quarta-feira, 29 de outubro de 2025

The Awakening - Haunting


Something borrowed
Something lost
Something in this circle
Of salt and dust

The candles flicker
As the cards are dealt
A pale reflection
Of another lesser doubt

And I know
I'm holding on to something
I can never hold

So rise
As the shadows stain the wall
I hear you down the hall
I know this feeling
You’re haunting me
Again
Haunting

An old piano
And a little wine
I summon stories
As I rob the vine

Sleep is hiding
In the other room
My eyes are open
In the fading, splintered gloom
I know, I know
You'll be here soon

Oh rise
Like the ashes from your flame
Whispering my name
I love the feeling
Of you haunting me
Again
Haunting

So rise
As the shadows stain the wall
I hear you down the hall
I'm still dreaming
Of you haunting me
Again
Haunting me
Again
Haunting

A canção “Haunting”, da banda sul-africana The Awakening, mergulha no universo do gótico e do simbólico. A melodia e a letra conduzem-nos por um cenário de velas, ecos e recordações — onde o “assombro” não é terror, mas presença do passado.

Trata-se de uma metáfora emocional: as memórias, as perdas e os amores que continuam a habitar-nos, mesmo quando julgávamos tê-los deixado para trás. O narrador sente-se “assombrado” por alguém ou algo que regressa — e, paradoxalmente, acolhe essa presença com ternura.

No imaginário de The Awakening, o “haunting” é também um despertar interior: a consciência de que cada experiência, mesmo a mais dolorosa, deixa marcas que moldam o nosso ser. É um hino à beleza melancólica da impermanência — um eco entre o espiritual e o humano.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

O carvalhal


«Nos cumes mais elevados encontram-se, nos lugares húmidos, os bosques de vidoeiros e sobre os rochedos as sorveiras. Nos lugares mais baixos atingem-se no norte de Portugal os bosques de carvalhos, em que as árvores estão suficientemente próximas para darem sombra aos caminhos e suficientemente afastadas para permitirem a passagem.
Os vales do Minho estão cobertos de bosques de carvalhos contínuos. Em seguida surge a região dos bosques de castanheiros, os verdadeiros bosques deste país, cujas árvores se tocam pela folhagem. Ornam as encostas da Serra do Marão, da Serra da Estrela, na direcção do Fundão, da Serra de Portalegre e de Monchique. No sopé das grandes montanhas encontram-se os pomares, onde a cultura dos frutos é sinal de região fria. Mais abaixo surgem a árvore da cortiça, o carrasco, o pinheiro-marítimo, em seguida o limoeiro e finalmente a laranjeira. A oliveira está ainda mais espalhada, encontra-se perto dos vidoeiros do Gerês e ao lado das laranjeiras, perto de Lisboa.»
baseado nas viagens de Hoffmansegg e Link

Parecer negativo: Proposta de definição de âmbito da Central Solar Fotovoltaica da Beira


O meu texto na Consulta Pública
"Discordo da implementação da Central Solar Fotovoltaica de Sophia e das Linhas de Muito Alta Tensão associadas, pois o impacto ambiental e paisagístico em concelhos como o Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova é demasiado elevado face aos benefícios apresentados.
Isto é um crime ambiental! As duas centrais preveem o abate de cerca de 2.000 árvores "protegidas". Mas serão muitos milhares mais! As que não são protegidas não as contam! Em qualquer terreno da Beira Baixa, além dos sobreiros e azinheiras (espécies protegidas) há oliveiras. Muitas delas centenárias. É previsível que sejam arrancadas milhares delas. Iremos ter terras estéreis, de onde antes provinha um azeite de excelente qualidade. Além disso nidificam aves nessa região aves de relevância ecológica (águia-de-bonelli, abutre preto, águia imperial ibérica, águia real) e localiza-se perto do Parque Natural do Tejo Internacional.
Não existe "energia verde" à conta do extermínio do verdadeiro verde da vida, do abate de milhares de árvores, da destruição de ecossistemas, provável extinção de aves sensíveis já referidas e alteração grave de uma ZPE ambientalmente rica e, repito, muito sensível."
E anexei o parecer da SPEA.



Os cartazes abjectos do Chega - como denunciar



Não partilho as fotos dos cartazes abjectos.
Partilho que já mandei queixa para CNE, PGR, Internet Segura e outros órgãos de soberania. Qualquer cidadão pode fazer. Não é preciso ser especialista em direito para perceber a violação do artigo 240 do código penal.
Aproveitem agora, porque se continuarmos muito por este caminho e voltarem novos salazares, piar é verbo que pode deixar de existir no dicionário.

