terça-feira, 4 de novembro de 2025

Quase metade de imigrantes recentes em Portugal sobrequalificados para trabalho que fazem


Foi divulgado esta segunda-feira o relatório da OCDE International Migration Outlook 2025. Entre vários dados apresentados relativamente ao fenómeno migratório em Portugal consta o cálculo de que 41% dos imigrantes recentes em Portugal são sobrequalificados para o trabalho que estão a fazer. Esta percentagem nos trabalhadores portugueses situa-se nos 12%, sendo assim um dos maiores fossos dos países analisados.

O nosso país é assim um dos destaques por ter uma taxa de sobrequalificação dos imigrantes “particularmente elevada” junto com a Itália, Noruega e Suécia. Isto contrasta com baixas taxas na Áustria e Alemanha e com uma taxa “praticamente nula no Canadá e nos Estados Unidos”.

Elencam-se explicações gerais para o desfasamento entre qualificações e emprego como os obstáculos no reconhecimento de qualificações e licenças profissionais, barreiras linguísticas e desajuste entre mercado de trabalho e qualificações.

No caso português salienta-se que 57% dos imigrantes são remetidos para a economia dos baixos salários dos setores do turismo, restauração e construção.

O estudo qualifica como imigrantes recentes” os que chegaram entre 2006 e 2015 e define sobrequalificação como o facto de o trabalhador deter um diploma de ensino superior e ter um trabalho que apenas exige qualificações médias ou baixas.

Portugal tem ainda uma das mais altas taxas de imigrantes empregados, 76%. E estes, quando entram no “mercado de trabalho” nacional ganham em média menos 28% do que os trabalhadores portugueses da mesma idade e sexo.

No país, o número de entradas de imigrantes de longa duração está a baixar. Entre 2023 e 2024 desceu 1,9%, sendo no total de 138.000. Neles se incluem 28% de imigrantes beneficiários de livre circulação, 44% de migrantes laborais e 14% de familiares, para além de estudantes internacionais do ensino superior que terão sido pelo menos 9.000.

Em termos gerais, a migração no espaço da OCDE desceu 4% em 2024, com um total de 6,2 milhões de novos migrantes de longa duração. No espaço da União Europeia este decréscimo é mais acentuado, nos EUA a tendência é de crescimento.

No conjunto dos países analisados, as razões familiares continuam a ser a maior causa, tendo a imigração laboral caído 21% e a humanitária aumentado 23%. Já a migração laboral estabilizou em 2,3 milhões e os estudantes do ensino superior foram 1,8 milhões, menos 13%.

O número de requerentes de asilo aumentou 13%. Na maior parte dos países até caiu, mas isso foi mais do que compensado por aumentos nos EUA, Canadá e Reino Unido. Na União Europeia, o número de deteções de passagens ilegais de fronteiras desceu 37% e nos EUA 48%. A percentagem de pessoas nascidas no estrangeiro nos países da OCDE situa-se nos 11.5%.

Desconstruindo a ideia de "povo lusitano", ou "povo português luso" em detrimento dos "imigrantes".

Zigurate em Ur (moderno Tall al-Muqayyar, Iraque).

Quando a civilização suméria florescia na Mesopotâmia (aproximadamente entre 5.500 e 2.000 a.C.), a Península Ibérica também já era habitada — mas por povos pré-históricos que se encontravam na transição entre o Neolítico e a Idade do Bronze.
A Mesopotâmia foi uma região localizada entre os rios Tigre e Eufrates. Atualmente, corresponde aos territórios do Iraque, Irão e Jordânia, no Médio Oriente. O termo mesopotâmia tem origem grega e significa “terra entre rios”, uma referência à sua localização geográfica. Os povos que habitaram a região foram os babilónicos, assírios, sumérios e acádios. Os persas derrotaram os acádios em 539 a.C., encerrando o apogeu dos povos mesopotâmicos. A astronomia e a arquitetura são alguns legados culturais deixados pelos povos que habitaram a Mesopotâmia.

𝗘 𝗾𝘂𝗮𝗻𝘁𝗼 à 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲? 𝗡ã𝗼 𝗲𝘅𝗶𝘀𝘁𝗶𝗮. É𝗿𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗽𝗼𝘃𝗼𝘀 𝗶𝗯é𝗿𝗶𝗰𝗼𝘀 𝐞... 𝐢𝐦𝐢𝐠𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬.
Muitos milénios depois dos mesopotâmicos. Aqui vai um resumo claro do que se passava na Península Ibérica nessa altura:

1. Neolítico Final e Calcolítico (c. 3500–2200 a.C.)
As comunidades eram agrícolas e pastoris, com uso de ferramentas de pedra polida e cerâmica.
Começavam a formar-se aldeias permanentes e havia cultivo de cereais, criação de gado e tecelagem.
Surgiam monumentos megalíticos (como antas e dólmens) usados para sepulturas coletivas e rituais.
No sul da Península (especialmente no atual Alentejo, Andaluzia e região de Los Millares), aparecem as primeiras metalurgias do cobre — daí o termo Calcolítico (ou Idade do Cobre).
2. Início da Idade do Bronze (c. 2200–1500 a.C.)
Desenvolve-se a metalurgia do bronze (liga de cobre e estanho).
Surgem sociedades mais hierarquizadas, com chefes locais e fortificações.
O famoso sítio arqueológico de Los Millares (Almería, Espanha) é um dos melhores exemplos dessa época.
Mais tarde, o povo de El Argar (também no sudeste ibérico) representa uma cultura avançada com estruturas sociais complexas e trocas comerciais.
Resumindo: Os primeiros povos que habitaram a Península Ibérica foram os iberos e os celtas, que mais tarde se fundiram nos celtiberos. Os iberos eram oriundos de África e estabeleceram-se na região, enquanto os celtas chegaram da Europa Central, trazendo consigo novas técnicas, como a metalurgia do ouro e ferro.

