sábado, 16 de março de 2019
The UN reports humanity is failing its climate change goals
Despite the danger, there has been little climate change action since the 2016 Paris Agreement — three years later, the world is still on track to exceed the 2°C of warming target by as early as 2040. So this week, the UN is once again sounding the alarm on the unprecedented environmental damage that has proceeded largely unchecked.
In its 6th Global Environmental Outlook report, released today, scientists explore how human actions are threatening the food, water, and natural systems that we take for granted. The report highlights how air pollution from fossil fuels and chemical production kills 6 to 7 million people every year. It underscores the unprecedented scale of biodiversity loss around the planet, which threatens food supplies for billions of people. And it emphasizes the rapid decline of safe drinking water sources around the world as a result of intensive agriculture and chemical contamination.
Throughout the report, the specter of unmitigated climate change looms. Climate change isn’t just a problem in itself; it also amplifies existing environmental challenges, making them more difficult to solve. Take overfishing, for example. Warming oceans are bleaching coral reefs, obliterating remaining fish habitats in some of the most productive areas of the oceans. Or consider the depletion and contamination of freshwater resources. Climate change is spurring drought and desertification — and consequently, war and human migration — in the world’s most parched regions, including the Middle East, Latin America, and Africa. Not convinced? Look at air pollution: Larger, more frequent wildfires in arid regions and increasing humidity in wet regions are contributing to smog and multiplying its negative health effects.
Meanwhile, the report emphasizes that 45 percent of all dangerous greenhouse gas emissions are produced by just ten countries — including China, the US, the EU, and India. With the exception of the US, all ten are signatories to the Paris Agreement. But without exception, none of these countries are taking the emissions reduction steps necessary to meet the agreement’s 2°C target.
So will this bleak picture spark action from governments when past agreements and reports have failed? It seems unlikely.
To date, the top emitters have made a lot of noise about climate change, but little meaningful government action. Despite lofty policy statements from the EU, Europe’s greenhouse gas emissions still increased in 2017. Germany and Poland — Europe’s two largest sources of coal-fired power — remain far from phasing out their plants. Even policies in China, which has been celebrated as a global leader in reducing emissions, still fall far short of what’s needed to keep global temperature from rising above 2°C.
In the US, the Trump Administration has gutted Obama-era emissions goals. They have dramatically increased the rate of public land leases to the oil and gas industry, while simultaneously attacking California’s ability to set more stringent emissions standards than the rest of the country. While some US cities are forging ahead with renewable energy and climate policies, they are most often doing so without the support of — or even in direct opposition to — federal and state governments.
These short-sighted policies are enabled by the fact that there remains little political consequence to ignoring the UN’s warnings. Climate science is often not taught in schools. After the last Intergovernmental Panel on Climate Change report, more than 28 American newspapers did not mention the report on their homepage. As the frequency of extreme weather events increased both at home and abroad, US television news coverage of climate change plummeted in 2018. Climate change was even omitted from reporting on disasters such as wildfires in California, despite overwhelming scientific evidence that greenhouse gas emissions are making these natural events more destructive. In part because of this lack of information, less than four in 10 Americans prioritize climate policy in their choices of elected representatives.
The information that does get published tends to focus on quick, individual fixes — biking to work, switching to energy-efficient appliances, or even adding solar panels to your home. But the UN report is a stark reminder that without a national and global appetite for systemic change, the planet faces dire straits. Electricity generation is responsible for one-quarter of global carbon dioxide emissions, and agriculture and deforestation for another twenty percent. Concrete production alone accounts for eight percentgreenhouse gas emissions. Climate change won’t be fixed by individual actions — the world needs aggressive international policy changes. Accordingly, more than half of the UN report is devoted to discussing emissions policy solutions that can be implemented immediately in countries around the world.
Thankfully, there are small signs of a slow, but critical shift in attitudes. The Green New Deal, though far from a silver bullet, sparked one of the first meaningful discussions over climate change in the US Senate and has pushed the environment into conversations about the 2020 elections. China recently declared renewed efforts to reduce the country’s dependence on coal for electricity. And this week, students worldwide are walking out of schools in protest of political leaders not prioritizing reducing emissions.
Will government leaders, news media, or the public notice? Will they remember any of this in a few weeks, or come time for elections? That remains to be seen. But unless we begin to pressure leaders towards action, it seems likely the UN’s latest warning on climate change will fall on deaf ears.
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sexta-feira, 15 de março de 2019
São jovens, vivem no interior e não querem estar sozinhos — conheçam-nos no Wildlings
Um grupo de jovens de várias nacionalidades que vive na região Centro lançou, em parceria com artistas europeus, o Wildlings, um projecto que mostra a beleza do Pinhal Interior e convida ao repovoamento do interior do país.
O projecto ganhou forma numa plataforma digital que agrega educação ambiental, informação sobre projectos comunitários ecologicamente sustentáveis em Portugal e no estrangeiro, bem como uma websérie com seis episódios que retrata jovens a morar na zona da Serra do Açor, no distrito de Coimbra, fortemente afectada pelos fogos de Outubro de 2017.
Para além do site, o projecto vai ainda lançar um livro em Abril, que é uma espécie de guia turístico para o Pinhal Interior, revelando cascatas e piscinas naturais escondidas pelo território, ao mesmo tempo que divulga informação sobre a biodiversidade da região, disse à agência Lusa Lynn Mylou, holandesa de 36 anos a morar em Arganil. "Moro aqui há três anos e apercebi-me do envelhecimento e da desertificação na região. Se queremos restaurar a natureza e os ecossistemas, precisamos de muitas pessoas", explicou.
Foi esse o motivo que a levou a criar o Wildlings, em parceria com outros jovens a morar na região e artistas estrangeiros, para tentar atrair pessoas "que vivem nas cidades, que trabalham para o mundo corporativo, mas que têm um sentimento de que não gostam tanto" desse estilo de vida.
Na plataforma, é disponibilizado "conteúdo de qualidade", seja documentários ou artigos sobre o ambiente, sustentabilidade ou alterações climáticas, ou ligações para cursos e artigos de educação nas mesmas áreas ou sobre agricultura sustentável. "É inspirador, mas também educacional", vincou Lynn Mylou.
Ao mesmo tempo, mostra a comunidade já estabelecida e os projectos que vão surgindo, muitas vezes pelas mãos de jovens. "Depois dos fogos, houve muita atenção mediática nesta zona, mas há uma ideia de que as pessoas que vivem aqui são uns hippies, que fumam droga, que não fazem as coisas de acordo com a lei. Essa ideia está errada. A maioria das pessoas que vieram para aqui são muito qualificadas, estão cheias de competências, fazem coisas e investem tudo para revivificar esta região, que está abandonada e negligenciada", frisa a holandesa.
A websérie, feita por Tiago Cerveira, jovem realizador de Oliveira do Hospital, procura mostrar isso mesmo, em episódios curtos que contam as histórias e motivações de seis jovens que escolheram a Serra do Açor para viver. Dois episódios já saíram, sendo que um novo episódio é sempre lançado ao domingo, às 19h. "Nós esperamos inspirar com as nossas histórias, para que as pessoas comecem a tomar diferentes escolhas. Depois, sim, precisamos de mais pessoas e esta plataforma permite dar a conhecer-nos" e criar uma espécie de ligação com jovens que pretendam estabelecer-se na região, resumiu.
Fonte: P3
Fonte: P3
15º aniversário do blogue BioTerra
Deixei passar a data, ele começou no dia 1 de Março de 2004. Temos todos que re-herdar a Terra. Obrigado a todos os que me visitam, consultam e me estimulam a continuar.
quinta-feira, 14 de março de 2019
Podemos transformar o mundo em 12 anos?