"Venho por este meio denunciar e solicitar a atuação da Comissão Nacional de Eleições, Ministério Público e demais órgãos de soberania perante os cartazes colocados em locais públicos associados à candidatura presidencial de André Ventura.
Cartazes que têm por objetivo difamar e acicatar o ódio relativamente a comunidades imigrantes e à comunidade cigana. Tais mensagens, além de chocantes do ponto de vista social e humanitário, além de causarem alarme público e social, violam claramente a Constituição e em específico o Artigo 240 do Código Penal português, "Discriminação e incitamento ao ódio e à violência".
Para mim, enquanto cidadão, é inconcebível que num estado de Direito como é Portugal, cartazes daquele teor sejam expostos e mantidos no espaço público sem serem rapidamente retirados. Tal como não é compreensível que os continuados promotores destas mensagens, contrárias aos princípios da democracia, continuem impunes, apesar de o Artigo 240 prever até penas de prisão em diferentes alíneas."

Seguro diz que cartazes do Chega são inaceitáveis e violam valores constitucionais

O futuro será verde ou não será - a lição de Mancuso


Stefano Mancuso, botânico italiano e um dos maiores especialistas em neurobiologia vegetal, afirmou recentemente, em entrevista à Lusa, que os humanos deveriam aprender com as plantas a resolver problemas, em vez de fugir deles.

Mancuso recordou uma evidência antiga. As plantas não fogem, transformam o lugar onde estão. Essa imobilidade criativa, resultado de milhões de anos de evolução, encerra uma lição de enorme atualidade. Num mundo que procura soluções tecnológicas para todos os males, é nelas que se encontra a sabedoria de permanecer, adaptar e regenerar.
Concordar com Stefano Mancuso é reconhecer uma evidência que se tem tornado impossível de ignorar. Serão as plantas, e não a tecnologia, a oferecer soluções para a resolução de alguns dos maiores problemas da humanidade. Esta é uma afirmação que fere a vaidade moderna, habituada a ver nas máquinas a extensão gloriosa do cérebro humano. E, no entanto, tudo na história da Terra aponta para o contrário.

Muito antes de existirem ferramentas, cidades ou linguagem, os organismos fotossintéticos já haviam criado o oxigénio que respiramos, e as plantas contribuíram para estabilizar o solo e os ciclos que permitem a vida. Quando o homem ainda era sonho, elas já trabalhavam em silêncio na arquitetura do planeta.

A neurobiologia vegetal, campo que Mancuso ajudou a fundar, revela o que a intuição antiga já pressentia. As plantas processam informação, comunicam, ajustam respostas e resolvem problemas sem precisar de cérebro, através de mecanismos fisiológicos e bioquímicos.

Cada raiz, cada folha e as redes subterrâneas da rizosfera, onde fungos micorrízicos e bactérias simbióticas ligam plantas, funcionam como um tecido vivo de processamento e troca. Nesta descentralização está a sua força.

Enquanto a civilização humana constrói sistemas hierárquicos e frágeis, onde a queda de um centro pode paralisar o todo, as plantas operam numa estrutura descentralizada e resiliente. A raiz que morre não compromete o organismo, porque outras se estendem, outras aprendem, outras ocupam o vazio.

Esta lição de organização descentralizada desfaz a crença ingénua de que a tecnologia, criação habitualmente vertical e centralizada, pode substituir a sabedoria dos sistemas vivos. Um algoritmo pode processar dados, mas não compreende a textura da interdependência.

Uma máquina pode reproduzir formas, mas desconhece o ritmo paciente com que a vida se refaz. As plantas, pelo contrário, vivem no tempo longo da Terra. Não correm, não consomem, não conquistam. Regeneram.

É esta paciência vegetal que o homem perdeu. A era digital, com o seu ruído incessante, fez-nos confundir velocidade com progresso. O crescimento tornou-se uma corrida, o desenvolvimento uma métrica de exaustão. As plantas mostram-nos outro caminho. Crescem devagar, mas nunca em vão.

O carvalho que demora décadas a atingir a sua copa é o mesmo que cria sombra, abrigo, alimento e estabilidade para tudo o que o rodeia. Nenhum servidor informático, por mais potente, produzirá jamais uma floresta.

Tree

"I Love a Tree
by Samuel N. Baxter

When I pass on to my reward,
Whatever that may be,
I’d like my friends to think of me
As one who loved a tree.

