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quarta-feira, 4 de março de 2026

Viriato Soromenho-Marques: entre vegetarianos e canibais


O Presidente do governo espanhol tem estado debaixo de “fogo amigo” pela sua dupla tomada de posição. Primeiro: condenação da guerra ilegal dos EUA e Israel contra o Irão, iniciada com a particular vilania, confessada sem pudor por Trump, de usar negociações como uma cilada para encontrar o melhor momento para assassinar o líder do regime e o maior número possível de seus colaboradores. Segundo: Recusa de Madrid em autorizar o uso das bases espanholas para o transporte de material norte-americano para o teatro da guerra.

Pedro Sánchez resiste sozinho na União Europeia. Já tinha ficado isolado, em 25 de junho de 2025, quando a NATO decidiu aprovar a absurda proposta do presidente norte-americano de aumentar o orçamento militar de cada Estado-membro para 5% do PIB. No rebanho manso dos líderes dos 32 países da Aliança Atlântico, só Sánchez ergueu a voz para afirmar que esse esforço belicista iria causar danos irreparáveis nos investimentos públicos na saúde, educação e apoio social de todos os países que o aplicassem, prejudicando a qualidade de vida dos cidadãos. Será muito difícil que seja apenas Sánchez a pensar aquilo que é óbvio, mas a verdade é que foi ele o único que teve a coragem de dizer o que pensa sem temer represálias de Trump. Essa coragem revelou, claramente, a profunda cobardia em que assenta a obediência do “Ocidente alargado” por tudo o que Washington diga, faça, ou obrigue os “aliados” a dizer e a fazer.

Os fundamentos da posição de Sánchez, contra o apoio ao ataque ilegal de Washington e Telavive a Teerão, são explicitados pelo próprio da seguinte forma: “Não à violação do direito internacional. Não a aceitar que o mundo só pode resolver os seus problemas através de conflitos e bombas. E, finalmente, não a repetir os erros do passado. A posição do governo de Espanha é esta: Não à guerra”. Perante isso, numa reunião com o Chanceler alemão F. Merz, dia 3 de março na Casa Branca, Trump insultou Sánchez e ameaçou cortar relações comerciais com Espanha. Merz, talvez o vassalo mais obediente de Trump, deu razão ao magnata-presidente na crítica a Sánchez, e reiterou a concordância alemã com a operação militar de mudança de regime em Teerão, afirmando que “O Irão não deve ser protegido pela lei internacional”.

Em Portugal, Durão Barroso, entrevistado pela RTP, com um sorriso trocista de quem se sente herdeiro de Metternich ou de Kissinger, acusava Sánchez de ter cometido um “erro grave”, ofendendo o macho dominante do Ocidente. Com a sua experiência de ter hospedado nas Lajes, em vésperas de guerra, os chefes de governo que em março de 2003 iniciariam a destruição do Iraque, sob o pretexto de mentiras tão grosseiras como as usadas hoje por Trump para destruir o Irão, Durão Barroso sentenciou: “A Europa não pode ser o único vegetariano num mundo de carnívoros”. Quando os europeus começarem a pagar o imenso preço económico da guerra de Trump e Netanyahu, talvez uma dieta de batata e couves seja a única alternativa para muita gente.

Na verdade, o que está em causa é algo de bem mais terrível. O início desta guerra, mostrou para todos os líderes políticos do mundo, que a palavra dos EUA não vale nada. O Presidente da paz, que combatia o intervencionismo de Biden e aspirava ao Nobel, enganou os eleitores do seu país e o mundo inteiro. Em especial, Xi e Putin nunca mais darão crédito a quem mata os chefes de Estado dos países com quem está em negociações de paz. Se não formos capazes, como afirma Sánchez, de recusar o caminho da violência, assumindo a via da diplomacia e do respeito pelos outros, indivíduos ou Estados (como exige a Carta das Nações Unidas), acabaremos por mergulhar numa guerra generalizada, culminando na destruição da civilização humana sob o impacto das 12 000 armas nucleares à espera de entrar na história.

Os infelizes que sobreviverem entre os escombros da última das guerras, vegetarão num inferno, sem destino nem salvação. A escolha dos sobreviventes não será entre serem vegetarianos ou carnívoros, mas entre morrerem à míngua ou cederem ao horror do canibalismo… O Ocidente transformou-se num vácuo moral e num deserto de inteligência. Este Portugal de Montenegro e Rangel (herdeiros de Costa), limita-se a colocar um tapete vermelho a todos os caprichos de Washington. Fomos um império. Hoje somos uma estação de combustível no meio do Atlântico. Uma colónia periférica de um Ocidente que promete terminar num crepúsculo explosivo. Sánchez é o único líder que tem a coluna direita, com pés assentes no realismo da prudência, sem abdicar de princípios universais, onde todos se possam acolher. Infelizmente, nesta Europa, que perdeu o rumo e a alma, Sánchez parece ser a exceção que confirma a regra.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Rússia, Ucrânia e a Europa

Putin tem de compreender que não é a reencarnação de Alexandre Nevsky, nem o guardião mítico de uma fortaleza sitiada por inimigos medievais. A história não se repete sob a forma de epopeia defensiva permanente, e o século XXI não é um campo de batalha contra mongóis, suecos ou hordas napoleónicas. O terror nazi pertence ao passado histórico europeu, por mais traumático que tenha sido, e a Pátria russa não está hoje sob ameaça existencial.
Os russos têm de reconhecer que existe algo chamado direito internacional, construído precisamente para impedir que os traumas históricos se transformem em guerras preventivas. As fronteiras reconhecidas dos Estados não são sugestões geográficas: são garantias jurídicas da estabilidade global. A sua violação não é acto defensivo; é ruptura da ordem internacional.
Mas também os europeus têm responsabilidades. Devem compreender que os povos da grande mãe Rússia carregam traumas históricos profundos — invasões, cercos, devastação — que moldaram uma cultura estratégica de suspeita e defesa. Ignorar essa memória colectiva é um erro político. A estabilidade exige não apenas firmeza jurídica, mas também inteligência estratégica e capacidade de reduzir percepções de ameaça.
Nesse sentido, a Europa deve agir com prudência, evitando transformar a segurança do continente numa escalada permanente de blocos militares. Segurança não se constrói apenas com expansão de alianças, mas com arquitectura de confiança e previsibilidade.
Por fim, importa sublinhar que eventuais problemas internos da Ucrânia — incluindo fenómenos políticos extremistas — pertencem à esfera soberana dos ucranianos. Nenhum país pode invocar fragilidades internas de outro como pretexto para intervenção armada. A autodeterminação não é selectiva.
Seria tão simples — se a história não fosse permanentemente instrumentalizada, e se o medo deixasse de ser argumento.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Dia Internacional da Língua Materna


Celebrado anualmente em 21 de fevereiro, o Dia Mundial da Língua Materna é muito mais do que uma data no calendário; é um lembrete de que o idioma que aprendemos no colo dos nossos pais é a base da nossa identidade, cultura e forma de ver o mundo.

