sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Tucker Carlson interview: Fact-checking Putin's 'nonsense' history

Tucker Carlson em entrevista com o presidente Vladimir Putin 




US talk show host Tucker Carlson's interview with Russian President Vladimir Putin began with a rambling half-hour lecture on the history of Russia and Ukraine.

Mr Carlson, frequently appearing bemused, listened as Mr Putin expounded at length about the origins of Russian statehood in the ninth century, Ukraine as an artificial state and Polish collaboration with Hitler.

It is familiar ground for Mr Putin, who infamously penned a 5000-word essay entitled "On the Historical Unity of Russians and Ukrainians" in 2021, which foreshadowed the intellectual justification the Kremlin offered for its invasion of Ukraine less than a year later.

Historians say the litany of claims made by Mr Putin are nonsense - representing nothing more than a selective abuse of history to justify the ongoing war in Ukraine.

Regardless of the historical realities, none of Putin's assertions would form a legal justification for his invasion.

A state-centred narrative
Mr Putin began the interview by claiming that 862 was the year of the "establishment of the Russian state". This was the year that Rurik, a Scandinavian prince, was invited to rule over the city of Novgorod, the capital of the Rus - the people who would eventually develop into today's Russians.

Mr Putin contrasts what he claims is the unbroken tradition of Russian statehood dating back to the 9th Century with the modern "invention" of Ukraine - a country he insists was "created" as late as the 20th Century.

But Sergey Radchenko, a historian at the Johns Hopkins School of Advanced International Studies, says the president's claim is "a complete falsehood".

"Vladimir Putin is trying to construct a narrative backwards, saying Russia as a state began its development in the 9th Century. You could equally say that Ukraine as a state began its development in the 9th Century, exactly with the same kind of evidence and documents.

"He's trying to use certain historical facts to construct a state-centred narrative that would favour Russia as opposed to any alternative agglomerations."

Ronald Suny, a professor at the University of Michigan, says the Rus was made up of "a bunch of bandits, who burned their own capital repeatedly".

He adds that Mr Putin is repeating an "established mythology made up at certain points in the past by Muscovite tsars who trace their lineage back to Rurik".

"This mythology was crystallised in Moscow to justify their imperial hold over Ukraine."

Zelensky Father
Putin: “Then I tell him (Zelensky) - your father fought in WWII…”
Zelensky’s father was born 1947.
Funny how Putin, living in a world of his own, sees Zelensky as the generation whose fathers fought in WWII…
Meanwhile, “the journalist”…

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Momento histórico: Ministério Público chumba minas de lítio em Covas do Barroso



APA viabilizou ambientalmente a exploração de lítio na mina do Barroso, distrito de Vila Real, emitindo uma DIA favorável, em maio, mas que integra um conjunto alargado de condicionantes

O Ministério Público (MP) considera que a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da mina de lítio do Barroso “padece do vício de violação da lei” e “deve ser anulada”, segundo um documento divulgado pela Câmara de Boticas.

O MP foi notificado a pronunciar-se na sequência de uma ação judicial interposta pela Junta de Freguesia de Covas do Barroso, em Boticas, para anular a DIA da mina do Barroso, enviando um requerimento para o Tribunal Administrativo de Fiscal (TAF) de Mirandela onde corre o processo.
No documento, consultado pela agência Lusa, o MP conclui “que a DIA padece de vício de violação de lei e deve ser anulada”.

O presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, reagiu com satisfação e afirmou que as conclusões do MP “vêm dar ainda mais força à luta contra a exploração de lítio” e “demonstram que os argumentos da população contra a mina são totalmente legítimos”.

“Ponto por ponto vem desmontar o parecer que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) dá”, salientou o autarca, referindo que o MP apontou as “ilicitudes do projeto da mina e formulou uma posição clara no processo, sustentada por milhares de documentos”.

A APA viabilizou ambientalmente a exploração de lítio na mina do Barroso, distrito de Vila Real, emitindo uma DIA favorável, em maio, mas que integra um conjunto alargado de condicionantes.

A mina, que a empresa Savannah quer explorar, tem uma duração estimada de 17 anos e a área de concessão prevista é de 593 hectares.

Um aspeto destacado pelo MP é o risco que a ampliação da atividade mineira representa para o Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (SIPAM) do Barroso, descaracterizando-o e, consequentemente, podendo levar à sua desclassificação, o que viola os compromissos internacionais que o Estado português assumiu com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), de proteger, apoiar e aumentar a qualidade de vida na região.

