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segunda-feira, 13 de julho de 2026

RY X - Salt

Melhor som aqui

Letra
Under the lighting
Heavier breath
High by a mouth made
Knees to your chest

[refrão]
We let love be like water to wine
We let love be the higher design
We let love be a call in the night
We let love be the fire divine

Under the shadow
Heavy remains
Chemical ashes fall
Lips to my veins

[refrão]

But here we are turning our heads down
Here we are falling like lovers
We're falling like lovers and I turn my head
'Cause I know what shame you've done

[refrão] 2X

I know I started it all
I know I started to run
I won't let go of it all
I won't let go of the gun

Oh God, below
What have we done?

Abaixo, analiso os diferentes aspetos desta obra, desde as suas origens até às suas camadas mais profundas de significado.

RY X, nome artístico do cantor, compositor e produtor Ry Cuming, é um artista australiano cuja identidade musical foi profundamente moldada pelas suas origens em Angourie, uma isolada comunidade costeira em New South Wales. Essa ligação visceral com a natureza reflete-se num estilo musical único, frequentemente classificado como Indie Pop, Ambient Folk e Alt-Pop. A sua assinatura sonora assenta numa abordagem minimalista e despojada, onde guitarras acústicas dedilhadas e sintetizadores subtis servem de moldura para a sua voz de falsete etérea, criando uma atmosfera de intensa intimidade, melancolia e vulnerabilidade. A faixa "Salt", lançada no aclamado álbum Dawn, é um dos exemplos mais puros desta estética.

A canção funciona como uma meditação profunda sobre a dor, a impermanência e o processo de cura. O título "Salt" carrega uma dupla metáfora poética: evoca tanto o sal das lágrimas provocadas pelo sofrimento e pelo distanciamento emocional, quanto o sal do oceano, que atua como um elemento de purificação e renovação espiritual. Na sua essência, a letra explora a coragem de se manter vulnerável e a necessidade de sentir a dor por inteiro para que se possa, eventualmente, transcendê-la.

Essa mesma narrativa estende-se ao videoclipe da faixa, co-dirigido pelo próprio artista. Visualmente, o vídeo utiliza uma paleta de cores frias e um jogo expressivo de luz e sombra para construir uma atmosfera cinematográfica e crua. Através da dança contemporânea e expressionista, os corpos dos intérpretes contorcem-se, aproximam-se e repelem-se, traduzindo visualmente o conflito interno, o desejo de conexão e a angústia da separação. A presença constante de elementos naturais e a nudez parcial reforçam o desapego das máscaras sociais, expondo o ser humano no seu estado mais primitivo e honesto.

Do ponto de vista intelectual, a obra de RY X bebe de ricas fontes filosóficas, literárias e poéticas que valorizam o silêncio e a introspeção. Há uma clara ressonância com o pensamento oriental, particularmente com o Zen Budismo e o conceito do Wabi-Sabi, que prega a aceitação da imperfeição e da transitoriedade da vida. Em vez de evitar o sofrimento, o compositor abraça-o como parte fundamental da existência. Na literatura e na poesia, "Salt" aproxima-se do Romantismo Sombrio e do olhar transcendental de autores como Rainer Maria Rilke e Walt Whitman, que utilizavam as forças da natureza como um espelho para a alma. O mar e os elementos naturais surgem na canção como representações do inconsciente e das emoções avassaladoras, transformando o peso do sofrimento num ritual estético de desapego que converte a dor numa beleza quase sagrada.

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Walt Whitman e o melro


“Creio que uma folha de erva não vale menos que a jornada das estrelas | E que a formiga não é menos perfeita, nem um grão de areia, nem um ovo de carriça | E que o sapo é uma obra prima para o mais exigente | E que as amoras silvestres adornariam os salões do Céu | E que a mínima articulação da minha mão escarnece de toda a maquinaria | E que a vaca ruminando com a cabeça baixa supera a estátua | E que um rato é milagre suficiente para fazer vacilar milhões de infiéis.
Descubro que trago em mim gnaisse, carvão, filamentos de musgo, frutos, cereais, raízes comestíveis E que fui estucado com quadrúpedes e pássaros | E que me distanciei, por boas razões, do que está por detrás de mim | Mas quando quero faço regressar seja o que for ....... ”
Walt Whitman, Folhas de Erva

