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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Shakespears Sister - Hello (Turn Your Radio On)

Melhor som aqui
O Significado e o Mitologismo de Hello (Turn Your Radio On) de Shakespears Sister
As Shakespears Sister foram um projeto britânico de synth-pop, pop gótico e glam rock formado no Reino Unido no final dos anos 80, integrando a cantora e compositora irlandesa Siobhan Fahey (ex-membro fundador das Bananarama) e a norte-americana Marcella Detroit. Lançado em 1992 como um dos singles principais do aclamado álbum Hormonally Yours, o tema "Hello (Turn Your Radio On)" destaca-se como uma das composições mais emotivas e atmosféricas da música pop dessa época, combinando arranjos sinfónicos sumptuosos com uma sensibilidade melancólica e dramática.

A canção é uma reflexão existencialista sobre a solidão, a vulnerabilidade humana, a impermanência e a procura desesperada por ligação num mundo alienante e moderno. O ato de ligar o rádio funciona como a metáfora central do tema: o recetor representa uma ponte entre o isolamento individual e a voz do mundo exterior, um sinal na escuridão para nos recordar de que não estamos sozinhos nas nossas dores. Marcella Detroit e Siobhan Fahey vocalizam a efemeridade das conquistas terrenas e o desejo primordial de validação através da expressão artística.

O videoclipe oficial foi realizado pela lendária realizadora britânica Sophie Muller, responsável por definir a identidade estética sombria e teatral do duo. Filmado com um apurado contraste a preto e branco que evoca a atmosfera do cinema mudo e do melodrama vitoriano, o vídeo coloca as artistas a atuar no interior de um armário claustrofóbico que se abre no início da narrativa e se fecha no final. Essa encenação visual reforça o sentimento de clausura e o desejo de evasão, transformando a performance numa experiência quase ritualística.

Essa linguagem estético-narrativa estabelece uma ponte direta com o ensaio feminista de 1929 de Virginia Woolf, Um Quarto Que Seja Seu (A Room of One's Own), do qual brotou a premissa para o próprio nome da banda (através do tema "Shakespeare's Sister" dos The Smiths). No seu ensaio, Woolf cria a figura hipotética de Judith, a genial irmã de Shakespeare que acabou por suicidar-se na obscuridade por lhe ser negada a liberdade, a educação e um espaço próprio de criação sob o patriarcado. Sophie Muller e a banda convertem essa clausura histórica numa afirmação artística de libertação. Ao projetarem a sua voz a partir do espaço confinado do cenário, e ao subverterem os arquétipos vitorianos da "mulher angelical" versus a "louca no sótão" através do contraste entre as personas de Marcella e Siobhan, as Shakespears Sister oferecem simbolicamente um palco à voz silenciada da irmã esquecida do dramaturgo. 

Página Oficial
Shakespears Sister

domingo, 9 de agosto de 2026

Suede - Saturday Night

Melhor som aqui

Letra
[verse 1]
Today she's been walking
She's been talking
She's been smoking
It's gonna be alright
'Cause tonight we'll go dancing
We'll go laughing
We'll get car sick

[verse 2]
And it'll be okay like everyone says
It'll be alright and ever so nice
We're going out tonight
Out and about tonight

[refrão]
Oh, whatever makes her happy
On a Saturday night
Oh, whatever makes her happy
Whatever makes it alright

[verse 3]
Today she's been sat there
Sat there in a black chair
Office furniture
It'll be alright
'Cause tonight we'll go drinking
We'll do silly things
And never let the winter in

[verse 2]

[refrão]

[verse 4]
We'll go to freak shows and peepshows
We'll go to discos, casinos
We'll go where people go and let go

[refrão] 2X

Oh oh
La la la la la la (5X)

A cidade subterrânea e a poética do escapismo em "Saturday Night"
O videoclipe de "Saturday Night", dirigido por Pedro Romhanyi e rodado nos túneis e plataformas do metro de Londres - com destaque para a icónica e desativada estação de Aldwych e alusões a Holborn-, funciona como uma alegoria perfeita sobre a alienação e a solidão nas metrópoles contemporâneas. Toda a narrativa visual constrói um contraste marcante entre o anseio coletivo de festa e celebração associado ao sábado à noite e a crua realidade do isolamento urbano. No centro deste cenário subterrâneo, o vocalista Brett Anderson assume o papel de um flâneur baudelaireano modernizado: um observador poético e solitário que deambula pelas carruagens e corredores de betão, testemunhando a existência de diversas figuras à deriva. Ao longo do percurso, a câmara cruza-se com casais em momentos de intimidade, trabalhadores exaustos, um idoso a carregar um peixe num saco de plástico e jovens imersos numa festa improvisada. Cada uma destas imagens traduz a busca desesperada por pequenos fragmentos de felicidade, afeição ou evasão, refletindo a premissa central da canção de anestesiar a rotina e o peso da vida quotidiana através do hedonismo noturno.