A data foi proclamada pela UNESCO em 1999 e oficializada pela ONU em 2002.

Sabia que? O idioma Ubykh (Turquia), extinto em 1992, tinha um dos sistemas sonoros mais complexos do mundo. Com a sua morte, sons que o ser humano era capaz de produzir perderam-se para sempre na prática quotidiana.

O desaparecimento acelerado de idiomas no século XXI representa uma das maiores crises de património imaterial da humanidade. Segundo o relatório Ethnologue (2025/2026), aproximadamente 40% das 7.168 línguas catalogadas no mundo estão em risco de extinção, um fenómeno impulsionado pela globalização económica e pela hegemonia de idiomas transnacionais. O World Atlas of Languages da UNESCO (2025) reforça que esta perda não é meramente vocabular, mas sim a erosão de sistemas de conhecimento ecológico, histórico e espiritual únicos. No contexto da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032), o foco global deslocou-se da simples documentação passiva para a revitalização ativa, onde o uso da língua materna na educação básica é apontado como o fator determinante para a sobrevivência de uma cultura.
A tecnologia tem desempenhado um papel ambivalente neste cenário. Se, por um lado, o mundo digital exclui línguas sem representação escrita ou técnica, por outro, surgem ferramentas inovadoras de salvaguarda. Projetos como o Woolaroo, do Google Arts & Culture, utilizam inteligência artificial para identificar objetos através da câmara e traduzi-los instantaneamente para idiomas ameaçados, como o Ibibio ou o Maia, criando uma ponte visual para as novas gerações. Outras plataformas, como o Indigenous Languages Digital Archive (ILDA) e a aplicação FirstVoices, permitem que comunidades isoladas criem os seus próprios dicionários de áudio e jogos educativos, garantindo que a fonética correta seja preservada mesmo quando o número de falantes nativos é reduzido.
A nível bibliográfico, os estudos de Crystal (2000) em Language Death continuam a ser a base teórica para compreender porque é que as línguas morrem, mas são os relatórios anuais da UNESCO (2024, 2025) que traçam o mapa atualizado da urgência. Estes documentos sublinham que a "morte" de uma língua ocorre habitualmente em três gerações: quando os avós a falam, os pais a entendem mas não a praticam, e os filhos a desconhecem por completo. Portanto, as ferramentas de gamificação e os arquivos digitais de livre acesso tornam-se, em 2026, as principais armas contra o silenciamento cultural, transformando dispositivos móveis em veículos de resistência linguística.

Referências e Relatórios Consultados:
Crystal, D. (2000). Language Death. Cambridge University Press.
Eberhard, D. M., Simons, G. F., & Robinson, A. J. (Eds.). (2026). Ethnologue: Languages of the World (29th ed.). 
UNESCO (2025). World Atlas of Languages: Global Status Report on Linguistic Diversity. 
United Nations (2022). Global Action Plan of the International Decade of Indigenous Languages (2022–2032).

Como estamos em Portugal, a análise do nosso território revela um contraste fascinante e preocupante entre a homogeneidade do português padrão e a resistência de pequenos enclaves linguísticos que lutam pela sobrevivência em 2026.

O Caso do Noroeste e Nordeste de Portugal
No interior de Portugal, a erosão linguística está diretamente ligada à desertificação humana. O Mirandês, a única língua regional oficialmente reconhecida (Lei n.º 7/99), entrou num período crítico. Segundo os relatórios mais recentes de monitorização da Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) e estudos da Universidade de Coimbra (2025), o número de falantes nativos fluentes desceu para menos de 5.000 pessoas. Embora o Mirandês seja ensinado nas escolas de Miranda do Douro, o desafio em 2026 é a "interrupção da transmissão geracional": os avós falam, mas os jovens, embora o entendam, optam pelo português no ambiente digital e social.

Mais a sul, na zona de Castelo Branco e Alentejo, temos casos de micro-línguas ou dialetos em estado terminal:

Minderico (Minde): Originalmente uma gíria de comerciantes (piação), evoluiu para uma língua complexa. Hoje, é classificada pela UNESCO como "criticamente em perigo", restando apenas algumas dezenas de falantes que dominam o léxico completo.

Barranquenho (Barrancos): Situado na fronteira, este idioma funde elementos do português e do espanhol (extremenho e andaluz). Em 2021, foi reconhecido como património cultural, mas a pressão dos meios de comunicação de massa em português padrão continua a diluir a sua pureza fonética.

O Contraste com a Amazónia (Brasil)
Se em Portugal o risco é a assimilação cultural, na Amazónia o risco é a extinção física e territorial. O Brasil abriga cerca de 180 línguas indígenas, mas o relatório "Línguas em Trânsito" (2025) indica que a maioria delas possui menos de 1.000 falantes.

Línguas Isoladas: Grupos como os Pirahã mantêm uma língua única, sem números ou cores abstratas, que desafia as teorias linguísticas de Noam Chomsky. Contudo, a pressão do garimpo ilegal e a desflorestação forçam o contacto, o que historicamente leva à rápida substituição da língua nativa pelo português por necessidade de sobrevivência.

Resistência Digital: Em 2026, assistimos a um fenómeno inverso: o uso de redes sociais (TikTok e Instagram) por jovens indígenas (como os das etnias Guajajara ou Puyanawa) para criar conteúdos nos seus idiomas originais. Esta "re-gramatização" digital está a despertar o interesse dos adolescentes pela língua dos avós, transformando o telemóvel numa ferramenta de orgulho identitário.


