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terça-feira, 26 de maio de 2026

Cientistas descobrem por que a reciclagem de garrafas de plástico PET não é 100% eficaz


Uma investigação permitiu identificar os mecanismos moleculares que bloqueiam a degradação enzimática de um dos plásticos mais produzidos no mundo, o tereftalato de polietileno (PET), quando este se encontra na sua forma cristalina.

Publicado na revista The Journal of Physical Chemistry Letters, o estudo do Instituto de Ciências Marinhas (ICM-CSIC) e do Instituto de Química Avançada da Catalunha (IQAC-CSIC) apontou como principal problema a grande quantidade de energia necessária para a enzima se ligar às cadeias poliméricas quando estas estão extremamente compactadas.

Há duas décadas que os cientistas tentam aperfeiçoar enzimas capazes de decompor este material, presente em milhões de toneladas de resíduos, mas a maioria delas atua apenas na sua porção mais flexível, noticiou na terça-feira a agência Efe.

No entanto, os produtos comerciais apresentam frequentemente um elevado grau de cristalinidade, com moléculas altamente ordenadas, o que representa um desafio significativo para a degradação biológica.

Limitação estrutural e energética
Para realizar o estudo, a equipa científica combinou a análise de dados experimentais sobre o formato das cadeias de plástico com simulações computacionais de alta precisão.

Estas simulações permitiram observar como a enzima se liga a pequenos fragmentos de plástico e medir o gasto energético deste processo.
"Os nossos resultados demonstram que, embora a enzima seja teoricamente capaz de alcançar a posição correta para realizar o corte químico tanto em plástico macio como em plástico cristalino, o custo energético para tal neste último é proibitivo", observou o autor principal do estudo, Francesco Colizzi.
Ao compreender que a limitação é estrutural e energética, os investigadores podem agora concentrar-se na modificação da arquitetura das enzimas existentes.
"Se conseguirmos conceber enzimas que ultrapassem estas barreiras energéticas, estaremos muito mais próximos de uma verdadeira economia circular, onde as garrafas usadas possam ser transformadas em novas garrafas da mesma qualidade, vezes sem conta", realçou a primeira autora do estudo, Ania Di Pede-Mattatelli.
Para os cientistas, esta descoberta realça a necessidade de desenvolver novas ferramentas biotecnológicas para um processo de reciclagem circular mais sustentável e independente dos combustíveis fósseis.

Os investigadores sublinharam que a colaboração internacional é fundamental para alcançar o objetivo final, de criar um catálogo de biocatalisadores otimizados para diferentes tipos de resíduos plásticos, minimizando a pegada de carbono do processo de reciclagem e oferecendo uma alternativa viável à produção de plástico virgem derivado do petróleo.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Poluição do carvão limita produção de energia solar


A energia solar tem sido descrita como a “estrela brilhante” da transição limpa da UE, mas cientistas alertam que a poluição causada pelo carvão está a comprometer a capacidade das renováveis de reduzir emissões.

Um novo estudo, liderado pela Universidade de Oxford e pelo University College London (UCL), mapeou e avaliou mais de 140.000 instalações de energia solar fotovoltaica (solar PV) em todo o mundo.

O estudo, publicado na revista científica Nature Sustainability, recorre a dados de satélite e da atmosfera sobre poluição do ar para calcular quanta luz solar se perde e de que forma isso reduz a produção de eletricidade.

Os investigadores concluíram que a poluição das centrais elétricas a carvão “reduz de forma significativa” a produção de energia das instalações solares fotovoltaicas, em especial onde ambos os tipos de capacidade estão a crescer em paralelo.

Como a poluição do carvão está a prejudicar a produção solar
O estudo alerta que os aerossóis (minúsculas partículas suspensas no ar) reduziram em 5,8 % a eletricidade solar à escala global em 2023.

Isto equivale a 111 terawatts-hora de energia perdida - a quantidade gerada por 18 centrais a carvão de média dimensão. Para se ter uma ordem de grandeza, um terawatt-hora corresponde aproximadamente ao consumo anual de eletricidade de 150 000 cidadãos da UE, segundo o Our World in Data.

Entre 2017 e 2023, as novas instalações fotovoltaicas acrescentaram, em média, 246,6 TWh de eletricidade por ano, enquanto as perdas relacionadas com aerossóis nos sistemas já existentes atingiram 74 TWh anuais - o equivalente a quase um terço dos ganhos com a nova capacidade, acrescenta o relatório.

Os investigadores defendem que isto evidencia uma “interação até agora não reconhecida” entre o uso de combustíveis fósseis e as energias renováveis, em que as emissões de um sistema afetam diretamente o desempenho do outro.

“Estamos a assistir a uma rápida expansão global das energias renováveis, mas a eficácia dessa transição é inferior ao que muitas vezes se supõe”, afirma o autor principal, Rui Song.

“À medida que o carvão e a energia solar crescem em paralelo, as emissões alteram o regime de radiação, comprometendo diretamente o desempenho da produção solar.”

Por que razão as centrais a carvão são más notícias para as renováveis?
O carvão é considerado a forma mais suja e poluente de produzir energia e é um dos principais motores do aquecimento global. Apesar de, no ano passado, as renováveis terem ultrapassado, pela primeira vez, a produção a partir de combustíveis fósseis, muitos países continuam dependentes das centrais a carvão, apesar dos seus impactos ambientais.

No mês passado, a Itália anunciou que adiava o encerramento definitivo das suas centrais a carvão até 2038, 13 anos além do prazo inicial. Organizações ambientalistas e a oposição de centro-esquerda criticaram a decisão, com o líder do partido ecologista Europa Verde, Angelo Bonelli, a acusar o governo de “negligência climática”.

As centrais a carvão emitem partículas poluentes finas que dispersam e absorvem a luz solar, reduzindo a quantidade que chega aos painéis solares nas proximidades. O Dr Song explica que a poluição atmosférica não se limita a bloquear a luz do sol, mas também altera as nuvens, o que pode reduzir ainda mais a produção solar.

“Isso significa que o impacto real é provavelmente maior do que o que medimos, pelo que podemos estar a sobrestimar o contributo da energia solar para a redução das emissões se não controlarmos a poluição das centrais a carvão”, acrescenta.

Este efeito foi particularmente evidente na China, onde a capacidade solar e a capacidade a carvão cresceram em paralelo e são muitas vezes implantadas na mesma zona. As regiões com elevada capacidade a carvão coincidiam em grande medida com as áreas que registaram as maiores perdas de produção solar fotovoltaica.

A China é o maior produtor solar do mundo e gerou 793,5 TWh de eletricidade solar fotovoltaica em 2023 (41,5 % do total global). Mas também registou as maiores perdas causadas por aerossóis, com a produção total reduzida em 7,7 %.

