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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O meu tributo a Miguel Torga - vídeo da minha autoria e uma citação


Pequeno filme feito por mim, com fotos minhas. Música de Cocteau Twins.

Pelas terras de Miguel Torga. Minha homenagem.
For the land of Miguel Torga, great portuguese poet. My tribute.
De la terre de Miguel Torga, poet portugais . Ma grand hommage.

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Cada época - por Miguel Torga


"Cada época é definida pelo que apresenta de novo, de especificamente seu. Pode não ser um alto pensamento filosófico, uma grande reforma moral, uma arte requintada, uma ciência generosa. Mas há-de ser a dádiva de qualquer uma dessas manifestações humanas, ou todas, numa concepção inteiramente inédita, original, inconcebível noutro tempo da história."

Miguel Torga in Diário (1943)

Miguel Torga , pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, é um dos mais prestigiados poetas e escritores portugueses do século XX. Destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas também escreveu romances, peças de teatro e ensaios.
A sua intervenção cívica, na oposição ao Estado Novo e na denúncia dos crimes da guerra civil espanhola e de Franco, valeu-lhe a apreensão de algumas das suas obras pela censura e a prisão pela polícia política portuguesa. Esteve preso na Cadeia do Aljube. Chegou a pensar em sair do país, mas não o fez por se sentir preso à pátria e a Trás os Montes, longe do qual seria um "cadáver a respirar".

Site

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Encontros Improváveis: Miguel Torga, Cartaz por João Soares e Richie Havens

Cartaz elaborado por João Soares

Liberdade! Freedom! Liberté!
Miguel Torga e  telediscos de Richie Havens e Young Gods

 

Grande Richie Havens (21/1/1941 – 22/4/2013), reconhecido cantor norte-americano. Em 1969, Havens abriu o Festival de Woodstock; Havens foi aclamado pela multidão e foi tocando até ficar sem músicas, decidindo improvisar uma versão de "Motherless Child", a qual ele acrescentou um verso com a palavra "freedom" repetida várias vezes. Esta versão transformar-se-ia num sucesso internacional com o lançamento do documentário Woodstock em 1970.

Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

Miguel Torga, in 'Diário XII'


Grande banda suíça Young Gods toca a música Freedom por Richie Havens.

Postagem relacionada
Poema Freedom por Richie Havens

Richie Havens era conhecido pelas suas versões de músicas dos Beatles e de Bob Dylan, que muitas vezes acabavam por soar mais "intensas" do que as originais devido ao seu estilo percussivo.

terça-feira, 29 de junho de 2004

REBATE - Miguel Torga

Tempos muito insólitos estes que vive a Democracia e que agravarão ainda mais o Ambiente, já de si ignorado e excluído dos discursos dos 3 B ( BUSH, BARROSO e BLAIR). Em relação à crise politica nacional instalada, é necessário pensar na estabilidade mas atravessá-la com lucidez, restituindo a segurança e a confiança dos cidadãos no seu Governo. Encontrei esta reflexão que li no blog Macacos Sem Galho e que achei o texto muito curioso e que se relaciona com a palvra AWOL:

Hoje apetece-me dar-vos uma palavra e essa palavra é AWOL.

AWOL significa ausente do seu posto sem permissão. Por exemplo, se um belo dia decidirem não ir trabalhar, passar o dia na praia e não dizer nada a ninguém, poderá dizer-se que estão AWOL.

O termo é mais comum entre os militares: aquilo a que também se chama deserção. Mas não é bem exactamente deserção, porque da deserção não se volta, está subentendido que se fugiu de vez, ou mesmo que se passou para o lado do inimigo. A ausência do posto sem autorização pode ter uma explicação qualquer (como, ter-se levado uma valente coronhada e estar-se amarrado na traseira de um Chaimite) e o soldado em questão pode ainda regressar ao seu posto, teoricamente.
AWOL é, então - adivinharam - uma sigla, daí escrever-se sempre em maiúsculas. E como manda a lógica, significa Absent Without Official Leave. Portanto, como eu já tinha dito, ausente sem ordem de saída oficial.

Perante o que se possa avizinhar mais de grave nos próximos tempos, é urgente estarmos bem atentos e saber VER. Juntemos a nossa vossa Voz ao grande Miguel Torga e tocar a rebate!

REBATE

Minha terra,
Meu povo,
Que sempre vos amei,
Que sempre vos cantei,
E que nunca jurei
O vosso nome em vão.

Minha terra,
Meu povo,
Dizei-me nesta hora de agonia
Que essa fidelidade
Desafia
Quem à sombra da noite e à luz do dia
Negue no mundo a vossa eternidade.

Diário XII, p. 180.


