quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Música do BioTerra: Durutti Column - Fado


A man with pictures
He tries to fill your pockets
When all your charm has left you
It doesn't take much to make it go
He speaked to me in pictures
He talked to me in stories
They're someone else's stories
You never had a thing
That you could call your own
And when I left you
There's someone else's burden
I never thought I'd see you here with me
Here today

A man with pictures
He tries to fill your pockets
When all your charm has left you
And it doesn't take much to make it go away
He speaked to me in pictures
I answered you in stories
They're someone else's stories
I never had a thing
That I could call my own


Mesmo sendo uma faixa puramente instrumental e sem uma letra falada, o significado de "Fado" reside inteiramente na atmosfera e na intenção cultural que Vini Reilly imprimiu à composição. A canção faz parte do álbum Sex and Death, editado em 1994, um período particularmente cinzento e de grande incerteza para o projeto The Durutti Column após a falência da mítica editora Factory Records. Ao batizar a faixa com o nome do género musical mais tradicional de Portugal, o músico britânico procurou canalizar o sentimento universal da saudade — o peso do destino, a dor da ausência e a melancolia existencial — adaptando-o à sua própria linguagem musical.

Estruturalmente, a composição vive de um contraste fascinante que a crítica da época descreveu como um "funk descontraído e maleável". Sobre esta base rítmica moderna e urbana, Reilly sobrepõe os seus característicos dedilhados de guitarra elétrica, que aqui mimetizam o dramatismo e a tensão da guitarra portuguesa. Os vocalizados etéreos e sem palavras de Cowie Eastwood surgem não para contar uma história com início, meio e fim, mas sim para funcionar como um lamento abstrato. A voz é utilizada como um instrumento puro de emoção e transe, imitando a entrega visceral de uma fadista, mas despida de barreiras linguísticas.

Em suma, o significado de "Fado" não deve ser decifrado de forma intelectual, mas sim sentido como uma pintura impressionista em formato de áudio. É a reinterpretação britânica de um lamento sobre o destino humano, fiel à própria filosofia de Vini Reilly, que sempre defendeu que os ouvintes não se deviam prender à forma da sua música, mas sim focar-se inteiramente no seu conteúdo emocional.

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