sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Água da chuva e águas cinzentas


Armazenar e tratar para a poupança 
Cada português consome em média cerca de 55m3 água potável por ano. Na cozinha, casa de banho, lavandarias, jardins, … a água é utilizada para diversos fins, como beber, cozinhar, lavar ou regar. Há especialistas que chegam a afirmar que, destes usos, cerca de 95% não precisa de água tratada para consumo humano. A água residual tratada ou a água da chuva mostram-se como soluções para a poupança deste bem tão escasso. 


Chuva armazenada 
Antes da chegada do abastecimento generalizado às habitações portuguesas, possuir água em casa era um privilégio. Há falta de um poço ou curso de água nas imediações, uma técnica bastante difundida, especialmente no sul do país, era o aproveitamento da água da chuva captada nos beirais e drenada para um reservatório para posterior utilização, especialmente nos meses mais secos.

Hoje em dia aproveitar a água da chuva não se trata de uma necessidade de abastecimento mas sim de uma medida que alia a inteligência e a sustentabilidade. De facto trata-se apenas de aproveitar um recurso gratuito que não implica outros custos que não a instalação de um reservatório no seu jardim ou varanda. Esta água não passa pelo contador (logo não é facturada) e possui a qualidade necessária para regar a horta ou jardim, lavar carros, varandas e passeios, utilizar nas máquinas de lavar e para as descargas do autoclismo.

Pode fazê-lo através dos tradicionais baldes, bacias ou outros recipientes que deixa no exterior em dias de chuva ou através de sistemas de captação e armazenamento que pode adquirir junto de empresas especializadas. Basicamente, estes são compostos por um sistema de captação da água que escorre do telhado e drenada pelas caleiras já existentes, às quais são acoplados tubos e filtros de forma a remover as impurezas e conduzir a água para um reservatório, em vez de o fazer para a rede de esgoto, ou para o passeio. 

No mercado existem vários sistemas que vão desde os reservatórios simples de pequenas dimensões para colocar no exterior, aos sistemas de grandes dimensões para enterrar, e dos sistemas com apenas uma torneira para mangueira, aos sistemas com canalização às máquinas de lavagem e autoclismos da habitação. Por exemplo, a marca alemã Graf possui desde ânforas em terracota de 300 a 500 litros para jardim (exteriores), que apenas possuem uma torneira para encher o regador ou ligar a mangueira, aos sistemas de tanques soterrados até 26000 litros de capacidade, com tecnologia de filtração patenteada, sistema de controlo programável, indicador digital de capacidade, bomba de água, ligação a máquinas de lavar, autoclismos e sistema de rega. No leque de escolhas disponíveis, a mais acertada é aquela que melhor se adapta ao espaço disponível e aos usos do quotidiano. 


Reutilização de água residual 
As águas residuais provenientes das cozinhas, lavandarias, lavatórios, banheiras e duches, designadas por águas cinzentas, podem ser reutilizadas após depuração nas instalações sanitárias e autoclismos, lavagens de espaços exteriores e veículos, rega de espaços verdes e máquinas de lavar. Estes usos podem ser satisfeitos por uma água de qualidade inferior evitando que água tratada para consumo vá literalmente “pelo cano abaixo”. 

Para a reciclagem da água cinzenta basta recolhê-la em depósitos e ministrar um tratamento básico antes da sua reutilização. No entanto é necessário planear a rede das canalizações da casa na fase de projecto de construção ou remodelação de forma a separar os dois tipos de abastecimento (água potável e água reutilizada) e os dois tipos de drenagem da água residual (águas cinzentas e águas negras) e assim garantir que as redes nunca se cruzam, sob pena de contaminação, e que os dois tipos abastecimento (potável e reciclada) possuem contadores individuais. Deve ter em atenção que em construções existentes, soluções deste tipo tornam-se mais complicadas e dispendiosas, mas também podem ser executadas.

A par do cuidado de infra-estruturação das redes, outro aspecto fundamental reside na construção de reservatórios capazes de armazenar a quantidade de água a reciclar, podendo estes, na sua maioria, ser subterrâneos, mas também à superfície, onde a água é regenerada com o contributo da atmosfera e da radiação solar.