I may not have a statesman’s poise,
Nor thrill a crowd with speech,
But I can benefit mankind
If I set out a beech.

If I transport a sapling oak
To rear its mighty head,
’Twill shade and shelter those who come
Long after I am dead.

If in the park I plant an elm,
Where children come to play,
To them ’twill be a childhood shrine
That will not soon decay.

Of if I plant a tree with fruit,
On which the birds may feed,
I’ve helped to foster feathered friends,
And that’s a worthy deed.

For winter, when the days grow short
And spirits may run low,
I’d plant a pine upon the ‘scape;
’Twould lend a cheering glow.

I’d like a tree to mark the spot
Where I am laid to rest,
To me ‘twould be an epitaph
That I would love the best.

And though not carved upon a stone
For those who come to see,
My friends would know that resting here
Is one who loved a tree."

Boy Harsher - Burn It Down

Melhor som aqui
[Verse 1]
Take my heart
And pull me down
Take my heart
And burn it down

[Pre-Chorus]
Take my heart
And burn it down

[Chorus]
Here we are
The dam has broken
You try to run
But I’m in motion
When it’s done
It drags us both in
‘Cause I was young
And I was broken

[Pre-Chorus]
Help me find the right way
Help me be a nice guy

[Chorus]
Here we are
The dam has broken
You try to run
But I’m in motion
When it’s done
It drags us both in
‘Cause I was young
And I was broken

Numa entrevista para a PopHorror, Jae Matthews (vocalista) e Gus Muller (produtor) contam que foram chamados para fazer uma música para o filme Halloween Ends

A canção “Burn It Down”, do duo Boy Harsher, é uma poderosa metáfora sobre libertação e renascimento. Criada para o filme Halloween Ends (2022), a música reflete a tensão entre desejo e destruição, explorando o momento em que é preciso queimar o passado para poder recomeçar.

Com o seu som hipnótico e sombrio, “Burn It Down” fala menos de ruína e mais de metamorfose: a ideia de que, ao destruir o que já não serve - memórias, relações, versões antigas de nós próprios - abrimos espaço para algo novo emergir.

Assim, Boy Harsher transforma a escuridão em acto de purificação, onde o fogo deixa de ser apenas destrutivo e passa a ser um símbolo de libertação interior.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Ecologia e Democracia: antídotos contra o extremismo


Vivemos um tempo de incerteza, ansiedade e fragmentação. As crises ecológicas, sociais e políticas cruzam-se e alimentam-se mutuamente. A destruição ambiental gera desigualdades, as desigualdades corroem a confiança, e a falta de confiança abre espaço ao medo — o terreno fértil onde a extrema-direita e a extrema-esquerda florescerem.

O extremismo cresce sempre que as pessoas se sentem ameaçadas ou abandonadas. Oferece respostas simples a problemas complexos, alimenta-se de desinformação e promete segurança através da exclusão. Mas o que realmente sustenta uma sociedade saudável não é o medo — é a empatia, a solidariedade e a participação democrática.

A ecologia como cultura da interdependência
A ecologia ensina-nos que tudo está ligado: solo, água, ar, plantas, animais e seres humanos formam uma teia viva. Quando um elo é destruído, todo o sistema sofre. Essa visão interdependente é, também, uma lição política. Numa sociedade fragmentada, o pensamento ecológico recorda-nos que não há bem-estar individual possível sem bem comum.

Adoptar uma ética ecológica é, portanto, adoptar uma ética democrática. Significa ouvir, cuidar e cooperar. É aprender com os ritmos da natureza, com a diversidade e com a ideia de limite — algo que o extremismo rejeita, ao avançar para acções terroristas.

A democracia como espaço de cuidado
A democracia não é apenas um regime político; é uma prática quotidiana de diálogo e responsabilidade. Exige cidadãos informados, críticos e solidários. A sua força reside na capacidade de incluir e de equilibrar diferenças.

Para resistir à extrema-direita e à extrema-esquerda , precisamos de reforçar a literacia mediática e o pensamento crítico, especialmente entre os mais jovens. Ensinar a reconhecer manipulações, questionar fontes e compreender os contextos históricos é uma forma de empoderamento colectivo.

Ao mesmo tempo, é urgente reconstruir a confiança nas instituições e valorizar o trabalho comunitário, as cooperativas, as associações locais e todos os espaços onde as pessoas se sentem úteis e ouvidas. Quando a democracia se aproxima das pessoas, o extremismo perde terreno.

