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domingo, 26 de outubro de 2025

Relembrar o legado de Nelson Mandela


"Damos dignidade às pessoas presumindo que são boas, que partilham as qualidades humanas que atribuímos a nós próprios." ~ Nelson Mandela

Nelson Mandela esteve preso durante 27 anos — de 1962 a 1990.
Ele foi inicialmente condenado a cinco anos por incitar greves e sair ilegalmente do país, e depois, em 1964, foi sentenciado à prisão perpétua no famoso Julgamento de Rivonia, acusado de sabotagem e conspiração contra o regime do apartheid.

Mandela passou a maior parte desse tempo na prisão de Robben Island, depois foi transferido para Pollsmoor e mais tarde para a prisão de Victor Verster, de onde foi libertado em 11 de fevereiro de 1990.

Em março de 1980, o slogan "Mandela Livre!" foi desenvolvido pelo jornalista Percy Qoboza, desencadeando uma campanha internacional que levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a pedir sua libertação. Apesar do crescente isolamento do país, o governo recusou em ceder às pressões internacionais, confiando em seus aliados anticomunistas da Guerra Fria, o presidente norte-americano Ronald Reagan e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher; ambos consideravam o CNA de Mandela uma organização terrorista simpatizante do comunismo e apoiavam sua repressão.

Não guardou rancor. Nelson Mandela deixou um legado de coragem, perdão e esperança. Lutou contra o apartheid, defendeu a liberdade e guiou a África do Sul rumo à reconciliação e à democracia. O seu exemplo lembra-nos que a verdadeira liderança se mede pela capacidade de unir, servir e inspirar.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Ainda sobre o Dia Internacional Nelson Mandela e a "Lei dos Estrangeiros" em Portugal


O tema deste ano é "Está nas tuas mãos". Com este tema, pretende-se fazer um apelo à ação, o mais amplo e inclusivo possível, para que se identifiquem as pessoas necessitadas mais próximas e se faça o que se puder para fazer a diferença na vida delas.

O secretário-geral da ONU apelou hoje para a responsabilidade coletiva de preservar o legado de Nelson Mandela, especialmente quando o mundo enfrenta conflitos, desigualdades sistemáticas e a "reversão de liberdades duramente conquistadas". 

António Guterres falava, em Nova Iorque, por ocasião do Dia Internacional Nelson Mandela, destacando que o histórico líder sul-africano "suportou o peso brutal da opressão e emergiu não com uma visão de vingança e divisão, mas de reconciliação, paz e unidade".

"Hoje, o legado de 'Madiba' [Nelson Mandela] é nossa responsabilidade. Devemos levar adiante o compromisso com a paz, a justiça e a dignidade humana. Uma das principais lições da vida de Mandela foi que o poder não é uma posse pessoal a ser acumulada. Poder é elevar os outros", disse Guterres.

Ao mesmo tempo que celebrava o Dia Internacional Nelson Mandela, o antigo primeiro-ministro português lembrou que a ONU assinala este ano o 80.º aniversário, sublinhando que o legado deixado pelo líder sul-africano, de reconciliação e transformação, continua a inspirar e a impulsionar o trabalho da organização.

Guterres frisou que, em todo o mundo, os direitos humanos e a dignidade estão ameaçados, não apenas por conflitos e instabilidade, mas também por desigualdades sistemáticas, exclusão, desastres climáticos e pela reversão de liberdades duramente conquistadas.

Tendo isso em conta, o secretário-geral defendeu que "agora é o momento" para renovar o compromisso global com os princípios que definem a ONU e que definiram a vida de Mandela: "Liberdade. Justiça. Direitos iguais. Solidariedade. Reconciliação. Paz".

António Guterres felicitou ainda a assistente social canadiana Brenda Reynolds e o ativista comunitário queniano Kennedy Odede por terem sido distinguidos com o Prémio Mandela 2025.

Vídeo da Comemoração deste ano

Minha reflexão
Excelente citação. Recordo que o tema deste ano é "Está nas tuas mãos". Com este tema, pretende-se fazer um apelo à acção, o mais amplo e inclusivo possível, para que se identifiquem as pessoas necessitadas mais próximas e se faça o que se puder para fazer a diferença na vida delas, independentemente de credos, culturas, sexo, idade, etc.

A pobreza não é inevitável – é uma escolha política. Quando a ajuda é cortada, quando as prisões brutalizam, quando as guerras grassam sem controlo, traímos a visão de Mandela. Quando há perseguição ou estigmatização de imigrantes, como a "Lei dos Estrangeiros" também traímos a visão de Mandela.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Asimbonanga!

A fachosfera deve rever a pequenês e mesquinha "alma" e hipocrisia e ódio que instilam sem necessidade. Vejam este maravilhoso flashmob e pesquisem não só a vida de Mandela como a biografia de Johnny Clegg. Intolerância ao racismo e xenofobia.
 
Asimbonanga
Asimbonang' uMandela thina
Laph'ekhona
Laph'ehleli khona

Asimbonanga
Asimbonang' uMandela thina
Laph'ekhona
Laph'ehleli khona

Hey wena
Hey wena nawe
Siyofika nini la' siyakhona

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Hoje celebramos o Dia Internacional da UNICEF


Com mais de 75 anos de história e presença em mais de 190 países e territórios, a UNICEF é a principal organização de defesa e promoção dos direitos das crianças.
Das situações de emergência à construção de um futuro melhor, levamos ajuda humanitária, educação, saúde, proteção e, acima de tudo, esperança a milhões de crianças em situações de vulnerabilidade.


A UNICEF (United Nations Children's Fund - Fundo das Nações Unidas para a Infância) é um órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem como objetivo fomentar a defesa dos direitos das crianças e contribuir para o desenvolvimento destas. Ela rege-se pela Convenção sobre os Direitos da Criança, lutando por um mundo melhor para as crianças, que são o futuro da humanidade. 

Celebra-se a dia 11 de dezembro o Dia Internacional da UNICEF pois foi neste dia que se fundou este organismo, em 1946. Na sua origem esteve o desejo de ajudar as crianças europeias que sentiram na pele a crueldade da 2ª Guerra Mundial. Hoje em dia a UNICEF está em 193 países e territórios do mundo, tendo a sua sede em Nova Iorque.

Neste dia pode informar-se sobre a UNICEF e sobre a defesa das crianças, assim como pode fazer um donativo à UNICEF. Este órgão depende inteiramente de contribuições voluntárias, não recebendo qualquer financiamento da ONU.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina


O Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina é assinalado anualmente a 29 de novembro. O seu objetivo é sensibilizar a comunidade internacional para o direito de autodeterminação do povo palestiniano, bem como reafirmar o compromisso e a solidariedade que a Organização das Nações Unidas tem para com este povo. Este dia foi implementado através da Resolução 32/40 B da Assembleia Geral da ONU.

A Questão da Palestina remonta a acontecimentos que tiveram lugar no fim da Primeira Guerra Mundial e que persistem até hoje. Apesar do recente reconhecimento da Palestina como «estado observador não-membro», através da Resolução 67/19 da Assembleia Geral da ONU, a questão dos colonatos israelitas é, ainda hoje, uma preocupação no que diz respeito aos direitos humanos, à manutenção da paz e do diálogo entre as partes.

Todos os anos têm lugar várias iniciativas e eventos dinamizados pela ONU e organizações da sociedade civil.

