Mostrar mensagens com a etiqueta Ernst Gotsch. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ernst Gotsch. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O Telhado Chegava

Ricardo Meireles
No dia 28 de Abril de 2025, ao princípio da tarde, a Península Ibérica apagou-se em cinco segundos. Tenho familiares que nesse dia estavam debaixo de um telhado coberto de painéis, pagos à EDP, com o inversor de corrente instalado e a funcionar. O sol caía em cima da casa, os painéis absorviam a energia toda, e essa energia ia parar a lado nenhum. Nem uma luz se acendia lá dentro.

No mesmo dia, um casal amigo, a Alice e o André, que há muitos anos exploram com persistência os modos de vida mais resilientes, publicava numa rede social que o sol e umas baterias de chumbo compradas a preço acessível lhes estavam a dar a energia toda de que precisam para a vida frugal que com orgulho vão mostrando. O post recebeu uma série de comentários depreciativos. Entre eles, o argumento de que é muito fácil para quem tem terreno. Os painéis deles estão no telhado. Curioso.

Duas casas portuguesas, o mesmo sol, o mesmo dia. Numa, o investimento grande, o contrato com a empresa, a escuridão. Na outra, os painéis apoiados pelas baterias de chumbo e a luz acesa. A explicação técnica é simples: os sistemas ligados à rede desligam o inversor quando a rede cai, por segurança de quem repara as linhas, e os painéis ficam inúteis exactamente no momento em que fariam mais falta. O sistema foi desenhado para que os painéis sirvam a rede primeiro e a família depois. No dia em que a rede caiu, ficou claro quem serve quem.

A história por trás da explicação técnica é a de como um país desenhou, e depois desmontou, a hipótese de uma energia democrática.

Em 2007 a política energética portuguesa promovia a microprodução doméstica: instalava-se, ligava-se à rede, vendia-se tudo a uma tarifa bonificada, calculada de maneira a que o investimento se pagasse a si próprio. Milhares de famílias fizeram as contas, pediram crédito e ousaram subir ao telhado. E a área chegava. Chega ainda. João Joanaz de Melo, professor de Engenharia do Ambiente na Nova e ligado ao partido do Governo (PSD), resume o que os estudos dizem: “no edificado doméstico e de serviços português, temos área suficiente para produzir duas a três vezes o consumo das famílias e dessas empresas”. Três vezes. Sobre o caminho que se seguiu em vez desse: “Isto é uma iniquidade e um erro estratégico. Devíamos ter um metro descentralizado por cada metro centralizado.”

Um país com área construída para o triplo do que consome em casa reservou 456 mil hectares de solo rústico para centrais de escala. Entre uma frase e a outra há uma distância. Este texto é sobre a maneira como ela se foi abrindo. Ler texto completo aqui

Minha Análise
Caro Ricardo,
O teu texto é de uma lucidez e sensibilidade raras, porque consegue desmontar a narrativa oficial da transição verde a partir da realidade concreta da terra, da fatura das famílias e da própria física dos sistemas. A imagem do apagão - o contraste entre as casas conectadas à rede que ficaram às escuras e a resiliência simples da casa off-grid - resume com precisão a grande contradição do nosso tempo. O sistema não foi desenhado para dar autonomia aos cidadãos, mas para canalizar fluxos de capital e garantir o abastecimento de grandes atores.
Subscrevo por inteiro a tua crítica à ocupação de 456 mil hectares de solo rústico quando temos telhados e zonas impermeabilizadas de sobra. Ainda assim, a leitura do teu artigo faz-me pensar em alguns pontos que tornam esta equação ainda mais perversa e que reforçam a gravidade do que está a acontecer com o PSZAER.
Em primeiro lugar, há a questão do próprio consumidor que investe no telhado. Não se trata apenas de o inversor desligar por razões de segurança da rede; trata-se de um enquadramento regulatório que desincentiva ativamente a instalação de sistemas híbridos com comutação automática. A regulamentação e as exigências técnicas da DGEG e da ERSE foram construídas de tal forma que amarram o cidadão à infraestrutura central. Quem tenta criar a sua própria resiliência com armazenamento encontra barreiras burocráticas e custos acrescidos. Pagas o equipamento, mas a regra do jogo impede-te de usar a tua própria energia quando a rede falha.
Depois, há um lado de usurpação do planeamento local que o PSZAER concretiza sem rodeios. Ao transformar vastas manchas de solo rústico em zonas de aceleração, o poder central passa por cima dos Planos Diretores Municipais e da vontade das comunidades locais. Isto gera uma pressão especulativa brutal no campo: o pequeno agricultor ou quem está no terreno a tentar regenerar a terra com técnicas agroecológicas simplesmente não consegue competir com as rendas anuais por hectare oferecidas pelas multinacionais da energia. O programa não está apenas a disputar espaço ao eucaliptal; está a bloquear ativamente a regeneração e a soberania alimentar.
Outra grande contradição que se esconde por trás desses 456 mil hectares é a própria incapacidade física da rede elétrica nacional para absorver tanta energia sem armazenamento em grande escala. Nos dias de pico solar, o excesso de oferta sem capacidade de rede vai inevitavelmente conduzir ao corte forçado de produção, o chamado curtailment. Ou seja, vamos ver ecossistemas destruídos e solos selados para instalar painéis que, em vários momentos do ano, terão de ser desligados porque não há onde meter a eletricidade. E a ineficiência deste modelo acabará, como sempre, refletida na tarifa de uso da rede paga por todos nós.
Ao mesmo tempo, ao extrativismo energético para alimentar os data centers de Sines e a inteligência artificial do outro lado do Atlântico junta-se uma pegada hídrica da qual quase não se fala. Estes grandes agregados de servidores exigem volumes gigantescos de água para os seus sistemas de arrefecimento. Numa região do país estruturalmente fustigada pela seca, estamos a entregar o solo para a produção fotovoltaica e os aquíferos para arrefecer máquinas, tudo para processar dados que não deixam valor real no território que os acolhe.
No fundo, aquilo que o teu ensaio expõe brilhantemente é que a transição energética em curso não é uma transição de paradigma, mas apenas uma transição de combustível. Mantém-se a mesma lógica centralizadora, extrativista e colonizadora do território, trocando o carvão e o gás por hectares de silicone, e sacrificando a esponja viva do húmus em nome do consumo ilimitado das metrópoles e das grandes tecnológicas. Obrigado por pores em palavras aquilo que a terra e quem trabalha nela já sentem há muito tempo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Agrofloresta de sucessão: o futuro da agricultura sustentável está nas árvores?