Bibliografia e Documentação Específica:
Ferreira, M. B. (2024). O Mirandês no Século XXI: Entre a Escola e a Rua. Coimbra: Almedina.
Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional - IPHAN (2025). Inventário Nacional da Diversidade Linguística: Foco Amazónia.
Relatório ALCM (2026). Estado da Língua Mirandesa: Censo e Vitalidade. 
UNESCO (2025). Interactive Atlas of the World's Languages in Danger (Edição Digital 2026).
Relatório ALCM (2026). Estado da Língua Mirandesa: Censo e Vitalidade.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Encontros Improváveis - somos todos parte de um mesmo planeta


"A noite é a nossa dádiva de sol aos que vivem do outro lado da Terra." - Carlos de Oliveira, no livro Sobre o Lado Esquerdo, 1978

É uma bela metáfora poética que expressa a ideia de partilha e solidariedade global, significando que enquanto aqui é noite, a luz do dia está a iluminar outra parte do mundo, e vice-versa, mostrando que o pôr do sol de um é o nascer do sol de outro, numa dança cósmica de dia e noite que une a humanidade.

Em essência, é um lembrete poético de que somos todos parte de um mesmo planeta, partilhando os ciclos da natureza e a luz e a escuridão.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

"Este é o NOSSO Hemisfério"- diz Trump sobre eventual invasão ilegal da Gronelândia


Hitler chamou-lhe Lebensraum ("Espaço Vital").
Putin chama isso de Russkiy Mir ("o Mundo Russo").
Trump chama isso de "Nosso Hemisfério".

Seja em sua forma nazi, racista ou fascista americana, esse imperialismo descarado deve ser combatido por todos os amantes da liberdade, em qualquer lugar do mundo.
O direito internacional, tal como a Carta da ONU, reconhece a igualdade de soberania dos Estados.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Ainda a invasão da Venezuela por Trump


“Todos os Membros devem abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qqer outra forma incompatível com os Propósitos das Nações Unidas"
Art. 2º, §4º, da Carta ONU

Meia dúzia de notas sobre Trump e  Nicolás Maduro.
1. Maduro e Trump estão bem um para o outro. Trump, perdeu as eleições de 2020 e recusou reconhecer o resultado, algo inédito na história moderna dos EUA. Tentou pressionar instituições para reverter o resultado eleitoral. Trump tentou manter o poder contra o resultado eleitoral.

2. Em maio de 2018, Maduro foi reeleito para um mandato de seis anos numa polémica eleição, não reconhecida pela oposição, pela Organização dos Estados Americanos e União Europeia, além de países como Estados Unidos e Brasil. Em janeiro de 2019, foi empossado para um segundo mandato. Isso acabou gerando uma grave crise política interna, com a Assembleia Nacional não reconhecendo a posse do presidente e várias nações do mundo removeram os seus embaixadores de Caracas, como protesto. Para a oposição, Nicolás Maduro estava, efetivamente, transformando a Venezuela numa ditadura sob seu comando.

3. Porém, esta intervenção americana é ilegítima e injustificada — representa uma gravíssima violação do Direito Internacional Público. Não é uma manobra de defesa, é uma manobra de dominação geoestratégica. Trump apresenta a desculpa dos cartéis de droga, mas o objetivo é chegar ao petróleo, ao lítio, ao ouro, aos minerais raros. Um regresso à lógica imperialista do século XIX que legitima outras intervenções e ocupações noutras partes do mundo. Uma visão de uma tripartição do globo, em que os EUA dominam o continente americano, a Rússia fica com a Ucrânia e a China ocupa Taiwan.

4. Além disso, esta intervenção na Venezuela é também uma conveniente manobra de diversão para os incómodos Epstein Files. Trump é um perigoso narcísico, um autoritário anti-democrático que só conhece o cotão do seu umbigo e instintos viscerais. Move-se por uma lógica egoísta, transacional e pela lei da força.

5. Mesmo sendo obviamente desejável uma mudança de regime na Venezuela, é assustador que seja feita desta forma.

6. A imposição pela força não pode ser aplaudida, mesmo quando é contra regimes de que não gostamos. Porque a pergunta obrigatória é esta: e quando esta imposição pela força for feita contra regimes, líderes ou países de que gostamos?


Trump anunciou a invasão nas redes sociais. Inédito. Desrespeitou auscultação prévia do Senado e do Congresso!


E quando o próximo ciclo de ficheiros Epstein for libertado, Trump invadirá a Gronelândia!

quarta-feira, 23 de julho de 2025

A China criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de abandonarem a UNESCO, considerando-a indigna de “um país grande e responsável”

A China criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de abandonarem a UNESCO, considerando-a indigna de “um país grande e responsável”, e pediu um compromisso com o multilateralismo e os princípios da Carta das Nações Unidas. 

“Os Estados Unidos têm acumulado, há muito tempo, pagamentos em atraso das suas contribuições como membro da UNESCO”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, lamentando o novo anúncio de retirada feito por Washington esta semana.

“A China sempre apoiou firmemente o trabalho da UNESCO”, sublinhou Guo, destacando a missão da organização em “promover a cooperação internacional em educação, ciência e cultura, fortalecer o entendimento entre civilizações e salvaguardar a paz mundial”.

Wu Yan é o membro chinês do Conselho Executivo da UNESCO (2021-2025). É Vice-Ministro da Educação da China.

No contexto das comemorações do 80.º aniversário da fundação das Nações Unidas, o diplomata apelou a todos os países para que “reafirmem o seu compromisso com o multilateralismo” e apoiem um sistema internacional com a ONU no centro, “baseado no direito internacional e nos princípios da Carta das Nações Unidas”.

A República Popular da China é membro da UNESCO desde 1971, ano da sua entrada na ONU, e ocupa atualmente um assento no Conselho Executivo da agência (2021–2025).

Nos últimos anos, a China tornou-se um dos principais contribuintes financeiros da UNESCO e acolhe vários centros ligados à organização, nas áreas da educação, património e ciência.

Mas já veio críticas dos EUA. Washington serviu de proteção contra os esforços da China para utilizar a UNESCO para influenciar a educação, as designações históricas e até a inteligência artificial.

A China tem sido acusada de perseguir vários grupos étnicos, religiosos e políticos. Um dos casos mais notórios e internacionalmente denunciados é o da perseguição aos uígures, um povo de maioria muçulmana que habita a região de Xinjiang, no noroeste da China.