Documentos
Resolução 32/40 (A+B) da Assembleia Geral da ONU sobre a Questão da Palestina | Organização das Nações Unidas [en] DESCARREGAR

Resolução 67/19 da Assembleia Geral da ONU sobre o Estatuto da Palestina nas Nações Unidas | Organização das Nações Unidas [en] DESCARREGAR

Links relacionados


Discurso de Nelson Mandela, em 1990

Explicação de Noam Chomsky sobre antissemitismo e anti-zionismo

Entrevista ao Rabbi Yaakov Shapiro destroying Zionism's Antisemitism 

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Morreu Jorge Sampaio, o "prisioneiro da ansiedade por um futuro melhor"


Jorge Sampaio morreu esta sexta-feira, aos 81 anos. O ex-presidente da República estava internado no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, desde o final de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

Perdeu a liderança do PS para Guterres, derrotou Marcelo em Lisboa, foi ultrapassado por Cavaco nas legislativas e ultrapassou-o nas Presidenciais, sucedeu a Soares em Belém. Jorge Sampaio desempenhou os mais importantes cargos políticos em Portugal durante quase 30 anos. Nos restantes, que foram muitos mais, empenhou-se de forma total naquilo que começou a defender antes de sequer ter chegado à maioridade: a permanente preocupação com os outros.

Foi o Presidente da República mais vezes discretamente corajoso, o ex-chefe do Estado mais generoso e mais reservadamente interventivo, a personalidade política com saúde mais frágil e porventura também a mais culta. Homem de família, afetivo e afável, exigente e austero, Jorge Sampaio entregou-se à vida como um "prisioneiro da grande ansiedade por um futuro melhor", como de si próprio disse em entrevista à RTP em 1992. Morreu hoje no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde estava internado há mais de uma semana com problemas respiratórios, a que se somavam várias batalhas ganhas contra um coração de válvula malformada. Tinha 81 anos e, ao contrário do que tantas vezes lhe apontaram, um percurso cheio de decisões claras, destemidas e muitas vezes solitárias, como convém a um "ser livre e incondicionável". "Tomar posição foi coisa que sempre fiz. Quem o fez, custasse o que custasse, escolheu e não abdicou", respondeu a Maria João Avillez, numa conversa em que a jornalista lhe perguntara se a vida dele fora feita mais de abdicações do que de escolhas.

A quem entende que Jorge Sampaio, lisboeta de gema criado em Sintra, foi essencialmente o homem dos discursos difíceis, o famoso sampaiês, que em 2004 interrompeu o Governo de Pedro Santana Lopes e que um dia disse que "há vida para além do orçamento", há uma imensa e larga estrada que escapa. A timidez, a discrição, a elegância e possivelmente uma certa ausência de carisma aliada a um certo mau feitio colocaram-no sob um holofote de média luz que está longe de fazer-lhe justiça. Sampaio foi um guerreiro, humanista e um progressista. Era criticado quando, nos anos 60, dizia que "a democracia global tem que envolver também a democracia participativa e não só a representativa". E quando "falava na cooperação com os novos países de expressão portuguesa", acusavam-no de ser terceiro mundista. Posicionado à esquerda do PS desde sempre, buscou sempre consensos, com os pés no chão e olhos postos no futuro - e nos outros. "Há um movimento permanente na minha vida, é o de ter preocupações com aquilo que nos cerca."

"Fui um aluno atento da vida"
Nasceu no seio de uma família burguesa, "democrática e plural", pela qual foi orgulhosamente marcado. "O que molda a vida das pessoas é sempre a sua educação", justificaria. Da mãe, professora privada de inglês, herdou o humor e o rigor. Do pai, médico ideologicamente comprometido com o Serviço Nacional de Saúde e investigador, o culto da solidariedade e do serviço público. Do irmão, o psiquiatra Daniel Sampaio, sete anos mais novo, beberia outras influências. Com Maria José Ritta, com quem casou em abril de 1974, e de quem teve dois filhos, Vera e André, procurou replicar o modelo familiar que o inspirou. Não fosse esta família, disse, e nada do que fez fora de casa, no país, no partido, na política, teria sido possível.

Fortemente empenhado nas causas coletivas e na intervenção cívica quase até ao último dia - o seu último artigo de opinião, publicado no "Público" a 26 de agosto, "Dever de solidariedade", é um apelo aos parceiros da plataforma internacional que fundou para ajudar estudantes sírios e agora também jovens afegãs -, Sampaio foi, desde logo, o símbolo da luta estudantil nos anos 60, um dos jovens com ideais cívicos e políticos mais cobiçados pela Esquerda nos anos 70 e um exímio advogado de causas. "Fui um atento aluno da vida. A advocacia foi uma grande experiência, porque foi muito diversificada, desde as questões humanas mais pesadas, mais difíceis, até às questões comerciais ou de família. E a experiência política, desde estudante, foi uma experiência gigantesca."

Foi, aliás, no ano da campanha do general Humberto Delgado às presidenciais, em 1958, ele ainda com 19 anos numa ditadura em que a maioridade era atingida apenas aos 21, mas já presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que despontou o seu entusiasmo pela política. "Sentíamos que era preciso fazer alguma coisa para mudar tudo aquilo [o regime]. Fiquei, sem dúvida, agradecido à experiência que isso me deu e à espantosa qualidade que deu a todos nós: a capacidade de questionar o futuro e querer sempre melhor. Sim", reconheceu na já referida conversa com Avillez, "sou prisioneiro de uma grande ansiedade por um futuro melhor. Isso, sem dúvida. Mas vale a pena."

"Um ocaso magnífico"
Essa permanente inquietação - de resto, sublinhada por António Costa em 2019, na sessão de homenagem promovida na sede do PS: "Tinha todo o direito de estar a gozar a tranquilidade da vida, mas a vida traz-lhe intranquilidade" - fê-lo fundar o MAR (Movimento de Ação Revolucionária), o MES (Movimento de Esquerda Socialista) e o IS (Intervenção Socialista) antes de, em 1978, tornar-se militante do PS (Partido Socialista), então com o número 102.279. Mais tarde reconheceria várias vezes "o erro" de não ter-se inscrito mais cedo, em 1963, aquando da fundação do partido. Mas esse atraso numa adesão que aos 80 anos denominou como um "ocaso magnífico" não inviabilizou as quase três décadas ininterruptas de cargos políticos que se seguiram e que se confundem com a história do país democrático, e que estão contadas numa biografia monumental de José Pedro Castanheira, com mais de duas mil páginas.

Sampaio, o ruivo que os colegas tratavam por "cenoura", foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara de Lisboa (1990- 1996), candidatura que ousou decidir sem consultar o partido e que pela primeira vez juntou a Esquerda assim derrotando Marcelo Rebelo de Sousa, e sucessor de Mário Soares em Belém (1996-2006), naqueles que terão sido os dois mandatos mais complexos da democracia portuguesa. Pessoalmente, o Presidente sobreviveu a duas operações ao coração; politicamente, atravessou cinco governos, assistiu ao orçamento limiano e ao pântano de Guterres, conviveu com a "tanga" de Durão Barroso e com a sua "mentira" sobre a Cimeira das Lajes, interrompeu o caminho de Santana Lopes dissolvendo a Assembleia e abriu o caminho para a eleição de José Sócrates. E ainda promoveu os primeiros referendos nacionais, foi recordista de vetos (22, todos ganhos), percorreu os 308 concelhos do país, passou pelos escândalos da Universidade Moderna e da Casa Pia e teve um papel fundamental na independência de Timor Leste, que logo visitou. Foi o primeiro chefe do Estado português a fazê-lo.