Esta reflexão sobre a melancolia e o escapismo urbano ganhou forma com o lançamento original do tema no aclamado álbum Coming Up, editado a 2 de setembro de 1996, tendo sido posteriormente lançado como o terceiro single do disco a 13 de janeiro de 1997 pela Nude Records. Mais do que uma simples balada de pop-rock, a escrita de Brett Anderson em "Saturday Night" assenta num denso substrato literário e filosófico. A canção dialoga diretamente com o Existencialismo e o Absurdismo de Jean-Paul Sartre e Albert Camus, retratando a tentativa de conferir sentido à existência através do prazer e da evasão temporária diante do vazio da vida moderna. Da mesma forma, a influência do escritor J.G. Ballard é evidente na psicogeografia do videoclipe, onde os transportes subterrâneos e a arquitetura pós-industrial se tornam símbolos da alienação humana. Por fim, a estética decadente da banda inspira-se no romantismo trágico e na ironia de Oscar Wilde, consolidando "Saturday Night" como uma celebração trágica e melancólica do quotidiano nas margens da grande cidade.

A assinatura singular dos Suede: quando a herança transforma-se em identidade
As grandes bandas da história da música raramente surgem num vácuo cultural. A verdadeira originalidade não reside na invenção de uma linguagem inteiramente sem antecedentes, mas sim na capacidade de reunir referências díspares, filtrá-las através de uma vivência própria e devolvê-las ao mundo sob a forma de uma assinatura artística inconfundível. No caso dos Suede, embora a sombra lírica de David Bowie, o romantismo dramático dos The Smiths e a densidade atmosférica do post-punk dos anos 80 estejam presentes no seu ADN, a banda britânica construiu um universo estético e sonoro genuinamente único, que redefiniu o panorama do rock alternativo nos anos 90.

No início dessa década, numa altura em que a cena musical do Reino Unido se encontrava refém do grunge americano e desprovida de uma identidade própria, os Suede irromperam como o catalisador de uma revolução. Eles foram os verdadeiros arquitetos do movimento que mais tarde viria a ser batizado de Britpop, resgatando a essência e a urgência da cultura urbana britânica antes de qualquer outra banda da sua geração. Contudo, enquanto os seus pares versavam sobre o quotidiano da classe trabalhadora com tom satírico ou festivo, a escrita de Brett Anderson fundou um léxico poético singular, frequentemente apelidado de gutter glamour. Anderson transformou a sordidez dos subúrbios cinzentos, a ambiguidade sexual, a decadência das noites de aluguer, o consumo de drogas e o romance trágico dos marginalizados em autênticas odes orquestradas e melodramáticas.

Essa poeticidade decadente encontrou a sua tradução musical perfeita na simbiose entre a vocalidade visceral de Anderson e a arquitetura de guitarra de Bernard Butler nos primeiros discos, e mais tarde na energia vibrante de Richard Oakes. Os Suede refundiram a agressividade áspera das guitarras do post-punk com a grandiosidade e o brilho do glam rock, criando paredes de som dramáticas e melodias de uma sensibilidade pop angustiada que não tinham paralelo na época. O resultado foi uma discografia coesa e marcante - desde a densidade concetual de Dog Man Star ao imediatismo efervescente de Coming Up -, que provou que os Suede não eram uma mera soma das suas influências, mas sim uma das vozes mais originais, audazes e influentes da história do rock britânico.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Secos & Molhados - Sangue Latino


Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido

Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa

Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido

Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa

A música "Sangue latino", dos Secos & Molhados, destaca a resistência e a afirmação da identidade latino-americana diante de influências externas e opressão. O verso “Os ventos do norte não movem moínhos” sugere que soluções vindas de fora não resolvem os problemas internos do povo latino, reforçando a necessidade de buscar força e respostas dentro da própria cultura. Ao repetir “meu sangue latino, minh'alma cativa”, a canção expressa o orgulho de pertencer a esse povo, mas também reconhece a condição de opressão e luta constante.

Lançada durante a ditadura militar no Brasil, a música ganha ainda mais força como símbolo de resistência. Versos como “rompi tratados, traí os ritos” e “o que me importa é não estar vencido” mostram a coragem de desafiar tradições e enfrentar a repressão, mesmo que isso traga sofrimento ou isolamento. A letra mistura sentimentos pessoais e coletivos, abordando culpa, luta e pertença. O “grito, um desabafo” representa a necessidade de se expressar diante da opressão. Assim, "Sangue latino" consolida-se como um hino de resistência cultural e celebração da identidade dos povos latino-americanos, refletindo a sua trajetória de superação.

