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| O Fosso entre Saber e Agir (The Value-Action Gap) [relatório disponível aqui] |
George Marshall (Livro: Don't Even Think About It: Why Our Brains Are Wired to Ignore Climate Change): Este livro explora exatamente o que a autora descreve: como o cérebro humano lida mal com riscos abstratos, distantes no tempo e geograficamente distantes.
Per Espen Stoknes (Livro: What We Think About When We Try Not To Think About Global Warming): Stoknes, um psicólogo e economista norueguês, identificou as "5 barreiras psicológicas" para a ação climática (Distância, Destruição, Dissonância, Negação e Identidade). O texto de Helena Freitas reflete quase diretamente o trabalho de Stoknes ao falar sobre a "redução da resposta emocional" e a "resignação".
Adam Tooze (Historiador e Economista): Popularizou o termo "Policrise" para descrever como a crise climática, a geopolítica, a inflação e as pandemias já não são eventos isolados, mas uma rede interligada onde um choque amplifica o outro.
Thomas Homer-Dixon (Artigos sobre Complex Systems and Cascading Regimes): Investigador que estuda como o stress ecológico interage com o stress económico e político, levando ao colapso ou à necessidade de resiliência sistémica.
Glenn Albrecht (Conceito de Solastalgia): Filósofo australiano que cunhou o termo para descrever a angústia mental ou existencial causada pela alteração ambiental negativa do nosso próprio lar.
Estudos de Caroline Hickman (The Lancet, 2021): O maior estudo global sobre eco-ansiedade em jovens demonstram exatamente o que o texto refere: a "dificuldade em imaginar futuros desejáveis" e a perceção de que os governos estão a falhar, gerando uma ansiedade paralisante em vez de mobilizadora.
Relatórios da autoria de Ramez Naam ou os dados do Our World in Data (Max Roser): Mostram como a energia solar seguiu uma curva de aprendizagem tecnológica (Lei de Wright), tornando-se a forma de eletricidade mais barata da história na maioria dos países, superando as previsões mais otimistas das agências internacionais.
No entanto, quando migramos este conceito para a crise climática e transformações sociais — ou seja, como fazer as sociedades mudarem politicamente, economicamente e psicologicamente —, entramos no campo da Ciência da Transição, da Sociologia Política e da Psicologia Humana aplicada.
Se queres explorar os autores e investigadores de referência que estudam exatamente como operacionalizar e acelerar estas mudanças estruturais, aqui estão os principais nomes divididos pelas suas áreas de atuação:
Robert Cialdini (Livro: Influence: The Psychology of Persuasion)
O que estuda: É a maior autoridade mundial em persuasão e influência social. Cialdini estuda como as normas sociais (o que os outros estão a fazer) são infinitamente mais poderosas para mudar comportamentos sustentáveis do que panfletos informativos sobre o fim do mundo.
Per Espen Stoknes (Livro: Tomorrow's Economy)
O que estuda: Psicólogo e economista que desenha estratégias baseadas em nudges (pequenos empurrões comportamentais), narrativas positivas e capacitação local para transformar a eco-ansiedade em ação focada.
Albert Bandura (Conceito de Autoeficácia Coletiva)
O que estuda: Embora seja um clássico da psicologia, a sua teoria sobre a "autoeficácia coletiva" é a base da ciência de implementação social: as pessoas só agem se acreditarem que o seu esforço, somado ao dos outros, tem a capacidade real de mudar o sistema.
Frank Geels (Teoria da Perspetiva Multi-Nível - MLP)
O que estuda: É o autor mais citado nesta área. Geels estuda como as inovações sociais e tecnológicas emergem de "nichos" (pequenas comunidades, projetos-piloto), ganham força, desafiam o "regime" estabelecido (interesses políticos e económicos fósseis) e acabam por alterar a "paisagem" sociocultural global. É o mapa de como a teoria vira prática.
Derk Loorbach (Livro: Transitions to Sustainable Development)
O que estuda: Um dos pioneiros na gestão de transições (Transition Management). Ele estuda como governos e cidades podem criar "arenas de transição" — espaços estruturados de cooperação entre cidadãos, cientistas e políticos para desenhar e testar futuros desejáveis a nível local.
Richard Thaler e Cass Sunstein (Livro: Nudge: O Empurrão Para a Escolha Certa)
O que estudam: Thaler (Prémio Nobel da Economia) e Sunstein revolucionaram as políticas públicas ao provar que os governos podem "desenhar" ambientes (ex: colocar painéis solares como opção padrão na construção de casas) que guiam as sociedades para decisões coletivas benéficas sem retirar a liberdade de escolha.
Elinor Ostrom (Livro: Governing the Commons)
O que estuda: Primeira mulher a ganhar o Nobel da Economia. O seu trabalho foca-se em como comunidades locais conseguem cooperar e gerir recursos escassos (água, florestas, energia) com sucesso, sem depender de uma imposição estatal rígida ou da privatização, desenhando regras práticas de compromisso coletivo.
Erica Chenoweth (Livro: Why Civil Resistance Works)
O que estuda: Cientista política de Harvard que analisou centenas de campanhas de mobilização social. A sua famosa "Regra dos 3.5%" demonstra empiricamente que nenhuma transição ou revolução política falhou quando conseguiu a participação ativa e sustentada de pelo menos 3,5% da população. É a ciência da implementação através da resistência civil pacífica.

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