Perseguição aos Uígures:
  1. Religião e Cultura: Os uígures são de origem túrquica e seguem predominantemente o Islão. A China tem restringido práticas religiosas, culturais e linguísticas desse povo.
  2. Campos de "reeducação": Estima-se que mais de um milhão de uígures foram detidos em campos que o governo chinês chama de "centros de reeducação", mas que têm sido denunciados por abusos, tortura e doutrinação política.
  3. Vigilância em massa: Há uso extensivo de tecnologia para controlar a população uígur, incluindo reconhecimento facial, controle de dados e presença policial constante.
  4. Trabalho forçado e esterilizações forçadas: Existem denúncias de uso de trabalho forçado e práticas de controle de natalidade que podem configurar crimes contra a humanidade.
Além dos uígures, a China também é acusada de repressão a outros grupos:

Outros grupos perseguidos:
  1. Tibetanos: Sofrem repressão cultural e religiosa desde a ocupação do Tibete pela China em 1950. O budismo tibetano é alvo de controle estatal.
  2. Cristãos: Igrejas não registradas são frequentemente alvo de demolições, prisões de fiéis e censura.
  3. Praticantes do Falun Gong: Um grupo espiritual que é fortemente perseguido desde 1999, com relatos de prisões arbitrárias e até extração forçada de órgãos.
  4. Ativistas e dissidentes: Defensores dos direitos humanos, jornalistas e advogados são frequentemente presos ou silenciados.

domingo, 29 de junho de 2025

Europe’s Security Gamble: NATO’s New Budget Push


Across Europe, budgets are tightening, classrooms are overcrowded, hospitals are understaffed, and climate targets are slipping out of reach. Yet, in the midst of this so-called austerity, NATO countries are preparing to commit to something extraordinary: raising military spending to 5% of GDP. At a time when governments claim there’s “no money” for essential services, this massive shift demands scrutiny. Who benefits from this build-up? What are we sacrificing to fund it? And most importantly, is this really what security looks like in the 21st century?

Can NATO’s military build-up coexist with Europe’s climate and peace goals?
The world seems to be becoming a less safe place. According to the 2024 Global Peace Index, the world is now witnessing the highest number of armed conflicts since World War II. Regardless of the origins of the conflicts or the actors involved, the outcomes are often very similar: significant civilian casualties, large-scale displacement, and systematic violations of human rights and international humanitarian law. Just in the past year, 160,000 people died in conflict, with Ukraine accounting for 83,000 deaths and Palestine for at least 33,000 as of April 2024.

Faced with this grim reality, governments are ramping up military budgets. In 2024, global military spending surged to a record-breaking $2.7 trillion, the sharpest increase since the end of the Cold War and the tenth consecutive year of rising expenditures. European countries, particularly NATO members, are following this trend. Over the past decade, defence spending by EU NATO member states rose by 45%, from €145 billion in 2014 to an estimated €326 billion in 2024. That is about 1.9% of EU GDP, edging closer to NATO’s current 2% target, and equivalent to the entire annual GDP of several EU member states such as Finland, Portugal, or the Czech Republic.

But here’s the rub: this rapid increase is happening even as public finances are under increasing pressure. Overall, government spending in NATO EU countries grew by just 20% in real terms over the past decade, while defence budgets jumped by more than double that. Spending on health grew 34%, education just 12%, and environmental protection 10%. This highlights a growing imbalance of EU priorities.

A big chunk of this money is going straight into arms and military equipment. In 2024, EU NATO spent €90bn on military hardware, a staggering 50% increase over 2023, accounting for nearly 90% of all defence investments. But does buying more arms make us safer? That depends on what we’re buying, why, who benefits, and what kind of “security” we want. At the same time, the freshly reformed EU fiscal rules have been suspended to allow an increase in military spending, without any changes to the need to generally reduce budgets, meaning austerity still applies.

At NATO’s upcoming summit in The Hague on 24 June, there is momentum to raise the alliance’s defence spending target from 2% to an alarming 5% of GDP. This article does not aim to argue whether military defence is needed. But it encourages us to ask, how much is too much? Who’s profiting? And what does this mean for Europe’s democratic and social fabric? Because a jump to 5% won’t just tweak budgets – it will transform priorities for decades to come. This is not a technical or isolated defence issue. As budgets are redirected toward weapons and away from healthcare, education, housing, nature protection, and green transitions, we must ask: What kind of Europe are we building? If civil society does not pose the right questions, this decision risks being made behind closed doors, without a clear democratic mandate or transparent debate.

What kind of security are we talking about?
Europe needs to be able to defend itself, but one key piece is missing: a serious, independent assessment of what Europe needs to do so. Peace researchers Herbert Wulf and Christopher Steinmetz, in a report commissioned by Greenpeace, found that even without the U.S., NATO Europe far surpasses Russia in nearly all key military parameters. The idea that we are dramatically underprepared is not supported by the data. So, why the rush to build up? What threats are driving this? Are we confronting non-military threats like cyber-attacks, disinformation, or economic coercion with the same urgency as discussions around “air and missile defence” or “long-range weapons, logistics, and large land manoeuvre formations” as suggested by NATO Secretary General Mark Rutte?

Framing defence needs as a percentage of GDP doesn’t help; it’s arbitrary. The proposed 5% defence target is not based on a transparent, evidence-based assessment of actual security needs. Using a percentage of GDP doesn’t reflect either the actual capabilities or military efficiency, nor differences in country size or economic performance, and non-military security needs (e.g., climate, energy, cyber resilience). It’s also proposed without public debate on the consequences for health, education, climate, or social spending.

In short, basing policy on a percentage of GDP distracts from the real work of defining what “security” means and how to achieve it holistically.

Who is benefiting from the increase in military spending?
Follow the money, and another pattern emerges: Europe isn’t just spending more – it’s spending outward. Nearly 80% of European defence procurement is imported, mostly from the United States. So, are our investments really strengthening European security and resilience, or simply boosting American military firms? And what happens when those suppliers are tied to fossil fuel lobbies, political instability, or unpredictable presidents? Let’s not forget: the U.S. military industry played a key role in Trump’s last campaign and could again. By feeding this system, are we fuelling the very instability we claim to resist?

Meanwhile, public money flows steadily into the hands of military shareholders. Where do we draw the line? What becomes of budgets meant for healthcare, education, childcare, housing, nature protection and the climate? If we see direct transfers from public pockets to company shareholders as part of the industrial-military complex, would the wealthiest rentiers not again reap profits at the expense of taxpayers? When arms companies and investment funds profit from conflict, how do we safeguard democratic oversight? Should we revisit, if not reverse, the privatisation of military industries to preempt a situation where profits depend on global unrest?

This is more than just a budget issue. It’s a structural shift that could weaken democracy, deepen inequality, and make conflict more profitable than peace.

How beneficial is militarisation for economic performance and jobs?
Not in the way some claim. Military spending may look like an economic stimulus, but evidence shows otherwise. Military expenditure often has a smaller multiplier effect compared to green and social investments. It creates fewer jobs per euro spent than health, education, or green investment. That’s because defence projects are capital-intensive, dominated by a handful of companies, and often happen outside the EU.