“Prevendo e aceitando a hipótese de desintegração do SIPAM, o ato administrativo corporizado na DIA erra manifestamente, nesta dimensão de violação do compromisso internacional do Estado, na apreciação dos factos e do direito, verificando-se vício de violação de lei, que implica anulabilidade”, pode ler-se no parecer do MP.

Refere ainda que a DIA viola legislação em vigor que não permite a revelação e aproveitamento de recursos minerais em território SIPAM, bem como a Política Agrícola Comum (PAC) da União Europeia e o Plano Estratégico da PAC 2023-2027 (PEPAC) para Portugal, colidindo com os objetivos dos financiamentos comunitários do programa SIPAM e investimentos de apoios financeiros do baldio do Barroso.

O projeto da mina do Barroso foi apresentado como uma ampliação, mas o MP entende que se trata de “um conjunto de novos subprojetos, que não foram analisados pela DIA, e cujo efeito, intensidade e complexidade vão muito para além da área a ampliar”.

O Ministério Público entende que a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) para a ampliação apresenta uma situação de referência para a atividade mineira existente a partir de um contrato prévio (2016) que não foi sujeito a avaliação ambiental, pelo que a DIA recente deveria confrontar a atividade viabilizada com a única DIA precedente (2005) com a que agora se pretende realizar.

É ainda referido que a DIA não faz uma correta avaliação da gestão de resíduos de extração mineira, não define o risco de vulnerabilidade a acidentes e catástrofes das seis barragens previstas nem a contaminação do meio hídrico (rio Covas e águas subterrâneas).

E, segundo o MP, não pondera o real impacto deste projeto cumulativamente com o da mina do Romano, prevista para Montalegre, devido à proximidade e dimensão dos dois projetos.

Relativamente ao lobo-ibérico, o MP aponta que as medidas de minimização previstas “carecem de demonstração de efetividade”.

Outro aspeto referido no documento é o de o promotor admitir que a China possa ser o destino do minério, pelo que não resolveria a problemática da dependência externa do fornecimento de lítio da União Europeia.

“Há muitas incongruências e muitas ilegalidades neste processo”, concluiu Fernando Queiroga, defendendo que o projeto deve ser anulado.

Clem Leek — Bless Those Tired Eyes


Características Marcantes:
Intimismo:-a música soa como se estivesse sendo tocada em um quarto ao seu lado; é muito pessoal e "crua".

Melancolia e Esperança - as suas faixas costumam transitar entre a tristeza profunda e uma aceitação serena.

Inspiração na Natureza - muitos de seus álbuns, como Holly Lane ou Land, Air & Sea, são reflexos diretos de paisagens geográficas e mudanças de ambiente.

A Clock In The Forest


In his studio on the east coast of Vancouver Island, the master clockmaker Phil Abernethy is crafting a timepiece that will be calibrated in a manner that no horologist has ever attempted. It won’t show the minutes and hours of an ordinary human day. Instead, his clock will display time as experienced by some of the oldest trees on the planet.

Using techniques he’s honed over a lifetime, Abernethy will machine the gears by hand in traditional materials such as steel and brass. But the pendulum will respond to the forest: When trees grow quickly, the hours will advance more rapidly; more lethargic growth will result in a slower tempo. Over centuries, the long-term fate of the canopy will be registered on a calendar that may deviate from the Gregorian date by decades or more.

Abernethy has been commissioned to fabricate the arboreal clock by the Nevada Museum of Art. Standing 12 feet tall, the clock will be the first physical manifestation of an environmental timekeeping project I have been developing over the past decade. Some of the clocks in the project respond to rivers; Abernethy’s enlists a stand of bristlecone pine trees in Nevada’s Great Basin as living timekeepers.

Fluctuations in the bristlecones’ growth rate, affected by environmental conditions ranging from local rainfall to planetary climate change, will be measured by analyzing the thickness of tree rings in microcores retrieved from the mountain each year. These data will be used to determine the center of gravity for the pendulum, which will swing slower or faster depending on the tree ring thickness. Though the clock face will display time in the usual way, it won’t serve as a mechanism for human planning — a technology to impose order on the environment for our convenience — but rather to pace our lives to match the lived reality of other organisms.

Abernethy’s arboreal clock, in other words, upsets more than just the standards of horology. The environmental calamity known as the Anthropocene is a consequence of a worldview in which all that is not human is construed as a resource — even time itself. Other life forms are going extinct at an unprecedented rate, laid waste at a pace set by the world economy. Factory farming and logging, fossil fuel and plastics production, mining, human construction and infrastructure — all disregard the timing with which nonhuman systems emerge, ebb and flow. The globalized logic of industry, with its planetary supply chain, must keep up with human demand, turning civilization itself into a manifestation of logistics.

