domingo, 27 de setembro de 2026
Bonjr - if it's real, then i'll stay
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Trentemøller: Swerve
A sonoridade de "Swerve", obra do produtor e compositor dinamarquês Trentemøller (Anders Trentemøller, natural de Copenhaga), reflete uma marcante evolução estética. Tendo percorrido as origens da eletrónica e do minimal techno, o artista dinamarquês firma aqui uma identidade densa que cruza o dream pop, o shoegaze, o post-rock e a indietronica. A faixa é construída a partir de sintetizadores melancólicos, guitarras saturadas em reverberação e um ritmo hipnótico, criando uma atmosfera profundamente cinematográfica, sombria e nostálgica.
No centro da identidade sonora da canção está a contribuição de Sakura Katsuura . A artista e designer empresta a sua voz sussurrada e etérea em japonês, introduzindo uma dimensão íntima que contrasta com a frieza das texturas eletrónicas e reforça a sensação de distanciamento e introspeção. O próprio conceito de "Swerve" - a ideia de mudar bruscamente de direção ou desviar-se — evoca a perda de controlo, a impermanência e a vertigem dos momentos em que a vida muda imprevisivelmente de rumo, deixando o indivíduo a flutuar sem rumo fixo entre memórias e desilusões.
No teledisco, esta narrativa visual é ampliada pelas performances expressivas de um elenco composto por Sakura Katsuura, Sophie Vyshnevska, Viktor Farkas, Anni Chen e Swell . Através de dinâmicas corporais e olhares contidos, o teledisco explora o alienamento e a desconexão emocional na era moderna, retratando corpos fisicamente próximos cujas mentes permanecem isoladas. Com uma iluminação de alto contraste e movimentos de câmara fluidos, a estética cinematográfica gera um ambiente onírico onde o ato de desviar o olhar reflete a incapacidade de encarar a realidade ou o outro diretamente.
Esta fusão estética e conceptual estabelece pontes diretas com referências literárias e filosóficas marcantes. O desvio sugerido no título ecoa o conceito epicurista de clinamen - a inclinação imprevisível dos átomos teorizada por Lucrécio em De Rerum Natura e posteriormente analisada por Gilles Deleuze -, representando a rutura inesperada do fluxo contínuo e a entrada do caos na estabilidade diária. A faixa dialoga também com o existencialismo de Jean-Paul Sartre e Albert Camus ao evocar a alienação e a vertigem perante a ausência de sentido, enquanto a volatilidade das interações no videoclipe espelha a "modernidade líquida" de Zygmunt Bauman e a fragilidade dos laços humanos. Por fim, o contraste entre o vocal em japonês e o ambiente pós-punk remete para a atmosfera de realismo mágico urbana de Haruki Murakami, na qual personagens solitárias atravessam cenários frios imersas num isolamento psicológico e num surrealismo subtil.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
O Elogio da Lentidão
terça-feira, 14 de julho de 2026
Triggerfinger - Through The Beam
terça-feira, 23 de junho de 2026
Change fatigue: o novo esgotamento que as empresas ainda não querem ver
terça-feira, 19 de maio de 2026
O declínio da ordem democrática e a emergência da Pós-Democracia
- O crescente individualismo e a articulação de diferentes identidades nas redes sociais emergentes (que romperam com as formas anteriores de interação social);
- Novos mecanismos de informação e comunicação que alcançavam as pessoas de forma personalizada, imediata e viral;
sábado, 16 de maio de 2026
Vamos rebentar o Pacote Laboral do Luís?
sexta-feira, 4 de julho de 2025
Zohran Mamdani: novidade ou retrotopia?
sábado, 17 de maio de 2025
The Chameleons - Don't Fall
sábado, 16 de março de 2024
Bauman e a dificuldade de amar
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
Não é o fim do mundo é apenas tarde
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| The Man in the High Castle (1963) is an alternative history novel by American writer Philip K. Dick |
domingo, 28 de janeiro de 2024
Senão neutralizarmos a decadência, o imperialismo líquido e sem sentido, vencerá sobre as nossas vidas
terça-feira, 11 de maio de 2021
Modernidade Líquida, o que é? Conceito, contexto e características
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Adiaforização na modernidade líquida
A clássica obra de Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polaco radicado em Inglaterra, aponta e analisa as mudanças vivenciadas pela sociedade atual que atravessa desde o individualismo nas relações de trabalho, de família e comunidade e, indica que o tempo e o espaço deixam de ser absolutos e concretos para serem sempre líquidos e relativos.
Zygmunt Bauman tinha formação marxista e era detentor de uma extensa produção académica dotada de intensas reflexões sobre a sociedade e o mundo contemporâneo. Nasceu numa família judia e, ainda criança, teve de fugir com a família devido ao nazismo, exilando-se na URSS. O filósofo polaco chegou mesmo a combater no Exército Soviético durante a Segunda Guerra Mundial, o que viria mais tarde a ser um dos seus principais campos de estudo.
A posteriori veio a ser expulso do Partido Comunista, num episódio notabilizado pelo antissemitismo. Inicialmente mudou-se para Tel Aviv e, mais tarde, para Inglaterra, onde em 1971 adquiriu a nacionalidade britânica e veio a lecionar na Universidade de Leeds, onde permaneceria durante a maior parte da sua carreira.
Reconhece-se que Bauman foi a voz dos pobres, num mundo revoltado e aviltado pela globalização. No seu último livro intitulado "Viver com o tempo emprestado", publicado em 2009, analisou a situação e os desafios que o mundo globalizado enfrenta, em que tudo, da natureza ao ser humano, se converte em mercadoria.
