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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

“Grândola, Vila Moreira”: Paulo Núncio e a longa tradição de iliteratura na Direita Portuguesa



Há qualquer coisa de profundamente reconfortante na relação da classe política portuguesa com a cultura. É uma relação de amor à distância, daquelas em que se trocam juras sem nunca se ler a partitura. O político acorda com vontade de demonstrar erudição, vai à gaveta do espírito e retira de lá uma citação ou um verso. O resultado, contudo, costuma assemelhar-se a tentar montar um móvel sem ler o manual: faltam parafusos e a estrutura abana a cada estrofe.

O caso de poesia improvisada mais marcante pertence ao deputado e líder parlamentar Paulo Núncio. Numa tentativa de rebater com ironia as cantorias de protesto do Movimento pela Habitação, o deputado brindou o hemisfério parlamentar com um hino inédito do património imaterial nacional: “Grândola, Vila Moreira”. Ficou a dúvida na bancada: estaria o deputado a tentar homenagear um proprietário rural da província ou terá a sua mente voado para a MPB brasileira? É que a sua tentativa de citar o hino da Revolução parecia a introdução de uma canção perdida de Chico Buarque: “Morena de Angola, que leva o chocalho amarrado na canela…”, ou quem sabe a nostálgica “Morena dos olhos d’água, tira os seus olhos do mar…”. Se Zeca Afonso soubesse que a sua Grândola, Vila Morena terminaria rebatizada com apelido de família abastada e embalada com ritmo de samba, talvez tivesse escrito uma bossa nova sobre o Código do IRS. Fica a faltar ao deputado Núncio concluir o seu concerto, misturando Zeca e Chico numa só estrofe: "Vila Moreira, terra da fraternidade / Tira os teus olhos do mar e vem chocalhar na cidade!".

Antes de ser moda trocar letras de canções no hemiciclo, já em 1982 Leonor Beleza inaugurava esta tradição de hermenêutica criativa ao ler mal uma estrofe do Canto V de Os Lusíadas. A jovem jurista provou, logo aí, que o direito e a literatura partilham de uma enorme elasticidade. Em vez de citar Camões com a devida precisão empírica do homem renascentista (“Vi, claramente visto, o lume vivo”), Leonor Beleza declarou em público: “Vi, raramente visto, o lume vivo”. Ao trocar a clareza pela raridade, a futura ministra não só destruiu o pleonasmo com que o poeta afirmava a certeza científica do Fogo de Santelmo, como transformou o feito dos navegadores num evento de probabilidade estatística. A gafe deu origem ao inesquecível trocadilho dos corredores de São Bento, que celebravam o facto de a governante ter lido a epopeia nacional com uma “raramente beleza”.

Incapaz de falhar uma oportunidade para dar uma lição de rigor, o antigo Presidente Aníbal Cavaco Silva viveu a sua própria tragédia camoniana quando demonstrou hesitação na contagem dos cantos da obra-prima de Camões. A razão para a falha é hoje evidente e puramente púdica. Cavaco, homem de contenção familiar e rigor orçamental, ao chegar ao Canto IX - onde o poeta descreve detalhadamente a Ilha dos Amores e as ninfas desnudadas ao sol -, corou e decidiu simplesmente saltar a página. Para o antigo Primeiro-Ministro, a Ilha dos Amores soava a uma perigosa offshore de afetos desregulados e indisciplina financeira. Na dúvida, fez o que qualquer tecnocrata prudente faria: aplicou uma cativação moral ao Canto IX, reduzindo a epopeia apenas aos cantos que cumprissem o défice e os bons costumes.

E o que dizer do panteão musical de Pedro Santana Lopes? Conhecido como o político mais festivo e boémio da sua geração, Santana elevou a falta de cultura erudita ao estatuto de arte concetual através de dois andamentos memoráveis. No primeiro andamento, em 1990, ao tomar posse como Secretário de Estado da Cultura, revelou aos jornalistas que o seu compositor de eleição era Chopin, destacando com entusiasmo os seus fantásticos “concertos para violino”. O facto de Chopin ter dedicado praticamente toda a sua obra ao piano foi um mero detalhe técnico que o governante fez questão de superar. No segundo andamento, em 2018, para provar que andava a ter aulas de piano, garantiu que não tocava Chopin porque preferia “música romântica” (ignorando que Chopin é o expoente máximo do Romantismo), mas orgulhava-se de tocar Bach: o inimitável “Wohltemperierte Preludium”. O título misturava alemão com latino para definir o singelo Prelúdio em Dó Maior - a primeira peça que qualquer criança aprende na aula de iniciação.