Os investigadores estimam que cerca de 29 % das perdas de solar fotovoltaica relacionadas com aerossóis na China se devam especificamente às centrais elétricas a carvão.

O coautor, Chenchen Huang, da Universidade de Bath, no Reino Unido, afirma que as conclusões do relatório constituem um “aviso claro” de que ignorar as perdas de energia solar causadas pela poluição pode levar a uma “sobreestimação sistemática da produção de energias renováveis por parte de governos, empresas e da sociedade em geral”.

“Para mantermos o rumo, as políticas têm de ter em conta este travão oculto e desviar os subsídios aos combustíveis fósseis do carvão”, acrescenta o Huang.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Climáximo mancha de tinta vermelha fachada da empresa de defesa Thales


Elementos do coletivo Climáximo mancharam, esta segunda-feira, com tinta vermelha a fachada da empresa Thales, especializada em Defesa, em Oeiras, num protesto pela parceria que a firma tem com a produtora de armas israelita Elbit Systems.

A PSP de Oeiras disse à Lusa que os agentes estiveram no local pelas 07:05 e confirmaram a ação, mas já não encontraram nenhum ativista quando chegaram ao edifício.

Numa nota divulgada à comunicação social, os elementos do Climáximo dizem que escreveram a palavra "genocida" a vermelho na fachada da Thales, em Paço de Arcos, a 4.ª maior empresa de armamento, tecnologia e segurança da Europa, produzindo mísseis, carros de combate, drones e outros equipamentos e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos.

Citado no comunicado, o estudante de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Filipe Antunes acusa a Thales de lucrar diretamente "com a morte de milhares de pessoas" e de ser "parte integral de um modelo que promove a matança de pessoas inocentes por todo o mundo" que é “indissociável dos combustíveis fósseis”.

"Estes são um multiplicador da capacidade bélica, sendo a guerra moderna dependente e só possível devido aos combustíveis fósseis", considera o estudante, elemento deste movimento.

Refere ainda que a Thales é central nos esforços de militarização das fronteiras europeias que fazem das pessoas migrantes "alvos de ataque, repressão e desumanização" e considera a empresa "um pilar" na expansão da extrema-direita internacional e no "progresso do imperialismo e de políticas bélicas, genocídas e fascistas".

A questão do cumprimento dos embargos pela Thales é um dos temas mais divisivos no panorama geopolítico europeu, especialmente quando analisamos a linha ténue entre a legalidade estrita e a responsabilidade ética. Para compreender a situação em Portugal e no resto da Europa, é necessário notar que a Thales não opera no vácuo; ela funciona sob um regime de autorizações estatais que, muitas vezes, serve de "escudo" jurídico contra acusações de violação de tratados.

De uma perspetiva puramente legal, a Thales afirma respeitar rigorosamente todos os embargos impostos pela ONU e pelas jurisdições onde mantém sedes, como França e Reino Unido. No entanto, o que observadores internacionais e organizações de direitos humanos apontam é a existência de "zonas cinzentas". Um exemplo recorrente é a exportação de componentes de tecnologia de dupla utilização (dual-use), que podem ser classificados como civis mas acabam integrados em sistemas de armamento. Além disso, a empresa tem enfrentado desafios judiciais significativos, como a queixa-crime apresentada em França por alegada cumplicidade em crimes de guerra no Iémen, sob o argumento de que a manutenção técnica fornecida aos equipamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita facilitou ataques a civis.

Outro ponto crítico prende-se com a estrutura multinacional da empresa. Muitas vezes, componentes fabricados numa subsidiária britânica ou australiana podem ser exportados para destinos que enfrentariam maiores restrições se o envio fosse feito diretamente de França. Este fenómeno, descrito por críticos como "triangulação", permite que a empresa se mantenha dentro da lei de cada país, embora possa estar a contornar o espírito dos embargos internacionais mais amplos.
Apesar do discurso de "conformidade", a Thales enfrenta pressões legais significativas:

O Caso do Iémen (Investigação em curso): em 2022, ONGs como a Sherpa e a Amnistia Internacional entraram com uma queixa criminal na França contra a Thales, Dassault e MBDA. A acusação é de cumplicidade em crimes de guerra. Alegam que a Thales forneceu manutenção e sistemas de mira para jatos usados pela Coligação política liderada pela Arábia Saudita em ataques a civis no Iémen, mesmo após as atrocidades terem sido documentadas. A investigação judicial ainda estava ativa em 2025.

Exportações para Israel (2024-2026): após a suspensão parcial de licenças de armas pelo Reino Unido em 2024, surgiram denúncias de que componentes da Thales (como radares para drones Watchkeeper) continuaram a ser enviados. A empresa e o governo alegaram que eram para "re-exportação" (para países como a Roménia), mas grupos como o CAAT (Campaign Against Arms Trade) denunciaram em 2026 que não havia provas de que esses componentes saíram de Israel, sugerindo uma brecha no controle de uso final.

Em suma, embora a Thales raramente seja apanhada numa violação direta e flagrante de um embargo — o que resultaria em sanções catastróficas para os seus acionistas —, ela é frequentemente acusada de beneficiar de interpretações políticas convenientes das regras de exportação. Para a empresa, a validade de uma licença governamental é o selo de ética necessário; para os seus detratores, essa licença é apenas uma formalidade burocrática que não apaga a responsabilidade moral sobre o destino final da tecnologia vendida.

O coletivo, que luta pela "justiça climática", denuncia a "fatia considerável" de emissões do complexo industrial militar, tal como os milhões gastos em armamento e combustíveis fósseis, afirmando que este financiamento deveria antes ser aplicado na criação de um "Serviço Nacional do Clima", para gerir a transição energética, e em empregos no setor dos cuidados e serviços de apoio social, garantindo saúde, educação e alimentação.

"Se não desmantelarmos os combustíveis fósseis, não só não vamos conseguir travar os conflitos atuais como estes se vão multiplicar e escalar em guerras por acesso a comida e água", considera o Climáximo, que convoca a população a juntar-se, no dia 15 de maio, à concentração que vai promover ao final da tarde frente à sede do Governo.

terça-feira, 24 de março de 2026

Agência Internacional de Energia recomenda teletrabalho e transportes públicos para aliviar pressão dos preços do petróleo devido a interrupções no fornecimento no Médio Oriente


Medidas surgem como resposta à maior interrupção de abastecimento na história do mercado global de petróleo e abrangem transporte rodoviário, viagens aéreas, cozinha e indústria. AIE destaca que governos podem liderar pelo exemplo.

Trabalhar a partir de casa sempre que possível, reduzir a velocidade em autoestradas e recorrer aos transportes públicos são três das dez medidas que a Agência Internacional de Energia (AIE) recomenda para aliviar a pressão dos preços do petróleo sobre os consumidores.