O presidente que podia ter sido pianista
Mas, na verdade, Jorge Sampaio poderia ter sido fotógrafo, pianista ou cantor. "Quando assisto a um concerto, sinto sempre que gostava de estar do outro lado", confessou o colecionador de discos e pinturas. O seu espírito e a sua liberdade artística notou-se quando ousou escolher Paula Rego para um magnífico quadro oficial, tão pouco ortodoxo, e porventura mais heterodoxo ainda do que o de Soares pelo Pomar - a escolha desse retrato é um retrato em si. Sampaio não voltaria a subir ao palco de nenhuma sala de espetáculos como nas prestações da sua juventude, mas conquistou a cena internacional logo no fim da presidência da República, escolhido que foi, primeiro por Kofi Annan e depois por Ban Ki Moon, primeiro para lutar contra tuberculose e depois para unir as civilizações. O desempenho dessas funções valeu-lhe uma distinção da Organização Mundial de Saúde e o primeiro prémio Nelson Mandela instituído pelas Nações Unidas para premiar "feitos e contribuições excecionais ao serviço da humanidade".

Se há padrão no percurso deste homem laico mas crente sportinguista, além da aposta na "educação como caminho para a excelência", é o da união, do otimismo e o da não desistência. "Por uma razão fundamental: quem tinha 34 anos no 25 de abril, uma vida profissional feita e estava habituado à ditadura, não concebia que passados estes anos pudéssemos estar onde estamos. O que era a mortalidade infantil, a incapacidade de saber ler e escrever, a pobreza generalizada, a agricultura de morte... O salto que se deu!", exclamou em 2018, sobre o estado do país, numa entrevista ao semanário "Expresso".

Não por acaso, e sem ignorar "o caminho estreito" para o desenvolvimento interno num mundo em mudança, Jorge Sampaio pediu no dia da homenagem que lhe fez o PS: "A necessidade destes tempos é nunca desistir, está tudo em aberto. Não desistam!"

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Citação da Semana - Nelson Mandela


"A minha inspiração são os homens e mulheres que lutam contra a supressão da voz humana, que combatem a doença, a iliteracia, a ignorância, a pobreza e a fome. Alguns são conhecidos, outros não. Essas são as pessoas que me inspiraram."- Nelson Mandela

sábado, 21 de março de 2020

O Poder da Empatia nas Relações


Em “O Poder da Empatia”, uma das principais referências bibliográficas atuais sobre o tema – e muito importante para  o filósofo e historiador Roman Krznaric, clarifica o conceito da empatia, diferenciando-a de simpatia ou caridade, que ainda são um pouco confusos quando o tema é abordado. Ainda traz diversos casos reais e fictícios, argumentados com visões da filosofia, psicologia, neurociência, das artes, CNV (Comunicação Não Violenta) e do marketing contemporâneo.

A empatia, que o autor define como “a arte de se colocar no lugar do outro por meio da imaginação, compreendendo seus sentimentos e perspectivas e usando essa compreensão para guiar as próprias ações” (p.10), vem sendo muito citada nos nossos dias, mas parece contraditória nesta era de tecnologias e falta de tempo, que tende a nos deixar cada vez mais egoístas e autocentrados.

Mas em sua argumentação, o autor revela que o cérebro humano é equipado para a conexão social, e descreve os 6 hábitos de pessoas altamente empáticas, que podem nos ajudar a sermos mais empáticos, numa mudança que acontece de dentro para fora e pode transformar positivamente nossas atitudes com os outros. E quais são esses 6 hábitos? 

Vamos deixar aqui uma breve lista, mas vale conferir os detalhes no livro de Roman:
1) Acione seu cérebro empático: reconhecer e colocar a empatia como centro da sua vida e expandi-la sempre que possível;
2) Dê o salto imaginativo: fazer um esforço para colocar-se no lugar do outro, seja ele um desconhecido ou até mesmo o seu inimigo;
3) Busque aventuras experienciais: experimentar realidades diferentes das suas, através de viagens, cooperação social ou imersão direta;
4) Pratique a arte da conversação: retirar as nossas máscaras sociais para escutar o outro, principalmente aqueles que não conhecemos;
5) Viaje em sua poltrona: utilizar as artes, as redes sociais e todas as ferramentas possíveis para nos transportar para a mente de outras pessoas;
6) Inspire uma revolução: gerar empatia numa escala de massa para alcançar mudanças significativas.

Ao longo do texto, vemos histórias de figuras como Jesus, Gandhi, Mandela e Che Guevara, entre outras personagens reais, que viveram em ambientes diferentes dos seus, viveram experiências antes não imaginadas e conheceram pessoas que não conheceriam caso permanecessem estáticos. Com isso, conseguiram mudar suas vidas radicalmente, dedicando-se a uma causa maior, focados no objetivo de impactar positivamente aqueles ao seu redor.

Nesta reflexão bastante atual, Roman nos dá a oportunidade de enxergar o mundo sob uma visão mais ampla e menos individual, colocando-nos no lugar do outro, não através de métodos ou técnicas, mas da CONEXÃO. Não a conexão da internet, mas sim dessa necessidade de nós humanos, que, quando acontece, beneficia todas as pessoas envolvidas com uma gratificante experiência, além de transformar relacionamentos, abandonar preconceitos, julgamentos e que pode até mesmo mudar o mundo em que vivemos.

Sobre o autor
Roman Krznaric é historiador, com PhD em sociologia política, e fundador da The School of Life. Conselheiro de diversas entidades, como a Oxfam e as Nações Unidas, teve seu nome listado pelo The Observer como um dos mais influentes pensadores da Grã-Bretanha dedicado ao tema dos estilos de vida. Com livros publicados em mais de vinte idiomas, Krznaric dá palestras e workshops em todo o mundo.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Em vez de uma economia que controla a política, temos de ter uma política que controle a economia

Para Viriato Soromenho-Marques, vive-se hoje “numa tensão entre uma inteligência artificial crescente e uma estupidez natural também crescente”. Defensor das causas ambientais, é uma das vozes que há mais tempo vem alertando para as alterações climáticas. 
Patrícia Carvalho, Vítor Belanciano (texto) e Rui Gaudêncio (fotografia) 9 de Fevereiro de 2020 

Catedrático de Filosofia da Universidade de Lisboa, Viriato Soromenho Marques é uma das vozes mais autorizadas, em Portugal e no estrangeiro, quando se pensa em questões ambientais e alterações climáticas nas últimas décadas. Ao longo dos anos foi uma voz de alerta permanente — em diferentes papéis, da academia a fóruns e organizações internacionais, passando pelo activismo ambiental — no sentido da tomada de consciência para os complexos problemas que aí viriam. Mas nem ele, confessa nesta entrevista, conseguiu evitar a surpresa pelo facto de as alterações climáticas terem sido muito mais rápidas do que previra. Hoje preocupa-o o que podem fazer as universidades para enfrentar ou minimizar estas intricadas questões sem paralelo na história da humanidade, afirma, ao mesmo tempo que proclama que a economia e a política são vectores absolutamente indissociáveis para as tentar resolver. Sobre o Governo português, refere que existem aspectos positivos na sua actuação, mas também negativos, com o aeroporto do Montijo no centro das críticas. Em plena época do Antropoceno, preocupa-o tanto os cenários de urgência climática como a possibilidade de conflitos políticomilitares. “Está tudo ligado”, garante. 