Anta de Zedes

𝐄 𝐨𝐬 𝐋𝐮𝐬𝐢𝐭𝐚𝐧𝐨𝐬? 𝐍ã𝐨 𝐞𝐫𝐚𝐦 𝐨𝐬 ú𝐧𝐢𝐜𝐨𝐬 𝐩𝐨𝐯𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥 𝐚𝐜𝐭𝐮𝐚𝐥
Os Lusitanos foram um dos povos indo-europeu ou pré-celta, formados entre 800 e 600 a.C., que ocuparam a região do Douro e Tejo, sem escrita própria, de organização tribal e rural.
Além dos Lusitanos, também tinham uma implantação muito importante os Túrdulos, Célticos, Cónios, Galaicos (ou calaicos), Gróvios, e Vetões, entre outros que continuam a ser objeto de estudo conforme se realizam descobertas arqueológicas

𝐄 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬 𝐞𝐬𝐬𝐞𝐬 𝐩𝐨𝐯𝐨𝐬 𝐞 𝐭𝐫𝐢𝐛𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥, 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐞𝐫𝐚𝐦 𝐛𝐢𝐨𝐥ó𝐠𝐢𝐜𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐟𝐚𝐥𝐚𝐧𝐝𝐨?
Eram Homo sapiens, como nós — descendentes das populações que chegaram à Península após o fim da última glaciação (c. 10.000 a.C.).
No entanto, a forma mais segura de averiguar se nós, os humanos modernos, temos ou não antepassados neandertais era sequenciar o genoma destes últimos. Tal conquista, que parecia impossível, foi realizada pelo cientista sueco Svante Pääbo e valeu-lhe o Prémio Nobel em 2022. Sabemos agora que muitos seres humanos transportam – ou transportamos – uma pequena percentagem de genes neandertais nas células. Portanto, há 40 mil ou 45 mil anos, vieram ao mundo crianças mestiças, que teriam pai neandertal e mãe sapiens, ou vice-versa.

Saber mais:

I Am The Shadow - The Wide Starlight



Significado da canção “The Wide Starlight”

Título simbólico
“Wide Starlight” (“Luz Estelar ampla / vasta”) sugere algo expansivo, cósmico, algo além do alcance imediato.

A “starlight” funciona como metáfora para esperanças, mistério, talvez orientação no escuro.

Temas de silêncio, perda e busca
Na letra, há frases como: “Just draw a line / Between the silence and the starlight”. Isso pode representar a linha ténue entre aquilo que não é dito (silêncio) e aquilo que inspira (a luz das estrelas).

Também surge a ideia de “questões antigas” (“lost in the same old questions”), o que pode indicar reflexão sobre o passado, dúvidas persistentes.

A expressão “Will you drown in the wide starlight” (“te afogarás na vasta luz estelar”) sugere ambivalência: a luz (esperança, sonhos) pode ser algo tão grande que se torna avassaladora, quase sufocante.

Dualidade entre luz e escuridão
A “wide starlight” não é só algo bonito, mas um espaço onde o “silêncio” tem peso. A canção parece explorar a tensão entre a tranquilidade da luz estelar e a solidão / vazio do silêncio.

Essa dualidade pode simbolizar momentos de introspeção profunda, onde a pessoa está entre a escuridão interior (silêncio, dúvidas) e a “luz” das suas esperanças / sonhos.

Uma viragem para a esperança
Segundo uma análise no site Sounds and Shadows, este álbum “marca uma viragem para a esperança”.

Mesmo que a canção tenha elementos melancólicos, há uma promessa de ascensão ou transformação: não é apenas sobre perda, mas também sobre encontrar algo além — talvez na “ampla luz estelar”.

Poética emocional
A música tem uma escrita muito poética (“soul baring poetry”), com uma produção que mistura sintetizadores e guitarras para criar uma atmosfera etérea.

Essa sonoridade reforça a mensagem lírica de contemplação, de algo vasto e intangível, como se estivéssemos olhando para o céu noturno e refletindo sobre a própria existência.

Baseado num romance
The Wide Starlight é um livro que mistura realismo mágico com temas de perda, memória, identidade e luto. A protagonista, Eli, vive atormentada pela lembrança (ou ausência) da mãe, que desapareceu misteriosamente no norte da Noruega. O enredo combina elementos míticos (auroras, magia, folclore nórdico) com uma jornada interna de autodescoberta.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O Chega e o Ódio - "Ódio é muitas vezes demasiada importância ao que é somente desprezível"


Já li o livro excelente de Miguel Carvalho- "𝐏𝐨𝐫 𝐃𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐨 𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚 -𝐀 𝐟𝐚𝐜𝐞 𝐨𝐜𝐮𝐥𝐭𝐚 𝐝𝐚 𝐞𝐱𝐭𝐫𝐞𝐦𝐚-𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐚 𝐞𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥".
A narrativa inflamada, os epítetos boçais, a opacidade das contas (afinal cai o pano de "Limpar Portugal" e financiamento deste "partido" (corrupto, quando acabamos de ler o livro) é também racista, fascista e xenófobo.
Outro aspecto que André Ventura e sua comandita proclamam é o candidato “do povo” contra as “elites. Nada mais falso. É alimentado por uma elite económica nacional e internacional que depois, caso chegue ao poder, vai cobrar e os portugueses ficam mais pobres e haverá austeridade.