Num relatório publicado nesta sexta-feira, a autoridade mundial recomenda ainda evitar viagens aéreas sempre que existam alternativas e recorrer à eletricidade em substituição do gás na cozinha.

As medidas surgem como resposta às perturbações nos mercados petrolíferos causadas pela guerra no Médio Oriente. O conflito desencadeou a maior interrupção de abastecimento na história do mercado global de petróleo, com o tráfego através do Estreito de Ormuz, que normalmente transporta cerca de 20% do consumo global de petróleo, reduzido a níveis mínimos, segundo a AIE.

Cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e produtos petrolíferos transitam habitualmente por este estreito. A perda destes fluxos apertou significativamente os mercados, fazendo subir os preços do petróleo bruto acima dos 100 dólares por barril e provocando aumentos ainda mais acentuados em produtos refinados como o gasóleo, o combustível de aviação e o gás de petróleo liquefeito (GPL).
Para estabilizar os mercados energéticos globais, os países membros da AIE acordaram, a 11 de março, libertar 400 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência, a maior libertação de stocks na história da Agência. Porém, a autoridade refere que atuar do lado da oferta não é suficiente para compensar a dimensão da perturbação. “Atuar sobre a procura é uma ferramenta crítica e imediata para reduzir a pressão sobre os consumidores, melhorando a acessibilidade e apoiando a segurança energética”, defende a AIE.

As medidas do lado da procura disponíveis para governos, empresas e famílias abrangem o transporte rodoviário, as viagens aéreas, a cozinha e a indústria.

“A guerra no Médio Oriente está a criar uma grande crise energética, incluindo a maior interrupção de abastecimento na história do mercado global de petróleo. Na ausência de uma resolução rápida, os impactos nos mercados energéticos e nas economias tenderão a agravar-se cada vez mais”, afirmou o Diretor Executivo da AIE, Fatih Birol.

As recomendações do lado da procura agora apresentadas “baseiam-se em décadas de experiência da AIE nesta área e destaca medidas que já provaram funcionar na prática em diferentes contextos. Acredito que será útil para governos em todo o mundo, tanto em economias avançadas como em desenvolvimento, nestes tempos desafiantes”, assinala Fatih Birol.

A AIE refere ainda que os governos podem liderar pelo exemplo através de medidas no setor público, ações regulamentares e incentivos direcionados, assegurando simultaneamente que o apoio aos consumidores é bem calendarizado e dirigido a quem mais precisa.

Ações imediatas para reduzir a procura
1 – Trabalhar a partir de casa sempre que possível
Reduz o consumo de petróleo nas deslocações, sobretudo em funções compatíveis com o trabalho remoto.

2 – Reduzir os limites de velocidade em autoestradas em pelo menos 10 km/h
Velocidades mais baixas reduzem o consumo de combustível em automóveis, carrinhas e camiões.

3 – Incentivar o uso de transportes públicos
A mudança do carro particular para autocarros e comboios pode reduzir rapidamente a procura de petróleo.

4 – Alternar o acesso de carros particulares às estradas nas grandes cidades em dias diferentes
Sistemas de rotação de matrículas podem reduzir o congestionamento e a condução intensiva em combustível.

5 – Aumentar a partilha de automóveis e adotar práticas de condução eficiente
Maior ocupação dos veículos e condução ecológica reduzem rapidamente o consumo.

6 – Condução eficiente para veículos comerciais rodoviários e distribuição de mercadorias
Melhores práticas de condução, manutenção e otimização de cargas reduzem o consumo de gasóleo.

7 – Desviar a utilização de GPL do transporte
Transferir veículos bi-combustível para gasolina pode preservar o GPL para a cozinha e outras necessidades essenciais.

8 – Evitar viagens aéreas sempre que existam alternativas
Reduzir viagens de negócios pode aliviar rapidamente a pressão sobre o combustível de aviação.

9 – Sempre que possível, recorrer a outras soluções modernas de cozinha
Incentivar o uso de eletricidade e outras opções modernas pode reduzir a dependência do GPL.

10 – Tirar partido da flexibilidade nas matérias-primas petroquímicas e implementar medidas de eficiência e manutenção de curto prazo
A indústria pode ajudar a libertar GPL para usos essenciais, ao mesmo tempo que reduz o consumo de petróleo através de melhorias operacionais rápidas.

domingo, 22 de março de 2026

Pobreza de mobilidade: o que significa e como Portugal a quer eliminar. Não é aceitável uma pessoa ter cinco apps para andar de transportes públicos, é desmotivador


Com apenas 14% dos portugueses a usar transporte público e 66% dependentes do automóvel, Cristina Pinto Dias, Secretária de Estado da Mobilidade, alerta para desigualdades profundas entre litoral e interior, onde há crianças que “não podem ficar à tarde para jogar futebol ou aprender piano porque depois não têm transporte para voltar para casa”.

A resposta passa por reforçar a ferrovia, expandir metros, renovar material circulante e avançar com a alta velocidade, mas também por soluções flexíveis como transporte a pedido e tarifários sociais.

“O transporte público está a perder cota modal e o transporte individual a aumentar. Ou seja, 14% das nossas pessoas anda de transporte público, mas 66% das nossas pessoas anda em transporte individual. O ideal seria o contrário. 88% das nossas pessoas estão concentradas em 40% do nosso território e 12% das nossas pessoas dispersas em 60% do nosso território, o que significa que a política pública de mobilidade não é uma receita única que se aplica a todo o país”, explica a governante.

Cristina Pinto Dias sublinha que o país vive uma “revolução” no investimento público, mas que o grande salto depende da integração tecnológica: “Não é aceitável que uma pessoa tenha cinco apps, uma para andar de comboio, outra de metro, outra de Transtejo.” E acrescenta: “Se eu quero trazer pessoas para o transporte público, tenho que convidar de tapete vermelho: ‘Venha para o transporte público, vai ser bem servido.’

A secretária de estado sublinha mesmo a existência de uma revolução dentro do transporte público, “com metas muito concretas”. E detalha: “Estamos a fazer uma expansão das redes de metro, estamos a comprar comboios novos para o próprio metro. Já aqui foi dito neste podcast também pelo presidente da Transtejo, fizemos uma aquisição de 10 navios 100% elétricos para nos fazer a travessia do Tejo. E sim, nós estamos a fazer um investimento, como não há memória, na ferrovia, resultado de longos e prolongados anos de desinvestimento. Estamos a fazer um investimento só para material circulante, incluindo já a alta velocidade de 1,8 mil milhões de euros.”

