sábado, 16 de janeiro de 2016
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
A Desumanização - por Valter Hugo Mãe interpretado por Márcia, Camané e Dead Combo
No filme, sete compositores foram convidados para elaborar temas que reflitam as mundividências de cada um dos sete personagens, para que funcione ao longo do documentário como uma espécie de coro de tragédia grega que faz progredir a narrativa. Todos os temas partem das entrevistas preparatórias que o realizador fez a cada um dos personagens.
Para o escritor Valter Hugo Mãe e o seu poema “Contabilidade”, Márcia, autora do álbum “Casulo", foi convidada para construir um tema com uma melodia cuidadosamente preparada e interpretada pelos Dead Combo, banda formada por Pedro Gonçalves e Tó Trips, conhecidos sobretudo pelas suas músicas que misturam influências do fado e do rock, trilhas sonoras de westerns e temas regionais da América do Sul e África. A Márcia e aos Dead Combo junta-se também o fadista Camané, uma das principais vozes do fado em Portugal.
POEMA CONTABILIDADE
venho para te cortar os
dedos em moedas pequenas e
com elas pagar ao coração o
mal que me fizeste
*
o pior amor é este, o que já é
feito de ódio também. o pior amor
é este, o que já é feito de ódio também,
o pior é o amor é este, o que
já é feito de ódio também
Valter Hugo Mãe
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Valter Hugo Mãe
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Entrevista a José Rodrigues - A escola e a condição humana: O «Pulso ainda pulsa»
Uma entrevista ao intelectual José Rodrigues, sobre o polémico tema dos exames:
Toda a entrevista aqui
Solid. Os alunos devem ser avaliados? Como?
«Sim, sem dúvida, estudantes devem ser avaliados. Há, pelo menos, dois grandes campos de argumentos favoráveis. Em primeiro lugar, é muito difícil (quiçá impossível) aperfeiçoar o próprio trabalho docente, que deve visar a aprendizagem dos estudantes, obviamente, sem averiguar como estes estão evoluindo na construção do saber. Em segundo lugar, o próprio estudante tem o direito de saber, de forma mais ou menos objetiva, portanto, a partir de um outro que já domina aquele saber, o seu próprio estágio de desenvolvimento. É claro que o próprio curso do desenvolvimento do saber não é linear e nem sempre objetivável. Mas mesmo assim, vale o esforço da avaliação.
Contudo, cabe uma pergunta: qual avaliação, qual avaliador? Nesse sentido, há um aspecto específico sobre a avaliação que precisa ser melhor analisado: o triplo caráter nacional/larga escala-padronizado-externalizado de avaliação. Com relação a este caráter, não posso concordar. Também há aqui dois campos de argumentos, no caso, contrários à avaliação padronizada em nível nacional. Em primeiro lugar, é necessário questionar os agentes da avaliação, quais são os seus interesses, se são empresas privadas – as quais visam lucro. Além disso, caberia perguntar quem avalia o avaliador. Qual é o grau de controle social, especialmente dos docentes, de todo um país, sobre a finalidade, os objetivos, os métodos de avaliação? Como são escolhidos as entidades (empresas?) que planejarão e implementarão a avaliação? Qual é a composição de seu “quadro técnico”? Quanto custa a avaliação? Em segundo lugar, a utilização em larga escala de métodos padronizados de avaliação impactam diretamente os currículos escolares (no sentido mais amplo, mas também em sentido restrito) e, quase sempre, de forma negativa. É comum, nestas situações, as escolas e os docentes (re)planejarem o seu currículo de forma “interessada”. Ou seja, em vez de educar, treina-se o estudante para enfrentar os exames padronizados.