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| Renaat Veris |
Trabalhamos com a Tamarack Media Cooperative para criar este pequeno vídeo, lembrando-nos de que a história nos diz que a transição rápida não é apenas possível, mas também pode ter consequências não intencionais e extremamente positivas.
“As Caraíbas no meio do Atlântico”. Açores é um dos sítios a visitar em 2019, diz o The New York Times
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| Fonte e notícia aqui |
“As Caraíbas no meio do Atlântico”. Esta é a expressão utilizada para descrever os Açores, pelo The New York Times (acesso livre/conteúdo em inglês). A publicação norte-americana escolheu o arquipélago português como um dos sítios a visitar em 2019, posicionando-o em 9º lugar na lista.
Os Açores inserem-se no ranking que incluí destinos como o Japão, a Dinamarca, o Panamá ou os Estados Unidos. As paisagens e peculiaridades açorianas, que incluem locais que são património mundial da Unesco, cativam os viajantes. Destacam-se as crateras vulcânicas que são agora lagos, fontes termais naturais, a abundância de hortênsias azuis e o facto de ser o único local onde se cultiva café na Europa.
A liderar o ranking de sítios a visitar neste ano encontra-se Porto Rico, que está a voltar a erguer-se depois de ter sido atingido pelo Furacão Maria, há cerca de um ano e meio. Segue-se Hampi, na Índia, uma antiga cidade onde se pode ver como evoluem as civilizações, num complexo arqueológico que está a chamar a atenção de organizações e agências de viagens.
Santa Bárbara, na Califórnia, completa o pódio. Esta é uma cidade para aqueles que gostam de descobrir comidas novas, onde estão a surgir vários restaurantes trendy e locais que se especializam na degustação de vinho.
quarta-feira, 13 de março de 2019
Greve Estudantil Mundial 15 de Março Pelo Clima
Este grupo é formado e coordenado por estudantes do ensino secundário e superior de todo o país. O número de escolas contactadas aumenta todos os dias. Podem fazer o download do cartaz a partir do nosso site https://greveclimaestudantil.wixsite.com/greveclimaticapt ou facultar-nos um endereço de email através de mensagem privada. Muito obrigada pelo apoio!
Greta Thunberg full speech at UN Climate Change COP24 Conference
The disarming case to act right now on climate change | Greta Thunberg
Saber mais
Greta Thunberg
In this passionate call to action, 16-year-old climate activist Greta Thunberg explains why, in August 2018, she walked out of school and organized a strike to raise awareness of global warming, protesting outside the Swedish parliament and grabbing the world's attention. "The climate crisis has already been solved. We already have all the facts and solutions," Thunberg says. "All we have to do is to wake up and change."
terça-feira, 12 de março de 2019
Petição para classificação do eucalipto como espécie invasora
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Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,
Todos os abaixo signatários, vêm solicitar a revisão do Decreto-Lei nº 565/99, de 21 de Dezembro, que regula a introdução na natureza de espécies não indígenas da flora e da fauna, reclassificando todas as espécies de eucalipto, inclusive as geneticamente modificadas, como espécies invasoras.
Este DL define como espécie invasora a susceptível de, por si própria, ocupar o território de uma forma excessiva, em área ou em número de indivíduos, provocando uma modificação significativa nos ecossistemas, sendo, nos dias de hoje, científica e comumente aceite que o eucalipto, se enquadra nesta classificação.
Apesar de ser considerada uma óptima espécie para cultivo devido ao seu rápido crescimento e grande adaptabilidade a diferentes tipos de solos e climas, essas mesmas características e outras, tornam-na prejudicial ao ambiente dos lugares onde são cultivadas e naturalizadas, destacando-se:
. “O eucalipto é altamente inflamável, mas raramente morto pelo fogo. A casca pega fogo rapidamente, e as flâmulas de casca e os epífitos líquenes tendem a transportar e disseminar o fogo na sua frente. Outras características que promovem a propagação do fogo são a grande libertação de biomassa, óleos inflamáveis da folhagem, e coroas abertas de ramos pendentes, que incentiva a máxima ascensão do fogo” (in Fire Effects Information System. U.S. Department of Agruculture. 2018. EUA)
. “Regenera vigorosamente de touça. Observa-se frequentemente a germinação das sementes, afastadas das árvores-mãe, principalmente após abandono de plantações, ausência de gestão adequada e/ou ocorrência de incêndios. As plantas jovens chegam a formar mantos contínuos que impendem o desenvolvimento de outras espécies. É muito difícil impedir a regeneração da touça.”
(in Guia Prático para identificação de Plantas Invasoras em Portugal. Universidade de Coimbra. 2014. Portugal)
. Provoca “empobrecimento das cadeias alimentares”, alteração das propriedades físico-quimicas bioquímicas e microbiológicas do solo”, “atividade alelopática”, “perda de biodiversidade”, “fragmentação de ecossistemas naturais”, “colonização de espaços aberto”, “dificuldade de erradicação” e “elevado risco de incêndio”.
(in Dictamen del Comité Cientifico - Ministerio Agricultura, P., A. y Medio Ambiente. 2017. Espanha)
Sendo Portugal o país do mundo com maior número de eucaliptos por área de território, é urgente reformular, de forma descomplexada e apolítica, a utilização desta espécie, preferencialmente substituindo-a pelas várias espécies naturais, com semelhante capacidade de resposta às necessidades agro-florestais, e adaptadas à realidade social e ecológica actual e futura, no contexto das alterações climáticas.
As várias espécies do género Eucalyptus, são hoje classificadas como invasoras, praticamente em todos os territórios onde estão presentes como espécie não natural, como por exemplo nos estados da Califórnia e Havaí dos EUA, Africa do Sul, Nova Zelândia e Madagáscar.
Negar o eucalipto como invasor é negar as alterações climáticas, o desenvolvimento sustentável, a segurança das populações e o futuro de Portugal.
segunda-feira, 11 de março de 2019
O Antropoceno não existe - e as espécies do futuro não o vão reconhecer
Estamos a viver um período de rutura ambiental sem precedentes que é cada vez mais designado por "Antropoceno". À medida que o termo se torna mais omnipresente, quero explicar por que razão, enquanto psicólogo e ambientalista empenhado, penso que esta é uma forma altamente problemática de enquadrar a nossa situação.
Originalmente proposto por cientistas atmosféricos e depois por geólogos, o Antropoceno passou para o primeiro plano como uma forma poderosa, embora complexa, de falar sobre a nossa era atual. Este é um período em que, pela primeira vez na sua história, a Terra está a ser profundamente transformada por uma única espécie: os humanos. A palavra Antropoceno refere-se à ideia de que o registo geológico da Terra foi transformado pela humanidade: Anthropos é o termo grego para humano e -ceno indica um período de tempo geológico substancial dentro da atual era Cenozoica, que tem 65 milhões de anos.
É notável a rapidez com que esta ideia se tornou unânime. Atualmente, é tema não apenas de textos académicos e conferências, mas também de arte, ficção, revistas, diários de viagem, poesia e até de uma ópera.
Embora concorde que se trata de uma provocação importante e oportuna, quero fazer uma pausa e considerar se a narrativa do Antropoceno capta realmente o nosso dilema e as nossas perspetivas futuras.
Já existem muitas críticas à ideia do Antropoceno. Termos alternativos como "Capitaloceno" (que tenta destacar as forças prejudiciais do capitalismo) e "Plantacionoceno" (que enfatiza o papel do colonialismo, do sistema de plantações e do trabalho escravo) têm sido propostos como uma forma de focar a atenção nos elementos da história humana responsáveis pelas crises ambientais, em vez de aglomerar todos os seres humanos, e a sua responsabilidade, no mesmo saco. Mas eu quero concentrar-me na própria ideia de tempo.