Comunicação e cultura contra o ódio
Combater o extremismo também passa por mudar a forma como comunicamos. A resposta não deve ser o silêncio nem o insulto, mas a firmeza com empatia. É preciso desmontar a mentira sem amplificar o ódio.

A cultura — arte, literatura, música, educação ambiental — tem aqui um papel essencial. É através da imaginação que se constroem alternativas, que se amplia o horizonte e se recupera a esperança. A cultura ecológica é, por natureza, inclusiva e criativa: mostra que o mundo pode ser regenerado, não apenas explorado.

Uma aliança necessária
Ecologia e democracia são irmãs na mesma luta: ambas defendem a vida, a diversidade e o equilíbrio. Onde há democracia, há espaço para cuidar da Terra; onde há ecologia, há espaço para cuidar das pessoas.

Num tempo em que a desinformação e o ódio se espalham com a velocidade das redes sociais, é vital semear consciência, diálogo e solidariedade. Cada gesto de participação — uma aula, uma horta comunitária, um projeto artístico, um texto — é um acto de resistência e reconstrução.
O futuro depende da nossa capacidade de unir justiça social e justiça ecológica.
Defender a Terra é defender a Democracia.

Victorian Darkwave - Transcendent


“Victorian Darkwave - Transcendent” representa a elevação espiritual e estética através da escuridão e da nostalgia vitoriana. É uma ideia ou conceito artístico que une a beleza melancólica e o misticismo do passado com uma busca interior por transcendência e profundidade emocional.

You are the better part of me 
and you see things that I can't see 
Sometimes I am blind 
And I can be unkind 
But my love for you will transcend time. 

In this world we're hand in hand 
In good times and bad, its our last stand 
The end of the road seems so near... 
and together, we will face our fears

domingo, 26 de outubro de 2025

Agostinho da Silva dixit


“Valioso para mim é a noção de que o que importa não é educar, mas evitar que os seres humanos se deseduquem. Cada pessoa que nasce deve ser orientada para não desanimar com o mundo que encontra à volta. Porque cada um de nós é um ente extraordinário, com lugar no céu das ideias. Seremos capazes de nos desenvolver, de reencontrar o que em nós é extraordinário e transformaremos o mundo.” ~ Agostinho da Silva

Pensa nisto e agarra-te a este mantra, para não seres seduzido por André Ventura, facho, boçal e assim como atraído(a) pelos 60 acólitos (muitos com cadastro) na Assembleia da República. Dizem eles que querem limpar Portugal, mas são racistas e corruptos.
Parque de Serralves, Porto. Foto minha.

Salazar era essa ficção moral e impoluta que nos tentam agora vender? Não, Salazar era corrupto.

Principais evidências de corrupção sob Salazar

  1. Rede de pedidos de favores (“cunhas”)

    • No livro Salazar Confidencial (de Marco Alves), analisaram milhares de cartas enviadas a Salazar por amigos, familiares, ministros, padres, etc., pedindo favores: emprego, promoções, casas, intervenção em processos judiciais, e mais. 

    • Essas cartas mostram como a máquina do Estado era usada para beneficiar pessoas próximas, burlando regulamentos formais. 

  2. Escândalos sexuais e de abuso

    • O “Caso Ballet Rose” nos anos 1960 envolveu figuras importantes do regime em abusos de menores. 

    • Segundo a enciclopédia Visão, esses escândalos existiam, mas eram abafados, porque não havia imprensa livre e a polícia política era poderosa. Visão

  3. Uso institucional para manter poder

  4. Debate parlamentar sobre “corrupção”

    • Um artigo na Italian Political Science Review analisa como nas Assembleias Nacionais do Estado Novo (1935–74) se falava de “corrupção”, mas muitas vezes de forma discursiva/política, para criticar pessoas, em vez de haver investigações reais independentes. 

  5. Violência política e uso da PIDE

    • O regime dispôs de um aparelho repressivo (PIDE) que ajudava a silenciar oposição e potenciais denúncias.

    • Isso implica que a corrupção “visível” poderia ter sido limitada por medo ou pela repressão, mas isso não significa que não existisse favorecimento interno.


Interpretação

  • A corrupção sob Salazar não é tão simples como em regimes democráticos com investigação pública livre: muitos abusos não foram denunciados ou foram escondidos.

  • Parte da “corrupção” era institucional: o regime dependia de redes de influência e favores para manter poder, em vez de simplesmente roubo público.