São cada vez mais evidentes os efeitos das alterações climáticas, mas também as consequências da ação humana na natureza. Cenários como o aumento das temperaturas, secas severas e prolongadas ou a degradação dos solos têm-nos alertado para a necessidade de uma mudança de paradigma na agricultura convencional. Neste cenário, um “novo” tipo de agricultura, que está ainda a dar os primeiros passos no Mediterrâneo, reintroduz as árvores como elemento-chave para a sustentabilidade do processo e ecossistema.

Na Horta da Malhadinha, situada em Mértola, podemos encontrar um conjunto de plantas diversas. Todas elas cumprem uma determinada função, explica o agricultor António Coelho. Ali, desde 2019, está a ser implementado um sistema de agricultura regenerativa, a que se chama sintrópica ou agrofloresta de sucessão.

“Esta tipologia de agricultura trabalha muito em sucessão, na sucessão natural das espécies, mas também em estratificação”, refere. A estratificação indica a quantidade de luz que uma determinada planta necessita, e ela é caracterizada em função da luz que necessita. “Temos aqui plantas de estrato baixo, estrato médio, estrato alto e estrato emergente”, continua. “Normalmente, todas as que cumprem essa função de estrato emergente são plantas, a que também podemos chamar plantas cooperantes, que só servem basicamente para ser podadas e que vão, de alguma forma, criando toda essa dinâmica de nutrição do solo e de composição.”

Um choupo ou um eucalipto, por exemplo, são aqui plantas emergentes, nota o agricultor. “Servem para serem podadas constantemente e, através dessa dinâmica, não só nos providenciam matéria vegetal para cobrir o solo, mas também um conjunto de dinâmicas relacionadas com as próprias raízes das plantas, que vão libertando açúcares, à medida que elas se vão decompondo”, clarifica António. Aqui, nutrir o solo significa nutrir as plantas das quais nos alimentamos. Há várias árvores plantadas em fila. Entre elas, estão hortícolas e frutícolas.

A agricultura sintrópica é uma reaprendizagem da forma de fazer agricultura com a floresta. “Durante demasiado tempo, durante séculos, milénios, a agricultura acabou por ser compartimentada, deixando a floresta fora do sistema”, diz Pedro Nogueira, arquiteto paisagista. “Havia uma complementaridade, mas não uma integração da agricultura e da floresta. E a agricultura sintrópica revê essa separação e propõe esse tema muito mais integrado.”

Na Horta da Malhadinha, há uma promoção de uma grande biodiversidade de espécies e não há preconceito em relação às espécies a serem usadas. “Acima de tudo, queremos promover a biodiversidade e, dentro dessa biodiversidade, potencialmente, todas as espécies poderão fazer parte e, a partir daí, a forma como vamos assumindo as características diferenciais das várias plantas, ou nas suas funções produtivas, ou nas suas funções mais regeneradoras (...). Esse é o grande motor de fertilidade do sistema.”

Para Pedro Mendes Moreira, professor da Escola Superior Agrária de Coimbra, “as árvores têm de entrar no nosso sistema [agricultura].” Contudo, este é um sistema com mais variáveis. “Por isso é bem mais difícil de controlar e exige um conhecimento mais abrangente por parte dos agricultores”, considera. “A questão do número de espécies, a questão do clima, da luz”, enumera. “Se tenho uma monocultura, tenho de escolher a variedade mais adequada ao local. Em muitos casos, tenho uma receita que tenho de cumprir, especialmente em agricultura convencional, que foi uma forma de nivelar os problemas do local para o local.”

Praticar agricultura, imitando a natureza

O sistema agroflorestal de sucessão, também conhecido como agricultura sintrópica, foi desenvolvido pelo suíço Ernst Götsch, inspirado na forma como as florestas se desenvolvem.

A plantação é feita de forma sincronizada com espécies agrícolas (hortícolas e frutíferas) e espécies florestais. A plantação em alta densidade e diversidade só é possível graças à utilização de espécies de ciclo de vida curto, médio e longo, ocupando todos os estratos de uma floresta (rasteiro, baixo, médio, alto e emergente). Respeitando estes princípios, otimiza-se o aproveitamento da luz do sol, dos recursos hídricos e garantem-se plantações agrícolas mais produtivas.

Trata-se de regenerar pelo uso, uma vez que a criação de áreas agrícolas altamente produtivas – e que tendem à independência de insumos (fertilizantes e pesticidas) e irrigação – tem, como consequência, aquilo a que se chamam serviços do ecossistema, como a formação de solo, a regulação do microclima ou o favorecimento do ciclo da água. Ou seja, o plantio agrícola é concomitante à regeneração de ecossistemas.

