu quando perderam espaço, influência ou a possibilidade de subir na hierarquia.

Para alguns, a ruptura não foi moral nem política. Foi uma derrota interna. E a conversão súbita em “anti-sistema” raramente é sinal de virtude tardia. É, muitas vezes, apenas ressentimento reciclado.
É confortável acreditar que existe um culpado único para tudo. É confortável apontar o dedo a “eles”: os imigrantes, os pobres, os dependentes de subsídios, os professores, os jornalistas, os “esquerdistas”, seja lá o que isso signifique esta semana.

É muito mais difícil aceitar que os problemas de um país são estruturais, antigos, complexos, e que não se resolvem com slogans nem com gritos.

Pergunta simples: sabem definir, sem caricaturas, o que é direita e esquerda em política? Sabem distinguir liberalismo económico de conservadorismo moral?

Sabem explicar por que razão o mesmo líder um dia é carne e noutro é peixe? Num dia é liberal e noutro "Esquerdalha"? Num dia é um malfeitor e noutro "respeitador da lei"? Num dia é um racista psicopata e noutro anda a rezar à virgem santíssima?

Não é coerência. É oportunismo.
Não é coragem. É teatro.
O discurso muda conforme a oportunidade. Num dia é lei e ordem, no outro é vitimização. Num dia é liberal selvagem, no outro é sindicalista.

Não há visão de país. Há apenas estímulos emocionais dirigidos a quem está cansado demais para pensar. E pensar dá trabalho.

Pensar obriga a admitir que a corrupção não nasce apenas nos partidos. Nasce na pequena fraude aceite, no jeitinho, na cunha, no “não faz mal”, no “todos fazem”.

Nasce na falta de cultura cívica, na ausência de leitura, na recusa do contraditório, no desprezo pelo conhecimento.

Não é um problema de ideologia. É um problema de carácter colectivo!

Dizem que “andaram a roubar-nos”. Onde estavam vocês enquanto isso acontecia? A participar? A fiscalizar? A informar-se? Ou simplesmente a viver, desligados, até alguém vos apontar um bode expiatório conveniente?

A raiva pode ser compreensível. Mas não é um projecto político. Nunca foi. E quando a raiva governa, não cai sobre os poderosos. Cai sempre sobre os mais fracos. Sobre quem tem menos voz, menos recursos, menos defesa.

Falam muito de crianças e de futuro. Então pensem nisto: que exemplo é ensinar um filho a resolver problemas com ódio, com humilhação, com desprezo pelo outro?

Que futuro se constrói quando se troca pensamento crítico por frases feitas?

Quando foi a última vez que leram um livro? Um qualquer. Quando foi a última vez que ficaram meia hora em silêncio, sem televisão, sem tablet, sem telemóvel, apenas a pensar? Não a reagir. A pensar.
Talvez descubram algo desconfortável: que muitas das palavras que repetem não são vossas. Que a indignação foi cultivada. Que a realidade é mais complexa do que vos disseram. E que ninguém vos está a salvar.

Esse momento dói. Mas liberta.

Porque perceber que o mundo não se conserta esmagando outros é o primeiro passo para deixar de ser manipulado.

Porque perceber que a democracia exige mais do que raiva é o primeiro passo para a levar a sério.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O Chega e o Ódio - "Ódio é muitas vezes demasiada importância ao que é somente desprezível"


Já li o livro excelente de Miguel Carvalho- "𝐏𝐨𝐫 𝐃𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐨 𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚 -𝐀 𝐟𝐚𝐜𝐞 𝐨𝐜𝐮𝐥𝐭𝐚 𝐝𝐚 𝐞𝐱𝐭𝐫𝐞𝐦𝐚-𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐚 𝐞𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥".
A narrativa inflamada, os epítetos boçais, a opacidade das contas (afinal cai o pano de "Limpar Portugal" e financiamento deste "partido" (corrupto, quando acabamos de ler o livro) é também racista, fascista e xenófobo.
Outro aspecto que André Ventura e sua comandita proclamam é o candidato “do povo” contra as “elites. Nada mais falso. É alimentado por uma elite económica nacional e internacional que depois, caso chegue ao poder, vai cobrar e os portugueses ficam mais pobres e haverá austeridade.

Em junho de 2020 a Revista Visão já havia publicado extensa matéria sobre um banquete na luxuosa Quinta do Barruncho, nos arredores de Lisboa. O centro das atenções era André Ventura, que recém havia lançado o Chega (2019). Entre os convidados estava João Maria Bravo, dono da Sodarca, empresa com contratos milionários de fornecimento de armas às forças de segurança e ao exército.