O tempo profundo
O "tempo profundo" é o conceito de tempo geológico que é utilizado "para descrever a cronologia e as relações entre eventos que ocorreram ao longo da história da Terra". Trata-se de uma história de 4,54 mil milhões de anos. Temos dificuldade em compreender a escala colossal de uma noção de tempo que é tão... profunda. Existem inúmeras analogias para nos ajudar a compreender esta enormidade, como o relógio de 24 horas — em que os humanos só estão no planeta há 19 segundos desse dia. Pessoalmente, gosto da analogia abaixo, pois basta esticar o braço para a visualizar facilmente.
Se a Terra se formou há cerca de 4,54 mil milhões de anos ao nível do ombro, os animais (de qualquer tipo) surgem na palma da mão e as formas de vida mais familiares (para nós) têm origem na primeira articulação dos dedos. O movimento ao longo dos dedos representa os períodos seguintes, incorporando, por exemplo, o Jurássico. E os humanos? O Holoceno, com 11 700 anos, marca o início da dispersão global do Homo sapiens — "uma lasca microscópica na ponta de uma unha". O início do proposto Antropoceno, quer se adote um ponto de partida sugerido de 400 anos, 70 anos ou algures no meio, é um pontinho minúsculo dentro desta lasca.
Portanto, terá o Homo sapiens criado uma nova era geológica? Em termos simples, há argumentos a favor - existem muitas evidências do impacto humano no registo geológico, desde marcas das alterações climáticas provocadas pelo homem, testes atómicos e muito mais. No entanto, uma apreciação mais completa do tempo profundo deveria, na verdade, deixar-nos cautelosos em relação ao rótulo "Antropoceno", podendo até mudar a imagem que temos de nós próprios e do que significa habitar a Terra nesta altura. Eis o porquê.
Extinção em massa
Há cerca de 66 milhões de anos, ocorreu um evento de extinção em massa que eliminou cerca de três quartos de todas as espécies. Este foi, muito provavelmente, o resultado do impacto de um enorme asteroide - uma conclusão a que se chegou após a descoberta de uma camada fina mas distinta de sedimento no registo geológico dessa época, contendo elementos abundantes em asteroides.
A extinção em massa ofereceu uma oportunidade para a ascensão dos mamíferos como formas de vida dominantes, inaugurando a era Cenozoica ("nova vida"). Esta fina camada de poeira de cometa no registo rochoso representa uma transição breve mas vital entre camadas precedentes e subsequentes muito mais espessas. Mas ninguém se refere ao que se seguiu ao evento de extinção em massa como o "Cometoceno". Isso simplesmente não faria sentido — o impacto foi um evento único, significativo no contexto do tempo profundo apenas porque inaugurou novas fundações para a vida que depois se estenderam por milhões de anos no futuro distante.
E se o mesmo puder ser dito da nossa influência? E se, mesmo com os efeitos bem documentados de um Antropoceno que continua a acumular-se, estivermos a falar dos impactos humanos como um mero piscar de olhos no contexto do tempo profundo? É provável que assim seja. A expansão do industrialismo extraiu e esgotou de forma agressiva e rápida uma quantidade finita de recursos. O facto de haver um limite, aliado a uma rutura ambiental sem precedentes, circunscreve fundamentalmente a viabilidade a longo prazo de qualquer era possível de domínio humano.
É isto que o escritor americano John Michael Greer afirma quando diz que todas as formas de civilização industrial combinadas, no contexto do tempo geológico, são extraordinariamente efémeras e "auto-terminantes" — simplesmente uma transição entre eras. É por isso que ele considera a "transição Holoceno-Neoceno" (transição H-N, para abreviar) como um termo mais preciso, sendo o Neoceno um nome temporário para o que quer que surja a seguir.
O nosso legado geológico será provavelmente como a poeira do cometa — " uma camada de transição ligeiramente estranha com pouco mais de meio centímetro de espessura". Sendo uma espécie incrivelmente adaptável, os humanos poderão encontrar nichos ecológicos para sobreviver e prosperar neste futuro distante, mas não seremos dominantes.
Uma nova psicologia
Isto não significa que estejamos a caminhar para uma espécie de cataclismo único - outro evento de extinção. Significa que já estamos a viver um. Mas, em vez de sermos lembrados como algo grandiloquente e portentoso — como o Antropoceno —, é mais provável que alguma espécie do futuro distante pense em nós como aquilo a que o historiador Stephen Kern chama "um parêntese de brevidade infinitesimal". No contexto do tempo profundo, a Terra continuará o seu caminho sinuoso sem nós e mal notará a nossa ausência, da mesma forma que mal soube que aqui estivemos.
Esta viagem ao tempo profundo não pretende ser deprimente ou derrotista, nem visa de modo algum excluir a esperança ou evitar o reconhecimento do dano que os humanos podem causar. Creio que a sua relevância psicológica é oferecer um lembrete da própria vida como algo que deve ser abordado com reverência e admiração; a nossa espécie como interdependente e interligada, e não de alguma forma à parte; e esbater qualquer arrogância residual na ideia do Antropoceno.
Situar a humanidade numa história ainda mais profunda pode parecer assustador. Mas também pode ser libertador. Para inúmeras culturas por todo o mundo, como é óbvio, isto não é novidade - muitas cosmovisões indígenas abraçam a natureza, têm reverência por ela e possuem um sentido profundo de tempo e lugar. Apesar de terem sido historicamente desalojadas desses locais pelas forças do colonialismo e do industrialismo, estas vozes são frequentemente negligenciadas.
A história do nosso futuro distante, se tivermos um, será aquela em que aprendemos a reconhecer a interdependência com a natureza e com outras espécies. No fundo, trata-se do que significa ser humano. Como alertou a falecida filósofa ambiental Val Plumwood: "Seguiremos em frente num modo diferente de humanidade, ou não seguiremos de todo."
De Times Square ao Paredão de Matosinhos
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Em meados de 2018, com pompa e circunstância o Turismo de Portugal com a presença do primeiro ministro, passou num do videowall de Times Square um filme da maior onda do mundo que, como todos sabemos fica na Nazaré, para promover o país enquanto destino turístico de surf. Uma espécie de fenómeno do Entroncamento, mas em modo high-tech e muito dispendioso.
Nem seis meses depois a Ministra do Mar vem apresentar a extensão do paredão do Porto de Douro e Leixões, condenando de uma forma sumária toda a praia Internacional do Porto, também conhecida como praia de Matosinhos. A condenação estende-se muito para além da destruição das ondas desta praia. Esta que é talvez a praia com maior densidade de surfistas em Portugal, que pela sua situação e acessibilidade permite o ensino do surf como poucas em Portugal. É também uma montra da região para quem chega de Cruzeiro, e para quem depois de descer a avenida da Boavista tem essa oferta que é uma praia urbana com qualidade (apesar de por vezes a qualidade da água deixar a desejar), isto se tivermos apenas em conta os turistas e o turismo. Se falarmos da população local podemos sem medo dizer que entre a marginal que vai da Rotunda do Castelo do Queijo até ao Jardim do Senhor. do Padrão passam mais de cinco mil pessoas a pé por dia durante todo o ano e na praia atrevo-me a dizer que entre Março e Outubro pelo menos outras tantas. São pessoas que vão caminhar, correr, andar de bicicleta, de skate, fazer exercício físico, que vão apanhar sol, jogar vólei, tomar banho no mar, consumir no comércio local, comer croissants e alguns (muitos) aprender e fazer surf. Porque é que este argumento é importante? Porque para além do turismo, a praia de Matosinhos também é uma das zonas de lazer do grande Porto, que gera receitas de uma forma consistente ao longo de todo ano, utilizando um recurso natural que não custa 70 milhões de euros construir e muito mais a manter e que para além disso promove o bem estar físico e mental e dessa forma reduz a despesa do Estado na saúde publica, que como todos sabemos anda pelas ruas da amargura.