“É um sistema muito complexo de gestão. É por isso que muitas vezes nem todas as pessoas o seguem”, afirma Pedro Mendes Moreira. “Primeiro temos de saber quais as plantas que lidam melhor umas com as outras. Depois, como é que podemos intervir nas plantas que estão presentes no sistema, para nos serem úteis e serem úteis ao próprio sistema. Basta lembrar a utilização de algumas plantas: umas são para a produção, mas outras podem ser, por exemplo, simplesmente para a biomassa. E nós vamos integrar essa biomassa no solo. E porque é que integrámos essa biomassa no solo? Porque se tivermos, por exemplo, estilha (material que é triturado dessas plantas que são produzidas), muitas vezes, só para a obtenção de biomassa, estamos a dar oportunidade para que os microrganismos se possam desenvolver, a que a captação da água seja mais fácil e, portanto, consigamos aumentar a matéria orgânica do solo.”

As árvores, diz perentoriamente, “devem ser uma parte da equação.” Mas é necessário também intervir no seu manuseamento. “É preciso ter controlo dessas árvores porque rapidamente elas tomam conta do sistema.”

Trabalhar a fertilidade dos sistemas

Como explica Pedro Nogueira, na agricultura sintrópica há uma grande preocupação com os mecanismos de fertilidade do sistema, que, segundo ele, têm sido cada vez mais “dissociados daquilo que é o alimento”. A regeneração ou a retroalimentação do sistema é essencial.

“Aquilo que mais se vê noutros modelos agrícolas é a devastação de um determinado local para inclusão de uma determinada espécie. E estes sistemas funcionam exatamente ao contrário. É ter essa base daquilo que queremos produzir”, diz António. “No nosso caso, são hortícolas e frutícolas. Mas há outras formas de o fazer. E, percebendo isso, percebemos também que outras espécies poderíamos incluir neste sistema, que nos permitissem manter a nossa atividade agrícola, mas melhorando substancialmente o local onde trabalhamos”, continua. Na sua opinião, essa retroalimentação do solo é uma das grandes mudanças em comparação com outros tipos de agricultura mesmo até o modelo de agricultura biológica “dito convencional”, que “emita um pouco o que são as outras agriculturas convencionais”. “Tendencialmente continuam a ser sistemas monoculturais. Tendencialmente continuam a não produzir para esse alimento de solo e continuam a ser sistemas eminentemente extrativistas”, acrescenta Pedro Nogueira.

A Horta da Malhadinha tem certificação biológica já desde 2008. Mas, garante António, praticar agricultura de sucessão são “sete passos acima”, no que à sustentabilidade diz respeito. “É tentar perceber como é que conseguimos ter uma atividade agrícola, de horticultura e de fruticultura, mas conciliando também esta parte florestal, não só porque ela vem regenerar tudo o que é más práticas e vem dar uma hipótese de recuperação dos solos através das técnicas utilizadas, mas também porque faz com que consigamos ter uma atividade que consiga suportar todo este investimento que vamos fazendo.”

Plantar água no sistema

A presença das árvores no sistema é fundamental na manutenção da água. Isso acontece devido à transpiração. “Sem florestas, não temos água, e é isso que também fazemos através de sistemas agroflorestais”, explica Pedro Nogueira.

Se noutros tipos de agricultura, se pensa na gestão hídrica, através da irrigação e da diminuição da dotação pelo tipo de irrigação proposta, aqui a preocupação é outra. “Tendencialmente ou crescentemente, fomos vendo as florestas como sítios de monoculturas, como sítios muito simplificados, não só na biodiversidade presente, mas também na composição, na arquitetura do próprio sítio”, analisa o arquiteto paisagista. “Além de serem espaços muito biodiversos, são espaços estratificados. Há plantas com necessidades luminosas muito distintas, precisam de muita luz, média e pouca luz, com alturas distintas, e todas elas a transpirar, a promover essa humidade relativa. Isto é água no sistema, isto é plantar água”, continua. “Quando temos esse sistema biodiverso estratificado, existe uma tendência do próprio sistema que faz com que a água desça ao nível do solo, quase um vórtex no próprio sistema, onde todos os estratos estão a produzir água e todos eles fazem com que a água desça ao nível do solo. Quando tens monoculturas, quando tens esses povoamentos florestais, onde há a transpiração a nível da copa, mas nada existe abaixo da copa, então essa água tendencialmente perde-se do sistema.”O cumulativo de árvores a transpirar no sistema permite assim que estes sejam também sistemas mais amenos e frescos.

Para Marina Nobre, cofundadora da associação Reflorestar Portugal, as árvores ainda não são utilizadas como poderiam ser na agricultura. “Existem políticas públicas que são arcaicas, e existem práticas que são subsidiadas e que não têm uma visão, tanto a nível urbano, como a nível do campo, de utilização do potencial das árvores.” Segundo a mesma, ainda é “muito retrógrado” aquilo que se verifica em Portugal ao nível de políticas públicas. “Tínhamos um arquiteto paisagista, que era o Ribeiro Telles – que morreu, creio que há dois anos –, que já há mais de 30 anos falava sobre questões agrossilvopastoris, de uma paisagem em mosaico, que os incêndios podem ser previsíveis... inclusive, ele previu estas enchentes que existiram agora em Lisboa, Algés, etc. Portanto, a informação existe”, sublinha.

“Depois existe uma máquina, capital, interesses e forças que são muitas vezes maiores do que a razão. E existem também muitos preconceitos e conceitos arcaicos dentro da própria ecologia”, completa. “Na página da Reflorestar, temos várias postagens polémicas, em relação às espécies que utilizamos, em relação ao método de plantação, porque as pessoas acham que é tudo muito perto... Mas trabalhar com a informação do sistema ou tentar replicar a forma como a natureza funciona, não vai junto com os métodos a que as pessoas geralmente estão habituadas e isso causa um bocado de estranheza.”