Com este elenco, o parlamento português está finalmente em condições de apresentar uma temporada cultural completa para o próximo debate do Estado da Nação. A abertura ficará a cargo de Paulo Núncio com a sua Morena de Vila Moreira em ritmo de bossa nova; segue-se a leitura dramatizada de Os Lusíadas por Leonor Beleza (com a visão raramente clara do Canto V) e com as tesouradas de censura de Cavaco Silva no Canto IX por excesso de despesa sensual; e o encerramento será entregue a Pedro Santana Lopes, num solo ao piano de um concerto de violino inexistente de Chopin, enquanto murmura em alemão inventado um prelúdio de Bach. A política em Portugal pode não resolver os problemas do país, mas garante-nos sempre uma excelente temporada de comédia.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Secos & Molhados - Sangue Latino


Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido

Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa

Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido

Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa

A música "Sangue latino", dos Secos & Molhados, destaca a resistência e a afirmação da identidade latino-americana diante de influências externas e opressão. O verso “Os ventos do norte não movem moínhos” sugere que soluções vindas de fora não resolvem os problemas internos do povo latino, reforçando a necessidade de buscar força e respostas dentro da própria cultura. Ao repetir “meu sangue latino, minh'alma cativa”, a canção expressa o orgulho de pertencer a esse povo, mas também reconhece a condição de opressão e luta constante.

Lançada durante a ditadura militar no Brasil, a música ganha ainda mais força como símbolo de resistência. Versos como “rompi tratados, traí os ritos” e “o que me importa é não estar vencido” mostram a coragem de desafiar tradições e enfrentar a repressão, mesmo que isso traga sofrimento ou isolamento. A letra mistura sentimentos pessoais e coletivos, abordando culpa, luta e pertença. O “grito, um desabafo” representa a necessidade de se expressar diante da opressão. Assim, "Sangue latino" consolida-se como um hino de resistência cultural e celebração da identidade dos povos latino-americanos, refletindo a sua trajetória de superação.

Sangue Latino - Ney Matogrosso (Por Trás da Canção)
Secos & Molhados - Compilação dos anos 1973 e 1974

terça-feira, 25 de abril de 2023

Música do BioTerra: Chico Buarque - Fado Tropical

Chico Buarque e Carlos do Carmo

Foi bonita a festa, pá! 25 de Abril! Sempre! Chico Buarque agradeceu a Bolsonaro por não ter entregue a ele o Prémio Camões, o maior prémio da literatura em língua portuguesa. “O ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu Prêmio Camões, deixando um espaço para a assinatura do nosso presidente Lula". Como disse o presidente Lula: "Hoje já é outro dia".


Discurso de Chico Buarque na entrega do Prémio Camões

Chico Buarque e Carlos Paredes

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Gil e o premiado fotógrafo Sebastião Salgado unem-se para plantar 1 milhão de árvores

O cantor e compositor Gilberto Gil, em parceria com o fotógrafo Sebastião Salgado e Lélia Deluiz Wanick Salgado, estão reunidos com a incrível missão para plantação de 1 milhão de árvores por ano no país. Tudo isso por meio do Instituto Terra.


O cantor e compositor Gilberto Gil, em parceria com o fotógrafo Sebastião Salgado e Lélia Deluiz Wanick Salgado, estão reunidos com a incrível missão para plantação de 1 milhão de árvores por ano no país. Tudo isso por meio do Instituto Terra.

Com o objetivo de incentivar a luta pelo meia ambiente, Gil também lançou o videoclipe da música “Refloresta”, a sua nova composição criada exclusivamente para a campanha de reflorestação do instituto.

A ideia da entidade é expandir o reflorestamento no Brasil e produzir 1 milhão de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, contando com o auxílio do grupo segurador Zurich, na Fazenda Bulcão, que já possui 120 espécies.

A ação busca falar sobre a importância da recuperação de áreas de floresta degradadas pelo homem e foi oficialmente lançada na noite do último domingo, dia 21.

A sede do instituto de Sebastião Salgado, um dos fotógrafo mais renomeados do mundo, acompanha a situação ambiental do país há tempos, sendo um exemplo vivo de iniciativa de recuperação de áreas desmatadas em nosso território.

De acordo com o instituto, 100 mil mudas já estão sendo plantadas desde novembro do ano passado.

E entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, o plano é plantar 140 mil árvores de 69 espécies.

A Década da Restauração de Ecossistemas como chama a ONU, que ocorre entre 2021 e 2030 é fundamental para o nosso futuro em todo o planeta.