Sangue Latino - Ney Matogrosso (Por Trás da Canção)
Secos & Molhados - Compilação dos anos 1973 e 1974

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Placebo - Bruise Pristine RE:CUT


Letra
[verso1]
The means are right for taking, fade to grey
Trying to be ruthless in the face of beauty
In this matrix it's plain to see
It's either you or me

[refrão]
Bruise
Pristine
Serene
We were born to lose

[verso2]
Cast a line with a velvet glove
Reading like an open book, in the hands of love
In this matrix it's plain to see
It's either you or me

[refrão]

Encore [echoed]

[verso1]

[refrão]

Original, 1996
Videoclipe realizado por Howard Greenhalgh

A versão RE:CUT refere-se ao relançamento da música em 1997. Originalmente lançada em 1995, ela foi regravada e editada para o álbum de estreia autointitulado Placebo. Tudo sobre a canção e melhor audição aqui

O Placebo é uma banda britânica. Formada em Londres em 1994, a banda tem uma identidade multicultural (o vocalista Brian Molko é belga, tem origens americana, escocesa e judaico-italiana, enquanto Stefan Olsdal é sueco), mas o projeto é radicado e reconhecido como parte essencial do rock alternativo do Reino Unido.

Significado da canção
"Bruise Pristine" é um mergulho visceral na estética do rock alternativo dos anos 90, servindo como um dos primeiros grandes manifestos da identidade do Placebo. O título da canção carrega um paradoxo poético fascinante: a junção de "bruise" (hematoma), que evoca dor, trauma e marcas físicas, com "pristine" (imaculado), que sugere algo puro e intocado. Esta combinação resume a filosofia de Brian Molko — a ideia de que existe uma beleza crua e honesta na dor e nas marcas que os encontros humanos deixam em nós.

Brian Molko escreveu esta canção num período em que a bissexualidade estava a tornar-se "chic" na média britânica (o chamado Britpop). Molko, que vivia essa realidade de forma autêntica e andrógina, usava a música para questionar a autenticidade das pessoas ao seu redor. A letra fala sobre ser um "livro aberto nas mãos do amor", mas também sobre a crueza de ser quem se é num mundo que muitas vezes trata a identidade como moda.

A letra explora uma luta de poder emocional e sexual, marcada pela frase repetitiva "it's either you or me", que coloca o eu-lírico num estado de confronto defensivo contra a vulnerabilidade. É uma música que fala sobre a tentativa de manter o controlo e a frieza diante do desejo, apenas para acabar na aceitação de que "nascemos para perder". No fundo, a canção celebra a perfeição que existe no ato de ser "marcado" pela vida, transformando a cicatriz ou a nódoa negra num símbolo de autenticidade e vivência.

Curiosamente, em 2026, a banda lançou o projeto RE:CREATED, onde regravaram "Bruise Pristine" com uma sonoridade mais pesada e dinâmica. Molko descreveu esta nova fase como uma forma de honrar a "inocência" daquela época, mas com a confiança e a escala da banda que eles se tornaram após 30 anos de estrada.

domingo, 1 de março de 2026

Sigue Sigue Sputnik - 21st Century Boy


Out of stereo, video
Sci-fi sex, let's go-go-go
Let's go
Saturn dreams, laser beams
21st century sex machines

Oh, can the Cartier
Toss the Tissot
Timex kid, time to go-go

I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
I'm a space cowboy

Siamese, Lebanese
Chinese speaking split TV's
Singapore, El Salvador
Coca Cola...
Mercury, luxury
Shove that Fender fist at me

I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
Ladies and gentlemen, Elvis 1990
I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
You might also like
Love Missile F1-11
Sigue Sigue Sputnik

Embryo, UFO
Freako, psycho horror show
Hips and lips and beauty queens
Venus ramp, sex tramp
Make-up muck my Vegas vamp

I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy

Sigue Sigue Sputnik: affordable firepower!

I am the ultimate product - product - product - pr-pr-pr-pr-product!

I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
I'm a space cowboy
G-g-g-g-generation whoopee boy

Let's go-go-go
Let's go, let's go
Let's go-go-go
Let's go, let's go
Let's go-go-go
Let's go, let's go
Let's go-go-go
Let's go, let's go
Mm-mmm, I love technology!

A banda era conhecida por ser extremamente futurista (para os padrões dos anos 80) e por misturar elementos que pareciam desconexos na época:
1. Visual inspirado em filmes como Blade Runner e Mad Max, com cabelos coloridos gigantes e roupas de PVC.
2. Eles pegaram a estrutura do Rock 'n' Roll dos anos 50 (estilo Elvis ou Gene Vincent) e a "destruíram" com sintetizadores pesados, batidas eletrónicas e muitos samples de filmes e comerciais.