Qualquer pessoa pode perceber que este projecto de fundos privados é uma má opção excepto para quem vai construir a dita obra.
Depois de ler lido um dos estudos promovido pela DGRM de autoria do LNEC vejo que a solução apresentada tem vários “potenciais” problemas, sendo dois deles em meu entender relevantes. O primeiro a possibilidade de haver excesso de areia a norte da praia e o segundo o risco de erosão elevada, que de acordo com o dito documento irá obrigar defender a zona costeira do lado sul da praia. Estamos a falar de dois riscos que por si vão muito para além dos 70 milhões de investimento privado. Estamos a falar potencialmente para a operação do porto a necessidade constante de dragar a zona de acesso ao Porto (algo, que por exemplo em Lisboa representa um custo relevante na operação portuária) — se calhar era bom fazer esta conta e apresentá-la publicamente. E ainda o risco para a população, bens e comercio local entre a rotunda da Anémona, passando pelo Edifício Transparente e chegando ao Castelo do Queijo sempre que se verificarem condições adversas. Este estudo refere que deve ser tido em conta que para “defender” a zona Sul da praia será necessário ter intervenções regulares. Aqui o custo dificilmente será imputado à APDL, mas sim à cidade do Porto e de Matosinhos, e sobretudo aos seus munícipes.
Tentando perceber os argumentos de quem ainda poderá considerar esta uma opção, fui também ver no site da APDL os movimentos no Porto, apenas para concluir que eles são mais ou menos iguais nos últimos 3 anos. E que os dois grandes argumento para o prolongamento do molhe são a possibilidade de entrada de navios de grande porte, que analisando o site do dono dos maiores navios do mundo de carga a OOCL não passam perto do Porto, nem a companhia que tem os navios com maior dimensão a seguir a COSCO, que segundo percebi têm as suas operações ancoradas no norte da Europa e no sul de Espanha. O segundo argumento passa pela acessibilidade ao Porto nos dias de maior ondulação e neste sentido não conseguimos encontrar dados sobre quantos dias por ano nos últimos 3 anos esteve a barra fechada. Assim não se consegue perceber se este argumento é válido ou não.
Por fim quero falar do ambiente e da qualidade da água. No estudo da DGRM/LNEC uma das referências é que a circulação da água se fará no sentido oposto ao relógio, o que significa que a água tenderá a ficar na zona norte da praia, justamente aquela que terá menos impacto da ondulação e por essa razão menos renovação de água. Será que este facto poderá ser relevante para a qualidade da água balnear? Penso sinceramente que sim. A análise à qualidade da água nos últimos anos tem sido muito pouco favorável com as condições existentes e por isso com menos circulação de água seguramente que será pior. E isto leva-me de novo à questão dos utilizadores da praia e do passeio marítimos que se verão confrontados a prazo com a deterioração das condições existentes e a perda de um recurso que gera receitas para toda a região do Porto.
Pergunto então que sentido tem, tendo em conta o recurso natural existente, fazer um investimento que não tem garantias de sucesso comercial e apresenta riscos iminentes para a população local e para uma das âncoras da nossa economia que é justamente o Turismo?
É tempo, acredito, de todos olharmos para esta questão e marcarmos a nossa posição, falo de cada um de nós, mas também do Turismo de Portugal, da WSL que recentemente mudou a sua sede europeia para o nosso país, da FPS, da ANS, da AESDP, dos diferentes representantes das entidades da restauração e da hotelaria da região, das escolas de surf e surfcamp, da Surfrider Foundation . É tempo de defender uma solução que sirva todos e não apenas alguns.
Boas ondas!!!
Fonte da notícia aqui
sábado, 9 de março de 2019
Al Gore no Porto: "Queremos deixar a Terra como um caixote do lixo?"
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore defendeu esta quinta-feira, no Porto, que combater as alterações climáticas é "escolher o que está certo", desafiando todos a assumirem que o futuro da humanidade depende da "coragem" para preservar o clima "agora".
"O fim do 'apartheid', da discriminação, do racismo - todos estes grandes movimentos enfrentaram vários nãos até alguém dizer que se trata de uma escolha entre o certo e o errado. [Em relação ao clima] Temos de escolher o que está certo. Temos de reconhecer que a verdade do futuro que vai ser enfrentado pelos nossos filhos e netos depende do que tivermos agora a coragem de fazer. Queremos deixar a Terra como um caixote do lixo ou ouvir os cientistas e fazer algo?", questionou, aos gritos, o também Prémio Nobel, no Porto, no encerramento da Climate Change Leadership.
Durante as cerca de duas horas de conferência, Al Gore admitiu estar "furioso" algumas vezes, alertando que as pessoas "precisam de ouvir a verdade" e "podem mudar", perante "a resposta patética dos governos" ao problema e o facto de alguns subsidiarem a produção de energias fósseis.
Após mostrar vários "cenários apocalípticos" de cheias, chuvas intensas, secas extremas ou dias de calor fora do vulgar, Al Gore pediu para todos impedirem que tais imagens se transformem "no novo normal".
O Prémio Nobel admitiu que estão a ser dados passos positivos em todo o mundo para combater as mudanças climáticas e proteger o planeta, mas alertou que "as grandes mudanças só vão acontecer" quando os governos deixarem de subsidiar a produção de energias fósseis
"Estas empresas de [energias] fósseis têm muito poder económico e político", vincou.
Questionado pelo diretor da conferência, Pancho Campo, sobre como mudar este cenário, o ex-vice-presidente norte-americano apelou para o ativismo.
"Não podemos depender de mudanças individuais. As grandes mudanças só vão acontecer quando mudarmos as políticas. Estamos num momento invulgar de atividade política a uma escala revolucionária", observou.
Para Al Gore, existe um "escalar do empenho" social e "este é o momento" de as pessoas se envolverem.
"Os ativistas de base, por vezes, dão-nos a impressão de que são estranhos, mas são eles que motivam as mudanças. Está na altura de darmos alguns recursos a estes ativistas de base. Está na altura de alguns de nós sairmos para a rua. Agora é o momento", avisou.
De acordo com o Prémio Nobel, "as projeções de população até 2100 indicam que África terá mais pessoas do que a China ou a Índia em conjunto".
"Se partes significativas do continente africano vão ser inabitáveis devido às mudanças climáticas, para onde vão estas pessoas?", perguntou.
"Pode haver até mil milhões de migrantes do clima. Não podemos continuar. Não podemos deixar. Vocês precisam de ouvir a verdade. Ando há 40 anos nisto e vejo a resposta patética dos governos. Vocês podem mudar", afirmou.
Referindo-se à crise de refugiados que a Europa "enfrentou", com "um milhão provenientes da Síria", Al Gore assegurou não ser a guerra civil o que está na origem da migração em massa.
"Antes da guerra civil, houve a maior e mais destrutiva seca em 900 anos. Esta seca destruiu 60% das quintas, matou 80% do gado e levou 1,5 milhões de refugiados das quintas para as cidades", observou.
As "boas notícias", disse Al Gore, residem na capacidade que vários pontos do planeta têm tido para produzir energia a partir de fontes renováveis, como é o caso das "centrais solares flutuantes em Portugal".
"Subsidiar energia solar é mais barato do que fazê-lo com combustíveis fósseis. É a diferença entre gelo e água. Nos mercados de capitais, é a diferença entre capital congelado e fluxo de capitais que procuram oportunidade", ilustrou.
sexta-feira, 8 de março de 2019
Do Algarve ao Minho, vão procurar-se insectos para a lista vermelha
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| Foto e notícia aqui |
É já este sábado, 9 de Março, que arranca o trabalho de campo para a Lista Vermelha de Invertebrados Terrestres e de Água Doce de Portugal Continental. Até Agosto estão agendadas duas missões por mês, de sul para norte do território.