Our mastery of the world is a mastery of time. And as every industrialist knows, mastery of time requires the precision of a master clock to provide a temporal standard against which everything can be measured and controlled. Whether regulated by the swing of a pendulum or the oscillations of a strontium atom — as the most advanced atomic clocks are today — the master clock operates without an external feedback mechanism. The clock has become the ultimate authority. To question it would be tantamount to questioning modernity.

The design of Abernethy’s arboreal clock may be novel, but the underlying ideas are ancient. They predate pendulums and gearwork, originating in an era when people observed time in relation to other beings in order for all to flourish together. Ancient but mostly forgotten, these ideas are urgently needed today. Whatever practical use it might have, the arboreal clock is intended primarily to serve as a philosophical instrument.

“Anthropocene is a consequence of a worldview in which all that is not human is construed as a resource — even time itself.”

Artigo completo aqui

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

UE ameaça Portugal com sanções por não cumprir acórdão sobre conservação ambiental


A Comissão Europeia abriu hoje dois processos contra Portugal no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) por incumprimento de um acórdão sobre conservação de sítios de importância comunitária e ameaçou com sanções.

Em comunicado, o executivo comunitário anunciou a decisão de instaurar uma ação contra Portugal no TJUE por incumprimento de um acórdão do 05 de dezembro que instava o país a designar 61 “sítios de importância comunitária” como locais “especiais de conservação”, como exige a diretiva europeia para conservação de habitats.

O tribunal declarou igualmente que Portugal não adotou as medidas de conservação necessárias para esses sítios.

Na sequência do acórdão, Portugal designou formalmente os 61 sítios em causa como zonas especiais de conservação mediante a adoção de um decreto específico, mas esta designação não é suficiente para cumprir o acórdão, porque Portugal também necessita de adotar objetivos e medidas de conservação, diz a Comissão.

Por isso, o executivo de Ursula von der Leyen “decidiu remeter novamente a questão” para o TJUE.
Como é a segunda ação instaurada no tribunal sobre o mesmo assunto para Portugal “poderá resultar na aplicação de sanções financeiras pelo tempo decorrido após a data do primeiro acórdão até se verificar a conformidade”.

Noutro comunicado, Bruxelas anunciou também que Portugal está entre um grupo de países, incluindo Espanha, Irlanda, Bulgária, Malta e Eslováquia, alvo de uma ação no TJUE por incumprimento da revisão dos planos de gestão das bacias hidrográficas.

A diretiva em questão, advogou a Comissão, “centra-se na garantia de uma boa saúde qualitativa e quantitativa das massas de água europeias, como os rios e os lagos”, e tem o propósito de eliminar a poluição, “bem como garantir a disponibilidade de água suficiente para satisfazer simultaneamente as necessidades humanas e a vida selvagem”.

Os países em questão “continuam a não cumprir as obrigações que lhes incumbem por força das diretivas” e os esforços feitos pelas autoridades portuguesas até hoje “foram insuficientes”.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Alterações climáticas e mão criminosa: a tragédia dos incêndios no Chile


Cidade mais afetada é Viña del Mar, onde pelo menos 1.600 pessoas ficaram sem casa. Há ainda duas centenas de pessoas por localizar.

Os incêndios florestais dos últimos dias no Chile já fizeram 122 mortos e não estão a dar descanso aos bombeiros. Em Viña del Mar, onde os fogos lavram com mais intensidade, pelo menos 1.600 pessoas ficaram desalojadas e um célebre jardim botânico de 1931 foi consumido pelas chamas este domingo.

Vários bairros na parte leste da cidade foram cercados pelas labaredas e pelo fumo, surpreendendo algumas famílias dentro das próprias casas. Segundo as autoridades chilenas, 200 pessoas estão dadas como desaparecidas em Viña del Mar e arredores, zona conhecida por ser uma popular estância balnear e por acolher um conhecido festival de música no verão do hemisfério sul.

A cidade de Quilpé, no centro do Chile, também foi fustigada pelos incêndios. O balanço de 122 mortes pode aumentar, já que as equipas de resgate procuram corpos por entre os destroços das casas que colapsaram, sendo que várias das pessoas que chegam aos hospitais estão em estado crítico.