Diga-me amigo

o senhor que tanto sabe /do passado, do presente e do futuro da nossa gente /

diga-me que genética ou que História /nos transformou nas quimeras que hoje somos/ quem nos fez de tão larga imaginação e tão estreito agir / de tanto falar e tão pouco fazer d'este permanente ser e não ser /de tanto querer e tanto temer / de tanto criar e tão pouco ousar
.

«Cuido que as coisas mais válidas que escrevi, sabem à terra nativa que trago agarrada aos pés».

Miguel Torga




quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Pensamento da Semana- Miguel Torga


Um Autêntico Sonho de Amor
Orgulho, vaidade, despeito, rancor, tudo passa, se verdadeiramente o homem tem dentro de si um autêntico sonho de amor. Essas pequenas misérias são fatais apenas no começo, na puberdade, quando se olha uma janela e se desflora quem está lá dentro. Depois, não. Depois, sofre-se é pelo homem, é pela estupidez colectiva, é por não se poder continuar alegremente num mundo povoado, e se desejar um deserto de asceta. O ascetismo é a desumanização, é o adeus à vida, e é duro ser uma espécie de fantasma da cultura cercado de areias.
Miguel Torga, in "Diário (1948)"

domingo, 1 de abril de 2012

Inauguração da Página Bioterra no Facebook


Miguel Torga é mesmo universal. A energia tem que nascer de nós. O meu obrigado aos novos membros que aderiram à minha página facebook e sejam bem-vindos. Contem comigo e conto convosco para um mundo cheio de Amaz"on"!
Warm welcome to my new members on facebook´s page.

COSMORAMA
Porque será que não medram aqui
Senão ódios e pedras?
Pátria maninha de outras sementeiras!
Cores derramadas, e os pintores não pintam;
Formas aos gritos, e os cinzéis parados;
Versos já feitos, e ninguém os lê!
Tudo seco e mirrado.
A terra na incultura que se vê,
E o mar como um piano abandonado.

Miguel Torga

Dossiê Bioética actualizado.

terça-feira, 25 de abril de 2023

Poema da Semana: "A Terra" de Miguel Torga

A Terra

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

Odes, livro de poemas. 1ª edição 1946.
Miguel Torga

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dia Internacional do Livro Infantil



O Dia Internacional do Livro Infantil celebra-se anualmente em 2 de abril.

Esta data é celebrada por iniciativa do Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY), que em Portugal é representada pela Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil (APPLIJ).

O IBBY criou o Dia Internacional do Livro Infantil em 1967, para homenagear o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, (autor de algumas das histórias para crianças mais lidas em todo o mundo), cujo aniversário do nascimento é assinalado a 2 de abril.

Dia do Livro Infantil em Portugal
Todos os anos é divulgada pela IBBY uma mensagem de incentivo à leitura, da autoria de um escritor de nacionalidade diferente, que é depois traduzida e divulgada nos países que integram o IBBY. O cartaz português é sempre da autoria do ilustrador vencedor do Prémio Nacional de Ilustração.

Atividades para o Dia do Livro Infantil
Existem inúmeros livros infantis de escritores nacionais e estrangeiros. Destacam-se alguns escritores de livros infantis mais adorados: Sophia de Mello Breyner Andresen, Hans Christian Andersen, Miguel Torga, José Saramago, Alice Vieira, Luis Sepúlveda, etc.

Livros para o Dia Internacional do Livro Infantil
  • O Soldadinho de Chumbo, de Hans Christian Andersen
  • Histórias e Contos Completos, de Hans Christian Andersen
  • Úrsula, a Maior, de Alice Vieira
  • Livro com cheiro a morango, de Alice Vieira
  • A Maior Flor do Mundo, de José Saramago
  • O Cavaleiro da Dinamarca, de Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Bichos, de Miguel Torga
  • O Gato das Botas, Charles Perrault
  • O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
  • História de um gaivota e do gato que a ensinou a voar, de Luis Sepúlveda
Links relacionados
Dia Internacional do Livro Infantil | Comissão Internacional do Livro Infantil [en]
Dia Internacional do Livro Infantil 2023 | Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas
International Board on Books for Young People

Youtube

Tese Doutoramento

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Rio Sabor, por Miguel Torga


Rio Sabor

Não pares coração!
Temos ainda muito que
lutar....
Que seria dos montes
e dos rios
Da nossa infância
Sem o amor palpitante
que lhes demos
A vida inteira?
Que seria dos homens
desesperados,
Desamparados
Do conforto das tuas
pulsações
E da cadência surda
dos meus versos?
Não pares!
Continua a bater
teimosamente,
Enquanto eu,
Também cansado
Mas inconformado,
Engano a morte
a namorar os dias
Neste deslumbramento,
Confiado
Em não sei que poético
advento
Dum futuro inspirado.~ Miguel Torga, "Cordial"

domingo, 5 de dezembro de 2010

Encontros Improváveis- Sísifo- por Miguel Torga e pensamento de Albert Camus

“Sisyphus”, Titian, Oil on canvas, 237 x 216 cm, Madrid, Museo Nacional del Prado

