A discussão em torno do impacto ambiental dos novos projetos de megacentros de dados planeados para Abrantes (como o EDC One e o Hyperion) exige uma análise rigorosa e desprovida de alarmismo. Ao analisar a transição entre a desativada Central Termoelétrica do Pego e estas novas infraestruturas digitais, torna-se evidente uma mudança estrutural na gestão dos recursos hídricos do rio Tejo: a transição de um modelo de utilização com devolução de caudal para um modelo de consumo por evaporação atmosférica.
Historicamente, a antiga central a carvão do Pego operava sob uma licença da
Em contrapartida, as estimativas divulgadas pelo movimento ambientalista
Ao contrário do circuito da central termoelétrica, as torres de arrefecimento evaporativo convertem entre 70% a 80% da água captada em vapor de água, retirando-a de forma irreversível do ciclo hídrico local a curto e médio prazo. Apenas os restantes 20% a 30% permanecem no estado líquido como efluentes de purga (blowdown), caracterizados por uma elevada concentração de sais minerais e que exigem encaminhamento para estações de tratamento de águas residuais. Desta forma, o troço do Tejo em Abrantes perde permanentemente a maior parte da água captada, intensificando a pressão sobre o caudal ecológico local, especialmente durante os períodos de seca estival.
Esta pressão torna-se ainda mais preocupante num cenário de incerteza quanto à infraestrutura hídrica nacional. O anunciado plano de barragens e mini-barragens - essencial para reforçar a capacidade de retenção e regularização do caudal, sobretudo nos afluentes do Tejo - continua sem conhecer execução prática. Sem estas obras de armazenamento e regularização, o Tejo fica desprovido de uma "almofada" hídrica que possa compensar captações intensivas em anos secos.
Esta transição ocorre num contexto em que os relatórios do

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