Enfim, avaliação sim, mas sob o controle dos professores, sem padronização imposta, e realizada em pequena escala, com o objetivo de contribuir para a construção do saber, incluindo aí o replanejamento do trabalho escolar, sem visar qualquer forma de hierarquização de estudantes ou de unidades escolares, muito menos que condicionem verbas, prêmios ou corte de verbas, punições aos resultados das avaliações.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Encontros Improváveis- Platão e Dave Gahan & Soulsavers - All of This and Nothing
"Music is a moral law. It gives soul to the universe, wings to the mind, flight to the imagination, and charm and gaiety to life and to everything" ~Plato
Nota: É uma citação inegavelmente bela e extraordinariamente popular, mas, para sermos totalmente francos, existe aqui uma reviravolta: Platão quase de certeza que nunca disse ou escreveu estas palavras. Embora soe exatamente ao tipo de reflexão poética que um filósofo da Grécia Antiga faria numa tarde ensolarada em Atenas, esta frase é uma criação moderna que acabou por lhe ser atribuída erradamente ao longo dos anos, espalhando-se pela internet e por cartazes motivacionais.
Na verdade, se Platão estivesse vivo hoje para ler esta citação, é muito provável que ficasse bastante surpreendido. A perspetiva real de Platão sobre a música, expressa em obras como A República, era consideravelmente mais rigorosa, política e regulada:
- Música como controlo do estado: Platão acreditava que a música exercia um poder enorme porque o ritmo e a harmonia penetravam profundamente na alma. Precisamente por isso, defendia que o Estado Ideal devia censurar rigorosamente a música.
- Escalas "boas" vs. "más": o filósofo favorecia modos musicais que inspiravam coragem, disciplina e ordem, enquanto argumentava a favor da proibição de modos que induzissem à tristeza, à preguiça ou a emoções caóticas.
- Função moral e não mero entretenimento: para Platão, a música não servia para dar "encanto e alegria à vida" pelo simples prazer pessoal, mas sim como uma ferramenta educacional concebida para cultivar a virtude moral e a harmonia civil nos cidadãos.
Portanto, enquanto a citação apócrifa apresenta a música como uma força libertadora e alegre para a imaginação, o verdadeiro Platão via-a como uma ferramenta de grande alcance que exigia uma vigilância apertada para não desestabilizar a sociedade. [Fonte]
A colaboração entre Dave Gahan e o projeto Soulsavers junta a voz marcante do vocalista britânico dos Depeche Mode à produção da dupla inglesa composta por Rich Machin e Ian Glover. Lançada em 2015 como o primeiro single do álbum Angels & Ghosts, a faixa All of This and Nothing representa a fusão refinada de identidades artísticas do Reino Unido. Em termos de estilo musical, a canção enquadra-se no rock alternativo de matiz cinematográfica, combinando elementos de blues, gospel, música gótica e darkwave. Diferente do som predominantemente sintético dos Depeche Mode, a sonoridade construída pelos Soulsavers privilegia instrumentações orgânicas e densas, onde violinos ascendentes, um baixo pulsar cadenciado, arranjos de guitarra intimistas e coros de inspiração gospel envolvem a tessitura grave e barítona de Gahan. O significado da canção gravita em torno do paradoxo da existência e da fragilidade humana. Liricamente, a expressão «tudo isto e nada» expressa a dualidade entre o absoluto e a insignificância do indivíduo perante o universo. O eu lírico apresenta-se simultaneamente como a poeira sob os pés e o sol que nasce, encarnando o cosmos e a mortalidade. O apelo constante para «sair da escuridão» (move in from the dark) atua como uma busca por redenção e renovação espiritual em resposta a fantasmas do passado e a tempestades interiores. Essa carga temática revela profundas influências literárias do Romantismo Negro, do existencialismo e do gnosticismo. Nota-se uma afinidade com a poesia de William Blake na articulação dos opostos (luz e sombra, o divino e o terreno) e com a tradição das tragédias existenciais, onde a sobrevivência física e espiritual - marcas da história de vida do próprio Dave Gahan - é retratada através de alegorias bíblicas e imagens da natureza. O videoclipe da canção, dirigido pelo coletivo artístico fourclops, destaca-se pelo seu conceito tecnológico e metafórico inovador. Criado especificamente para ser visualizado através do efeito de ilusão holográfica do fantasma de Pepper (utilizando uma pirâmide de plástico sobre o ecrã do smartphone), o teledisco exibe imagens em sobreposição: o rosto e o corpo de Dave Gahan, exames neurológicos de cérebros, metamorfoses biológicas, flores a desabrochar e dinâmicas cósmicas. O significado visual reflete a mensagem da própria canção - a projeção efémera da vida sobre a vacuidade do espaço, onde a consciência humana e a matéria biológica se entrelaçam antes de se dissolverem na escuridão.
