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quarta-feira, 23 de julho de 2025

A China criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de abandonarem a UNESCO, considerando-a indigna de “um país grande e responsável”

A China criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de abandonarem a UNESCO, considerando-a indigna de “um país grande e responsável”, e pediu um compromisso com o multilateralismo e os princípios da Carta das Nações Unidas. 

“Os Estados Unidos têm acumulado, há muito tempo, pagamentos em atraso das suas contribuições como membro da UNESCO”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, lamentando o novo anúncio de retirada feito por Washington esta semana.

“A China sempre apoiou firmemente o trabalho da UNESCO”, sublinhou Guo, destacando a missão da organização em “promover a cooperação internacional em educação, ciência e cultura, fortalecer o entendimento entre civilizações e salvaguardar a paz mundial”.

Wu Yan é o membro chinês do Conselho Executivo da UNESCO (2021-2025). É Vice-Ministro da Educação da China.

No contexto das comemorações do 80.º aniversário da fundação das Nações Unidas, o diplomata apelou a todos os países para que “reafirmem o seu compromisso com o multilateralismo” e apoiem um sistema internacional com a ONU no centro, “baseado no direito internacional e nos princípios da Carta das Nações Unidas”.

A República Popular da China é membro da UNESCO desde 1971, ano da sua entrada na ONU, e ocupa atualmente um assento no Conselho Executivo da agência (2021–2025).

Nos últimos anos, a China tornou-se um dos principais contribuintes financeiros da UNESCO e acolhe vários centros ligados à organização, nas áreas da educação, património e ciência.

Mas já veio críticas dos EUA. Washington serviu de proteção contra os esforços da China para utilizar a UNESCO para influenciar a educação, as designações históricas e até a inteligência artificial.

A China tem sido acusada de perseguir vários grupos étnicos, religiosos e políticos. Um dos casos mais notórios e internacionalmente denunciados é o da perseguição aos uígures, um povo de maioria muçulmana que habita a região de Xinjiang, no noroeste da China.

Perseguição aos Uígures:
  1. Religião e Cultura: Os uígures são de origem túrquica e seguem predominantemente o Islão. A China tem restringido práticas religiosas, culturais e linguísticas desse povo.
  2. Campos de "reeducação": Estima-se que mais de um milhão de uígures foram detidos em campos que o governo chinês chama de "centros de reeducação", mas que têm sido denunciados por abusos, tortura e doutrinação política.
  3. Vigilância em massa: Há uso extensivo de tecnologia para controlar a população uígur, incluindo reconhecimento facial, controle de dados e presença policial constante.
  4. Trabalho forçado e esterilizações forçadas: Existem denúncias de uso de trabalho forçado e práticas de controle de natalidade que podem configurar crimes contra a humanidade.
Além dos uígures, a China também é acusada de repressão a outros grupos:

Outros grupos perseguidos:
  1. Tibetanos: Sofrem repressão cultural e religiosa desde a ocupação do Tibete pela China em 1950. O budismo tibetano é alvo de controle estatal.
  2. Cristãos: Igrejas não registradas são frequentemente alvo de demolições, prisões de fiéis e censura.
  3. Praticantes do Falun Gong: Um grupo espiritual que é fortemente perseguido desde 1999, com relatos de prisões arbitrárias e até extração forçada de órgãos.
  4. Ativistas e dissidentes: Defensores dos direitos humanos, jornalistas e advogados são frequentemente presos ou silenciados.

domingo, 11 de maio de 2025

11 de maio é o Dia Mundial do Kuffiyeh, símbolo da Palestina, identidade e cultura



Este tradicional acessório representa a identidade nacional palestiniana e a ligação com a sua terra. Adoptado por milhões de pessoas em todo o mundo, representa a solidariedade com a Palestina e a sua luta pela liberdade e justiça.

O keffiyeh palestiniano, foi reconhecido como Património Cultural Imaterial pela UNESCO. O anúncio foi feito pelo Ministério da Cultura da Palestina em 16 de novembro de 2024, por ocasião do “Dia Nacional do Keffiyeh”. Este reconhecimento é um importante marco na preservação do legado cultural palestiniano e reforça a identidade e a resiliência do povo palestiniano.

Originalmente usado por pastores e agricultores nómadas, o keffiyeh "tornou-se uma peça de vestuário icónica usada globalmente por revolucionários anticolonialistas, ativistas e afins, embora continue a ser usado como um toucado tradicional pelos anciãos e agricultores", disse Majeed Malhas, jornalista palestino-canadiano e candidato a doutoramento em antropologia na Universidade de Toronto.

Fonte: aqui

segunda-feira, 24 de junho de 2024

S. João- Figurado de Estremoz


São João Baptista, que terá nascido sensivelmente na mesma época que Jesus Cristo, diz a tradição cristã que foi a 24 de Junho que baptizou Jesus.
Um eremita profeta muito apreciado pelo povo há mais de 2.000 anos, por pregar a necessidade do arrependimento e converter os gentios. 
Foi morto num célebre episódio descrito na Bíblia (Marcos 6:14-29), no qual Herodes, seduzido pela dança da sobrinha Salomé, filha de sua mulher Herodíades, acede ao pedido desta para lhe dar a cabeça do profeta numa bandeja de prata.
A Produção de Figurado em Barro de Estremoz integra o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, desde 2014, sendo desde  2017 Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
O S. João de Estremoz apresenta-se com peles de animais (pele de camelo atada com rude cinto de couro) e um cordeiro apoiado nas patas traseiras (evocação que foi este que anunciou a chegada do Cordeiro de Deus), junto da sua perna direita. Apoia-se num bastão com bandeira. Há peças que apresentam plantas muito altas detrás do Santo, representação da sua condição de Eremita.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Deveríamos ver os pontos críticos da Terra como bens comuns globais


Deveríamos olhar para os elementos do sistema Terra como bens comuns globais, argumentam os pesquisadores em um novo artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os bens comuns globais não podem — como fazem atualmente — incluir apenas as partes do planeta fora das fronteiras nacionais, como o alto mar ou a Antártida. Devem também incluir todos os sistemas ambientais que regulam o funcionamento e o estado do planeta, nomeadamente todos os sistemas na Terra dos quais todos dependemos, independentemente de onde vivemos no mundo, de acordo com os investigadores por trás do artigo, incluindo os investigadores do Centro de Resiliência de Estocolmo Johan Rockström , Jonathan Donges e Carl Folke.

Isto exige um novo nível de cooperação transnacional. Para limitar os riscos para as sociedades humanas e garantir funções críticas do sistema terrestre, propõem um novo quadro de bens comuns planetários para orientar a governação do planeta.