E como diz a música de Gil, “manter em pé o que resta não basta”, seguido pelo verso “o jeito é convencer quem devasta a respeitar a floresta”.

Veja o clipe da canção abaixo:


Manter em pé o que resta não basta
Que alguém vira derrubar o que resta
O jeito é convencer quem devasta
A respeitar a floresta

Manter em pé o que resta não basta
Que a motosserra voraz faz a festa
O jeito é compreender que já basta
E replantar a floresta

Milhões de espécies, plantas e animais
Zumbidos, berros, latidos, tudo mais
Uivos, murmúrios, lamentos ancestrais
Por que não deixamos nosso mundo em paz?

Além do morro, o deserto se alastra
Toda terra, da serra aos confins
O toco oco, casco de Canastra
Onde enterramos saguis

Manter em pé o que resta não basta
Já quase todo o verde se foi
Agora é hora de ser refloresta
Que o coração não destrói

Milhões de espécies, plantas e animais
Zumbidos, berros, latidos, tudo mais
Uivos, murmúrios, lamentos ancestrais
Por que não deixamos nosso mundo em paz?

Manter em pé o que resta não basta
Que alguém vira derrubar o que resta
O jeito é convencer quem devasta
A respeitar a floresta

Manter em pé o que resta não basta
Já quase todo o verde se foi
Agora é hora de ser refloresta
Que o coração não destrói

Que o coração não destrói
Respeitar a floresta
Respeitar a floresta
Replantar a floresta
Que o coração não destrói
E respeitar a floresta
Replantar a floresta
Que o coração não destrói
Que o coração não destrói


Biografia

Página Oficial

sexta-feira, 9 de março de 2018

António Lobo Antunes - Bolero do Coronel Sensível Que Fez Amor em Monsanto

Gustave Courbet - “La Bacchante” (1844-1847)

Eu que me comovo
Por tudo e por nada
Deixei-te parada
Na berma da estrada

Usei o teu corpo
Paguei o teu preço
Esqueci o teu nome

Limpei-me com o lenço
Olhei-te a cintura
De pé no alcatrão

Levantei-te as saias
Deitei-te no banco
Num bosque de faias

De mala na mão
Nem sequer falaste
Nem sequer beijaste

Nem sequer gemeste,
Mordeste, abraçaste
Quinhentos escudos

Foi o que disseste
Tinhas quinze anos
Dezasseis, dezassete

Cheiravas a mato
À sopa dos pobres
A infância sem quarto

A suor, a chiclete
Saíste do carro
Alisando a blusa

Espiei da janela
Rosto de aguarela
Coxa em semifusa

Soltei o travão
Voltei para casa
De chaves na mão

Sobrancelha em asa
Disse: fiz serão
Ao filho e à mulher

Repeti a fruta
Acabei a ceia
Larguei o talher

Estendi-me na cama
De ouvido à escuta
E perna cruzada

Que de olhos em chama
Só tinha na ideia
Teu corpo parado

Na berma da estrada
Eu que me comovo
Por tudo e por nada

In “Eu me comovo por tudo e por nada”, 1992 álbum de Vitorino Salomé, com poemas de António Lobo Antunes

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Música Bioterra- Todo cambia (original Julio Numhauser e Francisco Ibarra)






e outro teledisco Julio Numhauser e seu filho Maciel Numhauser



Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia el más fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante
Aunque esto le cause daño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia, todo cambia
Cambia, todo cambia

Cambia el sol en su carrera
Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
Por mas lejos que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi tierra y de mi gente

Y lo que cambió ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana.

Ouvir também com Mercedes Sosa
Homenagem a Mercedes Sosa - Todo cambia

terça-feira, 11 de setembro de 2012

País de tótós?

Até quando você vai levando "porrada"? 

Será que ainda existe relação entre O medo, a religião, a redução da liberdade e efeitos na cidadania (clica para leres)

 




Leio incrédulo no Fiel Inimigo a seguinte afirmação "Portugal e os maravilhosos tótós" e que "Vivemos numa época em que saltam tótós de todas as esquinas". É um ataque brutal e humilhante a quem é trabalhador, está desempregado e/ou precário. Sobre o corte na TSU, o Diário de Notícias destaca que as "grandes empresas ganham milhões com corte da TSU", o Jornal de Notícias diz que "0,1% das empresas ficam com 800 milhões de cortes nos salários", enquanto o Correio da Manhã escreve que "as grandes empresas ganham com austeridade através da baixa da TSU". No pódio das maiores poupanças ficam Sonae, BCP e EDP.
O Público adianta que a descida da TSU "dificilmente terá os objectivos esperados no combate ao desemprego" e que o "corte na TSU só ajuda um décimo das PME".
É caso para lembrar o Artigo 308. da Constituição República Portuguesa
“Traição à Pátria
Aquele que, por meio de usurpação ou abuso de funções de soberania: 
a) Tentar separar da Mãe-Pátria ou entregar a País estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira todo o território Português ou parte dele; ou
b) Ofender ou puser em perigo a independência do País;
é punido com pena de prisão de 10 a 20 anos.”