  • Também há uma narrativa idealizada (em parte mítica) de que “no tempo de Salazar não havia corrupção”; mas a historiografia recente mostra que isso é uma simplificação.


📚 Livros e estudos recomendados

  1. Salazar Confidencial: A História Secreta da Rede de Cunhas e Favores do Estado Novo — Marco Alves

    • Este livro é uma investigação jornalística / histórica baseada em milhares de cartas enviadas a Salazar: pedidos de emprego, favores, influências políticas, promoções, casas, “cunhas”. 

    • Mostra como funcionava uma “máquina de favorecimentos” no Estado Novo, revelando uma face de clientelismo que vai para além do discurso público de austeridade moral ou integridade de Salazar. 

    • Índice do livro mostra capítulos específicos dedicados a como Salazar usava o Estado para benefícios privados (“como Salazar usava os meios do Estado na sua vida privada”).

    • Durante quatro décadas, António de Oliveira Salazar recebeu milhares de cartas de amigos, familiares, ministros, padres e figuras ilustres da elite do Estado Novo. Mendigavam ao presidente do Conselho favores, ajudas e cunhas para obterem um cargo, uma promoção, uma casa em Lisboa ou uma palavra de Salazar para intervir em todo o tipo de problemas, incluindo em processos judiciais e em casos de crime, violência e adultério envolvendo figuras notáveis da sociedade.

      É a primeira vez que toda a correspondência particular enviada a Oliveira Salazar é tratada para um livro, numa investigação exaustiva sobre 2446 processos individuais, de onde se analisaram 70243 páginas de cartas, relatórios, currículos e fotografias.

      Os documentos mostram os surpreendentes bastidores do Estado Novo, expondo a intimidade de um regime sustentado em cunhas e favorecimentos pessoais

  2. Salazar e os Fascismos: Ensaio breve de história comparada — Fernando Rosas

    • Rosas, historiador de renome, analisa o Estado Novo no contexto dos fascismos europeus, o que ajuda a entender a natureza autoritária do regime. ihc+1

    • Embora não seja um livro “sobre corrupção” per se, examina a estrutura de poder, ideologia e instituições do regime, contribuindo para a compreensão de como o poder era mantido, distribuído e reproduzido. 

    • Discute também os mecanismos políticos internos e a elite política que sustentava o regime, o que pode estar ligado a práticas de clientelismo institucional.

  3. O Estado Novo de Salazar. Uma Terceira Via Autoritária na Era do Fascismo — António Costa Pinto (coordenação)

    • Esta obra coletiva reúne vários historiadores e analisa o Estado Novo como um regime autoritário que se coloca entre a democracia liberal e o fascismo clássico.

    • O livro aborda temas de estrutura de poder, recrutamento da elite governamental e institucionalização do regime. Esses aspetos são relevantes para entender como funcionavam os privilégios e os favores políticos.

    • Também contribui para a reflexão de que, embora o regime não fosse “corrupção aberta” no sentido tradicional, existiam mecanismos de poder muito hierarquizados, clientelistas e centralizados.

  4. O Império do Professor: Salazar e a Elite Ministerial do Estado Novo (1933–1945) — António Costa Pinto (artigo)

    • Este é um artigo académico (publicado na revista Análise Social) que analisa como a elite ministerial era composta, como se recrutava e como funcionavam as nomeações políticas. 

    • Ajuda a ver a “corrupção” ou clientelismo no nível das nomeações de poder: como Salazar distribuía cargos, a sua relação com os ministros e a forma como o regime se mantinha por redes de lealdade pessoal.

  5. Public Finances of a European Dictatorship: Portugal under the Estado Novo Regime — Ricardo Ferraz

    • Este livro analisa as finanças públicas durante o Estado Novo (1933–1974) com rigor econométrico. 

    • Interessa para a corrupção porque examina receitas, despesas, endividamento e uso do orçamento estatal. Revela de que forma o regime geria recursos públicos e quais eram os seus desafios fiscais — isto pode ser interpretado como uma forma de “corrupção institucional” (no sentido de uso político das finanças).

    • Também coloca o caso português em contexto comparado, o que é útil para entender se os desequilíbrios financeiros eram mais devidos a prática clientelista ou a dificuldades estruturais.

  6. Vítimas de Salazar: Estado Novo e Violência Política — Irene Pimentel, João Madeira, Luís Farinha

    • Este livro aborda a repressão política, violência e a forma como o regime silenciava a oposição. 