sábado, 3 de junho de 2023

Texto da Semana - Sweet, sane, still nakedness in Nature


"Sweet, sane, still nakedness in Nature! — ah if poor, sick, prurient humanity in cities might really know you once more! Is not nakedness then indecent? No, not inherently. It is your thought, your sophistication, your fear, your respectability that is indecent. There come moods when these clothes of ours are not only too irksome to wear, but are themselves indecent. Perhaps indeed he or she to whom the free exhilarating ecstasy of nakedness in Nature has never been eligible (and how many thousands there are!) has not really known what purity is - nor what faith or art or health really is."

Biografia

Walt Whitman Birthplace Association

Instituições

domingo, 8 de janeiro de 2023

No meio da natureza, Fabrizio Cardinali vive há 51 anos sem electricidade e nem pensa nos custos da energia

Fabrizio Cardinali vive de forma completamente autónoma há 51 anos, nas colinas de Verdicchio, em Itália. É uma das poucas pessoas na Europa despreocupadas com o aumento dos custos de energia.


Fabrizio Cardinali, 72 anos, não deseja as luzes brilhantes da cidade. Na realidade, não tem qualquer utilidade para a electricidade e há mais de meio século que vive sem estar ligado à rede.

Isto faz dele uma das poucas pessoas na Europa despreocupadas com o aumento dos custos de energia, neste Inverno.

Cardinali, cuja longa barba branca o faz parecer Karl Marx, o poeta Walt Whitman ou um Pai Natal magro, vive numa casa de pedra nas colinas da região vinícola de Verdicchio, perto de Ancona, na costa oriental do Adriático italiano.

 Fabrizio Cardinali, 72 anos, sentado na cozinha 

Fabrizio Cardinali na cozinha 

Por opção, não tem electricidade, nem gás, nem canalização interior.

"Não estava interessado em fazer parte do mundo como estava. Então, deixei tudo — família, universidade, amigos, a equipa de desporto e parti numa direcção completamente diferente", diz, sentado na cozinha a usar calças de bombazina remendadas. "Desistir de algo não é masoquista. Tu desistes de alguma coisa para conseguir outra mais importante."

Antes, vivia completamente sozinho

Agora, Fabrizio tem dois companheiros de casa, um galo, três galinhas e um gato numa comunidade a que chama "A Tribo das Nozes Harmoniosas".

Cardinali apanha azeitonas 

Os visitantes que procuram Cardinali e os seus amigos são aconselhados pelos habitantes da cidade mais próxima a seguirem o estreito caminho de terra que começa ao lado de um carvalho que hasteia uma bandeira de paz multicolorida.

Cardinali e os companheiros de casa, que apenas disseram chamar-se Agnese e Andrea, contam com um fogão a lenha para cozinharem e se aquecerem, e lêem com a ajuda de lâmpadas alimentadas a óleo de cozinha usado doado pelos vizinhos.

"Sinto-me privilegiada por ter a liberdade para escolher a minha liberdade", diz Agnese, 35 anos, que se mudou para ali há dois anos. Andrea, 46 anos, passa lá a semana, mas regressa a Macerata, a cerca de 50 quilómetros de distância, todos os fins-de-semana, para tomar conta da mãe.

 Agnese prepara o almoço na cozinha de madeira 

 Agnese, 35, Andrea, 46, e Cardinali almoçam juntos 

As "nozes harmoniosas" cultivam frutas e legumes, azeitonas para azeite, e abelhas para o mel. Uma cooperativa local vende-lhes sacos de leguminosas, cereais e trigo, que moem para fazer o seu próprio pão.

Quando é possível, trocam qualquer produção excedentária por tudo o que precisam.

Embora algumas pessoas o tenham apelidado de "o Eremita de Cupramontana", Cardinali diz que não é um eremita. Em vez disso, acredita que a vida é melhor vivida em pequenas comunidades.