“A estabilidade e a riqueza das nações e da nossa civilização dependem da estabilidade das funções críticas do sistema terrestre que operam além das fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, as atividades humanas pressionam cada vez mais as fronteiras planetárias destes sistemas fundamentais. Da floresta amazónica às massas de gelo da Gronelândia, existem riscos crescentes de desencadear mudanças irreversíveis e incontroláveis ​​no funcionamento do sistema terrestre. Como estas mudanças afectam pessoas em todo o mundo, argumentamos que os elementos de ruptura devem ser considerados como bens comuns planetários aos quais o mundo está confiado e, consequentemente, necessitados de governação colectiva”, explica Johan Rockström, director do Instituto Potsdam para Investigação do Impacto Climático (PIK). ) e professor de ciências da sustentabilidade no Centro.

A publicação é o resultado de um processo de pesquisa de quase dois anos envolvendo 22 importantes pesquisadores internacionais. Os cientistas jurídicos, políticos e do sistema terrestre defendem a sua posição com base na bem conhecida ideia dos bens comuns globais. Em seguida, expandem-no significativamente para conceber respostas jurídicas mais eficazes para governar melhor os sistemas biofísicos que regulam a resiliência planetária para além das fronteiras nacionais, tais como os sumidouros naturais de carbono e os principais sistemas florestais.

“Acreditamos que os bens comuns planetários têm o potencial de articular e criar obrigações de administração eficazes para os Estados-nação em todo o mundo através da governação do sistema terrestre que visa restaurar e fortalecer a resiliência planetária e promover a justiça. No entanto, uma vez que estes bens comuns estão frequentemente localizados em territórios soberanos, tais obrigações de administração também devem cumprir alguns critérios de justiça claros”, destaca a professora Joyeeta Gupta, da Universidade de Amesterdão.

Uma mudança planetária
Outros bens comuns globais ou bens públicos globais incluem o alto mar e os fundos marinhos profundos, o espaço sideral, a Antártida e a atmosfera. Estes são partilhados por todos os Estados e estão fora das fronteiras jurisdicionais e, portanto, dos direitos soberanos. Todos os estados e pessoas têm um interesse colectivo, especialmente quando se trata de extracção de recursos, que sejam protegidos e governados de forma eficaz para o bem colectivo. Os bens comuns planetários expandem a ideia dos bens comuns globais, acrescentando não só regiões geográficas globalmente partilhadas ao quadro dos bens comuns globais, mas também sistemas biofísicos críticos que regulam a resiliência e o estado, e portanto a habitabilidade, na Terra.

As consequências de uma tal “mudança planetária” na governação dos bens comuns globais são potencialmente profundas, argumentam os autores. A salvaguarda destas funções reguladoras críticas do sistema terrestre é um desafio numa escala planetária única de governação, caracterizada pela necessidade de soluções colectivas à escala global que transcendam as fronteiras nacionais.

Visitar a página Global Commons Alliance

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Mata da Bufarda enriquece candidatura de Conímbriga a Património Mundial


A riqueza botânica e histórica da Mata da Bufarda, em Condeixa-a-Nova, defendida por sucessivas gerações de investigadores, é igualmente valorizada na candidatura da cidade romana de Conímbriga a Património da Humanidade.

O canhão do rio dos Mouros, junto ao campo arqueológico e ao Museu Nacional de Conímbriga, e aquela mata “são dois elementos preponderantes no processo”, disse à agência Lusa Miguel Pessoa, do Movimento para a Promoção da Candidatura de Conímbriga a Património Mundial da UNESCO.

“Conímbriga é muito mais do que um museu. Só se consegue perceber a longa e fascinante diacronia da cidade se entendermos o território envolvente”, confirmou Vítor Dias, diretor do Museu Nacional.

Também o presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova, Nuno Moita, realçou a necessidade de assumir uma visão integrada do património cultural e natural do município, no distrito de Coimbra, que em termos turísticos tem vindo a apostar na herança da romanização.

“A localização que os romanos escolheram para Conímbriga tem a ver com toda a envolvente, ainda com muita biodiversidade”, afirmou à Lusa.

A importância da arte dos mosaicos, que surgem na região em diversos sítios arqueológicos ligados à ocupação romana, é igualmente reconhecida pela candidatura de Conímbriga a Património Mundial, cuja proposta foi entregue este ano à representação da UNESCO em Portugal.
“É naquelas margens do rio dos Mouros, em plena Mata da Bufarda, que encontramos os calcários de várias cores usados pelos mosaicistas”, enfatizou Miguel Pessoa, dirigente da Associação Ecomuseu, que promove o processo para a classificação em conjunto com o município de Condeixa e o Centro de Estudos Vergílio Correia.

A mata, onde foram identificadas quase 350 espécies botânicas, incluindo pinheiros-mansos e outras resinosas de um coberto vegetal mais recente, “ajuda a compreender a cidade romana”.

“Foi dali que vieram as madeiras para construir as habitações de Conímbriga”, sublinhou Miguel Pessoa.

Conímbriga, com as suas especificidades e localização, “permite uma ligação interdisciplinar com quase todos os ramos de saber, porque nos transporta para fora do edificado”, salientou Vítor Dias, por sua vez.

O diretor do Museu Nacional afirmou à Lusa que, no passado, a Mata da Bufarda “tinha mais carvalho, azinheira e sobreiro”, mas que, mais de 2.000 anos após a chegada dos romanos, continua a ser indissociável da cidade, enquanto área verde com centenas de hectares que mantém as características primitivas da floresta mediterrânica.

No verão, foram inaugurados os passadiços do rio dos Mouros, num percurso aproximado de 800 metros, entre Conímbriga e a cascata, que a Câmara Municipal quer prolongar até ao Poço, aldeia onde se cruzam as rotas turísticas pedestres de Santiago, Carmelitas e Terras de Sicó.

“Os passadiços são uma feliz iniciativa da autarquia e uma excelente oportunidade para potenciar esta dimensão paisagística e ambiental que Conímbriga e Condeixa têm”, enalteceu Vítor Dias.

A promoção das “diferentes potencialidades que o sítio encerra” exige um “planeamento com todas as entidades” que intervêm na zona.

“É necessário um planeamento conjunto, a longo prazo, que seja capaz de perspetivar as potencialidades de todo este imenso território”, preconizou o arqueólogo.

A mata não está classificada. Porém, como em parte “está dentro da zona de proteção de Conímbriga”, acaba por “ter alguma proteção”, referiu Nuno Moita.

Ressalvando que são muitos os proprietários, o autarca apelou à criação de mecanismos para preservar e tornar mais acessível este património natural em redor de Conímbriga.

“Muito diminuída e adulterada em relação à floresta original”, a Mata da Bufarda “constitui ainda um coberto vegetal de grande importância para o estudo da flora mediterrânica”, consideram Adília Alarcão, antiga diretora do museu, e o seu colega Virgílio Correia.

Num trabalho conjunto sobre Conímbriga, publicado em 2004, os dois arqueólogos abordam “a urgência da classificação desta mata”, assim defendida por historiadores, botânicos e outros investigadores.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Música do BioTerra: Dá Lá dou (cantares Portugueses)

Original: Albertina do Carmo e Lídia Afonso, Gravadas em Cobelas, Vinhais, Bragança, Trás-os-Montes, a 17 de Março de 2015

Arranjo musical de Rui Rebelo: as mesmas cantoras e a mesma canção

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Rio Douro está a ser “privatizado” e transformado num “parque temático”, criticam moradores de Gaia


Os 80 moradores do Edifício Destilaria Residence, situado no Cais do Cavaco, em Gaia, estão frontalmente contra a construção do terminal fluvial que consta da proposta apresentada pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) no passado dia 3 de maio.

