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domingo, 28 de junho de 2026

Esther Abrami - Transmission

“My grandmother was a violinist but stopped her career when she got married. I know she never imagined that her only granddaughter would take up the instrument she had left behind one day. This piece is my way of continuing her story, whilst also telling my own. ‘Transmission’ is about the passing of music through generations. This is the first time I’ve ever recorded one of my own compositions. Merci Mamie de m’avoir mis ton violon dans les mains.”

“Ma grand-mère était violoniste mais elle a arrêté sa carrière quand elle s’est mariée. Je sais qu’elle n’aurait jamais imaginé que sa seule petite fille, des années plus tard, reprenne l’instrument qu’elle avait elle-même délaissé. Cette pièce est ma manière de continuer son histoire, tout en inscrivant la mienne. Transmission parle de la passation de la musique entre les générations. C’est la première fois que j’enregistre l’une de mes compositions. Merci, Mamie, de m’avoir mis ton violon dans les mains.”


A avó de Esther, Françoise Abrami era uma violinista muito talentosa, mas, seguindo os costumes rígidos da sua época, abandonou totalmente a prática e a perspectiva de uma carreira musical assim que casou. A ligação entre as duas começou muito cedo: quando Esther tinha apenas três anos, a avó Françoise deu-lhe o seu próprio violino, que conservava com todo o carinho. Embora Esther só tenha começado a estudar o instrumento a sério por volta dos dez anos, o impacto de ter recebido aquele objeto tão cheio de história moldou o seu destino. 
Infelizmente, a avó Françoise já faleceu, mas a sua memória e o seu sonho continuam bem vivos a cada nota de "Transmission".

Biografia de Ilse Weber

Página Oficial

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Padre alemão descobre na internet que é neto de Heinrich Himmler, o 'arquiteto' do Holocausto


German pastor Henrik Lenkeit was shocked to discover his grandfather was top Nazi politician Heinrich Himmler through a World War II documentary. Himmler, Hitler’s deputy and a main architect of the Holocaust, was involved in an affair with Lenkeit’s grandmother that led to two children, one of whom was Lenkeit’s mother. He told 10 News+ the discovery was psychologically devastating, and he now speaks out against antisemitism, decrying everything his grandfather stood for.

Henrik Lenkeit viveu 47 anos sem saber que era familiar do braço direito de Hitler, um dos homens mais cruéis da Alemanha nazi.

Henrik Lenkeit, pastor evangélico alemão, descobriu no ano passado, aos 47 anos, que é neto de Heinrich Himmler, braço direito de Hitler e um dos arquitetos da 'Solução Final' do Terceiro Reich, que levou à morte de milhões de judeus, ciganos, homossexuais e dissidentes políticos durante a Segunda Guerra Mundial. Ficou em choque e ainda não acredita que a sua avó tenha sido amante de "um monstro assassino nazi", conforme contou numa recente entrevista à 'Sky News'.

Lenkeit viu um documentário sobre nazis e depois procurou mais informação online. Foi aí, na Internet, que se deparou com uma fotografia da avó materna, Hedwig Potthast, com a legenda "amante de Himmler".

Depois descobriu que Himmler era, nada mais, nada menos, que o pai biológico da sua mãe. E ficou em choque. "Como é que se processa que és familiar de um dos maiores criminosos da história? Não processas", admitiu. "Quem sou? Quem eu era? Por que não me disseram a verdade durante 47 anos? A minha vida foi uma mentira!"

Mais a frio, Lenkeit reconheceu que os pais quiseram na realidade protegê-lo da verdade. A avó tinha sido secretária pessoal de Himmler, acabando depois por se tornar sua amante. "Ela era uma pessoa muito carinhosa, nunca pensei que pudesse ter sido amante de um assassino."

O pastor evangélico acredita que a avó conhecia os crimes cometidos por Himmler. "Eles eram amantes. Amantes monstruosos", acrescenta, mostrando-se horrorizado com a sua herança genética. "Pergunto-me qual é a minha herança de tudo aquilo?"

Henrik não hesita em considerar o avô "um assassino em massa", "maléfico" e "demoníaco". "Todas as coisas más que se possa imaginar. Homem de confiança de Hitler... É meu avô e não há nada que eu possa fazer em relação a isso."

quarta-feira, 21 de maio de 2025

O genocídio

Genocídio no Ruanda

O genocídio infelizmente não é novidade. A história humana está repleta de histórias de vingança, diferenças religiosas ou sociais ou competição por terras. Exige que um grupo seja visto como menos que humano. A vítima não deve ter qualquer mérito ou importância. O genocídio vitorioso deve centrar-se nas mulheres e nas crianças; é um requisito. São o futuro da vítima e devem ser mortos, degradados, levados para a selva, enlouquecidos. Genocídio não é guerra. É o mal mais tóxico da alma humana.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Do vermelho para o cinzento-escuro


Os resultados eleitorais no concelho e na península de Setúbal revelam a verdadeira chave de leitura destas eleições. Uma leitura que tem de ir para além do imediato. Tem de compreender e integrar as tendências de fundo. Deve articular-se com a mudança das placas tectónicas eleitorais nos países ocidentais. Dos EUA, ao resto da União Europeia.

Se a nível nacional foi a AD que ganhou as eleições, a vitória do Chega na região de Setúbal diz-nos muito mais sobre o que poderá suceder no país a médio prazo. Tal como sucedeu nas regiões industriais dos EUA, onde a esquerda do partido Democrata preponderava e agora campeia o trumpismo, ou nas áreas mais industrializadas de Itália, França e Espanha, onde os partidos comunistas e socialistas clássicos eram preponderantes, e agora são as forças de extrema-direita que se tornaram hegemónicas, parece ter chegado a vez de Portugal colocar a extrema-direita à frente em distritos que, tradicionalmente, estavam pintados a vermelho, ou vermelho e rosa. A pior coisa que se pode fazer, por ser intelectualmente arrogante e um total erro de análise, é culpar os eleitores. O crescimento do Chega em Portugal, como o do Vox em Espanha, o do Reagrupamento Nacional em França, o da AfD na Alemanha, ou o dos Irmãos de Itália da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, são, na sua essência, uma consequência e não uma causa.

Em todo o Ocidente, começando como sempre nos EUA, o debate político foi sendo transformado num espetáculo. As ideias foram substituídas por slogans publicitários. Os conselheiros políticos deram lugar a agências de comunicação que mudam a maneira de vestir e de falar dos candidatos. Os próprios partidos deixaram de ser os sujeitos do jogo político, para serem apenas os meros promotores de “candidatos a primeiro-ministro”, transformando as eleições para os parlamentos em castings de bem-parecer e charme. Veja-se como a AD fez destas eleições uma batalha para referendar em eleições as falhas éticas de Luís Montenegro, numa total falácia entre justiça e popularidade eleitoral. Não admira que à frente dos partidos se tenham posicionado, não os mais experientes e competentes, mas os mais aliciantes, fotogénicos e empáticos.

A substância das eleições perdeu a sua componente semântica, para se transformar num debate entre personalidades, com uma componente emocional cada vez mais fundamental. Não foi o Chega sozinho que esvaziou a campanha de temas essenciais para o futuro de Portugal: o alinhamento de Portugal e da União Europa numa guerra perdida, que pode escalar para o apocalipse nuclear; a loucura de pensar que o futuro da UE se encontrará numa corrida aos armamentos, aumentando as dívidas públicas, a desigualdade e a degradação dos serviços de saúde, educação e transportes, assim como da própria segurança social. Em 2014 e 2019 escrevi dois livros onde demonstrei que, sem uma reforma profunda da zona euro, Portugal e outros países seriam esmagados e condenados a uma austeridade perpétua. O que aconteceu desde aí? O PS, a AD e o resto dos partidos “responsáveis” continuam a tratar a UE como uma “vaca sagrada”, ao ponto de António Costa ter trocado a sua maioria absoluta de 2022 por um lugar à frente do, cada vez mais patético, Conselho Europeu.