Em junho de 2020 a Revista Visão já havia publicado extensa matéria sobre um banquete na luxuosa Quinta do Barruncho, nos arredores de Lisboa. O centro das atenções era André Ventura, que recém havia lançado o Chega (2019). Entre os convidados estava João Maria Bravo, dono da Sodarca, empresa com contratos milionários de fornecimento de armas às forças de segurança e ao exército.

Outro grande empresário presente era Miguel Félix da Costa, cuja família representou durante 75 anos a marca de lubrificantes Castrol em Portugal, atual homem forte da Slil, uma sociedade gestora de participações nas áreas do imobiliário e turismo, e que conta ainda com interesses na agricultura e na criação de cavalos. A eles se juntou Humberto Pedrosa, dono do grupo Barraqueiro, então administrador acionista da TAP, e João Pedro Gomes, do grande escritório de advogados BSGG.

Também comensal da Quinta do Barruncho foi Francisco Cruz Martins, que administra as imobiliárias Mocaja e Xaroco, ambas pertencentes à Breteuil Strategies, sediada no Chipre, um dos mais importantes paraísos fiscais europeus. O nome do advogado foi amplamente citado no escândalo dos “Papéis do Panamá”, por causa das ligações a sociedades offshore.

𝗤𝘂𝗲𝗺 𝗽𝗮𝗴𝗮 𝗼 𝗯𝗮𝗻𝗾𝘂𝗲𝘁𝗲 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗵𝗲 𝗼 𝗽𝗿𝗮𝘁𝗼
Além deles, outros 70 grandes empresários de diversos ramos económicos portugueses, como representantes do antigo Grupo Espírito Santo. Carlos Barbot, dono do império empresarial das Tintas Barbot, e Paulo Mirpuri, ex-dono da falida operadora de aviação Air Luxor, CEO da Mirpuri Investments e da Hi-Fly, também estiveram nos almoços do Chega.
Entre os doadores do Chega já foram detectados membros da família Champalimaud, que figuram como maiores acionistas da CTT (Correios e banco) e do hotel de luxo The Oitavos, em Cascais, onde o partido organiza encontros com financiadores, dentre outros ramos de negócios.
O episódio recente da CNN foi mais um acto de vitimização, próprio dos ditadores. Recordo que André Ventura num debate para as Legislativas de 2024 disse "𝗘𝘂 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼𝗺𝗽𝗼 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗾𝘂𝗶𝘀𝗲𝗿”. Lembram-se? Um total de 1.661 interrupções e cerca de 30% das interrupções foram feitas pelo líder do Chega.

𝗢 𝗴𝗿𝘂𝗽𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗹𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿 𝗱𝗼 𝗖𝗵𝗲𝗴𝗮 𝗱𝗶𝘀𝘀𝗲𝗺𝗶𝗻𝗮 𝗺𝗲𝗻𝘁𝗶𝗿𝗮𝘀
Obriga frequentemente ao uso de fact-checking. Agora aprimoraram-se na deepfake recorrendo à Inteligência Artificial.
A camada principal do Chega é polarizar a nossa sociedade e instrumentalizar e promover o ódio e a intolerância.
Já dizia Camilo Castelo Branco, um grande escritor e por vezes muito esquecido entre nós, tal como p.ex. Aquilino Ribeiro escreveu o seguinte - "Ó𝐝𝐢𝐨 é 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐚𝐬 𝐯𝐞𝐳𝐞𝐬 𝐝𝐞𝐦𝐚𝐬𝐢𝐚𝐝𝐚 𝐢𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭â𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐚𝐨 𝐪𝐮𝐞 é 𝐬𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐫𝐞𝐳í𝐯𝐞𝐥"  (Trecho retirado do seu romance "A Neta do Arcediago")
"Somente desprezível" significa que algo ou alguém é digno de desprezo e nada mais. Refere-se a algo ou alguém que não merece consideração, que é vil, abjeto ou sem valor, não apresentando qualquer outra qualidade.
Que merece ser desprezado: A expressão destaca a falta de valor e a indignidade.
Que não merece respeito: Implica que a pessoa ou coisa em questão é de baixo caráter, abjeta ou sórdida.
Sem outras qualidades: Sugere que, além de desprezível, não há nada de positivo a ser dito sobre o assunto.
Uma situação e efeito do ódio é a nível psicológico e de abalos de valores pessoais e colectivos. Ver estudo académico "Why we hate". 
Porém o aspecto perigoso do ódio é quando ele está na política, num partido, num agregado social. O ódio deriva de uma mentalidade “nós contra eles”, ao mesmo tempo que é um método simplificado para a difícil tarefa de gerir a diferença.

𝐏𝐨𝐥𝐚𝐫𝐢𝐳𝐚𝐫 𝐧ã𝐨 𝐬𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚 𝐚𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐟𝐥𝐢𝐭𝐨 𝐠𝐫𝐚𝐭𝐮𝐢𝐭𝐨 — 𝐬𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚 𝐭𝐨𝐦𝐚𝐫 𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨.
A política não se esgota no consenso, pelo que também é confronto quando o que está em jogo a dignidade de vidas inteiras. Polarizar não é rejeitar o diálogo, mas sim recusar a normalização da violência arbitrária. É traçar uma linha ética, mas não moralista, que diga que daqui não se ultrapassa. 

Afinal, existem momentos em que a empatia exige a tomada de posições e a capacidade de ouvir o outro cede lugar à resistência.