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terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Video: Do Bean Plants Show Intelligence?
In this video, Pollan considers time-lapse videos of bean plants searching for a metal pole to climb. Even before the plants reach the pole, they seem to “know” where it is and to try to wrap around it. One plant even seems to cede a pole to another plant that found it first. Some question whether these videos show “plant intelligence,” but the footage is compelling, regardless.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Naomi Klein: "This Changes Everything" - Capitalism vs. The Climate (a must see and share)
- os melhores cientistas do planeta, usando os modelos mais avançados e a capacidade de processamento dos maiores supercomputadores, avisam que não é possível prever o que acontecerá no planeta se a subida de temperatura exceder os 2ºC acima dos níveis pré-industriais até 2100.
- os mesmos cientistas avisam que se não for feito nada a subida de temperatura situar-se-á entre 4 e 6ºC, ou seja o caos (ambiental e civilizacional) será inevitável
- para poder limitar a subida aos 2ºC (que muitos já acham demasiado) são precisas alterações drásticas que requerem uma cooperação mundial a níveis sem precedentes. Será preciso reduzir a zero as emissões de carbono em duas gerações, deixando no solo 1/3 das reservas conhecidas de petróleo, 1/2 das de gás natural e 80% do carvão.
- estas alterações são incompatíveis com o atual paradigma económico: a economia tinha que decrescer de forma contínua e substancial daqui até ao fim do século
- por esta razão, a França, que organiza a COP 21, já reconheceu que os contributos recebidos até agora não são suficientes para colocar o planeta na senda que leva aos 2ºC.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Como podemos pensar matematicamente? por Edigley Alexandre

Comecei a escrever um pequeno comentário na página do blog no Facebook, e depois de alguns minutos desisto, pois ele já se tornou um texto, e que merece ser atingido por mais leitores. Já tinha outro post pronto para publicar, mas resolvi compartilhar um texto da +EXAME.com, escrito pelo professor de Matemática Jordan Ellenberg.
O texto expressa de maneira profunda o meu pensamento matemático sobre as situações que nos cercam e nos envolvem mesmo que não notamos todos os dias. Infelizmente há aqueles que dirão: eu não vou para a guerra, meu pai não é dono de um banco, nunca serei um jogador de futebol, etc.
O pensamento matemático está ficando cada vez mais escasso entre nossos alunos. O nosso papel é tentar dar uma pequena contribuição e fazer com eles abram seus olhos para uma realidade fora do seu mundo também. Nós, professores, temos a capacidade de influenciar nossos alunos. Eles nos vêem como espelhos. É importante que a reflexão da nossa imagem seja copiada, modificada e aplicada para o bem futuro.
É uma tarefa muito difícil tentar extrair abstrações de adolescentes cujas prioridades estão invertidas. Até mesmo eles não se encontram mais. Mostrar o mundo sob outros olhares é desafiador, porém, não é impossível.
Sempre em minhas aulas, tento ao máximo que posso, não somente dar aulas teóricas, mas também inspirá-los de alguma forma. Seja indicando um livro, exibindo documentários sobre Matemática ou Astronomia no projetor, mostrar para que serve o que estão estudando, promover debates, etc. Parece uma ideia tão simples, e é, mas que gera debates incríveis. Gera perguntas mais incríveis ainda. Eu respondo as perguntas? Não. Transformo-as em pesquisas. Os resultados sempre são bons. O objetivo foi cumprido - inspirar.
E o retorno vem na nota no boletim? Não. Aparecerá no futuro. Aparecerá no pensamento crítico (e também matemático) que ele fará sobre as coisas que antes não enxergava. E isso pode VIRAR uma reação em cadeia.