Provocação: foram pioneiros em vender espaços publicitários entre as faixas dos seus álbuns, o que reforçava a temática consumista e distópica da música.

O nome da música é uma clara homenagem à canção "20th Century Boy" da banda de glam rock T. Rex, mostrando que eles se viam como a evolução tecnológica daquele som.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A verdadeira história da canção "Heroes" de Bowie e a interpretação de KinGeorg and Apoptygma Berzerk - Helter (David Bowie cover)


Helter significa Heróis em Norueguês 

Para escutar os 3 temas do álbum aqui

A canção Heroes foi escrita a dois, David Bowie e Brian Eno e originalmente cantada por David Bowie.

"Heroes": O Triunfo do efémero e a resistência do instante
A canção  foi escrita em 1977, durante o período em que Bowie vivia em Berlim Ocidental, imerso no que viria a ser conhecido como a sua “trilogia de Berlim” — Low, Heroes e Lodger — ao lado de Brian Eno e do produtor Tony Visconti. A cidade não era apenas o cenário: era o conceito. Dividida por um muro, carregada de tensão política, ideológica e emocional, Berlim oferecia a Bowie algo que ele procurava naquele momento da vida: distância do caos de Los Angeles, onde o vício em cocaína e o isolamento criativo quase o destruíram, e uma paisagem urbana que refletia a sua própria fragmentação interna.

O beijo sob o olhar da Stasi
A história por trás da canção é conhecida, mas nunca banal. Bowie escreveu “Heroes” inspirado num episódio real: ao observar pela janela do estúdio Hansa, localizado a poucos metros do Muro de Berlim, viu Tony Visconti a beijar uma mulher junto à barreira que separava o Leste do Oeste. A mulher era Antonia Maass, corista do álbum e, à época, envolvida com Visconti, apesar de ambos terem outros relacionamentos. O gesto, simples e arriscado, transformou-se no núcleo emocional da música. Não se tratava de amantes a desafiar apenas uma circunstância pessoal, mas de um ato de intimidade num dos espaços mais vigiados e simbólicos do planeta.

Engenharia de som como dramaturgia
Musicalmente, “Heroes” também nasce de uma experiência. Brian Eno construiu a paisagem sonora com sintetizadores e tratamentos electrónicos que expandiam a ambição do rock para além da sua forma tradicional. Visconti criou um sistema de microfones posicionados a diferentes distâncias da voz de Bowie, que se abriam progressivamente à medida que ele cantava mais alto, captando não apenas a performance, mas a própria arquitetura do estúdio.

O resultado é uma interpretação que cresce em intensidade, como se a canção literalmente ganhasse espaço físico à medida que Bowie se aproxima do clímax. É a técnica ao serviço da emoção.

A recusa do heroísmo grandioso
A letra, por sua vez, é deliberadamente simples. “We can be heroes, just for one day.” Não há promessa de eternidade, glória ou redenção total. Há apenas um instante. Um dia. Um gesto. Bowie nunca romantiza a vitória definitiva; ele oferece resistência temporária. E é exatamente essa recusa do heroísmo grandioso que torna a música tão poderosa. Num mundo de muros — físicos, políticos, afetivos —, ser herói por um dia já é um ato de coragem.

Do insucesso ao estatuto de Hino
Quando lançada, “Heroes” não foi um sucesso imediato nas tabelas de vendas. Alcançou posições modestas no Reino Unido e passou quase despercebida nos Estados Unidos. A crítica, entretanto, reconheceu desde cedo a sua singularidade, e a música começou a construir a sua reputação não pelo consumo rápido, mas pela sedimentação cultural. Com o tempo, tornou-se uma das faixas mais emblemáticas da carreira de Bowie, ao lado de “Space Oddity”, “Life on Mars?”, “Let’s Dance” e “Changes” — o quinteto que hoje define o coração do seu legado. 

Em 6 de junho de 1987, Bowie tocou "Heroes" no Reichstag, em Berlim Ocidental, o que foi considerado um catalisador para a queda do Muro.
 
Porquê agora?
Nada disto, porém, explica sozinho por que motivo “Heroes” ressoa tanto agora. Talvez porque vivamos novamente num mundo de muros, não apenas geopolíticos, mas simbólicos: polarização, guerras culturais, ansiedade coletiva, isolamento tecnológico. . Talvez porque, em tempos de exaustão moral, a ideia de um heroísmo possível, ainda que breve, soe mais honesta do que qualquer promessa de redenção total. “Heroes” não diz que o amor vence tudo. Diz que ele pode, por um instante, desafiar o impossível. E isso, para quem vive em 2026, não é pouco.