Esta oposição “deve-se ao reduzido envolvimento da sociedade civil ao longo de todo o processo, que resulta do acordo prévio entre a Câmara Municipal de Gaia e a APDL relativamente a este projeto, o que transformou a consulta pública num mero pró-forma”, revela o comunicado dos moradores.

Os habitantes consideram que esta é “mais uma medida de privatização do rio Douro” que está a ser transformado num “parque temático”. E deixam críticas à forma como a APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo e a autarquia de Gaia estão a conduzir o processo.

“A despreocupação com o rio Douro e com a qualidade da sua água e ecossistemas é visível nas projeções para o crescimento turístico na Via Navegável do Douro: a APDL estima que em 2035 exista uma frota de 37 navios-hotel no Douro e um total de 125.500 passageiros anuais – aumentos de 48% e 26% face aos números mais recentes, respetivamente”, refere ainda o comunicado.

Ao mesmo tempo, “questionam a ausência de avaliação de sustentabilidade do rio, perante o objetivo de colocar 37 navios-hotel e 125 mil passageiros na Via Navegável do Douro até 2035”.

“A preservação das condições únicas do Douro é do interesse do país e do município. Ao aceitar estes números, a APDL assume, implicitamente, que não se deve estudar, previamente, o limiar da sustentabilidade e a capacidade de assimilação turística do Douro”.

O morador Paulo Leal, citado em comunicado, indica que “não se encontra, em nenhum documento disponibilizado na consulta pública, nenhuma razão que sustente a necessidade de um projeto desta envergadura e neste local específico”. “Os argumentos utilizados, meramente económicos, levam-nos a interpretar que este projeto é mais um passo dos operadores em privatizar o rio Douro, transformando-o num parque temático, afogado num turismo de massas descontrolado, assente numa procura de maximizar os lucros de terceiros sem considerar as preocupações das associações ambientais e da população local. Basta olharmos para exemplos de cidades europeias, como Veneza, que está a recuar neste tipo de atividade, para percebermos que há limites a este crescimento”, acrescenta.

O comunicado recorda as preocupações que vários académicos e especialistas têm levantado nos últimos dias sobre o projeto e assegura que os moradores afirmam que a APDL falhou em responder à totalidade dos seus impactos ambientais, “não apresentando, por exemplo, cálculos e medidas de minimização dos riscos de derrame de combustíveis”.

O grupo de moradores tem solicitado reuniões com decisores e entidades envolvidas no processo, como a Câmara Municipal de Gaia e a APDL, sendo que a porta do autarca Eduardo Vítor Rodrigues permanece fechada. “Até agora a única entidade que nos recebeu foi a APDL, que remeteu tudo para o processo de consulta pública e mostrou pouca preocupação com o bem-estar dos gaienses que aqui vivem todos os dias, mostrando valorizar mais um crescimento turístico descontrolado de pessoas que vêm cá uma vez e nunca mais voltam”, segundo outro morador, José Filipe Mesquita.

Os moradores destacam que a consulta pública do processo – que “resulta do acordo prévio entre a câmara municipal de Gaia e a APDL” – teve um “reduzido envolvimento da sociedade civil”, o que “transformou a consulta pública num mero pró-forma, desconsiderando por completo as preocupações dos gaienses e dos moradores daquela zona ribeirinha”.

Mas os moradores deixam mais críticas, notando que, face ao aumento da frota, “a preservação das condições únicas do Douro é do interesse do país e do município. Ao aceitar estes números, a APDL assume, implicitamente, que não se deve estudar, previamente, o limiar da sustentabilidade e a capacidade de assimilação turística do Douro”.

Os moradores estão “indignados” pelo ““desrespeito pela preservação do rio Douro, que chega ao absurdo de a APDL considerar que uma dragagem de 23 mil m3 e a extorsão de nove mil m2 de margem de Rio acabam por produzir, e cito, impactos “positivos, irreversíveis, de elevada significância”, quer ao nível do ordenamento do território, quer ao nível do uso do solo”.

Somado aos impactos sobre o leito do rio, decorrentes da construção da estrutura de 6.200m2 e 10 metros de altura diretamente sobre o Douro, os moradores consideram “importante alertar para a desfiguração da margem do Douro, sobre a encosta histórica de Vila Nova de Gaia.

“Os moradores do Edifício Destilaria Residence mostram-se ainda revoltados pela escassa consideração pelos impactos negativos nas suas vidas, nas suas famílias e no seu dia a dia, o que a APDL considera, no Resumo Não Técnico do projeto, como “pouco significativos, e, portanto, com reduzido potencial para configurarem situações de desconforto”.

Para terminar, os moradores pedem uma” verdadeira discussão pública, estudos mais aprofundados e um maior escrutínio no processo de tomada de decisão. Tendo sido apenas contactados pela primeira vez em agosto de 2022, mais de dois anos depois do início do estudo do projeto e sem que lhes tenha sido fornecida informação suficiente sobre o mesmo, os moradores vão levar a sua contestação a todas as instâncias, inclusive para lá do processo de consulta pública, que hoje termina”.


O Edifício Destilaria Residence é um edifício histórico do final do século XIX situado no Cais do Cavaco e projetado por um colaborador de Gustave Eiffel como fábrica da Destilaria do Álcool, segundo o comunicado que salienta que “após vários anos ao abandono, este imóvel foi reconvertido para fins residenciais em 2008”.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Terminal do Cais do Cavaco em Gaia terá dois pisos e será revestido a tijolo


O terminal fluvial do Cais do Cavaco, em Vila Nova de Gaia, desenhado pelo arquiteto Álvaro Siza, terá dois pisos e será revestido a tijolo burro, de acordo com um estudo em consulta pública até 14 de junho.

Segundo o resumo não técnico do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projeto, o edifício do terminal "de planta retangular, apresenta 180 m [metros] de comprimento e 27 m de largura" e "dispõe de dois pisos, apresentando altura de 10 m, e a sua área de implantação é de 4.825 m2 [metros quadrados]".

"O edifício reveste-se de tijolo burro à cor natural, contrastando com o verde presente na colina a tardoz, e pousa sobre uma plataforma em betão branco. Esta plataforma fundada em estacas, liga-se a terra através de um aterro marginal sobre o rio que suportará um sistema viário mais eficiente para a circulação de veículos que acederão ao terminal", pode ler-se no documento submetido a avaliação ambiental.

De acordo com o estudo disponível no portal Participa, o terminal "deverá dispor de quatro postos de acostagem com capacidade para acolher quatro navios-hotel com comprimento de 80 m", estando também prevista "a possibilidade de acostagem de um navio extra para efeitos de pequena manutenção, cargas ou outros".