Para Albert Camus, Sísifo é o expoente daquilo que chama o “homem absurdo” ou o homem com uma “sensibilidade absurda”. Este é o homem perpetuamente consciente da inutilidade e futilidade da sua vida, que ainda assim não desiste de a transformar em algo maior.
Através da banalização de sua realidade, o homem passa a vibrar indiferentemente para aquilo que está a sua volta e, em meio ao seu corpo social, se expressa com agressividade para se proteger, ao mesmo tempo em que quer ser reconhecido pelos seus semelhantes.
"É durante esse retorno, essa pausa, que Sísifo me interessa. Um rosto que pena, assim tão perto das pedras, é já ele próprio pedra! Vejo esse homem redescer, com o passo mais igual, para o tormento cujo fim não conhecerá. Essa hora que é como uma respiração e que ressurge tão certamente quanto sua infelicidade, essa hora é aquela da consciência. A cada um desses momentos, em que ele deixa os cimos e se afunda pouco a pouco no covil dos deuses, ele é superior ao seu destino. É mais forte que seu rochedo." (ALBERT CAMUS)
Somos todos Sísifos. Realmente... não há castigo pior no mundo que o trabalho inútil e sem esperança. No entanto, segundo o próprio Camus: "A própria luta em direção aos cimos é suficiente para preencher um coração humano. É preciso imaginar Sísifo feliz."

SÍSIFO - MIGUEL TORGA
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia...
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

De nenhum fruto queiras só metade, por Miguel Torga

Alexi Zaitzevi

De nenhum fruto queiras só metade
Recomeça…Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.


De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga

quarta-feira, 21 de março de 2012

Poemave e aves com poemas dentro- o ninho de Miguel Torga e os horneros da América do Sul

Dia Mundial da Poesia




Horneros : ενασ πρακτικοσ και αυτοδιδακτοσ αρχιτεκτων στην ουρουγουαη ! Urban horneros a perfect architect in Uruguay !


Por mero acaso encontrei este encantador vídeo, depois de estar à volta de papeladas, notas para dar e reflexões profissionais...Depois uma coincidência de "crise" por estar escrito em Grego.Mantenho o título original.
Além disso, os meus leitores sabem que nutro especial carinho e atenção pelos sul-americanos. Os horneros são abundantes por essas terras. Aliás o hornero é o símbolo nacional da Argentina.
Oxalá que aos gregos e argentinos e povos subjugados pela Troika e que me visitem possa com esta postagem transmitir daqui toda a minha solidariedade, rebelião e esperança. Aos meus leitores lusos, observem os lírios do campo, as aves....e os ninhos! Leiam e declamem poemas.
E depois o ninho! Quanta fragilidade, mas ao mesmo tempo a solidez, a geometria e os baixos recursos que são as respostas adaptativas ao meio e que as aves magnificamente revelam!
Complemento a postagem com o poema de Miguel Torga- O Ninho (cortante, voador e vertical)!
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.


Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

sábado, 31 de maio de 2014

Encontros Improváveis- Miguel Torga e Julianna Barwick




Aos Poetas

Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!

E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!

Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!

Miguel Torga, Odes

Biografia e discografia
Página Oficial
Vevo
Youtube

terça-feira, 23 de março de 2021

Encontros Improváveis: Miguel Torga e Cruzeiro Seixas

Artur Cruzeiro Seixas

Viagem
Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar…
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura…
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.
Miguel Torga

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Encontros Improváveis: Miguel Torga e David Fonteyne

David Fonteyne

"Sou poeira também, folha de outono.
Rês tresmalhada que não quer abrigo
No calor do redil de nenhum dono.
Leva-me, e livre deixa-me cair
No deserto de todas as lembranças,
Onde eu possa dormir

Como no limbo dormem as crianças."
Miguel Torga

Iniciado ainda jovem nos mistérios da cor por seu avô, David Fonteyne não consegue se lembrar de um único dia de sua vida sem pintar. Vendeu seus primeiros quadros aos doze anos, já orgulhoso de continuar a tradição familiar. A carreira artística de seus ancestrais é de facto rica em inúmeros prémios. David prefere dar rédea solta aos seus impulsos, varrer os códigos e celebrar sua independência. Inflamado pelas possibilidades ilimitadas da arte, ele dá todo o seu ser em cada uma de suas pinturas. Através de suas marinhas e paisagens, David convida o público a explorar novos territórios.