Um legado em datas
Após a morte de Bowie, em janeiro de 2016, o governo alemão agradeceu o músico por "ajudar a derrubar o Muro", acrescentando que "você está entre os Heróis"

Em 8 de janeiro de 2026, “Heroes” completou 49 anos desde o seu lançamento. Dois dias depois, a 10 de janeiro, assinalaram-se dez anos da morte de David Bowie. A coincidência de datas não é apenas cronológica; é simbólica. Bowie construiu uma carreira inteira baseada na transformação e na coragem de se reinventar.

Hoje, a canção é mais do que um clássico; é a prova de que, num tempo em que ser herói parece exigir façanhas impossíveis, às vezes tudo o que temos é um dia. Um gesto. Um beijo à beira de um muro. E, ainda assim, isso basta para mudar tudo.

sábado, 8 de novembro de 2025

Filme Kiss Them For Me (1957) e a sua influência no rock gótico


Durante a Segunda Guerra Mundial, três marinheiros param em São Francisco durante uma folga de quatro dias. Com uma festa programada, a tripulação encanta-se pelas garotas locais, enquanto o comandante tenta manter todos na linha. [mais info aqui]

A canção “Kiss Them for Me”, da banda Siouxsie and the Banshees, lançada em 1991 no álbum Superstition, tem um significado interessante e multifacetado — misturando homenagem, crítica e atmosfera sensual.

1. Homenagem a Jayne Mansfield
A música é, sobretudo, uma homenagem à atriz Jayne Mansfield, símbolo sexual de Hollywood nos anos 1950 e 1960.

O título “Kiss Them for Me” é tirado de um filme de 1957 com Cary Grant e a própria Mansfield.

A letra faz várias alusões à sua vida glamorosa, trágica e exagerada — com referências a festas, luxo e sensualidade (“glitter’s on the floor”, “it’s a glamourous life”).

Também evoca a tragédia do seu acidente fatal em 1967, que marcou o fim do mito de Mansfield.

2. Crítica ao glamour e à superficialidade
Por baixo da homenagem há uma ironia subtil: Siouxsie Sioux mistura o fascínio e o perigo do culto à celebridade.

As imagens brilhantes da letra contrastam com a melancolia da voz e o ritmo hipnótico.

A canção questiona o preço do glamour — um mundo onde “beleza” e “tragédia” se confundem.

3. Sensualidade e exotismo
Musicalmente, é uma das faixas mais sensuais dos Banshees.

Tem influências indianas, com instrumentos e batidas eletrónicas suaves.

O som reflete a ideia de “encantamento” e “máscara”, reforçando o tema de aparência versus essência.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Musica do BioTerra: Clan of Xymox - Heroes (David Bowie Cover)


Clan of Xymox - Heroes: Análise do Videoclipe, Estilo Darkwave e Simbolismo em Berlim
O videoclipe oficial da releitura de "Heroes" (original de David Bowie, 1977) pelos Clan of Xymox — lançada no álbum de tributos e covers Kindred Spirits (2012) - afirma-se como uma obra visualmente rica em simbolismo darkwave. Uma das bandas fundamentais do género e do gothic rock, liderada pelo vocalista e fundador Ronny Moorings, a formação desconstrói o tom triunfante e eufórico do clássico de Bowie, substituindo-o por um arranjo sombrio, soturno e melancólico. A sua sonoridade assenta num baixo cadenciado, guitarras atmosféricas carregadas de efeitos de chorus e delay, sintetizadores gélidos e nos vocais graves e profundos característicos de Moorings.
Filmado num preto e branco de alto contraste, o clipe intercala imagens dos integrantes - Ronny Moorings e a baixista e artista visual Mojca Zugna - com cenários urbanos e monumentos históricos emblemáticos de Berlim, na Alemanha. Ao longo do vídeo, surge o Berliner Dom (Catedral de Berlim) como pano de fundo monumental enquanto Ronny caminha pela praça central, bem como o Brandenburger Tor (Portão de Brandemburgo) em silhueta dramática, conectando diretamente a música à história da cidade. A câmara foca ainda a Neue Wache (Novo Quartel de Guarda), memorial às vítimas da guerra e da tirania, destacando a famosa escultura de Käthe Kollwitz ("Mãe com o seu Filho Morto" / Pietà), intercalando estas imagens com castelos medievais, margens de rios e projeções frequentes das sombras dos dois músicos contra paredes de pedra e ruas de paralelepípedos.
A escolha de Berlim como cenário principal estabelece uma ligação direta com a génese da própria canção, uma vez que David Bowie compôs "Heroes" em 1977 enquanto vivia em Berlim Ocidental e gravava nos estúdios Hansa Tonstudio, inspirado pela visão de dois amantes a abraçarem-se junto ao Muro de Berlim. Ao filmar as sombras de Ronny e Mojca junto a muros de pedra, em clara alusão aos versos "standing by the wall" e "and we kissed, as though nothing could fall", a iconografia do clipe evoca com precisão a aura de isolamento, o romantismo trágico e a memória histórica que permeiam a obra original.