 Cardinali quando fazia parte dos Carabiniere (polícia paramilitar) 

O primeiro conselho que dá a qualquer pessoa tentada a seguir o seu exemplo é: "Deitar fora o chamado telemóvel inteligente".

Cardinali percorre ocasionalmente curtas distâncias para visitar amigos, levar azeitonas a um lagar de pedra para produzir azeite e caminhar ou apanhar boleia até à cidade mais próxima para tomar um café com os habitantes locais ou visitar o médico.

"Vivo desta forma há cerca de 51 anos e nunca me arrependi. Com certeza, houve dificuldades, mas nunca me fizeram pensar que tinha feito a escolha errada ou deitado tudo a perder", diz. " De forma alguma.".
Reportagens: 

terça-feira, 5 de abril de 2022

Memórias: Allen Ginsberg



No dia 5 de abril de 1997, morreu Allen Ginsberg. Foi um escritor, filósofo e ativista norte-americano. Fez parte do núcleo duro da Beat Generation: movimento que rejeitava os valores tradicionais e contribuiu para uma revolução cultural, nos anos 1950 e 1960.

Allen Ginsberg nasceu a 3 de junho de 1926, em New Jersey (EUA). O pai era professor, poeta e socialista. A mãe era comunista radical. Em criança, viveu episódios paranóicos da mãe e descobriu que gostava de meninos.

Na Escola Secundária, Ginsberg encantou-se com a obra de Walt Whitman. Depois de findar o secundário, inscreveu-se na Universidade de Columbia (Nova Iorque) graças a uma bolsa da associação Young Men’s Hebrew.

Naquela cidade, tornou-se amigo dalguns jovens (Lucien Carr, Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady) interessados em drogas, literatura e sexo. Ginsberg e os seus companheiros foram expulsos da Universidade.

Ginsberg acreditava que aquele grupo se dirigia para uma nova visão poética. Experimentou anfetaminas e marijuana. Frequentou bares gays. E começou uma relação amorosa com Neal Cassady.

Em 1954, Ginsberg mudou-se para São Francisco, cidade onde a Beat Generation estava a ganhar força graças à atividade dos poetas, Kenneth Rexroth e Lawrence Ferlinghetti, fundadores da editora e livraria "City Lights".

Ginsberg tinha escrito muita poesia, mas quase nada tinha publicado. Em 1956, a City Lights Books publicou, "Howl and Other Poems" ("Uivo e Outros Poemas"). Considerado “obsceno”, foi apreendido pelos serviços alfandegários e pela polícia, sendo alvo dum longo processo judicial.

Os argumentos de vários poetas, críticos e professores universitários (Kenneth Rexroth, Walter V. T. Clark e Mark Schorer) convenceram o juiz. Terminado o processo, tornou-se o livro de poesia mais vendido nos EUA.

Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs foram o núcleo duro da Beat Generation: movimento que rejeitava os valores tradicionais e contribuiu para uma revolução cultural nos anos 50 e 60.

Ginsberg viajou pelo mundo. Descobriu o budismo. Apaixonou-se por Peter Orlovsky: seu companheiro para o resto da vida. Nos anos 1960, ajudou Timothy Leary a divulgar o LSD. Em 1968, foi um ativista importante contra a Guerra do Vietname.

Ativista durante toda a vida, Ginsberg falava abertamente sobre drogas, homossexualidade e liberdade. 

Manteve uma publicação regular ao longo da vida. Os seus livros constituíam um apelo à paz e à defesa dos mais desfavorecidos.

Ginsberg manteve a sua agenda social ativa até 5 de abril de 1997: dia em que morreu, na sequência de cancro do fígado. Tinha 70 anos. Antes de morrer, ligou aos amigos e familiares dizendo o seu último poema.

Datado de 30 de março, “Things I’ll Not Do" (Nostalgias) era uma lista de coisas que gostaria de fazer: visitar a Bulgária; beber chá de menta em Marrocos; olhar para a Esfinge, enquanto o sol se pusesse no deserto.