Desde 2018, a Reflorestar Portugal – criada após os incêndios em Pedrógão Grande – tem-se dedicado a melhorar a colaboração entre quem atua sobre as florestas e comunidades em Portugal e a disseminar os princípios da permacultura, da sintropia e as técnicas agroflorestais e métodos colaborativos. Entre várias outras iniciativas, realizaram uma série de cursos sobre agrofloresta de sucessão. “Os sistemas de produção alimentar da forma como são a nível do grande mercado mundial, de produção de alimentos, ou de produção de madeira, não tem como se manter a longo prazo. Porque um mesmo hectare, ano após ano, explorado em monocultura e com o cocktail de químicos e fertilizantes, não é economicamente viável”, reforça Marina. “Por isso é que a maior parte dos governos acaba por entrar com grandes subsídios, para que a agricultura consiga pagar as suas contas, mas não é sustentável em termos da terra. A terra acaba por deixar de produzir. Portanto, ou morre toda a gente sem comida, ou tem que se mudar a forma como as coisas são feitas.” Mais otimista, acrescenta: “E felizmente, existem muitos cientistas, engenheiros, agrónomos, florestais, biólogos, muitas pessoas, de várias áreas da ciência que já se dedicaram a estudar a viabilidade deste tipo de práticas, viabilidade económica, viabilidade ecológica, o restauro dos solos a nível da fixação de carbono, o restauro do ciclo da água e os resultados são realmente incríveis. Por isso, é uma questão de bom senso.”

Uma solução aplicável à larga escala?

Para António Coelho, este não é um tipo de agricultura que seja só para complementar. “Estamos a falar de um tipo de agricultura que, no Mediterrâneo, ainda é pequenino. É um sistema que está a dar os primeiros passos. Mas se recorreremos à origem, de onde vem esta tipologia de agricultura, vemos também que temos sistemas altamente produtivos e com alta capacidade de regeneração dos ecossistemas como um todo.” Na sua opinião, a ciência terá um papel fundamental na perceção de qual é a influência direta que existem nos ecossistemas e na viabilidade desta prática.

Segundo Pedro Mendes Moreira, é preciso estudar e investigar, para verificar se é ou não possível aplicar esta tipologia em grande escala. “Como é que podemos fornecer ao agricultor alguns modelos que possam ser mais exequíveis?”, coloca. Em causa está o custo da mão de obra para a poda das árvores, ou a mecanização numa prática agrícola onde os alimentos e plantas são plantados muito próximos. “Há questões que se prendem realmente com a mecanização. Há outros que se prendem com a simplificação dos sistemas. Apesar de falarmos na questão da biodiversidade, que é importantíssima, muitas vezes, a utilização de muitas espécies, em simultâneo, não significa que não possamos ter as infraestruturas ecológicas, ao lado do nosso campo de sintrópica, mas precisamos de simplificar para tornar possível a que mecanização funcione mais facilmente.

Fonte: Gerador

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Workshop com Ernst Götsch - Plantio multi estratificado


Nesse início do mês de fevereiro de 2020, Ernst Götsch esteve em Portugal pra implantar as linhas de árvores de um sistema complexo que inclui macieiras, ameixas, mirtilo, uva, limão, amora, freixo, choupo, morangos e vegetais de ciclos mais curtos. Quando esquentar um pouquinho, cada faixa entre as árvores vai receber duas linhas duplas de pimentas picantes, entre outras que vão ajudar a ocupar e a nutrir todo o sistema. 
A iniciativa é da Mendes Gonçalves, conhecida pela marca Paladin, uma empresa que tem uma lista imensa de produtos e consegue absorver a grande variedade de espécies que estão a plantar. Um destaque desse desenho, e que é uma dúvida comum sobretudo pra plantios comerciais, é que os estratos das árvores foram distribuídos em linhas diferentes. 
Enquanto umas linhas concentram os estratos baixo e alto, outras recebem os medio e emergente. Isso facilita o manejo e a colheita. O objetivo principal é partir de uma área cujo histórico recente foi o de monocultivo de grãos e trabalhar para transformar esse pedaço de terra semi-urbano em um belo sistema biodiverso, estratificado, e que garanta colheitas sucessivas desde os primeiros ciclos.

English

At the beginning of February 2020, Ernst Götsch was in Portugal to implement the lines of trees in a complex system that includes apple trees, plums, blueberries, grapes, lemon, blackberry, ash, poplar, strawberries, and short-cycle vegetables. When it gets a little warmer, each strip between the trees will receive two double lines of chili peppers, among others that will help occupy and nourish the entire system. 
The initiative is from Mendes Gonçalves, known for the brand Paladin, a company that has an extensive list of products and manages to absorb the wide variety of species planted in the system. A highlight of this design, which is a common question, especially for commercial plantations, is that the strata of the trees were distributed in different lines. 
While some lines concentrate the low and canopy layers, others receive the medium and emergent. It facilitates management and harvesting. The main objective is to start from an area with a recent history grain monoculture and to transform this semi-urban land into a beautiful, stratified, biodiverse system that guarantees successive harvests since the first cycles.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

segunda-feira, 8 de julho de 2019

A água também se planta

Com as alterações climáticas a agricultura sintrópica praticada por Ernst Götsch parece fazer cada vez mais sentido. O suíço, radicado no Brasil, esteve em novembro em Mértola numa conferência onde explicou que o sistema de agrofloresta é o ideal para enfrentar estes desafios porque a consociação de culturas agrícolas e de floresta, de forma estruturada e adaptada ao local, alimenta o solo e dá-lhe a humidade necessária para as plantas crescerem sem necessidade de rega: “A água também se planta”, assegurou.