Além dos navios-hotel, a infraestrurura fluvial também contempla "a instalação de um pequeno núcleo de recreio náutico com capacidade para cerca de cinco dezenas de embarcações de recreio".

"Com exceção da faixa adjacente à margem, construída em aterro, toda a infraestrutura do terminal será fundada em estacas cilíndricas de betão armado", e "a plataforma do cais oferece uma frente-cais de 343 m de comprimento, com uma largura de 10 m".

Em terra, "do lado da marginal é criada uma alameda servindo-se da via atual e de uma outra via, a construir", permitindo a nova estrutura viária "a inversão de marcha de veículos de grandes dimensões como autocarros ou camiões garantindo uma maior flexibilidade de acessos ao terminal".

No dia 11 de novembro de 2022, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) anunciou que estava "a desenvolver um projeto de construção de um terminal de embarcações marítimo-turísticas na margem sul do rio Douro", em consonância com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia quanto ao "local, projeto, arquiteto e enquadramento urbanístico".

De acordo com o estudo colocado em consulta pública no dia 03 de maio, a construção do terminal "tem ainda subjacente a relocalização do cais-base dos navios-hotel que atualmente opera no Cais de Gaia em condições muito limitantes para esta atividade, bem como para a zona urbana em que se insere, em pleno centro histórico da cidade de Gaia".

Apesar de o estudo classificar que os impactos negativos estão "na sua larga maioria qualificados como pouco significativos", o estudo refere também que foram consultados os residentes do empreendimento Destilaria Residence, em frente ao terminal projetado, em que "os proprietários do condomínio foram unânimes a manifestar desagrado com o projeto do terminal cuja cércea interfere com as vistas sobre o rio".

Atualmente, na zona do Cais do Cavaco, "existe uma antiga ponte-cais, em estrutura metálica, desativada desde há vários anos", e, a realizar-se a construção do cais, estima-se que a empreitada demore dois anos, segundo o estudo.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

A Batalha pela Água Intensifica-se em Espanha


Em Espanha, o parlamento da Andaluzia aprovou recentemente um projeto de lei que prevê legalizar cerca de mil hectares de regadio ilegal na zona envolvente do Parque Nacional de Doñana, uma das zonas húmidas protegidas mais notáveis da península ibérica, situada na margem direita do rio Guadalquivir. A atual iniciativa legislativa, liderada pelo PP e com o apoio do Vox, implicará a expansão do regadio e a regularização de centenas de poços ilegais, os quais retiram a água que é essencial à sobrevivência de Doñana. Legalizam-se assim as culturas nas imediações do parque, que vive já uma situação crítica devido à sobre-exploração dos aquíferos e à falta de chuva. A iniciativa política ignorou as recomendações contrárias da comunidade científica e dos ambientalistas, que não se têm cansado de alertar para o estado crítico de Doñana. A esperança reside agora na atuação das entidades europeias e internacionais: a UNESCO manifestou o seu desacordo e a Comissão Europeia avisou que, se a proposta de lei for bem-sucedida, não hesitará em tomar todas as medidas necessárias, incluindo a apresentação de um novo recurso no Tribunal de Justiça, e a imposição de sanções. O momento é dramático para o Parque Nacional de Doñana; cerca de 60% das maiores lagoas temporárias não são inundadas desde 2013, o que já provocou perda de biodiversidade. A preocupação é maior porque a seca é grave em Espanha, com as reservas de água abaixo de metade da média dos últimos 10 anos, especialmente no sul. Os dados disponíveis são claros e impõem uma redução do número de hectares que são irrigados legalmente e a preparação de uma alternativa ecológica para os agricultores e território. No entanto, a iniciativa promovida pelo parlamento não só foge a este propósito, como promove o contrário, alargando o número de hectares com direito a dotações de água. Aproximam-se as eleições e PP e Vox afirmam-se garante da prosperidade económica na região de Doñana, especialmente nos municípios com maiores áreas de culturas de frutos vermelhos (morango, framboesa), como os da província de Huelva. Estas forças políticas assumem facilmente discursos que contrariam os critérios dos cientistas, do Governo de Espanha, da União Europeia, da Unesco, e a própria realidade, prometendo extensões de rega e, implicitamente, as correspondentes dotações de água. E não se inibem de incentivar o confronto entre os agricultores e o governo central.Num tempo em que é cada vez mais evidente a pressão sobre a água, em que percebemos a insensatez dos que nos querem convencer que nada mudou, não se compreende que não sejamos capazes de nos entender através do diálogo e da razão. Como é que não são os próprios interessados a defender o extraordinário valor ecológico do Parque Nacional de Doñana? Em Espanha, tal como em Portugal, os novos cenários revelam a complacência com que, ao longo de décadas, fechámos os olhos às práticas agrícolas insustentáveis. Vamos ter que encontrar soluções rápidas e justas, e não vai ser fácil. Certo é que não há país em que a destruição ambiental não tenha trazido a ruína económica a longo prazo. Estas culturas intensivas de frutos vermelhos da região de Doñana podem alimentar esta geração, mas não vão alimentar a seguinte.

Helena Freitas, Diário de Coimbra, 25.04.2023

quarta-feira, 8 de março de 2023

Ilha Henderson - com a maior concentração de lixo marítimo do mundo



Localizada no Oceano Pacífico Sul, a Ilha Henderson, a 5.000 km do povoado mais próximo, está completamente coberta de detritos plásticos: sua concentração é a mais alta do planeta.

Os índices de poluição chegam a 671 objetos por metro quadrado. Isso se deve ao fato de a ilha estar localizada na área da corrente oceânica denominada Giro do Pacífico Sul, e por isso se tornou um local de acúmulo de lixo flutuante da América do Sul ou despejado de barcos pesqueiros.


Mais de 600.000 caranguejos eremitas morrem em garrafas de plástico em duas ilhas remotas

Uma pesquisa publicada em abril de 2017 [1] analisou detritos em várias praias e relatou "a maior densidade de lixo plástico em qualquer lugar do mundo" como resultado do Giro do Pacífico Sul. As praias contêm cerca de 37,7 milhões de itens de detritos pesando 17,6 toneladas. Num estudo transversal em North Beach, a cada dia, 17 a 268 novos itens aparecem numa seção de 10 metros. O estudo observou que os caranguejos eremitas roxos (Coenobita spinosus) fazem as suas casas em recipientes de plástico encontrados nas praias, e os detritos podem reduzir a diversidade de gastrópodes na costa, podem contribuir para a redução do número de tentativas de postura de tartarugas marinhas e podem aumentar o risco de emaranhamento para aves marinhas que nidificam na costa.[2][3][4]

Em junho de 2019, uma expedição organizada pelo governo do Reino Unido tentou remover alguns dos detritos de plástico da praia leste da ilha. A equipe coletou seis toneladas de lixo, mas as condições climáticas dificultaram os esforços para retirar o lixo da ilha.[5] Uma nova expedição, planejada para abril de 2020,[6] foi adiada por causa da pandemia de COVID-19.