Outro grande empresário presente era Miguel Félix da Costa, cuja família representou durante 75 anos a marca de lubrificantes Castrol em Portugal, atual homem forte da Slil, uma sociedade gestora de participações nas áreas do imobiliário e turismo, e que conta ainda com interesses na agricultura e na criação de cavalos. A eles se juntou Humberto Pedrosa, dono do grupo Barraqueiro, então administrador acionista da TAP, e João Pedro Gomes, do grande escritório de advogados BSGG.

Também comensal da Quinta do Barruncho foi Francisco Cruz Martins, que administra as imobiliárias Mocaja e Xaroco, ambas pertencentes à Breteuil Strategies, sediada no Chipre, um dos mais importantes paraísos fiscais europeus. O nome do advogado foi amplamente citado no escândalo dos “Papéis do Panamá”, por causa das ligações a sociedades offshore.

𝗤𝘂𝗲𝗺 𝗽𝗮𝗴𝗮 𝗼 𝗯𝗮𝗻𝗾𝘂𝗲𝘁𝗲 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗵𝗲 𝗼 𝗽𝗿𝗮𝘁𝗼
Além deles, outros 70 grandes empresários de diversos ramos económicos portugueses, como representantes do antigo Grupo Espírito Santo. Carlos Barbot, dono do império empresarial das Tintas Barbot, e Paulo Mirpuri, ex-dono da falida operadora de aviação Air Luxor, CEO da Mirpuri Investments e da Hi-Fly, também estiveram nos almoços do Chega.
Entre os doadores do Chega já foram detectados membros da família Champalimaud, que figuram como maiores acionistas da CTT (Correios e banco) e do hotel de luxo The Oitavos, em Cascais, onde o partido organiza encontros com financiadores, dentre outros ramos de negócios.
O episódio recente da CNN foi mais um acto de vitimização, próprio dos ditadores. Recordo que André Ventura num debate para as Legislativas de 2024 disse "𝗘𝘂 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼𝗺𝗽𝗼 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗾𝘂𝗶𝘀𝗲𝗿”. Lembram-se? Um total de 1.661 interrupções e cerca de 30% das interrupções foram feitas pelo líder do Chega.

𝗢 𝗴𝗿𝘂𝗽𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗹𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿 𝗱𝗼 𝗖𝗵𝗲𝗴𝗮 𝗱𝗶𝘀𝘀𝗲𝗺𝗶𝗻𝗮 𝗺𝗲𝗻𝘁𝗶𝗿𝗮𝘀
Obriga frequentemente ao uso de fact-checking. Agora aprimoraram-se na deepfake recorrendo à Inteligência Artificial.
A camada principal do Chega é polarizar a nossa sociedade e instrumentalizar e promover o ódio e a intolerância.
Já dizia Camilo Castelo Branco, um grande escritor e por vezes muito esquecido entre nós, tal como p.ex. Aquilino Ribeiro escreveu o seguinte - "Ó𝐝𝐢𝐨 é 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐚𝐬 𝐯𝐞𝐳𝐞𝐬 𝐝𝐞𝐦𝐚𝐬𝐢𝐚𝐝𝐚 𝐢𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭â𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐚𝐨 𝐪𝐮𝐞 é 𝐬𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐫𝐞𝐳í𝐯𝐞𝐥"  (Trecho retirado do seu romance "A Neta do Arcediago")
"Somente desprezível" significa que algo ou alguém é digno de desprezo e nada mais. Refere-se a algo ou alguém que não merece consideração, que é vil, abjeto ou sem valor, não apresentando qualquer outra qualidade.
Que merece ser desprezado: A expressão destaca a falta de valor e a indignidade.
Que não merece respeito: Implica que a pessoa ou coisa em questão é de baixo caráter, abjeta ou sórdida.
Sem outras qualidades: Sugere que, além de desprezível, não há nada de positivo a ser dito sobre o assunto.
Uma situação e efeito do ódio é a nível psicológico e de abalos de valores pessoais e colectivos. Ver estudo académico "Why we hate". 
Porém o aspecto perigoso do ódio é quando ele está na política, num partido, num agregado social. O ódio deriva de uma mentalidade “nós contra eles”, ao mesmo tempo que é um método simplificado para a difícil tarefa de gerir a diferença.

𝐏𝐨𝐥𝐚𝐫𝐢𝐳𝐚𝐫 𝐧ã𝐨 𝐬𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚 𝐚𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐟𝐥𝐢𝐭𝐨 𝐠𝐫𝐚𝐭𝐮𝐢𝐭𝐨 — 𝐬𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚 𝐭𝐨𝐦𝐚𝐫 𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨.
A política não se esgota no consenso, pelo que também é confronto quando o que está em jogo a dignidade de vidas inteiras. Polarizar não é rejeitar o diálogo, mas sim recusar a normalização da violência arbitrária. É traçar uma linha ética, mas não moralista, que diga que daqui não se ultrapassa. 

Afinal, existem momentos em que a empatia exige a tomada de posições e a capacidade de ouvir o outro cede lugar à resistência.

