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segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Documentário: História da Permacultura


After compiling a little film about Bill Mollison, there was a large call to expand on it and the origins of permaculture, giving some other pioneers their dues. So, here I have focused on some of the people who influenced me heavily when I first became interested in permaculture. It includes clips from David Holmgren, Masanobu Fukuoka, Sepp Holzer, Robert Hart, Emilia Hazelip, Allan Savory, Vandana Shiva, Dr. Elaine Ingham and Geoff Lawton. I realise that there are many more who could be listed but due to the nature of this being a video, I focused mostly on people who had amassed a large library of footage to choose from.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Documentário: Urban Permaculture with Geoff Lawton


Geoff Lawton é um consultor, designer e professor de Permacultura de renome mundial. Ele fez seu primeiro curso de Permaculture Design Certificate (PDC) em 1983 com Bill Mollison o fundador da Permacultura. Geoff realizou milhares de trabalhos ensinando, consultando, projetando, administrando e implementando, em 6 continentes e cerca de 50 países ao redor do mundo. Os clientes incluem indivíduos privados, grupos, comunidades, governos, organizações de ajuda, organizações não governamentais e empresas multinacionais sob a organização sem fins lucrativos. Em 1996 Geoff foi credenciado com o Permaculture Community Services Award pelo movimento Permaculture para serviços na Austrália e em todo o mundo.

Quem é Geoff Lawton?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Da Agricultura para a Permacultura


by Albert Bates e Toby Hemenway, in
STATE OF THE WORLD 2010 - Transforming Cultures, From Consumerism to Sustainability
A Worldwatch Institute Report on Progress Toward a Sustainable Society

Acima do lintel das portas do museu cultural de Tlaxcala, a capital de estado mais antiga do México, existem murais representando a ascensão da civilização. Primeiro, vêem-se os caçadores vestidos com peles e portando arcos e lanças. Uma mulher descobre uma pequena planta gramínea e começa a cultivá-la, e, na sequência, todos já a estão plantando, e a recém domesticada planta cresce tão alta quanto uma pessoa. Aparecem ferramentas especiais para preparar o terreno, plantar, colher e processar o grão. Nos painéis que se seguem, surge a civilização, em toda a sua complexidade.

Algo semelhante a esta história é contado em muitas, se não em todas, as culturas. No Crescente Fértil do alto dos Rios Tigre e Eufrates, existem moedas antigas com imagens de um arado puxado por bois. Cenas de arados aparecem na cerâmica do Egipto e Anatólia e no papel arroz do Japão e da China, alguns deles, com mais de 14.000 anos. Com o recuo do gelo e o aquecimento climático, há 20.000 anos, a área de solo fértil e estações adequadas para o cultivo aumentaram, e junto com esses fenómenos, a caça selvagem diminuiu e os mamutes e outros animais de grande porte foram extintos.

Há 8.000 anos, a criação de animais domésticos começou a crescer em função da domesticação da fécula de trigo, trigo selvagem, cevada, linho, grão-debico, ervilha, lentilha e ervilhaca amarga. Os
humanos tinham começado a alterar suas paisagens profundamente, desmatando florestas para criar áreas de cultivo, construindo vilas e cidades maiores e redireccionando os rios para irrigação e controle de inundações.

Há cerca de 7.000 anos, em todo o mundo, a maioria das pessoas, se não a maioria, eram agricultoras.
Isso talvez pudesse ter continuado até que a humanidade ingressasse na próxima Era do Gelo — um mundo de desertos gelados, istmos conectando Continentes, e montanhas maciças de gelo.

Mas, a civilização mudou essa trajectória utilizando o carvão, o gás e o petróleo que alimentaram a Revolução Industrial. Uma vez mais, o homem alterou os ritmos do planeta de uma forma que ainda não compreendeu totalmente.