Contudo, o exercício da empatia não se restringe apenas aos opositores de opinião. Dentro dos nossos próprios espaços políticos, deve imperar a capacidade de ouvir o outro e de respeitar a sua humanidade, independentemente das diferenças. Na luta por um mundo mais justo, a empatia deve ser o alicerce de todas as nossas relações, não apenas com aqueles que pensam de forma diferente, mas também dentro dos espaços que ocupamos.

Em conclusão, é preciso mais do que nunca, resgatar a política como exercício de cuidado, como espaço de construção comum. Porque sem empatia, sem estratégia de educação ambiental e relações de proximidade a política perde o seu sentido.

Dia 3 de Novembro - Dia Mundial das Reservas da Biosfera


A Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo (RBPB) é uma Reserva da 1ª Geração, classificada desde 1981 pela Unesco, tendo sido a nível nacional a primeira área portuguesa a ser integrada na Rede Mundial de Reservas da Biosfera. 
A Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo constitui o maior ecossistema de água doce do país. Localizada no distrito de Santarém, a RNPB distribui-se entre dois concelhos, Golegã e Torres Novas, a que correspondem duas regiões, O Alentejo e o Centro, bem como duas sub-regiões, a Lezíria do Tejo e o Médio Tejo. Ocupando os concelhos de Torres Novas e Golegã, a RBPB desenvolve-se sobre uma área de 5 896 ha integrando as localidades de Golegã, Riachos, Azinhaga, Pombalinho e Boquilobo, abrangendo uma população total de 8 450 habitantes traduzidos em 3.919 famílias. Da população abrangida pela RBPB 10% está empregada no sector primário, 20% no sector secundário e 70% no terciário. 
Em 1996, a Reserva de Paúl do Boquilobo foi considerada uma Zona Húmida de Importância Internacional ao abrigo da Convenção de Ramsar. Dada a sua importância para a avifauna, está também classificada, desde 1999, como uma Zona de Proteção Especial, de acordo com a Diretiva n.º 2009/147/CE. 
A agricultura e a pecuária são as principais atividades económicas da região e atraem visitantes em busca de um turismo rural que valorize os espaços da ruralidade e da natureza. Existem marcas da presença humana no território da Reserva da Biosfera desde o paleolítico, sendo possível encontrar vestígios dessa presença em grutas como a Buraca da Moura ou a Lapa da Bugalheira.

Não há Raças: A Unidade Biológica da Humanidade

Resumo
O conceito de raça humana, amplamente utilizado durante os séculos XIX e XX, tem sido desmantelado pela investigação genética contemporânea. Estudos em biologia evolutiva e genética populacional demonstram que as variações genéticas dentro de grupos humanos são superiores às variações entre grupos, invalidando a noção de raças biológicas. Este artigo revisita a evolução do conceito de raça, a evidência científica que o refuta e as suas implicações sociais e éticas, defendendo a centralidade do conceito de espécie única na compreensão da diversidade humana.

𝟏. 𝐈𝐧𝐭𝐫𝐨𝐝𝐮çã𝐨
A ideia de “raça” tem uma longa história de uso e abuso. Durante o Iluminismo e a expansão colonial europeia, o termo adquiriu uma dimensão classificatória e hierárquica, utilizada para justificar desigualdades políticas, económicas e sociais (Gould, 1981). No entanto, com o avanço da biologia molecular e da genética populacional no século XX, tornou-se evidente que a noção de raças humanas não possui fundamento biológico. A diversidade humana deve ser entendida como uma expressão da variação contínua dentro da espécie Homo sapiens.

𝟐. 𝐎 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐡𝐢𝐬𝐭ó𝐫𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐫𝐚ç𝐚
A construção do conceito de raça foi influenciada por naturalistas como Linnaeus e Blumenbach, que procuraram classificar a humanidade em grupos discretos com base em características fenotípicas superficiais. Essas classificações, embora pretensamente científicas, estavam impregnadas de preconceitos eurocêntricos e racistas (Stepan, 1982). A antropologia física do século XIX tentou legitimar tais distinções através da craniometria e da medição de traços corporais, práticas que hoje são reconhecidas como pseudocientíficas.

𝟑. 𝐀 𝐫𝐞𝐟𝐮𝐭𝐚çã𝐨 𝐠𝐞𝐧é𝐭𝐢𝐜𝐚
Com o desenvolvimento da genética moderna, particularmente após o Projeto Genoma Humano (2003), comprovou-se que todos os seres humanos partilham cerca de 99,9% do seu ADN (Lewontin, 1972; Rosenberg et al., 2002). As pequenas diferenças existentes são distribuídas de forma gradual (clinal) e não correspondem a fronteiras geográficas fixas. Lewontin demonstrou que 85% da variação genética ocorre dentro de populações locais, e não entre os grupos raciais tradicionais. Assim, “raça” é uma construção social, e não uma categoria biológica.

𝟒. 𝐈𝐦𝐩𝐥𝐢𝐜𝐚çõ𝐞𝐬 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐢𝐬 𝐞 é𝐭𝐢𝐜𝐚𝐬
A persistência do conceito de raça tem consequências profundas na perpetuação do racismo e das desigualdades sociais. O reconhecimento científico da inexistência de raças biológicas não elimina, contudo, o racismo enquanto fenómeno social e político. É fundamental distinguir entre diferença biológica e discriminação social. A educação científica e intercultural desempenha um papel central na desconstrução das narrativas racistas e na promoção de uma ética universalista baseada na dignidade humana.