Página Oficial - David Fonteyne

domingo, 13 de outubro de 2013

Encontros Improváveis: Miguel Torga e Tom Waits- Flower´s Grave


Flower´s grave, Tom Waits 
Someday the silver moon and I will go to dreamland
I will close my eyes and wake up there in dreamland 
And Tell me who will put flowers on a flower's grave?
Who will say a prayer?
Will I meet a China rose there in dreamland?
Or does love lie bleeding in dreamland?
Are these days forever and always?

"Sobretudo, não desesperar. Não cair no ódio, nem na renúncia. Ser homem no meio de carneiros, ter lógica no meio de sofismas, amar o povo no meio da retórica."
Miguel Torga

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Hoje faço (44) anos

Partilho convosco uma belíssima foto do Miguel Pimenta e um poema sobre o Mar de Miguel Torga, escrito no ano do meu nascimento


Ilhas Cies, Galiza- Foto do meu Amigo Miguel Pimenta
Mar Sonoro

Rumor das ondas, música salgada,
Eterna sinfonia
Da energia
Inquieta:
Que búzio te ressoa a nostalgia
Além do meu ouvido de poeta?

Torga, 1966

quinta-feira, 15 de março de 2007

Dossiê Poesia e Educação Ambiental




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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Recomeçar


«Temos de agradecer à vida as possibilidades que nos dá de recomeçar. Penso na máxima repetida por Santo António Abade, fundador do monaquismo. De forma lapidária, ele explicava: “Em cada manhã digo ao meu coração: hoje começo.” Mas pode acontecer que perante a ideia de recomeçar nos sintamos impreparados. Como quando os “regressos” de setembro parecem requerer um suplemento de energia e um alento que havíamos jurado recuperar no período de férias, mas que percebemos agora que não foi assim. Ou quando o tempo fora de nós (o das agendas, dos ciclos de trabalho, da pressão social) não coincide exatamente com o tempo interior que estamos a viver. Na verdade, porém, isso não constitui um obstáculo para recomeçar.
O sentimento de impreparação, quantas vezes não o experimentámos já! De certa maneira, e na proporção devida, é condição do próprio recomeço. Sem ele não nos sentiríamos principiantes (que é a maneira mais bela de honrar a vida); não olharíamos para o que vem como um horizonte aberto, do qual há tanto a aprender; não nos tornaríamos exploradores do casual e do novo; não irromperíamos tremeluzentes como o fazem as dezenas de flores que escolhem florescer não na primavera, mas em pleno outono (por exemplo, a flor do medronheiro, as candeias, o açafrão-bravo, a torga). Sempre que recomeçamos, a vida nos toca com maior intensidade. E se insiste em mobilizar em nós uma força súbita, um impulso e um ardor cuja evidência não vemos é, no fundo, para nos despertar, para nos demonstrar que tal é possível, e nos introduzir, desse modo, numa tensão criativa que não é senão a forma plástica que resgata a vida da rigidez, da estase ou do desânimo.
Encaremos, portanto, com confiança os recomeços, tão vitais mesmo na sua exigência; tão propícios, ainda se nos colhem num movimento desfasado, com perplexidades e demoras. Hannah Arendt escreveu: “O curso da vida humana, direcionado para a morte, conduziria o ser humano ao declínio e à destruição se este não tivesse a faculdade de interrompê-lo e de iniciar algo de novo... Os seres humanos, mesmo se devem morrer, não nasceram para morrer, mas para começar.” Somos chamados a isso em ocasiões diferentes da nossa vida, e as causas podem ser muito concretas: um sofrimento ou uma alegria, uma transformação, um objetivo a atingir. Mas podem ser também razões mais amplas, como se começar/recomeçar se tornassem simplesmente a nossa atitude perante a existência, como o Padre do deserto, Santo António Abade, propunha.
Essa espécie de lento parto que recomeçar significa não está dito que seja indolor. Contudo, será sempre melhor do que passar pela vida que nos pertence como um estranho, sem chegar nunca ao seu âmago, sem ter compreendido apaixonadamente o que se pode entender e olhado, com consciente espanto, a porção irremovível de mistério nela contida. Um coração amadurecido sabe que a vida não se consuma em campos necessariamente alternativos (ou isto, ou aquilo), mas espera de nós a capacidade de desenhar complementaridades. É na noite que a aurora começa. Não raro, os risos mais inesquecíveis chegam acompanhados de abundantes lágrimas. E, com a perceção dos nossos limites, aprendemos a conhecer não apenas a impotência, mas também possibilidades que não víamos. Avizinhamo-nos melhor daquilo que somos. O poeta Miguel Torga contava assim como chegou à escolha do seu pseudónimo: “Torga é uma planta transmontana, urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Assim como eu sou duro e tenho raízes em rochas duras.”»
José Tolentino Mendonça