O governador da região de Valparaíso, à qual pertencem Viña del Mar e Quilpé, acredita que alguns dos fogos têm mão criminosa. Os incêndios na área de Viña del Mar começaram em zonas montanhosas de difícil alcance, mas entretanto já se propagaram a bairros densamente povoados na periferia da cidade. Já foram consumidos 8.000 hectares de floresta e áreas urbanas. Para evitar pilhagens, foi decretado em algumas áreas o recolher obrigatório.

O presidente do Chile, Gabriel Boric, declarou dois dias de luto. "Todo o Chile está a sofrer. Mas nós vamos reerguer-nos", afirmou.

Os incêndios no Chile começaram numa semana em que as temperaturas subiram até níveis sem precedentes no centro do país. Nos últimos dois meses, o fenómeno El Niño causou secas e temperaturas elevadas no oeste da América do Sul, o que tem aumentado o risco de incêndios florestais.

Desde quarta-feira, as temperaturas aproximam-se dos 40 graus no centro do Chile e na capital Santiago.

"Esta é a maior tragédia a que assistimos desde o terramoto de 2010", acrescentou, referindo-se ao terramoto de magnitude 8,8 seguido de um tsunami em 27 de fevereiro de 2010, que matou mais de 500 pessoas.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Não é o fim do mundo é apenas tarde

The Man in the High Castle (1963) is an alternative history novel by American writer Philip K. Dick

Por Nuno Ramos de Almeida
Vivemos num tempo estilhaçado. Uma das figuras centrais do nosso novo mundo é a fragmentação dos espaços de encontro, das expectativas em relação ao futuro e até da ideia do tempo.
Na realidade, passado e futuro parecem ter desaparecido, e ser substituídos por um imenso presente, em que a cadência da sucessão acelerada das “coisas” que acontecem parece retirar qualquer possibilidade de construir um sentido que se projete para além deste tempo repetido num presente sem fim.
A multiplicação das identidades e a tentativa neoliberal de reduzir todos os problemas sociais a questões de biografia individual, tornaram mais difícil a existência de um sentimento coletivo de pertença e de identificação numa comunidade de luta.

Dizia Baudelaire que o maior feito do Diabo era ter-nos convencido da sua inexistência. O maior feito do capitalismo é precisamente o contrário: é ter-nos convencido da sua eternidade. Nesse sentido o capital foi erigido em divindade com a sua poderosa teodiceia. Afiançam-nos que goza da omnipresença, está em todo o lado; de omnipotência, é superior a qualquer forma pensada alternativa; e omnisciência, o mercado tudo compreende e tudo faz.

Escrevia Frederik Jameson, numa passagem muito citada pelo filósofo esloveno Slavoj Zizek, que ninguém mais considera seriamente alternativas ao capitalismo, enquanto a imaginação popular é assombrada pelas visões de um futuro “colapso da natureza”, da eliminação de toda a vida na Terra. Parece mais fácil imaginar “o fim do mundo” que uma mera mudança muito mais modesta de modo de produção, “como se o capitalismo liberal fosse o 'real' que de algum modo sobreviverá, mesmo na eventualidade de uma catástrofe ecológica global. Assim pode-se afirmar categoricamente a existência da ideologia como uma matriz geradora que regula a relação entre o visível e o invisível, o imaginável e o inimaginável, bem como nas mudanças nessa relação”.

Estamos, também, numa época em que cada vez mais o Estado de Direito se mistura com o Estado de Exceção. O crescimento do neofascismo não se mede por votos e pelo seu reforço orgânico e de massas, mas principalmente pela sua capacidade de conseguir espalhar os seus conceitos no Estado, instituições, política e violência mediática.A resposta a este regresso aos tempos negros que elegem os pobres, os imigrantes, os “de outra raça” como inimigos passa por construir comunidades de luta que redescubram que a humanidade transcende a nossa existência individual.

Há um belíssimo texto de Luiz Pacheco que se chama “A comunidade”, em que se descreve um tipo muito particular de laços: uma família que sobrevive à miséria. É numa espécie de jangada que se torna a cama de família que ganha forças para as tempestades. O texto é mágico e começa assim: “Estendo o pé e toco com o calcanhar numa bochecha de carne macia e morna; viro-me para o lado esquerdo, de costas para a luz do candeeiro; e bafeja-me um hálito calmo e suave; faço um gesto ao acaso no escuro e a mão, involuntária tenaz de dedos, pulso, sangue latejante, descai-me sobre um seio morno nu ou numa cabecinha de bebé, com um tufo de penugem preta no cocuruto da careca, a moleirinha latejante; respiramos na boca uns dos outros, trocamos pernas e braços, bafos e suor uns com os outros, uns pelos outros, tão aconchegados, tão embrulhados e enleados num mesmo calor como se as nossas veias e artérias transportassem o mesmo sangue girando, palpitassem compassadamente, silenciosamente, duma igual vivificante seiva”.

