She stands twelve feet above the flood She stares Alone Across the water The loneliness grows and slowly Fills her frozen body Sliding downwards
One by one her senses die The memories fade And leave her eyes Still seeing worlds that never were And one by one the bright birds leave her
Starting at the violent sound She tries to turn But final Noiseless Slips and strikes her soft dark head The water bows Receives her And drowns her at its ease Drowns her at its ease
I would have left the world all bleeding Could I only help you love The fleeting shapes So many years ago So young and beautiful and brave
Everything was true It couldn't be a story
I wish it was all true I wish it couldn't be a story The words all left me Lifeless Hoping Breathing like the drowning man
Oh Fushia You leave me Breathing like the drowning man Breathing like the drowning man
The Cure - "The Drowning Man": significado, influências literárias e a riqueza musical da obra mais icónica do álbum Faith
Lançada em 1981 no emblemático álbum Faith, "The Drowning Man" afirma-se como uma das composições mais sombrias, profundas e atmosfericamente densas de toda a discografia dos The Cure. No seu âmago, a canção explora o desespero absoluto, a perda da inocência, o luto sufocante e a inevitabilidade da morte, utilizando a tragédia do afogamento de uma figura feminina como uma metáfora sufocante para a perda de controlo e para o esmagamento psicológico provocado pela depressão.
A faixa é uma referência literária direta ao romance Gormenghast (1950), o segundo volume da célebre trilogia do autor britânico Mervyn Peake. Robert Smith inspirou-se na trágica morte de Lady Fuchsia Groan, que, num estado de profunda depressão e desorientação, cai de uma janela da fortaleza para o rio e morre afogada. A letra retrata quase literalmente a atmosfera do capítulo, ligando-se também ao arquétipo shakespeariano de Ofélia (Hamlet) e a uma visão filosófica de carácter existencialista e niilista, inspirada por autores como Albert Camus e Jean-Paul Sartre, onde a impotência perante a fatalidade ocorre sem qualquer possibilidade de salvação ou redenção divina.
Apesar da forte carga narrativa e visual da letra, os The Cure nunca realizaram um videoclipe para "The Drowning Man". A razão principal prende-se com o facto de a canção nunca ter sido lançada como single comercial - do álbum Faith, apenas "Primary" teve esse estatuto promocional. Além disso, quando o disco foi editado em abril de 1981, a MTV ainda não tinha estreado (o que só aconteceria em agosto desse ano), pelo que a cultura de criar vídeos conceptuais para faixas secundárias de álbuns ainda não existia. Por fim, durante a gravação da chamada "Trilogia Obscura" (Seventeen Seconds, Faith e Pornography), a banda vivia uma fase de forte isolamento e melancolia, recusando o apelo comercial e focando-se puramente na atmosfera sonora e nas atuações ao vivo.
Sonoramente, embora seja habitualmente catalogada sob os rótulos de Post-Punk e Gothic Rock, a arquitetura de "The Drowning Man" incorpora e antecipa vários outros estilos. Trata-se de um exemplo límpido de Coldwave, marcado pelo minimalismo, timbres frios e um sentimento de isolamento existencial. A composição aproxima-se também do Dark Ambient e da Ambient Music, ao substituir a estrutura convencional de verso e refrão por uma paisagem sonora fluida, onde o baixo lento e hipnótico de Simon Gallup simula o pulsar da maré e a caminhada de uma marcha fúnebre neoclássica. Adicionalmente, as guitarras densas, carregadas de flanger, chorus e delay, criam texturas etéreas e aquáticas que antecipam diretamente os movimentos Dream Pop e Shoegaze de bandas que surgiriam anos mais tarde, como os Cocteau Twins ou os Slowdive.
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