P: Escreveu que a partir do século XIX, em todas as esferas da existência social, dominou essa ideia de que a natureza se deveria submeter aos imperativos tecnológicos, sem que se tenham delineado os eventuais danos dessa filosofia. Essa fé ou optimismo tecnológico, mesmo nesta época do Antropoceno, não continua muito presente? 
VS-M: Sim. A tecnologia não é coisa que possamos dispensar. Mas não podemos, como até aqui, ir atrás dela cegamente. Vive-se numa tensão entre uma inteligência artificial crescente e uma estupidez natural também crescente. Quem disser que temos metodologias para controlar os perigos da inteligência artificial está a mentir, ou é ignorante. Mas, é verdade, há muitas pessoas ignorantes em posições bem colocadas. É preciso recuar à revolução científica, que depois se tornou tecnológica, para percebermos a actualidade. O que nos define é uma confiança na possibilidade de construir um futuro que realiza a nossa vontade. Ou seja, a possibilidade de adaptarmos a realidade aos nossos desejos. Isto tem a ver com o pensamento utópico. A utopia clássica era uma utopia educativa, pedagógica, política e ética. A partir do século XVI, com a Modernidade e com a revolução científica, criámos uma nova utopia, em que mais do que mudar a identidade, a relação connosco, o que tínhamos de fazer era mudar a relação com o mundo. A tecnologia transferiu para o nosso apoderamento do mundo físico, uma agenda que antes da revolução tecnológica, tentávamos resolver uns com os outros. O próprio conhecimento mudou. Na antiga Grécia, “teoria” significava contemplação. Procurava-se compreender. Perceber como é que se funcionava. Uma espécie de o verdadeiro é também o belo. A ideia de que a Natureza tem uma estrutura bela, porque corresponde a ideias que são harmoniosas e são adaptadas ao nosso conhecimento. Enquanto a ideia da ciência moderna é transformativa. Aquilo que Descartes procura é uma ciência que nos permita sermos os senhores e possuidores da Natureza. Isso nunca mais parou. Assim, temos uma ciência voltada não tanto para a verdade, mas para a utilidade, para o que nos é útil. 

Agimos desde há muito sem essa noção de que estávamos a afectar a Natureza. Mas essa falta de consciência foi-se atenuando ou não? 
Uma das coisas mais surpreendentes na nossa sociedade — e não é só de agora — é o efeito de inércia. Temos uma ordem das coisas que está montada. Há um comboio, apercebemo-nos de que há algures na linha um ponto de colisão, mas caminhamos aceleradamente para lá. Agora ficámos conscientes do problema, e até temos datas para a colisão. Agora parece que é 2030. É uma história antiga, a dos dez anos que faltam. A questão é: como é que travamos? 

E qual é a sua resposta a essa questão? 
Prende-se com a própria universidade. O que referi sobre a utopia moderna, como uma utopia tecnológica, necessita de um complemento. Podemos perguntar: qual é o problema de retirar da natureza alguma coisa que torne a nossa vida mais satisfatória? No século XIX, Auguste Comte dizia que tínhamos de olhar para a história da Humanidade de forma diferente. Até aí, estivemos na idade da conquista. Vinha aí a idade da produção. Antes aumentava-se a riqueza através da violência militar e da conquista. A partir daí, dizia ele, poderíamos unir-nos — era europeísta — e não seria necessário fazer guerras com os outros. Retiraríamos da Natureza o que ela nos pudesse dar. O problema é o da justa medida, a questão dos limites. Não nos preparámos para a ideia de que poderia existir um limite intransponível. Se olharmos para o horizonte das produções intelectuais, continuamos nessa ideia de que a tecnologia vai resolver todos os problemas. Os alicerces da cultura moderna são pouco sensíveis à questão dos limites. Há uma espécie de cegueira programada. Hoje muitas universidades criam cegueiras programadas nos seus alunos. A Economia e a Gestão são disciplinas de cegueira programada, que significa olhar só em frente. A visão lateral é totalmente proibida. Significa que perdemos a sensibilidade, por exemplo, para as outras criaturas. A forma como dominamos o reino natural e vegetal, como consideramos isso recursos, é exemplo disso. Mas também não temos sensibilidade para a visão do grande equilíbrio, para essa ideia de que habitamos um sistema altamente complexo. Somos um elefante numa loja de porcelanas e não construímos mecanismos de humildade cognitiva. Não nos prevenimos e agora estamos em dificuldades. Existe consciência do problema, que se torna mais patente quando a opinião pública se manifesta. O fenómeno Greta Thunberg ou o Extinction Rebellion, que são transversais e globais, provoca um processo adaptativo do sistema político. Mas depois verificamos que não tem sustentação. O Green New Deal, proposto a 11 de Dezembro pela comissão de Ursula von der Leyen, não tem base orçamental para poder ter sucesso — a ideia de conseguirmos chegar a 2030 com menos 55% das emissões em relação ao ano de referência de 1990 é uma coisa titânica. Não digo que a senhora Von der Leyen não deve ser apoiada, mas é preciso dizer que essa promessa esconde obstáculos muito sérios. 

O obstáculo é apenas o pacote financeiro ou alguns países, como a Polónia, nem sequer se terem comprometido com as metas previstas? 
Aí temos de perceber como funciona a União Europeia (UE), com uma deficiência estrutural, que poderia ter sido corrigida depois da crise financeira de 2008. Porque é que não temos condições para realizar o Green New Deal? O orçamento da UE é 1% do Produto Interno Bruto (PIB) da União. Temos uma moeda comum, um Banco Central e um orçamento de 1%. Em contrapartida, os orçamentos nacionais são 46% [do PIB europeu total]. Não é só o orçamento que é insuficiente. Há outro dado importante. O plano plurianual para 2021-2027 que está a ser discutido prevê um ligeiro aumento para 1,11% do PIB europeu, mas continua a ser uma coisa irrisória. Os chamados países contribuintes líquidos, com a Alemanha à cabeça, são os principais adversários de uma mudança que seria absolutamente coperniciana no processo de construção europeia, que seria criar um orçamento a partir dos cidadãos. Ou seja, criar um orçamento a partir do IRS e do IRC. Uma parte desses impostos iria para o tesouro europeu. Isto criava um vínculo directo entre o cidadão e Bruxelas e criava, no fundo, um vínculo fundamental de cidadania. A cidadania faz-se através das pessoas a quem confiamos o nosso dinheiro. 

Mas tem consciência das resistências que isso também iria criar... 
Sim, mas a questão fundamental aqui é: porque é que os Governos não gostam de partilhar poder? 
A regra do federalismo no seu início é a elite. Não se pode ser governante em Bruxelas sem se ser poliglota, sem ter lido romances e conhecer outros países. Este é o grande problema que nós temos. Não é só o orçamento. E quando falo de orçamento, é numa perspectiva de mais fundos, de uma consciência política de que somos um conjunto, em vez de sermos uma união monetária de baixo custo. Evidentemente que é preciso dar dinheiro à Polónia. No ponto em que estão, não há outra maneira. Outra coisa seria dar um sinal de que estamos mesmo embarcados num projecto de União, que é um projecto orçamental, o que significa político. O orçamento deveria ser visto como etapa de um processo de contrato político para o futuro. Assim, temos uma moeda comum, uma união monetária e uma espécie de governo tribal que é o Conselho Europeu, onde todos são iguais, mas onde há sempre um que é mais igual do que os outros. Quando acontece qualquer abalo, temos a noção de que estamos juntos pelo euro. Mas é uma coesão negativa. É uma coesão feita não na base daquilo que podemos ganhar em conjunto, mas naquilo que vamos perder se nos separarmos. Há uma diferença fundamental nisto. É que se tivermos esse orçamento e o BCE com capacidade de, por exemplo, privilegiar as empresas nas áreas das renováveis e tudo o que tenha a ver com a agricultura sustentável, com mobilidade eléctrica, com modos de vida mais modestos, etc., juntamente com o Banco Europeu de Investimento, vamos ter acesso a uma coisa fundamental, que é o mercado financeiro. 