Num tempo em que estamos atomizados e isolados – em que só “socializamos” pelo consumo; em que, segundo estudos científicos, somos definidos pelos likes automáticos que colocamos nas redes sociais; em que a imagem que damos é reflexo dinâmico dos condicionamentos que nos impõem; em que os estudos que sobre nós fazem permitem otimizar aquilo que querem que sejamos: grandes consumidores –, perdemos essa capacidade de nos tornar sujeitos, passamos a ser só objetos.

Contra isso é preciso formar comunidades que tenham como ponto de partida a igualdade. Só conseguindo poder para todos será possível que o fim do trabalho como o conhecemos não seja a divisão total e espacial entre os muito ricos e os 99% restantes, confinados a zonas cada vez mais selvagens nas nossas sociedades. Para inverter este processo de destruição social e ambiental é preciso redescobrir a movimentação coletiva que não se fundamentem apenas na situação social em que vivemos, mas se projetem naquilo que pretendemos que o mundo seja.

Saber mais:

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Música do BioTerra: Três Tristes Tigres - Exodus (feat. A Garota Não)


A regra não nos carrega
nem faz de nós excepções
Terra cega
Terra em transe
Somos a ruga no mapa
o vento fora do rumo
a fuga fora da rota
o vento fora do rumo

As mãos apalpam o céu
e crescem asas nos pés
De lés a lés
caminhantes
Ó vida que se semeia
Todos nascemos migrantes

Há quem tenha mesa farta
onde a penúria não mata
Mar bravio
Mar macabro
Debaixo do mesmo sol
somos filhos da tormenta
bastardos em fraca barca
com o vento fora do rumo

Corrente do Golfo pode entrar em colapso já em 2025, aponta estudo


O que já está (muito) ruim nos oceanos por causa das alterações climáticas caminha para ficar ainda pior – e antes do que se esperava. O sistema da Corrente do Golfo pode entrar em colapso já em 2025, sugere um estudo publicado na Nature. O fim do sistema, que impulsiona as correntes do Atlântico e determina o clima da Europa Ocidental, pode causar impactos climáticos catastróficos em todo o mundo.

Já se sabia que a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês) está em seu ponto mais fraco em 1.600 anos, devido ao aquecimento global. E os pesquisadores detectaram sinais de alerta de um ponto de inflexão em 2021, segundo o Guardian.

A nova análise estima uma escala de tempo para o colapso entre 2025 e 2095, com uma estimativa central de 2050, se as emissões globais de gases de efeito estufa não forem reduzidas. Evidências de colapsos anteriores indicam mudanças de temperatura de 10°C em algumas décadas, embora tenham ocorrido nas eras glaciais.

A avaliação mais recente do IPCC concluiu que a AMOC não entraria em colapso tão rapidamente. Mas o autor do atual estudo, o professor Peter Ditlevsen, da Universidade de Copenhague, disse à BBC que outros cientistas alertaram sobre o potencial de colapso do sistema de correntes marítimas.

Alguns cientistas questionaram a nova pesquisa, afirmando que as suposições sobre como um ponto de inflexão aconteceria e as incertezas nos dados subjacentes são muito grandes para uma estimativa confiável do momento do ponto de não retorno. Mas todos concordaram que a perspectiva de um colapso da AMOC é extremamente preocupante e deveria estimular cortes rápidos nas emissões.

A AMOC é um complexo emaranhado de correntes que funciona como uma gigantesca correia transportadora global. Ele transporta água quente dos trópicos para o Atlântico Norte, onde a água esfria, torna-se mais salgada e afunda no oceano, antes de se espalhar para o sul, explica a CNN.

A Circulação Meridional do Atlântico desempenha um papel crucial, ajudando a regular os padrões climáticos globais. E além de invernos muito mais extremos e aumentos do nível do mar afetando partes da Europa e dos Estados Unidos, seu colapso mudaria as monções nos trópicos.

A antecipação do colapso da AMOC foi destaque também nos POLITICO, Axios, Financial Times, CNBC, USA Today, Newsweek e RealClimate.