A integração da bilhética e da informação em tempo real é, para a Secretária de Estado, o passo decisivo para atrair mais pessoas para o transporte público e garantir equidade territorial. Só depois disso será possível pensar num tarifário verdadeiramente nacional.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Outdoor espectacular - a acumulação de riqueza é uma pandemia


Tax wealth — Created by anonymous artist network Brandalism, the action comes ahead of Black Friday, when UK shoppers are expected to spend £6.5 billion as brands run discounted sales of their products.

Activists have hacked 100 advertising sites across London in a coordinated protest against the tax avoidance of big tech companies like Amazon, and the ​“destructive hyper-consumerism” of Black Friday.

Satirical artworks pasted over billboards and Tube ads by the anonymous artist network Brandalism accuse companies of dodging taxes, exploiting workers and fuelling environmental collapse. Ethical Consumer estimates Amazon’s corporation tax avoidance may have cost the UK around £575 million in 2024.

The interventions mark the launch of the ZAP Games – Zone Anti-Publicité – a two-week Europe-wide campaign that repurposes commercial ad spaces. Posters inside Tube carriages compare tech CEOs to parasites, while others criticise the carbon and water intensity of Amazon’s AI-driven data centres.

Brandalism argues Amazon’s advertising dominance shields its practices from scrutiny. ​“Amazon epitomises 21st century destructive hyper-consumerism,” said spokesperson Tona Merriman. ​“It bombards us with advertising in the run up to Black Friday whilst squeezing the pay and conditions of workers, amassing eye-watering profits and then dodging its taxes.”

More than 100 artworks have appeared across the capital. One by artist Michelle Tylicki shows a Monopoly board filled with social goods overshadowed by an encroaching Amazon logo. Another juxtaposes an Amazon data centre with a burning rainforest to highlight ecological damage.

Activists say injury rates in Amazon warehouses spike during Black Friday demand. This year, mass strikes and walk-outs are planned globally by Make Amazon Pay, a coalition backed by more than 400 parliamentarians. Amazon paid UK corporation tax in 2024 for the first time since 2020, but campaigners argue it still avoids far more than it contributes.

Human rights criticisms are also intensifying. UN Special Rapporteur Francesca Albanese has accused Amazon, along with Microsoft and Alphabet Inc. (Google’s parent company), of aiding Israel’s genocide against Palestinians through its cloud services. Israeli military officials have credited Amazon software with enhancing their ability to track and kill targets. More than 67,000 Palestinians have been killed since October 2023.


This is not the only fallout surrounding Black Friday this year. Last week, Zara workers across Europe announced they would stage protests in Spain, Belgium, France, Germany, Italy, Luxembourg and Portugal. Unions are demanding that parent company Inditex reinstate a profit-sharing scheme scrapped after the pandemic.

Rosa Galan of Spain’s CCOO union said Inditex’s growing profits were ​“the result of the work of its staff,” calling for a fairer distribution. Inditex, whose share price has doubled over the past three years, did not respond to requests for comment.

Mais fotos e info aqui

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Mais de 30 países dizem que não apoiarão texto da COP30 sem mapa do caminho para abandonar combustíveis fósseis

Turbinas de energia eólica são vistas em frente a usina a carvão na Alemanha

Mais de 30 países pressionaram a Presidência da COP30 nesta quinta-feira (20) ao afirmar que não apoiarão um texto final da Cúpula que deixe de fora um mapa do caminho de transição global para longe dos combustíveis fósseis.

O g1 teve acesso à carta conjunta enviada pelas delegações pedindo que o tema permaneça no rascunho político da conferência.

A cobrança surgiu após circular entre diplomatas que uma nova versão do texto poderia retirar a proposta de iniciar a construção desse mapa, prevista no primeiro rascunho do tema divulgado na última terça-feira (18).

Entenda o termo: “Mapa do caminho” ou roadmap (em inglês) é o termo usado em negociações internacionais para designar planos de ação que estabelecem etapas, prazos e metas concretas rumo a um objetivo comum. Na prática, trata-se de um roteiro político e técnico que define “quem faz o quê, até quando e com quais recursos”.

O movimento ocorre em meio à resistência de grandes produtores e consumidores de petróleo, gás e carvão.

Na carta, países como Colômbia, França, Reino Unido, Alemanha e outros afirmam que “não podem apoiar um resultado que não inclua um mapa do caminho justo, ordenado e equitativo para deixar os combustíveis fósseis para trás”.

O grupo reúne nações da Europa, América Latina, Ásia e ilhas do Pacífico, muitas delas entre as mais ativas na defesa do avanço da transição energética.

Segundo negociadores, algumas delegações chegaram a cogitar abandonar as conversas caso o mapa do caminho fosse excluído.

A discussão sobre combustíveis fósseis se tornou o ponto central da COP30. O desfecho dependerá de como o mapa do caminho será tratado no texto final, que ainda está em negociação e deve avançar ao longo desta sexta-feira (21) ou para o fim de semana.

Como os mapas do caminho pode aparecer na COP?
A inclusão do tema depende do consenso entre os países participantes.

Desde a COP 28 em Dubai, no ano de 2023, os países concordaram que é preciso fazer uma "transição para longe dos combustíveis fósseis".

No termo em inglês, o texto final cita "transitioning away from fossil fuels", sem detalhar como e quando isso será feito. A COP 29, no Azerbaijão, não apresentou avanços concretos nesta direção.

E é justamente neste ponto que as expectativas sobem em relação à COP30, já que os anos recentes foram fartos em dados apontando o aumento dos eventos extremos.

Os números também mostram que são remotas as chances de alcançar a meta de conter o aquecimento global a 1,5°C em relação à era pré-industrial.

E o consenso científico aponta que é preciso frear a emissão de gases de efeito estufa para limitar os efeitos da crise climática.

Também na última terça, um grupo de cerca de 80 países defendeu a importância da adoção de um mapa do caminho para o fim do uso dos combustíveis fósseis.

A defesa de um mapa do caminho foi realizada em entrevista coletiva num dos auditórios da COP30 e foi convocada pela Dinamarca.

Entre os participantes que declararam apoio à iniciativa estavam ministros da Colômbia, do Quénia, do Reino Unido, de Serra Leoa, entre outros.

"A urgência da crise climática não permite desaceleração. A ciência é clara e os impactos são diários e muito caros, particularmente para o sul global", disse a ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres.

"Hoje, as pessoas ao redor do mundo estão mobilizando, em uma escala massiva, demandando ação concreta para a justiça climática, particularmente contra a expansão de fronteiras de combustíveis fósseis", acrescentou.

Na coletiva, a delegação alemã também disse que praticamente toda a Europa apoia a iniciativa.

“Vamos fazer uma Mobilização global para nos libertarmos dos combustíveis fósseis”, disse Carsten Schneider, Ministro do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha.