“Apesar da elevada riqueza de insetos em Portugal, que poderá ascender a 30.000 espécies, e da sua importância nos ecossistemas terrestres e de água doce, o conhecimento sobre a diversidade das comunidades em muitas zonas do país é inexistente ou claramente insuficiente”, sublinha a equipa coordenadora da Lista Vermelha, em comunicado.
É essa situação que estes especialistas querem inverter. O projecto, que começou em Junho de 2018, vai avaliar até 2021 o risco de extinção de várias centenas de espécies de insectos e de outros vertebrados em Portugal Continental.
A equipa quer realizar um plano de inventariação sistemática de insectos, que “passa por visitar todos os sítios de importância comunitária (SIC) da Rede Natura 2000, estando definidos 200 pontos de amostragem desde o Algarve ao Minho.” Segundo a directiva europeia Habitats, os SIC são sítios designados como importantes para a conservação de habitats ou de espécies protegidas ou também da biodiversidade local.
Assim, até Agosto haverá missões duas vezes por mês, a começar pela que se inicia este sábado, dirigida à Costa Sudoeste e Barlavento Algarvio. As restantes missões vão seguir-se no Sotavento Algarvio e no Guadiana, progredindo sempre de sul para norte ao longo do país, até aos SIC de Trás-os-Montes. A última missão, entre 10 e 17 de Agosto, realiza-se no Minho.
Cada uma destas missões da Lista Vermelha vai ter quatro investigadores e prolongar-se por sete dias, com a aplicação de várias técnicas em cada ponto de amostragem: “Transectos de observação de borboletas e libélulas; batimentos e varrimentos da vegetação para amostragem de insectos polinizadores e que se alimentam de plantas; registo de som de gafanhotos e cigarras; arrastos aquáticos para amostragem de insectos de água doce; pesquisa directa procurando aleatoriamente insetos no solo, nas plantas, debaixo de pedras, nos troncos de árvores e nas flores”, descrevem os responsáveis.
Mas haverá outras técnicas aplicadas no terreno, nomeadamente a colocação de armadilhas, diferentes consoante os insectos que se querem atrair. Por exemplo? Coloridas para as moscas e abelhas; luminosas, tendo como alvo as borboletas nocturnas; de queda, para espécies que vivem no solo; armadilhas Malaise, para capturar insectos interceptando-os no voo. Estas últimas são feitas com redes.
“Este esforço pioneiro de amostragem de insetos pretende igualmente promover a colaboração do público”, adiantam os responsáveis. Para isso, um domingo de manhã por mês haverá investigadores disponíveis para explicar o projecto e envolver quem estiver interessado na recolha de insectos, utilizando diferentes técnicas. No total, estão já agendadas seis destas sessões, em locais diferentes do país.
De acordo com os investigadores, “este trabalho será determinante para obter informação actualizada sobre a distribuição das espécies [em Portugal Continental], especialmente em relação às 11 espécies de insectos listadas na Directiva Habitats e, como tal, protegidas em território nacional”.
“Contribuirá também para o melhor conhecimento da diversidade, biologia e ecologia das espécies da nossa entomofauna, permitindo assim avaliar o seu risco de extinção em Portugal Continental.”
Projecto vai ter plataforma web
Além dos insectos, a equipa quer também avaliar o risco de extinção de espécies de outros grupos de invertebrados: aranhas, crustáceos de água doce, bivalves e gastrópodes.
Prevista está também a criação de uma plataforma web de armazenamento e gestão de informação, onde vai ficar disponível informação para vários utilizadores: “técnicos, investigadores, entidades públicas e privadas com acção na conservação da biodiversidade e gestão de recursos naturais, bem como o público em geral, potenciando a sensibilização da sociedade para a conservação de invertebrados no nosso país.”
A Lista Vermelha de Invertebrados Terrestres e de Água Doce de Portugal Continental é financiada pelo POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos e pelo Fundo Ambiental. Tem como beneficiário a FCiências.ID – Associação para a Investigação e Desenvolvimento de Ciências e como parceiro o ICNF – Instituto para a Conservação da Natureza e das Florestas.
A coordenação científica tese projecto é do cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e conta como parceiros de execução com o TAGIS – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal, a BIOTA – Estudos e Divulgação em Ambiente e a associação Biodiversidade para Todos. Participam ainda diversas entidades, como a SPEN – Sociedade Portuguesa de Entomologia e o IPM – Instituto Português de Malacologia, e quase uma centena de investigadores de centros de investigação portugueses e de instituições estrangeiras.
Agora é a sua vez.
Quer participar numa das seis sessões desta Lista Vermelha abertas ao público? Fique a conhecer onde e quando se vão realizar:
24 de Março: Estação da Biodiversidade da Ribeira do Vascão (Mértola)
21 de Abril: Praia da Aberta Nova (Grândola)
19 de Maio: Olhos de Água do Alviela (Alcanena)
16 de Junho: Museu Natural da Electricidade (Seia)
14 de Julho: Biosposts da Barragem do Prada (Vinhais)
11 de Agosto: Estação da Biodiversidade de Montedor (Viana do Castelo)
Saiba mais.
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quinta-feira, 7 de março de 2019
Fungo da Amazónia Digere Plástico (com vídeo)
Trata-se do fungo conhecido como Pestalotiopsis microspora, um cogumelo que pode se alimentar de plástico. Foi descoberta essa sua qualidade por um grupo de estudantes da Universidade de Yale, ao pesquisar a Amazónia equatoriana, com o professor de biologia molecular Scott Strobel.
E mais, o Pestalotiopsis comedor de plástico não precisa de oxigénio para sua alimentação. Quer dizer, a degradação e transformação promovida por este fungo pode se dar, inclusive, nas camadas mais profundas dos aterros sanitários, por inoculação dos seus micélios.
Realmente, o Pestalotiopsis microspora será uma mão na roda para nós, humanos, já que o tipo de plástico do qual pode se alimentar este fungo é justamente o mais difícil dos plásticos para ser reciclado - o poliuretano.
O poliuretano é um plástico termorrígido e sua reciclagem é muito complexa já que não pode ser derretido e misturado a outros plásticos.
Atualmente é possível seu reuso na fabricação de pistas de atletismo, ao misturá-lo com a resina de poliuretano, e também na feitura de sola para calçados. Para além do mais, o poliuretano é um POP - Poluente Orgânico Persistente - um dos flagelos do meio ambiente e promotor de profundos desequilíbrios ambientais já que são compostos altamente estáveis, que resistem à degradação química, fotolítica e biológica e podem também, entrar na cadeia alimentar pelo processo de bioacumulação em organismos vivos.
“A biorremediação é uma importante abordagem à redução de resíduos que se baseia em processos biológicos para quebrar uma variedade de poluentes. Isto é tornado possível pela vasta diversidade metabólica do mundo microbiano. Para explorar essa diversidade para a degradação do plástico, nós analisamos várias dezenas de fungos endofíticos por sua capacidade de degradar o poliéster poliuretano polímero sintético (PUR). Vários organismos demonstraram a capacidade de degradar eficazmente o PUR em ambas as suspensões de sólidos e líquidos. Particularmente foi observada atividade robusta entre vários isolados do género Pestalotiopsis, embora não tenha sido uma característica universal do género. Dois isolados de Pestalotiopsis microspora eram capazes de desenvolver-se com uma alimentação do polímero unicamente, como a única fonte de carbono sob condições aeróbicas e anaeróbicas. A caracterização molecular desta atividade sugere que uma hidrolase serina é responsável pela degradação de PUR. A ampla distribuição da atividade observada e o caso sem precedentes de crescimento anaeróbio utilizando PUR como única fonte de carbono sugerem que endófitas são uma promissora fonte de biodiversidade de partida para o rastreio de propriedades metabólicas úteis para a biorremediação.”Nosso mar de plástico na natureza precisa ser, urgentemente, degradado e, esta pesquisa é uma das alternativas interessantes que surgiram.

