A Inevitabilidade das Revoluções
As revoluções não são factos que se aplaudam ou que se condenem. Havia nisso o mesmo absurdo que em aplaudir ou condenar as evoluções do Sol. São factos fatais. Têm de vir. De cada vez que vêm é sinal de que o homem vai alcançar mais uma liberdade, mais um direito, mais uma felicidade. Decerto que os horrores da revolução são medonhos, decerto que tudo o que é vital nas sociedades, a família, o trabalho, a educação, sofrem dolorosamente com a passagem dessa trovoada humana. Mas as misérias que se sofrem com as opressões, com os maus regímens, com as tiranias, são maiores ainda. As mulheres assassinadas no estado de prenhez e esmagadas com pedras, quando foi da revolução de 93, é uma coisa horrível; mas as mulheres, as crianças, os velhos morrendo de frio e de fome, aos milhares nas ruas, nos Invernos de 80 a 86, por culpa do Estado, e dos tributos e das finanças perdidas, e da fome e da morte da agricultura, é pior ainda. As desgraças das revoluções são dolorosas fatalidades, as desgraças dos maus governos são dolorosas infâmias.
Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'
Sobre a Canção
A canção "All I Want" é uma exploração profunda e honesta sobre a necessidade de isolamento para alcançar o autoconhecimento. Lançada em 2009, no aclamado álbum As Day Follows Night a música marca um momento de transição na vida de Sarah Blasko, funcionando como um manifesto de integridade pessoal. Em vez de focar no romance ou na busca por uma ligação externa, a letra centra-se na relação da artista consigo própria, partindo da premissa de que não se pode amar ninguém verdadeiramente sem antes compreender a própria identidade.
Ao longo da composição, a narradora é direta e vulnerável, admitindo que não procura um novo amor e pedindo espaço para que o seu "feitiço" — um estado de introspecção quase sagrado — não seja quebrado. Existe uma tentativa clara de honestidade para evitar magoar o outro, reconhecendo que a confusão interna faz parte do processo de cura. No fundo, a música defende que a solitude não é solidão, mas sim uma etapa essencial para quem deseja, um dia, chegar a conhecer-se plenamente.
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