Contudo, o exercício da empatia não se restringe apenas aos opositores de opinião. Dentro dos nossos próprios espaços políticos, deve imperar a capacidade de ouvir o outro e de respeitar a sua humanidade, independentemente das diferenças. Na luta por um mundo mais justo, a empatia deve ser o alicerce de todas as nossas relações, não apenas com aqueles que pensam de forma diferente, mas também dentro dos espaços que ocupamos.

Em conclusão, é preciso mais do que nunca, resgatar a política como exercício de cuidado, como espaço de construção comum. Porque sem empatia, sem estratégia de educação ambiental e relações de proximidade a política perde o seu sentido.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

A Demagogia da Direita - usar o exemplo da Irlanda para defender que Portugal seria um país rico caso cobrasse impostos mais baixos sobre os lucros das empresas

É desconcertante como grande parte da direita portuguesa continua a usar o exemplo da Irlanda para defender que Portugal seria um país rico caso cobrasse impostos mais baixos sobre os lucros das empresas.
Como se a única diferença entre Portugal e a Irlanda fossem as taxas de imposto:
- como se os níveis de escolaridade na Irlanda não fossem há décadas superiores aos portugueses 
- e ainda são: 83,5% dos irlandeses adultos têm pelo menos o 12º ano, enquanto em Portugal são 61,3%, a taxa mais baixa da UE (ver gráfico);
- como se os irlandeses não falassem inglês nativo (a mesma língua que falam os chefes das empresas de sectores sofisticados que lá investem desde há décadas);
- como se o Estado irlandês não tivesse seguido, desde 1958, uma estratégia persistente de atracção de investidores americanos em sectores específicos de alta tecnologia (enquanto nós insistimos na ideia de disparar para todo o lado a ver se chove).

Mais desconcertante ainda é insistirem em usar números que não passam de uma ficção. Não são só os cépticos que o dizem: é o próprio Instituto Nacional de Estatística irlandês (o CSO). A questão é fácil de perceber: o facto de a Irlanda funcionar como uma espécie de paraíso fiscal leva muitas empresas a registar no país activos que rendem lucros, mas que não deixam nenhuma actividade no país.

Por exemplo, grandes multinacionais, sobretudo nos sectores das tecnologias digitais (Google, Apple, Meta) e farmacêutico (Pfizer, Johnson & Johnson) registam na Irlanda os lucros associados à propriedade intelectual, inflacionando as contas nacionais sem corresponder a actividade produtiva real no território.

Por isso, o governo e o CSO (o instituto nacional de estatística lá do sítio) passaram a dar destaque a medidas alternativas, como o Rendimento Nacional Bruto Modificado (RNB*), que exclui os efeitos artificiais da transferência de activos e lucros de multinacionais.

Segundo o CSO, o valor do RNB* da Irlanda em 2024 era pouco mais de metade (57%) do valor do PIB nesse ano (ver aqui). Estão a ver o efeito que isto tem na análise dos níveis relativos de riqueza, dos níveis de endividamento do país, ou do peso das despesas públicas na economia - tudo variáveis cujos indicadores usam o PIB no seu cálculo?

Podemos ter uma conversa séria sobre a relação entre competitividade e fiscalidade, claro, assumindo sempre que há diferentes desenhos possíveis para um sistema fiscal que se quer eficiente e justo. Mas já paravam com tanta demagogia, não era?

Além disso, A emigração irlandesa ainda é elevada e isso é demonstrativo de que a riqueza não é devidamente distribuída.

Entretanto, os irlandeses que trabalham em Inglaterra mesmo os altamente qualificados são discriminados. São vistos como os indostânicos em Portugal. Mão-de-obra barata, sem acesso a cargos de topo nas empresas. Sei bem do que falo pois trabalhei durante anos em várias empresas britânicas onde testemunhei sempre o mesmo padrão ( Carlos Vargas) . Os irlandeses são imigrantes e tratados dentro do padrão de discriminação "natural".

segunda-feira, 19 de maio de 2025

O discurso da infâmia

[num domingo à noite, febril, deitado de lado, com o coração aos gritos e a televisão ligada no volume errado]
Ontem à noite, o país sentou-se a ver o circo. Um circo de uma só figura, de um homem só, de um espectáculo monológico onde o palhaço também era domador, director, macaco amestrado, leão faminto e criança perdida que grita da plateia para que olhem para ele, só para ele, sempre para ele. André Ventura falou. Falou como quem cospe. Falou como quem bate. Falou como quem quer ser amado mas só sabe odiar. E parte do país, a parte do país fatigado de esperar por Deus, ouviu. Ouviu como se ouve o padre numa missa a que se vai por obrigação, como se ouve a mulher que já não se ama ou o pai que já não se respeita. Ouviu com raiva, com cansaço, com culpa.