Analisou a crise dos refugiados, a perda de direitos e a construção de muros nas fronteiras, em vez de pontes, tema que dominou o último ensaio de Bauman publicado no final de 2016, intitulado "Estranhos batendo à porta", no qual aborda o impacto das atuais ondas migratórias.
Ganhou o prémio Amalfi de Sociologia e Ciências Sociais em 1992, o prémio Theodor W. Adorno em 1998 e venceu ainda o prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação em 2010.
Zygmunt Bauman é um sociólogo polaco nascido em 1925 e falecido a 09.01.2017 aos noventa e um anos, tendo-se mantido lúcido e atuante. Publicou mais de quarenta livros, entre os quais a "Modernidade Líquida".
Modernidade Líquida foi publicada no ano 2000, na famosa viragem do século, sendo efetivamente lançada em 2001. Nesta ocasião, o mundo estava em pânico, pois havia diversas previsões de falhas tecnológicas em programas de computador espalhados pelo mundo; esperava-se o tão propalado bug do milénio, ou seja, as máquinas e aplicações informáticas estavam apenas preparadas para executar até 1999, o que exigiria muitas adaptações para que não se instaurasse o caos tecnológico nos diversos setores da vida humana.
O bug do milénio foi um medo coletivo de que os computadores da época não compreendessem a mudança de milénio e passassem a apresentar uma paralisia geral dos sistemas e serviços em todo o mundo.
Desde 1960, os computadores usavam calendários internos com apenas dois dígitos. Depois do ano 99, viria o 00 que as máquinas entenderiam como 1900 ou como 19100, e não como 2000.
Porém, o medo tinha pouco fundamento, visto que muitos computadores já registavam datas em quatro dígitos. Mesmo assim, não se impediu que o pânico se espalhasse pelo mundo fora e que fossem gastos muitos milhares de milhões de dólares em todo o mundo em medidas preventivas.
Na contextualização, constata-se que, durante a década de 1990, existiram crises económicas creditadas à globalização crescente, além de guerras como a do Golfo e nos Balcãs. A internet disseminava um conceito de universo social, criando tribos virtuais que iam desde o consumismo desenfreado até à militância por causas ambientalistas.
O próprio título da obra já classificou a modernidade da sociedade que avança em diversos sentidos, embora seja questionável nas suas atitudes e no seu contexto enquanto sociedade. A liquidez proposta por Bauman advém do facto de os líquidos não terem uma forma, ou seja, são fluidos que se moldam conforme o recipiente no qual estão contidos, diferentemente dos sólidos que são rígidos e sofrem uma tensão de forças para se moldarem às novas formas.
Os fluidos movem-se e adaptam-se facilmente, escorrem entre os dedos, transbordam, vertem e preenchem vazios com leveza e fluidez. Muitas vezes, não são facilmente contidos, como ocorre, por exemplo, numa hídrica e num túnel de metro, lugar onde se podem observar goteiras, fissuras ou uma pequena gota numa fenda mínima. Os líquidos atingem e penetram os lugares, as pessoas, contornam o todo, vão e vêm ao sabor das ondas da conveniência do momento.
A obra traz a análise da liquidez existente em cinco tópicos básicos, a saber: a emancipação, a individualidade, o tempo e o espaço, o trabalho e a comunidade.
O filósofo apontou a questão sobre o conceito de liberdade, questionando se seria uma bênção ou uma maldição. Seria bênção, no sentido de que o indivíduo pode agir conforme os seus pensamentos e desejos, mas, em sentido contrário, cogita-se ser uma maldição, já que recai sobre o indivíduo toda a responsabilidade dos seus atos, ações e opções.
Na modernidade líquida, a hospitalidade dá lugar à crítica, onde se passa do estado de agente passivo para o de agente ativo que questiona e reflete sobre as ações e as razões das coisas e a ação do indivíduo sobre a sociedade e vice-versa.
A sociedade sólida, ou seja, a da modernidade clássica, sendo concreta, estava impregnada de um certo totalitarismo, visto ser rígida, sem resiliência, e não se adaptar às novas formas.
Bauman abordou que o principal objetivo da teoria crítica era a defesa da autonomia, da liberdade de escolha e da autoafirmação humana, do direito de ser e permanecer diferente. Noutros termos, essa hospitalidade à crítica é onde o indivíduo transita em liberdade e está aberto aos questionamentos e reflexões; o indivíduo flui então pela sociedade, pelo tempo e espaço, pode reclamar ao sentir-se prejudicado, reivindicar os direitos e exercer deveres, mas é também responsabilizado pelas ações e reações decorrentes dos seus atos.
A respeito da reflexão sobre a emancipação, Bauman traz a lume o pensamento de Max Weber, que discursava sobre a impossibilidade de se atingir a satisfação plena, porque o momento da autocongratulação e realização completa movia-se demasiado rápido, para mais e mais além, fazendo com que o indivíduo fosse impulsionado para a frente, perseguindo outros objetivos e anseios.
Para Bauman, há duas características que tornam a forma de modernidade nova e diferente: uma que relata o declínio da crença no fim do caminho em que andamos, ou seja, para ele a modernidade é um caminho infindável de oportunidades, desejos e realizações a serem perseguidos continuamente.
A segunda crença cogita sobre a mudança da desregulamentação e a privatização de tarefas e deveres modernizantes, ou seja, a tarefa apropriada ao coletivo, simbolizado na figura da sociedade, que sofreu uma fragmentação para o indivíduo.
Continuar a leitura em: Modernidade líquida, incertezas sólidas
domingo, 19 de janeiro de 2020
Zygmunt Bauman: somos aquilo que podemos comprar
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domingo, 10 de novembro de 2019
Somos inundados de informação e famintos de sabedoria
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