Compare that to investments in energy efficiency, renewables, public transport, care work, or nature restoration, which generate more employment, faster returns, and healthier communities. At a time of fiscal constraint, prioritising defence risks crowding out essential public services, deepening social inequalities, and weakening economic resilience.

And what about the climate and the environment?
Militarisation comes with a hefty environmental price tag, long before war ever breaks out. Military forces are among the world’s biggest energy users. Building and maintaining military forces consume large amounts of fossil fuels, critical minerals, and water, which places a strain on ecosystems and contributes to global emissions. Control over such materials has become a strategic priority, influencing geopolitical decisions in regions like Ukraine and the DRC. Day-to-day military readiness requires constant training, and training means consuming resources and energy, notably oil, with low levels of energy efficiency.

The global military carbon footprint is estimated at 5.5% of all greenhouse gas emissions, yet it’s mostly invisible in climate accounting frameworks. That means countries can meet climate targets on paper while quietly ramping up emissions through their armies.

There’s also the question of land. Militaries also occupy vast land and sea areas, up to 6% of the planet’s surface, including ecologically sensitive zones. Some areas may be shielded by restricted access, but many suffer heavy degradation from training, testing, and infrastructure. Pollution, habitat loss, and contamination are all common issues, with little to no public accountability.

This raises a fundamental issue: what if military “readiness” is undermining planetary stability, the very foundation of long-term peace?
A turning point

We are living through uncertain, volatile times. The threats are real, but so are the choices.

We can choose to define security broadly, not just as the absence of war but as the presence of care, fairness, resilience, and sustainability. We can build safety from the ground up — with strong communities, thriving nature, and just economies.

Or we can double down on outdated models of defence, lock in spending that benefits the few, and lose sight of the Europe we claim to defend. Civil society must not shy away from this debate.

Because in the end, security isn’t just about protecting borders; it’s about protecting what matters most.

terça-feira, 10 de junho de 2025

Não, os activistas da flotilha Freedom, não queriam selfies. Pretendiam desbloquear Gaza




Ontem, dia 9 de junho aquando da detenção dos activistas, a organizadora da Flotilha da Liberdade, Huwaida Arraf, escreveu: "Israel não tem autoridade legal para fazer a detenção de voluntários internacionais a bordo do Madleen. Estes voluntários não estão sujeitos à jurisdição israelita e não podem ser criminalizados por prestarem ajuda ou desafiarem um bloqueio ilegal. A detenção é arbitrária, ilegal e deve terminar imediatamente".

O Madleen é um pequeno veleiro que transporta 12 civis a bordo, incluindo um médico e um parlamentar. Eles transportavam ajuda humanitária, leite em pó e fraldas...que tipo de ameaça à segurança é essa?

Sejamos claros, o bloqueio de Gaza é ilegal.

Na noite anterior, 8 de junho, centenas de israelitas e palestinianos marcharam em silêncio em frente ao Ministério da Defesa israelita, segurando retratos de crianças palestinianas mortas na guerra de Israel contra Gaza.

Quem estava a bordo do Madleen?
  1. Greta Thunberg – ativista climática sueca
  2. Rima Hassan – Deputada franco-palestiniana do Parlamento Europeu
  3. Yasemin Acar – Alemanha
  4. Baptiste André – França
  5. Thiago Avila – Brasil
  6. Omar Faiad – França; correspondente da Al Jazeera Mubasher
  7. Pascal Maurieras – França
  8. Yanis Mhamdi – França
  9. Suayb Ordu – Turquia
  10. Sérgio Toribio – Espanha
  11. Marco van Rennes – Holanda
  12. Reva Viard – França
Opinião de Isabel Santos

sábado, 1 de junho de 2024

Livro: O Fim da Pobreza


Um livro essencial, publicado originalmente em 2005. Tem cerca de 550 páginas, por isso demora um pouco a lê-lo. Mas o fim da pobreza é possível. Para quem não conhece Jeffrey Sachs foi considerado pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Jeffrey D. Sachs foi director do Instituto da Terra (Earth Institute), é professor de Desenvolvimento Sustentável, de Políticas de Saúde e de Gestão na Universidade de Colúmbia, foi conselheiro especial do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan e director do Projecto Milénio da ONU, sendo internacionalmente reconhecido pelo seu trabalho como conselheiro económico de governos da América Latina, Europa de Leste, Ásia e África.

Sachs visitou mais de cem países e conviveu com todos os graus de pobreza, especialmente a miséria extrema das aldeias africanas assoladas pela fome, pela malária e pela SIDA.

Unindo a narração de histórias emocionantes (passadas principalmente na Bolívia, Polónia, Rússia, Índia, China e África) com análise rigorosa, Sachs explica como, nos últimos duzentos anos, a riqueza se tornou desigual no planeta e expõe os motivos que impedem as nações mais pobres de melhorar sua sorte. Ele também ensina a fazer um diagnóstico detalhado dos desafios económicos a serem enfrentados por um país e a descobrir as possíveis saídas, propondo soluções a curto prazo. Ao mesmo tempo, dirige duras críticas aos países ricos - em especial os Estados Unidos - e aos organismos financeiros internacionais.

Oito milhões de pessoas morrem todos os anos porque são demasiadamente pobres para sobreviver. "O Fim da Pobreza" traça um plano alternativo da forma como as podemos salvar.

Nesta obra, Sachs explica como a pobreza tem sido combatida e como, por meio de passos exequíveis, é possível fazer progressos reais junto daquela enorme fatia da Humanidade que continua a viver na miséria. De referir, como exemplo, a forma de estabelecer parcerias com os mais ricos, o pouco que isso custa e o modo como toda a gente pode ajudar.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Israel declara Lula como “persona non grata” por comparação de ação de Israel em Gaza com Holocausto



O governo de Israel declarou, nesta segunda-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “persona non grata”. A decisão foi tomada após o líder brasileiro comparar as ações de Israel na Faixa de Gaza com o extermínio judeu pela Alemanha nazi.

"Não perdoaremos e não esqueceremos — em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao Presidente Lula que ele é uma 'persona non grata' em Israel até que ele peça desculpas e se se retrate", escreveu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, nas redes sociais.

A expressão “persona non grata” é um instrumento jurídico utilizado em relações internacionais para indicar que um representante oficial estrangeiro não é mais bem-vindo.

Katz ainda afirmou que "a comparação do presidente brasileiro Lula entre a guerra justa de Israel contra o Hamas e as ações de Hitler e dos nazistas, que exterminaram 6 milhões de judeus, é um grave ataque antissemita que profana a memória daqueles que morreram no Holocausto".

