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quarta-feira, 15 de maio de 2024

Petição: Mudar o nome do novo aeroporto para Salgueiro Maia


Exmos. Senhores e Senhoras Deputados da Assembleia da República,

Com a construção do novo aeroporto em Alcochete, surge uma oportunidade única de prestar uma justa homenagem a um dos principais heróis do 25 de Abril, o capitão Fernando Salgueiro Maia.

Embora Luís de Camões seja uma figura incontornável da nossa História, parece-nos uma escolha demasiado conservadora e sem o impacto desejado nas gerações mais recentes de portugueses.

Camões tem o seu lugar assegurado na nossa História, celebrado nomeadamente a 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. A sua contribuição é inegável e amplamente reconhecida.

No entanto, acreditamos que Salgueiro Maia merece uma representação igualmente marcante. Que melhor forma de trazer o nome de Salgueiro Maia para o mundo do que nomear o novo aeroporto em sua honra? Esta seria uma forma significativa de reconhecer o seu papel crucial na conquista da liberdade e da democracia em Portugal.

Solicitamos, assim, a Vossas Excelências que considerem designar o novo aeroporto em Alcochete como Aeroporto Capitão Salgueiro Maia, em tributo a um dos maiores defensores da nossa liberdade.

Com os melhores cumprimentos,

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Tenham cuidado, ele é idoso! Ele é o Óscar "Tortura" Cardoso

Óscar Cardoso é um dos inspetores da PIDE que recebeu de Cavaco Silva uma pensão vitalícia por serviços relevantes prestados à Pátria.
A mesma pensão que Cavaco recusou atribuir ao Salgueiro Maia.

Se não viu torturar ninguém era perguntar-lhe porque é que Militão Ribeiro morreu na cadeia com 32 kg de peso e escreveu a carta de despedida com o próprio sangue. Tante gente boa a morrer e estes crápulas fascistas continuam por cá.

Este criminoso é o ex-inspector da pide, Óscar Cardoso que no dia 26 de Abril de 1974 mandou disparar contra populares, tendo morrido 4 pessoas. 


Uma das figuras centrais da liderança da PIDE era António Barbieri Cardoso; a sede da política política ficava na Rua António Maria Cardoso; o ex-inspector da DGS que deu este fim-de-semana uma sinistra entrevista ao Correio da Manhã em que desvaloriza a tortura chama-se Óscar Cardoso. Desagradável. É impossível não associar este apelido a alguém que nos persegue com o intuito de nos fazer mal. Em princípio, foi por isso que surgiu a expressão "Ala, que é Cardoso". Enfim. Não tenho alternativa senão dirigir-me aos Registos para solicitar a imediata alteração do meu apelido.

Óscar Cardoso vive na Ericeira, tal como José Sócrates. Afinal, a Ericeira não é apenas um destino de eleição para nómadas digitais. Não só seduz pessoas que se fartaram de salas de escritórios, como deslumbra pessoas que se fartaram de salas de interrogatórios. Vive, segundo o Correio da Manhã, numa casa decorada com retratos de Salazar. Apesar de tudo, são peças esteticamente mais arrojadas do que os quadros que se encontram pelos Airbnbs da vila, como aqueles em que se lê "Keep Calm and Carry On". Curiosamente, um slogan potencialmente ofensivo para Óscar Cardoso, uma vez que terá contribuído para que os britânicos resistissem à Alemanha nazi.

Bom, divago. A entrevista de Óscar Cardoso é fascinante porque, aos 88 anos, os seus olhos azuis só brilham quando fala dos netos. Dos netos? Não, não. Brilham quando fala dos métodos de tortura da polícia política. No entanto, enquanto relata torturas da PIDE, nega que tenha existido torturas na PIDE. "As pessoas não foram torturadas pela PIDE, as pessoas foram chateadas pela PIDE". Sim, sim, chateadas. Consta até que a maior parte dos agentes da PIDE teriam 8 anos e limitavam-se a sentar-se atrás dos presos políticos a dizer "Já chegámos? E agora? Já chegámos? E agora?". Pelo menos, fica claro que a PIDE tinha aconselhamento jurídico. É que há convenções que proíbem a tortura, mas não há nenhum tratado que ilegalize a chatice.

Quando lhe perguntam como conseguia obter confissões, Cardoso empolga-se ao relatar a aplicação de choques elétricos, que qualifica como "brincadeiras". Não sei como é que não dá para escolher a profissão de PIDE na Kidzania. "Não é tortura, faz uma comichão e tal", sossega-nos o ex-agente. Obviamente. Entendo agora o verdadeiro sentido da frase "a PIDE dava coças". Aliás, a ditadura só caiu porque as pessoas estavam fartas de comichão: no 25 de abril costuma circular imenso pólen e havia dificuldades em importar anti-histamínicos.

Após uma descrição dos métodos desumanos a que a PIDE recorria nas colónias, a jornalista pergunta "Isso em Angola. E em Portugal?", como se estivesse a fazer uma entrevista ao Matias Damásio sobre o sucesso dos últimos concertos. Longe de me intrometer no trabalho da repórter, mas verdadeiro serviço público seria questionar qual a marca das gomas de melatonina que este homem toma para conseguir dormir à noite.

1961: ano que marca o início do conflito nos territórios africanos.
Em Angola dá-se o arranque de toda uma situação só terminada após a queda do regime em 25 de Abril de 1974.

sábado, 17 de dezembro de 2022

Guerra Colonial - O regime salazarista (e marcelista) foi infame, desumano e atroz


Antes da Guerra Colonial, Salazar já tinha feito massacres em S. Tomé e Príncipe, em Guiné- Bissau e Moçambique. Isso agitou e fez aumentar o ódio africano em relação a Portugal

Em 15 de março de 1961, os independentistas (na altura turras) atacaram os colonos indefesos e assassinaram 700 barbaramente. Isso fez aumentar a raiva de Salazar e, em vez de  dar a independência aos povos do ex-Império Português, decidiu pela Guerra.