Fonte e notícia aqui
Ernst Götsch, criador do conceito de Agricultura Sintrópica, defendeu que a agricultura do futuro, ou o futuro da agricultura, passa por “desenvolver formas mais próximas à mãe-terra, através de agroecossistemas parecidos aos ecossistemas naturais e originais de cada local, que no caso do Mediterrâneo é a Floresta de Quercus”. Para isso, “não podemos continuar a encarar a agricultura como uma ‘exploração’ da terra, o que temos de fazer é criar uma agricultura de processos, seguir um caminho, onde estejamos a trabalhar para sermos úteis para nós e para o local onde estamos. Porque somos parte de um sistema inteligente, não somos os inteligentes”.

Perante uma plateia essencialmente jovem, no Cineteatro Marques Duque de Mértola, numa conferência organizada pela Life in Syntropy, a Agenda Ernst Götsch, a Associação de Empresários do Vale do Guadiana e a Câmara Municipal de Mértola, o agricultor – que, no Brasil já recuperou cerca de 800 hectares de floresta atlântica – deixou o desafio: “se de facto somos homo sapiens devemos ser sábios e aprender com os erros que temos vindo a fazer repetidamente ao longo de séculos e que estão a esgotar os nossos recursos, senão mais vale mudarmos o nosso nome para homo destructor ignorantis”.

O sistema que o guru suíço tem vindo a aplicar no Brasil e noutros países onde já há várias experiências piloto como em Espanha, França e Portugal, associa ao objetivo do estabelecimento de áreas produtivas os objetivos do reforço da oferta de serviços ao ecossistema, com especial destaque para a formação de solo, a regulação do microclima e o favorecimento do ciclo da água.

Pôr as plantas a ‘criar’ água
Para isso mostrou vários exemplos concretos com valores de produção e de criação de matéria orgânica. Num dos exemplos, na entrelinha de uma cultura principal foram semeadas gramíneas que depois de cortadas foram incorporadas junto das raízes da cultura principal para fornecer matéria orgânica e ajudar a manter o solo mais húmido: “Não tenho nenhuma dúvida, a água também se planta”, assegurou, acrescentando que “em todos lugares onde já fiz intervenção, até em zonas extremamente secas, com 150 a 200mm de precipitação por ano, se plantarmos vegetação, a situação torna-se completamente diferente”.

O exemplo foi do Brasil mas Ernst Götsch tem estado também a testar a adaptabilidade do modelo e o seu contributo para a regeneração de áreas agrícolas de baixa produtividade e de elevada vulnerabilidade a problemas de erosão de solos, fraca precipitação, alterações climáticas e risco de desertificação, como é o caso do nosso Alentejo e da região de Mértola, onde deu a conferência.

Como exemplo de um sistema que já desenhou aqui em Portugal o criador da Agricultura Sintrópica falou de um projeto criado na Herdade do Freixo do Meio, em Montemor-o-Novo, aproveitando um olival antigo para plantar no meio várias outras espécies de árvores – nogueiras, figueiras, citrinos, etc. – bem como uma parte também de vinha.

Por isso, o ‘segredo’ é criarmos um sistema estratificado em que a floresta se mistura com a agricultura e o solo protegido pela sombra das árvores maiores permite o crescimento das diversas espécies, havendo, inclusivamente, a regeneração dos solos, que se tornam mais húmidos, bem como se promove a absorção de água da atmosfera.

Estimular a natureza
“Sou agricultor, trabalho no campo, e muito, vivo do que produzo e fico muito orgulhoso de ver o local onde vivo cada dia mais rico e próspero, até voltamos a ter riachos que tinham desaparecido há dezenas de anos” mas alertou: “Há uma parte muito grande de filosofia na base de tudo isto. A vida no Planeta é funcional, tudo existe para desempenhar uma função, a vida é instrumental na Terra e ela transformou o Planeta. Por exemplo, em relação ao sistema de água doce que circula entre a precipitação e a evaporação, se matamos a vida (plantas, animais…) reduzimos ou acabamos com a água, se plantamos vegetação estimulamos este sistema”, afirmou.
Ernst Götsch salientou de novo que o que é natural é termos uma floresta estratificada e junto ao solo termos também vegetação autóctone sempre verde e uma das nossas funções é, por exemplo, podar as árvores. “E há séculos atrás as árvores autóctones eram presença forte junto dos campos agrícolas. Com essa poda estamos a restituir ao solo matéria orgânica, para podermos produzir mais alimento”, sublinhando que também na parte agrícola há vantagens em semear algumas espécies em consociação, de forma organizada, porque promove o desenvolvimento de cada planta (ex: rúcula com alface) e ajuda a prevenir pragas e doenças.

Por isso, na Agricultura Sintrópica também não é necessário usar adubos externos, muito menos químicos, a terra é adubada pela matéria orgânica criada no próprio terreno através, nomeadamente da poda que é feita, seguindo os ciclos da natureza.

Falando, por exemplo, da proliferação dos eucaliptos em Portugal e do problema da incidência de fogos, o guru frisou que “99,9% dos eucaliptos foram plantados e plantá-los não tem nenhum mal, o problema é como foi feita essa plantação e a forma como eles têm vindo a ser tratados”, frisando que temos de “repensar os conceitos de proteção contra fogo. Proteção contra fogo não é matar árvores é plantar floresta estratificada e fazer bem a sua manutenção”. Ernst Götsch alertou ainda que as podas, por exemplo, “não são para fazer como se estão a fazer aqui em Portugal, em maio com medo que ardam, não, têm de ser feitas no início das chuvas para depois deixar no chão o que se corta para que as bactérias trabalhem e criem matéria orgânica e a última poda que se faz é antes da última chuva, seguindo o que a própria natureza faz”.