Na Academia, parece existir agora algum consenso — apesar de teses diversas sobre o assunto, claro — sobre o momento de urgência ambiental que estamos a viver. Mas tem vindo a sustentar que deveria haver uma posição crítica mais radical da parte da Academia. É correcto? 
O problema com a utopia moderna tecnológica é que o próprio conhecimento e a própria universidade se foram adaptando, digamos assim, à exigência de boas notícias. Além do mais, o modelo que nós temos de mercado — vivemos numa sociedade de hipermercado — acaba por ser o mais importante. Neste hipermercado em que nos encontramos, o conhecimento científico passou a ser também uma mercadoria. Por isso é que há rankings, diferenças de propinas ou cursos que são mais e menos cotados. Chegámos a uma altura em que já temos o conceito de universidade-empresa, ou seja, que tem de se viabilizar a si própria. E uma universidade não se viabiliza a si própria se não entrar nas regras do jogo da tal inércia, de que falava, em que estamos envolvidos. 

É essa mercantilização que não permite a tal crítica mais radical? 
Isso inibe os reitores e as lideranças das universidades. Partindo do princípio de que essas pessoas têm consciência do que se passa e concordam com esta narrativa (do que tenho dúvidas), inibe-as porque podem colocar em risco os financiamentos das universidades. Dou o exemplo de Rachel Carson, uma heroína da causa ambiental moderna. No livro The Silent Spring, de 1962, começou a fazer uma investigação sobre o combate às pragas na agricultura e chegou à conclusão de que 98% dos departamentos de agricultura que tinham áreas de investigação de combate a pragas, eram financiados pela indústria química. Só 2% é que estavam a investigar o controlo natural das pragas. Porquê? Não acrescenta um dólar ao orçamento do investigador, porque é feito com meios naturais. Em contrapartida, os outros projectos de investigação traziam dinheiro para os departamentos e investigadores. Existe um condicionamento modelado pelo mercado. E depois a universidade é fragmentada, não somos todos iguais. Há uma barreira que continua a existir, que é a barreira das “duas culturas”… 

Precisamos de uma visão mais transversal, no sentido de as diferentes disciplinas partilharem mais conhecimento entre si? 
Sem dúvida. A Academia tem de ser reorganizada. Temos de ter um Francis Bacon 2.0 que seja capaz de promover esse diálogo. Temos exemplos de projectos interdisciplinares. Faço parte de uma equipa em Lisboa, que há 11 anos tem um doutoramento em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável. Que, coisa rara, começou por envolver três universidades públicas diferentes. Temos geógrafos, filósofos, sociólogos, físicos, químicos, engenheiros hídricos, biólogos, tudo isso. É um projecto interessante. Outro projecto global, tendente a vencer a barreira das “duas culturas” que têm dificuldade em comunicar, é o do surgimento de um cluster de ciências, de nome Ciências da Terra, que foi um esforço feito no sentido de criar equipas de trabalho que sejam capazes de transportar os diferentes saberes. Grande parte do que sabemos hoje de mais profundo sobre alterações climáticas e sobre crise ambiental vem de cientistas, equipas e centros de investigação que assumem claramente essa bandeira das Ciências da Terra. Onde estão pessoas da História, da Filosofia, mas também da Matemática pura e de outras áreas. Foi um esforço difícil. Muitas vezes isto é feito com custos para o investigador, porque a universidade é também um espaço de poder, é uma estrutura muito hierárquica, uma espécie de exército que tem tudo menos as baionetas e espingardas. Por vezes, a liberdade de espírito provoca ondas de choque. Julgo que neste momento a universidade tem de ter um sobressalto. 

Há pouco, dizia que os fundamentos da UE são mais económicos do que políticos. Será possível os modelos económicos actuais, onde a exploração dos recursos naturais vai prevalecendo, serem reenquadrados, acabando por falar a mesma língua da ecologia? Como é possível conciliar as duas coisas e criar algum tipo de equilíbrio? 
Essa é a questão que está contida desde o início da conversa. A questão do modelo económico. A economia é essencial. Somos criaturas que consumimos, que precisamos de um emprego, de descansar, de uma relação orgânica com o planeta. Como vamos reinventar uma economia que seja capaz de satisfazer as nossas necessidades, para termos aquilo que chamamos padrões de dignidade, e ao mesmo tempo não continuarmos com este modelo que semeia o deserto? É impressionante. Quando comecei a trabalhar nestas questões, nos anos 70, nunca pensei que chegássemos aqui. Nunca pensei que as alterações climáticas fossem tão rápidas. Nem eu nem ninguém. Pensava-se que a criosfera era mais resiliente, tal como a sensibilidade aos gases de estufa.  Na minha leitura modesta, temos de trabalhar com aquilo que sabemos e procurar caminhos que não conhecemos. Não vamos é por caminhos que já conhecemos e não levam a parte nenhuma. Haveria uma resposta clássica que foi tentada com as revoluções soviéticas. Seria dizer que o problema é o capitalismo e nacionalizava-se ou colectivizava-se todo o processo produtivo. Fizemos isso, em vários países, e o resultado foi desastroso. Mais dramático do que um Governo que não governa, é tornar-se totalitário e esmagar as liberdades e os direitos dos cidadãos. Se damos o máximo poder a um grupo de indivíduos, esse grupo de indivíduos age como máfia. Ou pior do que uma máfia, porque uma máfia move-se num ambiente onde há uma autoridade legal, onde há polícias e tribunais. 

Em alturas de grandes transformações, a tentação é regressar a uma espécie de passado idealizado, adquira ele formas neo-socialistas ou fascistas, como se tem constatado. É uma forma de distracção do verdadeiro problema? Ou impotência em criar verdadeiras alternativas? 
As duas coisas. É o retorno do recalcado, em termos psicanalíticos. Temos uma situação de tensão crescente. Quem procura ver a cortina do tempo, o que vê? Um mundo cada vez mais complexo, que precisa de coordenação. Um mundo politicamente e socialmente cada vez mais descoordenado. Quando falamos do clima e do ambiente, fala-se muito nos tipping points para a criosfera, quando é que se torna irreversível o degelo, etc., mas também existem tipping points políticos e sociais. Aqui está a questão central. Este retorno do recalcado fere a possibilidade de nos encontrarmos e de criarmos uma resposta adequada. Será que podemos criar um modelo de uma economia simbiótica? Uma economia que se integre no habitat de forma duradoura. O que defendo consiste em retomar um pouco o fio à meada e recordarmo-nos daquilo que aconteceu nos anos 1930, com o primeiro Deal [o New Deal de F D. Roosevelt]. A experiência americana foi importante e tem enorme actualidade, criando limites à possibilidade da prepotência política, do despotismo, da tirania. Precisamos de criar medidas constitucionais para impedir a tirania económica das grandes corporações. Isto é fundamental. Se as grandes corporações não forem limitadas, controlam os Governos. No Congresso americano, cada senador que lá está, cada membro da Câmara dos Representantes — com algumas excepções —, nós sabemos quem paga as suas campanhas. Eles próprios o declaram. Estão ao serviço não tanto de um Estado, de uma circunscrição eleitoral, mas de companhias, de empresas, que lhes fazem as leis que eles depois defendem, não é? 