15 de Setembro temos que dar uma resposta clara! (clica)

domingo, 8 de outubro de 2006

JP Simões - 1970 (Retrato)

Ligações

Letra
1970 (Retrato)

A minha geração já se calou, já se perdeu, já amuou,
já se cansou, desapareceu, ou então casou, ou então mudou,
ou então morreu; já se acabou.

A minha geração de hedonistas e de ateus, de anti-clubistas,
de anarquistas, deprimidos e de artistas, e de autistas
estatelou-se docemente contra o céu.

A minha geração ironizou o coração, alimentou a confusão,
brincou às mil revoluções amando gestos e protestos e canções,
pelo seu estilo controverso.

A minha geração só se comove com excessos, com hecatombes,
com acessos de bruta cólera, de mortes, de misérias, de mentiras,
de reflexos da sua funda castração.

A minha geração é a herdeira do silêncio,
dos grandes paizinhos do céu,
da indecência, do abuso,
e um belo dia esqueceu tudo e fez-se à vida
na cegueira do comércio.

A minha geração é toda a minha solidão, é flor de ausência, sonho vão,
aparição, presságio, fogo de artifício, toda vício, toda boca
e pouca coisa na mão.

Vai minha geração, ergue a cabeça e solta os teus filhos no esplendor
do lixo e do descuido, deixa-te ir enquanto o sabor acre da desistência vai
corroendo a doçura da sua infância.

Vai minha geração, reage, diz que não é nada assim,
que é um lamentável engano, erro tipográfico, estatística imprecisa, puro
preconceito, que o teu único defeito é ter demasiadas
qualidades e tropeçar nelas.

Vai minha geração, explica bem alto a toda a gente que és por demais
inteligente para sujar as mãos neste velho processo, triste traste de Deus,
de fingir que o nosso destino é ser um bocadinho melhores do que antes.

Vai minha geração, nasceste cansada, mimada, doente por tudo e por nada,
com medo de ser inventada, o que é que te falta agora que não te falta nada?
Poderá uma pobre canção contribuir para a tua regeneração
ou só te resta morrer desintegrada?

Mas, minha geração, valeu a trapaça, até teve graça,
tanta conversa, tanta utopia tonta, tanto copo,
e a comida estava óptima! O que vamos fazer?

A Geração Perdida: Reflexões de JP Simões em '1970 (Retrato)'
A música '1970 (Retrato)' de JP Simões é uma profunda reflexão sobre a geração nascida na década de 1970, marcada por uma série de características e comportamentos que o artista descreve com uma mistura de melancolia e ironia. A letra aborda a trajetória dessa geração, que começou com grandes ideais e terminou em desilusão e conformismo.

JP Simões descreve sua geração como hedonista, ateísta, anarquista e artística, mas também como deprimida e autista. Ele menciona que essa geração se estatelou docemente contra o céu, uma metáfora que sugere que, apesar de seus altos ideais, ela acabou se chocando com a dura realidade. A ironia e o sarcasmo são evidentes quando ele fala sobre como essa geração ironizou o coração e brincou com revoluções, mas no final, se comove apenas com excessos e tragédias.

A letra também critica a hipocrisia e a falta de ação dessa geração, que se tornou herdeira do silêncio e da indecência, esquecendo seus ideais e se entregando ao comércio e ao conformismo. JP Simões questiona se uma simples canção pode contribuir para a regeneração dessa geração ou se ela está destinada a morrer desintegrada. No entanto, ele também reconhece que, apesar de tudo, houve momentos de graça e diversão, sugerindo que, mesmo em meio à desilusão, ainda havia algo de valor.

A música é um retrato sincero e crítico de uma geração que, segundo o artista, nasceu cansada e mimada, mas que ainda tem a chance de reagir e se reinventar. É uma reflexão sobre o que foi perdido e o que ainda pode ser recuperado, um convite à introspecção e à ação.