    • Embora o foco principal seja a violência política e não diretamente a “corrupção”, entender o papel da PIDE (polícia política) e a repressão é importante para perceber porque muitas práticas de favorecimento ou abusos de poder não foram contestados ou investigados: o medo era uma via de controle.

  1. Salazar e os milionários, Pedro Jorge Correia;
  2. Salazar Confidencial, Marco Alves;
  3. Os Donos de Portugal - Jorge Costa, Francisco Louçã, Fernando Rosas, Luís Fazenda, Cecília Honório.
  4. Jubileu, 1953

Ecologia, Democracia Participativa e Cultura: antídotos contra o extremismo



Sim, existe extrema-esquerda violenta na Europa, com grupos anarquistas e de esquerda radical envolvidos em ataques (principalmente sabotagem, incêndio) em vários países.

Na história recente da Europa, a maioria dos grupos terroristas, da Irlanda à Espanha, da Alemanha à Itália foram todos de extrema-esquerda. E continua viva e activa. Pelo que também têm de ser combatida com a mesma força e veemência que a extrema-direita.

Muitos ataques atribuídos à extrema-esquerda não visam necessariamente vítimas humanas ou grandes danos, mas sim alvos simbólicos (infraestruturas, empresas) — o que dificulta comparações directas com terrorismo de outra natureza. Dizem-se anti-capitalistas, anti-globalização, anti- indústria fóssil.

Os dados mais robustos sobre “crimes de ideologia” (fora da classificação de terrorismo) são menos sistematicamente agregados a nível europeu para extrema-esquerda.

No entanto, em termos de terrorismo global ou ataques massivos, nem sempre esses grupos têm a mesma escala de operação que outras ameaças extremistas (como jihadistas).

As instituições europeias (como a RAN, Europol e o Conselho da Europa) já reconhecem esse risco e trabalham para monitorá-lo e combatê-lo.

Existiram muitos grupos de extrema-esquerda radical também na América do Sul. Contudo foram extintos e alguns formaram partido democrático, como o Movimento de Participação Popular ( MPP ), que é um partido político de esquerda uruguaio , fundado por ex-guerrilheiros do Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros . O MPP faz parte da Frente Ampla , seu líder é Yamandú Orsi e, antes de sua morte, José Mujica . O MPP hoje em dia concorre às eleições com o nome Espacio 609.

Porém e centrando em Portugal, a extrema-esquerda terrorista não existe. A violência política mais grave (bombas, atentados) foi, na verdade, de origem de extrema-direita, como as FP-25 (Forças Populares 25 de Abril) nos anos 1980 — embora estas misturassem retórica de esquerda revolucionária com práticas paramilitares, e sejam frequentemente classificadas como um grupo terrorista de matriz “nacional-revolucionária”. 

Hoje, a extrema-esquerda portuguesa manifesta-se de forma pacífica e democrática, através de partidos como: Bloco de Esquerda (BE) Partido Comunista Português (PCP). Ambos participam no sistema parlamentar e rejeitam a luta armada.

Recuando aos anos quentes do PREC falemos do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) essa sim foi uma organização terrorista de extrema-direita portuguesa ativa, cujos membros ainda estão vivos: José Miguel Júdice e Diogo Velez Mouta Pacheco de Amorim (actual vice-presidente da Assembleia da República e guru do Chega). Em 1962 Diogo Amorim centra a sua actividade política na teorização e combate em prol do integracionismo, insurgindo-se contra a política de autonomia, então protagonizada pelo ministro do Ultramar, Adriano Moreira. Distancia-se também da perspectiva adoptada por Cunha Leal. Em 1971 é um dos ferozes críticos da política assumida por Marcelo Caetano no plano das autonomias ultramarinas. A obra nesse ano editada, “Na Hora da Verdade”, ia-lhe valendo nova passagem pela prisão: em Conselho de Ministros, o então Ministro do Ultramar Silva Cunha, propôs a sua prisão. Os restantes ministros apoiaram. Opôs-se o ministro César Moreira Baptista por considerar que isso teria efeitos contraproducentes. Marcelo Caetano decidiu a favor de Moreira Batista. Fernando Amorim não desistiu e fundou o PND, populista de direita, eurocéptico e extremamente conservador.

O livro de Miguel Carvalho já em sexta edição "Quando Portugal ardeu" aborda as relações de parte da direita tradicional com o MDLP, Plano Maria da Fonte e quejandos.