Como se sai daí? 
Na Europa não é diferente. Sabemos como é que as grandes empresas controlam parte do processo legislativo português através dos escritórios de advogados, que são os testas-de-ferro dessas empresas. Como é que se sai daqui? Em vez de uma luta para acabar com o capitalismo, temos de tentar ter o controlo político da política económica, esta é que é a questão. Em vez de termos uma economia que controla a política, temos de ter uma política que controle a economia. É importante que a democracia se torne mais robusta e que as rédeas da política económica sejam recuperadas pelos programas e decisões que são tomadas nos debates políticos que levam à formação de Governos. Ou seja, é preciso mais consistência entre as palavras e as medidas concretas por parte dos Governos, utilizando a mola fundamental do capitalismo que temos hoje — e que é o capitalismo financeiro (os fundos de investimento, os fundos de pensões, os fundos nacionais e de capital de risco), que é uma criatura que corresponde aos animal spirits, um sector absolutamente voraz, porque precisa de se reproduzir, mas está na estratosfera. Não está ligado a nenhum sector económico de preferência, porque estamos a falar de reservas de capital, através de poupanças de países. No fundo, o que estou a dizer é que não há nenhum caminho real ou uma solução “eureka!”, mas sabemos por onde é que não devemos ir. Não devemos ir para uma situação em que o capital, os sectores industriais e o capital financeiro continuam a manipular Governos. A questão da integridade dos dirigentes políticos é um aspecto fundamental, o combate à corrupção deveria ser prioridade, e a imprensa tem um papel fundamental nisso. Um político corrupto não é aceitável. A partir do momento em que um político aceita fazer um favor a uma empresa, essa pessoa nunca mais vai fazer nada na política. 

Diz que as questões ambientais são muito políticas. Às vezes fica-se com a ideia de que os activistas ambientais resistem à política mais clássica. Ou seja, é como se recusassem um papel que têm de ocupar se quiserem operar as tais mudanças... 
Na génese do que chamamos o movimento ambientalista temos o convívio entre duas tendências, que não são forçosamente inimigas. Por exemplo, na Alemanha, independentemente da existência de grandes associações de defesa do Ambiente não-partidárias, temos o partido Os Verdes, que em 1983 entra no Bundestag. Consegue passar a barreira do direito eleitoral e constitucional dos 5% e, desde aí, com excepção de uma legislatura, tem tido sempre [representação] e neste momento aparece potencialmente como o segundo partido mais votado. E é um partido que continua a manter no centro nevrálgico da sua política um programa ambiental. Se algum dia forem Governo federal, temos aí uma hipótese de fazer uma reforma na união monetária no sentido que eu disse. Não porque exista um grande consenso na liderança dos Verdes alemães, mas no sentido que a realidade vai obrigar a isso. Ou eles fazem essa mudança ou então mudam de programa. Em Portugal, sempre defendi que as questões ambientais traziam uma novidade tão grande que seria muito importante que o movimento fosse, do ponto de vista político, mais transversal. Devíamos criar uma espécie de consenso ambiental. Apresentar as questões ambientais como prévias, como condições de possibilidade para a política. Se vamos partidarizar estas questões, estamos a perder tempo. E a aposta que fiz no final dos anos 70, e nos anos 80, foi dar uma orientação mais abrangente e eficiente. Não no sentido de ser contra os partidos. Mas no sentido de que os conhecimentos que é preciso partilhar não podem ser impedidos de fluir porque chegamos ao pé um do outro já com um 8 carimbo competitivo. Trocávamos a possibilidade de transmitir a mensagem pela possibilidade de partilhar lugares no Parlamento. Hoje a política é um instrumento frágil. Mas é o que temos. Se alguém tiver outro, que o diga, porque nós precisamos dele. Agora precisamos da política e de cidadãos activos. Precisamos da vigilância da cidadania. O que é difícil. 

Consegue nomear um político que incorpore os valores que tem referenciado ao longo da conversa? 
Já não estão no activo, o Carlos Pimenta e o Jorge Moreira da Silva. Curiosamente da mesma área política, do centro-direita. Ambos podiam estar aqui a conversar sobre estes temas com conhecimento de causa. O Jorge Moreira da Silva até chegou a ser ministro num Governo esquisito, mas, pronto, ninguém é perfeito. Não concordamos em tudo. Ele tem um calendário mais dilatado. Acha que a situação é grave, mas está também muito ligado às questões do combate à pobreza, que é importante, e ele tem razão, isto está tudo ligado. 

Temos estado a falar da Europa, mas como ultrapassamos a resistência de alguns países, quando vemos um Trump negacionista ou a China a planear minas de carvão, e quando se sabe que a emergência ambiental só pode ter uma solução global? 
Estamos de facto numa crise climática estrutural e duradoura. No caso dos EUA, tivemos o Obama antes do Trump e, na minha perspectiva, o pouco que se conseguiu neste domínio no tempo do Obama talvez me preocupe mais do que o que não se está a conseguir com Trump. Porque mostra a profundidade de resistência do sistema político-económico. Obama sabia o que tínhamos pela frente. Achava que era a grande questão. E a sua falta de progresso, apesar de tudo o que fez, mostra que, mesmo quando Trump se for embora, temos ali, de facto, um problema. A América tem a seu favor o sistema constitucional, mas as mudanças também se poderão fazer através da sociedade civil, do movimento associativo, e através das empresas que percebem que se a crise ambiental se agravar, o mercado entra em colapso. Se a UE fosse capaz de assumir uma posição de liderança, pressionando e forjando uma aliança táctica com a China para conseguir concessões dos EUA em matéria climática, seria uma boa estratégica. 

Mas a China faz parte do problema, ainda que de maneira diferente... 
É, de facto, diferente. As emissões actuais da China já incluem uma décalage. São menores porque foi tomado um conjunto de medidas, que passam pela política energética. Por exemplo, na tecnologia fotovoltaica, ou em centrais eólicas. E não têm feito mais porque há questões de propriedade intelectual, de transferência de tecnologia, que implicam direitos e tudo isso. E também têm essas emissões porque se tornaram a fábrica do mundo. Queixamo-nos do risco de investimento chinês, mas ignoramos que o investimento americano e europeu na China é, segundo dados do ano passado, dez vezes o investimento respectivo da China nos EUA e na Europa. Fizemos um processo de 9 deslocalização para a China. Uma parte importante desses 23% de emissões a menos na Europa [em relação a 1990] não se devem a melhorias de eficiência energética, deve-se à deslocalização empresarial. Continuamos a consumir esses produtos, mas as emissões são registadas lá, porque transferimos para a China [a produção] desses produtos. Desde há muito que o Governo chinês tem consciência do carácter politicamente disruptivo da crise ambiental. O que mais custa — e mostra como a ideologia cega as pessoas — é não se perceber como muito antes de um colapso ambiental e climático nós teremos um colapso societal e político. É mais provável termos uma guerra de grandes proporções do que assistirmos, ainda como sociedade organizada, a uma subida do nível médio do mar de dois metros. Antes do mar subir dois metros, que subirá, poderemos ter um processo de implosão. 

No curto prazo? Porque, como ainda há pouco dizia, os cenários sobre os quais falamos é sempre de dez ou 20 anos. E são já aqui à porta... 
Pois. A questão é que, por exemplo, se os dados da criosfera confirmarem que podemos chegar ao final deste século com dois metros [acima do nível médio do mar], vamos ter problemas humanitários. Não há capacidade instalada nem sequer nos países desenvolvidos... 