Em viagem a Etiópia no último final de semana, Lula definiu os ataques de Israel em Gaza como “genocídio” e “chacina”. Ele ainda cobrou uma postura diferente do Conselho de Segurança da ONU.

"O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus", disse Lula.

Além disso, o ministro das Relações Exteriores de Israel convocou o embaixador do Brasil para uma reunião para debater a declaração de Lula.

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segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Imigrantes deram mais de 1.600 milhões de lucro à Segurança Social


“Sem os imigrantes alguns sectores económicos entrariam em colapso” em Portugal, mostra relatório do Observatório das Migrações.


Migrar é um direito. O artigo 13º da Declaração Universal dos Direitos Humanos define, no artigo 13.º, que todas as pessoas têm direito à liberdade de circulação e residência dentro das fronteiras de cada Estado e o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar. Todas as pessoas têm o direito a deixar o seu país à procura de melhores condições de vida.

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domingo, 10 de dezembro de 2023

Celebração dos 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou este domingo para a crescente ameaça que a desigualdade, o autoritarismo e os conflitos armados representam para os direitos e liberdades da população do planeta.


"O mundo está a perder o rumo", afirmou Guterres.
"Os conflitos estão a espalhar-se com virulência. A pobreza e a fome estão a aumentar. As desigualdades estão a tornar-se mais profundas, as alterações climáticas tornaram-se uma crise humanitária, o autoritarismo está a aumentar, o espaço civil está a diminuir, os meios de comunicação estão sitiados, a igualdade de género é um sonho distante e os direitos reprodutivos das mulheres estão a retroceder", lamentou o secretário-geral da ONU.
Todas estas crises ameaçam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo o responsável da ONU.
"Todos os seres humanos nascem livres e iguais na sua dignidade e direitos", referiu Guterres, acrescentando que este princípio deveria ser "o roteiro para acabar com as guerras, curar divisões e promover uma vida de paz e dignidade para todos".
"A Declaração Universal dos Direitos Humanos mostra-nos o caminho para resolver tensões, exercer valores comuns e criar a segurança e a estabilidade que o nosso mundo tanto anseia", afirmou o secretário-geral da ONU.
Neste sentido, Guterres apelou para que os Estados-membros da ONU "reforcem o seu compromisso com os valores intemporais" refletidos na Declaração, especialmente tendo em vista a Cimeira do Futuro, que se vai realizar em setembro de 2024, na qual os líderes mundiais discutirão novos aspetos sociais, culturais e económicos a seguir durante a próxima década.

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, também afirmou este domingo a importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

"Agora, mais do que nunca, é a hora dos Direitos Humanos", observou, dizendo que a Declaração "não é apenas um documento histórico, mas um testemunho vivo" da humanidade que partilhamos, "um guia intemporal".

Na opinião do Alto-Comissário, o mundo sofre atualmente com níveis de conflitos violentos nunca vistos desde o final da II Guerra Mundial, com o agravamento das desigualdades, o aumento da discriminação e o discurso do ódio, da impunidade, do aumento das divisões e polarização, além da emergência climática.

"Isto realça ainda mais a necessidade de fazer um balanço, aprender lições e delinear em conjunto uma visão para o futuro baseada nos direitos humanos. A Declaração Universal oferece uma promessa de que todos nascemos em igualdade de direitos e dignidade e um plano de ação. Este ato constitui um momento de grande reflexão para buscarmos conjuntamente soluções comuns focadas nos direitos humanos", destacou Türk.

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segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Discurso completo de António Guterres. Parem de dizer que o Secretário da ONU "normalizou" o Hamas!


Discurso de António Guterres na reunião deste dia 24 de outubro: 
Excelências,
A situação no Oriente Médio está se tornando ainda mais terrível a cada hora. A guerra em Gaza está em andamento e corre o risco de se espalhar por toda a região. As divisões estão fragmentando as sociedades. As tensões ameaçam transbordar. Num momento crucial como este, é vital que os princípios sejam claros - a começar pelo princípio fundamental de respeitar e proteger civis. Condenei inequivocamente os horríveis e sem precedentes atos de terror do Hamas em Israel no dia 7 de outubro.
Nada pode justificar a morte, os ferimentos e o sequestro deliberados de civis - ou o lançamento de foguetes contra alvos civis. Todas as pessoas reféns devem ser tratadas com humanidade e liberadas imediatamente e sem condições. Observo respeitosamente a presença entre nós de membros de suas famílias.

Excelências,
É importante também reconhecer que os ataques do Hamas não aconteceram num vácuo. O povo palestino foi submetido a 56 anos de ocupação sufocante. Eles viram suas terras serem constantemente devoradas por assentamentos e assoladas pela violência; sua economia foi sufocada; seu povo foi deslocado e suas casas demolidas. Suas esperanças de uma solução política para sua situação estão desaparecendo. Mas as queixas do povo palestino não podem justificar os terríveis ataques do Hamas. E esses ataques terríveis não podem justificar a punição coletiva do povo palestino.

Excelências,
Até mesmo a guerra tem regras. Devemos exigir que todas as partes cumpram e respeitem suas obrigações de acordo com o direito internacional humanitário; tomem cuidado constante na condução de operações militares para poupar civis; respeitem e protejam os hospitais e respeitem a inviolabilidade das instalações da ONU, que hoje abrigam mais de 600.000 palestinos. O bombardeio implacável de Gaza pelas forças israelitas, o nível de vítimas civis e a destruição em massa de bairros continuam a aumentar e são profundamente alarmantes. Lamento e honro as dezenas de colegas da ONU que trabalhavam para a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) - infelizmente, pelo menos 35, e a contagem continua - foram mortos nos bombardeamentos em Gaza nas últimas duas semanas. Devo às suas famílias a minha condenação por essas e muitas outras mortes semelhantes. A proteção dos civis é fundamental em qualquer conflito armado. Proteger civis nunca pode significar usá-los como escudos humanos. Proteger civis não significa ordenar que mais de um milhão de pessoas sejam evacuadas para o sul, onde não há abrigo, comida, água, remédios ou combustível, e depois continuar bombardeando o próprio sul. Estou profundamente preocupado com as claras violações do direito internacional humanitário que estamos testemunhando em Gaza. Quero deixar claro: nenhuma parte num conflito armado está acima das leis humanitárias internacionais.