foto: radicalmycology
Veja no vídeo abaixo, um trabalho de estudantes da Universidade Autônoma de Puebla, no México, que também estão estudando a aplicação prática deste fungo.
sábado, 2 de março de 2019
Só se houver dinheiro a ganhar a caminho do Céu....
Até já ouço falar de ultraliberalismo e dopagem social.....
e que querem novamente nuvens em forma de cogumelo e radioactividade como única via energética…
luta pelos teus direitos a uma saúde ambiental, energias limpas e água pura!
Touch teach
Teach touch
Ultraliberalismo, fase superior do neoliberalismo
Touch teach
Teach touch
Ultraliberalismo, fase superior do neoliberalismo
Ao passar pela estruturação da monopolização/financeirização, o desemprego estrutural, as crises das representações políticas (que ainda segue em curso) e a crise ambiental (crise qual, que aparentemente as atuais grandes lideranças do planeta insistem em jogar para debaixo do tapete), o Capital inaugura a sua nova fase de evolução. Uma evolução ainda mais predatória e que joga no lixo um pacto (de democracia rebaixada), pós Segunda Guerra Mundial e o fim do Bloco Soviético.
Em 2008, o planeta observou assustado uma “crise de novo tipo do sistema capitalista mundial”. Uma crise estrutural e global, que se manifestou de forma naturalmente desigual, mas que se combinou, entrelaçando todo o sistema mundial de produção de mercadorias.
Os sintomas dessa crise começaram a se apresentar em algumas décadas anteriores e, da periferia mundial, desenvolveu-se em direção ao centro do capitalismo mundial. Suas causas principais localizaram-se no prolongado processo de acumulação de capital combinado com a elevação progressiva da potência científica e tecnológica dos meios de produção, isso multiplicada, sobretudo, após a revolução científica e tecnológica que se expressou na explosão da informática, da química fina, da robótica e, hoje, chega ao ponto da inteligência artificial.
O que aconteceu foi, que uma parcela cada vez maior do capital acumulado foi se deslocando para a especulação financeira, convertendo-se em capital fictício, já que não poderia ser reinvestida diretamente no sistema produtivo, sob pena de levar ao colapso o sistema de produção de mercadorias. Assim, duas marcas preponderantes do capital monopolizado e financeirizado eclodiram muito mais do que bolhas ou desequilíbrio conjuntural, lançando assim, a humanidade numa crise de proporções similares a de 1929.
Essa crise foi um processo continuado que vem desde meados da década de 1970, transformaram-se em elementos estruturais de uma crise potencial de superprodução permanente e de exclusão continuada da força de trabalho humano do processo de produção. Inúmeros elementos construíam uma “débâcle” acentuada da economia mundial, entre as quais o altíssimo nível de desemprego nos países desenvolvidos, os crescentes déficits orçamentários, a crise das “pontocom”, as crises da Rússia, México, Argentina e Tigres asiáticos, dentre tantos exemplos.
O fundamental é que cada nova tentativa das classes dominantes demandou enormes esforços, desgastes políticos, queimas fabulosas de capital, alcançando somente alívios efêmeros, aos quais se seguiram o retorno dos sintomas e de um quadro geral ainda mais agravado.
Então, se o Capital vive um processo de crise continuada que vem desde antes da última crise (2008) e, as crises econômicas do capitalismo estouram em tempo cada mais fugazes, não é tão difícil aqui anunciar, que a próxima crise de superprodução que bate em nossa porta terá efeitos devastadores.
A crise ambiental é outro enorme impasse do capitalismo. A escassez de energia, água potável, terras cultiváveis e todo tipo de recursos naturais renováveis se soma às mudanças climáticas e aos impactos imprevisíveis da acelerada extinção de grande número de animais e de vegetais responsáveis pela manutenção de elos preciosos da cadeia alimentar. A conta é fácil, se as crises são de superprodução, quanto mais produção, mais matéria prima.
A depredação do meio ambiente também reflete a divisão internacional do trabalho, com a exportação para o terceiro mundo das indústrias intensivas em consumo energético e de materiais, bem como emissoras de grandes volumes de poluentes. Esse processo possibilita uma compatibilização da agenda ambiental com a dinâmica do desenvolvimento do capitalismo nos países centrais, cujo crescimento econômico é cada vez mais alicerçado na tecnologia da informação, nos serviços financeiros e na pesquisa científica, com a consequente desmaterialização da produção. Aos países periféricos ou emergentes cabe a produção industrial pesada e altamente poluente. Essa dinâmica revela a total incompatibilidade entre qualquer agenda ambiental séria e o ciclo de desenvolvimento nos países periféricos.
Outro grave elemento da crise estrutural de novo tipo do sistema capitalista” é a erosão da credibilidade e da legitimidade social das instituições de representação política e organização da vida comunitária que compõem o Estado moderno. Nas últimas décadas, governos aumentaram crescentemente e regressivamente a arrecadação de impostos para cumprir seus compromissos com os grandes capitalistas, enquanto buscaram todas as formas possíveis para se desonerar dos compromissos com a maioria da população. Os países (principalmente da Europa) assumem cada vez mais o seu papel de sustentáculo, inclusive financeiro, das grandes corporações.
O porquê nessa nova fase
Hoje o Capital inaugura uma nova fase. Quatro elementos impulsionaram essa nova dinâmica, o primeiro elemento é o que foi colocado até agora, o Capital vive uma crise permanente e continuada com tempos cada vez mais fugazes de estouro, ou seja, a lei da sobrevivência e de adaptação para a perpetuação do Capital impulsionou o nascer dessa nova fase.
O segundo elemento é que o Neoliberalismo tinha como tarefa central, organizar um mundo pós fim do Bloco Soviético (polarizado entre duas forças = Capital vs Socialismo Real e aliados) e, essa missão foi executada. O problema é que com o passar do tempo, esse programa foi se sucateando e se tornando incapaz de organizar o globo.
O terceiro elemento é que os direitos sociais, individuais e trabalhistas conquistados em grandes lutas, inclusive em guerras, no século passado se tornaram um ponto de estagnação para o lucro do Capital.
O quarto elemento é oriundo da crise ambiental mais a revolução tecnocientífica que não para de avançar.
A outra fase do Capital
Dentro desse cenário, não restou ao capitalismo outra alternativa. Para sobreviver as suas próprias contradições, o caminho foi se lançar em grandes conflitos, já que, terão que mais uma vez colocar nas costas dos trabalhadores e do planeta a permanência do sistema e suas sangrias por lucro.
Pós-crise de 2008, as forças dominantes se lançaram numa busca de utilizarem, ainda mais, o estado (países) como financiadores e avalistas de suas ações. É desse fenômeno que nasce a ascensão conservadora pelo globo. A eleição de Trump, Bolsonaro, Macron entre outros, tem um grande objetivo, e ele, é o de aperfeiçoar ainda mais o modelo de exploração e opressão na força de trabalho, além de montar uma espécie de “Internacional Conservadora”, para avançar em países dirigidos por forças progressistas e trocar seus governos, para que os mesmos, se insiram num processo de aprofundamento de subserviência e entrega de fontes de riqueza. Não é à toa a tentativa de golpe na Venezuela que tem uma das maiores fontes de petróleo e ouro do planeta e, muito menos, foi um mero à caso golpe de estado em 2016 no Brasil, que para além de ser um país importante geopoliticamente para a entrada deles na América Latina, é também um país de grandes e quase inesgotáveis fontes de matéria prima, além de ser um laboratório de teste dessa nova modalidade do capital. No Brasil ainda veremos os reflexos da Reforma Trabalhista e da venda do patrimônio nacional, mas o que já está claro, é que com a entrada de Bolsonaro todos os aparelhos de estado entraram em conflito para parir novas ou manter as antigas hegemonias.