O Chega cavalgou com maestria esta tendência. André Ventura – um génio na gestão das imagens, das emoções e do carisma – transformou a política portuguesa num grande Reality Show, num Big Brother a tempo inteiro. Quanto mais os problemas de degradação da qualidade básica de vida dos portugueses aumentavam, devido aos desastres acumulados pelo PS e AD na promoção de crises – apresentadas por esses partidos como sucessos – na habitação, na saúde, na educação na precarização do emprego, mais Ventura não só referia esses temas como procurava apresentar uma causa fácil de identificar para eles, à altura de um Big-Brother. Para Ventura e o Chega, a culpa da degradação da qualidade de vida e da crescente desigualdade no nosso país, não reside na submissão da UE aos EUA e ao grande capital financeiro, numa união monetária construída sobre bases injustas, transformando uns países em filhos e outros em enteados, numa guerra contra a Rússia que está a autodestruir a economia europeia e as bases do seu futuro. Não, para Ventura e o Chega, a causa é próxima e tem rostos concretos: são os ciganos, são os imigrantes, são aqueles cuja existência é considerada como um insulto a preconceitos sinistros e desumanos, que são apresentados como se fossem valores. Ao fazer essa grotesca fulanização das causas do mal-estar social de muitos milhões de portugueses, Ventura e o Chega sabem que estão a arrastar para o seu lado, as forças viscerais da agressividade e do ódio. Estão a fazer um pacto com o diabo. Tudo indica que essa via rápida para a terra prometida do poder político, não lhes causa quaisquer problemas de consciência.

Em 1933, quando Hitler chegou ao poder por via eleitoral, para destruir a República de Weimar e instaurar a ditadura nazi, também a política já havia sido transformada num processo de escolha emocional e encenada com talento dramático e artístico de um chefe providencial. O povo alemão, “povo de poetas, músicos e filósofos”, corroído pela fome e desemprego do colapso do capitalismo financeiro iniciado em 1929, também deixou de discutir a luta de classes e as culpas do capitalismo, para se concentrar na minoria judaica como bode expiatório. O “império de mil anos”, prometido por Hitler, terminou doze anos depois, num inferno de sangue e fogo.

Ainda vamos a tempo de evitar sequelas desses tempos sinistros em Portugal e na Europa. Mas, para isso, importa reinventar a política como um assunto sério, fundado no conhecimento racional e na competência. Orientada pela resolução dos problemas das pessoas, numa perspetiva de justiça e do primado do bem comum. Visando também o longo prazo, para que as decisões de hoje não deixem um mundo em ruínas e desertificado como casa hostil das gerações futuras.

sábado, 10 de maio de 2025

A vergonha absoluta


"Acho que nunca escrevi um artigo em estado de maior indignação. O que se passa em Gaza e no território da Autoridade Palestiniana convoca não só a política, a geopolítica, as relações de forças entre Estados, o mundo do “Ocidente” e do Oriente, todos os conflitos em curso, o “Sul global”, o papel das Nações Unidas, mesmo o direito internacional, convoca tudo o que quiserem, mas tudo está abaixo de um repto moral, de uma obrigação de falar, de um dever de protestar e actuar perante um massacre cruel, diante dos nossos olhos, de um povo, o palestiniano. Só conheço uma comparação para esta indiferença, vergonhosa e também, ao mesmo tempo, a mais certeira e, num certo sentido, a mais diabólica: o encolher de ombros de todos os que sabiam que o Holocausto estava em curso – e havia muitos altos responsáveis entre os inimigos dos alemães que sabiam – e nada fizeram.

E não me venham com a história do anti-semitismo, que é um argumento insultuoso para justificar os crimes de Israel, da mesma natureza que o canto “desde o rio até ao mar” serve para justificar o massacre do Hamas. Estão bem uns para os outros.

Já sabemos que tudo começou com um massacre perpetrado pelo Hamas e que devia ter uma resposta israelita dura, como teve. Mas o que se passa nos dias de hoje é outra coisa, é outro patamar político, racial, nacional, que nada tem a ver com uma resposta com qualquer racionalidade militar para combater o Hamas. É uma política de destruição em massa de um povo e do seu “lugar”, e conheceu mais um agravamento na semana passada, com o anúncio da anexação de mais uma parte do território de Gaza ao Estado de Israel. Trata-se, certamente, de preparar a “Riviera” que um Presidente demente diz querer fazer. Bastava esta declaração de Trump, com a aquiescência cínica e interesseira de Bibi, para nós percebermos o grau de loucura que está à frente da maior potência mundial.

Ah! Sim, muita gente diz-se preocupada todas as vezes que Trump abre a boca, ou move as mãos para fazer aquela assinatura infantil em mais uma ordem executiva à margem da Constituição e dos poderes do Congresso, mas isso não chega. Em particular, não chega para a hipocrisia moral de muitos países da União Europeia, como Portugal, que nem sequer o passo de reconhecer o Estado palestiniano são capazes de dar. É uma atitude quixotesca? Se for levada a sério, com a instalação de embaixadas no novo Estado, a assinatura de acordos económicos, políticos e militares, com um Estado soberano, então a coisa fia mais fino. Acresce que Israel, violando todas as regras do direito internacional, conduzindo um massacre quotidiano, não tem sanções.

No entretanto, todos os dias se mata gente inocente, crianças, mulheres, velhos, sem sequer qualquer racionalidade militar que não seja destruir, matar ou atirar para fora da sua terra milhões de pessoas, para depois terraplanar as ruínas e lá instalar colonos israelitas, os mesmos que andam também a matar palestinianos nas terras da Autoridade Palestiniana, a base eleitoral dos partidos da extrema-direita que estão no governo de Bibi. Quem acredita que o que Bibi quer é dar a Trump os hotéis de luxo e as praias da costa de Gaza para fazer vários Mar-a-Lago, e que alguma vez alguém vai lá por o seu rico dinheiro para fazer uma estância turística, rodeada, por terra, por três muros e um pequeno exército de segurança e, por mar, por patrulhas em lanchas, está tão demente como Trump. Não é o caso de Bibi que quer outras coisas, todas locais, todas no Médio Oriente, todas culminando num ataque ao Irão. Para isso, ele até é capaz de construir a tal Riviera vazia de gente, como as aldeias Potemkin em cartão, deslocadas de quarteirão em quarteirão, para a glória de Trump e depois, conseguindo o que quer, trazer o seu eleitorado de extrema-direita para tomar banho na sua Riviera.

E, já agora, não convinha perguntar, em plenas eleições, algo de verdadeiramente importante ao PS, ao PSD, ao CDS, ao Chega, por aí adiante, se, chegando ao Governo, estão dispostos a reconhecer o Estado palestiniano, estão dispostos a impor sanções a Israel e a usar todos os meios ao dispor de um Estado da União Europeia para punir os criminosos? E, para além disso, o que é que eles acham do que se está a passar com as crueldades de Israel em Gaza?

As respostas seriam até uma razão bem mais sólida e moral para decidir o voto."

P.S. Historiador que é, tem obrigação, todos temos, de saber que um 6 de outubro de 2023 existia, e que já nesse 6 de outubro a ocupação criminosa da Palestina conhecia novos picos de brutalidade. Que nunca deixou de conhecer desde 1948. Sem essa percepção, sem esse reconhecimento dos muitos crimes hediondos dos últimos 77 anos, nunca o povo palestiniano conhecerá justiça.

sábado, 9 de novembro de 2024

Make America Great Again!


The worst Holocaust in all of Human History
The American Holocaust consisted of the genocide of 100 million indigenous and native Amerindians
Dismantling The Empire is the only way to save America!~ Jill Stein

sexta-feira, 8 de março de 2024

Pacheco Pereira - Tanta verdade junta mereceu publicação


Não resisti a não publicar o vídeo do programa de Miguel Sousa Tavares, a 5ª Coluna, exibido em 07/03/2024. Nem sempre concordo com o MST mas, desta vez, todos os assuntos tratados são de uma atualidade candente e foram abordados contra a corrente das ladaínhas dos jornaleiros serventes das narrativas do poder dominante.

O primeiro assunto é do âmbito da política nacional e tem a ver a queda do governo de António Costa. Em véspera das eleições de dia 10, ainda o Ministério Público não informou os portugueses sobre o que de errado fez o ex-primeiro ministro, de que é acusado, que indícios existem contra ele, etc. Aliás, a revista Visão publicou, também nessa data, um artigo em que revela que o próprio Ministério Público não tem indicios de crime, nos dois casos que levaram às buscas que deram origem ao comunicado que fez cair o Governo:

“Ao fim de quatro anos de investigação e milhares de escutas telefónicas, o Ministério Público (MP) admitiu não ter a certeza de que foram praticados crimes nos casos do lítio e do hidrogénio, assim como noutras situações que envolvem antigos ministros, como João Galamba e João Matos Fernandes. Quando separaram as investigações por processos autónomos, os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) assumiram estar ainda por “comprovar a existência de indícios da própria ocorrência de crime” naquelas duas situações, o que carecerá de análise necessariamente mais demorada”, acrescentaram”. (Visão, 07/03/2024).

MST pergunta, e eu também pergunto: como pode a justiça fazer cair um governo sem ter nada de sólido e concreto para acusar o chefe e outros membros do governo?! Um golpe de estado para levar o Chega e companhia ao poder? Quem sabe.