No mercado existem várias soluções para a recolha, armazenamento e reciclagem de águas cinzentas, sendo no entanto necessário também escolher e implementar a solução mais adequada a cada caso. Mais uma vez deixamos como exemplo a marca alemã Graf, a qual possui algumas soluções que, entre outras, incluem um reactores contínuos ou descontínuos, que operam em 3 ou 4 fases (decantação primária, oxidação, sedimentação...) e que possuem grandes superfícies de contacto que garantem um tratamento eficaz.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Música do BioTerra: Xutos & Pontapés - Remar, Remar


Mares convulsos, ressacas estranhas
Cruzam-te a alma de verde escuro
As ondas que te empurram
As vagas que te esmagam
Contra tudo lutas
Contra tudo falhas

Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio
Nada me diz

Berras às bestas
Que te sufocam
Em braços viscosos
Cheios de pavor
Esse frio surdo
O frio que te envolve
Nasce na fonte
Na fonte da dor

Remar remar
Forçar a corrente
Ao mar, ao mar
Que mata a gente

Nada me diz

Biografia
Xutos & Pontapés

Página Oficial
Xutos & Pontapés

Youtube
Xutos & Pontapés

YeZ: carro chinês absorve CO2 do ar

fotossíntese

O mais novo protótipo de veículo ecológico da China, o YeZ, é totalmente movido a energias limpas: além de produzir energia solar e eólica, o carro absorve CO2 para gerar eletricidade e o devolve para o ar em forma de oxigênio

Uma montadora chinesa levou ao pé da letra o conceito de carro ecológico e criou este carro-folha. O veículo foi projetado para funcionar como uma planta, ou seja, ele absorve CO2 e liberta oxigénio na atmosfera. A ideia é criar um veículo para 2030 que realize o mesmo trabalho que as plantas fazem durante a fotossíntese.

O veículo YeZ (palavra que em mandarim significa folha) seria movido a energias limpas: o teto absorveria energia solar e as rodas teriam pás para gerar energia eólica. Mas a grande sacada é que o veículo de dois lugares conseguiria remover dióxido de carbono do ar, grande vilão do aquecimento global, com uma liga mista (orgânica e metálica) capaz de absorver CO2 e água, transformando-os em eletricidade armazenada numa bateria de lítio. Estamos esperando essa folha brotar.

Informações mais detalhadas em Physis Org

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Pequeno Video eco-educativo do Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente, da Universidade Nova, Lisboa



Caros "ambios"
Precisava da vossa ajuda. No meu grupo de investigação fizemos um pequeno video (2 min) sobre ambiente (surprise surprise) e depois um pequeno inquérito (2 min) para testar reacções.
Apresentamos o projecto a uma conferência e foi aceite... agora temos que ter muitas visitas e principalmente inquéritos respondidos... podiam fazê-lo e se acharem adequado forwardarem ilimitadamente ...
super obrigada

Está feito o teu pedido e já respondi ao inquérito, Sofia ! Beijos

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Estudo diz que agrobusiness não resolve problema da fome e que adoção de práticas ambientais na agricultura pode dobrar produção

Lavoura sustentável aumenta safra e lucro

A produção agrícola baseada em padrões industriais e alimentos exportáveis (commodities) não colabora para combater a fome em vários países em desenvolvimento e frequentemente resulta em degradação ambiental, afirma um artigo publicado pelo CIP-CI (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), um órgão do PNUD em parceria com o governo brasileiro. Os autores do estudo defendem uma mudança de modelo, com incentivo para o que chamam de agricultura sustentável — baseada no conhecimento local e em técnicas de preservação.

“Este pode ser um momento oportuno para rever os métodos tradicionais da 'revolução verde', como subsídios a fertilizantes e pesticidas, e explorar alternativas sustentáveis e de baixo custo que ajudem a conservar os recursos hídricos e da terra", defendem os pesquisadores Tuya Altangerel, do Escritório de Políticas para o Desenvolvimento, do PNUD, e o pesquisador Fernando Henao, da Universidade de Nova York, no texto Agricultura Sustentável: Uma saída para a pobreza de comida.