O secretário de Estado para Segurança Energética e Net Zero do Reino Unido, Ed Miliband, também reforçou que a coligação reunida nesta Mobilização expressa um alinhamento raro entre países do Norte e do Sul globais e que o Sul, especialmente, tem insistido que o tema não pode mais ser ignorado.

Ele afirmou que o momento político é favorável e que a COP30 tem a hipótese de avançar a transição para longe dos combustíveis fósseis, retomando o impulso deixado pela COP28 (Declaration on Climate, Relief, Recovery and Peace).



quinta-feira, 3 de julho de 2025

Relatora da ONU pede criminalização da desinformação sobre combustíveis fósseis e proibição do lóbi


Uma das principais especialistas das Nações Unidas apela à aplicação de sanções penais contra aqueles que vendem desinformação sobre a crise climática e à proibição total da atividade de lóbi e publicidade da indústria dos combustíveis fósseis, como parte de uma mudança radical para salvaguardar os direitos humanos e travar a catástrofe planetária. Elisa Morgera, a relatora especial da ONU para os direitos humanos e as alterações climáticas, defende que os EUA, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália e outras nações ricas em combustíveis fósseis são legalmente obrigados, ao abrigo do direito internacional, a eliminar totalmente o petróleo, o gás e o carvão até 2030 - e a compensar as comunidades pelos danos causados. A fraturação hidráulica, as areias petrolíferas e o ‘flaring’ devem ser proibidos, tal como a exploração de combustíveis fósseis, os subsídios, os investimentos e as falsas soluções tecnológicas que prenderão as gerações futuras ao petróleo, ao gás e ao carvão poluentes e cada vez mais dispendiosos.
O seu relatório será apresentado na segunda-feira na Assembleia Geral em Genebra.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Estudo reforça que a interferência humana no clima é mais antiga do que muitos imaginam

Com ferramentas modernas, cientistas teriam identificado no século XIX o impacto do CO₂ emitido pela queima de carvão e madeira na Revolução Industrial

Muito antes de a expressão “alteração climática” entrar no vocabulário da ciência, os primeiros sinais do impacto humano na atmosfera já estavam no ar. Um estudo publicado na revista PNAS indica que, se os cientistas da época tivessem acesso à tecnologia atual, teriam identificado indícios do aquecimento global já em 1885 - antes mesmo da invenção dos carros a gasolina.

A conclusão vem de uma simulação conduzida por investigadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, em parceria com instituições como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade de Washington. A equipa partiu de um cenário hipotético: e se, desde 1860, fosse possível monitorizar globalmente a atmosfera com a precisão de satélites e balões meteorológicos modernos?

Naquela época, a queima acelerada de carvão e madeira já lançava grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera - um subproduto da Revolução Industrial que iniciava os efeitos do aquecimento global.

A resposta veio por meio de um método de análise conhecido como fingerprint (impressão digital), que permite separar os efeitos naturais das alterações provocadas por humanos. Segundo os autores, esse padrão de interferência seria visível na forma de um arrefecimento na estratosfera - uma camada alta da atmosfera - causado pelo aumento do CO₂ e pela perda de ozono.

Por que razão a estratosfera arrefece e a Terra aquece?
Os gases do efeito de estufa atuam de maneira distinta nas camadas da atmosfera. Na parte mais baixa, a troposfera, eles retêm o calor irradiado pela superfície da Terra, provocando o aquecimento. Já na estratosfera, a camada seguinte, o acumulado desses mesmos gases intensifica a reflexão da radiação, fazendo com que parte do calor regresse ao planeta e que a própria estratosfera arrefeça.

Esse arrefecimento da estratosfera, segundo os autores, é um sinal inequívoco da ação humana e teria sido detetável com elevada confiança por volta de 1885. Mesmo com medições restritas ao hemisfério norte, os dados simulados indicam que o fenómeno seria percetível até 1894, apenas 34 anos após o início hipotético da monitorização climática global.

O que é que isto muda?
Na prática, o estudo reforça que a interferência humana no clima é mais antiga do que muitos imaginam. Embora a ciência só tenha começado a compreender o papel do CO₂ no aquecimento global a partir da década de 1970, os impactos da Revolução Industrial já estavam a ser registados na atmosfera um século antes.

Os investigadores alertam que os próximos 26 anos deverão trazer mudanças ainda mais intensas do que as observadas desde 1986, especialmente se não houver uma redução drástica no uso de combustíveis fósseis.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Combustíveis fósseis: Bruxelas diz que Portugal não cumpriu recomendações


Portugal não cumpriu as recomendações da Comissão Europeia para eliminar subsídios aos combustíveis fósseis até 2030, ser mais ambicioso na eficiência energética e responder às necessidades de investimento na transição climática.

A Comissão Europeia concluiu que Portugal "não respondeu" a três recomendações, incluindo a de eliminar subsídios aos combustíveis fósseis.

"O plano reconhece a necessidade de eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis até 2030, em conformidade com os compromissos internacionais, mas não apresenta medidas específicas nem um cronograma claro para tal", assinala a instituição.

Além disso, apesar de o plano português incluir metas sobre a eficiência energética, o país "não aumentou o nível de ambição", critica Bruxelas.

Já quanto ao financiamento da transição energética e climática, o plano de Portugal "não apresenta dados sobre necessidades de investimento", nem "explica como as medidas irão mobilizar investimentos privados", não incluindo uma "divisão entre investimento público e privado".

A Comissão Europeia pede que Portugal garanta "uma implementação atempada e completa" de um novo plano energético.

"A UE está atualmente no caminho para reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em cerca de 54% até 2030, caso os Estados-membros implementem plenamente as medidas nacionais existentes e planeadas, bem como as políticas da UE", concluiu a Comissão Europeia.

A meta da UE é reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em pelo menos 55% face a 1990, alcançar pelo menos 42,5% de energias renováveis no consumo final bruto de energia e melhorar a eficiência energética em pelo menos 11,7%.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Richard Flanagan


Richard Flanagan, vencedor do prémio Baillie Gifford de não ficção pelo seu livro Questão 7, disse não aceitar o prémio de £ 50.000 enquanto o patrocinador não reduzir os seus investimentos em combustíveis fósseis e investir nas renováveis. A empresa de gestão de investimentos Baillie Gifford tem sido alvo de controvérsia nos últimos anos não só devido aos seus investimentos em combustíveis fósseis mas também por se relacionar com empresas ligadas a Israel.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