O segundo assunto é o horror dos crimes que Israel está a cometer na faixa de Gaza, nomeadamente contra crianças. MST compara, sem pejo, os crimes de Israel aos crimes dos nazis contra os judeus nos campos de concentração e no gueto de Varsóvia.

O terceiro assunto é sobre a guerra na Ucrânia e sobre as loucas decisões belicistas dos líderes europeus, com Macron à frente, que querem aumentar as despesas com armamento à custa do definhamento do estado social, e que ainda sonham com a possibilidade de derrotar a Rússia e sacarem-lhe os seus vastos recursos. Ora, qualquer mentecapto sabe que atacar a Rússia equivale a desencadear a III Guerra Mundial, mas é para esse cenário de morte e destruição do planeta que os líderes europeus nos estão a conduzir.

Por tudo isto, vejam o vídeo. MST das poucas vozes que ainda vai tendo espaço, na comunicação social de larga audiência, para expressar, de quando em quando, algum ruído nas narrativas dominantes que nos servem diariamente, em catadupa, por vezes quase até ao vómito.

Podem ver o vídeo aqui.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Israel declara Lula como “persona non grata” por comparação de ação de Israel em Gaza com Holocausto



O governo de Israel declarou, nesta segunda-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “persona non grata”. A decisão foi tomada após o líder brasileiro comparar as ações de Israel na Faixa de Gaza com o extermínio judeu pela Alemanha nazi.

"Não perdoaremos e não esqueceremos — em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao Presidente Lula que ele é uma 'persona non grata' em Israel até que ele peça desculpas e se se retrate", escreveu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, nas redes sociais.

A expressão “persona non grata” é um instrumento jurídico utilizado em relações internacionais para indicar que um representante oficial estrangeiro não é mais bem-vindo.

Katz ainda afirmou que "a comparação do presidente brasileiro Lula entre a guerra justa de Israel contra o Hamas e as ações de Hitler e dos nazistas, que exterminaram 6 milhões de judeus, é um grave ataque antissemita que profana a memória daqueles que morreram no Holocausto".

Em viagem a Etiópia no último final de semana, Lula definiu os ataques de Israel em Gaza como “genocídio” e “chacina”. Ele ainda cobrou uma postura diferente do Conselho de Segurança da ONU.

"O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus", disse Lula.

Além disso, o ministro das Relações Exteriores de Israel convocou o embaixador do Brasil para uma reunião para debater a declaração de Lula.

Ler mais:

sábado, 9 de dezembro de 2023

The 12 Early Warning Signs of Fascism


An appropriate time to revisit this sign from the U.S. Holocaust Museum, written by political scientist Laurence W. Britt, listing what to look for if you’re worried that your country may be slipping into fascism.

He is the author of Fascism, Anyone? 2003

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Hear the joy and resilience in the music of Terezin at Boston concert

Eighty years ago, when Ilse Weber was imprisoned at Theresienstadt, the young poet and author of popular children’s books composed “Wiegala,” a melodious lullaby with rhyming verses.

The soothing song gave hope and joy to the young children who were also held captive at the Nazi labor camp in the former Czechoslovakia.

Children performed the song, along with others Weber and other musicians composed in concerts that were sanctioned by the Nazis in charge of the camp. Performances were staged for foreign officials and the International Red Cross, part of a sinister ruse to hide the harsh reality of the camp (also known as Terezin) where more than 35,000 Jews died of malnutrition and 88,000 were deported to death camps.

Now, “Wiegala,” along with two of Weber’s other compositions, will ring out from the stage of Symphony Hall at the Terezin Music Foundation’s Nov. 19 annual gala concert.

Women Artists of Terezin: Until the Song Dissolves These Walls” is being produced and directed by Mark Ludwig, founder and director of the Boston-based foundation. The title is a line from one of Weber’s poems.

The performance features the work of women composers from Terezin championed by Ludwig, a widely acclaimed scholar of music during the death camps and author of “Our Will to Live: The Terezin Music Critiques of Viktor Ullmann.”

Weber’s music is lyrical and captivating, Ludwig told the Journal. “She has a feel for the marriage of words and music, an array of emotions that express longing as well as uncertainty.”

World acclaimed pianist Simone Dinnerstein will perform works by Francois Couperin, Robert Schumann, and Philip Glass.

Cantor Shanna Zell, of Temple Beth Elohim in Wellesley, is the soloist for Weber’s compositions, accompanied by the Brookline High School Camerata under the direction of Michael Driscoll.

Susan and Alan Solomont, Boston-area philanthropists, will receive the Terezin Legacy Award for their support of Holocaust remembrance. Alan Solomont is a former U.S. Ambassador to Spain and Andorra; Susan Solomont, a longtime advocate of women’s causes, is the author of the widely acclaimed book, “Lost and Found in Spain.”

During the concert’s narrative portions, Ludwig, Boston Symphony Orchestra violist emeritus, will shed light on the noteworthy contributions women artists made at Terezin.

Ludwig has been struck by the wide range of the composers, choreographers, and singers from across the spectrum who were central figures in Terezin’s cultural community.

“It’s a remarkable testimony to their talents and generosity of spirit. They wanted to be part of the fabric of that community that was under great duress,” he said.

Weber worked as a nurse in the children’s infirmary at Terezin. She, along with fellow prisoners Regina Jonas – the first woman to be ordained a rabbi – and Friedl Dicker-Brandeis, who taught art to the children, provided comfort and support in those darkest of times.

“It was a form of healing and art as a therapeutic agent,” Ludwig underscored.

Weber was killed on Oct. 6, 1944, at Auschwitz-Birkenau, along with her youngest son, when the 41-year-old volunteered to accompany a transport of children to the death camp. Her husband, Willi, survived Auschwitz. Before the family was deported to Terezin, she had arranged through a friend for their older son, Hanuš, to be rescued from Prague.

Dicker-Brandeis and Jonas also were murdered at Auschwitz.

“One can only imagine what these songs meant to the prisoners,” Ludwig said. “In turn, it’s the gift of giving back to us to show how much music and the arts mean in our day-to-day survival.”

It was precisely the power of this music and Ludwig’s devotion to sharing it anew that turned Susan Solomont into a champion of the foundation.

At the request of a close friend who’s on the foundation’s board, Solomont agreed to meet with Ludwig. She was deeply moved by his decades-long devotion to recovering and performing this music across the globe, she told the Journal.

“To have such beauty come out of such an awful place like Terezin, this is music that people need to hear and to understand,” she recalled.

The timing proved significant. Alan Solomont was recently invited by President Biden to join the board of directors at the United States Holocaust Memorial Museum in Washington, D.C.

Susan Solomont said that as she’s listened more closely, her appreciation for the music has deepened. While some may be concerned that the music will be too sad, she encouraged them to come to the concert.

“It’s inherent upon us to keep this culture alive,” she said. “It’s an opportunity to come together as a community to understand the beauty and resilience that can be created during tragedy.

“Terezin stands for that.”

domingo, 17 de setembro de 2023

Elon Musk- o Imperador do séc. XXI


Musk é um perigo para o mundo… Vale a pena ler.
A questão foi colocada por Elon Musk a Walter Isaacson, cuja biografia de Musk deverá ser publicada na próxima semana. Refere-se à Ucrânia e às questões sobre se Musk ordenou o encerramento do seu sistema de Internet Starlink para evitar que fosse usado num ataque potencialmente humilhante à frota russa do Mar Negro pelas forças ucranianas. Musk nega ter feito isso.
É Musk quem possui o Twitter/X, e em breve será, sem dúvida, uma força na IA, e quem usará todo o seu poder para garantir que a estrutura ética que as mídias sociais e a IA habitam não será “wake” – ou seja, desperta para justiça racial e social, e ficará bem, algo bem menos humano, agradável e seguro. 
 Artigo [Independent]
Outras corporações: Boring Company e Neuralink

Elon Musk - o eugénico sucessor de Hitler

A Eugenia foi uma corrente científico-filosófica inventada por Francis Galton em 1883, inspirada na Teoria da Evolução de Charles Darwin. Basicamente, admitia que havia raças superiores e que era possível fazer o melhoramento genético humano de forma artificial tal como se faz com os cães. Hitler levou esse pensamento à arte pérfida do extermínio humano de judeus, ciganos e outros grupos étnicos que não encaixassem na sua ideia da raça superior ariana, à qual ele próprio dificilmente pertenceria segundo os seus padrões de selecção. Mas a eugenia não foi inventada por Galton, na verdade é praticada desde tempos imemoriais mas teve o seu apogeu com a expansão marítima europeia, Portugal incluído, em que as "raças inferiores" que os europeus iam encontrando pelo mundo eram escravizadas ou chacinadas como simples animais inumanos. Claro que Darwin não advogava essa atitude e tratou-se de um aproveitamento do seu pensamento sobre a evolução das espécies.
Passado todo este tempo, eis que o homem mais rico do mundo, reconhecido misógino e pessoa sem escrúpulos, vem agora advogar que os mais inteligentes tenham mais filhos como ele, que já tem 11 mas que para ele são só números e alguns até o rejeitam como pai. Se houvesse eugenia para os pais, era capá-lo e coser-lhe a boca!
Artigo [Público]

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Desinformação lida na tuitosfera. Gonçalo Sousa tem 47.000 subscritores no seu canal Youtube!