𝟓. 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬ã𝐨
A biologia contemporânea confirma que a humanidade constitui uma única espécie com variação genética interna contínua. O conceito de raça, embora sem validade científica, persiste como instrumento de exclusão social. A superação do racismo exige não apenas a denúncia do mito biológico da raça, mas também uma reflexão ética e política sobre as estruturas que o sustentam. A ciência, ao afirmar a unidade da espécie humana, oferece um fundamento sólido para uma cultura de igualdade e respeito pela diversidade.

𝐑𝐞𝐟𝐞𝐫ê𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬 𝐁𝐢𝐛𝐥𝐢𝐨𝐠𝐫á𝐟𝐢𝐜𝐚𝐬
1.Gould, S. J. (1981). The Mismeasure of Man. New York: W.W. Norton & Company.
2. Lewontin, R. C. (1972). “The Apportionment of Human Diversity.” Evolutionary Biology, 6, 381–398.
3. Rosenberg, N. A., et al. (2002). “Genetic Structure of Human Populations.” Science, 298(5602), 2381–2385.
4. Stepan, N. L. (1982). The Idea of Race in Science: Great Britain, 1800–1960. London: Macmillan.
5. UNESCO (1950). The Race Question. Paris: UNESCO.

Saber mais:

domingo, 2 de novembro de 2025

Dia Internacional pelo Fim da Impunidade para Crimes contra Jornalistas



O Dia Internacional do Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas é celebrado anualmente a 2 de novembro, na sequência do assassinato de dois jornalistas franceses no Mali nesse dia, em 2013.

Esta data tem como objetivo contribuir para a implementação de medidas contra a impunidade dos crimes contra jornalistas ou outros profissionais da comunicação social.

O tema em 2025 é «Chat GBV - Sensibilização sobre a violência de género contra jornalistas mulheres facilitada pela IA». Pretende destacar as ameaças que as jornalistas enfrentam no espaço digital e o efeito inibidor que isso pode ter sobre a liberdade de expressão.

Este tema aborda as crescentes ameaças representadas pelas ferramentas de IA que facilitam e amplificam a violência de género em linha, o assédio, a vigilância e a desinformação de género, de forma desproporcional contra as jornalistas mulheres. O «Chat GBV (Gender-Based Violence)» é um apelo à ação para que todas as partes interessadas combatam a violência de género através de várias iniciativas, incluindo falar sobre o assunto e propor soluções, aproveitando várias oportunidades, tais como fóruns de políticas e defesa, sem esquecer as próprias plataformas digitais.

Este Dia foi proclamado na Resolução 68/163, adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas, a 18 de dezembro de 2013.

Documentos

Resolução 68/163 da AG da ONU que implementa o Internacional para o Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas | ONU [en]

Links relacionados

Por onde andam a democracia e o bem comum e qual o papel da petição?


Vivemos um tempo paradoxal. Nunca tivemos tantos meios para nos informarmos, comunicarmos e participarmos na vida pública — e, no entanto, a sensação dominante é a de afastamento. A democracia, esse bem conquistado à custa de tanto esforço e memória, parece hoje andar perdida entre o ruído e a indiferença. O bem comum, fundamento ético da convivência humana, foi sendo substituído por um pragmatismo egoísta, por uma lógica de mercado que transforma cidadãos em consumidores e a política em espetáculo.
A democracia não se esgota no voto. Ela exige presença, vigilância e um sentido de pertença. Precisa de cidadãos atentos, críticos, capazes de questionar e propor. Infelizmente, a apatia cresce à medida que se agravam as desigualdades, que o discurso público se torna tóxico e que os centros de decisão se afastam das pessoas. A desinformação — alimentada por algoritmos que premiam o escândalo — corrói o terreno fértil da confiança, sem a qual nenhuma comunidade pode florescer.
E o bem comum? Esse conceito, tão simples e tão esquecido, é o que poderia restituir sentido à democracia. Falar de bem comum é lembrar que a liberdade individual só faz sentido num quadro de responsabilidade partilhada. É reconhecer que a nossa saúde depende da saúde dos ecossistemas, que o nosso bem-estar depende da justiça social, que o futuro dos nossos filhos depende da coragem coletiva de mudar de rumo.
Por onde andam, então, a democracia e o bem comum? Talvez não estejam perdidos — apenas esquecidos nos gestos pequenos que deixámos de valorizar: no diálogo entre vizinhos, na participação local, na escola que ensina a pensar, na comunidade que cuida. É aí, no quotidiano concreto, que renasce a possibilidade de uma cidadania viva e solidária.

Porque a democracia não se herda — constrói-se. E o bem comum não se decreta — cultiva-se.

A democracia — como defende Pierre Rosanvallon (2008) — “não é um estado, é um processo contínuo de invenção coletiva”. E esse processo exige participação real, protagonismo cidadão e uma educação que ensine não apenas a competir, mas a cooperar. O bem comum, por sua vez, não é uma abstração moral: é, como lembra Martha Nussbaum (2011), a condição material e simbólica que permite que todas as pessoas floresçam em dignidade e interdependência.

Uma petição pode ter um papel estratégico e simbólico muito forte neste contexto de reflexão sobre democracia e bem comum.
Mesmo parecendo um instrumento modesto, ela representa a prática viva da cidadania participativa — um antídoto contra a apatia democrática. 

Para Rosanvallon (2015), estes “atos de vigilância cívica” são hoje essenciais para revitalizar a democracia representativa, criando laços entre a sociedade civil e as instituições.