Disse que acabara o bipartidarismo. Disse-o como quem anuncia a queda de Roma, o fim dos tempos, a libertação do povo escolhido. E ali estava ele, o Moisés do populismo, de microfone à frente e a azia no bolso como quem esconde a vergonha, prometendo terra prometida a quem nunca teve jardim. Disse que a história tinha mudado, que agora o país era outro, um país dele, feito por ele, para ele, com ele ao leme e os outros calados, de joelhos, em silêncio. Ventura quer o país em silêncio. O país de joelhos. O país em medo. Ventura não quer governar. Ventura quer mandar. E o que há de mais grave é que há quem deseje ser mandado. Há quem precise.

O Chega não é um partido. É uma carência. Um sintoma. É o vómito do país que nunca curou a sua tristeza. Que finge que é alegre no São João, no Santo António, nas bifanas do domingo, nos copos do sábado, nas sardinhas do Junho. Mas que sangra por dentro. Que odeia por dentro. Que tem raiva de si, de tudo, de todos. Ventura oferece isso: um inimigo. Um sentido. Um alvo. Se há um culpado, já não sou eu. Já não é o meu fracasso, o meu salário, a minha solidão. É o cigano, o negro, o comunista, o assistente social, o jornalista, o juiz, o reformado, o artista, o pobre, o estranho. Ventura dá um nome à frustração. E isso consola. E isso vicia. E isso mata.

O seu discurso foi uma lista de cadáveres simbólicos. “Matei o partido de Álvaro Cunhal”, disse, como se estivesse a caçar fantasmas no sótão. “Varreram o Bloco de Esquerda do mapa”, gritou, com o orgulho de quem limpa sangue do chão e chama a isso arrumação. Para Ventura, política é isso: uma limpeza. Uma desinfecção. Uma purga. Como se o país estivesse sujo e só ele, com a sua verdade puríssima, o pudesse lavar. E lavar com quê? Com insultos. Com medo. Com castigos. Com prisões perpétuas. Com castrações químicas. Com multas. Com violência.

E depois, claro, o momento cómico, se a comédia ainda tivesse graça. Atacou as sondagens. Sempre as sondagens. Sempre o mesmo coro: que o queriam calar, que o queriam derrubar, que lhe mentem, que lhe fazem armadilhas. Ventura não percebe que as pessoas votaram no seu partido com vergonha de o fazer, de o dizer às sondagens. Ventura é o miúdo que jogava mal à bola e que ninguém quis na equipa e passou o resto da vida a sonhar ser capitão. E agora que lhe deram um apito, anda a expulsar todos os que correram mais depressa do que ele. Ventura não acredita em instituições. Acredita em si. Ventura não acredita em regras. Acredita no seu instinto. Ventura não acredita no país. Acredita no seu espelho.
E depois aquela frase. Aquela frase que soa a taverna com vinho barato e gritaria ao fundo. “A mama vai mesmo acabar.” Disse-o com o orgulho de quem faz justiça, mas com o tom de quem está habituado a mentir e a justificar-se com o cansaço. A mama vai acabar. A mama, quer dizer, o Estado. Os apoios. Os direitos. A solidariedade. Os serviços. A dignidade. Ventura quer um país onde só os fortes sobrevivem. Onde quem não consegue, morre. Onde quem chora, se cala. Onde quem precisa, se esconde. Porque, para ele, a vida é uma luta de cães. E ele é o dono da trela.

Mas Ventura não quer que a mama acabe. Ventura quer ser ele a mamar. Quer o lugar do outro. Quer mandar nos subsídios. Quer mandar na televisão. Quer mandar na escola. Ventura quer mandar. Ventura quer mandar. Ventura quer mandar. E o país, esse país magoado, esse país velho que já não acredita em ninguém, esse país que se esqueceu como é que se luta, esse país votou nele como quem diz: “toma, faz tu melhor.” E ele fará. Mas não será melhor. Será só mais triste. Mais cruel. Mais pequeno.

O que me espanta não é Ventura. Ventura é uma personagem de novela das seis: previsível, mal escrita, exagerada. O que me espanta é o silêncio. O silêncio dos outros. O silêncio dos bons. O silêncio dos sérios. Dos que deviam estar ali, naquele exacto momento, a dizer: basta. Mas estavam calados. Com medo de perder votos. Com medo de serem insultados. Com medo de não parecerem “populares”. E assim se mata uma democracia: não com balas. Com medos. Com cobardias. Com silêncios.