Dias atrás, um estudo concluiu que a geração actual tem um QI inferior à antecedente: está à vista. Este tipo de afirmações, é muito comum entre a juventude, inclusive a universitária. É lamentável.
Mas vou fazer-lhe a vontade.
Salazarismo! Qualquer pessoa honesta, que estude o modus operandi do aparelho repressivo da ditadura salazarista, sabe que se trata da réplica parola do fascismo. Tinha a PIDE. Salazarismo foi tão maligno quanto o fascismo italiano e se aproximando do nazismo alemão (campos de concentração). O nazismo teve a II Guerra Mundial. O Salazarismo fascista teve a Guerra Colonial.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Novo governo de Israel representa um retorno às raízes fascistas


Com a posse do governo de extrema direita de Israel, o sionismo finalmente abraçou a ideologia fascista que inspirou os principais setores do movimento durante seus anos de formação há um século.

No mês passado, Israel iniciou o que é, de fato, o primeiro governo fascista em sua história.

O Estado de Israel foi o produto do movimento nacionalista judeu oriundo da violência antissemita da Rússia czarista do final do século XIX e início do século XX. Grande parte do mundo, incluindo as comunidades judaicas europeias, se manteve impotente enquanto as milícias cossacas organizadas e outros pogromistas se multiplicavam através dos shtetls judeus ucranianos violando, pilhando e assassinando dezenas de milhares de judeus indefesos.

Um idealista jornalista húngaro desenvolveu um plano para salvar os judeus da Europa Oriental, ameaçados de extinção. Theodore Herzl previu que a pátria judaica se tornaria uma nação próspera para esses milhões, que de outra forma seriam destinados à penúria, privação e morte. Em vez de esperar que o czar e seus capangas selaram o destino desses judeus, Herzl idealizou um êxodo em massa dos judeus dessas terras de aflição para um novo estado que os aguardava.

No início, Herzl viu este estado como um paraíso para os judeus da Europa Oriental que enfrentavam uma grave ameaça. Mas, mais tarde os líderes sionistas desenvolveram uma visão muito mais ampla do futuro, na qual todos os judeus escolheriam ou seriam forçados pela violência sistêmica a buscar refúgio e construir um Estado na Palestina.

O sionismo, na verdade, negou toda a existência de uma diáspora judaica, alegando que os judeus estavam condenados à destruição diante do ódio esmagador dos “gentios”. Este princípio ficou conhecido na ideologia sionista como “negação do exílio“. Seu corolário era um “retorno à história“, significando que o sionismo representava um retorno do povo judeu ao seu legítimo lugar físico e espiritual na terra bíblica de Israel. Isso significava também uma regularização dos judeus, para que em vez de serem fracos, sem esperança e à margem das sociedades diásporas, eles pudessem estar no centro e no controle de seu destino. Esse projeto logo se tornaria bem sucedido — tão bem sucedido que, em muitos aspectos, viria a se assemelhar ao fascismo.

Sionismo e socialismo
Desde o início, o movimento nacional judeu quase ofereceu uma resposta à questão de governar a nova política judaica. A abordagem que dominou as primeiras oito décadas do movimento refletia o modelo socialista, que havia prevalecido na Rússia pós-tsarista e em grande parte da Europa Oriental.

O processo revolucionário que precedeu a revolução bolchevique de 1917 teve um profundo impacto sobre os judeus que aderiram ao movimento sionista. Eles abraçaram valores socialistas e procuraram incorporá-los à nova colônia hebraica: isto é, o valor global do trabalho e do trabalhador; ou, na terminologia da época, “trabalho hebraico“. Talvez o principal exemplo disso tenha sido o movimento coletivista agrícola kibbutz. Eles também exigiam a formação de empresas estatais e a nacionalização da economia, incluindo as principais indústrias.

O oposto do Sionismo socialista era o Revisionismo. Seu fundador, Ze’ev Jabotinsky, defendeu uma forma de nacionalismo judeu militante. Como os socialistas, Jabotinsky era um filho de judeus do Leste Europeu. Mas ele rejeitou os argumentos de Karl Marx e Friedrich Engels. Em vez disso, ele tomou como seu modelo os movimentos populistas e fascistas em ascensão na Itália e na Alemanha. Benito Mussolini era especialmente do seu agrado: ele não tinha ideias explicitamente antissemitas, como Adolf Hitler tinha claramente. Como seu ídolo italiano, Jabotinsky projetou o poder judaico e uma nação judaica unida com a intenção de alcançá-lo.

Ele entendeu que os “árabes palestinos”, como eram chamados, não queriam fazer parte da nova colônia judaica. Ele reconheceu que os judeus eram colonizadores e que seria necessário usar a força para reprimir sua oposição. Nada poderia, a seu ver, impedir o projeto nacional judaico.

Em “O Muro de Ferro” (1923), ele expressa seu desdém pelos habitantes locais:

Culturalmente, eles [árabes palestinos] estão 500 anos atrasados, não têm nossa resistência nem nossa determinação; mas são tão bons psicologicamente quanto nós. . . . Podemos dizer a eles o que quisermos sobre a inocência de nossos objetivos, enfraquecendo-os e adoçando-os com palavras melosas para torná-los palatáveis. Mas eles sabem o que nós queremos, assim como nós sabemos o que eles não querem. Eles sentem pelo menos o mesmo amor instintivo pela Palestina, que os velhos astecas sentiam pelo México antigo, e os Sioux por suas pradarias ondulantes.

No ensaio, ele sugere que existem apenas duas formas de criar o Estado que ele prevê: ou a imposição por potências coloniais, como os britânicos, que promulgaram a Declaração Balfour, exigindo a criação de uma “pátria judaica”, ou pelos próprios sionistas através da força, na forma de um exército judeu. Ele argumenta ainda que é inútil tentar chegar a um acordo com os palestinos. Nenhum compromisso, nenhum entendimento, é possível. Esta tem sido a política dos governos de direita do Likud israelense dos últimos 50 anos.

Jabotinsky prosseguiu:
A colonização sionista deve parar ou então prosseguir, independentemente da população nativa. O que significa que ela pode prosseguir e se desenvolver somente sob a proteção de um poder independente da população nativa – atrás de um muro de ferro, que a população nativa não pode romper…

Não podemos oferecer nenhuma compensação adequada aos árabes palestinos em troca da Palestina. E, portanto, não há nenhuma probabilidade de se chegar a qualquer acordo voluntário. Para que todos aqueles que consideram tal acordo como uma condição sine qua non para o sionismo possam também dizer “Não” e retirar-se do sionismo. 

Neste assunto, não há diferença entre nosso “militarismo” e nossos “vegetarianos”. Exceto que os primeiros preferem que o muro de ferro seja formado por soldados judeus, e os outros se contentam em serem britânicos.

Em 1939, dois meses após o início da Segunda Guerra Mundial, Jabotinsky imaginou uma ordem caótica do pós-guerra na qual milhões de pessoas seriam arrancadas de suas casas centenárias e forçadas a viver em estados étnicos. Ele – com David Ben-Gurion, que escreveu uma carta de 1937 a seu filho defendendo a transferência da população (ou seja, a limpeza étnica) – argumentou: “Eles [árabes palestinos] terão que abrir espaço para os judeus [sobreviventes] e partir, talvez para a Arábia Saudita, com o apoio de um empréstimo internacional”.

Menos de um ano após a morte de Jabotinsky em 1940, a milícia armada Revisionista que havia sido criada como parte de seu movimento se dividiu. O ramo mais violento e radical fundou Lehi, ou a Organização Militar Nacional de Israel (OMNI), que propôs um acordo com os nazistas no qual os judeus palestinos se tornaram um aliado alemão. Em troca, a Alemanha reconheceria um Estado independente na Palestina.