Sobre o uso de tecnologia, o agricultor salientou que tudo isto pode ser feito também com recurso a tecnologia, “sou fã de tecnologia e até ando a tentar construir um pequeno robot para fazer a poda das árvores”, por isso não tenho nada contra a mecanização, desde que seja integrada no agrossistema.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Documentário "Life in Syntropy" - Agricultura Regenerativa, Agricultura Sintrópica (assista o video- legends in English)



PT
"Vida em Sintropia" é o novo curta do Agenda Gotsch. Uma edição feita especialmente para ser apresentada em eventos na COP21 em Paris, com um compilado de experiências expressivas em Agricultura Sintrópica. Imagens e entrevistas inéditas.

EN
"Life in Syntropy" is the new short film from Agenda Gotsch made specially to be presented at COP21 - Paris. This film put together some of the most remarkable experiences in Syntropic Agriculture, with brand new images and interviews. 

Saber mais:
Canal Vimeo: Life in Syntropy
Canal Youtube: Agenda Gotsch

sábado, 7 de outubro de 2017

Palestra: Agrofloresta do Futuro - Agricultura Sintrópica Ernst Gotsch


A Agricultura Sintrópica é constituída por um conjunto teórico e prático de um modelo de agricultura desenvolvido por Ernst Götsch, no qual os processos naturais são traduzidos para as práticas agrícolas tanto em sua forma, quanto em sua função e dinâmica. Assim podemos falar em regeneração pelo uso, uma vez que o estabelecimento de áreas agrícolas altamente produtivas, e que tendem à independência de insumos e irrigação, tem como consequência a oferta de serviços ecossistêmicos, com especial destaque para a formação de solo, a regulação do microclima e o favorecimento do ciclo da água. Ou seja, o plantio agrícola é concomitante à regeneração de ecossistemas.




























Ao invés de receitas, há um conjunto de conceitos e técnicas que viabilizam o acesso a suas características fundamentais. O criador da Agricultura Sintrópica, Ernst Götsch, baseia sua cosmovisão transdisciplinar em muita ciência e a prática diária de mais de cinco décadas. A lógica que orienta sua tomada de decisão percorre um trajeto que nasce na ética de Kant e atravessa a física, a filosofia grega e a matemática. Ele também se apoia na biologia, química, ecologia e botânica, e se abastece da cena tecnológica do momento, adaptando técnicas e ferramentas de outras áreas. Portanto, a agricultura de Ernst Götsch se vale de um encadeamento coerente e sistemático de dados, livre de contradições internas, que não somente percorre uma narrativa lógica como também inclui uma expressão concreta no fim do caminho. Do planejamento à execução do plantio, há método, e há resultado prático. Mais que uma boa ideia, a Agricultura Sintrópica comprovadamente funciona, e pode responder aos maiores desafios sociais e ambientais do nosso tempo. Leia abaixo o artigo onde Ernst descreve os 15 princípios nos quais baseia a Agricultura Sintrópica.

Peculiaridades da Agricultura Sintrópica

Na Agricultura Sintrópica cova passa a ser berço, sementes passam a ser genes, a capina é a colheita, concorrência e competição dão lugar à cooperação e ao amor incondicional e as pragas são, na verdade, os agentes-de-otimização-do-sistema. Esses e outros termos não surgem por acaso, mas sim, derivam de uma mudança na própria forma de ver, interpretar e se relacionar com a natureza.

Muitas das práticas agrícolas preconizadas como sustentáveis baseiam-se na lógica da substituição de insumos. Troca-se os químicos por orgânicos, plástico por material biodegradável, defensivos por preparados. Porém, a forma de pensar ainda está muito próxima daquela a quem fazem oposição. Em comum, combatem as consequências da falta de condições adequadas para o crescimento saudável das plantas. A Agricultura Sintrópica, por outro lado, capacita o agricultor a replicar e acelerar os processos naturais de sucessão ecológica e estratificação, dando às plantas condições ideais para seu desenvolvimento, cada qual ocupando sua posição natural no espaço (estratificação) e no tempo (sucessão). É uma agricultura baseada em processos, e não insumos. A colheita agrícola passa a ser vista como um efeito colateral da regeneração de ecossistemas, ou vice-versa.

“O milho é emergente, com ciclo de vida curto, da placenta de Sistemas de Abundância”. É comum ouvir quem trabalha com agricultura sintrópica se referir a qualquer espécie mencionando ao menos essas quatro categorias. Elas se referem a critérios fundamentais que devem ser observados na orquestração dos cultivos sintrópicos. Há que se harmonizar o espaço (estratificação) ao longo do tempo (ciclo de vida), respeitando os passos sucessionais (Placentas, Secundárias e Clímax) dentro de cada um dos Sistemas (Colonização, Acumulação e Abundância ou Escoamento), segundo definições de Ernst Götsch. Uma agrofloresta sintrópica, portanto, se desenvolve e se transforma ao longo do tempo e do espaço, sempre “no sentido do incremento da quantidade e da qualidade de vida consolidada”, diz Ernst.



O que é Sintropia?







É muito fácil dizer que se quer trabalhar com a natureza e não contra ela. Mas de qual natureza estamos falando? Qual leitura e interpretação que fazemos dessa natureza observada? Esse é um dos principais pontos diferenciadores da agricultura sintrópica. E no centro desse entendimento está o conceito de sintropia.