Estudos recentes (por exemplo, Smith, 2009; Nabatchi & Leighninger, 2015) mostram que formas de democracia participativa — como petições, orçamentos participativos e assembleias cidadãs — aumentam a confiança pública e a qualidade deliberativa das políticas públicas.

Eis algumas vantagens claras:
🟢 1. Reforça a cidadania ativa
Assinar (ou criar) uma petição é um ato de participação direta. Mostra que as pessoas não se limitam a votar de quatro em quatro anos, mas querem intervir no debate público. Cada assinatura é um gesto de consciência cívica, e o conjunto delas cria uma voz coletiva que o poder político não pode ignorar.
🟢 2. Cria comunidade e convergência
Num tempo de fragmentação e polarização, uma petição pode reunir cidadãos em torno de um propósito comum — seja ambiental, social ou ético. Funciona como ponto de encontro entre pessoas que, mesmo diferentes, reconhecem a urgência de defender um valor partilhado.
É o bem comum, em forma de mobilização.
🟢 3. Traz visibilidade e pressão política
Uma petição bem articulada e divulgada atrai a atenção pública e mediática, obrigando decisores e instituições a reagirem. Mesmo quando não resulta imediatamente em legislação, força o debate, expõe contradições e obriga à transparência.
🟢 4. Educa e desperta
Muitas pessoas tomam contacto com certos temas através de uma petição — é um instrumento de consciencialização. Bem redigida, ela explica, contextualiza e propõe soluções. Ou seja, transforma a indignação dispersa em conhecimento e ação concreta.
🟢 5. Articula o local e o global
Peticionar é um ato simultaneamente local e global: pode começar num bairro, numa escola ou numa associação, e acabar a influenciar decisões nacionais ou internacionais. É uma ponte entre a democracia de proximidade e a política institucional.

👉 Em resumo:
1. Num tempo em que muitos se perguntam “por onde anda a democracia?”, uma petição é um modo de trazê-la de volta para as mãos das pessoas — não como ideal abstrato, mas como prática quotidiana.
2. Portanto, peticionar não é um gesto simbólico ou de "activismo de sofá": é agir sobre a realidade, dar forma política à indignação ética. É um exercício de corresponsabilidade e de reconstrução do bem comum a partir da base social.

Relembro o Exercício do direito de petição
Lei n.º 43/90 publicado no Diário da República n.º 184/1990, Série I de 1990-08-10

Referências bibliográficas selecionadas

  • Freire, P. (1996). Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra.

  • Habermas, J. (1996). Between Facts and Norms: Contributions to a Discourse Theory of Law and Democracy. MIT Press.

  • Nabatchi, T., & Leighninger, M. (2015). Public Participation for 21st Century Democracy. Jossey-Bass.

  • Nussbaum, M. (2011). Creating Capabilities: The Human Development Approach. Harvard University Press.

  • Orr, D. (2004). Earth in Mind: On Education, Environment, and the Human Prospect. Island Press.

  • Rosanvallon, P. (2008). La légitimité démocratique. Seuil.

  • Rosanvallon, P. (2015). Le bon gouvernement. Seuil.

  • Smith, G. (2009). Democratic Innovations: Designing Institutions for Citizen Participation. Cambridge University Press.

  • Sterling, S. (2010). Transformative Learning and Sustainability: Sketching the Conceptual Ground. Learning and Teaching in Higher Education, 5(11), 17–33.

  • UNESCO (2019). Education for Sustainable Development Beyond 2019. Paris: UNESCO.


Petição pela Demissão da Ministra da Saúde e pela Defesa de um SNS Público e Funcional

Assinar e divulgar a Petição aqui

Para: Assembleia da República, Primeiro-Ministro e Presidente da República

Nós, cidadãos abaixo-assinados, manifestamos a nossa profunda indignação e exigimos a demissão imediata da Ministra da Saúde, em consequência das falhas graves e reiteradas no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que têm colocado em risco vidas humanas — incluindo bebés, crianças e grávidas.

Situação atual
O SNS encontra-se entupido, envelhecido e incapaz de responder às necessidades básicas da população.
Casos recentes expõem a gravidade:
  1. Bebés a nascerem em ambulâncias, estradas e até na rua, por falta de resposta hospitalar atempada.
  2. Grávidas enviadas de hospital em hospital sem atendimento adequado, resultando em mortes evitáveis.
  3. Crianças encaminhadas para hospitais sem pediatria e grávidas para hospitais sem urgência obstétrica.
  4. Doentes obrigados a ligar previamente para a Linha SNS 24 para serem atendidos em hospitais públicos.
Isto é ilegal: nenhum hospital pode recusar atendimento de urgência, com ou sem contacto prévio com o SNS 24. O direito à saúde e ao socorro médico é constitucional e universal — e está acima de qualquer linha telefónica ou norma administrativa.

Também é ilegal negar o direito ao acompanhante:
  1. em partos,
  2. em internamentos,
  3. em pediatria,
  4. e em urgências, onde muitas vezes os cidadãos são impedidos de ter alguém ao seu lado em momentos de grande fragilidade.
A gestão hospitalar não está acima da lei e deve respeitar estes direitos fundamentais.

Dados que confirmam,
  1. Listas de espera: primeira consulta cresceu 46% face a 2022; cirurgias aumentaram 13%.
  2. Apenas 60% dos atendimentos nas urgências respeitam o tempo definido pela triagem.
  3. Taxa de ocupação hospitalar em 91%, a mais elevada da última década.
  4. Portugal tem apenas 3,5 camas hospitalares por 1000 habitantes, muito abaixo da média europeia.
  5. Centros de saúde degradados, sem condições físicas nem humanas: horários reduzidos, falta de médicos, enfermeiros e auxiliares.