O documento de Lehi em Ankara previa uma aliança entre o novo Estado e os nazistas, baseada na vitória destes últimos na guerra:

A Organização Militar Nacional de Israel, que foi bem recebida com a boa vontade do governo do Reich alemão e de suas autoridades em relação à atividade sionista dentro da Alemanha e aos planos de emigração sionista, é da opinião que:poderiam existir interesses comuns entre o estabelecimento de uma nova ordem na Europa, em conformidade com o conceito alemão, e as verdadeiras aspirações nacionais do povo judeu, tal como são encarnadas pela Organização Militar Nacional de Israel.
A criação do Estado judeu tradicional numa base nacional e totalitária, vinculado por um tratado com o Reich alemão, seria do interesse de manter e fortalecer a futura posição de poder da Alemanha no Oriente Próximo.
Seria possível a cooperação entre a nova Alemanha e um novo hebraico folclórico nacional,

Partindo destas considerações, a Organização Militar Nacional de Israel, sob a condição [de] que as aspirações nacionais acima mencionadas do movimento de liberdade israelense sejam reconhecidas do lado do Reich alemão, se oferece para participar ativamente da guerra do lado da Alemanha.

O termo em itálico acima foi traduzido originalmente do alemão, völkisch-nationalen Hebräertum, como hebraico popular-nacional. Mas creio que os autores Lehi desta proposta procuraram alinhar sua própria visão nacional com a Alemanha nazista e que poderíamos traduzir a frase como um nacional-socialismo hebraico. Apesar de não declarado, este novo Estado militantemente nacionalista trataria a população palestina de forma semelhante ao que era feito com os judeus alemães antes que a política explícita de genocídio fosse promulgada.

Os alemães falharam em cumprir a promessa. Mas isso não abalou a ambição de Lehi de atacar seu inimigo imperial. Em 1943, o futuro primeiro-ministro Yitzhak Shamir comandou uma conspiração que levou ao assassinato do principal diplomata britânico no Cairo, Lord Moyne.

Ao contrário dos guerrilheiros europeus (incluindo judeus da Europa Oriental) que estavam matando soldados alemães, os revisionistas viram seu único inimigo como sendo os britânicos. Os nazistas, no que lhes dizia respeito, eram uma forma de terminar o mandato e conquistar a independência nacional.

Mas à medida que viam a guerra mudar a favor dos Aliados, Lehi se voltou cada vez mais para outro estado totalitário: a União Soviética de Joseph Stalin. Na verdade, os judeus-militantes começaram a usar a frase “bolchevismo nacional hebraico” (um eco inverso do völkisch-nationalen Hebräertum) para descrever sua própria visão para o futuro Estado sionista. Esta vertente do Revisionismo não tinha nenhuma fidelidade absoluta a nenhuma das ideologias. Ela abraçava qualquer uma que parecesse provável sair vitoriosa na época pós-guerra: o vencedor seria aquele que melhor poderia avançar o objetivo do Revisionismo de estabelecer um estado.

Mas havia um princípio subjacente comum a ambos os sistemas: um modelo totalitário de controle estatal nas esferas política, econômica e até individual.

Religião e Fascismo
As versões do fascismo do século XX variaram em sua abordagem em relação à religião. Hitler e Mussolini não procuraram especialmente incorporá-la em suas próprias filosofias políticas. Por outro lado, a Espanha de Francisco Franco, o Ustaše croata e a Guarda de Ferro romena eram – e a Rússia de Vladimir Putin é hoje – estados nacionalistas cristão-étnicos. Da mesma forma, uma espécie de fundamentalismo teocrático reina agora no governo israelense atual.

O revisionismo, como a marca do fascismo de Mussolini, era um movimento inteiramente secular. Na verdade, ele, e grande parte do movimento sionista, rejeitou o judaísmo como uma relíquia da diáspora e do sofrimento do passado judaico. O “hebraico”, como uma referência ao Novo Homem Judaico, era para substituí-lo.

Mas depois de 1967, o movimento Grande Israel, inspirado pelo nacionalismo messiânico do rabino Avraham Kook, integrou a supremacia religiosa com o nacionalismo secular. Isto, por sua vez, deu origem ao movimento dos colonos, o movimento político mais influente desde a fundação do Estado. Os dois, combinados, tornaram-se um fenômeno muito mais poderoso do que eram separadamente. Assim, as forças israelenses que saíram vitoriosas nas últimas eleições representam uma combinação do talibanismo judeu e do fascismo europeu.

O sionismo e o Holocausto
A reivindicação do sionismo do início do século XX, de que a diáspora judaica estava condenada devido ao antissemitismo histórico das nações, previa o Holocausto. Foi um aviso premonitório contra confiar na Diáspora como sendo seguro para a vida judaica.

Mas, surpreendentemente, o Yishuv, a autoridade governante da Palestina, pouco fez para resgatar os judeus europeus durante este período catastrófico. Ao contrário dos judeus americanos e britânicos, o Yishuv concentrou-se na construção da colônia palestina e na sua preparação para o estado independente. Mesmo quando os sionistas tentaram salvar os judeus (como no Acordo de Haavara para trazer judeus alemães para a Palestina), eles o fizeram somente quando isso pôde beneficiar diretamente os Yishuv.

Por que os sionistas na Palestina estavam dispostos a deixar os judeus europeus à sua sorte? O sionismo argumentou que um Estado-nação oferecia os meios para acabar com o sofrimento judeu e garantir a sobrevivência do povo judeu. Mas era mais do que um meio – para os sionistas, era o único meio. A vida judaica fora daquele estado, segundo eles, estava condenada à aniquilação ou ao desaparecimento por assimilação. A assimilação dos exilados significava, com efeito, o definhamento de todos os judeus fora de seu estado.

Uma construção ideológica tão rígida constituía, em si, uma forma de supremacia israelense e de negação da diáspora – um discurso do coração do mundo judaico que era o único caminho para a sobrevivência. Todos os outros eram, na melhor das hipóteses, uma distração da soberania judaica e, na pior das hipóteses, um impedimento e, portanto, um perigo para ela.

Os sionistas abriram uma exceção ao princípio. Eles viram um benefício chave para manter uma relação com a diáspora. Líderes como o primeiro-ministro fundador Ben-Gurion confiaram em países ricos como os Estados Unidos para financiar projetos militares caros, como o programa de armas nucleares. Eles também compreenderam a necessidade de aliados poderosos para armá-los e oferecer apoio político diante de seus inimigos árabes. A fundação do lobby de Israel com a incorporação do Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel (CAAPI) em 1953 foi outro desenvolvimento crítico para as relações Israel-Diáspora.

No entanto, Israel nunca viu a diáspora judaica como um parceiro pleno. Ao contrário, a diáspora sempre foi um enteado, um espetáculo paralelo do povo judeu. Este conflito fundacional entre as duas principais frações da diáspora judaica mundial foi, durante décadas, marcado por protestos de amor e lealdade ao empreendimento sionista por parte de muitos judeus da diáspora.

Mas com o tempo, tornou-se uma fenda cada vez maior e talvez irreparável, à medida que Israel se afastou dos valores democráticos de grande parte dos judeus do mundo e abraçou a supremacia judaica, uma versão do judaísmo que defende o poder absoluto e o triunfalismo sobre os valores dos profetas bíblicos.

Apesar de prever o caos que se abateu sobre o judaísmo europeu, o sionismo, de fato, entendeu uma coisa muito errada: a diáspora não era um beco sem saída.

Apesar do assassinato de seis milhões de judeus, a diáspora não só sobreviveu como prosperou. E sobreviveu não suprimindo a identidade judaica para assimilar com o mundo não-judeu, mas incorporando-se, suas tradições e seus valores dentro da sociedade ( não-judaica) e da cultura popular.

Este é um sucesso que venceu o dogma sionista. Levou a uma relação esquizóide: a diáspora, de acordo com o sionismo clássico, eventualmente vai desaparecer. Mesmo que tenha sobrevivido, Israel deveria se manter independente dele e ficar de pé. No entanto, a diáspora prospera e até oferece centenas de bilhões a Israel através da filantropia da comunidade e da ajuda dos EUA.

Enquanto isso, a Diáspora judaica tem apostado em uma identidade independente, cada vez mais em desacordo com Israel, tanto política quanto religiosamente. O primeiro é em grande parte secular, progressista e democrático – valores que se tornaram anátema no novo Israel fascista. A nova agenda da homofobia, da violência em massa e da supremacia judaica confronta as comunidades judaicas estrangeiras com um dilema preocupante. Enquanto os líderes das comunidades estão acorrentados a seu tradicional apoio a Israel, os judeus de posição são afastados de um fenômeno que os repele e enojam.