Portanto, o balanço geral é que a extrema-direita é tão preocupante neste momento como a extrema-esquerda. Há os dois populismos, claro.

O avanço da extrema-direita é um sintoma de crises profundas — sociais, ecológicas e culturais. Quando as pessoas se sentem inseguras, isoladas ou sem futuro, crescem o medo e a desconfiança. É nesse terreno que o extremismo floresce.

A ecologia e a democracia oferecem caminhos opostos: cultivam empatia, interdependência e responsabilidade partilhada. Educar para o pensamento crítico, reforçar a solidariedade local e comunicar com clareza são formas de resistência cívica. Contra narrativas de extrema-direita e extrema-esquerda.

Proteger a Terra e cuidar das pessoas são faces da mesma luta. Só uma sociedade justa, informada e ambientalmente consciente poderá travar o ódio e reconstruir a confiança.

O Contexto actual
A extrema-direita em ascensão na América do Norte, na Europa, Rússia, China, em Israel e mais além encontra muito do seu apelo em histórias sobre o que está para vir. Os desejos nativistas de proteger o Ocidente do declínio cultural e da "substituição" demográfica, embora ostensivamente retrógrados, encontram a sua urgência na ansiedade de que em breve será demasiado tarde para mudar de rumo, misturada com a esperança de um confronto político. Para os verdadeiros crentes, o futuro é uma fonte de colapso iminente, que aguçará identidades, hierarquias e limites, algo para o qual se deve acelerar. A nova direita identitária de hoje está menos preocupada com o brilho caloroso do passado imaginado do que com as novas possibilidades que se reservam "no rescaldo do caos", como descreveu o activista francês da nova direita Guillaume Faye.

A direita radical e terrorista já existe. O terrorismo de direita moderno apareceu pela primeira vez na Europa Ocidental na década de 1980 após a dissolução da União Soviética. Os terroristas de direita pretendem derrubar governos e substituí-los por governos nacionalistas ou de orientação fascista. O núcleo desse movimento inclui skinheads neofascistas, hooligans de extrema-direita, e jovens simpatizantes que acreditam que o Estado deve se livrar de elementos estrangeiros para proteger os cidadãos ditos "legítimos". Senão travarmos a tempo, a cegueira destes novos extremistas de direita vai ser um luta armada para impôr o seu propósito fascista. 

O terrorismo de direita é terrorismo motivado por uma variedade de ideologias e crenças de extrema-direita, pós-apocalíptica (só a tecnologia supra-nacionalista "salvará" a humanidade) como já referi anteriormente em conluio com a os extremistas de direitas mais tradicionais como o anticomunismo, neofascismo, neonazismo, racismo, xenofobia, homofobia, transfobia, contra a "islamização" em curso e uma oposição clara à imigração. Esse tipo de terrorismo tem sido esporádico, com pouca ou nenhuma cooperação internacional. 

Contudo, em ambos movimentos o conceito de seita existe. Uma espécie de clã, de um primitivismo atroz, quase teológico. Que abala todos os nossos valores de humanismo, de ajuda mútua, valores democráticos e extinção da mesma. Realmente esta corja, com intentos irracionais e antidemocráticos, vai chegar o apelo à força, ao armamentismo. Esta mensagem está ganhar terreno desde inícios de Janeiro deste ano por fulanos como Elon Musk (o homem mais rico do mundo), que já chegou a dizer que empatia ameaça a civilização. Ele está errado. Ele é essa ameaça.

A confluência dos extremistas de direita tecno-futurista com o extremismo de direita mais tradicional são uma ameaça contemporânea mas evitável. Porém é urgente o seu combate e desejamos que voltem para as cavernas e ao seu silenciamento/cancelamento antes que seja demasiado tarde.

A facharia não é uma inevitabilidade vitalícia. Mas quantas vidas vamos ter de perder por causa disso?


"Enquanto uma parte significativa da população (em todo o espectro político) vota, defende, ignora, minimiza, sente um medo paralizante, duvida do perigo ou amplifica o discurso da extrema-direita.
Enquanto os partidos (sobretudo de direita) continuam a pactuar, a normalizar e a aplicar as ideias e propostas da extrema-direita, desrespeitando totalmente o legado de Abril e todas as pessoas que deram a vida para que hoje tivéssemos uma democracia.

Enquanto as esquerdas continuam divididas, presas a querelas internas e a jogos de poder, a considerar os partidos como um fim e não como um meio, incapazes de ver que já não se trata de ganhar eleições ou de lutar pela própria sobrevivência, mas de lutar pela própria existência da democracia.