Como é que alguém que olha para esta questão na forma de transformações tão colossais olha para o discurso de responsabilização individual? É possível os cidadãos, através de pequenas mudanças, fazerem a diferença? 
A mudança dos padrões de consumo ou de estilos de vida é importante do ponto de vista ético. Estamos a falar de uma crise que é política, mas também é uma crise de identidade. Perante a ideia do colapso, a responsabilidade das gerações às quais pertencemos, [elas] vão ter de defender o futuro das próximas gerações, mas também o passado. Numa sociedade que entra em colapso, também desaparece a memória. Já disse num artigo que estamos a defender a poesia clássica, Homero. Numa sociedade de colapso ambiental e climático, ao fim de dois anos já ninguém sabe quem foi Homero. Neste presente estamos a defender a possibilidade de futuro e de um futuro que tenha memória para o passado. E isso implica termos a capacidade de olhar para nós e perguntarmos o que é que queremos da vida, aonde é que vamos buscar felicidade. A pergunta tem outra resposta também. O cientista Michael Mann, numa entrevista que deu há uns meses, dizia que o negacionismo estava também a encontrar um caminho de desvio para a eticização das questões ambientais. Isso acontece quando dizemos que os nossos comportamentos individuais são a causa fundamental e desviamos a questão das políticas de fundo. Quando dizemos a alguém: “Tem de andar menos de avião”, porque não dizer: “Temos de acabar com as isenções e subsídios fiscais à aviação”? É por aí? Então os instrumentos de mercado não funcionam para isso? Por exemplo — e isto é um dado pavoroso —, em 2017 a UE deu subsídios aos combustíveis fósseis que correspondem a quase 2% do PIB europeu. Isto é um escândalo. 

E continuam a faltar medidas concretas para acabar com esses subsídios... 
Não se acaba com isso. Como é que é possível o orçamento de uma união monetária ser inferior aos subsídios aos combustíveis fósseis? E ainda por cima temos os mercenários dos combustíveis fósseis nos jornais, a escrever artigos e a criticar os subsídios às renováveis. 

Que avaliação faz de como Portugal está a reagir a esta crise climática? Como é que enquadra, por exemplo, a questão do aeroporto do Montijo nessa reacção? 
Há um processo assimétrico. Do ponto de vista da diplomacia ambiental, aparecemos sempre do lado certo. Por outro lado, as opções que foram tomadas no passado, nomeadamente no Governo Sócrates — o que mostra como a realidade é complexa, uma figura que causou tanto dano ao país — fez com que se avançasse nestes domínios. Já o Governo da troika colocou as questões ambientais completamente de lado, basta analisar o programa de aumento das explorações extractivas mineiras. É claramente uma política de terceiro-mundo, abrir o sector primário do país às formas mais extractivistas de capitalismo. As autorizações para explorar combustíveis fósseis em Portugal só estão a diminuir por causa da sociedade civil. Como no caso de Aljezur. Aquelas empresas perceberam que havia um risco reputacional e saíram de campo. Agora, penso que há falta de coerência. Há dois ou três casos. Um é o aeroporto do Montijo, que é uma situação complicada porque o problema no fundo é também a Portela. Com isto vamos continuar a ser uma das poucas capitais europeias com um aeroporto no centro da cidade com todos os inconvenientes e riscos que isso tem. Depois existem todas as razões ambientais e de segurança que militam contra a opção firmada. Vamos ter um grande investimento que vai aumentar as emissões e não aproveitamos outros equipamentos aeroportuários que o país tem, provavelmente porque a empresa que controla os aeroportos portugueses é poderosa e trata-se de uma negociação difícil. Talvez o Governo tenha uma margem de manobra negocial limitada. Depois outro projecto de dilapidação de recursos públicos e fortes impactos ambientais são as dragagens que estão a acontecer no estuário do Sado, que não têm qualquer justificação económica. E também a questão do lítio. É a utilização de um argumento de mobilidade eléctrica para não respeitar um conjunto de regras e de ordenamentos do território, nomeadamente de protecção dos solos aráveis. Portanto, aquilo que há a fazer é saudar os aspectos positivos do Governo e criticar os negativos. Agora, não daria uma nota muito alta. A coerência é importante. E sobretudo mostra que o horizonte de governação é de curto prazo. Não é só o Governo, a oposição também. O debate sobre [o preço] a electricidade é um exemplo típico. Do ponto de vista da sociedade civil, penso que também não estamos muito sintonizados. Do ponto de vista das associações ambientais, estou muito triste por ver que a associação que dirigi durante três anos [a Quercus] está envolvida em escândalos. É uma tristeza ver que uma associação ambiental tem o Ministério Público a investigar a possível má gestão de fundos pelo presidente que foi 11 para lá em 2015. Não bastava termos corrupção onde o poder puro e duro existe, agora também numa associação que devia ser exemplo de generosidade cívica. 

Entre o seu pessimismo e optimismo, fica a dúvida. Acredita que vamos ser capazes de ultrapassar a emergência actual ou a tarefa é demasiado grande e são demasiados os obstáculos? 
Terminava com o triângulo, que é uma pequena teoria que me custou a construir e que acho serena. A questão do futuro, do optimismo e pessimismo joga-se em três tabuleiros. Um é o do conhecimento. Tudo o que conhecemos hoje aponta no sentido da dificuldade. Se apenas dependêssemos do conhecimento, seria pessimista. Outra coisa é o que nós não conhecemos. O que nós não conhecemos não é só a ignorância, não depende só da nossa finitude e imperfeição. Depende também da riqueza e complexidade do mundo. O mundo pode ter surpresas. Depois temos o terceiro tabuleiro e aí só depende de nós, que é aquilo que podemos fazer. Qual o lugar e posição que temos neste drama existencial. Ao mesmo tempo é uma época extraordinária, todos nós podemos ter significado. É uma época em que não há razões para tédio. Estamos todos envolvidos nestes desafios gigantescos. Não há qualquer justificação para não fazermos o que tem de ser feito. Diria que quanto mais um tabuleiro é pessimista mais o outro tem de ser reforçado. Mas acredito muito neste [o que pode ser feito]. Em 1985 publiquei um livro chamado Europa: o Risco de Futuro que era sobre a possibilidade de uma guerra nuclear na Europa. Tínhamos uma situação análoga. Com o que conhecíamos da História, o cenário de uma guerra nuclear era provável. Há uma altura em que um dos lados fica mais fraco, neste caso a União Soviética, e pensou-se que poderia acontecer aí. E aconteceu o Gorbatchov, uma coisa miraculosa, que não estava no programa. Pouco tempo depois, África do Sul. Desafio-vos a procurar artigos optimistas sobre o futuro da África do Sul. O consenso académico era: “cai o Governo do apartheid e temos uma guerra civil racial”, com quatro milhões de brancos, que são africanos, contra 21 milhões de negros que foram escravizados e que vão lutar para deixarem de o ser. Vai ser um massacre. E apareceu o Nelson Mandela. Claro, isto não é bem a mesma coisa, mas a verdade é que vale sempre a pena lutar.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Cavaco Silva e Nelson Mandela


Fez em 5 de Dezembro, 10 anos do falecimento de Nelson Mandela, vencedor do Prémio Nobel da Paz de 1993 e pai da moderna nação sul-africana. 
Quero relembrar como a direita e pessoas com mentalidade de direita são geralmente conservadoras, imperialistas/ escravagistas e racistas.
Estávamos em 1987, e o mundo pressionava a África do Sul para libertar Nelson Mandela. Um homem que o Departamento de Estado norte-americano considerava "terrorista" e que Portugal não via com especial simpatia. Por essa altura, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos a favor, uma resolução de solidariedade com a luta do ANC e dos sul-africanos, que incluía um apelo para a libertação incondicional de Mandela. Alguns, poucos, países estragaram a festa, faltando com o seu voto. Um deles foi os Estados Unidos, então presididos por Ronald Reagan. Outro foi o Reino Unido, que tinha ao leme a amante da democracia e da liberdade, Margaret Thatcher. E o outro foi Portugal, que tinha como primeiro-ministro o mesmíssimo Cavaco Silva que hoje se comove com as "verdadeiras lições de humanidade" do homem que, por pressão internacional, saiu, sem rancor, de 20 anos de cativeiro sem a ajuda de quem hoje tanto celebra o seu legado.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O final feliz da COP21


Por volta das 19h30 do último sábado, 14/12, em Paris, ouviu-se bater um martelo. Foi quando 195 países do mundo concordaram com um só documento que define passos comuns a serem seguidos rumo a uma economia de baixo carbono. Este é um feito inédito em 21 anos de convenção mundial do clima – as COP’s - e, sem dúvida, um grande passo para a Humanidade.