Israel: O Fascismo Ascendente
O fascismo encontra sua origem no sofrimento. A Alemanha foi derrotada na Primeira Guerra Mundial e encarregada de um tratado de rendição que impunha uma dívida punitiva, levando ao colapso econômico. Como resultado, os alemães alimentaram um profundo ressentimento contra a França e as outras potências europeias, que lhes impuseram um fardo insuportável. O movimento nazista explorou este ressentimento e ofereceu aos alemães orgulho e esperança, com um desejo de vingança por sua humilhação nacional.

Como os primeiros anos de Hitler no deserto político cheio de aprisionamento e obscuridade, o Revisionismo também foi difamado pela parte dominante da facção sionista socialista antes de 1948. Passou décadas depois às sombras, visto em grande parte como uma relíquia histórica. Esses insultos alimentaram um sentimento de ressentimento contra a elite governante trabalhista. No entanto, o Revisionismo não morreu.

A chama do Jabotinskyismo permaneceu acesa nos corações de discípulos como Benzion Milikovsky, que serviu como secretário pessoal de Jabotinsky nos Estados Unidos até a morte de Jabotinsky em 1940. Depois disso, Milikovsky retornou a Israel. Mas Menachem Begin havia assumido a liderança política, e Milikovsky não tinha nenhum papel para desempenhar. Ele voltou ao exílio que impôs a si mesmo nos Estados Unidos como um acadêmico, vivendo uma vida cheia de ressentimentos pela frustração de seus objetivos. Mas seus dois filhos mudaram o nome da família para Netanyahu, e nasceu uma nova lenda hebraica.

O Kahanismo na corrente principal israelita
A figura política fascista israelense mais influente do último meio século foi o rabino Meir Kahane, nascido no Brooklyn. Ele começou sua carreira política adotando o movimento judaico soviético nos anos 1960, que buscava permitir que os judeus perseguidos emigrarem.

A Liga de Defesa Judaica (LDJ), que ele fundou em 1968, tornou-se o primeiro grupo terrorista judeu na história dos EUA. Ela traficava armas e preparava explosivos, usando violência extrema para engrandecer sua causa: a JDL conspirou para bombardear edifícios soviéticos nos Estados Unidos e enviou uma carta-bomba ao escritório de um empresário judeu que produziu eventos para artistas russos, matando um empregado do escritório.

O outro grande impulso da JDL foi uma campanha racista contra um grupo de pais em grande parte afro-americanos e porto-riquenhos na região de Ocean Hill-Brownsville, no Brooklyn, que buscava o “controle comunitário” de suas escolas públicas locais em 1968. O sindicato dos professores respondeu convocando uma greve. A maioria dos professores e líderes sindicais eram brancos e judeus, o que provocou ataques antissemitas por parte da comunidade. Kahane, embora dificilmente fosse um líder do movimento sindical, estava determinado a ir para a guerra, procurando transformar a batalha política no equivalente a uma campanha de guerrilha.

Depois que ativistas da JDL foram presos sob acusações de porte de armas e o FBI desmantelou sua rede criminosa, Kahane fugiu dos Estados Unidos para Israel. Lá, o principal alvo de seu racismo passou dos afro-americanos para o que ele chamou de “os árabes”.

Nos anos 1980, ele fundou o partido político Kach, tendo em sua agenda muitas das leis de Nuremberg. Foi preso várias vezes por incitar ao terror pela polícia israelense. Após ganhar um assento no Knesset, Kahane foi expulso e Kach foi proscrito como uma organização terrorista em 1988, classificação mantida pelo governo dos EUA até 2023.

Ironicamente, os Estados Unidos retiraram Kach da lista negra porque já não existia há várias décadas. Mas logo depois disso, o partido declaradamente Kahanista, o Poder Judaico, obteve uma vitória surpreendente nas eleições nacionais.

Kahane foi assassinado por um egípcio muçulmano em Nova York, em 1990. Mas em vez de desvanecer-se no obscurantismo, ele se tornou um profeta do fascismo israelense. A agenda do novo governo israelense reflete a filosofia política de Kahane.

Kahane era obcecado pela pureza racial judaica e insistia na estrita separação entre judeus e “árabes”. Ele especialmente se opunha às relações entre os judeus e os “árabes”. Os nazistas também defendiam a pureza da “raça ariana”, proibindo as relações sexuais entre alemães e judeus. Líderes de alguns dos mais extremos partidos religiosos israelenses também se insurgem contra os “árabes” que, em seu relato, atraem mulheres judias para relações sexuais, para convertê-las ao islamismo.

Em sua época, Hitler exigiu um boicote às empresas judaicas e pressionou os cidadãos para patrocinarem as lojas alemãs. Da mesma forma, importantes políticos israelenses pediram que os judeus não fizessem compras em empresas palestinas nem contratassem palestinos para trabalhar em suas próprias lojas.

Kahane viu os palestinos como uma quinta coluna cujo objetivo era a destruição do “Estado judaico”. Isto é paralelo aos nazistas que, antes da Conferência Wannsee de 1943, apoiaram a emigração de judeus da Europa como uma solução para o “problema judeu”. Kahane também exortou à expulsão em massa dos palestinos de Israel. Itamar Ben Gvir, por outro lado, se diferencia de seu mentor, Kahane, ao exigir a expulsão de apenas cidadãos palestinos “desleais”.

Assim como os nazistas usaram a violência em massa em seu caminho para o poder, visando judeus e outros inimigos políticos, Ben Gvir e seus aliados colonos usam as mesmas táticas, incluindo incêndio criminoso, profanação de locais sagrados muçulmanos e até mesmo assassinato. Todos os anos, ele marcha através de Jerusalém Oriental Palestina com dezenas de milhares de extremistas religiosos cantando “Morte aos árabes”.

Antes do assassinato do Primeiro-ministro do Trabalho Yitzhak Rabin em 1995, Gvir gabou-se de que ele e seus colegas poderiam “chegar” ao Primeiro-ministro. Apenas semanas depois, Yigal Amir, um radical de extrema-direita que tinha muitos ideais nacionalistas de Ben Gvir, assassinou Rabin.

Kahane denunciou a democracia ocidental e disse que o judaísmo era incompatível com ela. Ele defendeu, ao invés disso, uma teocracia baseada na supremacia da lei religiosa. Os partidos ortodoxos israelenses, a maioria dos quais estarão no novo governo israelense, preferem um estado teocrático governado pela lei religiosa (halakha) à democracia. Embora tenham sido eleitos e serviram no Knesset, eles exploram a democracia para manter os extravagantes benefícios fiscais derramados pelos cofres do Estado sobre seus seguidores. Eles legislam para impor o halakha ao país.

Os nazistas transformaram a Alemanha em um Estado de partido único com um aparato de polícia que reprimiu impiedosamente a dissidência da SS. Também erradicaram tipos “desviantes” como homossexuais, comunistas e judeus e os enviaram para campos de concentração. O sistema legal e judiciário alemão era subserviente ao nazismo, tendo perdido qualquer tipo de independência.

O novo governo israelense planeja aprovar uma lei que se sobrepõe a qualquer decisão da Suprema Corte a que se oponha. Isso será feito com uma maioria simples de votos no Knesset. Isto, observaram analistas políticos israelenses, destruirá o Estado de Direito e, na verdade, desmantelará um Judiciário independente.

O sistema jurídico de Israel consagra a impunidade para crimes contra palestinos por parte das autoridades estatais. O promotor de justiça do Estado se recusa rotineiramente a processar soldados e policiais que executam palestinos – às vezes militantes, mas muitas vezes também civis desarmados. Quase todas as queixas de tortura de palestinos nas mãos de interrogadores da polícia são descartadas. As prisões de segurança palestinas são acusadas de crimes de segurança em quase 100% dos casos.

Similar ao estado policial nazista, Israel mantém um sistema draconiano de vigilância em massa contra a Palestina ocupada que inclui interceptação de todas as formas de comunicação, instalação de milhares de câmeras CCTV monitorando todas as cidades, e prisões noturnas de suspeitos da segurança, muitas vezes acompanhadas pelo assassinato de palestinos que protestam contra as invasões das tropas israelenses.

Assim como Hitler aterrorizou os judeus alemães com pogroms organizados como Kristallnacht, que saquearam empresas judaicas e queimaram sinagogas históricas no chão, Ben Gvir e muitos no movimento colonizador israelense sonham em destruir o terceiro santuário mais sagrado do Islã, o santuário de Jerusalém al-Ḥaram al-Sharīf, e substituí-lo por um Terceiro Templo reconstruído.

Na verdade, no início desta semana, ele cumpriu um compromisso de campanha com seus seguidores, fazendo uma “peregrinação” ao que ele considerava o Monte do Templo. Ele ficou apenas treze minutos: tempo suficiente para filmar um vídeo que se vangloriava da soberania israelense sobre o local sagrado. Em seguida, ele foi levado pelas forças de segurança. Em 2000, Ariel Sharon fez a mesma visita, o que provocou a raiva entre os palestinos. Isso deu início à Segunda Intifada, na qual morreram seis mil israelenses e palestinos.