"A produção agrícola industrializada e a transformação de itens da cesta básica em commodities não ajudaram a aumentar o consumo de alimentos em muitos países em desenvolvimento, principalmente entre importadores de alimentos", afirmam os estudiosos. Já as práticas sustentáveis “são mais eficientes em desenvolver um sistema de produção resistente”.

Eles citam uma pesquisa feita com 12 milhões de pequenos produtores em 57 países em desenvolvimento, segundo a qual os lavradores que adotaram práticas sustentáveis — como gestão integrada de nutrição e pragas, armazenamento de água de chuva e cultivo mínimo do solo — viram a safra crescer, em média, 79%. O maior salto (mais de 120%) ocorreu em pequenas propriedades irrigadas e jardins urbanos e hortas.

“Métodos de conservação, incluindo agricultura orgânica, podem atingir safra comparáveis às da agricultura industrial. Sustentadas ao longo do tempo, também geram lucros maiores e reduzem drasticamente o uso de pesticidas convencionais”, escrevem Tuya e Henao. Além disso, eles afirmam que as práticas sustentáveis asseguram ganhos ambientais e aumentam o valor nutricional dos alimentos.

No entanto, não é um caminho fácil. Adotar a agricultura sustentável requer intensa cooperação e construção de conhecimento em nível local. “Apesar de, inicialmente, isso poder elevar os custos, o lucro líquido em médio prazo ainda é maior do que na produção agrícola industrializada, principalmente se benefícios adicionais forem levados em consideração — como dinâmicas sociais fortalecidas, gerenciamento de recursos naturais locais e autossuficiência alimentar", ressaltam.

Na prática, seguir princípios sustentáveis pode ajudar as 100 milhões de pessoas que foram jogadas no universo da fome, em 2008, devido à crise econômica mundial. Os pesquisadores também veem um impacto positivo na vida de mulheres que comandam pequenas propriedades rurais, já que a adoção da agricultura sustentável pode melhorar o uso da terra em longo prazo, assim como a qualidade da alimentação da família.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Nemésis Médica (em português, Limites para a Medicina, edição Sá da Costa), de Ivan Illich


Na primeira metade dos anos setenta do século passado, um ex-padre austríaco-americano lançava a crítica mais contundente até então empreendida contra a Medicina moderna. Dizia Ivan Illich  logo no primeiro parágrafo de sua Nemesis da Medicina: “a Medicina institucionalizada transformou-se numa grande ameaça à saúde”. Um pouco mais à frente afirma: “A empresa médica ameaça a saúde, a colonização médica da vida aliena os meios de tratamento, e o seu monopólio profissional impede que o conhecimento científico seja partilhado”.
Deste livro nasceu o conceito de iatrogenia, que, segundo o Ivan Illich dos anos setenta, aparece sob três formas principais.
Em primeiro lugar, a iatrogenia clínica, causada pelos próprios cuidados de saúde, resultando em danos à saúde atribuíveis à falta de segurança e ao abuso das drogas e das tecnologias médicas mais avançadas. Em segundo lugar, a iatrogenia social, decorrente de uma crescente dependência da população para com as drogas, os comportamentos e as medidas prescritas pela Medicina em seus ramos preventivo, curativo, industrial e ambiental; a iatrogénese social é, ao fim e ao cabo, sinónimo de medicalização social,  porque anula o sentido da saúde enquanto responsabilidade de cada indivíduo e de sua família e dissemina na sociedade o “papel de doente”, que é um comportamento apassivado e dependente da autoridade médica.
Finalmente, Illich identifica uma iatrogenia cultural, que consiste na destruição do potencial cultural das pessoas e das comunidades para lidar de forma autônoma com a enfermidade, a dor e a morte. Neste caso, o que caracteriza o dano é a perda de tudo aquilo que as tradições criaram ao longo dos séculos enquanto expedientes culturais eficazes para enfrentar a  vulnerabilidade humana diante de tais contingências da vida. As práticas tradicionais e o saber espontâneo que lhes acompanham foram, nos últimos séculos, substituídos pela figura plenipotente do médico e de sua técnica profissional heterônoma, que trazem a promessa delusória de estender indefinidamente a existência das pessoas.
 Fonte (com adaptações): Interface
Para saber mais:

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Esperança de vida e longevidade: um dilema ecológico e económico



Por José Carlos Marques
A longevidade acrescida dos humanos na nossa época tem sido motivo de três conclusões possivelmente erradas:

1 - que essa longevidade continuará a aumentar nas gerações dos que hoje têm 60, 50 ou 40 anos, abstraindo do facto de que os atuais centenários e nonagenários nasceram e cresceram num mundo muito menos contaminado que o atual

2 - que essa longevidade significa melhor saúde, independentemente da maneira como é vivida com ou sem doença

3- que ela justifica o aumento da idade da reforma e o torna mesmo imprescindível.