Excelências,
Felizmente, alguma ajuda humanitária está finalmente a chegar a Gaza. Mas é uma gota de ajuda em um oceano de necessidades. Além disso, nossos suprimentos de combustível da ONU em Gaza se esgotarão em questão de dias. Isso será outro desastre. Sem combustível, a ajuda não poderá ser fornecida, os hospitais não terão energia e a água potável não poderá ser purificada ou mesmo bombeada. A população de Gaza precisa de ajuda contínua em um nível que corresponda às enormes necessidades. Essa ajuda deve ser fornecida sem restrições. Saúdo os colegas da ONU e parceiros humanitários em Gaza que trabalham em condições perigosas e arriscam suas vidas para fornecer ajuda aos necessitados. Essas pessoas são uma inspiração. Para aliviar o sofrimento épico, tornar a entrega da ajuda mais fácil e segura e facilitar a libertação dos reféns, reitero meu apelo por um cessar-fogo humanitário imediato.

Excelências,
Mesmo neste momento de perigo grave e imediato, não podemos perder de vista a única base realista para uma paz e estabilidade verdadeiras: uma solução de dois Estados. Israelitas precisam ver materializadas as suas necessidades legítimas de segurança, e os palestinos precisam ver concretizadas suas aspirações legítimas por um Estado independente, de acordo com as resoluções das Nações Unidas, o direito internacional e os acordos anteriores. Por fim, devemos ser claros quanto ao princípio da defesa da dignidade humana. A polarização e a desumanização estão sendo alimentadas por um tsunami de desinformação. Devemos enfrentar as forças do antissemitismo, do fanatismo antimuçulmano e de todas as formas de ódio.

Sr. Presidente,
Excelências,
Hoje é o Dia das Nações Unidas, que marca os 78 anos da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas. Essa Carta reflete nosso compromisso compartilhado de promover a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos. Neste Dia da ONU, nesta hora crítica, apelo a todos para que se afastem da beira do abismo antes que a violência ceife ainda mais vidas e se espalhe ainda mais.
Muito obrigado.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Guterres exige que países ricos cumpram as suas promessas no combate à crise climática


O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exigiu hoje na Cimeira do Clima de África, que decorre em Nairobi, que os países desenvolvidos cumpram as suas promessas no combate à crise climática, que atinge desproporcionalmente o continente.

“Este continente emite apenas quatro por cento das emissões globais, mas sofre alguns dos piores efeitos do aumento das temperaturas globais: calor extremo, inundações implacáveis e dezenas de milhares de mortes devido a secas devastadoras”, afirmou António Guterres no seu discurso de abertura no segundo dia da cimeira, coorganizada pelo Governo queniano e pela União Africana (UA).

O chefe da ONU afirmou que, mesmo assim, “ainda é possível evitar os piores efeitos” da crise climática, embora seja necessário um “salto qualitativo” na “ação climática” e mais “ambição”, especialmente por parte dos países desenvolvidos, que devem reduzir as suas “emissões líquidas para perto de zero” até 2040.

Os países desenvolvidos devem também “cumprir a sua promessa” de destinarem 100 mil milhões de dólares por ano aos países em desenvolvimento, o que permitirá às nações africanas garantir o acesso a sistemas de eletricidade verde a preços acessíveis e criar sistemas de alerta precoce para fenómenos meteorológicos extremos.

Guterres apelou igualmente à “correção do rumo do sistema financeiro global”, garantindo um “mecanismo eficaz de alívio da dívida” a taxas acessíveis.

“O sistema financeiro mundial tem de ser um aliado dos países em desenvolvimento na condução de uma transição ecológica justa e equitativa que não deixe ninguém para trás”, acrescentou, antes de destacar o potencial de África para se tornar “um líder mundial em energias renováveis”.

“A África possui 30% das reservas minerais essenciais para as tecnologias renováveis e de baixo carbono, como a energia solar, os veículos elétricos e as baterias”, recordou.

A abertura do segundo dia da cimeira, que decorre até esta quarta-feira, contou ainda com a presença do presidente da Comissão da UA, Moussa Faki Mahammat, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do Presidente do Quénia, William Ruto, do Presidente das Comores e chefe rotativo da UA, Azali Assoumani, e do primeiro-ministro egípcio, Mostafa Madbouly.

No final da cimeira, em que participam mais de vinte chefes de Estado e de Governo africanos, bem como líderes de organizações internacionais, espera-se que seja adotada a chamada “Declaração de Nairobi”, que procura articular uma posição africana comum a levar a diferentes fóruns mundiais.

Os líderes africanos querem construir uma perspetiva unificada que defenderão na cimeira do clima COP28 no Dubai, prevista para o final do ano, mas também na Assembleia Geral da ONU, e junto do G20 ou instituições financeiras internacionais.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Cerca de 60 mil toneladas de cereais destruídas em ataque russo em Odessa


Entretanto, tanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, como o seu conselheiro, Mykahailo Podolyak, afirmaram que se tratou de um "ataque deliberado" à infraestrutura.

O ministro da agricultura ucraniano, Mykola Solsky, afirmou esta quarta-feira que uma quantidade "considerável" de infraestrutura de exportação de cereais no porto de Chornomorsk, na região de Odessa , ficou danificada na sequência de um ataque russo, reporta a agência Reuters.

O ataque destruiu 60.000 toneladas de cereais no porto, que deveriam ter sido carregadas e embarcadas pela Black Sea Grain Initiative há 60 dias.

"O ataque noturno colocou uma parte considerável da infraestrutura de exportação de cereais no porto de Chornomorsk fora de operação", referiu Solsky numa publicação no Telegram.

De recordar que mísseis russos lançados na noite de terça-feira contra o porto de Odessa atingiram um terminal de cereais, um terminal de petróleo e outras infraestruturas, revelou a administração militar de região de Odessa.

O ataque também provocou um incêndio na zona portuária, acrescentou a fonte.
Vários edifícios ficaram também danificados em outra área de Odessa quando os destroços de um míssil intercetado caíram, provocando ferimentos em três civis.

