O CEO da Nvidia, Jensen Huang, criticou executivos de tecnologia que atribuem despedimentos em massa ao avanço da inteligência artificial (IA) e afirmou que o discurso tem sido usado de forma “preguiçosa” e “irresponsável”. Em entrevista ao canal Channel News Asia na segunda-feira, dia 25, o executivo disse que muitas empresas estarão a utilizar a IA como justificativa pública para cortes que, na prática, terão relação com o excesso de contratações, custos elevados e má gestão.
As declarações de Huang surgem num momento em que gigantes da tecnologia têm feito despedimentos enquanto ampliam investimentos bilionários em IA. Nos últimos anos, os executivos passaram a afirmar que as ferramentas automatizadas estariam a substituir parte da força de trabalho humana, alimentando o medo sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.
Para Huang, porém, a linha temporal apresentada por algumas empresas não faz sentido. “A IA acabou de chegar, como é possível que já esteja a causar perda de empregos?”, afirmou o executivo. Segundo ele, algumas companhias passaram a relacionar os cortes de pessoal à tecnologia antes mesmo de esta se tornar amplamente útil em ambientes corporativos.
O CEO da Nvidia também criticou o uso do tema como estratégia de comunicação com investidores e o mercado. “Era apenas uma maneira de parecerem inteligentes, e eu detesto isso”, disse. “Acho que estamos a assustar as pessoas, e isso é irresponsável”.
A discussão ganhou força após casos recentes em empresas de tecnologia. No início deste ano, Jack Dorsey anunciou uma grande redução na equipa da Block e citou o avanço de “ferramentas de inteligência” como parte das transformações na companhia. Ex-funcionários, porém, afirmaram que os cortes estavam ligados principalmente ao excesso de contratações realizado durante a pandemia de covid-19.
Analistas do setor também apontam que o atual ciclo de investimentos em IA tem elevado fortemente os custos operacionais das empresas. O acesso a infraestruturas de computação em nuvem e chips especializados continua caro, o que pressiona os orçamentos e leva as companhias a reverem os planos de contratação. A própria Nvidia tornou-se uma das empresas mais valiosas do mundo justamente por fornecer os chips usados em sistemas de IA.
Apesar disso, Huang afirmou acreditar que a IA poderá gerar mais empregos a longo prazo. Segundo ele, empresas mais produtivas tendem a crescer mais rapidamente e, consequentemente, a aumentar as suas equipas. “Elas tornam-se maiores e mais lucrativas. E quando crescem e se tornam mais lucrativas, acabam por contratar mais pessoas”, disse o executivo.
O discurso de Huang acompanha uma mudança de tom entre os líderes do setor tecnológico. Na semana passada, Demis Hassabis também criticou as empresas que atribuem despedimentos à IA e classificou esse tipo de justificativa como “falta de imaginação” (a famosa “desculpa esfarrapada”).

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