Allen Ginsberg and Peter Orlovsky in San Francisco, 1955


terça-feira, 21 de julho de 2020

The Cosmic Miracle of Trees: Astronaut Leland Melvin Reads Pablo Neruda’s Love Letter to Earth’s Forests

“Today, for some, a universe will vanish,” Jane Hirshfield writes in her stunning poem about the death of a tree a quarter millennium after William Blake observed in his most passionate letter that how we see a tree is how we see the world, and in the act of seeing we reveal what we are: “The tree which moves some to tears of joy is in the eyes of others only a green thing which stands in the way,” he wrote. “As a man is, so he sees.”

If a single tree is home to a miniature universe of life, and if we are learning with wide-eyed wonder that a tree is not a self-contained world but a synaptic node in a complex cosmos of relationships in constant and astonishing communication with other nodes, relationships that weave the fabric of earthly life, what does it make us — what does it reveal about our character, as a planetary people and a civilization — to watch the world’s forests vanish in flames before our eyes, in wildfires so ferocious as to be visible from space?


A century after Walt Whitman turned to trees as our wisest moral teachers and a generation before Wangari Maathai defended them with her life in a movement of moral courage that won her the Nobel Peace Prize, the Nobel-winning Chilean poet Pablo Neruda (July 12, 1904–September 23, 1973) — one of humanity’s furthest-seeing and lushest-minded artists — shone a gorgeous sidewise gleam at an answer by way of celebration rather than lamentation in a passage from his Memoirs ("Confesso que Vivi"), posthumously published in English the year the Voyager spacecraft captured that poetry-fomenting first glimpse of our Pale Blue Dot seen from far away. 

At the 2020 Universe in Verse, celebrating fifty years of Earth Day, astronaut and poetry-lover Leland Melvin — one of a fraction of a fraction of a percentage of humans in the history of our species to have left this rare planet, to have seen its forests and its intricate living web of relationships from the cosmic perspective, and to have returned loving it all the more passionately — breathed new life into Neruda’s forgotten words with a soulful reading of that passage:

Astronaut Leland Melvin reads “The Chilean Forest” by Pablo Neruda

“Under the volcanoes, beside the snow-capped mountains, among the huge lakes, the fragrant, the silent, the tangled Chilean forest… My feet sink down into the dead leaves, a fragile twig crackles, the giant rauli trees rise in all their bristling height, a bird from the cold jungle passes over, flaps its wings, and stops in the sunless branches. And then, from its hideaway, it sings like an oboe… The wild scent of the laurel, the dark scent of the boldo herb, enter my nostrils and flood my whole being… The cypress of the Guaitecas blocks my way… This is a vertical world: a nation of birds, a plenitude of leaves…

I stumble over a rock, dig up the uncovered hollow, an enormous spider covered with red hair stares up at me, motionless, as huge as a crab… A golden carabus beetle blows its mephitic breath at me, as its brilliant rainbow disappears like lightning… Going on, I pass through a forest of ferns much taller than I am: from their cold green eyes sixty tears splash down on my face and, behind me, their fans go on quivering for a long time… A decaying tree trunk: what a treasure!… Black and blue mushrooms have given it ears, red parasite plants have covered it with rubies, other lazy plants have let it borrow their beards, and a snake springs out of the rotted body like a sudden breath, as if the spirit of the dead trunk were slipping away from it…

Farther along, each tree stands away from its fellows… They soar up over the carpet of the secretive forest, and the foliage of each has its own style, linear, bristling, ramulose, lanceolate, as if cut by shears moving in infinite ways… A gorge; below, the crystal water slides over granite and jasper… A butterfly goes past, bright as a lemon, dancing between the water and the sunlight… Close by, innumerable calceolarias nod their little yellow heads in greeting… High up, red copihues (Lapageria rosea) dangle like drops from the magic forest’s arteries… A fox cuts through the silence like a flash, sending a shiver through the leaves, but silence is the law of the plant kingdom… The barely audible cry of some bewildered animal far off… The piercing interruption of a hidden bird… The vegetable world keeps up its low rustle until a storm chums up all the music of the earth.

Anyone who hasn’t been in the Chilean forest doesn’t know this planet. I have come out of that landscape, that mud, that silence, to roam, to go singing through the world."

sábado, 13 de julho de 2019

Dia Internacional do Mergulho Naturista


International Skinny Dip Day on the second Saturday in July celebrates the natural experience of a clothing-free swim. The day wraps up National Nude Recreation Week.