COP29: Desastre total


Ativistas e ambientalistas criticam acordo financeiro frágil na COP29. Greta Thunberg: “A decisão da COP29 é um desastre completo. As pessoas no poder estão mais uma vez prestes a concordar com uma sentença de morte para as inúmeras pessoas cujas vidas foram e serão arruinadas pela crise climática. O texto está cheio de falsas soluções e promessas vazias”. Claudio Angelo, do Observatório do Clima: “O acordo de financiamento fechado em Baku distorce a UNFCCC e subverte qualquer conceito de justiça. Com a ajuda de uma presidência incompetente, os países desenvolvidos conseguiram mais uma vez abandonar suas obrigações e fazer os países em desenvolvimento literalmente pagarem a conta”. Tasneem Essop, da Climate Action Network, acusou os países desenvolvidos de má-fé nas negociações em torno do financiamento climático: “Esta deveria ser a COP das finanças, mas o Norte Global apareceu com um plano para trair o Sul Global. No final, assistimos à mesma história, com os países em desenvolvimento ficando com pouca opção a não ser aceitar um acordo ruim”. Tracy Carty, da Greenpeace International: “A nova meta é uma amarga decepção. US$ 300 biliões anuais até 2035 é muito pouco, muito tarde. Essa meta de financiamento não vem com nenhuma garantia de que não será entregue por meio de empréstimos ou financiamento privado, em vez do financiamento público baseado em subsídios os quais os países em desenvolvimento precisam desesperadamente”. Fonte.

Um delegado da Arábia Saudita foi acusado de fazer alterações diretas a um texto oficial de negociação da COP29, diz o Guardian: “As presidências das COP costumam distribuir os textos de negociação como documentos PDF não editáveis a todos os países em simultâneo, sendo depois discutidos. No sábado, a presidência do Azerbaijão fez circular um documento com atualizações ao texto de negociação sobre o programa de trabalho para uma transição justa (JTWP). Este programa tem por objetivo ajudar os países a avançar para um futuro mais limpo e mais resistente, reduzindo simultaneamente as desigualdades. O documento foi enviado com ‘alterações registadas’ em relação à versão anteriormente distribuída. Em dois casos, o documento mostrava que as alterações tinham sido feitas diretamente por Basel Alsubaity, que pertence ao Ministério da Energia saudita e é o líder do JTWP.Namíbia aproveita a cimeira sobre o clima COP29 para promover investimentos em petróleo e gás. Fonte.

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Relatório da Oxfam



BREAKING: Fifty of the world’s richest billionaires produce more carbon pollution in 90 minutes than the average person does in their entire
lifetime. Oxfam’s new report exposes the luxury-driven lifestyles of the super-rich as a key driver of the climate crisis. Private jets, superyachts, and fossil fuel investments are pushing us closer to a global catastrophe. This isn’t just about lavish living—it’s about the future of our planet.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Lavagem verde da multinacional Dentsu


A empresa de publicidade Dentsu mostrou uma solução para limpar o ar. Para tal instalou um mural na Euston Road, um dos pontos mais poluídos de Londres. O mural mostrava uma mulher cor-de-rosa e roxa a apanhar os fumos numa rede. O molho secreto: uma tinta supostamente capaz de converter os poluentes do ar em "sais inofensivos". Acontece que, nos últimos cinco anos, a holding multinacional japonesa e as suas subsidiárias, celebraram pelo menos 27 contratos de relações públicas, publicidade e campanhas de marketing para 25 produtores de combustíveis fósseis diferentes, incluindo a Shell, a ExxonMobil e a BP. Em maio, os ativistas da Clean Creatives atribuíram à Dentsu um prémio satírico de "Excelência em Ficção Científica" pelo seu trabalho de promoção de projetos controversos de captura de carbono em nome da Chevron. Fonte.

domingo, 23 de junho de 2024

Milhares de pessoas marcham em Londres pela proteção da natureza e do clima


Londres, 22 jun 2024 (Lusa) - Milhares de pessoas participaram hoje numa manifestação em Londres, promovida por organizações como a Extinction Rebellion (XR) e o World Wide Fund for Nature (WWF), para apelar aos políticos para que atuem pela natureza e pelo clima.

Esta manifestação acontece a menos de duas semanas das eleições legislativas de 04 de julho no Reino Unido. Segundo as recentes sondagens, os trabalhistas estão amplamente em vantagem, prevendo-se, assim, uma pesada derrota para os conservadores, no poder há 14 anos.

A atriz britânica Emma Thompson e o naturalista e apresentador britânico Chris Packham ocuparam os lugares da frente na marcha realizada em Londres, pedindo para se “restaurar a natureza agora”.

Chris Packham explicou que esta é a primeira vez que organizações tão diferentes se unem para uma manifestação, dando como exemplo o National Trust (Fundo Nacional para Locais de Interesse Histórico ou Beleza Natural), que defende a herança britânica, e o grupo ativista ambiental Just Stop Oil, representado por ecologistas que são muito controversos pelas ações contundentes que realizam.

Fazendo-se notar de forma muito colorida, a manifestação decorreu num ambiente de boa disposição, num percurso desde Hyde Park até ao parlamento, em Westminster.

Entre a multidão de manifestantes, que vieram de várias zonas do Reino Unido, havia muitos fantasiados de animais, incluindo girafas e ursos.

“Não há vida sem vida selvagem” e “Não há botão para começar do zero” eram algumas das mensagens dos cartazes erguidos na manifestação.

Em declarações à agência de notícias France-Presse (APF), a atriz britânica Emma Thompson dirigiu-se aos políticos: “Parem de ser tão profundamente irresponsáveis”.
“Não acredito na falta de compromisso deles” com o clima durante a campanha eleitoral, criticou a atriz, que é ativista ambiental, alertando que o planeta está “no meio da tempestade”, manifestando “surpresa ao ver quanta negação ainda existe”.

Emma Thompson disse que apoia o grupo Just Stop Oil, do qual dois ativistas pulverizaram, na quarta-feira, tinta nos monólitos do famoso sítio pré-histórico inglês de Stonehenge.

O Just Stop Oil reclama o fim da exploração de combustíveis fósseis até 2030.

“Penso que apoio todos os que estão a liderar este combate extraordinário”, disse Emma Thompson, defendendo que não se pode mais extrair petróleo do solo.

O naturalista e apresentador britânico Chris Packham disse não estar muito impressionado com o conteúdo dos programas dos vários partidos políticos britânicos.

“Quando se trata de enfrentar os verdadeiros grandes problemas, não há substância, compromisso ou determinação para enfrentá-los, e isso é realmente dececionante”, criticou Chris Packham

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Calor de até 40 graus coloca mais de 73 milhões de pessoas em alerta nos EUA


Várias cidades do nordeste dos Estados Unidos foram colocadas esta quarta-feira em alerta devido à onda de calor que, segundo as previsões oficiais, será longa, com temperaturas perto dos 40 graus e afetando mais de 73 milhões de pessoas.

Na sua última atualização, citada pela agência espanhola de notícias, a Efe, o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) afirmou que "são prováveis recordes diários generalizados de calor durante o dia, com a possibilidade de alguns recordes mensais".