Ler mais:
A verdadeira história da canção "Heroes" de Bowie 

sábado, 22 de abril de 2023

Música do BioTerra: Suede - Electricity

Melhor som aqui
[Verse 1]
We got a love that's cold as stone
We got a love from our violent homes
We got a love and it got no name
We kiss our love with lips like pain
We got a lotta electricity
We got a love like AC/DC
We got a love and it got no shame
We kiss our love with lips like pain
Kissing our love with lips like pain

[Chorus]
Oh it's bigger than the universe
It's bigger than the universe
It's bigger than the two of us
Oh it's bigger than you and me
We got a love between us and it's like electricity

[Verse 2]
We got a love like a violent mind
We get our love from white white lines
We got a love and it got no name
We kiss our love with lips like pain
We got a love from nowhere towns
We got a love like electric sounds
We got a love and it got no shame
We kiss our love with lips like pain
Kissing our love with lips like pain

[Chorus]
I said, oh it's bigger than the universe
It's bigger than the universe
It's bigger than the two of us
Oh it's bigger than you and me
We got a love between us and it's like electricity


segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Uivo: Um Documentário sobre António Sérgio


Nascimento: 14 de janeiro de 1950, Benguela, Angola 
Falecimento: 1 de novembro de 2009, Lisboa
António Sérgio Correia Ferrão foi um locutor e realizador de rádio português, DJ, editor discográfico, especialista e grande divulgador de música rock, pop e de vanguarda.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Música do BioTerra: David Bowie - Heroes


I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can beat them, just for one day
We can be heroes, just for one day

And you, you can be mean
And I, I'll drink all the time
'Cause we're lovers, and that is a fact
Yes we're lovers, and that is that
Though nothing will keep us together
We could steal time just for one day
We can be heroes for ever and ever
What d'you say?

I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them, for ever and ever
Oh we can be Heroes, just for one day

I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can be Heroes, just for one day
We can be us, just for one day

I, I can remember (I remember)
Standing, by the wall (by the wall)
And the guns, shot above our heads (over our heads)
And we kissed, as though nothing could fall (nothing could fall)
And the shame, was on the other side
Oh we can beat them, for ever and ever
Then we could be Heroes, just for one day

We can be Heroes
Just for one day
We can be Heroes

We're nothing, and nothing will help us
Maybe we're lying, then you better not stay
But we could be safer, just for one day

Oh-oh-oh-ohh, oh-oh-oh-ohh, just for one day

David Bowie e a Origem de Heroes: Entre o Expressionismo e a Guerra Fria
Quando David Bowie compôs e gravou Heroes em 1977, durante a sua célebre estada em Berlim Ocidental, a sua inspiração não se limitou apenas à paisagem urbana dividida pela Guerra Fria ou aos desenvolvimentos da música experimental alemã (como o krautrock de bandas como Neu! e Kraftwerk). Embora Bowie fosse um leitor voraz e frequentador de galerias de arte, a génesis de Heroes bebeu fortemente do clima estético do expressionismo alemão - com forte influência visual de pintores como Otto Mueller (especificamente a obra Amantes entre os muros do jardim) e das atmosferas literárias e decadentistas da Berlim dos anos 1920 que ele tanto estudava através de autores como Christopher Isherwood (Adeus a Berlim) e Alfred Döblin (Berlin Alexanderplatz). Além disso, a sensibilidade trágica de romances como Uma tumba para o Delfín, do escritor italiano Alberto Denti di Pirajno, e o existencialismo moderno moldaram a atmosfera poética de duas pessoas que desafiam a opressão sistémica através de um amor efémero, refletindo indiretamente uma visão nietzschiana de transvaloração e heroísmo quotidiano, onde o indivíduo se ergue contra o niilismo do seu ambiente político e social.

Ler mais:

Música do BioTerra: Lou Reed- Satellite of Love


Satellite's gone up to the skies
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I like to watch things on TV
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of
Satellite's gone way up to Mars
Soon it'll be filled with parkin' cars
I watched it for a little while
I love to watch things on TV
I've been told that you've been bold
With Harry, Mark and John
Monday and Tuesday, Wednesday through Thursday
With Harry, Mark and John
Satellite's gone up to the skies
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I love to watch things on TV
Lançada em 1972 no célebre álbum Transformer e produzida por David Bowie e Mick Ronson, "Satellite of Love" -original audio - é uma das obras mais emblemáticas de Lou Reed. À primeira vista, a faixa destaca-se pelo tom leve, melódico e quase descontraído, mas por trás dessa sonoridade radiante esconde-se uma narrativa sombria sobre o ciúme obsessivo, a paranoia da infidelidade e a alienação emocional. O próprio Lou Reed descreveu a composição como um retrato do "pior tipo de ciúme", em que o narrador se sente devastado pela traição, mas incapaz de reprimir o seu isolamento ou de reagir de forma direta.