Este discurso, o de 18 de ontem, não foi um discurso. Foi uma bofetada. Foi uma noite de gritos num quarto fechado. Foi o início de qualquer coisa escura. E se não gritarmos agora, se não dissermos agora, alto e claro, que isto não é normal, que isto não é aceitável, que isto não é o país que queremos, amanhã já não poderemos falar. E depois? Depois virá o silêncio. O grande silêncio. O silêncio dos cemitérios. E Ventura sorrirá. Porque não há nada mais cómodo para quem quer mandar do que um povo sem voz. E nós estamos perigosamente perto disso. Perto de calar. Perto de baixar a cabeça. Perto de desistir.
E quando isso acontecer, será tarde. Será sempre tarde.
Maio 2025
Nuno Morna

P.S: Estarei sempre do outro lado da barricada. Com todos os que são, efectivamente, pessoas de bem, não os que se dizem, mas os que o demonstram, com os que amam a liberdade sem adjectivos e a democracia sem asteriscos. No combate a todos os radicalismos, venham eles mascarados de justiça ou de ordem, de povo ou de nação. No combate aos que aparecem para dividir, para semear o ódio, para apagar a pluralidade, para transformar o medo em política. No combate, sempre, à intolerância, a intolerância dos gritos e a dos silêncios cúmplices. 
Quero viver com a noção de que "Combati o bom combate", 2 Timóteo 4:7-8. 
Da minha parte, não esperem outra coisa. Nem agora, nem nunca.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Deportações na campanha e o ar de um tempo trágico


As deportações também rendem votos por cá. São inevitáveis. Não há novidade nas ordens de saída voluntária. Existem desde 2007 e até são inferiores, em número, a vários anos dos governos do PS. Mais uma vez, o governo faz passar por ação política procedimentos quotidianos da administração pública. O que mudou é serem anunciadas, num arranque de campanha, como bandeira política e em celebração, contribuindo para a demonização dos imigrantes. Estamos próximos do pleno emprego, temos falta de mão de obra nos setores que estes imigrantes procuram, precisamos deles para garantir a sustentabilidade da segurança social, são responsáveis pelo repovoamento de várias zonas do interior e travaram a nossa gravíssima crise demográfica. No centrão, só o PR juntou à consciência dos evidentes erros administrativos do passado, em que se deixaram pendurados processos de milhares de imigrantes, a importância económica da imigração e de valores básicos de humanidade, não celebrando a expulsão de pessoas que, como fizemos no passado, procuram uma vida melhor. Não cumprir os requisitos não é sinónimo de ser criminoso. Em Portugal, se vier uma crise económica e com este ambiente político, os imigrantes serão o bode expiatório. Nesse campeonato, só ganhará quem se especializou no filão. Como os conservadores britânicos estão a aprender.

domingo, 4 de maio de 2025

A grunhificação do discurso político


"Entre cravos e concertos: como Luís Montenegro banalizou a Liberdade com música de tasca e propaganda de feira
Este ano, o 25 de Abril e o 1.º de Maio não foram celebrados pelo Governo.
Foram transformados num arraial de conveniência política, montado às portas de São Bento, onde a história foi abafada pelo som das colunas e pelas palmas coreografadas.
Com a subtileza de um apresentador de programa das manhãs, trocou o cravo pela concertina e a responsabilidade política pelo entretenimento.
O palco foi entregue a Tony Carreira, Montenegro cantou Sonhos de Menino, e a democracia assistiu, incrédula, ao primeiro-ministro a converter duas datas fundadoras da nossa identidade colectiva numa espécie de “festival popular de propaganda patrocinado pelo contribuinte”.
Isto é uma afronta a todos os que, da direita à esquerda, ainda acreditam na honestidade, no mérito, na justiça e no valor da memória.
Porque o 25 de Abril não é uma selfie pirosa com a esposa para parecer do povinho.
O 1.º de Maio não é uma feira de comes e bebes para disfarçar a ausência de política laboral e a falta de responsabilidade.
A Liberdade não se comemora com copos na mão e discursos de propaganda eleitoral na residência oficial do primeiro-ministro.
E, enquanto nos entretém com música e circo, vai enchendo os bolsos dos mais poderosos e dos seus amigos do partido.
Este desrespeito pela separação entre Estado e negócio, entre memória e espectáculo, entre Governo e comício, é perigoso.
Desenganem-se os que acham que isto foi apenas mau gosto ou parolice.
Isto é um projecto de apagamento.
De esvaziamento do valor político da Liberdade, da ética e da justiça social.
É substituir a memória por marketing.
A política por animação.
A ética por fuga e ilusões.
A verdade por spins e whataboutism.
Este tipo de instrumentalização, de despolitização calculada, não é um acidente — é um sintoma grave de uma democracia que começa a tropeçar no seu próprio desleixo e grunhificação do discurso político.
E cabe a todos, da esquerda à direita, dizer com firmeza:
Não em nosso nome."
Eduardo Maltez da Silva

Usar os imigrantes como carne para canhão para uma campanha eleitoral, isso é que não.