No espaço de um único século — o actual (XXI) — é possível que o clima da Terra aqueça mais rapidamente e em maior grau do que nos 20.000 anos anteriores. Os sistemas agrícolas serão profundamente desafiados e assolados por sucessivas intempéries. Assistiremos à redução do fornecimento de combustível, dificultando o seu uso em tractores, fertilizantes e transporte; veremos também a destruição de colheitas devido a ondas de calor, resultando na expansão de pragas e diminuição do abastecimento de água para irrigação; veremos também o crescimento e a migração de populações clamando por comida, em particular, carne e alimentos processados. Tudo agravar-se-há e a instabilidade financeira trazida pela ultrapassagem dos limites da Terra, irá forçar a humanidade a um recuo para um estágio anterior ao desenvolvimento industrial.

Antes de meados do século 20, a maioria dos produtos agrícolas era em boa parte produzida sem o uso de produtos químicos.

As pragas de insectos e ervas daninhas eram controladas pela rotação de culturas, pela destruição do "refugo" das colheitas, o plantio era sincronizado de modo a evitar períodos de alta população de pragas, o controle de ervas daninhas era feito de forma manual e eram aplicadas outras práticas agrícolas testadas ao longo do tempo e específicas de região.
Apesar de esses métodos ainda serem usados, as mudanças na tecnologia, os preços, as normas culturais e as políticas governamentais levaram à agricultura industrial intensiva de hoje.

O sistema agrícola dominante praticado actualmente em todo o mundo, denominado “agricultura convencional”, é caracterizado pela mecanização, pela monocultura, pelo uso de fertilizantes sintéticos químicos, pelo emprego de pesticidas e pela ênfase na maximização da produtividade e do lucro.

Esse tipo de agricultura não é sustentável porque destrói os recursos dos quais depende. A fertilidade do solo está declinando em virtude da erosão, da compactação e destruição de matéria orgânica; o abastecimento de água está a ser exaurido e poluído; as reservas de energia fóssil finita estão a esgotar-se e as economias das comunidades rurais estão a ser arruinadas pelo envio da produção agrícola para mercados distantes.

A escassez de terras agrícolas produtivas, a diminuição da fertilidade do solo e a grande quantidade de lixo, a par da economia alimentar em escala industrial, são responsáveis pela insuficiência recorrente e acelerada de alimento e água, pela desnutrição, pela fome em massa e pela destruição da biodiversidade.

Para além de tudo isto, a agricultura é responsável por 14% das emissões de gases de efeito estufa. De 1990 a 2005, as emissões agrícolas no mundo aumentaram em 14%.

A humanidade depara-se agora com um desafio crítico: desenvolver métodos agrícolas que capturem o carbono, aumentem a fertilidade do solo, preservem o ecossistema, usem menos água, mas simultaneamente consigam retê-la mais tempo na terra — tudo isso enquanto utilizamos produtivamente a oferta constante e diversificada de trabalho humano.
Em resumo, necessitamos de uma agricultura sustentável.

Definindo Agricultura Sustentável
Felizmente, nos últimos cinquenta anos, alguns pioneiros foram preparando a agricultura do futuro, e as suas ideias estão agora deslocando-se para o centro das atenções. O plantio orgânico sem manejo do solo, a permacultura, o sistema de agrofloresta, as policulturas perenes, a aquaponia e a agricultura biointensiva e biodinâmica — consideradas por muito tempo como ideias marginais — estão agora se tornando componentes estruturantes de uma agricultura sustentável.

Uma das pedras fundamentais foi colocada no início do século 20, quando Franklin Hiram King viajou para a China, Coreia e Japão para aprender como os terrenos agrícolas desses locais eram trabalhados há milhares de anos sem destruir a fertilidade nem aplicar fertilizante artificial. Em 1911, King publicou "Farmers of Forty Centuries: or Permanent Agriculture in China, Korea and Japan", que descrevia a compostagem, rotação de culturas, a adubação verde, o cultivo intercalado, irrigação, culturas resistentes à seca, a aquacultura e agricultura em terras alagadiças, bem como o transporte de adubo humano das cidades para zonas agrícolas rurais.

O trabalho de King inspirou muitos, inclusive Sir Albert Howard. Em 1943, Howard publicou "An Agricultural Testament", que descrevia a montagem de pilhas de compostagem, reciclagem de lixo e criação de húmus do solo como uma “ponte viva” entre a vida do solo – rica em organismos como as micorrizas e bactérias –, ao lado de culturas, animais de criação e pessoas saudáveis.