Ligações externas
The Henderson Island Website
Henderson Island – UNESCO
Isla Henderson (em espanhol)
Google Street View - praias norte e nordeste, maio de 2013

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Pedro Abrunhosa- retrato real do País


Primeiro ignorei. Mas a coisa foi-se agigantando de tal forma, à boa maneira da tão Tuga cultura da Inveja, que se tornou boa demais para a guardar só para mim.
Vamos aos factos: em Outubro de 2022 fiz uma curta, mas muito eficaz digressão internacional, como faço ciclicamente, tendo convidado o Grupo Etnográfico Cantadores de Pias, liderados por Paulo Ribeiro, para me acompanharem desta vez. Lotámos as salas mais emblemáticas de Londres, Paris, Bruxelas e Luxemburgo. A magnificiência, a beleza pura do Cante Alentejano, pela voz destes 27 incríveis cantores, conquistava o coração da Europa. Sucesso total. Milhares de pessoas puderam entender a razão pela qual o Cante foi tão justamente elevado a Património da Humanidade pela UNESCO.
Como é meu hábito, e porque me cumpre, como a todos nós, defender e dignificar o meu país seja a que preço for, levei a cabo esta operação integralmente custeada pelo meu bolso. É minha obrigação sustentar os meus devaneios artísticos e sempre obtive para mim, e para Portugal, o melhor proveito possível. Muitas vezes, como foi este o caso, o prejuízo financeiro é compensado pela satisfação e, porque não dizê-lo, pelo prestígio de concretizar algo Profundo. Fazer dialogar as minhas canções com modas tradicionais alentejanas pareceu-me uma oportunidade imperdível para sustentar a tese de que a Música é a linguagem dos homens que mais fronteiras derruba. Mais: tendo eu convidado ao longo dos anos para pisar o palco comigo os melhores músicos de Jazz e Funk norte-americanos, como o caso de Maceo Parker, de Country, Lucinda Williams, da música Brasileira, Maria Bethania, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, do Flamenco Andaluz, El Duquende, da música francesa, Carla Bruni, entre muitos outros, achei que o Património da Humanidade do meu país não ficaria mal representado se o convidasse para o meu palco.
Regressados a Portugal com os ecos do impacto que tivéramos na Europa, achei que poderíamos, e deveríamos, levar mais longe a nossa ousadia. Buenos Aires, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Sao Paulo, Tóquio, Estocolmo, Oslo, Berlim, Amsterdão, num total de vinte cidades, afiguram-se destinos óbvios para tão feliz e bem sucedida ligação. Porque sozinho já não poderei custear tal operação, dado que, para além dos 27 cantadores de Pias, teria que levar 1 músico e 5 técnicos, num total de 33 pessoas, atrevi-me a pedir à Direcção de Turismo do Alentejo que me ajudasse a fazer o levantamento de eventuais entidades, privadas ou públicas, que quisessem colaborar da maneira que entendessem em levar adiante tal empreitada.


Para tal, tive uma reunião prévia de 40 minutos, apenas consultiva, com o Turismo do Alentejo, em Beja. A única conclusão desse encontro foi que era necessário desenvolver um documento claro, exaustivo e transparente, para apresentar a instituições múltiplas. E a coisa ficou por aqui. Ou ficaria.
É preciso relembrar que Portugal aguentou, e muitas vezes colaborou, com um sistema de nacional-chibismo que permitiu à Inquisição queimar centenas de vítimas e à PIDE ter um esbirro em cada associação. De repente, sabe-se lá indigitado por quem, eu já era ‘Embaixador do Cante Alentejano’ e, provavelmente, deveria estar a receber por debaixo da mesa milhões de euros que gastaria em passeios no meu opulento veleiro fundeado no cais de Beja. Eu, ímpio estrangeiro, como me podia permitir tocar no sacrossanto Cante?
Essa Arte sublime, o maravilhoso Cante Alentejano, é afinal, para alguns iluminados, uma posse, uma coisa parada, uma cena de vitrine, adereço de enfeite prisioneiro das fronteiras da mesquinhez. Para estes novos-inquisidores do reino dos parolos, o merecidíssimo título de Património da Humanidade é, afinal, um estorvo. Com este tipo de ‘defensores’ o Cante não precisa de inimigos..
Um gajo do Porto ri-se disto. E provavelmente o Alentejo e os meus queridos companheiros Alentejanos, rir-se-ão também. Uma das razões pelas quais este país tem perdido oportunidades soberanas de sair do provincianismo é esta: os que vivem sentados, encostados ao ‘opinismo’ de teclado, incapazes de se mexerem para concretizar algo que seja pelo seu país, afastam aqueles que concretizam, os que tem sangue na guelra e não se contentam com o medíocre quando podem criar o excelente.
Não sei em que é que isto vai ficar. Se desista de levar o encantamento secular do Cante Alentejano ao público que, pelo mundo, tem acompanhado generosamente as minhas aventuras artísticas ao longo de três décadas. A ver vamos.
Uma palavra final: ao Alentejo e aos Alentejanos, o meu sentido, comovido agradecimento pela Luz que tem transmitido a todo o país através da vossa incrível Música.
Que melhor maneira há para explicar, a quem não conhece, de que é feito o Chão de Portugal? Viva o Alentejo!
Pedro Abrunhosa
Porto, 14,Janeiro, 2023

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Manifesto Brasil-UE


Acordo deve incluir a criação de um fundo para remunerar os serviços dos ecossistemas da Amazónia, o reconhecimento do clima estável como Património Comum da Humanidade e uma nova estratégia para cumprir os objetivos de Paris

Mais de 40 personalidades do Brasil e de Portugal subscrevem um manifesto que defende uma parceria estratégica entre a União Europeia, o Brasil e o Mercosul (Mercado Comum do Sul) para a defesa do clima estável como Património Comum da Humanidade. Entre os subscritores figuram conhecidos políticos, académicos, ativistas ambientais, dirigentes indígenas, escritores e artistas.

Esta parceria deverá basear-se em quatro prioridades: a defesa do ambiente e da biodiversidade como orientação estratégica das relações entre a UE, o Brasil e o Mercosul; a definição de uma nova estratégia para cumprir os objetivos do Acordo de Paris; a criação de um fundo para remunerar os serviços dos ecossistemas e contribuir para a preservação, recuperação e ampliação da floresta, nomeadamente na Amazónia; e o reconhecimento do clima estável como Património Comum da Humanidade. Os estados-membros do Mercado Comum do Sul são o Brasil, o Uruguai, o Paraguai e a Venezuela (suspensa desde 2016). E tem ainda como países associados o Chile, a Bolívia, o Equador, o Peru e a Colômbia.

Os subscritores incluem vários ex-ministros brasileiros, como Izabella Teixeira (Ambiente, hoje copresidente do Painel Internacional de Recursos do Programa da ONU para o Ambiente), Celso Lafer (Relações Exteriores, neste momento professor emérito da Universidade de São Paulo), Renato Janine Ribeiro (Educação) e Rubens Ricupero (Fazenda e Meio Ambiente). E ex-ministros portugueses, como Guilherme de Oliveira Martins (Educação, atual administrador executivo da Fundação Gulbenkian), Luís Braga de Cruz (Economia, agora presidente da Associação das Florestas de Portugal) e Maria João Rodrigues (Trabalho, hoje presidente da Fundação Europeia para os Estudos Progressistas).