"Imigração.
Cumprir as leis do país, claro que sim.
Usar os imigrantes como carne para canhão para uma campanha eleitoral, isso é que não.
Sou filho de emigrantes, eu próprio fui um emigrante, sei bem as dificuldades que levam as pessoas a emigrar, sei bem os sacrifícios que os emigrantes passam para singrar nos países de acolhimento.
É por isso que me é insuportável que o governo esteja a explorar os anúncios sobre a imigração como mero expediente de campanha eleitoral. É indigno de um país de emigração. É indigno de um país que precisa dos imigrantes. É indigno de um Estado de direito, onde a aplicação da lei não pode estar sujeita aos interesses particulares e conjunturais de uma força política no governo.
Viver na legalidade, defender a legalidade, claro que sim.
Manipular a aplicação da lei para obter votos, envergonha qualquer pessoa decente. O que o governo está a fazer envergonha." - Porfírio Silva

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Retirem a Helena Ferro de Gouveia do Horário Nobre!

Exigimos a retirada de Helena Ferro de Gouveia do horário nobre da televisão devido ao seu apoio inabalável ao genocídio do povo palestiniano em Gaza

Nós, cidadãos do mundo, vimos por este meio expressar a nossa profunda preocupação com a presença de Helena Ferro de Gouveia no horário nobre da nossa televisão. Esta figura pública, que defende sem reservas uma campanha de violência extrema, compromete a integridade da opinião pública ao divulgar propaganda enganosa e sem contraditório sobre a situação em Gaza.

É do conhecimento geral que Helena Ferro de Gouveia, sem respeito pelo valor da vida humana, apoia abertamente a morte de milhares de pessoas como resposta desproporcional aos eventos de 7 de outubro de 2023, quando uma fação terrorista, inicialmente criada e apoiada por Israel, atacou indiscriminadamente cidadãos israelitas. Com cada intervenção, ela procura distorcer o cenário do conflito em favor de interesses socioeconómicos e políticos específicos, gerando um desequilíbrio na perceção pública da realidade e agravando uma crise que já afeta e tira a vida a milhares de pessoas, incluindo crianças inocentes, numa escala sem precedentes.

Razões para a petição:

Propagação de ódio: O horário nobre deve estar reservado a conteúdos de qualidade. A promoção de ideias de apoio ao genocídio é um insulto aos valores fundamentais da humanidade.

Normalização da violência: Ao permitir que Helena Ferro de Gouveia expresse publicamente o seu apoio à violência contra civis, estamos a contribuir para a normalização de atos desumanos, criando um ambiente em que o sofrimento de inocentes é relativizado.

Distorção da verdade: A repetição de propaganda sem contraditório ameaça gravemente a compreensão pública do conflito, desviando a atenção das reais causas e consequências e impedindo uma visão justa e equilibrada.

Erosão dos valores éticos dos media: Os meios de comunicação social têm a responsabilidade de apresentar informação com rigor e imparcialidade. Permitir que figuras públicas transmitam opiniões extremistas e unilaterais ameaça a credibilidade dos media e contraria os seus próprios princípios de neutralidade.

Impacto negativo na coesão social: Discursos de ódio e de incitação à violência contra um povo podem desencadear divisões internas, ampliando tensões sociais e contribuindo para um clima de intolerância e desumanização.

Apelamos a todos para que se juntem a esta causa. Com o vosso apoio, podemos restaurar o equilíbrio e proteger a dignidade de um povo, afastando as influências nocivas de Helena Ferro de Gouveia.

Assinem a petição. Salvemos o povo da Palestina. Expulsemos o ódio do horário nobre.

Obrigado!


quinta-feira, 16 de maio de 2024

Livro da semana - Os Engenheiros do Caos


Um livro de Giuliano da Empoli, consultor político de origem italiana e suíça. Licenciado de direito com Mestrado em Ciências Políticas, foi na política italiana que se instalou, teve cargos como conselheiro principal do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, tendo sido também conselheiro sénior do vice-primeiro-ministro e ministro da Cultura de Itália Francesco Rutelli, entre outros.

A ascensão dos populismos, na Europa e não só, ganhou a forma de uma dança desenfreada que inverte as regras estabelecidas e as transforma no seu contrário. Aos olhos dos eleitores, os defeitos dos líderes populistas são vistos como qualidades, a inexperiência deles é a prova de que não pertencem ao círculo corrupto das elites e a sua incompetência é garantia de autenticidade. Já as fake news que lhes pontuam a propaganda são a marca da sua liberdade de espírito.

No mundo de Donald Trump, de Boris Johnson, de Jair Bolsonaro ou de Matteo Salvini cada dia tem a sua gafe, a sua polémica, o seu brilharete. Ao contrário do que se possa pensar, por detrás das aparências de carnaval populista está o trabalho árduo de ideólogos, cientistas e especialistas em big data, sem os quais os líderes populistas dificilmente teriam chegado ao poder.