A partir de agora, cada país que apresentou seus objetivos domésticos de mitigação de gases do efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas – as Metas Nacionalmente Determinadas – terá que cumprir compromissos de transparência e cooperação sob um regime internacional com força de lei. As metas do Acordo do Clima começam a valer em 2020. Durará por 5 anos e terá seu sucesso revisto então.

Alguns fatores colaboraram imensamente para o sucesso deste COP. A condução francesa foi muito elogiada - como o país anfitrião lidera os trabalhos conta muito para criar o ambiente político em conferências deste tipo. Em Paris, esta tarefa foi dada ao ministro de Negócios e Desenvolvimento Internacional, Laurent Fabius. Foi tão bem sucedido, que ao entrar no salão para anunciar a vitória, Fabius arrancou suspiros e gritinhos entusiasmados da plateia.

Entre as boas sacadas francesas, a estratégia de trazer os chefes de estado para o dia inicial da conferência foi acertada. Se 150 grandes chefões voaram até uma Paris pós-atentado para deixar claro que gostaríam de ver sair este acordo, os negociadores tinham que se virar para cumprir. Também a lembrança de que a França construiu este momento logo após todo o sofrimento vivido em 13 de Novembro foi devidamente reconhecida. “Nos devolveu a fé na comunidade global”, comemorou o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry.

O Brasil esteve em alta. Saiu-se com metas arrojadas, se comparadas aos demais. Vendeu casos de sucesso no combate ao desmatamento e reforçou seus bons números de energias renováveis - os dois grandes vilões das emissões de gases estufa. Apresentou proposta de mecanismos de mercado aplaudidas. Presidiu um dos grupos de trabalho mais complicados - o que debateu a questão de diferenciação de responsabilidade entre os países. Foi elogiado pelo corredores pela excelência de seu corpo de diplomatas e terminou com a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira comemorando que o acordo teve mesmo foi sotaque brasileiro.

Um acordo deste porte traz algo além do que compromissos. Ele passa uma mensagem. Algo que, para fins de políticas internas e externas, é o mais importante. É um sinal claro e inequívoco de que há uma coisa no mundo com o qual os países que o compõem concordam: que do jeito que está, não vai dar mais. Este sinal vermelho falará alto aos políticos e à sociedade civil. Mas, quem foi mesmo citado com recorrência em Paris foram os setores privados e financeiro. A contar pela presença em massa de empresas na COP 21, o recado foi dado.

Escondidos no juridiquês da negociação circularam conceitos profundos. O que fala em “no country left behind” - nenhum país será deixado para trás, em português - é particularmente significativo, pois traduz um intuito verdadeiramente cooperativo entre nações. Foi graças a ele que a batalha em prol dos países mais vulneráveis acabou vencida - e a meta de almejarmos um aquecimento máximo de 1.5 oC até o final do século, se comparados aos níveis pré-industriais, entrou para o texto final. Justiça Climática também foi expressão que ganhou corpo. E, quem diria, até a Mãe Terra foi citada no acordo final. As ONG’s, encabuladas em suas ações pelo rigor da polícia francesa, saíram, desta forma, também um pouco de alma lavada.

A palavra que mais se ouviu ao final, no entanto, foi implementação. Cada país sai de Paris com compromissos determinados por eles mesmos e com reconhecimento de seus pares de que aqueles são os melhores objetivos que puderam apresentar. No abraço de agradecimento a sua delegação, Izabella Teixeira frisou: "Agora é hora de ir para casa trabalhar”.

Foi com Nelson Mandela, mais de uma vez citado durante os motivadores discursos dos nossos salvadores do clima em Paris, que a chanceler sul-africana Edna Molewa encerrou sua fala durante a plenária final. “Eu andei a longa estrada para a liberdade”, começa a citação. “Mas só posso descansar por um momento, pois com a liberdade vem a responsabilidade, e eu não me atrevo a demorar, pois a minha caminhada não terminou”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

"Congresso Internacional do Medo" por Carlos Drummond de Andrade


"Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas"
Carlos Drummond de Andrade,

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Encontros Improváveis: Nelson Mandela e Cousin Silas- Flying Over Shepperton

Cousin Silas - Flying Over Shepperton

"Negar ao povo os seus direitos humanos é pôr em causa a sua humanidade. Impor-lhes uma vida miserável de fome e privação é desumanizá-lo."~ Nelson Mandela (discurso 1990)

O título do álbum é uma referência direta a Shepperton, uma cidade na Inglaterra famosa pelos seus estúdios de cinema e por ser a residência do escritor de ficção científica J.G. Ballard, cujas obras frequentemente servem de inspiração para a estética de Cousin Silas.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Brundtland at the Hilton Awards 2013


Dr. Gro Harlem Brundtland is the former director-general of the World Health Organization (WHO) and the former prime minister of Norway—the first woman and youngest person to serve in that role. She has provided leadership on issues of global significance for more than four decades. Brundtland served as one of three United Nations Special Envoys for Climate Change, having been named to that position in May of 2007 by U.N. Secretary General Ban Ki-moon. In 2007, she also became a member of The Elders, a group founded by Nelson Mandela and Graça Machel and led by Archbishop Desmond Tutu. Recently, Brundtland served on the United Nation’s Panel on Threats, Challenges, and Change. She is member of the board of the United Nations Foundation.

In the 1980s she chaired the World Commission on the Environment and Development―the Brundtland Commission established the concept of sustainable development in its landmark report, Our Common Future. The commission’s recommendations provided the momentum for the United Nations Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992.

During her tenure as director-general of the World Health Organization, Brundtland’s rapid response to the global threat of the SARS virus is largely credited with helping prevent the widespread growth of the disease. She also succeeded in garnering support for the first negotiated agreement on a major public health issue, The Tobacco Convention, and was recognized that same year as Scientific American’s “Policy Leader of the Year.” The recipient of many honors, perhaps her most prized award is the unofficial title she holds in her native Norway, where she is affectionately known as “Landsmoderen” or “mother of the nation.” Dr. Brundtland is a graduate of Oslo University and the Harvard School of Public Health.
Fonte: Hilton Humanitarian Prize

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Encontros Improváveis- Francesco Giannico e Nelson Mandela


"Where globalization means, as it so often does, that the rich and powerful now have new means to further enrich and empower themselves at the cost of the poorer and weaker, we have a responsibility to protest in the name of universal freedom." ~ Nelson Mandela

sábado, 31 de março de 2012

Ícone da luta pela liberdade, Nelson Mandela adere ao movimento Hora do Planeta


O herói do apartheid e ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela revelou, pelo twitter, seu apoio à Hora do Planeta 2012.

Usando sua conta oficial na rede de microblogs (@NelsonMandela), o líder africano twittou a seguinte mensagem, em inglês: “Vamos nos unir para fazer do mundo uma fonte sustentável para o nosso futuro enquanto humanidade neste planeta "
 
Mandela entrou no rol de celebridades mundiais que apoiam a causa organizada pela Rede WWF. Além dele, estão neste grupo as supermodelos Miranda Kerr e Gisele Bündchen, o líder do Greenpeace International Kumi Naidoo, entre outros.