Em tempo: Nem mulher, nem do Sul Global. O físico escocês James Skea foi eleito para a presidência do IPCC, derrotando em segundo turno, por 90 votos a 69, a matemática brasileira Thelma Krug, informam Folha, Correio Braziliense, g1 e OC. Também disputaram o cargo a sul-africana Debra Roberts e o belga Jean-Pascal van Ypersele. Skea é um dos mais respeitados cientistas do campo da climatologia e pessoa preocupada com o Sul Global. As eleições aconteceram na 59ª sessão do IPCC, que ocorre em Nairóbi, Quénia, até a 6ª feira (28/7/2923). Nos próximos dias, serão escolhidos os três vice-presidentes do painel e os copresidentes dos grupos de trabalho que conduzirão o próximo ciclo de avaliação do IPCC.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Our World Is Coming To An End - Aaron Bastani Meets Slavoj Žižek

Gaia Vince - We Are in a Post-Climate Change World


Gaia Vince é uma jornalista ambiental britânica freelance, radialista e autora de não ficção com cidadania britânica e australiana. Ela escreve para o The Guardian e numa coluna chamada Smart Planet, para a BBC Online. Anteriormente, ela foi editora de notícias da Nature e editora online da New Scientist.

O enquadramento da discussão em torno das alterações climáticas centra-se principalmente na mitigação do aumento das temperaturas, na descarbonização e na obtenção do “zero líquido”.

A autora e radialista Gaia Vince argumenta que, embora estas coisas sejam importantes, precisamos de nos concentrar em como lidaremos com o que já está a acontecer e que, com toda a probabilidade, ficará muito pior: enormes áreas do planeta tornar-se-ão inabitáveis, com 2 biliões de pessoas em que precisam encontrar um lugar novo para morar.

Ela defende que a solução para isto é uma reformulação drástica de como pensamos sobre a migração.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Os atrasados do clima são os partidos Chega e Iniciativa Liberal- travemos e denunciemos os negacionistas climáticos

Aqui está um gráfico da própria Exxon Mobil, 1982. Ela previu que em 2023, o nosso CO2 atmosférico atingiria cerca de 415 partes por milhão, aumentando a temperatura média global da superfície em ~1,1 graus Celsius.

Atualização: A média de CO2 em 2023 foi de pouco mais de 420 PPM e a anomalia de temperatura média 1.18 ºC


"Perante o que já avançaram ciência e técnica e, em cada um, o ideal de humanidade, são o capitalismo e o socialismo duas formas idênticas e por isso concorrentes de estupidez"
– Agostinho da Silva

“O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro!"
– Giorgio Agamben

"É preciso, para que essa ilha dos amores possa existir, que o Homem possa entender que o capitalismo existe não para ficar continuamente tendo mais lucros, e descontando mais juros e pagando mais dívidas ou pedindo mais dinheiro emprestado, mas para terminar num ponto em que a economia desapareça completamente, em que haja tudo para todos. E aí, o Homem possa passar à sua verdadeira vida que é a de contemplar o mundo, ser poeta do mundo e o mundo poeta para ele, de tal maneira que nunca mais ninguém se preocupa por fazer tal ou tal obra, mas por ser tal ou tal objecto no mundo, a identidade dele, a única, o ser único que existe no mundo entre os tais biliões de seres que no mundo existem"
– Agostinho da Silva

Teias de aranha capturam DNA ambiental de vertebrados terrestres


A rica tapeçaria da vida na Terra está a desgastar-se, em grande parte devido à perda de habitat causada pelo homem e às alterações climáticas. À medida que mais espécies desaparecem, os investigadores correm para acompanhar este declínio global da biodiversidade para compreender as suas consequências e combatê-lo através de iniciativas de conservação.

Esses esforços dependem de uma monitorização precisa dos animais, o que pode ser difícil, demorado e caro. Agora, numa nova investigação publicada na revista iScience, os investigadores apresentam evidências de uma nova ferramenta não invasiva e de baixo custo que pode ser usada para monitorizar animais: as teias de aranha.

Veja como as coisas funcionaram por um tempo: se você quisesse saber quais animais estavam em um determinado lugar, você caminharia ou entraria em seu habitat e esperaria para vê-los ou ouvi-los. Mas essa abordagem pode ter suas desvantagens.

“Se você entrar em um ambiente inóspito várias vezes para fazer pesquisas visuais”, diz Josh Newton, Ph.D. estudante de biodiversidade genética na Curtin University em Perth, Austrália, "isso é um pouco complicado".

Outro problema do monitoramento tradicional é que ele pode envolver a captura de animais. “Isso coloca estresse nos animais”, diz Newton. “Especialmente se você está procurando uma espécie rara e ameaçada de extinção, isso não é uma grande coisa – não é algo que você queira fazer.”