O livro explica muito bem o perigo da ‘internet’ e como um partido consegue reunir milhares de apoiantes utilizando apenas Fake news, mas não só, por exemplo, o Movimento 5 Estrelas não possui ideologia, ou seja, utiliza empresas consultoras para perceber qual é a opinião da maior parte do eleitorado e assim aglomerar mais apoiantes, apenas lhes interessa saber o que as pessoas querem. Estas ações têm sempre um "engenheiro" por de trás, um homem que apenas tem uma função, colocar o seu cliente no poder e até isso acontecer vale tudo!

Estes são os engenheiros do caos, cujo retrato Giuliano da Empoli pinta. Uma investigação que mostra uma galeria de personagens, muitas delas desconhecidas do público em geral, que estão a mudar as regras do jogo político. Com consequências sociais inegáveis.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

George Orwell sobre Jornalismo


Liberdade para Julian Assange e Pablo González, um jornalista basco com o azar de ter dupla nacionalidade: espanhola e russa e desde o início da guerra russo-ucraniana está na cadeia na Polónia acusado sem provas de ser espião russo, quando ele fazia jornalismo ao estilo de Bruno de Carvalho.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Quem é Paulo Otero, co-autor do livro "Identidade e Família" e amigo de Pedro Passos Coelho



Paulo Otero identifica-se como Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Professor Decano de Direito Público.
Consultor jurídico de entidades públicas e privadas.
Autor de mais de uma centena de títulos publicados nos domínios do Direito, da Ciência Política e da História. Exerceu já funções como Presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Direito e de Coordenador do Centro de Investigação da Faculdade de Direito.
Nesta palestra que decorreu num Jantar Conferência da TEM/CDS, 1º de Dezembro de 2018, Guimarães, Paulo Otero afirma que "Família é o exemplo de Maria, José e Jesus". Ora vamos lá verificar isto:
1º A Maria tinha 14 anos e o José cerca de 80 
2º Maria concebeu virgem Jesus, filho de Deus. Portanto o José não é pai. Quanto muito padrasto.

Se isto é o conceito de família "tradicional", algo de errado se passa.

E quanto ao 25 de Abril está muito enganado. O 25 de Abril acabou com:
A censura
A tortura
A prisão e execução arbitrárias
A guerra colonial
A bufaria e a PIDE
O partido único
A repressão dos trabalhadores

Portanto não, não acho estranho que quem se afirme de direita seja contra. Acho estranho que aceitemos a antidemocracia.

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Porque é que devemos levar o deputado do Chega, Gabriel Mithá Ribeiro, muito a sério


Por Vítor Matos
Eu sou um “herdeiro” de assassinos como Estaline ou Mao, um “polícia mental" do “aparelho repressivo” deste “tumor da democracia” que é a comunicação social. Sou um foco de “infeções psíquicas” para a sociedade, um jornalista-autor que usa as mesmas técnicas totalitárias dos “genocidas” estalinistas ou nazis no extermínio dos judeus. Se pudesse, o sr. deputado Mithá Ribeiro internava-me num campo de reeducação. Devemos levá-lo a sério

Caro leitor, fica avisado que não deve ler este texto, se quiser manter a sua saúde mental. Proteja-se, por favor, das “infecções psíquicas” e da “pandemia mental” desta prosa infeta, de um autor “herdeiro” de “assassinos” e “genocidas” soviéticos e nazis. Que sou eu.

É bom que se saiba, para proteção da comunidade, que represento um perigo para esta sociedade que o dr. André Ventura quer apenas “limpar”, mas que os seus mais dedicados e puros seguidores desejam purificar: cuidado, leitores e leitoras, uma vez que sou “um polícia mental”, que “trabalha para um regime repressivo, promotor social de uma ignorância que causa dano à sanidade mental coletiva dos portugueses.” Atenção, cautela com estas leituras. Pare já aqui. Não prossiga. E não deixe este texto ao alcance das crianças.

Podia fazer uma paródia - seria muito divertido -, mas o caso é para levar a sério. A primeira vez que li a diatribe publicada pelo sr. deputado do Chega, Gabriel Mithá Ribeiro, no “Observador”, contra o meu livro “Na Cabeça de Ventura” (Zigurate) com o título “‘Na cabeça de Ventura’ ou tratado sobre o aparelho repressivo do regime”, cuja leitura aconselho vivamente, confesso que me diverti pelo nível do disparate. Mas quando reli aquele glorioso absurdo, não achei graça. Considero ter o dever de responder, não para lhe devolver os insultos nem para dizer que o vou processar por difamação (não vou), mas para chamar a atenção de quem tiver paciência, para a gravidade do que está em causa.