De Portugal subscrevem também o manifesto o embaixador Francisco Seixas da Costa, Carlos Pimenta, ex-secretário de Estado do Ambiente e antigo eurodeputado, José Luís da Cruz Vilaça, ex-juiz do Tribunal de Justiça da UE, Alexandre Quintanilha, deputado e professor catedrático da Universidade do Porto (UP), Álvaro de Vasconcelos, fundador do Fórum Demos e ex-diretor do Instituto de Estudos de Segurança da UE. E académicos como Filipe Duarte Santos, professor catedrático da Universidade de Lisboa (UL) e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, Luísa Schmidt, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da UL e colunista do Expresso, Paulo Magalhães, investigador do Centro de Investigação Jurídico-Económica da UP e presidente da Casa Comum da Humanidade, Francisco Ferreira, professor da Universidade Nova de Lisboa e presidente da ZERO, Fátima Vieira, professora e vice-reitora da UP, Teresa Andersen, professora da mesma universidade e membro da Comissão Permanente do Património Mundial da UNESCO, Viriato Soromenho-Marques, professor catedrático de Filosofia da UL, Helena Freitas, professora da Universidade de Coimbra e ex-deputada, e diversos académicos do Brasil, com destaque para Carlos Nobre, investigador sénior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, um dos cientistas brasileiros mais conhecidos do mundo devido à sua investigação pioneira das alterações climáticas (ver entrevista).

Regresso à Política Internacional

“A vitória de Lula da Silva e o regresso do Brasil ao seu lugar indispensável na política internacional criam condições favoráveis para, a partir da questão ambiental/climática, construir uma resposta capaz, com efeitos de cascata nas mais variadas áreas, assente num multilateralismo eficaz”, salienta o manifesto, intitulado “Clima Estável Património Comum da Humanidade”.

Esta convicção decorre do discurso do novo Presidente do Brasil, onde sublinhou “o seu compromisso com a agenda ecológica – ‘o Brasil e o planeta precisam de uma Amazónia viva’ – ao mesmo tempo que afirmava a sua vontade de retomar as relações com a União Europeia em novas bases”.

Estas afirmações, continua o manifesto, “convergem com a visão da UE, que tem afirmado que a Ecologia é uma questão estratégica, e que as mudanças climáticas são uma ameaça existencial”. Recorde-se que a política de desmatamento da Amazónia desenvolvida durante os últimos anos foi o argumento utilizado pelos governos europeus para travarem a ratificação do acordo UE-Mercosul, concluído em junho de 2019.

O manifesto propõe que, a partir da tomada de posse de Lula da Silva como Presidente, a 1 de janeiro de 2023, “se deveriam retomar as conversações entre a UE e o Brasil, com vista à formação de uma parceria estratégica por um ambiente sustentável, que deveria relançar também a renegociação do acordo UE-Mercosul, a partir das preocupações manifestadas dos dois lados do Atlântico”. Estas negociações são ainda mais importantes devido à ausência de resultados satisfatórios na COP27, a cimeira da ONU sobre alterações climáticas que se realizou recentemente no Egito, “que demonstraram até que ponto o ‘business as usual’ já não é a resposta adequada para enfrentar as ameaças ambientais e à biodiversidade, que põem em risco os sistemas de suporte à vida na Terra”.

Em todo o caso, o acordo alcançado na COP27 em matéria de perdas e danos, reivindicado pelos países em desenvolvimento há mais de 30 anos, “acabou por ser relevante para construção da justiça climática que pode ser um ponto de partida para um novo enquadramento das relações da UE com os países do Hemisfério Sul”, reconhece o manifesto. Assim, a ideia de uma parceria estratégica entre a UE e o Brasil, “tendo o espaço mais vasto do Mercosul como horizonte”, abre oportunidades “para um multilateralismo renovado que privilegie as relações inter-regionais”. O documento sublinha que “é absolutamente essencial” que esta renovação das relações multilaterais “seja eficaz e inclusiva e tenha em consideração o carácter policêntrico do sistema internacional”.

Acordo de 2019 não garante metas ambientais

O acordo UE-Mercosul de 2019 não oferece garantias suficientes de cumprimento das metas ambientais, assinala o manifesto. Por isso, a UE e o Brasil “deviam fazer do objetivo de cumprir os Acordos de Paris uma condicionalidade dos seus acordos bilaterais e das suas relações inter-regionais”. Essa nova orientação estratégica seria objeto de um anexo ao acordo, “fazendo-o evoluir de uma parceria essencialmente comercial para uma parceria que coloca o objetivo do clima estável no centro das relações inter-regionais”. O acordo UE-Mercosul seria assim ratificado juntamente com o anexo, que tornaria legalmente vinculativa a sua componente ambiental. Deste modo, as objeções europeias levantadas à ratificação do acordo “deixariam de fazer sentido político”.

Para que o Acordo de Paris seja cumprido “é preciso reconhecer os limites de uma estratégia que apenas pretende evitar/mitigar/neutralizar emissões, mantendo o mesmo modelo económico em que só através da destruição e extração de recursos se reconhece a criação de riqueza na sociedade, e que hoje cria mais problemas do que aqueles que consegue resolver”, enfatiza o documento. Por isso, “é urgente criar um sistema que compense os que contribuem para a remoção de CO2, assente numa economia capaz de cuidar/restaurar/regenerar/manter ativamente um clima estável”. E é necessário também criar um enquadramento legal, assente num sistema de contabilidade ambiental, “que permita avançar rapidamente para o objetivo de limpar a atmosfera, incentivando e compensando a realização de emissões negativas”.

Fundo UE-Mercosul para restaurar a floresta

Recuperar e manter um clima estável implica a manutenção dos ecossistemas ainda preservados e um investimento em larga escala no restauro e regeneração das áreas já degradadas, argumenta o manifesto. O objetivo é iniciar o processo de limpeza da atmosfera (emissões negativas) e de provisão de outros serviços dos ecossistemas da maior relevância para a manutenção de um clima estável, como é o caso das florestas tropicais, nomeadamente da Amazónia. Daí que seja proposta a criação de um fundo UE/Brasil/Mercosul, que teria como objetivo remunerar os serviços dos ecossistemas e contribuir para a preservação, recuperação e ampliação da floresta.

Por fim, um objetivo prioritário “deve ser o reconhecimento do clima estável como Património Comum da Humanidade, através de um tratado internacional envolvendo todos os membros da ONU e as organizações relevantes de cooperação regional e inter-regional”. Esse processo seria iniciado com a definição do clima estável a partir dos chamados Limites do Planeta, uma combinação de nove variáveis, incluindo o CO2, que descreve o bom funcionamento do Sistema Terrestre, aquilo a que os cientistas chamam “Espaço de Operação Segura para a Humanidade”. Com base neste instrumento “seria possível internalizar, não só os custos, mas também os benefícios, permitindo construir uma economia de restauro e manutenção do bem comum”, conclui o manifesto.