O NWS advertiu também que "a chegada antecipada do calor, a sua persistência durante vários dias e os ventos fracos aumentarão o perigo para além do que os valores exatos das temperatura sugerem", e acrescentou que as temperaturas máximas deverão situar-se entre os 37,8 e os 40,5 graus Celsius.

As regiões mais afetadas pela onda de calor a partir de hoje e durante os próximos dias serão os Grandes Lagos, o vale do rio Ohio e a Nova Inglaterra.

A cidade de Chicago está no nível 4 de risco, o mais elevado, e considerado extremo, segundo o NWS.

Outras cidades na mesma categoria são Cincinnati ou Toledo, em Ohio; Grand Rapids, em Michigan; Louisville, em Kentucky; ou Cedar Rapids, em Iowa.

Nos próximos dias, outras grandes cidades como Washington, Detroit (Michigan), Cleveland ou Columbus (Ohio), Pittsburgh (Pensilvânia), Indianapolis (Indiana) ou Nashville (Tennessee) também atingirão esse nível.

A governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, aconselhou as pessoas a "manterem-se hidratadas, evitarem atividades físicas excessivas ao ar livre e, se necessário, visitarem um abrigo meteorológico próximo".
Prevê-se que a vaga de calor tenha efeitos não só na saúde pública, mas também na produção industrial e até nas infraestruturas.

O NWS advertiu que "este nível de calor extremo invulgar e/ou prolongado, com pouco ou nenhum alívio durante a noite, afeta qualquer pessoa sem arrefecimento eficaz e/ou hidratação adequada".

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Invasão russa lançou mais 175 milhões de toneladas de CO2 para atmosfera


Bruxelas, 13 jun 2024 (Lusa) - Dois anos de conflito na Ucrânia devido à invasão pela Rússia lançaram mais 175 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, o equivalente às emissões anuais de 90 milhões de automóveis, segundo um relatório divulgado hoje.

De acordo com o relatório, divulgado por uma iniciativa para a contabilização das emissões de gases com efeito estufa em guerra, com o patrocínio do Ministério da Proteção Ambiental e Recursos Naturais da Ucrânia, para a emissão adicional de 175 milhões de toneladas de dióxido de carbono contribuíram “milhares de milhões de litros de combustível utilizados pelos veículos militares, aproximadamente um milhão de hectares de terrenos e florestas incendiados, centenas de estruturas de petróleo e gás destruídas e grandes quantidades de ferro e betão utilizados para fortificar as linhas defensivas ao longo de centenas de quilómetros".

O documento dá conta de que de que estas emissões, comparáveis às produzidas por 90 milhões de automóveis em apenas um ano, aumentam em 32 mil milhões de euros as reparações que estão a ser imputadas a Moscovo para reconstruir a Ucrânia depois da guerra.

Os dados foram recolhidos em grande parte com recurso a informações de satélite do Governo da Ucrânia e outros publicamente disponíveis, já que a verificação no terreno está dificultada e em alguns casos impossibilitada pelas operações militares.

“As imagens de satélite demonstram que houve pelo menos 27.000 incêndios” desde o início da invasão russa e 150 milhões de metros cúbicos de gás desapareceram por causa da ofensiva russa no território ucraniano.

O relatório também dá conta das consequências de desviar voos que atravessavam o território ucraniano e russo desde 24 de fevereiro de 2022, que terão contribuído para mais horas de voo e mais consumo de combustível.

Os investigadores que participaram no estudo alertam também que o aumento do investimento em defesa acarreta consequências ambientais, assim como o transporte de armamento.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Dados da OMM e Copernicus. Mortes associadas ao calor aumentam 30% na Europa


O serviço de observação da Terra da União Europeia, Copernicus, e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) apresentaram uma análise sobre o “stress térmico extremo” que assola a Europa.

O relatório conjunto sobre o estado do clima afirma que a taxa de mortalidade devido ao clima quente aumentou 30 por cento na Europa em duas décadas. 2023 foi o ano de todos os máximos em termos de calor. Onze dos 12 meses registaram temperaturas acima da média no ar e à superfície do mar. Setembro foi mesmo o mês mais quente desde que há registos. Os poluentes que retêm o calor e obstruem a atmosfera contribuíram para elevar as temperaturas na Europa, em 2023, para níveis nunca antes registados. O estudo apurou também que os europeus, ao sofrerem com este calor sem precedentes durante o dia, acumulam stress e as noites tornam-se desconfortáveis.

“O custo da ação climática pode parecer elevado”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, “mas o custo da inação é muito mais elevado”.

Calor e chuva intensos
Durante o ano passado, as temperaturas na Europa estiveram acima da média durante 11 meses de 2023. O mês de setembro foi considerado o mais quente desde que há registo, de acordo com o estudo. Neste ciclo de altas temperaturas, o clima quente e seco facilitou a propagação de grandes incêndios, que por sua vez saturaram a atmosfera das cidades com a grande quantidade de fumo espalhado no ar. Portugal, Espanha e Itália são os países europeus identificados como os mais fragilizados pela seca. A Grécia está apontada como tendo sofrido o maior incêndio florestal registado na UE, com 96 mil hectares de área ardida. Mas não é só o calor a provocar desastres. As chuvas intensas também causaram inundações mortais por toda a Europa. Em 2023, o território europeu teve um aumento de sete por cento de precipitação, relativamente à média dos últimos 30 anos.

O relatório conclui que um terço da rede fluvial ultrapassou o limiar “alto” de cheias. Um sexto atingiu níveis “severos”. "A temperatura média da superfície do mar em toda a Europa foi a mais alta já registada, e os Alpes viram perda excepcional de gelo", reporta o estudo.

“Em 2023, a Europa testemunhou o maior incêndio florestal alguma vez registado, um dos anos mais chuvosos, fortes ondas de calor marinhas e inundações devastadoras generalizadas”, sublinhou Carlo Buontempo, diretor do serviço de alterações climáticas Copernicus, citado no jornal britânico The Guardian. Os glaciares dos Alpes perderam dez por cento do volume nos últimos dois anos.“As temperaturas continuam a aumentar, tornando os nossos dados cada vez mais vitais na preparação para os impactos das alterações climáticas”, acrescentou. O relatório não forneceu dados sobre o número de mortes causadas pelo calor em 2023, mas estima que houve mais 70 mil óbitos extra em 2022.

