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| The Chevron Richmond Refinery in this view from Point Richmond, Calif. |
A empresa de investigação Zero Carbon Analytics contabiliza 68 ações judiciais intentadas a nível mundial sobre danos causados pelas alterações climáticas, com mais de metade a decorrer nos Estados Unidos.
WASHINGTON (AP) — As maiores corporações do mundo causaram 28 biliões de dólares (28 trillion USD) em danos climáticos, estima um novo estudo integrado num esforço para facilitar que cidadãos e governos responsabilizem financeiramente estas empresas, tal como aconteceu com as gigantes do tabaco.
Uma equipa de investigação do Dartmouth College estimou a poluição causada por 111 empresas, sendo que mais de metade do valor total provém de 10 fornecedores de combustíveis fósseis: Saudi Aramco, Gazprom, Chevron, ExxonMobil, BP, Shell, National Iranian Oil Co., Pemex, Coal India e a British Coal Corporation.
Para efeitos de comparação, 28 biliões de dólares é um valor ligeiramente inferior à soma de todos os bens e serviços produzidos nos Estados Unidos no ano passado.
No topo da lista, a Saudi Aramco e a Gazprom causaram, cada uma, um pouco mais de 2 biliões de dólares em danos associados ao calor ao longo das décadas, calculou a equipa num estudo publicado esta quarta-feira na revista Nature. Os investigadores concluíram que cada 1% de gases com efeito de estufa lançado para a atmosfera desde 1990 causou 502 mil milhões de dólares em danos resultantes apenas do calor - o que não inclui os custos decorrentes de outros eventos meteorológicos extremos, como furacões, secas e inundações.
Fala-se frequentemente em fazer com que os poluidores paguem, existindo ocasiões em que são levados a tribunal ou em que são aprovadas leis para tentar conter a sua atividade.
O estudo é uma tentativa de determinar «as ligações causais que servem de base a muitas destas teorias de responsabilização», afirmou o autor principal, Christopher Callahan, que realizou o trabalho em Dartmouth e é agora cientista de sistemas terrestres na Universidade de Stanford. A empresa de investigação Zero Carbon Analytics contabiliza 68 ações judiciais intentadas a nível mundial sobre danos causados pelas alterações climáticas, com mais de metade a decorrer nos Estados Unidos.
«Todos estão a fazer a mesma pergunta: O que podemos nós realmente alegar relativamente a quem causou isto?», disse o cientista climático de Dartmouth e coautor do estudo, Justin Mankin. «E isso resume-se verdadeiramente a uma questão termodinâmica: conseguimos rastrear os perigos climáticos e/ou os seus danos até emissores específicos?»
A resposta é sim, afirmaram Callahan e Mankin.
Os investigadores começaram pelas emissões finais conhecidas dos produtos — como a gasolina ou a eletricidade proveniente de centrais a carvão - produzidos pelas 111 maiores empresas do setor do carbono, recuando até 137 anos, uma vez que esse é o limite histórico dos dados de emissões disponíveis para qualquer uma destas empresas e o dióxido de carbono permanece no ar durante muito mais tempo. Utilizaram 1000 simulações computacionais diferentes para traduzir essas emissões em alterações na temperatura média global da superfície da Terra, comparando-a com um mundo sem as emissões de cada empresa.
Utilizando esta abordagem, determinaram que a poluição provocada pela Chevron, por exemplo, aumentou a temperatura da Terra em 0,045 graus Fahrenheit (0,025 graus Celsius).
Os investigadores também calcularam quanto é que a poluição de cada empresa contribuiu para os cinco dias mais quentes do ano, utilizando mais 80 simulações computacionais e aplicando depois uma fórmula que relaciona a intensidade do calor extremo com alterações na produção económica.
Este sistema é modelado com base nas técnicas consolidadas que os cientistas utilizam há mais de uma década para atribuir eventos meteorológicos extremos - como a vaga de calor de 2021 no Noroeste do Pacífico - às alterações climáticas.
Mankin afirmou que, no passado, existia o argumento de: «Quem garante que foi a minha molécula de CO₂ que contribuiu para estes danos, em vez de outra qualquer?». O investigador acrescentou que o seu estudo «deixou muito claro como o véu da plausível negação já não existe do ponto de vista científico. Conseguimos efetivamente rastrear os danos até aos grandes emissores».
A Shell recusou-se a fazer comentários. Aramco, Gazprom, Chevron, Exxon Mobil e BP não responderam aos pedidos de comentário.
«Todos os métodos utilizados são bastante robustos», afirmou a cientista climática Friederike Otto, do Imperial College London, que lidera o World Weather Attribution — um coletivo de cientistas que realiza estudos rápidos de atribuição para verificar se determinados eventos meteorológicos extremos são agravados pelas alterações climáticas e, em caso afirmativo, em que medida. A investigadora não participou no estudo.
«Na minha opinião, seria positivo se esta abordagem fosse adotada por mais grupos. Tal como acontece na atribuição de eventos, quanto mais grupos a utilizarem, melhor se torna a ciência e melhor compreendemos o que faz ou não a diferença», declarou Otto. Até ao momento, nenhuma ação judicial de responsabilidade climática contra um grande emissor de carbono teve sucesso, mas demonstrar «quão esmagadoramente forte é a evidência científica» poderá mudar essa realidade, acrescentou.
No passado, os danos causados por empresas individuais perdiam-se no meio da dispersão dos dados, impossibilitando o seu cálculo, explicou Callahan.
«Atingimos agora um ponto na crise climática em que os danos totais são tão imensos que as contribuições dos produtos de uma única empresa podem ascender a dezenas de milhar de milhões de dólares por ano», afirmou Chris Field, cientista climático da Universidade de Stanford que não esteve envolvido na investigação.
Trata-se de um bom exercício e de uma prova de conceito, mas existem tantas outras variáveis climáticas que os números apurados por Callahan e Mankin representam, muito provavelmente, uma grande subestimativa dos danos reais que estas empresas causaram, concluiu Michael Mann, cientista climático da Universidade da Pensilvânia que também não participou no estudo.

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