A terceira conclusão é óbvia exploração interessada do otimismo decorrente dos pontos 1 e 2.

Daí o interesse de uma notícia inserida no P2 de 15 de dezembro do jornal Público, assinada por Ana Gerschenfeld, e que parece confirmar no caso dos EUA observações intuitivas já feitas em relação à experiência corrente de alguns, em países europeus.

Não se subestima a vantagem de viver com mais longevidade sem uma saúde perfeita mas com doenças periféricas, controláveis sem efeitos notáveis sobre a qualidade de vida. O mesmo já não se pode dizer das doenças letais adiante referidas, a que se poderiam juntar outras, mais terríveis talvez, como Alzheimer e Parkinson.

"O aumento de esperança de vida nos EUA não tem sido acompanhado de um aumento dos anos vividos de boa saúde, conclui um estudo no Journal of Gerontology. "Sempre partimos do princípio de que cada geração iria ser mais longeva e saudável do que a anterior", explica Eileen Crimmins, da Universidade da California do Sul e coautora do trabalho. "Porém, a compressão da morbilidade [doença] talvez seja tão ilusória como a imortalidade." E não é simplesmente como se poderia pensar - segue-se uma frase manifestamente mal traduzida que corrigirei a seguir -, por as pessoas viverem mais anos que vivem mais anos doentes. (Tem que ser "menos anos doentes" ou então "que vivem mais anos sem doença"). O estudo revelou, de facto, que ao passo que, em 1998, um homem de 20 anos podia esperar viver mais 45 anos sem sofrer de pelo menos uma das principais causas de morte - doença cardiovascular, cancro, diabetes -, esse número desceu, em 2006, para 43,8 anos. Do lado das mulheres, essa expectativa caiu de 49,2 anos para 48 anos. Isto significa que as populações dos países ocidentais terão perdido mais de um ano de qualidade de vida na última década. "Existem indícios substanciais que sugerem que até à data pouco fizemos para eliminar ou adiar as doenças, apenas conseguimos impedir que as pessoas morram dessas doenças", acrescenta Crimmins."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Emil Cioran - O filósofo da melancolia



Preparem-se para pensamentos melancólicos. Para ideias desconcertantes. Para ideias que nos incomodam. Se forem de natureza macambúzia e com pouco senso de reflexão, sugiro que não se apercebam do filósofo romeno Emil Cioran, que nasceu em Rășinari, uma área rural da Transilvânia (portanto, conterrâneo do Conde Drácula) em 1911 e que faleceu em Paris, no ano de 1995. Ainda na Roménia, aos 17 anos ingressou na Faculdade de Filosofia, e encantou-se pela política partidária aderindo a um Partido Nacionalista, inspirado no Nazismo, mas na fase adulta reconheceu este erro e acabou por se desculpar; mas foi em Paris que se radicou e tentava viver como estudante apenas.

Tanto é que foi chamado à responsabilidade pela administração da Sorbonne, pois já estava com 40 anos e havia estado há muito na instituição, aproveitando-se das refeições baratas nos bandejões da cantina da universidade. Assim, teve que se desligar da instituição (ou desligaram-lhe) e entronizou a característica com a qual gostaria de ser conhecido e reconhecido: a de um eterno estudante.

Nos primeiros ensinamentos da Filosofia, encantou-se com Immanuel Kant (1724-1804), Arthur Schopenhauer (1788-1860) e Friedrich Nietzsche (1844-1900). Contudo, refutou a Filosofia como o grande esquema de explicação do mundo e de Nietzsche herdou a característica de se expressar por aforismos, tais como:

“Amo o pensamento que guarda um gosto de carne e sangue, e a uma abstração vazia prefiro mil vezes uma reflexão surgida de uma exaltação dos sentidos ou de uma depressão nervosa“.