Direitos fundamentais violados
1. Constituição da República Portuguesa
O artigo 64.º garante a todos os cidadãos o direito à proteção da saúde e o acesso universal e tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde. O Estado tem o dever de assegurar esse direito.
2. Lei n.º 15/2014 (Direitos e Deveres do Utente)
Artigo 3.º: nenhum utente pode ser privado de cuidados de saúde por motivos económicos, sociais ou administrativos.
Artigo 12.º: todos os utentes têm direito a acompanhante, em internamento e em urgência, incluindo grávidas, crianças, pessoas dependentes ou com deficiência
3. Portaria n.º 142/2017, de 14 de abril
Regulamenta e reforça o direito a acompanhante nos serviços de urgência e internamento do SNS. Os hospitais são obrigados a criar condições para que este direito seja respeitado. A gestão hospitalar não está acima da lei.
4. Portaria n.º 23/2025/1, de 29 de janeiro
Estabelece que, mesmo que o utente chegue ao hospital sem contacto prévio com a Linha SNS 24, deve ser:
Facultado o acesso à Linha para encaminhamento;
E, caso não seja possível, deve ser inscrito no serviço de urgência e sujeito a triagem hospitalar.
A portaria sublinha que “não pode resultar falta de resposta em saúde ajustada à condição clínica do utente”, incluindo no acompanhamento dos seus familiares.

Isto significa que nenhum hospital pode recusar atendimento por falta de chamada prévia à Linha SNS 24, sendo essa prática ilegal e contrária à Constituição, à Lei e à Portaria

Direitos humanos em risco
  1. O direito ao atendimento médico imediato não pode ser condicionado a chamadas telefónicas ou autorizações burocráticas.
  2. O direito a um acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências é legalmente reconhecido e não pode ser negado arbitrariamente.
  3. A ausência de condições nos centros de saúde prejudica utentes e funcionários, criando sobrecarga, stress, burnout e desumanização.
  4. As falhas do SNS têm efeitos psicológicos devastadores: famílias traumatizadas, profissionais culpabilizados, utentes sem confiança no sistema.
Responsabilidade política
Quando o Estado falha em proteger a vida e a dignidade dos cidadãos, deve haver responsabilização política imediata.
Não é aceitável continuar a normalizar tragédias evitáveis. A demissão da Ministra da Saúde é uma exigência ética, política e social.

O que exigimos
1. Demissão imediata da Ministra da Saúde.
2. Garantia de atendimento hospitalar imediato a qualquer cidadão, sem exigência de contacto prévio com o SNS 24.
3. Cumprimento integral do direito a acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências.
4. Reforma urgente da Linha SNS 24 e SNS Grávida, que não pode substituir o acesso direto ao hospital.
5. Plano emergencial de reforço de recursos humanos e infraestruturas, com contratação imediata de médicos, enfermeiros, auxiliares e investimento nos centros de saúde.
6. Investimento público sério no SNS, com aumento de camas hospitalares, modernização de instalações e condições de trabalho dignas.
7. Protocolos nacionais de transporte de grávidas e recém-nascidos, para evitar tragédias evitáveis.
8. Auditoria independente ao SNS, com relatórios públicos e responsabilização administrativa e política pelas falhas graves

A saúde é um direito constitucional, não um privilégio. Não podemos assistir passivamente a um colapso que ceifa vidas e destrói a confiança no SNS.

Assinamos esta petição por justiça, dignidade e responsabilização política. Porque nenhum bebé deve nascer numa estrada, nenhuma grávida deve ser abandonada, nenhum cidadão deve ser recusado ou deixado sozinho num hospital.

Azam Ali - In Other Worlds


The key to this place
Is a cold you know
The real dispelled
Into the world you know
Doubt, tasted, you fall in
Down you sink
Into her deep devour

She's still the key holder
And through this portal
She courts you now

Endowed with will
And a course your own
Bound by the despait
Of the shoreless hours
Heed this flame
Within the walled empire
This desire
Is all around

She's still the key holder
And through this portal
She courts you now

If love be revealed
In the spark of an eye
Could all be redeemed
In the sea of time
If the stars embed
Like nails into the ground
From the unheard prayers
That have torn up the skies
Would you will it all away
As you sail on your way?

A canção In Other Worlds, de Azam Ali, é uma viagem simbólica entre mundos visíveis e invisíveis. A “chave” e o “portal” mencionados na letra representam a entrada num espaço interior — espiritual, emocional e transformador. Nesse lugar coexistem a dúvida, o desejo e o desespero, mas também a possibilidade de redenção e amor.

Azam Ali convida-nos a atravessar esse limiar: a escutar a “chama” interior e a reconhecer a força feminina e mística que guarda o caminho. O “outro mundo” da canção não é externo, mas o território profundo da alma — onde cada um decide se quer permanecer à margem ou embarcar na jornada de autoconhecimento.