Esta densidade psicológica não surge por acaso; resulta da sólida formação académica de Reed na Syracuse University, onde estudou literatura e escrita criativa com a missão explícita de fundir a gravidade narrativa e filosófica dos grandes romances com a energia visceral do rock 'n' roll. Nenhuma figura foi mais determinante nessa trajetória do que o poeta e contista Delmore Schwartz, seu mentor universitário. Schwartz incutiu em Reed a importância da economia de linguagem e do realismo emocional, ensinando-o a recorrer a palavras simples para traduzir sentimentos complexos. É também de Schwartz — em particular do conto "In Dreams Begin Responsibilities", onde o protagonista assiste à vida dos pais num ecrã de cinema - que deriva a metáfora central da canção: a ideia de observação e distanciamento. O narrador que assiste ao lançamento de um satélite na televisão reage à dissolução da sua vida afetiva como um espetador passivo, encontrando no ecrã um refúgio anestesiante.

À medida que a música avança, a contemplação inicial dá lugar a uma tensão quase detetivesca, fortemente influenciada pelo romance policial noir de Raymond Chandler. Reed, que frequentemente questionava como soaria uma canção de rock escrita por Chandler, veste aqui a pele de um investigador paranoico que junta pistas, datas e nomes — como "Harry, Mark, and John" — para confirmar a sua suspeita de infidelidade. A enumeração fria dos dias e dos intervenientes cria um contraste vincado com o tormento interno da personagem.

Do ponto de vista filosófico, "Satellite of Love" enraíza-se no existencialismo europeu de pensadores como Jean-Paul Sartre e Albert Camus, correntes muito marcantes entre a intelectualidade nova-iorquina das décadas de 1960 e 1970. A figura do satélite converte-se num símbolo da alienação tecnológica e da cultura do espetáculo, na qual o indivíduo prefere a mediação protetora da tecnologia ("I love to watch things on TV") ao contacto humano direto, evitando a dor do confronto real. Esta postura encarna a "má-fé" (mauvaise foi) sartriana, em que a anestesia perante o ecrã substitui a responsabilidade da ação.

A culminação de todas estas referências - desde a desconstrução narrativa de James Joyce à liberdade expressiva da Beat Generation de Allen Ginsberg - permitiu a Lou Reed rejeitar as convenções da balada pop tradicional sobre corações partidos. Em vez disso, "Satellite of Love" constrói-se como um estudo psicanalítico que expõe o lado mais escuro e vulnerável da mente humana, enriquecido pela marcante justaposição entre a amargura da letra e os arranjos vocais expansivos e luminosos dos coros de David Bowie na parte final.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Música do BioTerra: Felt - Primitive Painters


I just wish my life could be
As strange as a conspiracy
I hold out but there's no way
Of being what I want to be
Dragons blow fire angels fly
Spirits wither in the air
I'm just me I can't deny
I'm neither here, there nor anywhere

It's enough to scare the whole human race
(Yeah oh, you should see my trail of disgrace)
It's enough to scare the whole human race

I don't care about this life
They say there'll be another one
Defeatist attitude I know
Will you be sorry when I've gone
Primitive painters are ships
Floating on an empty sea
Gathering in galleries were stallions of imagery

It's enough to hold the whole human race
(Yeah oh, you should see my trail of disgrace)
It's enough to hold the whole human race

This is a new trance
Yeah, an entrance too
And there's a look on your face, it's a human race
And if you just can't stand it, ah, I swear

And there's a look on your face, it's a human race
And if you just can't stand it, ah, I swear
I said it thinner

This is a new trance
Yeah, an entrance too
And there's a look on your face, it's a human race
And if you just can't stand it, ah, I swear

domingo, 26 de outubro de 2014

Peter Murphy - The Prince and Old Lady Shade (Live at Amoeba Records)

Melhor som aqui

A trajectória artística de Peter Murphy, ex-vocalista da icónica banda de pós-punk e rock gótico Bauhaus, destaca-se pela sua constante busca espiritual, densidade poética e ecletismo musical.