O mundo condenou universalmente a provocação de Ben Gvir. Um dos aliados árabes mais próximos de Israel, os Emirados Árabes Unidos, exigiu uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas para protestar contra a visita. O rei Abdullah da Jordânia, guardião dos locais sagrados de Jerusalém, disse à CNN: “Se as pessoas quiserem entrar em conflito conosco, estamos bem preparados”. . . Traçamos certas linhas vermelhas… . . E se as pessoas quiserem forçar essas linhas vermelhas, então vamos cuidar disso”. O governo de Joe Biden, infelizmente, achou por bem apenas expressar “preocupação” por uma violação do status quo religioso no local sagrado.

O Novo Governo Fascista-Teocrático de Israel
As brasas do fascismo israelense têm ardido sob Israel por pelo menos 70 anos, se não mais. O antissemitismo da virada do século XX pode ter acendido um fósforo que impulsionou a fundação do sionismo. Mas hoje, o fascismo sionista, que acompanhou e sustentou o sionismo quase desde seu início, explodiu em chamas com a estrondosa vitória eleitoral de novembro.

Antes da eleição israelense de novembro, um bando de líderes colonos formou o Partido do Poder Judaico (a frase “Poder Judaico” remete ao fundador do fascismo israelense, Kahane) e conquistou seis cadeiras no novo Knesset, concorrendo em uma lista conjunta com os partidos religiosos sionistas de extrema-direita e Noam; a lista conquistou um total de catorze cadeiras. Isto proporcionou a Benjamin Netanyahu uma vitória estrondosa e os votos necessários para uma maioria. Mas a vitória tem um custo.

Os líderes desses partidos extremistas são criminosos políticos virtuais. O líder do Partido do Poder Judaico, Ben Gvir, é um discípulo de Kahane que se refere ao falecido terrorista usando expressões como “meu Rebbe”. Ben Gvir já foi condenado por incitação ao terrorismo cinquenta vezes. Ele também é o líder das milícias mais extremistas dos colonos, Hilltop Youth, que passaram por aldeias palestinas destruindo propriedades e até queimando uma família até a morte.

Seu parceiro principal, o líder do Partido Religioso Sionista Bezalel Smotrich, foi preso pelo Shin Bet com um explosivo em seu carro. Ele tinha a intenção de cometer um ataque terrorista para protestar contra a retirada de Israel de Gaza.

Sob o próximo acordo da coalizão, Ben Gvir se tornará ministro da polícia, responsável pelos próprios policiais que o investigaram por seus crimes passados. Ele também comandará a Polícia de Fronteira de Israel, uma das forças mais violentas para aterrorizar os palestinos.

Smotrich será responsável pela Coordenação das Atividades Governamentais nos Territórios (COGAT), a gestão militar para os territórios ocupados. A partir de seu posto, Smotrich vai administrar todos os assentamentos israelenses, inclusive os postos avançados que, até agora, têm sido ilegais. Como escreve um colunista de Haaretz, eles não são extremistas – eles são “incendiários políticos”.

Outro rabino que faz parte do novo governo lidera um partido cuja missão declarada é destruir os direitos LGBTQ. Ele pede especificamente o cancelamento do desfile anual do orgulho gay. Vai liderar uma nova unidade do Ministério da Educação responsável por atividades extracurriculares como programas de ciência e arte. Vai controlar o acesso às escolas e proibir as ONGs da sociedade civil de oferecer programas que ele considere condenáveis.

A nova coalizão governamental vai tentar eliminar o máximo possível de vestígios de democracia, para substituí-los por um estado teocrático governado pela Torah, em vez de uma legislação laica. Fundirá o fundamentalismo religioso com o poder político puro para formar o primeiro governo judaico-fascista da história da nação.

Fascismo e Palestinianos
Embora a fundação de um Estado como um paraíso para judeus perseguidos possa ter oferecido segurança a centenas de milhares de judeus sujeitos a pogroms, o sionismo nunca contou com os povos palestinos da terra, que pretendia que fosse a pátria judaica. Esta recusa levou inexoravelmente ao conflito entre os dois povos e eventualmente à guerra total e ao Nakba.

Sete décadas de ódio e sangue-frio permanente, por sua vez, azedou os israelenses em qualquer acordo que envolvesse o comprometimento das aspirações do país. Na medida em que identificaram tal disposição de compromisso com o Partido Trabalhista, eles rejeitaram o partido e a agenda política que ele representava. Isto, por sua vez, levou à vitória do Likud em 1977 e seu domínio das próximas quatro décadas da política israelense.

Durante esse período, os sucessores de Jabotinsky se voltaram progressivamente mais à direita, até hoje são quase uma pura encarnação do fascismo clássico. Assim, eles retomam as tradições mais violentas e totalitárias de Lehi.

O fascismo venceu em Israel. Agora, ele vai provocar uma devastação santa tanto nos israelitas – que podem nem mesmo perceber seu impacto sobre eles — quanto nos palestinianos, que estão cientes demais dessa devastação em sua própria carne e ossos.

Sobre os autores
Richard Silverstein escreve para o blog Tikun Olam, onde cobre o estado de segurança nacional israelita. Contribuiu para a coleção de artigos, A Time to Speak Out: Independent Jeweish Voices on Israel, Zionism and Jewish Identidy e Israel and Palestine: Alternate Perspectives on Statehood.

domingo, 13 de novembro de 2022

Cinco Judeus que mudaram a forma de ver o mundo


Houve 5 Judeus que mudaram a forma de ver o Mundo:

- Moisés, quando disse: "a Lei é Tudo";
- Jesus, quando disse: "o Amor é Tudo";
- Marx, quando disse: "o Capital é Tudo";
- Freud, quando disse: "O Sexo é Tudo".

Depois, veio Einstein e colocou Tudo em causa, quando disse:
"Tudo é relativo".

Scholar explores how a handful of Jews changed the course of history


So what makes you Jews so damn smart? That is a question asked through the centuries by people who admire the Jews as well as by anti-Semites. British historian Norman Lebrecht, an admired author of several award-winning non-fiction books, takes on that perplexing question in his superbly crafted and meticulously researched tome, “Genius & Anxiety: How Jews Changed the World, 1847-1947.” 

Lebrecht confronts the daunting challenge of trying to pinpoint a source or common denominator that gives genius-level Jews the ability to see things ordinary people miss, with his credentials as a serious historian on full display. His book is not a simplistic “bragging rights” compilation of Jewish achievement. He emphatically rejects a “genetic” explanation for Jewish genius.

He delves deep into the rigorous study of the Talmud for clues as to why such a tiny fraction of humanity has accomplished so much despite virulent anti-Semitism.

Rather than attempting to survey the entire 4,000 years of Jewish history as other authors have done, Lebrecht book-ends his time frame between 1847, when Karl Marx published “The Communist Manifesto” and 1947, when the United Nations approved the Partition Plan, which made possible the establishment of the State of Israel after 2,000 years of persecution culminating in the Holocaust. Ironically, Marx, who descends from a long line of rabbis, was a strident hater of Jews.

Lebrecht points out the inherent irony in trying to define the impact of Jews on history — and history’s impact on the Jews, and strives to “address the story from both aspects.” Overall, Lebrecht succeeds admirably with serious scholarship infused with good-natured humor.

He writes, “Folk wisdom has it that five Jews wrote the rules of society:

Moses said, ‘The Law is Everything.’
Jesus said, ‘Love is Everything ‘
Marx said, ‘Money is Everything.’
Freud said, ‘Sex is Everything.’
Einstein said, “Everything is relative.’ ”

Ha-ha, says Lebrecht. “But more than half true. And Jews have a half truism for many things.”

He adds: “The Jewish mindset behind the wave of genius has not been successfully explored. How much do Jewish elements in their background inform Mahler, Modigliani, Marcel Proust? How does Freud know sex is the source of most unhappiness? What makes Marx hate the Jews?”

The above and other questions are explored in depth, with superb scholarship and engaging style by Lebrecht. With just a few words Marx encapsulated his Communist theories: “Workers of the world unite. You have nothing to lose but your chains.” Einstein wrote the formula E equals MC squared and upended the world of physics.

Proust recalled the aroma of his beloved Madeleine teacakes and transformed world literature. Einstein wrote to Freud to ask if mankind was by nature violent and warlike.

David Ben-Gurion, the genius of the Zionists who helped create Israel, tried to persuade Einstein to become President of Israel, which he politely declined, not wanting to become an “ornament.”