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The seed war

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Desmascaramento Mundial das Nações Unidas - Antigo director expõe a UN


As Nações Unidas estão actualmente a implementar a Agenda 2030, com as famosas "metas de sustentabilidade".Este projecto mundial visa transformar completamente todos os aspectos da existência humana: alimentação, sexualidade, família, trabalho, finanças, saúde, educação, tudo!
Estas acções supostamente porão um fim à pobreza, à fome, à desigualdade, à doença e a outras dificuldades pelas quais passa a humanidade.
Um ex-diretor executivo que trabalhou na ONU durante duas décadas, conta uma história diferente.
Ele explica que a ONU é controlada por criminosos (oligarcas) que a utilizam para se enriquecerem a si mesmos e escravizarem a humanidade.
Tudo isto e muito mais é explicado por Călin Georgescu, antigo director executivo do Instituto do Índice Global Sustentável das Nações Unidas em Genebra e Vaduz para o período 2015-2016. Antes disso, foi Presidente do Centro Europeu de Pesquisa do Clube de Roma (2013-2015).Ele é também membro do Clube de Roma Internacional na Suíça.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

David Boyd, UN Special Rapporteur on human rights and the environment, talks about water access


The human rights to water and sanitation (2010), and the human right to a clean and healthy environment (2021) are the two youngest human rights! To mark the 75th anniversary of the Universal Declaration of Human Rights, SWA (Sanitation and Water for All) sat down with David Boyd, UN Special Rapporteur on human rights and the environment to discuss the importance of safe access to water and sanitation, and the obligations of governments to find the human, financial and institutional resources necessary to fulfill their human rights obligations and deliver those fundamental services to their people. 
0:04 Introduction of David R. Boyd, UN Special Rapporteur on human rights and the environment 
0:13 Twelve years ago, water and sanitation were recognized as human rights. This year, the UN recognized a healthy environment as a human right. Why was it so important to have these rights formally recognized? 
01:58 What current environmental challenges or climate change impacts are linked to water and/or sanitation? 
02:51 What are some examples of current environmental injustices – particularly those related to water and sanitation? How do they disproportionately affect vulnerable and marginalized groups? 
04:42 How is global water use changing and what impact does this have on the environment? How does the global water crisis highlight inequalities? 
06:00 What human rights obligations do States have? How can civil society, the private sector, and other groups help governments to uphold them? 
07:28 What solutions do we have to ensure a healthy environment and deliver water and sanitation?

sábado, 19 de novembro de 2022

Marcelo disse que "três quartos do mundo são ditaduras" - baseou-se nos dados do "Our World in Data"

O Presidente da República invocou o “interesse nacional” para anunciar que vai ao Catar e ao Mundial de Futebol, mas nas declarações que fez aos jornalistas Marcelo Rebelo de Sousa foi mais longe: disse que se seguisse uma lógica de não visitar países não democráticos, seria impossível "visitar, receber ou ter relações" com "três quartos do mundo, que são ditaduras". Mas é mesmo assim? Três quartos do mundo são ditaduras? Não é isso que os dados disponíveis mostram.

Um dos mais respeitados indicadores para avaliar o nível democrático dos países é o Índice de Democracia, publicado anualmente pela revista The Economist desde 2006. Trata-se de uma tabela que analisa os dados de vários países tendo em conta cinco critérios: o processo eleitoral e o pluralismo, o funcionamento dos governos, a participação política dos cidadãos, a cultura política e as liberdades civis.

O Índice de Democracia publicado em 2022, com os dados do ano passado, analisa 167 dos 193 países reconhecidos pelas Nações Unidas e as conclusões do relatório indicam que, atualmente, existem 59 regimes autoritários, ou seja, 59 países que são considerados governos ditatoriais. Os regimes são classificados como autoritários quando não têm eleições livres e justas, quando existem abusos e violação de liberdades civis, controlo da imprensa, censura ou repressão e quando o sistema judicial não é independente. Assim sendo, as ditaduras representam 35% dos países avaliados.

Há ainda 34 regimes híbridos, países cuja transição de governo autoritário para uma democracia está ainda muito incompleta: as eleições têm irregularidades, existe pressão do governo sobre os partidos e candidatos da oposição, falhas na cultura política, no funcionamento do governo e na participação política e onde a corrupção tende a ser generalizada. Ora, mesmo que estes 34 países “híbridos”, onde se incluem por exemplo a Turquia e o México, fossem considerados ditaduras estaríamos a falar de uma percentagem de 56%, ainda longe dos 75% que o Presidente da República refere.

Para se ter uma ideia, nesta lista há 21 países que são democracias plenas e 53 países democracias com falhas. As democracias plenas são os países nos quais as liberdades políticas e civis são respeitadas e sustentadas por uma cultura política propícia ao florescimento da democracia. O funcionamento do governo é satisfatório, a imprensa é independente e diversa, o sistema judicial é independente. Já nas democracias com falhas existem fragilidades como problemas de governação, uma cultura política subdesenvolvida e baixos níveis de participação política. Portugal, por exemplo, está no 28.º lugar do ranking e é considerado uma democracia com falhas.

Já o Catar é classificado como um regime autoritário. De resto, a realização deste Mundial de Futebol tem estado envolta em grande polémica e um dos motivos é o facto de se tratar de um país onde os direitos das mulheres e das minorias como os homossexuais são reprimidos. As mulheres, por exemplo, dependem da autorização de um homem para (quase) tudo num sistema de “tutela masculina” - atribuída geralmente ao marido, pai, irmão, avô ou tio.

Por outro lado, milhares de imigrantes terão morrido na construção dos estádios e das infraestruturas para o Campeonato do Mundo. O jornal britânico The Guardian revelou que pelo menos 6.500 migrantes da Índia, do Paquistão, do Nepal, do Bangladesh e do Sri Lanka terão morrido, mas que se trata apenas de uma estimativa e o número real de vidas perdidas pode ser superior. As próprias condições de trabalho foram criticadas, já que incluem horários semelhantes a trabalho forçado, falta de folgas, salários reduzidos arbitrariamente e passaportes confiscados.

Direitos humanos que estão no cerne da polémica causada pelas declarações de Marcelo Rebelo de Sousa após o jogo Portugal-Nigéria, em Alvalade. "O Catar não respeita os direitos humanos. Toda a construção dos estádios e tal..., mas, enfim, esqueçamos isto", afirmou o Presidente da República, na zona das entrevistas rápidas. Palavras que têm merecido duras críticas por parte de partidos políticos e da própria Amnistia Internacional em Portugal. Pedro Neto, diretor-executivo da Amnistia em Portugal admitiu ainda ter ficado "muito preocupado" com as declarações do chefe de Estado português, "uma pessoa que está sempre na linha da frente pela defesa dos direitos humanos" mas que "desvalorizou a situação dos direitos humanos no Catar".

Confrontado com as críticas, o chefe de Estado salientou esta sexta-feira que foi ele quem tomou a iniciativa de abordar a questão dos direitos humanos e garantiu que se o Parlamento aprovar a sua deslocação ao Catar falará sobre o tema no país do Médio Oriente.

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