A canção "The Prince and Old Lady Shade", lançada em 2011 no álbum Ninth, insere-se no estilo do rock alternativo com influências do pós-punk e glam rock. A sonoridade da faixa afasta-se dos arranjos minimalistas do início da sua carreira com os Bauhaus, adotando uma instrumentação encorpada caracterizada por guitarras elétricas vibrantes, uma linha de baixo ritmada e pulsante, e uma produção direta que transmite energia e urgência. A interpretação vocal de Murphy oscila entre a teatralidade melódica e uma entrega quase profética, demonstrando o vigor do seu alcance vocal clássico e dramático.

No que toca ao significado da canção, "The Prince and Old Lady Shade" explora uma narrativa alegórica e surreal. O "Príncipe" representa a juventude, a busca pela iluminação, o ego ou o impulso criativo, enquanto a "Velha Sombra" (Old Lady Shade) simboliza o tempo, a mortalidade, o inconsciente e o mistério que inevitavelmente envolve a existência. A letra articula um diálogo poético entre estas duas forças opostas e complementares: a constante luta humana entre a ambição terrena e as realidades inescapáveis do destino (a ilusão versus a eternidade), a figura da sombra junguiana como projeção dos medos não resolvidos e da sabedoria oculta, e a dualidade espiritual marcada pelo conflito interior e pelo desejo de rendição a uma verdade superior. Para mais detalhes e interpretações da faixa, podes consultar as análises de significados em plataformas como o Songfacts e discussões no Reddit sobre a faixa.

A aproximação de Peter Murphy ao Islamismo deu-se através da vertente mística do Sufismo. Educado no seio de uma família católica irlandesa, Murphy sempre teve uma profunda inclinação para o divino e o sagrado. O ponto de viragem ocorreu quando conheceu a sua esposa, a coreógrafa turca Beyhan Faulkes, no início da década de 1980, o que culminou na mudança do casal para Istambul, na Turquia, nos anos 90. Murphy esclareceu ao longo dos anos que não encara essa mudança como uma "conversão" no sentido convencional de rejeitar a sua bagagem anterior, mas sim como um reconhecimento e aprofundamento espiritual, tal como debatido pela comunidade em fóruns do Reddit sobre a conversão de Peter Murphy ao Sufismo, afirmando: "Não houve conversão, apenas o reconhecimento de que se tratava da mesma mensagem, só que mais clara. Não nos convertemos; descobrimos um aspeto de rendição, que é o que o Islão significa." A filosofia Sufi atraiu o músico pela sua busca do amor divino através do êxtase poético, da introspeção e da transcendência do ego. Mais detalhes sobre o seu percurso pessoal e a sua discografia podem ser consultados no artigo dedicado ao músico na Fandom / Rock Music Wiki.

A obra de Peter Murphy é sustentada por diversas influências literárias e filosóficas profundamente enraizadas. A maior influência na sua fase a solo vem do Misticismo Sufi, através de poetas místicos persas como Jalal al-Din Rumi (também conhecido por Rumi) e Farid al-Din Attar, cuja visão do amor como força transformadora e a metáfora do "murchar das coisas materiais em prol do eterno" moldam tanto o tom lírico das suas canções como a sua presença em palco. Além disso, a sua estética inspira-se no Romantismo Inglês e Simbolismo de William Blake - em particular no confronto entre a inocência e a experiência e na visão da arte como revelação divina - e na figura do herói byroniano de Lord Byron, sombrio, apaixonado e em busca da verdade. 

No âmbito da Filosofia Existencialista e Psicologia Profunda, a exploração da psique, dos arquétipos, do duplo e do conceito de "Sombra" remete para a psicologia analítica de Carl Jung, traduzindo a jornada de individuação e a confrontação da mente com as suas partes mais obscuras. 
Por fim, no plano conceptual e filosófico do espetáculo, Murphy absorveu o teatralismo e o esoterismo do século XX, fundindo a intensidade do "Teatro da Crueldade" de Antonin Artaud - visando libertar os impulsos mais profundos do público - com o ecletismo estilístico e existencial de David Bowie.

Saber mais:

domingo, 22 de dezembro de 2013

Música do BioTerra: Siouxsie And The Banshees- Hall Of Mirrors


Siouxsie & The Banshees - Hall Of Mirrors 

"Even the greatest stars discover themselves in the looking glass 
She made up the person she wanted to be And changed into a new personality"

sábado, 18 de dezembro de 2004

Japan - Obscure Alternatives


Love's incentives understood
Irregular thoughts comply
And still afraid of every word
Love is unsatisfied

Zero down to zero
Submerging in every man
Zero down to zero
Catch me as best you can

Well you must know something
'Cos we're dying of admiration here
Mastering obscure alternatives

Between the dialogue lovers run
New decisions we won't decide
And still afraid of every word
Love remains unsatisfied

Melhor som aqui