Cioran é de um pessimismo impressionante. Mas, quando leio alguns dos seus pensamentos, consigo encontrar humor, mesmo que negro, das suas provocações. Na fase adulta, foi acometido por uma insónia que não o deixava aspirar a novos começos, pois, segundo ele, só aqueles que dormem e se levantam normalmente na manhã seguinte têm o direito de aspirar a coisas novas, sonhos novos, projetos novos.

Saindo do seu quarto barato de hotel, pela madrugada lá ia Cioran perambular pela Cidade Luz, em becos escuros contando com a companhia de putas tristes que formavam as cenas. Sem aspiração alguma, pessoal ou profissional, sem compromissos e sem ter que prestar contas a ninguém, Cioran tinha tempo de sobra para refletir e tirar extratos destas sinapses, tais: “O paraíso é a ausência do homem“.

O mundo de Cioran é cinza e não intenta nenhuma metafísica. Ele mesmo desejava uma vida de inseto, tipo “A Metamorfose” de Franz Kafka e fico aqui a pensar se este desapego à vida é que não fez com que, contraditoriamente, vivesse tanto, afinal, morreu aos 84 anos, precedido pelo Mal de Alzheimer.

Os seus livros mais conhecidos são “A Tentação de Existir“, “Exercícios de Admiração“, “Breviário de Decomposição” e “Silogismos da Amargura“. Citando fontes, o filósofo foi-me apresentado pelo excelente artigo de Paulo Jonas de Lima Piva, “Cioran Uma Mente Desconcertante“, publicado na Revista Discutindo Filosofia (Ano 1, n.º 2). Do mesmo modo que a partir desta apresentação procurei inteirar-me mais sobre Cioran, espero que este artigo em questão lhes possa proporcionar isso.

Deixo-lhes alguns pensamentos, e esclareço que não me aprofundei mais para dar um certo estilo às intenções de Cioran: mais vale uma vida vivida com toda a sua contrariedade a esquemas de reflexões e de salvação do mundo, pelo menos a nossa própria. Tentem não se matar ao lerem estas reflexões tortas. Ao menos para mim, significou deleite puro, pois, para além da seriedade das sentenças, percebi um certo sorrisinho de mofa.

“No edifício do pensamento não encontrei nenhuma categoria na qual pousar a cabeça. Em contrapartida, que belo travesseiro é o Caos!“;

“O momento em que pensamos ter compreendido tudo dá-nos ar de assassinos“;

“O destino do homem é esgotar a ideia de Deus“;

“A obsessão pelo suicídio é própria de quem não pode viver, nem morrer, e cuja atenção nunca se afasta dessa dupla impossibilidade“;

“Que vale mais: realizar-se na ordem literária ou na ordem espiritual, ter talento ou força interior? Parece a segunda fórmula a preferível, pois mais rara e enriquecedora. O talento destina-se ao olvido, em contrapartida a força interior aumenta com os anos, podendo atingir o seu apogeu no momento em que a pessoa expira“.