Eu descobri que tenho uma aluna no 6º ano do Ensino Fundamental 2 que adora Astronomia. Um dia desses ela me enviou uma mensagem, discutindo sobre a descoberta de Exoplanetas. Eu fiquei bobo na hora, mas, com uma alegria imensa que não podia ser estampada em um sorriso. O sonho dela é explorar o espaço.
Por outro lado, me sinto impotente, pois não posso dar (nem o nosso país), uma oportunidade de crianças curiosas como estas, visitarem ou ter acesso a um planetário, visitar centros espaciais como a NASA, ver de perto um telescópio ou microscópio. São coisas simples, mas que fazem parte do sonho de uma criança. Alimentar sonhos sempre é um ótimo pensamento.
A nossa Pátria Educadora caminha a PASSOS de Tartaruga (desculpa Tartaruga, não quis ofendê-la), e sinceramente não vejo isso na prática nem daqui a 100 anos. Enquanto houver corrupção, tudo que imagino para a Educação e a Educação Matemática no nosso país não passam de utopias.
Já escrevi demais.
Tire um tempinho para ler o texto Uma defesa apaixonada do pensamento matemático, publicado na +EXAME.com em 18 de maio de 2015.
Jordan Ellenberg é matemático, com doutorado em Harvard, e professor na Universidade de Wisconsin, Madison. Já colaborou em inúmeros periódicos, entre os quais New York Times, Washington Post, Wall Street Journal e Boston Globe. Actualmente assina uma coluna na revista Slate chamada Do the Math.
Fonte: Edigley Alexandre
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Entrevista a Jane Goodall no filme "Human"
Jane Goodall, DBE, Ph.D. (Londres, 3 de Abril de 1934, de nome completo Valerie Jane Morris Goodall) é uma primatóloga, etóloga e antropóloga britânica.
Estudou a vida social e familiar dos chimpanzés (Pan troglodytes) em Gombe, Tanzânia, ao longo de 40 anos. Os seus estudos contribuíram para o avanço dos conhecimentos sobre a aprendizagem social, o raciocínio e a cultura dos chimpanzés selvagens.
É mensageira da paz das Nações Unidas, fundou o Jane Goodall Institute e é afiliada ao grupo defensor dos animais Humane Society of the United States. O seu trabalho é reconhecido e já foi homenageada em muitas ocasiões com honrarias académicas diversas e prémios científicos.
Toda a sua Biografia na Wikipedia (PT) e ainda mais detalhada Wiki (EN)
Todas as Postagens sobre Jane Goodall no Bioterra
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Na ponta do dedo, por Afonso Camões
Vão sair-nos caros os 2 mil milhões cortados à escola pública, nos últimos anos. E muito cara, também, a incapacidade dos nossos principais partidos em se entenderem sobre uma estratégia nacional para a educação e a inovação, os dois mais baratos investimentos em futuro.
A geração Google, que passa a maior parte do seu dia a comunicar e a interagir com o Mundo, encontra hoje na sua escola um modelo de desigualdades, não comunicativo, que fala muito e ouve pouco. E, no entanto, havemos de concordar que a educação é a pedra basilar da civilização, da competitividade e do sucesso. E que, com economia dentro, é nos domínios da educação e inovação que se disputam, cada vez mais, os campeonatos europeu e mundial entre povos.
Somos educados para acreditar no progresso permanente, num futuro melhor que todo o passado. Mas não é bem assim. E a história está pejada de casos de grandes retrocessos - até em potências consideradas imbatíveis, que entraram em declínio - a maior parte dos quais devido à cegueira de gerações de governantes que impediram ou asfixiaram a inovação. Exemplos?
Ainda Vasco da Gama não dobrara o Cabo das Tormentas e já a armada imperial chinesa andava pelas costas do Índico, carregando barcos quatro vezes maiores que a nossa nau São Gabriel. Em 1479, porém, a administração imperial, temerosa do crescente poder dos mercadores, queimou as cartas de navegação, proibiu o COMÉRCIO
externo, virou-se para a agricultura e construiu a grande muralha atrás da qual a China - que já inventara a bússola, o papel e a pólvora - se fechou ao Mundo durante séculos. Até há pouco.