A briga entre setores religiosos por tamanho social, entre os grandes conglomerados da comunicação em cada país, de setores opostos no judiciário e legislativos locais é só um dos sintomas de que a disputa pela hegemonia está aberta, mas como o Capital chega em nova fase, a menos espaços para divisão do poder que chegará a níveis cada vez mais concentrados, assim como chegou a riqueza, onde 1% da população global tem 82% de toda a riqueza produzida pela humanidade.
O discurso de valores, tem como objetivo, adestrar o povo, ou minimizar o impacto dos grandes conflitos que essa nova fase do capital irá mexer. A perca de direitos trabalhistas, um exército de desempregados, a entrega das matérias primas e fonte de riquezas e o estado como protagonista das novas formas mais violentas de exploração, não será algo fácil de entregar, a não ser, se os povos não observarem esse fenômeno, o que terá como consequência da cegueira proposital, os saques sem saber que estão sendo saqueados.
Observem que na França, um presidente Neoliberal como Macron, recebe resistência tanto do lado das forças progressistas, quanto das forças ultraconservadoras e, isso, é natural, pois um dos efeitos dessa nova fase do capitalismo é exterminar vias intermediarias de forma natural, já que para seu processo de dominação total, eles terão que derrotar a polarização e os campos das esquerdas são mais forte e orgânicos do que terceiras vias.
Por fim, a revolução tecnocientífica pariu no planeta as Fabricas 4.0 e a inteligência artificial nos postos de trabalho, isso, tem como consequência o fim de alguns tipos de trabalho e o lucro em seu estágio mais avançado, já que, a robotização e as impressoras 3D geraram desemprego estrutural por todo o planeta. Esse impasse do Capital ainda não há solução, já que com desemprego, não haverá salário e, sem salário não há compra do produto, ou seja, como se escoará a produção.
É falsa a tese que precisará de mão de obra humana para fazer os robôs e as impressoras, pois as mesmas, vão precisar de robôs e impressoras para serem feitas. O que há de novo, é que operário fabril (no modelo clássico) não é mais a maior parte da classe trabalhadora, mas sim, operário do serviço e sobre essa constatação quero dizer aqui duas coisas: a primeira é que é natural, pois a sociedade moderna pariu novos tipos de trabalho reféns do avanço tecnológicos e, esses trabalhadores, hoje estão no maior nível de exploração, assim como o operário clássico das primeiras revoluções industriais e, em segundo, assim como eles em algum momento eles descobriram formas de se organizar para lutar contra a opressão e a exploração, assim como, esses novos trabalhadores faram, a diferença não estará na luta, e sim, na questão da evolução humana, já que a evolução tecnocientífica nos liberta cada vez mais do trabalho braçal, ou seja, das jornadas de trabalho.
Pedro del Castro é assessor da Liderança do PT no Senado
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sexta-feira, 1 de março de 2019
21 horas: uma semana de trabalho mais curta para prosperar no século 21
Porque uma semana de trabalho menor pode ajudar todos nós a prosperar no século XXI
O Decrescimento-Brasil apresenta a tradução para o português do documento “21 hours: Why a shorter working week can help us all to flourish in the 21st century” originalmente elaborado pela new economic foudation – nef. Objetivamos com isto tornar disponível aos brasileiros parte do debate contemporâneo sobre a redução da jornada de trabalho que tem ido para além das questões trabalhistas históricas. Novos elementos têm sido incorporados nesse debate colocando-se o tempo consumido pelo trabalho numa relação direta e causal da insustentabilidade socioambiental das sociedades humanas. Deste modo, para a construção de uma sociedade em que a sustentabilidade seja um princípio, a relação entre ser humano e trabalho deve ser transformada sendo a redução da jornada de trabalho um aspecto fundamental a ser considerado.
Esta publicação considera que uma semana de trabalho "normal" de 21 horas poderá ajudar a resolver uma série de problemas urgentes e relacionados entre sí como: excesso de trabalho, desemprego, consumo excessivo, altas emissões de carbono na atmosfera, baixo bem-estar, desigualdades sociais, falta de tempo para viver de forma sustentável, para as pessoas cuidarem uma das outras ou simplesmente para desfrutar a vida.
Sumário Executivo
Este relatório apresenta os argumentos para uma semana de trabalho muito menor, propondo uma mudança radical no que é considerado “normal” – baixar das 40 horas semanais, ou mais, para 21 horas semanais. Embora as pessoas possam optar por trabalhar mais ou menos horas, propomos que uma semana de trabalho de 21 horas - ou o seu equivalente ao longo do ano - deve se tornar o padrão geralmente esperado pelo governo, empregadores, sindicatos, trabalhadores e todos os demais.
A visão
Avançar rumo a uma jornada de trabalho remunerado muito menor oferece uma nova rota de saída para múltiplas crises enfrentadas atualmente. Muitos de nós consumimos além de nossas capacidades econômicas e bem além dos limites do ambiente natural- e ainda assim não conseguimos melhorar o nosso bem-estar-, enquanto tantos outros sofrem com a pobreza e a fome. A continuação do crescimento econômico nos países ricos1 tornará impossível alcançar as urgentes metas de redução de emissão de carbono. As desigualdades crescentes, a economia global em declínio, o esgotamento crítico dos recursos naturais e a aceleração das mudanças climáticas representam sérias ameaças ao futuro da civilização humana. Uma semana de trabalho “normal” de 21 horas poderia ajudar a solucionar uma série de problemas urgentes e interligados, tais como: excesso de trabalho, desemprego, consumismo, elevadas emissões de carbono, bem-estar reduzido, desigualdades, falta de tempo para viver de forma sustentável e para cuidar de si e dos outros ou simplesmente para aproveitar a vida.
21 horas como a nova “norma”
Vinte e uma horas é uma cifra que está próxima da média do que as pessoas em idade ativa na Grã Bretanha passam no trabalho remunerado e um pouco mais do que a média gasta no trabalho não-remunerado. Experimentos com horas de trabalho reduzidas sugerem que as mesmas podem ser populares onde as condições são estáveis e os salários favoráveis, e que um novo padrão de 21 horas semanais poderia ser consistente com a dinâmica de uma economia de baixo carbono.
Não há nada de natural ou inevitável no que é considerado “normal” hoje em dia. O tempo, assim como o trabalho, têm se tornado mercadorias – um recente legado do capitalismo industrial. No entanto, essa lógica da era industrial está fora de sintonia com as condições atuais onde as comunicações instantâneas e as tecnologias móveis trazem novos riscos e pressões, bem como oportunidades. O desafio é quebrar o poder desse velho relógio industrial, sem adicionar novas pressões, e libertar tempo para que se possa viver de forma sustentável. Para enfrentar esse desafio, devemos mudar a nossa forma de valorizar o trabalho remunerado e o não-remunerado. Por exemplo, se o tempo médio dedicado ao trabalho doméstico não-remunerado e ao o cuidado com as crianças na Grã Bretanha em 2005 fossem valorados com base no salário mínimo, os mesmos valeriam o equivalente a 21% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido.