A Guerra Colonial durou mais do dobro da Segunda Guerra Mundial e fez milhares de mortos portugueses e africanos.

Até agora durante o regime salazarista (e marcelista) ocorreram os massacres de Batepá (1953), em São Tomé e Príncipe, o massacre de Pindjiguiti (1959), em Bissau. Em Moçambique, o massacre de Mueda (1960), Wiriamu (1972) e o massacre de Inhaminga. Inhaminga foi um dos mais violentos da colonização portuguesa. Entre 1973 e 1974, terão sido massacradas cerca de 3.500 pessoas nesta vila pertencente à província de Sofala.

Todos os envolvidos nessas hostilidades africanas podiam ver no início dos anos 1970, de forma perfeitamente clara, que as coisas nos domínios africanos de Lisboa não podiam continuar assim para sempre. O país estava a ficar exangue por uma guerra que colocava uma das mais pequenas e pobres nações da Europa Ocidental contra a vontade da ONU. Também é preciso ter em conta que tudo aconteceu no pico da Guerra Fria, que não era um assunto menor nos anos 1960 e 1970. De referir ainda o desespero de uma PIDE feroz culpando continuamente o Exército pelo colapso iminente Assim, tudo mudou com a Revolução dos Cravos. Quando sucedeu, a quase totalidade da nação portuguesa respirou de alívio.

Massacres são carnificinas. Por todos os massacres nas ex-colónias portuguesas, há que pedir desculpas institucionais. O regime salazarento (e marcelista) foi infame, desumano e atroz.

Saber mais:

domingo, 23 de outubro de 2022

Adriano Moreira - o eterno ditador

Vamos assistir ao branqueamento dos media do "legado de Adriano Moreira"? 
Um homem que escolheu de livre vontade servir um ditador. Que vida impoluta viveu Adriano Moreira.
Fascista reciclado e promotor do Tarrafal e da Guerra Colonial. Fundamentalista católico. Otelo fez mais pela democracia que um milhão de Adrianos Moreiras. Humanista? Democrata? Obra a reler. Não brinquem comigo, por favor.


Alguma vez, em vida, Adriano Moreira pediu desculpas públicas pelas vítimas do Tarrafal? Não me recordo. 

O CDS nos primeiros 2 anos depois do 25 de Abril era contra a descolonização. Estava lá Adriano Moreira!

“Como gere a ironia de pertencer ao Conselho de Estado, onde está também Adriano Moreira”, perguntou o Observador a Domingos Abrantes, em 2016. Deixo aqui a resposta:

Morte de um ditador, Adriano Moreira, coberto de honrarias em vida e Salgueiro Maia, verdadeiro  obreiro da nossa Democracia, que nos permite ter liberdade de expressão, tratado a baixo de cão pelo Cavaco. Em 1989, o então primeiro-ministro recusou pensão a Salgueiro Maia. 20 anos depois homenageou-o no 10 de Junho de 2009. Foi tarde.


Biógrafo de Salgueiro Maia critica Cavaco Silva pela distinção.[link]. Para António Sousa Duarte, a homenagem hoje feita pelo Presidente da República ao capitão de Abril é "justa", mas "tímida, envergonhada, discreta e muito fugaz", sendo ainda "um erro em cima de outro erro", ou seja, "um duplo erro". 

sábado, 3 de abril de 2021

Poema da Semana - Salgueiro Maia


Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide, 1 de julho de 1944 – Lisboa, 3 de abril de 1992)

"Ficaste na pureza inicial
do gesto que liberta e se desprende.
Havia em ti o símbolo e o sinal
havia em ti o herói que não se rende.
Outros jogaram o jogo viciado
para ti nem poder nem sua regra.
Conquistador do sonho inconquistado
havia em ti o herói que não se integra.
Por isso ficarás como quem vem
dar outro rosto ao rosto da cidade.
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
trazendo a espada e a flor da liberdade."
(Manuel Alegre)


Saber mais

sábado, 25 de abril de 2020

Música do BioTerra - Grândola Vila Morena, 2020


A solidariedade e irmandade entre profissionais do mundo da música levou-nos a criar este momento de partilha, de amizade e fraternidade.
Nesta situação difícil que vivemos, estamos mais do que nunca unidos.
Há valores que nunca abdicaremos de defender. Há valores que respeitamos, seguimos e amamos. As nossas vozes são o 25 de Abril de ontem, de hoje e de amanhã.

Áudio: Carlos Norton
Vídeo: João Pico

Com Afonso Dias, Alain Vachier, Ana Laíns, Ana Pico, Ana Sofia Gonçalves, António Gonçalves, António Pires, Bernardo Serrano, Carla Vasconcelos, Carlos Guerreiro, Carlos Moisés, Carlos Norton, Carlos Rosa, Catarina de Melo, César Matoso, César Prata, Davide, Francisco Fanhais, Homem em Catarse, Inês Pico, Joana Negrão, João Afonso, João Beles, João Gil, João Pico, Joaquim Balas, José Flávio Martins, Lika, Luanda Cozetti, Luís Caracinha, Luís Galrito, Luís Pucarinho, Luís Represas, Maria Anadon, Marina Lalbuquerque, Mauro Amaral, Miguel Pietá Machete, Nuno Murta, Paulo Cunha, Pedro Abrunhosa, Pedro Branco, Pedro Henriques, Pedro Mestre, Recanto, Sebastião Antunes, Vanda Leocádio, Vitorino, Viviane, Zé Francisco, Zeca Medeiros.