Ainda que, nominalmente, a economia europeia seja maior que a dos Estados Unidos, as 10 maiores empresas do Mundo são americanas e quase todas na área da nova economia digital. Apple, Google e Microsoft são as três primeiras, Facebook e Amazon são a sexta e sétima.
Há 20 anos, sete das maiores empresas mundiais eram japonesas. Hoje não há nenhuma entre as primeiras 10. E das 100 empresas de criação recente, graças ao capital de risco orientado para a inovação, que superaram os mil milhões de euros de valor, 68 estão nos Estados Unidos, 25 na China e apenas oito na Europa.
Está em marcha uma grande revolução, a revolução digital, e a Europa a ficar para trás. E nós com ela. É uma revolução de magnitude comparável à Revolução Industrial. Mas revela um dado inquietante: a velocidade a que progride e a lentidão da Europa em acompanhá-la. E nós com ela... há quatro anos a desdenhar do Magalhães.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
WWF apresenta campanha publicitária ‘FEIO’
Anúncios provocadores chamam a atenção para o consumo sustentável de peixe e marisco na Europa
A WWF apresentou no dia 10 de Dezembro em Portugal a sua nova campanha publicitária internacional FEIO, desenvolvida pela agência J. Walter Thompson (Viena e Dusseldorf) que chama a atenção para os impactos ambientais e sociais do consumo de produtos do mar na Europa. As interdependências globais e as consequências da sobre pesca na vida das pessoas nos países em desenvolvimento são o coração desta campanha que foi adaptada para Portugal pela agência Ogilvy &Mather.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Educar contra o preconceito orgulhoso
Sou dos que acham que o professorado deve ser e funcionar como uma espécie de reserva moral cívica e um exemplo para os seus alunos- Paulo Guinote
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| Hula hoops- circa 1950 |
Em todas as gerações há quem se queixe contra o grau imenso de ignorância dos seus tempos. Essa atitude está certa e errada, em simultâneo. Porque é verdade que a ignorância e outros fenómenos equivalentes tendem a aumentar, mas é mentira no sentido em que a ignorância e a estupidez são infinitamente renováveis e acontecem em todas as gerações, bem como as boas vontades e a solidariedade humana. Porque os “bons velhos tempos” apenas o foram porque se era mais NOVO
e não necessariamente porque tudo fosse melhor.
Nas últimas semanas temos sido presenteados de um modo generoso com quantidades absolutamente polifémicas de preconceitos gritados vocalmente ou com muitas maiúsculas nas redes sociais em relação a duas situações: os refugiados — eufemisticamente “migrantes” — do Médio Oriente e o chamado “momento político”.
De modos diferentes, mas com alguma coincidência dos produtores desse discurso, quantas vezes com origem em sectores da sociedade que alegam professar credos de caridade humanitária, viu-se até que ponto a mesquinhez humana pode atingir píncaros de sobranceria preconceituosa. Numa manhã da semana que passou, pelas 8h30, numa rádio que até é pública, uma personalidade radialista e televisiva de notoriedade mediana na melhor das hipóteses insurgia-se em rubrica pretensamente cómica e bem pensante contra o facto de um jornal ter feito um título com referência ao facto de António ter chamado ao Governo “uma cega e um cigano”. E rematou dizendo— e PASSO
a citar com aproximação muito razoável na ausência depodcast — que parecia um título feito “por um taxista”. Aparentemente, só ao verbalizar o que escrevera é que percebeu que era igual ao que criticava e tentou remediar tardiamente a situação, o que demonstrou até que ponto não era um exercício de humor seco muito britânico.
E é aqui que entra o papel da Educação, familiar, claro, mas também escolar. Porque, quando tudo o mais falha, a Escola com Maiúscula deve tornar-se um espaço não de doutrinação confessional ou política, mas certamente de apresentação de alternativas para o comportamento cívico dos futuros cidadãos. Confesso que me apetecia escrever isto de forma mais curta e directa, mas estou a tentar exercitar alguma contenção na adjectivação. E não me venham com a bizantinice de distinguir “ensino” de “educação” nestes casos.