Estamos mais familiarizados com o conceito de entropia da Termodinâmica, que se refere à função relacionada à desordem de um dado sistema, associada com a degradação de energia. Tudo que se refere ao consumo e à degradação de energia é, portanto, explicado pela Lei da Entropia que rege o mundo físico. Mas não é de hoje que se discute a inaplicabilidade da Lei da Entropia para descrever o que ocorre no mundo biológico. Ao tentar trazer o conceito de entropia para dialogar com os sistemas vivos, grandes cientistas concluíram pela necessidade de se descrever uma tendência que lhe fosse complementar. Para o matemático Fantappiè (1942), se por um lado a entropia trouxe o entendimento de que toda energia no universo que se encontra concentrada tende a se dissipar, simplificar e dissociar, a sintropia se manifesta pela formação de estruturas, pelo aumento de diferenciação e complexidade, tal como acontece com a vida. Ou seja, enquanto a entropia dispersa, a sintropia concentra. Sem usar o termo “sintropia”, o nobel de física Schrodinger também chega, na década de 40, a conclusão semelhante: “a vida se alimenta de entropia negativa”. A ideia da existência de alguma força oposta ou complementar à entropia - e que a vida no planeta Terra seria a manifestação dessa força - intrigou cientistas de diversas áreas, como Albert Szent-Györgyi (química), Nicholas Georgescu-Roegen (economia), Viktor Schauberger (ciências naturais), Ulisse di Corpo & Antonella Vaninni (psicologia), e, já nos anos 1970, viria compor as premissas da Teoria de Gaia, de Lovelock e Margulis.

Sintropia e Agricultura

Representação proposta por Ernst Götsch de fluxos de energia tanto em sua fase de dispersão (entropia) quanto na fase de complexificação (sintropia).

Ao trazer o conceito de sintropia para a agricultura, Ernst Götsch introduz uma perspectiva inédita associada a essa prática. A partir dela entende-se que, no contexto do ecossistema, fazem parte do metabolismo dos organismos não apenas os processos dissociativos, mas também a reorganização de resíduos entrópicos. Esse seria o mecanismo por meio do qual a vida prospera, gerando sempre, segundo Götsch, um saldo energético positivo, tanto no sub-local da interação quanto no planeta por inteiro. Portanto, quando dizemos que queremos trabalhar a favor da natureza e não contra ela, é dessa natureza que estamos falando. Ter a sintropia como matriz fundamental de interpretação e manejo dos sistemas cultivados é o que dá suporte para a capacidade regenerativa da agricultura sintrópica e é assim que entendemos que toda nossa agricultura deveria ser.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Agrofloresta X Agricultura Sintrópica X Permacultura X Orgânicos



Agroecologia, Permacultura, Agrofloresta, Agricultura Sintrópica, Orgânicos…

É fácil se perder em meio a tantos conceitos e propostas. Mas e ai, o que é cada um?

Começando pela Agrofloresta. O conceito de agrofloresta já está aqui pelo Brasil desde dos anos 80. O conceito evolui da proposta de Agrossilvicultura, onde espécies lenhosas são cultivadas em consórcio com espécies herbáceas e anuais, então basicamente a idéia surge da possibilidade de consórcio de árvores, plantadas para madeira, e herbáceas para alimentação ou pasto.

Na publicação da Embrapa “Sistemas Agroflorestais: Conceitos e Aplicações” por Vera Lex Engel dá para ter uma idéia, nessa publicação tem uma conceituação legal para quem quiser se aprofundar.

Partindo daí vemos a necessidade de evolução do conceito do Ernst Gostch, quando ele aborda seu método como Agricultura Sintrópica sendo diferente de Agrofloresta, ou seja, qualquer produção de madeira atrelada com herbáceas já estariam englobadas no termo Agrofloresta, sendo assim se eu plantasse Eucalipto consorciado com milho e feijão por exemplo eu já estaria fazendo “Agrofloresta”, muito diferente da Agricultura Sintrópica.

A Agricultura Sintrópica, conceito apresentado pelo Ernst Gotsch, mais do que um simples consórcio entre madeira e herbáceas é baseado na Sintropia,

“O princípio da Sintropia (ao qual a entropia está intimamente ligada, dentro de cada sistema do universo, até mesmo os cibernéticos, vivos ou não) faz com que sua existência seja preservada apesar da entropia nesse mesmo sistema. É um processo que opõe-se à perda de energia, e desorganização através de uma injeção de novas energias geradas a partir deste mesmo processo ou de outros, de fora do sistema, e muitas vezes energia inútil nestes. “-Wikipedia

Sendo assim o sistema Sintrópico já é pensado para ser organizado e estabelecer ganho energético.

Na prática é a busca por um sistema em equilíbrio onde todas as espécies tem seu papel. O Eucalipto não está ali apenas para a produção de madeira, ele irá gerar matéria orgânica que vai adubar o solo, descompactar e buscar nutrientes em outras camadas para devolver ao solo na parte superior, e fazer parte de um sistema de interação entre espécies.

Na Agricultura Sintrópica quem gerencia o sistema está constantemente buscando uma sucessão biodiversa acelerando os processos e buscando uma floresta produtiva. De maneira geral a Agricultura Sintrópica é uma Agrofloresta, mas nem toda Agrofloresta é Sintrópica. A Agrofloresta pode estar pautada em propostas tradicionais de aplicações de venenos, herbicídas sendo apenas uma possibilidade de consorcio agrícola.

A Permacultura é um conceito que nasceu na Austrália desenvolvida por Bill Mollison e David Holmgren. O nome tem origem na união das duas palavras Permanente e Agricultura.