Leitura da Semana: It's Official: The Economy Is Set To Starve



Part I: It's the End of the Oil As We Know It...
If you have already read Part I of this report, please click here to go directly to Part II.
Once a year, the International Energy Agency (IEA) releases its World Energy Outlook (WEO), and it's our tradition here at ChrisMartenson.com to review it.  A lot of articles have already been written on the WEO 2010 report, and I don't wish to tread an already well-worn path, but the subject is just too important to leave relegate to a single week of attention.
Because some people will only read the first two paragraphs, let me get a couple of conclusions out right up front.  You need to pay close attention to Peak Oil, and you need to begin adjusting, because it has already happened.  The first conclusion is mine; the second belongs to the IEA.
Okay, it's not quite as simple as that; there are a few complexities involved that require us to dig a bit deeper and to be sure our terms and definitions are clear so that we are talking about the same things.
But if we can simply distinguish between two types of "oil" (you'll see why that term is in quotes in a second), the story becomes much easier to follow.
  • "Conventional oil" is the cheap and easy stuff.  A well is drilled, pipe is inserted and oil comes up out of the ground that can be shipped directly to a refinery.  Whether the oil is "sour" or "sweet" doesn't matter; it's still conventional oil.
  • "Unconventional oil" refers to things like tar sands, ultra-deep-water oil, coal-to-liquids, oil shale, and natural gas liquids.  In other words, oil that is much more difficult and expensive to produce.
The IEA has been producing annual reviews of the world energy situation for a long time and has not mentioned the term "Peak Oil" (as far as I know) until this year's report.  And not only did they mention it, they said that as far as conventional oil goes, it's in the rear view mirror:
Crude oil output reaches an undulating plateau of around 68-69 mb/d by 2020, but never regains its all-time peak of 70 mb/d reached in 2006, while production of natural gas liquids (NGL) and unconventional oil grows quickly.
WEO 2010 - Executive Summary
I might quibble that the all-time peak remains 2005 in the US Energy Information Agency data set, but the main point here is that the IEA has not only used the words "Peak Oil" (finally!) but they've done so in the past tense, at least with regard to conventional oil.
The IEA now sees all forms of oil, conventional and unconventional, hitting a high of 99 million barrels per day (mbd) by 2035 (including 3 mbd of 'refinery gains').  Of course, we may wish to take even this tepid estimate of growth in oil supplies with a grain of salt, because in every annual report, like clockwork, the IEA has been ratcheting down its estimate of how much oil we'll have in the future:
ssuming that this trend will continue, our prediction is that next year the estimate of future oil supplies will be ratcheted down one more notch.  Perhaps by another 6 mbd, to match the difference between the 2009 and 2010 reports?
It's when we eyeball the graph that shows us the breakdown in petroleum sources by type that a few important details jump out at us:

First, pay close attention to the legend for the chart.  Starting at the bottom, note that crude oil from "currently producing fields" (dark blue) is already in sharp decline and is expected to decline from a high of 70 mbd in 2006 to ~15 mbd in 2035; a loss of 55 mbd over 25 years, or 2.2 mbd per year.  The next band up (gray) is crude oil from "fields yet to be developed," which we largely know about but have not yet really started producing significantly.
My only comment here is that these fields cannot overcome the expected rate of loss in the dark blue band below them.  All of the conventional oil that we know about is now past peak.  In order to keep conventional oil flat, we have to move up to the third band (light blue), which goes by the spine tingling name "fields yet to be found" - which will apparently be delivering a very hefty 22 mbd by 2035.  In other words, the IEA is projecting that in 25 years, more oil will be flowing from "fields yet to be found" than from all the fields ever found and put into production by the year 2010.  
Colin Campbell, one of the earliest analysts of peak oil who has decades of oil field experience, is on record as saying that the "fields yet to be developed" category, originally introduced to the world as unidentified Unconventional in 1998, is a "coded message for shortage" and was, off the record, confirmed as such by the IEA. That coded message is getting easier and clearer to receive by the day.
But back to the main story line.  Even if the final assessment of future oil production isn't notched down even one more tick, we have all the information we need to spot an enormous problem in the global story of growth.  Assuming that we stick with the 99 mbd by 2035 estimate going forward, this represents a growth rate in oil of only around one-half of one percent (0.5%) per year between now and then.  
This means that over the next 25 years, the global economy will have to make do with less than half the rate of growth in oil that it enjoyed over the prior 25 years.  How will the economy grow with less oil available?  What will happen to the valuations of financial assets that explicitly assume that prior rates of growth stretch endlessly into the future?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Água é vendida em caixas de papelão


Água é vendida em caixas de papelão

A ideia é do design norte-americano Benjamin Gott, que para diminuir o consumo de garrafas plásticas criou o projeto Boxed Watter, em que comercializa água em caixas de papelão feitas com materiais renováveis


Se alguém tirasse esta embalagem da geladeira, você provavelmente não adivinharia o que há dentro dela não fosse pela inscrição Boxed Water Is Better for the World (Água Encaixotada é Melhor para o Mundo).

A inusitada ideia de vender água em uma caixa de papelão - e não na manjada garrafa de plástico - saiu do papel em 2009 pelas mãos do norte-americano Benjamin Gott. "Ficamos emocionados com a quantidade de pessoas interessadas em consumi-la e vendê-la", alegra-se Benjamin, fundador da empresa Boxed Water.

