terça-feira, 6 de outubro de 2009

Steve Earle - Copperhead Road



[Verse 1]
Well, my name's John Lee Pettimore
Same as my daddy and his daddy before
You hardly ever saw Grandaddy down here
He only come to town about twice a year
He'd buy a hundred pounds of yeast and some copper line
Everybody knew that he made moonshine
Now, the revenue man wanted Grandaddy bad
Headed up the holler with everything he had
Before my time, but I've been told
He never come back from Copperhead Road

[Verse 2]
Now, Daddy ran the whiskey in a big-block Dodge
Bought it at an auction at the Mason's Lodge
"Johnson County Sheriff" painted on the side
He just shot a coat of primer, then he looked inside
Well, him and my uncle tore that engine down
I still remember that rumblin' sound
And then the Sheriff came around in the middle of the night
Heard Mama cryin', knew somethin' wasn't right
He was headed down to Knoxville with the weekly load
You could smell the whiskey burnin' down Copperhead Road

[Bridge]
Hey
Hey, hey

[Verse 3]
I volunteered for the Army on my birthday
They draft the white trash first 'round here, anyway
I done two tours of duty in Vietnam
I came home with a brand-new plan
I take the seed from Colombia and Mexico
I just plant it up a holler down Copperhead Road
And now the DEA's got a chopper in the air
I wake up screamin' like I'm back over there
I learned a thing or two from Charlie, don't you know?
You better stay away from Copperhead Road

[Outro]
Whoa
Copperhead Road
Copperhead Road
Ha, Copperhead Road

Significado
"Copperhead Road" (1988), uma das composições mais célebres de Steve Earle, cruza a sonoridade do country-rock com uma narrativa linear que expõe as fraturas sociais e económicas da América rural profunda. A letra acompanha três gerações da família Pettimore na região dos Apalaches, no Tennessee, ilustrando a transição do negócio ilegal da destilação de uísque (moonshine) praticado pelo avô e pelo pai, para a plantação de marijuana conduzida pelo neto, John Lee Pettimore III, após o seu regresso da Guerra do Vietname. O protagonista utiliza o próprio treino militar de guerrilha que o governo lhe forneceu na selva asiática para defender o seu território e a sua colheita contra as autoridades federais.

Do ponto de vista da análise ideológica, este caso e a postura política que a canção reflete são comummente designados como populismo de esquerda com fortes traços de libertarismo de esquerda (ou left-libertarianism). Embora Steve Earle seja um reconhecido ativista do espetro socialista e progressista norte-americano, a canção adota a perspetiva da cultura redneck e hillbilly, historicamente marcada por uma profunda desconfiança em relação ao Estado centralizador.

Politicamente, o cenário enquadra-se nas seguintes correntes e conceitos:
  1. Antiestatismo popular: a música retrata o governo federal não como uma força de proteção, mas como um agente opressor e hipócrita (seja através do "fisco" que persegue os pequenos produtores de álcool, seja através da agência de combate às drogas, a DEA, que surge com helicópteros no final da narrativa).
  2. Crítica ao imperialismo e ao abandono social: Existe uma denúncia explícita do cinismo do complexo militar-industrial. O Estado recruta jovens das classes desfavorecidas para combater numa guerra imperialista (Vietname) e, ao devolvê-los à pátria traumatizados e sem perspetivas económicas, empurra-os de volta para a marginalidade.
  3. Soberania individual e de subsistência: o caso ilustra o choque entre as leis federais de propriedade e de fiscalidade e o direito consuetudinário das comunidades isoladas de gerirem os seus próprios recursos e subsistência à margem do controlo governamental.
Em resumo, a canção funciona como um manifesto político-musical que utiliza uma base cultural tradicionalmente associada à direita conservadora americana para tecer uma crítica anticapitalista, antibelicista e anti-autoritária, tipificando o conceito de resistência popular periférica contra a hegemonia do Estado.

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