O DNA está em toda parte
Nos últimos anos, os cientistas recorreram a uma forma diferente de monitorizar a biodiversidade. Eles estão usando DNA ambiental, ou eDNA, que é simplesmente DNA de diferentes criaturas espalhadas pelo ambiente. Você pode pensar nisso como a versão ecológica de "tudo em todos os lugares ao mesmo tempo".

“Todas as espécies que existem num determinado ambiente, num determinado ecossistema – podem estar a morrer, a decompor-se, a urinar, a defecar, a respirar, o que quer que seja”, diz Morten Allentoft, biólogo evolucionista da Universidade Curtin. E esse conjunto de processos “facilita a liberação de células no meio ambiente, e todas as células contêm DNA”.

Os pesquisadores retiraram o eDNA de folhas e flores, filtraram-no da água, retiraram-no do ar e até o coletaram nas entranhas de besouros de esterco e nas refeições de sangue de sanguessugas.

Um dia, enquanto Allentoft caminhava ao redor do Lago Bibra em sua casa em Perth, ele notou nas árvores montes de teias gigantes que foram formadas por aranhas tecendo orbes douradas.

“Nos meus tempos de biologia, disseram-me que as teias de aranha [são] pegajosas”, diz ele com uma risada. "Você pode ver que eles estão bagunçados, estão sujos. E eu estava pensando comigo mesmo: 'Talvez essas teias de aranha [sejam] grandes filtros de ar passivos. Eles ficam lá por dias ou semanas - meses até. Eles podem muito bem estar capturando o DNA que [está] flutuando.'"

Trabalhos anteriores mostraram que as teias são boas fontes de DNA de insetos, incluindo o que as aranhas comem. Mas Allentoft e Newton queriam ver se as teias também retinham ADN de animais vertebrados, talvez levados para lá pelo vento ou depositados por insectos.

Cangurus e cangurus e outros animais.Meu Deus!
Então Newton dirigiu até o Karakamia Wildlife Sanctuary, uma floresta a cerca de 48 quilómetros de Perth, e coletou teias de aranha nos galhos e arbustos. “Se você olhar para Shrek, onde a princesa Fiona coleta fio dental de teia de aranha para Shrek, é muito semelhante a esse processo”, diz Newton. "Basta pegar um pedaço de pau e envolvê-lo."

Nenhuma aranha foi ferida ou coletada, mesmo que suas teias tenham sido desmanteladas. “Nós simplesmente os retiramos da web”, diz Newton.

É claro que não está claro o que as aranhas pensaram dessa abordagem.

“Então, quando dizemos que isto não é invasivo”, acrescenta Allentoft com um sorriso, “bem, as aranhas podem realmente não pensar isso”.

De volta ao laboratório, Newton amplificou as pequenas quantidades de DNA das teias. Eles estavam cheios de material genético de animais de Down Under.

“Foi maravilhoso”, diz Allentoft. "Podíamos ver esses cangurus [e] cangurus." Havia outros nove mamíferos, 13 espécies de pássaros, o sapo motociclista e o lagarto-olho-de-cobra. A análise da floresta também foi capaz de coletar DNA da raposa vermelha, do rato doméstico e do rato preto – espécies invasoras que não pertencem à Austrália.

Para confirmar que as teias estavam captando DNA de animais locais, Newton também coletou amostras no Zoológico de Perth. E essas teias continham DNA de 21 aves, cinco répteis, dois anfíbios e 33 mamíferos, incluindo girafas, elefantes, rinocerontes, orangotangos, lémures e suricatos.

Por outras palavras, a técnica funcionou. Representa uma nova forma de rastrear a biodiversidade animal e de nos alertar quando devemos intervir para conservar as espécies nativas e intensificar os esforços para eliminar as invasoras.

“Acho que é inteligente e fofo”, diz Elizabeth Clare, ecologista molecular da Universidade York, em Toronto, que não esteve envolvida no estudo. "É uma boa forma não invasiva de amostragem de vertebrados terrestres. Existem milhares de documentos em papel que estão a  estudar o movimento do DNA através da água e muito poucos na terra. E por isso precisamos realmente de mais explorações como esta para começar a diminuir a distância que o material viaja, como se acumula e quanto tempo duram estes sinais."

Por exemplo, Newton não sabe se as teias que coletou estavam no lugar há dias, semanas ou meses. Mas existem certas aranhas orbe que constroem uma nova teia todas as noites antes de destruí-la pela manhã. “Imagine que você pode obter DNA dessas teias de aranha”, diz Allentoft. “Então eles capturariam, em um momento muito preciso, quais espécies realmente existem no momento”.