No cerne do trabalho de Howard estava a ideia de que os solos, as culturas agrícolas nutritivas e organismos em geral não são apenas matrizes de minerais, mas sim partes de uma ecologia complexa da matéria orgânica cíclica, e que esses ciclos de sustentação da vida são primordiais para uma agricultura autorregeneradora.

Em meados do século 20, Howard envolveu-se num aceso debate.
De um lado estavam discípulos de químicos como Carl Sprengel e Justus von Liebig, que apoiavam ativamente a fertilização, em especial com nitrogênio, fósforo e minerais de potássio, e defendiam o uso da mecanização, argumentando que o crescimento da planta é potencializado pelo acréscimo de uma quantidade mínima de minerais. Rapidamente, isso foi amplamente aceite e serviu de base para a  Revolução Verde.

Do outro lado estavam os defensores orgânicos, que aderiram ao ponto de vista de Howard, segundo o qual a saúde da agricultura depende da manutenção da ecologia do solo, que passa por devolver-lhe não apenas o mineral perdido no cultivo, mas também a matéria orgânica que sustenta os ciclos de nutrientes de sua vida.

A posição de Howard era a de que, nas palavras do biólogo Janine Benyus, é a própria vida quem melhor cria as condições propícias à vida.
Howard perdeu a batalha, mas talvez tenha vencido a guerra, pois está a tornar-se óbvio e evidente que muitos aspectos da agricultura industrial, tais  como a destruição da camada superficial do solo, que chega a quase 75.000 milhões de toneladas por ano, não são sustentáveis. O iminente esgotamento do fósforo – um fertilizante crítico – e os retornos negativos exemplificados por culturas que usam 10 calorias de energia de combustível para a produção de uma caloria de energia de alimentos, são disso bons exemplos.

A agricultura do século 20 degradou de forma drástica quase todos os ecossistemas, consumindo, ao mesmo tempo, cerca de 20% da produção energética mundial. O funcionamento do chamado estilo “convencional” depende quase inteiramente dos combustíveis fósseis que estão hoje a escassear, a custar cada vez mais e que se extinguirão irremediavelmente.

A agricultura sustentável, por outro lado, pode ser uma proposta por um prazo indeterminado porque não degrada nem exaure os recursos de que necessita para subsistir. Como a maior parte do solo arável da Terra já está a ser cultivado e as populações humanas continuam a aumentar, uma meta muito mais positiva e exequível seria a de melhorar a capacidade produtiva da terra.

Temos assistido ao surgimento de algumas abordagens cujo foco é o ganho líquido, mas elas não são um elixir mágico.

Embora as práticas agrícolas otimizadas possam aumentar a capacidade produtiva do solo durante um longo prazo, elas não podem ser consideradas isoladamente; uma solução de peso para a existência da humanidade neste planeta deve incluir a adoção de estilos de vida sustentáveis e manutenção da população humana em números sustentáveis.

Agricultura Orgânica: Aspectos Gerais
As principais características da agricultura orgânica são:

* o uso de fertilizantes produzidos biologicamente, tais como adubos enriquecidos com carbono em vez de nitratos e fosfatos inorgânicos manufacturados; * o uso pouco frequente de pesticidas produzidos por métodos biológicos em vez da aplicação rotineira de compostos sintéticos – tóxicos para todo o sistema;

* e mais crucial ainda, a manutenção da ecologia do solo e da matéria orgânica com uso de forrageiras, adubação verde e compostagem.

Uma comparação de longo prazo feita pelo Rodale Institute de 1981 a 2002 revelou que os sistemas orgânicos produziam colheitas com rendimento equivalente ao dos métodos convencionais.
Os ensaios mostraram que, quando a precipitação era 30% menor que o normal — nível típico de seca — o rendimento dos métodos orgânicos era 24% a 34% superior ao dos métodos convencionais.
Os investigadores atribuíram o aumento do rendimento a uma melhor retenção de água em virtude de níveis mais altos de carbono no solo.