As negociações climáticas promovidas pela ONU deixariam, assim, de ser um jogo de soma negativa entre países poluidores, em que cada um tenta fazer menos emissões mantendo o mesmo conceito de criação de riqueza, para passar a ser uma cooperação positiva, garantindo as compensações devidas a todos aqueles que contribuem para o clima estável e garantem o bom funcionamento do Sistema Terrestre.

sábado, 5 de novembro de 2022

O "galego das Astúrias" também está a morrer; há uma sangria de oradores



Galego-asturiano. Eo-Navegação. Fala. Astur-galego. Inclusive, de forma depreciativa, "chapurriao" . Os múltiplos nomes que foram dados à língua falada no oeste de Astúrias mostram a controvérsia que existe em torno da língua . Uma polémica que, entende o coletivo Axuntar , é superada pela linguística. A associação apresentou um relatório com o qual pretende reivindicar o galego das Astúrias para dignificar o seu uso e evitar em primeiro lugar uma perda de oradores, que nos últimos 30 anos atingiu 29% .

A área de uso do galego-asturiano abrange cerca de 4.200 quilómetros quadrados e 18 municípios, um território em que vivem cerca de 37.000 pessoas. No entanto, o mais recente Inquérito Sociolinguístico de Navia-Eo, promovido pela Academia da Língua Asturiana, constatou que os falantes desta língua no primeiro mandato eram 75% há três décadas, em 46% no ano de 2021.

Num momento decisivo para o estatuto oficial das línguas minoritárias nas Astúrias, Axuntar exige que o Principado aceite a "pluralidade linguística" da comunidade e que a língua falada no território Eo-Navia seja o galego, "nem asturiano nem asturiano" .-Leonês, muito menos castelhano». Em seu relatório, realizado por Javier Barcia e Natalia Jardón , o grupo destaca que já em 1162, na Cartularia de Oscos, há um documento em galego-português que comprova a venda de duas fazendas pelo preço de um boi e cem remunerações.

Axuntar enumera no seu relatório 46 investigadores que comprovam a raiz galego-portuguesa da língua falada nas Astúrias Ocidentais, incluindo Menéndez Pidal, Dámaso Alonso, García de Diego, Lázaro Carreter ou Carvalho Calero . Que a língua de Eo-Navia seja galega com as nuances dialetais típicas da região é tratada assim, destaca o grupo no dossiê, de "uma verdade científica admitida pelos linguistas".

Axuntar rejeita a tese de que o galego-asturiano deva ser considerado uma nova língua românica, pois "separar uma língua de sua raiz linguística é condená-la ao desaparecimento".

A referida pesquisa da Academia de la Llingua Asturiana mostra a diversidade de percepções em torno do galego-asturiano, foco de um intenso debate. 64% acreditam que a língua das Astúrias Ocidentais "é uma mistura de galego e asturiano"; 13% pensam que é uma variante do galego; 8% consideram que vem das Astúrias; e mesmo uma pequena porcentagem, 3%, pensa que vem apenas do espanhol.

Esta situação responde, acredita Axuntar, à atitude do Principado, que na sua opinião quer separar os asturianos do Ocidente da sua própria língua. O grupo entende que essa “ política de confusão ” de “separar uma língua de seu corpus linguístico” só pode levar à perda de falantes.

«Na pesquisa, a Academia perguntou em primeiro lugar sobre identidade: se os participantes se sentiam asturianos ou não . Isso vai além da sociolinguística, que deveria estudar em que áreas a língua é falada, que presença ela tem na escola... Pressionar a saúde da língua. Mas a abordagem é tendenciosa: o que se busca é estimular esse sentimento de identidade asturiana para eliminar a palavra galego”, diz Quique Roxíos , de Axuntar.

“ Um bem cultural torna-se objeto de conflito político ”, aprofunda. «O cidadão comum não tem que saber das questões dialetológicas, e se assim se orienta, interpreta a questão como um dilema de identidade. E é absurdo e irreal, porque a fronteira ocidental das Astúrias tem quase 1.000 anos sem que haja na Eo-Navia qualquer aspiração de pertencer à Galiza », expõe Roxios.

Assim, Axuntar exige “que os asturianos de língua galega sejam reconhecidos e que não sejam privados de sua herança cultural”.

sábado, 17 de setembro de 2022

Documentário: Nuit et Brouillard (Noite e Nevoeiro)


Legendado


É um olhar fundamental dedicado a uma das páginas mais negras da história mundial: o nazismo. Regressar ao egrégio Noite e Nevoeiro (1956) significa pois tomar a posição do não esquecimento, face a uma atualidade que cada vez mais se alimenta do pavio curto de cada dia, deixando a memória na estante dos livros. Estamos a falar de um filme documental com apenas 32 minutos de duração, que, pela justeza e pudor lírico, revolucionou a abordagem do terror do Holocausto, permitindo abrir a discussão sobre a própria dificuldade de se lidar com as suas imagens. Mais importante ainda, a obra de Alain Resnais assimila essa mesma reflexão: qual a distância certa a tomar em relação às imagens?

Realizado dez anos após a libertação dos campos de concentração nazis, na sequência de um pedido do Comité de História da Segunda Guerra Mundial, Noite e Nevoeiro acabou por ser tudo menos um trabalho de encomenda. Resnais estabeleceu, desde o princípio, que a questão formal no seu cinema (então ainda a dar os primeiros passos) era indispensável para apurar a questão moral em si. Daí que esta curta-metragem, negando as fórmulas convencionais e demarcando-se de tudo o que tinha sido feito até aí, seja uma visão ímpar, tanto em termos de rigor do pensamento de fundo, como na qualidade de objeto documental. Além disso, o tema da memória já estava no ADN da filmografia de Resnais, e seria, por excelência, a sua matéria-prima, concretizando-se posteriormente em títulos como Toute la mémoire du monde (1957), Hiroshima, Meu Amor (1959) e Muriel ou o Tempo de Um Regresso (1963). Do mesmo modo, em nenhum destes a memória é instrumento de uma linguagem cinematográfica convencional; bem pelo contrário.

Em Noite e Nevoeiro, com essa liberdade e firmeza artística, o cineasta francês cruzou planos filmados a cores em Auschwitz, antigo cenário do horror - naquela altura já transformado numa paisagem verde e serena -, com imagens de arquivo, algumas dos deportados. Em voz off é lido, por Michel Bouquet, um texto de comentário escrito pelo poeta Jean Cayrol, ele próprio um ex-prisioneiro de Maathausen que relatara a sua experiência em Poèmes de la nuit et du brouillard (1945). Já a banda sonora do compositor Hanns Eisler surge como um marcante revestimento. E o que resultou desta conjugação de esforços e intelectos traduz-se no "filme impossível" de que nos fala o crítico Jacques Doniol-Valcroze, citado na contracapa do DVD agora lançado, ou como notou François Truffaut - um dos grandes admiradores de Noite e Nevoeiro -, numa experiência da qual se sai "devastado, confuso", pela sua força de meditação.