Cerca de 75% das caixas de papelão são feitas de fontes renováveis, portanto menos poluentes que o plástico. "Acreditamos que faz parte do trabalho do designer repensar e reimaginar soluções para os problemas do mundo", afirma Benjamin.

Por enquanto, as caixas são vendidas somente em supermercados e cafeterias dos EUA. De tão simpáticas, costumam ser reaproveitadas pelas pessoas como vaso, enfeite ou até bloco de notas. "Ouvi falar de uma casa de espetáculos que incentivava as pessoas a levarem as suas caixas para pegar autógrafos dos astros", conta seu criador.

Link da matéria: Boxed Water is Better

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Cartoonista: Vangelis Pavlidis




Recebi, entre muitos cartões virtuais de Boas Festas, este que me tocou profundamente e desejo partilhá-lo, bem como a mensagem que vinha junto deste cartoon (em inglês).
Dear friends,
On behalf of the Board of the Mediterranean Anti Nuclear Watch we send you our best wishes for 2011. We send attached ourwish card, drawn especially for MANW by the awarded Rhodian cartoonist Vangelis Pavlidis. We wholeheartedly thank him for his kind offer. Feel free to forward it to your friends and contacts with your own personal wishes, for the message that arsenals only bring poverty, war and destruction to spread out.
Best regards

Visita ainda a página oficial do premiado Vangelis Pavlidis

domingo, 2 de janeiro de 2011

Encontros Improváveis: Joan Miró e Al Berto

Joan Miró (1893 - 1983)

Rumor dos Fogos

hoje à noite avistei sobre a folha de papel
o dragão em celulóide da infância
escuro como o interior polposo das cerejas
antigo como a insónia dos meus trinta e cinco anos...

dantes eu conseguia esconder-me nas paisagens
podia beber a humidade aérea do musgo
derramar sangue nos dedos magoados
foi há muito tempo
quando corria pelas ruas sem saber ler nem escrever
o mundo reduzia-se a um berlinde
e as mãos eram pequenas
desvendavam os nocturnos segredos dos pinhais

não quero mais perceber as palavras nem os corpos
deixou de me pertencer o choro longínquo das pedras
prossigo caminho com estes ossos cor de malva
som a som o vegetal silêncio sílaba a sílaba o abandono
desta obra que fica por construir... o receio
de abrir os olhos e as rosas não estarem onde as sonhei
e teu rosto ter desaparecido no fundo do mar

ficou-me esta mão com sua sombra de terra
sobre o papel branco... como é louca esta mão
tentando aparar a tristeza antiga das lágrimas

Al Berto, in 'O Medo' 

COP16 / MOP6 – Cancun, México (dezembro de 2010)



A 16ª Conferência, realizada em Cancun no período de 29 de novembro a 11 de dezembro, iniciou-se com uma atmosfera de esfriamento das expectativas pelos seus resultados, o que tirou a pressão dos negociadores em obter um acordo final legalmente vinculante nesse momento. O que se esperava era um pacote de decisões amplo e equilibrado para orientar o processo de negociação na COP17, a ser realizada em 2011 na África do Sul.

A discussão sobre a continuidade e o teor do segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto foi uma das mais acirradas no início dessa COP. O Japão, o Canadá e a Rússia anunciaram que não participariam de um segundo período de compromisso com metas ambiciosas no âmbito do Protocolo. Continuou o impasse entre os países que queriam a continuação do Protocolo de Quioto, com regras atualizadas para o segundo período de compromisso, e os países que queriam a elaboração de um novo acordo com metas para todos os grandes emissores, inclusive os países em desenvolvimento.

O trabalho muito elogiado da Ministra das Relações Exteriores do México, Patrícia Espinosa, na presidência da COP, foi fundamental para a condução dos esforços de negociação. O processo de tomada de decisão foi desenvolvido de maneira habilidosa e transparente, marcado pelo equilíbrio nas discussões para evitar a repetição do ocorrido em Copenhague, onde apenas um grupo restrito de chefes de estado desenhou uma proposta de acordo.