A seguir, Newton e Allentoft investigarão o que a localização e a vida útil das teias de diferentes espécies de aranhas podem lhes dizer sobre quais animais estão rondando nas proximidades. É a versão deles da rede mundial de computadores – não menos cheia de informações importantes.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

John Clauser, que nunca foi Professor de Física é membro activo da CO2 Coalition


John Clauser, que nunca foi Professor de Física é membro activo da CO2 Coalition que é uma organização de defesa sem fins lucrativos nos Estados Unidos, fundada em 2015. As suas alegações negacionistas das alterações climáticas entram em conflito com o consenso científico sobre as alterações climáticas.

História
A Coligação CO2 é a sucessora do Instituto George C. Marshall, um grupo de reflexão focado em questões de defesa e climáticas que foi encerrado em 2015. William O'Keefe, diretor executivo do Instituto Marshall e ex-CEO do American Petroleum Institute, continuou como CEO da Coligação CO2. William Happer, professor emérito de física conhecido por discordar do consenso sobre as alterações climáticas, foi outro fundador da Coligação CO2 do Instituto Marshall. Happer disse que a associação com o contrarianismo climático afetou negativamente o financiamento do Instituto Marshall, a saber: "Muitas fundações que normalmente teriam apoiado a defesa não o fariam porque o nome Marshall estava associado ao clima". As atividades de defesa do Instituto Marshall foram transferidas para o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais
Nos seus primeiros quatro anos, a Coligação CO2 recebeu mais de 1 milhão de dólares em contribuições de fundações que apoiam causas conservadoras e de responsáveis da indústria energética.

Atividades
A Coligação CO2 foi uma das mais de 40 organizações a assinar uma carta datada de 8 de maio de 2017, ao presidente Donald Trump, agradecendo-lhe pela sua promessa de campanha de se retirar do Acordo de Paris, que Trump anunciou em 1 de junho de 2017.

Em 2021, a Coligação CO2 apresentou um comentário público opondo-se às regras de divulgação das alterações climáticas da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. A Coligação afirmou que "Não há 'crise climática' e não há evidências de que haverá uma", e ainda "O dióxido de carbono, o gás supostamente a causa do aquecimento catastrófico, não é tóxico e não causa danos", afirmações que estão em desacordo com o consenso científico sobre as alterações climáticas.

Em 2022, a Coligação apresentou um comentário público sobre os riscos relacionados com o clima à Commodity Futures Trading Commission, concluindo que "a ciência real demonstra que não há emergência climática e que não há riscos financeiros ou outros riscos relacionados com o clima causados por combustíveis fósseis e CO2." O comentário criticou os relatórios de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e as Avaliações Climáticas Nacionais dos EUA, os resumos consensuais oficiais da ciência climática que informam as políticas públicas:

Francamente, a "ciência" citada para apoiar a investigação da CFTC e possíveis ações é meramente a opinião do governo do Painel Internacional para as Alterações Climáticas (IPCC) e do Programa Global de Pesquisa Climática dos EUA (USGCRP), que não é ciência e não pode ser usado como base científica para qualquer CFTC ou outra ação governamental."

Em 2023, um stand da CO2 Coalition foi expulso da convenção anual da National Science Teaching Association. A Coligação distribuiu uma história em quadrinhos infantil ensinando sobre o dióxido de carbono como uma parte essencial da vida. O cientista climático Andrew Dessler disse: "Ao focar 100 por cento nesta ideia de que as plantas precisam de CO2, eles estão intencionalmente enganando as pessoas, evitando os problemas reais do CO2, sobre os quais eles nem falaram." A Coligação também distribuiu um panfleto desafiando o que chamou de "a adoção pela NSTA da hipótese do 'aquecimento nocivo causado pelo homem', apesar de sua base em ciência falha e opiniões governamentais..." No contrato para comparecer à convenção, a organização havia concordado que os seus materiais seriam consistentes com a posição da NSTA sobre as alterações climáticas.

Em Fevereiro de 2023, a Coligação CO2 tinha publicado doze livros brancos, seis “questões climáticas aprofundadas”, oito resumos de políticas científicas, testemunhos de membros da coligação e publicações de membros da coligação. O grupo continua a falar publicamente e a emitir comunicados de imprensa sobre questões relacionadas com a produção de energia, as alterações climáticas e a defesa dos combustíveis fósseis.


Conservative mindset - Mentalidade conservadora

Isto é o Chega