Friederike Otto, cientista climática do Imperial College London, não esteve envolvida no relatório mas admite que o “número de mortes relacionadas com o calor em 2023 provavelmente terá sido maior”.“Para muitas destas mortes, o calor adicional causado pelas emissões de combustíveis fósseis teria sido a diferença entre a vida e a morte”, adverte Otto. Ana Raquel Nunes, professora assistente de saúde e ambiente na Universidade de Warwick, externa ao estudo acentua que é “imperativo tomar medidas urgentes para proteger a saúde e incluí-la na política climática”.“Qualquer coisa menos do que isso significaria negar às gerações futuras a proteção e a previsão que merecem”, remata.

quinta-feira, 21 de março de 2024

Energia nuclear para descarbonização da Europa é desnecessária


O prolongamento da vida útil da energia nuclear na Europa é desnecessário para a descarbonização, indica um relatório do Gabinete Europeu do Ambiente (EEB, na sigla original), ontem divulgado.

Segundo as conclusões do EEB, que junta 180 associações ambientalistas de 38 países, as energias renováveis, a poupança de energia e opções de flexibilidade podem substituir a energia nuclear, sendo viável a eliminação gradual da “frota nuclear envelhecida da Europa e alcançar a neutralidade carbónica até 2040”.

O relatório é divulgado na véspera de uma cimeira em Bruxelas sobre energia nuclear, que junta dirigentes políticos e empresas, para debater o papel da energia nuclear na redução dos combustíveis fósseis, aumentando a segurança energética e o desenvolvimento económico.

A cimeira será copresidida pelo primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, e pelo diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi e surge na sequência da inclusão do nuclear na declaração da cimeira da ONU sobre o ambiente que decorreu no final do ano passado no Dubai (COP28), admitindo a energia nuclear como fonte de energia com baixas emissões de dióxido de carbono.

No entanto, de acordo com o relatório do EEB, a construção de novas centrais nucleares é “uma estratégia irrealista para a descarbonização”.

Porque tem custos muito elevados e a construção é demorada está também em debate o prolongamento da vida das atuais centrais nucleares, algo que o relatório do EEB também contraria.

O documento mostra “que a atual frota nuclear pode ser eliminada gradualmente, a par dos combustíveis fósseis, à medida que os países da União Europeia (UE) transitam para um sistema energético drasticamente mais eficiente, alimentado por energias renováveis e apoiado por opções de flexibilidade”.

“À medida que as energias renováveis crescem e a procura de energia diminui, o papel da energia nuclear na Europa torna-se redundante. Veja-se o caso de Espanha, onde o aumento da energia eólica, solar e hídrica fez baixar os preços da eletricidade e obrigou as empresas de energia a suspender a energia nuclear para evitar perdas financeiras”, acrescenta.

O EEB salienta que a frota nuclear da UE está envelhecida, que todas as centrais, exceto duas, foram construídas antes de 2000, e que sem extensões de prazo a maioria das centrais deve encerrar até 2030. Segundo o organismo europeu, a contribuição da energia nuclear para o cabaz elétrico está em declínio na UE e os custos a aumentar.

O relatório conclui que os esforços de descarbonização dos Estados membros da UE devem dar prioridade à redução do consumo de energia na indústria, nos edifícios e nos transportes, ao mesmo tempo que aumentam a implantação das energias renováveis.

Por causa da cimeira, uma coligação internacional de ativistas vai organizar uma manifestação de protesto em Bruxelas. A organização ambientalista Greenpeace UE diz em comunicado que os ativistas protestam contra o que consideram “contos de fadas nucleares”.

Esta semana, mais de 500 organizações de todo o mundo assinaram uma declaração anti-nuclear, defendendo “energia segura, acessível e amiga do clima para todos”, e apelando aos governos para que não desperdicem tempo e dinheiro com esses “contos de fadas”.

Outra organização ambientalista, que junta associações europeias, a “Climate Action Network” (CAN Europe) apresenta também um documento segundo o qual a energia nuclear é “uma perigosa distração” da transição para um sistema energético baseado em energias renováveis, “e ameaça atrasar a urgente eliminação progressiva dos combustíveis fósseis”.

“Vemos com crescente preocupação o renascimento da energia nuclear”, diz Thomas Lewis, da CAN Europe, frisando que as energias renováveis são o substituto mais barato, mais rápido e mais viável para os combustíveis fósseis.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Petrolíferas europeias e americanas lucram 260 mil milhões de euros desde invasão da Ucrânia

Desde que a Rússia invadiu a vizinha Ucrânia em fevereiro de 2022, as maiores petrolíferas norte americanas e europeias já lucraram perto de 260 mil milhões de euros, revela a mais recente análise da ‘Global Witness’.

O trabalho refere-se às cinco maiores empresas de combustíveis fósseis dos Estados Unidos da América e da Europa: Shell, BP, Chevron, ExxonMobil e TotalEnergies. A organização não-governamental aponta, em comunicado, que essas entidades “pagaram 200 mil milhões de dólares [cerca de 185 mil milhões de euros] aos seus acionistas desde a invasão da Ucrânia, canalizando dinheiro para os investidores enquanto mais de 10 mil civis ucranianos eram mortos e milhões de famílias por toda a Europa tinham dificuldades em manter as luzes acesas”.

Quadro mostra os lucros trimestrais e totais das cinco maiores empresas de combustíveis fósseis nos EUA e na Europa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.Fonte: Global Witness

A ‘Global Witness’ recorda que as empresas de combustíveis fósseis logo em 2022 tinham conseguido “lucros record às custas do aumento dos preços da energia”, tendo entregado aos seus acionistas “uns sem precedentes 111 mil milhões de dólares [cerca de 103 mil milhões de euros] em 2023”.

“No ano mais quente de que há registo, este valor é quase 158 vezes mais do que o que foi prometido às nações vulneráveis na cimeira climática COP28 no ano passado”, diz a organização.

Assim, contas feitas, desde o segundo trimestre de 2022, quando já se sentiam os efeitos do primeiro conflito armado na Europa desde a Segunda Grande Guerra, e até ao quarto trimestre de 2023, a Shell terá registado um lucro total de 59 mil milhões de dólares (cerca de 55 mil milhões de euros), a BP de 35 mil milhões (cerca de 32 mil milhões de euros), a ExxonMobil de 86 mil milhões (cerca de 80 mil milhões de euros), a Chevron de 51 mil milhões (cerca de 47 mil milhões de euros), e a TotalEnergies de 50 mil milhões (cerca de 46 mil milhões de euros).

“Esta análise mostra que, independentemente do que acontece nas linhas da frente, as grandes empresas de combustíveis fósseis são os principais vencedores da guerra na Ucrânia”, afirma Patrick Galey, investigador da Global Witness.

“Acumularam uma riqueza incalculável à custa da morte, da destruição e da subida vertiginosa dos preços da energia”, critica o especialista, acrescentando que os ganhos estão a ser usados para enriquecer os seus investidores e para alimentar novos projetos de exploração de combustíveis fósseis, “que a Europa não precisa e que o clima não consegue suportar”.