Este assombro com o filme de Alain Resnais é também aquilo que move o documentário que vem como extra do DVD: Face aos Fantasmas (2009), de Jean-Louis Comolli, é uma análise de Noite e Nevoeiro feita pela historiadora Sylvie Lindeperg, que o estudou durante 20 anos. Aqui é explorada a própria origem e percurso do filme, com os seus intervenientes, bem como a atitude de Resnais face à missão que tinha em mãos (ouvem-se excertos de gravações da sua voz a explicar o processo de trabalho e a revelar os sentimentos que o assaltaram nessa época). Dentro de um registo muito sóbrio, Lindeperg explana sobre todas as qualidades desta obra-prima, nomeadamente o porquê de a sua força histórica estar ligada de um modo muito racional ao seu lirismo. Resnais quis arriscar uma nova escrita, e foi o cineasta que levou o sentido da memória ao seu ponto de vertigem.

Entrevista:
Alain Resnais interview on Night and Fog, Nuit et Brouillard, 1955

Filmografia e Biografia
Alain Resnais

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Sistema Terrestre, o Bem Comum Global || The Earth System as Global Common



Our daily decisions impact the the Earth System and, consequently our climate. A stable climate is our Common Heritage and we are all responsible for restoring and maintaining it.

In the real world, a stable climate is a common good not only from a legal perspective as it is materially and legally indivisible, but also from an economic perspective, as it is limited, exhaustible, and rival in consumption. These factors are highly relevant in the failure of carbon markets designed to reduce global emissions.

Despite 25 years in climate negotiations, none of the proposed solutions have generated a significant reduction in CO2 emissions. To fulfill the Paris Agreement goal, emissions would have to decrease 45% by 2030, not 0.5% as previously estimated.

The Earth is approaching a potential planetary "Tipping Point" with no point of return, but there is still a possible restoration path, which will only be achieved if we are capable of truly rapid and coordinated collective action.

O que significa um MOOC? 
MOOC significa Massive Open Online Course. Em português, isso significa que esses cursos oferecidos por escolas, universidades, ou empressas, são acessíveis a todos gratuitamente na Internet. MOOCs são abertos e reúnem milhares de pessoas. Melhor do que o e-learning e ou simples tutoriais, MOOCs têm a vantagem de criar uma grande interatividades entre os estudantes, e os instrutores dos cursos.
Esse formato on-line de aprendizagem nasceu da iniciativa de grandes universidades americanas como Harvard, MIT entre outras. Graças aos MOOCs, agora é possível acessar os cursos ministrados nas mais prestigiadas instituições de todo do mundo.
Depois de realizar um MOOC e atingir todas as expectativas dos professores (aprovação em questionários, projetos/tarefas, avaliação pelos pares), você poderá obter um certificado de conclusão. Esteja ciente no entanto que uma vez registrado, não existe obrigação de concluir o MOOC, se este não atender suas expectativas, ou parecer muito difícil.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Discurso de Anne Teresa De Keersmaeker quando aceitou o prémio Helena Vaz da Silva


Introdução e Agradecimentos [00:06] "Exma. Senhora Ministra, caros membros da direção da Europa Nostra, da Fundação Calouste Gulbenkian, do Centro Nacional de Cultura e do Clube Português de Imprensa. Caros membros do júri, senhoras e senhores. Deixem-me primeiro expressar o quão honrada e grata estou por estar aqui esta noite e receber o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural."

Sobre Helena Vaz da Silva [01:03] "Gostaria muito de ter conhecido a inspiradora Helena Vaz da Silva. Compreendi que o seu nome, Helena, significa que ela é a mulher mais bela, e 'da Silva' significa que ela é da floresta. O que se pode querer mais? Além disso, Helena foi uma grande amiga da admirável Marguerite Yourcenar, que nasceu na minha cidade, Bruxelas."

A Definição de Coreografia [01:48] "Em algum momento do seu caminho, qualquer artista se depara com a questão: o que é que faz e o que significa o seu meio para si? (...) A tentativa de expressar o que a coreografia significa para mim tem sido algo em movimento, em constante mudança. Dança comigo."

A artista descreve a evolução da sua visão sobre a coreografia em quatro fases:

  1. Corporizar uma abstração: Uma obsessão com o numérico, o geométrico e o formalismo [04:11].

  2. Organização do tempo e do espaço: Um regresso ao corpo humano e ao básico: caminhar, respirar, cair [04:31].

  3. Desafiar a gravidade: Algo entre Isaac Newton e saltar como uma criança [04:43].

  4. Uma forma de cura: Uma visão mais recente do seu trabalho [05:03].

O Impacto da Pandemia e a Crise Climática [05:29] "Com a COVID-19, tudo o que pensávamos saber foi desestabilizado. Como coreógrafa, as perguntas tornaram-se incontornáveis: quando voltaremos a fazê-lo? Porquê dançar?"

Anne Teresa reflete sobre a etimologia da palavra: Core (coro/grupo) e Graphine (escrever). "Coreografia é escrever as pessoas, ou escrever o espaço entre as pessoas" [06:55]. Ela observa que a pandemia criou uma "coreografia peculiar" de distância, máscaras e desconfiança entre os corpos [07:22].

No entanto, alerta que problemas como as alterações climáticas, a educação e a desigualdade social são questões mais urgentes que devem estar no topo da lista [08:02]. "Destruímos o nosso ambiente, destruímo-nos a nós mesmos" [09:10].

A Dança como Reencontro e "Reset" [11:18] "Acredito que a coreografia tem o potencial de oferecer mais do que apenas consolo. Podemos aprender com ela." Ela discute dois eixos na dança:

  • Eixo Vertical: Liga o céu à terra, mantendo-nos enraizados mas elevando-nos [12:11].

  • Eixo Horizontal: O reino do social, onde alcançamos os vizinhos e nos apoiamos [12:40].

"O mundo precisa de se reescrever, não de retroceder, mas de fazer um reset para um futuro melhor" [14:26].

O Património da Dança e a Educação [19:05] Refletindo sobre a Europa Nostra e a proteção do património, ela questiona como proteger a dança, que não é feita de objetos, mas passa de corpo em corpo. Menciona a fundação da sua escola, PARTS, em Bruxelas em 1995, que já recebeu 556 alunos de 66 países [20:36]. "Proteger o património da dança é uma questão de cuidar da sua transmissão de geração em geração" [23:28].

Conclusão: Uma Celebração da Humanidade [28:16] "No final do dia, a coreografia é uma celebração da nossa humanidade. É um meio para dançarmos juntos coletivamente. Mesmo quando dançamos a solo, nunca estamos verdadeiramente sozinhos."

O discurso termina com citações de T.S. Eliot e o Soneto 18 de Shakespeare, celebrando a vida e a imortalidade através da arte [29:59].