O papel do Brasil e do Reino Unido também foi de importante relevância na liderança do grupo de negociação da segunda fase de compromisso do Protocolo de Quioto. Os países signatários do acordo concordaram em continuar as negociações com o objetivo de completar o trabalho e assegurar que não haveria uma lacuna entre o primeiro e o segundo período de compromisso do tratado. O grupo apresentou um texto em que se reafirma a necessidade de renovação do protocolo e de definir essa questão “o mais rápido possível”, a tempo de não permitir que os países desenvolvidos fiquem sem metas de redução da emissão de gases de efeito estufa. No entanto, deixaram para decidir na COP17 o futuro do Protocolo.

Apesar do conjunto de decisões adotado em Cancun não ter caráter vinculante e não estabelecer novas metas concretas de redução de emissões para os países, foi considerado como base para avanços futuros e renovou as esperanças da comunidade internacional nas discussões no âmbito da ONU.

Um dos pontos estabelecidos nessa Conferência foi a criação do Fundo Verde no âmbito da Convenção, com um Conselho composto por partes de forma equitativa entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, administrado provisoriamente pelo Banco Mundial. Com relação ao compromisso coletivo dos países desenvolvidos em levantar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para o financiamento de iniciativas climáticas dos países em desenvolvimento, assumido em Copenhague, surgiram algumas dúvidas sobre a fonte desse dinheiro e a destinação de apenas 1/3 do montante a ações de adaptação. Porém, um relatório apresentado pelo Secretário Executivo da ONU, Ban Ki-moon, em novembro de 2010 avaliou que é viável levantar os US$ 100 biliões por ano a partir de fundos advindos de fontes variadas, como impostos sobre o carbono, mercado, bancos e financiamento público.

Com a intenção de facilitar a implementação de ações para o aumento da pesquisa, do desenvolvimento e da transferência de tecnologias aos países em desenvolvimento de forma a dar suporte a estes nas ações de mitigação e adaptação à mudança do clima, foi estabelecido um Comité Executivo de Tecnologia.

Houve também um questionamento, baseado em novos estudos científicos, de que seria necessário fixar a elevação da temperatura da Terra em 1,5°C para que as consequências do aquecimento global não sejam extremas. Porém, foi mantida a meta de 2°C estabelecida na COP15 e acordado apenas que se deve considerar os estudos que apontam para uma restrição de 1,5°C para o aquecimento.

Os governos acordaram incrementar as ações voltadas a reduzir emissões por desmatamento e degradação florestal em países em desenvolvimento através do mecanismo REDD+ e do apoio financeiro e tecnológico dos países desenvolvidos. As discussões avançaram principalmente em torno de questões como o “vazamento” para evitar que o desmatamento migre para outras áreas ou países; o estabelecimento de um mecanismo de financiamento adequado e contínuo, assim como orientações sobre como esse mecanismo será implementado; e o estabelecimento de sistemas de monitoramento eficazes.

O espaço montado pelo governo brasileiro em parceria com o setor privado na área de pavilhões nacionais foi muito elogiado pelos visitantes. O Espaço Brasil contou com uma exposição permanente sobre a Amazônia e com a realização de vários eventos, tanto com foco governamental como iniciativas do setor privado, assim como mesas redondas e o lançamento da Segunda Comunicação do Brasil à UNFCCC, contendo o inventário de emissões do país entre 1994 e 2000.

Foi anunciada pela Ministra Izabella Teixeira a assinatura do decreto regulamentador da Política Nacional sobre Mudança do Clima pelo Presidente Lula, que estabelece as metas especificas para cinco setores. O Brasil apresentou também números recordes no combate ao desmatamento, correspondendo a 67% da meta de 80% de redução estabelecida pelo governo brasileiro para 2020, considerada a maior redução de emissões realizada por qualquer país do mundo.

Algumas questões ainda ficaram em aberto, mas ao término da leitura dos documentos finais da COP, foi constatado que os textos incorporavam grande parte das concessões e preocupações tanto dos países industrializados quanto em desenvolvimento. O único país a se opor veementemente aos documentos foi a Bolívia, alegando que os termos eram vagos e não garantiriam a redução necessária dos gases de efeito estufa para estabilizar o aumento da temperatura, já que não especificava metas para os países desenvolvidos. O apoio da grande maioria dos países à adoção dos textos foi manifestado e um pacote amplo e equilibrado de decisões foi finalmente obtido.

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