A extrema-direita, em Portugal (mas também em França, e no mundo), avança. Avança sem freio, sem resistência, sem vergonha, incitando ao ódio e desafiando o Estado de direito. Diz, com todos os dentes, números e letras, ao que vem, o que faz e o que vai fazer. Ninguém pode dizer que não sabia.
A expressão dos "3 salazares" não foi utilizada de forma espontânea, mas de forma propositada e ensaiada. Os recentes cartazes absolutamente infames, racistas e ilegais contra as pessoas ciganas fazem parte da estratégia de testar os limites do "regime", de normalizar o inaceitável, de fazer prova de força através da impunidade.

Enquanto isso, nos coletivos das pessoas que já são atacadas, ciganas, negras, muçulmanas, mulheres, queer, imigrantes, não se debate se a extrema-direita é ou não fascista, nem como fazer para que não ganhem eleições, mas sim como nos vamos organizar e resistir enquanto “inimigos do interior”, a nível local, nacional e internacional. Não temos o privilégio nem da perplexidade, nem do desespero, nem da inação.

Não tenhamos dúvidas: quando a extrema-direita estiver no poder supremo, ninguém estará a salvo. Quanto mais o tempo passa, mais difícil será a luta, apesar de nunca ser impossível. A facharia não é uma inevitabilidade vitalícia. Mas quantas vidas vamos ter de perder por causa disso?" - Luísa Semedo

Estou de acordo. E o insucesso é global. Vejamos a entrevista assustadora de Steve Bannon E mais. A direita radical e terrorista já existe. Já não poderemos chamar extrema-direita. Vai ser um luta armada. E mais. O conceito de seita existe. Uma espécie de clã, de um primitivismo atroz, quase teológico. Que abala todos os nossos valores de humanismo, de ajuda mútua, valores democráticos e extinção da mesma. Realmente esta corja, com intentos irracionais e antidemocráticos, vai chegar o apelo à força, ao armamentismo. Esta mensagem está ganhar terreno desde inícios de Janeiro por fulanos como Elon Musk (o homem mais rico do mundo), que já chegou a dizer que empatia ameaça a civilização. Ele está errado. Ele é essa ameaça.

Relembrar o legado de Nelson Mandela


"Damos dignidade às pessoas presumindo que são boas, que partilham as qualidades humanas que atribuímos a nós próprios." ~ Nelson Mandela

Nelson Mandela esteve preso durante 27 anos — de 1962 a 1990.
Ele foi inicialmente condenado a cinco anos por incitar greves e sair ilegalmente do país, e depois, em 1964, foi sentenciado à prisão perpétua no famoso Julgamento de Rivonia, acusado de sabotagem e conspiração contra o regime do apartheid.

Mandela passou a maior parte desse tempo na prisão de Robben Island, depois foi transferido para Pollsmoor e mais tarde para a prisão de Victor Verster, de onde foi libertado em 11 de fevereiro de 1990.

Em março de 1980, o slogan "Mandela Livre!" foi desenvolvido pelo jornalista Percy Qoboza, desencadeando uma campanha internacional que levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a pedir sua libertação. Apesar do crescente isolamento do país, o governo recusou em ceder às pressões internacionais, confiando em seus aliados anticomunistas da Guerra Fria, o presidente norte-americano Ronald Reagan e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher; ambos consideravam o CNA de Mandela uma organização terrorista simpatizante do comunismo e apoiavam sua repressão.

Não guardou rancor. Nelson Mandela deixou um legado de coragem, perdão e esperança. Lutou contra o apartheid, defendeu a liberdade e guiou a África do Sul rumo à reconciliação e à democracia. O seu exemplo lembra-nos que a verdadeira liderança se mede pela capacidade de unir, servir e inspirar.

sábado, 25 de outubro de 2025

Bicicultura Portugal


Sabiam que andar de bicicleta também faz bem ao cérebro?
Um estudo científico com quase 480 mil pessoas acompanhadas durante mais de 13 anos concluiu que, quem escolhe a mobilidade activa (especialmente a bicicleta), tem um risco menor de demência de todos os tipos.
Como se não bastasse, estes ciclistas também apresentaram volumes maiores em regiões fundamentais do cérebro.
Todas as deslocações de bicicleta contam quando fazemos da bicicleta uma parte da nossa mobilidade urbana, mas também da nossa saúde mental!