While many may turn their noses up at a skinny dip, organizers of the day say it’s a long-time tradition. Even famous American patriots such as Benjamin Franklin and John Quincy Adams enjoyed skinny dipping. Add to the list literary geniuses, Henry David Thoreau and Walt Whitman, too.

Interestingly, despite name dropping among skinny dipping’s fashionable founding fathers, the name lacked documentation until the 21st century. According to the Oxford English Dictionary, the first recording of the phrase “skinny-dip” in English is in 1947. The phrase seems as shy as some people are about the act.

In 2018, Ireland hosted the largest skinny dipping event. At the benefit, 2505 women swam naked raising funds for an anti-cancer charity.

You might even find out some benefits to skinny dipping. Reported health benefits to skinny dipping or swimming nude:
  • More skin is exposed to sunlight and therefore, more Vitamin D.
  • When you swim naked, there is no soggy, scratchy, or cold material sticking to your skin.
  • Your naked skin also dries much quicker.
How to Observe International Skinny Dip Day
While skinny dipping may not be for everyone, the event suggests the “Try it you might like it” attitude. If you do, here are some tips:
  • Choose an area that’s either A. designated for clothing-optional, or B. completely private.
  • It’s a good idea to know the local regulations.
  • Don’t forget sunscreen and insect repellent.
  • Don’t be drink too much – personally dangerous, and puts others at risk
  • Go at night for a sense of adventure and to help the self-conscious person.
  • Learn more about the event from the American Association for Nude Recreation.
  • Use Skinny Dipping or International Skinny Dip Day to join the conversation on social media.
International Skinny Dip Day History [aqui]
The American Association for Nude Recreation first celebrated the event in 2018. The sponsor, American Association for Nude Recreation, says the activity and the awareness day are so popular it continues to grow. Different international groups challenge each other to host world-record skinny dip events.

Mais informações aqui e aqui

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Poema da Semana - Walt Whitman


"Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre." - Walt Whitman

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Canto a mim mesmo, por Walt Whitman



Acho que poderia voltar e viver com os animais, são tão doces e autónomos.
Paro e observo muito.
Eles não se impacientam, nem se lamentam da sua situação.
Não choram os seus pecados na escuridão do quarto.
Não ficam chateados com as discussões sobre os seus deveres para com Deus....
Nenhum está descontente. Nenhum tem a mania de possuir objectos.
Nenhum se ajoelha perante o outro nem perante os antepassados que viveram há milénios.
Nenhum deles é respeitável ou infeliz em toda a face da Terra.
É assim que me mostram a sua relação comigo e eu aceito.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Encontros Improváveis: Walt Whitman e Klangstabil - Push Yourself



Vida 
Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.
- Walt Whitman

The Mysterious Geographic Explorations Of Jasper Morello

Mais informações sobre a curta-metragem premiada aqui

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Poema da Semana- Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco, por Walt Whitman



Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco,
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre.


Walt Whitman

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Of Books and the Stars ~ Walt Whitman


This is thy hour 
O Soul, thy free flight into the wordless, 
Away from books, away from art, the day erased, the lesson done, 
Thee fully forth emerging, silent, gazing, pondering the themes thou lovest best, 
Night, sleep, death and the stars 

~ Walt Whitman

domingo, 29 de janeiro de 2012

Encontros Improváveis- Hans Werner Henze e Walt Whitman


Darest Thou Now O Soul

Darest thou now O soul,
Walk out with me toward the unknown region,
Where neither ground is for the feet nor any path to follow?

No map there, nor guide,
Nor voice sounding, nor touch of human hand,
Nor face with blooming flesh, nor lips, nor eyes, are in that land.

I know it not O soul,
Nor dost thou, all is a blank before us,
All waits undream'd of in that region, that inaccessible land.

Till when the ties loosen,
All but the ties eternal, Time and Space,
Nor darkness, gravitation, sense, nor any bounds bounding us.

Then we burst forth, we float,
In Time and Space O soul, prepared for them,
Equal, equipt at last, (O joy! O fruit of all!) them to fulfil O
soul.

