segunda-feira, 2 de novembro de 2026

A crise do socialismo e a crise da democracia social-democrata em Portugal: "Ninguém vai para a rua apanhar pancada"

Fonte - Público
A sondagem (Pitagórica), revela o apoio massivo à causa (69%) e às manifestações (74%), apenas discordando do recurso a tendas (60%) [Fonte] Além disso este levantamento mostra também que a intervenção policial para retirar as tendas dos manifestantes no Porto recebeu mais avaliações negativas do que positivas.

A crise do socialismo e da social-democracia em Portugal

O PS em Portugal é um rebento genético e ideológico do SPD alemão. Quando o PS português foi fundado, em 1973 na Alemanha, inspirou-se fortemente no modelo do SPD alemão que o financiou durante muitos anos. São partidos muito próximos e entraram juntos na ‘Terceira Via’ pelas mãos de Schröder e Guterres. Por isso é muito interessante ver o que o SPD alemão está, neste momento, a fazer no meio da crise da habitação que se vive também em Berlim (por sinal, muito menos grave do que a de Lisboa ou do Porto).

Depois do Die Linke (partido da esquerda socialista) ganhar as eleições na cidade de Berlim, no mês passado, o governo federal com os ‘socialistas’ do SPD, decidiu avançar e acelerar uma lei federal para travar e impossibilitar o plano municipal do Die Linke que tem no seu programa a socialização de casas de grandes fundos imobiliários (devidamente indemnizados). Isto, apesar da Constituição da Alemã, o Grundgesetz, prever expressamente a socialização do solo e de imóveis e a sua entrada na esfera pública.

E porque é que os ‘socialistas’ do SPD querem a toda a velocidade avançar com a nova lei e travar a socialização de solos e de imóveis?

Porque não querem que o município gerido pelo Die Linke exproprie e compre para a cidade de Berlim parte dos apartamentos geridos por grandes empresas e fundos imobiliários privados. O objetivo da medida do Die Linke é transferir cerca de 200.000 a 240.000 habitações para o controlo público e baixar os preços das rendas na capital alemã. Os alvos principais são 12 grandes fundos imobiliários na capital alemã e a medida apoia-se num referendo popular de 2021. O plano visa só fundos imobiliários proprietárias com mais de 3.000 habitações na capital alemã, só o excedente seria municipalizado. Mas o SPD, padrinho do PS, é contra e vai, juntamente com a CDU do chanceler Merz, em grande coligação, impedir que a crise da habitação se resolva em Berlim pelo modelo austríaco de Viena (cidade considerada como tendo a melhor qualidade de vida da Europa e onde não há gentrificação nem crise na habitação porque 60% do parque habitacional pertence ao município e a cooperativas públicas).

Ironicamente na habitação a confortável situação actual de Viena vem da época - entre 1919 e 1934 - em que foi governada pelos socialistas do SPÖ, antes de se afastarem formalmente do marxismo em 1958 e de aceitarem as premissas do neoliberalismo nos anos zero (à semelhança do SPD alemão com o seu programa de Bad Godesberg de 1959). Na habitação a cidade de Viena preservou ao longo de um século os bons princípios da igualdade e solidariedade.

E se nos lembrarmos da alienação do património de Lisboa, realizado pelo António Costa e o Medina, venderam terrenos, palacetes, prédios. Muitos dos prédios da minha rua foram vendidos a privados com despejos e hoje estão ali ao abandono. É a política desta gente igual ao SPD.

Estudo
Recordatória
  1. Teto de 16 mil euros para carros elétricos e a crise da habitação: apoio real ou desconexão da poupança familiar?
  2. Chamada europeia: 3 soluções para o clima e o emprego (junho de 2020)
  3. COP 26: Esta ecoansiedade não é (só) para novos (novembro de 2021)

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