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domingo, 5 de julho de 2009

Pina Bausch dança para nós em Café Muller (1978)



Pina Baush era mesmo muito amiga de Portugal e Brasil. Pina Bausch rara, criativa, imprevisível e criadora de obras de grande elevação ética, através do bailado.

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Pina Bausch em 2005 apresentou em Portugal Cravos e Céu e Terra


quinta-feira, 14 de julho de 2005

“Nelken” (Cravos) por Pina Bausch


Centenas de cravos brancos e vermelhos enchem a sala, onde homens e mulheres desconfortados vagueiam pela sala, perdidos, ora vestindo roupa de crianças desgrenhadas, ora transmutando-se em adultos. Preenchem o vazio com os seus próprios erros e diálogos desconexos. Subitamente, emerge um coro, e todos embarcam numa dança desenfreada, ao som dos anos 30. A imagem onírica é subitamente interrompida por uma figura autoritária, que ofende uma das personagens e aqui a história desemboca no tragicómico, cravada pelo medo, incertezas e uma obscuridade perpassada por soldados alemães que exprimem a sua agressividade ao som da música.
Nelken não é mais que um eterno teatro de experiências e sentimentos que Bausch nos transmite ao som de Billie Holiday, Franz Lehar, George Gershwin e Richard Tauber entre outros.
[Fonte: Rua de Baixo]

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Dossiê Música Erudita

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Sagração da Primavera - Le Sacre du Printemps - The Rite of Spring - Das Frühlingsopfer - Consagración de la Primavera, por Pina Bausch


A Sagração da Primavera, do compositor erudito russo Igor Stravinsky, subverte a estética musical do século XX, dando origem ao Modernismo. A célebre composição musical deste irreverente artista do século passado é hoje considerada um símbolo da musicalidade erudita, mas na época causou polêmica ao embalar o balé em dois atos criado pelo não menos rebelde Vaslav Nijinsky, coreógrafo também originário da Rússia.

Este espetáculo narra a trajetória de uma garota marcada para ser entregue como oblação à divindade primaveril, no auge de um ritual pagão, com o objetivo de conquistar para seu povo uma colheita proveitosa. O seu cenário foi arquitetado pelo artista plástico e arqueólogo Nicholas Roerich, e a estreia se deu em pleno Théâtre des Champs-Élysées, na capital francesa, no dia 29 de maio de 1913.

Esta obra revolucionou praticamente todas as principais características da música de então, ou seja, o arcabouço do ritmo, a estrutura orquestral, o timbre, a forma, os aspectos harmônicos, a maneira como se utilizavam as dissonâncias, e o valor conferido à percussão, a qual sobrelevava a própria melodia, algo impraticável até este momento.

Não foi casualmente que esta peça escandalizou a sociedade da França em sua estreia. O público não sabia como assimilar tantas mudanças e subversões, não estava preparado para recepcionar positivamente esta nova estética. A proposta coreográfica também foi rejeitada, por seu caráter primitivista, pelo resgate da ancestral arte rupestre.

Sobraram vaias por todos os lados, e o caos instaurou-se na plateia. Diversos músicos e maestros  retiraram-se do teatro logo no começo da representação, revoltados com a nova abordagem dos instrumentos. Atualmente a história de sua polémica apresentação talvez seja mais conhecida que a obra em si.

O espetáculo é estruturalmente dividido em duas partes essenciais: a adoração da terra e o sacrifício. A orquestra é composta por 8 trompas entre 38 instrumentos de sopro. Tudo tem início com a execução de compassos de fagote, seguidos pelo princípio de uma musicalidade lituana, por um andamento sem nenhuma simetria e repleto de padrões complexos, e por um timbre raro nos instrumentos.

Ainda hoje sua natureza subversiva desnorteia o público, por seu teor provocativo e incivilizado. No palco desfilam cenas ancestrais e excêntricas, despertando em quem as assiste emoções aflitivas. Músicas de natureza folclórica distorcidas, uma feroz estruturação de ritmos totalmente independentes, harmonias politonais desagradáveis aos ouvidos, a rejeição drástica das frases longas, a transferência constante dos acentos rítmicos, a inebriante criação de novos timbres, são características que contribuem para o desconcerto do público. Mas também são aspectos que transformam A Sagração da Primavera numa completa detonação de energia e vida.

A linguagem de Stravinsky centra-se principalmente no ritmo, totalmente destacado na sua estética, o núcleo essencial da sua obra. Ela também é caracterizada pela carência de foco e pelo declínio da narrativa, como já se prenunciava na literatura e na pintura. Da mesma forma que nestas esferas da criação, observa-se na Sagração da Primavera a renúncia ao universo da lógica e da objetividade, um reflexo do mundo moderno.

Crónica sobre a "A Sagração da Primavera" aqui