Uma Agricultura Permanente, a Permacultura tem como uma das suas principais bases o design de ambientes sustentáveis como Bill Mollinson descreveu:

“Permacultura é um sistema de design para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza.”

A Permacultura abrange diversos conceitos, e vai desde a ocupação de um terreno, a criação de lagos artificiais para a fertirrigação.

Orgânicos. Ahh os orgânicos! com selos bonitos e chamando a atenção nas gôndolas de supermercados.

Entre os conceitos aqui apresentados talvez o mais simples, orgânico, apenas aceita a aplicação do que organicamente foi retirado, extraído ou gerado.

Há muitas exigências das certificadoras, e para ter aquele selinho no produto existe uma enorme lista do que tem que ser feito.

Sempre bom lembrar que o orgânico não é sinônimo de sustentável. O orgânico de certo está na minha lista do menos pior. Ele não recebeu agrotóxico nem adubo químico, porém isso não é tudo no meu modo de ver, acredito na Agricultura Sintrópica e na Permacultura onde a idéia e estarmos permanentemente no local, produzindo de forma sadia com o mínimo possível de elementos externos. Mas e o orgânico?

Não acho a simplicidade do orgânico suficiente para uma mudança de consciência e de forma de produção. O orgânico muitas vezes apenas muda o pacote da agricultura tradicional para um pacote tradicional com insumos orgânicos. A lógica de produção, extrativista sem preocupação com o solo continua mas com insumos orgânicos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Agenda Gotsch - Da horta à floresta - From garden to forest


"EUCALIPTO DANDO COMIDA, E NÃO SECANDO O SOLO"
Neste episódio apresentamos o trabalho de Juã e Rômulo, dois jovens que têm demonstrado que serviços ambientais são a consequência de uma boa agricultura.

"EUCALYPTUS PROMOTING FOOD PRODUCTION, AND NOT DRYING SOIL" On this episode we present Juã and Rômulo, two young men who show that environmental services are the consequence of a good agriculture.

Mais informações sobre o maravilhoso trabalho de Ernst Gotsch (Agenda Gotsch- sítio oficial) na Agricultura Sintrópica.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Documentário - Montado: Sistema Regenerativo Agro-Silvopastoril em Portugal


Filmado na Herdade Freixo do Meio, Alentejo, em Setembro 2021.
Documentário com entrevista a Alfredo Cunhal Sendim, produzido no contexto do projecto europeu de formação em práticas agroecológicas TRAECE

O Montado é tão ancestral quanto pouco compreendido. A sustentabilidade de um ecossistema é o limiar, o limbo e o limite antes de uma cultura de destruição, como tem sido a cultura agrícola humana. O montado é um exemplo disso, desse limite necessário para a sobrevivência da vida, mantido ao extremo.
O plano do visionário Alfredo Sendim da Herdade Freixo do Meio é extender o montado à floresta, integrar a vida selvagem e procurar sair desse limbo redutor da sustentabilidade e criar floresta mediterrânea para os tempos que virão. 
Este filme é uma curta e intensa aula em ecologia e agroecologia mediterrânea com capacidade para mudar olhares sobre a paisagem que habitamos.

sábado, 15 de novembro de 2008

Palestra: Ernst Götsch - O universo, a sucessão ecológica e as agroflorestas


É preciso preservar, mas é possível regenerar. O agricultor e pesquisador suíço Ernst Götsch é prova de que a agricultura regenerativa pode ser um caminho de desenvolvimento para o país. Estabelecido em uma fazenda na zona cacaueira do sul da Bahia desde os anos 80, vem desenvolvendo técnicas de recuperação de solos. O equivalente a 480 campos de futebol foi recomposto, dos quais 350 se transformaram na primeira Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) da Bahia. Além da colheita agrícola, observou-se que a fazenda desenvolveu seu próprio microclima, 14 nascentes de água foram recuperadas e a fauna repopulou o lugar. A partir do experimento – chamado de agricultura sintrópica –, Götsch elaborou um conjunto de princípios e técnicas para integrar produção de alimentos e regeneração natural de florestas que tem sido adaptado a diferentes regiões e climas nos últimos 30 anos.

sábado, 3 de maio de 2008

Abundância/Abundance, com Ernest Gotsch

Abundância/Abundance from Job Leijh on Vimeo.

Documentário filmado no Workshop de Agrofloresta com Ernest Gotsch, organizado pela Cooperativa Sitio, em Mangualde, Portugal, sobre a agrofloresta (ou floresta de alimentos) é um método de produção que propõe, não a criação de um novo ambiente produtivo, mas que o homem, e a produção agrícola da qual tira proveito, integrem um ambiente florestal. O método é, na sua essência, uma tentativa de imitar a natureza. Na natureza a maioria das plantas vive em associação com outras espécies, das quais necessita para um crescimento pleno. Nos anos 70, Ernest Gotsch (página oficial) , trabalhou no melhoramento genético de espécies vegetais. Esta pesquisa permitiu-lhe concluir que, em vez de adaptar as plantas cultivadas, podia obter melhores resultados se criasse agroecossistemas em que as plantas, num sistema de cooperação, se desenvolviam vigorosamente sem inputs químicos. Implantou inúmeros sistemas complexos e altamente produtivos que dispensavam todo o tipo de adubos e agrotóxicos. Desde 1993, depois de alcançar resultados extraordinários, tem-se dedicado ao ensino e transmissão dos seus métodos em todo o mundo. Hoje, Ernst presta assessoria a organizações não governamentais, universidades e órgãos de assistência técnica rural em quase todas as regiões do Brasil assim como a organizações da Europa e da América Latina.

Biografia
Wikipedia