Whispers of heavenly death

Whispers of heavenly death murmur'd I hear,
Labial gossip of night, sibilant chorals,
Footsteps gently ascending, mystical breezes wafted soft and low,
Ripples of unseen rivers, tides of a current flowing, forever flowing,
(Or is it the plashing of tears? the measureless waters of human
tears?)

I see, just see skyward, great cloud-masses,
Mournfully slowly they roll, silently swelling and mixing,
With at times a half-dimm'd sadden'd far-off star,
Appearing and disappearing.

(Some parturition rather, some solemn immortal birth;
On the frontiers to eyes impenetrable,
Some soul is passing over.)

Estes dois poemas de Walt Whitman, integrados na secção Whispers of Heavenly Death de "Folhas de Erva", representam uma das explorações mais sublimes e metafísicas da transição entre a vida e o que lhe sucede. Para Whitman, a morte não é um evento lúgubre ou um fim absoluto, mas sim uma expansão da consciência e uma libertação definitiva das amarras materiais.

No primeiro poema, "Darest Thou Now O Soul", o poeta estabelece um diálogo íntimo com a sua própria alma, desafiando-a a caminhar em direção ao "desconhecido". Esta região é descrita pela ausência de tudo o que nos é familiar: não há solo, nem guias, nem sentidos físicos como o toque ou a visão. Whitman utiliza a metáfora do "afrouxar dos laços" para descrever o momento em que as limitações humanas — a gravidade, o tempo linear e o espaço físico — deixam de exercer força sobre o indivíduo. O poema culmina numa nota de triunfo e alegria absoluta, sugerindo que, ao morrer, a alma atinge finalmente o seu estado pleno, tornando-se igual ao Universo e pronta para o preencher.

Já em "Whispers of Heavenly Death", o tom torna-se mais atmosférico e sensorial. O poeta escuta a morte como se fosse um murmúrio, uma "fofoca labial da noite" ou brisas místicas. Ele utiliza elementos da natureza, como rios invisíveis e massas de nuvens, para pintar o cenário desta fronteira espiritual. Há um momento de profunda humanidade quando ele questiona se o som que ouve é o fluxo da eternidade ou o "respingar de lágrimas humanas", reconhecendo o luto que acompanha a partida. No entanto, a conclusão é reveladora: Whitman descreve a morte como uma "parturition" (um parto). Para o autor, o que parece ser o fim de uma vida é, na verdade, um nascimento solene e imortal; a alma não está a desaparecer, mas sim a atravessar uma fronteira em direção a uma existência superior.

Em conjunto, estes textos refletem a crença transcendentalista de que a alma é eterna e que a morte é apenas a última grande aventura do ser humano — um passo necessário para que o "eu" se liberte da sua casca finita e se funda com o infinito.

Biografia: Hans Werner Henze

quinta-feira, 15 de março de 2007

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sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Apenas há uma estrada....a menos viajada!!

1. Um olhar de Walt Whitman (poemas bilingues retirados do artigo Natureza e Poesia-Naturlink)
1.1. I believe a leaf of grass is no less than the journey-work of the stars,And the pismire is equally perfect, and a grain of sand, and the egg of the wren,And the tree-toad is a chef-d’oeuvre for the highest
Creio que uma folha de erva não vale menos que a jornada das estrelas / E que a formiga não é menos perfeita, nem um grão de areia, nem um ovo de carriça / E que o sapo é uma obra-prima para o mais exigente.

1.2. wonder about the trees:Why do we wish to bear Forever the noise of this (…)
Questiono-me acerca das árvores / Porque pretendemos nós preservar para sempre o seu som?

1.3. Two roads diverged on a yellow wood,I took the one less travelled by,And that made all the difference.
Numa estrada amarela, duas estradas divergem / Segui a menos viajada / E isso fez toda a diferença.

2. Novos Portais do GEA (com imensa informação disponível e actualizada)
Portais Agenda 21 Local, Zero Resíduos, Fórum do Urbanismo e Portal do Ambiente e do Cidadadão da Maia (Setembro de 2006)
3. Estou mais feliz: o Vulgar de Lineu regressou à blogosfera!!