Planeta, pessoas e mercados: razões para mudar
Uma semana de trabalho mais curta alteraria o ritmo de nossas vidas, remodelaria os nossos hábitos e convenções e alteraria profundamente a cultura dominante da sociedade ocidental. Os argumentos para uma semana de 21 horas recaem em três categorias, como reflexo de três “economias” interdependentes ou fontes de riqueza, derivadas das fontes naturais do planeta, dos recursos humanos e dos relacionamentos inerentes ao cotidiano de todos e dos mercados. Nossos argumentos são baseados na premissa de que precisamos reconhecer e valorizar essas três economias e garantir que as mesmas trabalhem juntas para uma justiça social sustentável.
Proteger os recursos naturais do planeta. Avançar rumo a uma semana de trabalho mais curta ajudaria a quebrar o ciclo de viver para trabalhar, trabalhar para ganhar e ganhar para consumir. As pessoas poderiam tornar-se menos apegadas ao consumo intensivo em carbono e mais apegadas aos relacionamentos, aos hobbies e aos locais que absorvam menos dinheiro e mais tempo. Isso ajudaria a sociedade a sobreviver sem um crescimento baseado tão intensivamente no carbono, a liberar tempo para as pessoas viverem de forma mais sustentável e reduzirem a emissão de gases do efeito estufa.
Justiça social e bem-estar para todos. Uma semana de trabalho “normal” de 21 horas poderia ajudar a distribuir o trabalho remunerado de forma mais homogênea entre a população, reduzindo o mal estar associado ao desemprego, às longas jornadas de trabalho e à falta de controle sobre o tempo. Também tornaria possível que o trabalho remunerado e o não-remunerado fossem distribuídos de forma mais equilibrada entre homens e mulheres; que os pais e mães pudessem passar mais tempo com os seus filhos e que esse tempo fosse despendido de forma diferente; que a pessoas pudessem retardar a sua aposentadoria, se assim quisessem, e que se tivesse mais tempo para cuidar dos outros, para participar de atividades locais e para desenvolver outras atividades de sua escolha. De forma crucial, isso permitiria que uma “economia humana” (core economy) prosperasse graças a um melhor e maior uso dos recursos humanos não mercantilizados na definição e na materialização das necessidades individuais e coletivas. Seria uma forma de liberar tempo para as pessoas agirem como parceiras, em pé de igualdade, de profissionais e servidores públicos, na co-produção do bem-estar.
Uma economia próspera e robusta. Um número reduzido de horas de trabalho poderia ajudar a economia a adaptar-se às necessidades da sociedade e do meio ambiente, ao invés da sociedade e do meio ambiente se subjugarem às necessidades da economia. O mundo dos negócios se beneficiaria com a entrada de mais mulheres no mundo do trabalho; com o fato dos homens poderem levar vidas mais completas e equilibradas; e com a redução do estresse no ambiente de trabalho proveniente do malabarismo de conciliar trabalho remunerado com os afazeres do lar. Também poderia ajudar a pôr fim ao modelo de crescimento baseado no crédito, desenvolver uma economia mais elástica e adaptável, assim como salvaguardar recursos públicos para investimentos em uma estratégia industrial de baixo carbono e outras medidas de suporte para uma economia sustentável.
Problemas da transição
Obviamente, avançar da situação atual para esse cenário futuro não será uma tarefa simples. A mudança proposta para as 21 horas precisa ser vista em termos de uma ampla e gradual transição para a sustentabilidade social, econômica e ambiental. Entre os problemas que podem surgir no decorrer desta transição estão o risco do aumento da pobreza resultante da redução do poder aquisitivo daqueles com salários baixos; poucas novas vagas de emprego, já que as pessoas que já possuem emprego aceitariam fazer mais horas extras; uma resistência dos empregadores devido ao aumento dos custos e da falta de empregados qualificados; resistência dos trabalhadores e sindicatos devido ao impacto sobre os salários em todos os níveis de renda; e do surgimento de uma oposição política mais geral como, por exemplo, de movimentos para impor a redução de horas.
Condições necessárias para abordar os problemas da transição.
O nef (the new economics foundation) está iniciando o trabalho para desenvolver um novo modelo econômico que irá ajudar a projetar uma economia em “condição estável” (steady-state) e abordar os problemas da transição para 21 horas. Ainda há muito trabalho a ser feito e as sugestões contidas neste relatório são mais para estimular o debate e a reflexão do que para oferecer soluções definitivas. As sugestões centram- se em alcançar a redução de horas de trabalho, garantir uma renda justa para todos, melhorar as relações de gênero e a qualidade de vida da família e mudar normas e expectativas.
Alcançando a redução de horas de trabalho. As condições necessárias para a redução bem sucedida do número de horas de trabalho remunerado incluem: reduzir gradualmente o número de horas de trabalho ao longo dos anos em consonância com incrementos salariais anuais; alterar a forma como o trabalho é gerenciado de forma a desencorajar horas extras; capacitar profissionais para combater a falta de pessoal qualificado e para ajudar que os desempregados por muito tempo possam voltar a fazer parte do mercado de trabalho; gerenciar o custo dos empregadores de forma a recompensar ao invés de penalizar a contratação de pessoal extra; assegurar uma distribuição mais estável e igualitária da renda; introduzir normas para padronizar as horas de trabalho, mas que também sejam flexíveis para atender às necessidades dos trabalhadores tais como a partilha de trabalho e prolongamento das licenças maternidade e sabáticas; e oferecer uma maior e melhor proteção aos trabalhadores autônomos contra os efeitos da baixa remuneração, longas jornadas de trabalho e inseguridade.
Assegurar um salário justo. Entre as opções para lidar com os impactos de uma semana de trabalho mais curta se incluem uma redistribuição de renda e riqueza através de uma taxação mais progressiva, aumento do salário mínimo, uma radical reestruturação dos benefícios do Estado, um mercado de carbono desenhado para redistribuir renda para as famílias pobres, serviços públicos mais amplos e melhores e incentivos às atividades e ao consumo não mercantilizáveis.
Melhorar as relações de género e a qualidade de vida da família. Medidas para assegurar que a mudança para 21 horas tenha um impacto positivo ao invés de negativo nas relações de gênero e na vida da família incluem: flexibilidade nas condições de trabalho que encorajem uma distribuição de trabalho não- remunerado de forma mais igualitária entre homens e mulheres; creches de alta qualidade e que atendam a todos nos seus horários de trabalho remunerado; mais divisão de trabalho e limites de horas extras; aposentadoria flexível; medidas mais firmes que imponham a igualdade salarial e de oportunidades; mais empregos para homens em creches e como professores em escolas do ensino fundamental; mais creches, tempo de lazer e serviços de cuidado de adultos usando modelos produzidos de forma conjunta no seu desenho e execução; e maiores oportunidades para ação local de modo que se possam construir bairros no qual todos se sintam seguros e felizes.
Mudança de normas e expectativas. Há muitos exemplos de normas sociais aparentemente intratáveis, mas que mudaram muito rapidamente – por exemplo, atitudes relacionadas ao tráfico de escravos, o voto feminino, a utilização do cinto de segurança e do capacete e a proibição de fumar em locais públicos. A opinião pública pode mudar rapidamente da aversão para a aprovação como resultado da exposição de novas evidências, fortes campanhas e mudanças de contextos, incluindo um senso de crise. Há alguns sinais de que condições favoráveis começam a emergir para uma mudança de expectativa sobre o que seria uma semana “normal” de trabalho. Outras mudanças que poderiam auxiliar incluem construir uma cultura mais igualitária, aumentar a consciência sobre o valor do trabalho não-remunerado, apoio do governo para atividades não mercantilizáveis e debates nacionais sobre como usamos, valorizamos e distribuímos nosso trabalho e nosso tempo.
Nós estamos no começo do debate nacional. O próximo passo é fazer um exame minucioso dos benefícios, desafios, barreiras e oportunidades associadas com a mudança para uma semana de 21 horas no primeiro trimestre do século vinte e um. Isto deveria ser parte da Grande Transição para um futuro sustentável.
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