A Escola, enquanto serviço público universal e onde se podem e devem cruzar todas as tonalidades e pensamentos, deve ensinar a conviver em sociedade e a basear as convicções em argumentos válidos e em demonstrações que ultrapassem a ansiedade de um candidato a assessor ministerial (estão a ver um preconceito orgulhoso em prática?) ou a fúria de uma criatura que ontem desancava os sem-abrigo como inúteis e os beneficiários dos rendimentos sociais como parasitas que só dão “despesa”, como hoje desanca os “refugiados estrangeiros” que podem vir para Portugal (atenção, nem sabem se já algum efectivamente chegou) beneficiar daquilo que dizem ser negado àqueles portugueses que antes consideravam não ter rendimentos por não quererem trabalhar.
Ao contrário do que se diz, não é um fenómeno nascido nas redes sociais, em blogues ou em caixas de comentários de jornais, é um atavismo que se vai mantendo e que, pela forma intensa e ácida como se manifesta nestes períodos, revela o ponto em que a nossa Educação mais terá falhado, ou seja, a capacidade para ajudar a população a ultrapassar os seus instintos mais básicos de preconceito social e xenofobia. Um ser humano a fugir da guerra é apresentado como alguém que vem “roubar” os nossos recursos e a sua bondade é definida com base na sua posição em relação a uma fronteira.
E, mesmo sabendo que entre os professores há gente de todo o tipo, sendo um caldeirão de tudo o que a sociedade tem de bom e mau, fico com aquele travo de desgosto quando vejo quem tem o ofício de ensinar, educar, instruir, o que quer que seja, mas que sabemos bem o que deve ser, a destilar ódios e etno ou sociofobias variadas, equivalentes no seu radicalismo ao multiculturalismo destemperado e relativista de uma outra trincheira. Que não é oposta, mas apenas a continuação da soberba preconceituosa a que a Educação não conseguiu transmitir um mínimo de humanidade – cuja carência se nota mais em tempos magros, de necessidade de partilha e de solidariedade.
Mesmo sendo uma minoria que assim age, não deixa de ser algo frustrante. Porque sou dos que acham que o professorado deve ser e funcionar como uma espécie de reserva moral cívica e um exemplo para os seus alunos. Mesmo com todas as suas imperfeições.
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domingo, 3 de janeiro de 2016
COP 21 / CMP 11 – Paris, França (2015)
A COP 21, realizada em Paris entre 30 de novembro de 2015 e 12 de dezembro de 2015, cumpriu seu objetivo principal de aprovar o Acordo de Paris, onde ficou estabelecido que o aquecimento global deveria ser contido abaixo de 2 ºC, preferencialmente em 1,5 ºC. Contudo, embora muito louvado como um avanço importante,[9][10] o Acordo foi também intensamente criticado por ser pouco ambicioso, deixando ao critério dos países quais seriam suas metas de emissão, por não ser muito claro a respeito dos meios de financiamento, por não redefinir mecanismos de mitigação e adaptação que já se provaram pouco eficientes, e por não penalizar o descumprimento das metas.[11][12][13][14] É um consenso entre os cientistas que as metas voluntárias fixadas não serão capazes de conter o aquecimento no nível pretendido.[15]
Saiba mais sobre a COP 21
- Hotsite COP 21
- IISD REPORTING SERVICES. Summary of The Geneva Climate Change Conference: 8-13 February 2015. Earth Negotiations Bulletin. Geneva, v. 12, n. 626, 2015.
- IISD REPORTING SERVICES. Summary of The Bonn Climate Change Conference: 31 August – 4 September 2015. Earth Negotiations Bulletin. Bonn, v. 12, n. 644, 2015.
- FCCC. Aprobación del Acuerdo de París. Paris: FCCC/CP, 2015.
- IISD REPORTING SERVICES. Summary of The Paris Climate Change Conference: 29 November – 13 December 2015. Earth Negotiations Bulletin. Paris, v. 12, n. 663, 2015.
Joaquim Pessoa- Viver é...
Viver é...
Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas.
Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'
Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas.
Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'
sábado, 2 de janeiro de 2016
Música do Bioterra: Ana Moura - Creio
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