Gabriel Mithá Ribeiro não é uma pessoa qualquer, não é um excêntrico nem um inimputável que escreve “coisas” em jornais. É um deputado da nação, foi eleito duas vezes pelo Chega no círculo de Leiria, e agora foi escolhido para secretário da mesa da Assembleia da República. Foi coordenador do Gabinete de Estudos do Chega e redator do programa eleitoral de 2022. Representa-me a mim e a si no Parlamento português.

Por isso, estamos no domínio das coisas sérias. Imagine que o PSD abandona as linhas vermelhas e abre a porta do poder ao Chega, ou que o Chega vai mesmo ao Governo, ou que ganha umas eleições, e o professor Mithá chega a ministro, secretário de Estado, ou mantém-se apenas como um influente, ou que isto vinga. Nem é preciso tanto. Neste momento, é uma obrigação expor o que o sr. deputado pensa. Este texto é como um aviso de receção: “isto” está entre nós.

E o que é “isto”? Não é o “fascismo”, como eles adoram que se lhes chame. É outra coisa, uma coisa nova, esta direita radical internacional, “iliberal” que não quer instaurar uma ditadura, mas matar a essência das democracias por dentro. Uma técnica é insultar (talvez insultar aqui seja pouco) os jornalistas que fazem o seu trabalho de escrutínio sobre os líderes e os partidos da direita radical: “A Máquina do Ódio” (Quetzal), livro da repórter brasileira da “Folha de São Paulo” editado em Portugal, é uma história arrepiante e exemplar sobre o bullying do bolsonarismo sobre jornalistas. Noutro livro, “O Crepúsculo da Democracia”, a autora Anne Applebaum, insuspeita de esquerdismos, conta histórias semelhantes na Hungria e na Polónia. É só uma pequena amostra.

Para além do insulto, a outra forma de tentar destruir o adversário real ou imaginado é tratá-lo como inimigo. O sr. deputado Mithá Ribeiro não tem uma cultura democrática que admita o escrutínio jornalístico independente sobre André Ventura ou o Chega.

Felizmente, o sr. deputado não esconde o que pensa: em janeiro, publicou um livro intitulado as “12 regras para um Portugal mais justo”, onde escreve que a comunicação social é “o tumor da democracia”. Imagina o que acontecia ao “tumor”, se a IV República do dr. Ventura passasse pelas mãos do professor Mithá?

Propagar o ódio aos jornalistas é uma técnica não exclusiva da direita radical, mas já foi ultrapassada a vulgata das acusações aos “esquerdalhos” da imprensa, para entrar no domínio das acusações de doença mental, que é a forma mais totalitária possível de desqualificar e despersonalizar um (suposto) adversário. Perante as posições do sr. deputado Mithá, a imprensa livre é uma impossibilidade. Sem imprensa livre não há democracia. E por aí fora…

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

O José Pinto Coelho - fascista


Este penedo ainda é vivo? O José Pinto Coelho
1. A explicar, a quem anda distraído, que o Ergue-te é o PNR.
2. Eu matava a ideologia de género de alto a baixo
3. “O direito à greve deve acabar porque entope a ponte Salazar” sobre a Ponte 25 Abril.
4."O 25 de Abril foi a maior traição à história de Portugal" e por isso "não há nada para celebrar"

P.S. Tem quase 15.000 subscritores na rede X.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

O Pedro Abrunhosa vai pôr o Bloco de Esquerda em tribunal porque diz que plagiaram a sua música. Só que Pedro Abrunhosa também plagiou a música dos BAN

Li agora a publicação do Pedro Abrunhosa sobre a frase nos cartazes do Bloco (que nem é igual ao nome da canção dele). As pessoas passam-se, é um facto. Pedro Abrunhosa acredita mesmo que o Bloco o quis copiar e que tem direito a impedir o partido a usar a frase.
Só que o Abrunhosa não pediu autorização e plagiou uma música dos BAN.



Olha, Pedro Abrunhosa sem óculos à Ray Chales!!


Ray Chales deveria exigir direitos de autor, quando o  Abrunhosa sempre que se apresenta com óculos iguais

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

O erro de Sófocles


Discordo. 
Da pós-verdade, que o filósofo não menciona, esquece-se que hoje existem imensas publicações que nos convencem das nossas "verdades". Heresia e ódio quando mostramos fact-check. A desinformação é muita, a calúnia fácil e as entidades reguladoras não estão a funcionar. Se funcionam, não estão acessíveis a qualquer cidadão. A Justiça está muito cara. Inflaccionada.

Cada vez vivemos mais no mundo da mentira, dos negacionistas climáticos. Para apurar a verdade, já vamos tarde. Como já é visível, em várias partes do mundo. A sustentabilidade transformou-se numa diversão, num anarco-capitalismo. Estamos numa lavagem verde enorme. Era da decadência. Era em que impera a 4ª Revolução Industrial, ela própria dependente e muito do petróleo. Uma alquimia a céu aberto. Um esgoto civilizacional.