Einstein and Freud possessed the wisdom to know that no matter how many Nobel Prizes were won by Jews, anti-Semitism would not just whither away.

In his impressive and significant book, Lebrecht proves how the anxiety over being Jewish in such a hate-filled world contributed to the positive changes Jewish geniuses have made and continue to make.

“Genius and Anxiety” should grace the shelves of both scholars and general readers who enjoy history told with verve, accuracy and wit.

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Book review in New York Times

O livro que Hitler mandaria para a fogueira 



Norman Lebrecht O autor de Génio e Ansiedade fez contas ao número de judeus que mudaram a face do mundo entre 1847 e 1947. O resultado é surpreendente e bem defendido.

O título do livro, Génio e Ansiedade, só se compreende com a leitura do subtítulo: Como os judeus mudaram o mundo - 1847-1947. É disso que se trata, desses homens e mulheres que se impuseram nesse século entre séculos devido à importância do seu trabalho. O autor, Norman Lebrecht, justifica esta odisseia intelectual com a seguinte afirmação: "Eles não esperavam ser aceites. Pelo contrário, sabendo que as suas ideias iriam ser rejeitadas, sentiam-se livres para pensar o impensável."

Daí que em mais de 500 páginas arrole muitas das figuras que conhecemos e em que, na maior parte, se esquece a questão da "proveniência" religiosa: Freud, Einstein, Kafka, Sarah Bernhardt, Proust, Marx, entre mais umas dezenas de famosos que Lebrecht encaixa numa espécie de gueto para justificar o mote do volume. Olhando com distanciamento, podia ver-se o volume como propaganda, no entanto o génio do autor, aliado à ansiedade em se libertar de tal rótulo, resulta numa obra não questionável a esse respeito. Nada que obstasse Hitler a enviá-lo para a fogueira nazi noutros tempos.

O livro que Hitler mandaria para a fogueira 
Não se pode deixar de começar por lhe perguntar na entrevista a propósito da tradução em Portugal se só um judeu poderia escrever este livro. "Provavelmente" é o que responde de imediato. Acrescenta: "Contudo, só quem pensou nisto durante metade da vida é que o faria, afinal não é uma proposta fácil e terá sempre de vir do interior do autor. Além disso, é necessário ter um conhecimento do que se poderia chamar de uma "cultura coletiva inconsciente" e do passado dos judeus de forma a perceber certas implicações." Dá um exemplo: "Admiro Freud desde sempre, mas não desconfiava que os princípios da psicanálise teriam algo em comum com explicações que estão no texto da Bíblia. Quando os ponho lado a lado, confirmo isso. Freud recusaria esse legado da cultura judia e diria que não era verdade, mas creio que desconhecia certos princípios que existem na Bíblia em que sustento a minha opinião e tê-lo-á feito de forma inconsciente."

Génio e Ansiedade não é o tipo de livros que Norman Lebrecht tenha escrito ao longo da vida e que lhe deram sucesso mundial, pois a dúzia de edições já publicadas são mais na área da música clássica e só três dos mais recentes são romances. Esta viragem foi uma decisão tardia mas consciente, diz: "Quando entrei nos 60 prometi que só iria escrever livros que estivessem na minha cabeça há muito tempo. Foi o caso de Porquê Mahler?, em que descrevo as razões por que é considerado importante nos nossos dias enquanto no seu tempo de vida foi menos valorizado. Foi assim que cheguei a esta investigação, ao reparar que desde metade do século XIX e o mesmo período do XX existiam dezenas de indivíduos que mudaram a forma como se via o mundo e que permitiram viver como se o faz atualmente. Ao fazer as contas vi que metade eram judeus e perguntei: como é possível se são uma percentagem ínfima da população mundial? O que une Marx, Sarah Bernhardt e Einstein neste século?"

Encontrar as personalidades da lista final que preenchem os capítulos obrigaram Lebrecht a fugir aos suspeitos do costume, como os que acaba de referir: "O grande problema foi excluir nomes e encontrar um equilíbrio entre os mais famosos e os completamente esquecidos, apesar de o seu trabalho ter os efeitos que destaco. É o caso de quem possibilitou as transfusões de sangue ao descobrir que existiam diferentes tipos de sangue e que é completamente ignorado até por especialistas: Karl Landsteiner. É certo que se converteu ao cristianismo, mas decerto que no seu inconsciente existiam várias narrativas inscritas no Talmude que referem que o sangue não é igual em todas os seres humanos."

Para Norman Lebrecht era preciso interromper o livro num ano e escolheu o de 1947. Primeira razão: "Tinha de parar em algum ano!" Segunda razão: "1948 foi o ano em que tem início o Estado de Israel e é tanto o fim de uma história como o princípio de outra. Os judeus deixaram de estar como nos anteriores dois mil anos e começaram um novo capítulo." Admite: "Poderia ter continuado pois houve vários contributos de judeus para a civilização até aos dias de hoje, contudo a concentração, que é o propósito do livro, seria difícil de encontrar."

"Para alguém que nasceu após a Segunda Guerra Mundial, posso dizer que nunca vi durante a maior parte da minha vida tanto antissemitismo como nos últimos sete anos."

A data de início, 1847, foi devido à publicação do Manifesto Comunista por Karl Marx: "Foi fácil, mesmo que a maioria dos historiadores optasse pelo ano seguinte, de várias revoluções." Questiona-se a escolha de Marx porque, refere no livro, "via-se a si próprio como um falhanço". Teriam na sua época noção do trabalho feito? Concorda, ressalvando a herança judia: "Alguns deles sim, mesmo que Marx negasse em público qualquer ligação ao judaísmo, até atacava os judeus como sendo a fonte do capitalismo, mas sabe-se que em cartas às filhas pedia-lhes para quando se dirigiam aos trabalhadores, como muitos eram judeus, dizerem-lhes que eram comunistas e judias."

Uma afirmação inicial no livro descreve muitas destas figuras com a faculdade de "pensarem rápido". O que significa? "Eles trabalhavam sob uma grande ansiedade por serem judeus e não terem segurança no emprego, poderem ser expulsos e até mesmo mortos. O génio neste tempo é temperado por ameaças e sabiam que estavam vivos devido à graça de Deus", explica.

Para defender a tese do livro, Lebrecht recupera ataques a judeus, como o de Wagner a Mendelssohn: "Sim, Wagner foi o primeiro indivíduo que quis a legitimação cultural antissemita. É um grande compositor, mas detestava judeus e queria que fossem removidos da civilização europeia, o que era um passo para chegar ao que Hitler fez. Não creio que eu o faça como ataque, é apenas a descrição de como era e do que Mendelssohn sofreu."

Génio e Ansiedade não escapa ao regresso de um antissemitismo muito forte nos dias que correm e Lebrecht prefere dar um testemunho pessoal: "Para alguém que nasceu após a Segunda Guerra Mundial, posso dizer que nunca vi durante a maior parte da minha vida tanto antissemitismo como nos últimos sete anos. É uma situação que parece impossível após o Holocausto a de alguém manter este tipo de comportamento, mas regressou. Essa foi uma sombra sobre mim enquanto escrevia e fez-me lembrar o que teriam sentido Mendelssohn e Mahler, por exemplo, criando em mim uma grande afinidade para com eles. Felizmente, em Portugal isso não se vê, também por os judeus serem minoria."

O livro que Hitler mandaria para a fogueira 
Ao referir essa sombra, questiona-se Lebrecht porque quase passa ao lado do Holocausto no livro? "Tenho um capítulo que trata do Holocausto, no entanto este é um assunto demasiado grande para um livro deste género - já o tratei num romance - e distorceria a temática. Olho apenas para a questão teológica de onde estava Deus em Auschwitz e de como cada judeu interpretou a sua existência ou não existência durante esse tempo terrível", explica.

Para Norman Lebrecht, essa foi uma situação que moldou os milhões de judeus que sobreviveram: "Mais do que moldar, fez desaparecer muitos valores. Um dia em conversa com um amigo do mundo da música, ele disse-me que faltavam novos violinistas nas orquestras porque duas gerações tinha desaparecido em Auschwitz e quase eliminado a grande tradição de violinistas entre os judeus. Tal como se matou ainda em criança futuros médicos, cientistas, pensadores."

Será que a versão final do livro foi a que Lebrecht imaginava? "Não, fui conduzido para direções inesperadas e em Einstein, por exemplo, foi difícil encontrar o foco." Se tivesse de eleger uma destas personalidades qual seria? "Teria muito para conversar com Mahler e queria conhecer melhor Modigliani. Ou Max Brod, de quem vivi perto e não conversei sobre Kafka - de que me arrependo muito."

Leitura curiosa