Persian Roots Transformed into a World of Stratospheric Sensuality
Entrevista

Azam Ali - Portals of Grace - Ai Ondas


Maravilhosa interpretação da cantiga de amigo Galaico-Português "Ai Ondas" da Iraniana Azam Ali 
"Ai ondas que eu vin veer,
se me saberedes dizer
por que tarda meu amigo sen min.
Ai ondas que eu vin mirar,
se me saberedes contar
por que tarda meu amigo sen min."

sábado, 1 de novembro de 2025

Ghost Cop - All Souls Day

Melhor som aqui

Os Ghost Cop são um duo de música eletrónica sediado em Nova Iorque, nos Estados Unidos, formado pela vocalista e artista multidisciplinar Lucy Swope e pelo produtor e músico Sean Dack.  A sonoridade do projeto - que a própria banda descreve de forma provocatória como "feel-bad dance music" - assenta numa fusão densa de Darkwave, Synth-pop, Coldwave e Post-punk, profundamente impregnada pela estética e pelas bandas sonoras de filmes de terror e de ficção científica da década de 1970 e 1980. O estilo é de facto inovador precisamente porque o duo não se limita a replicar a nostalgia retro dos anos 80: eles desconstroem o género. Enquanto o Synthwave tradicional tende a ser brilhante ou focado em melodias melancólicas fluídas, os Ghost Cop sobrepõem graves analógicos punitivos, ritmos industriais secos e linhas de sintetizador pontiagudas a vocais frios, sussurrados e etéreos. O resultado é um híbrido cinemático e noturno - uma música dançável, mas que mantém uma tensão e claustrofobia constantes, como se a pista de dança fosse o cenário de um filme slasher ou cyberpunk.  
No tema "All Souls Day" (lançado no álbum Trouble em 2024), a canção explora o significado espiritual e profano do Dia dos Fiéis Defuntos. O tema aborda a fronteira porosa entre os vivos e os mortos, a memória, o luto coletivo e a permanência dos "fantasmas" interpessoais que carregamos. É uma reflexão sobre a finitude, onde a dança serve como um ritual moderno de purgação e invocação, sugerindo que as nossas perturbações e remorsos não desaparecem; apenas mudam de forma e habitam as sombras do presente.  No plano visual e videográfico, os Ghost Cop são conhecidos por realizar e produzir a sua própria identidade estética. O videoclipe de "All Souls Day" utiliza uma linguagem cinematográfica em lo-fi e película texturada, carregada de iluminação contrastada e claros-escuros típicos do cinema giallo e do terror B. O significado do vídeo centra-se na despersonalização e na vigilância: figuras em movimento contínuo que transitam entre a presença e a ausência, transmitindo a ideia de que a cidade moderna é um cemitério de memórias e que os corpos em movimento estão possuídos pelo próprio ritmo da máquina.  
As influências literárias e filosóficas do duo e desta faixa em específico ancoram-se no Existencialismo (a busca de sentido perante a finitude e o absurdo) e nas teorias do filósofo francês Jacques Derrida sobre a "Hauntologia" (Hauntology) - o conceito de que o presente está sempre assombrado pelos "fantasmas" dos futuros perdidos do passado. Do ponto de vista literário, nota-se a forte influência da ficção científica distópica de J.G. Ballard (o erotismo mecânico e a alienação urbana), o terror psicológico de H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe (o medo do invisível e o macabro) e a poesia do Romantismo Negro, onde a beleza e a decadência caminham lado a lado.  

The H. P. Lovecraft Archive

Páginas oficiais
Ghost Cop

Principais Recursos dos Bilionários


Continuando a minha reflexão sobre os bilionários aqui elenco os principais recursos que os leva a alimentar esta gigante riqueza.

1. Capital financeiro
Uma parte grande da riqueza deles está investida em ações, participações em empresas, títulos, fundos, e outros instrumentos financeiros.
Esse capital financeiro dá-lhes poder para influenciar mercados, fazer aquisições, e multiplicar a riqueza através de investimentos.

2. Participações em empresas (empresas próprias ou holdings)
Muitos bilionários são fundadores ou detêm participações significativas em grandes empresas (tecnologia, indústria, energia, etc.).
Por exemplo, setores como finanças, bebidas e tecnologia são dominantes entre as origens da riqueza bilionária.
Esses ativos empresariais lhes dão controlo direto sobre cadeias produtivas, decisões estratégicas e inovação.

3. Propriedade imobiliária
Muitos bilionários investem em imóveis comerciais, terrenos, edifícios residenciais — uma parte importante do seu portfólio de riqueza é tangível.
A valorização das propriedades também contribui para o crescimento patrimonial.
4. Recursos naturais
Alguns controlam minas, terras agrícolas, reservas de petróleo ou outros recursos naturais, que são ativos físicos estratégicos.
Por exemplo, bilionários no setor energético ou de mineração tiram parte de sua fortuna da extração e gestão desses recursos. (No caso de Rinat Akhmetov, ele tem empresas em mineração e energia.)

5. Capital humano
Embora não seja “dono” de pessoas no sentido absoluto, muitos bilionários controlam grandes empresas que empregam dezenas de milhares de pessoas. Isso lhes dá poder sobre a direção estratégica, mas também sobre talento, inovação e produção.
Além disso, muitas das suas empresas dependem de capacidades técnicas, científicas e de gestão — ou seja, eles investem (e captam) talento.

6.Influência política e institucional
Bilionários muitas vezes têm ligações políticas, institucionais ou contato direto com decisores. Essa influência permite moldar políticas, regulamentos e leis que podem favorecer os seus negócios ou proteger o seu capital.
Também podem usar lobbies para manter vantagens competitivas ou para criar barreiras à entrada de novos concorrentes.

7. Acesso a infraestruturas críticas
Eles podem financiar ou controlar infraestruturas como data centers, redes de telecomunicação, energia, logística, etc. Esse é um recurso estratégico porque dá poder sobre recursos que sustentam a economia moderna.
No campo digital, por exemplo, gigantes tecnológicos (alguns bilionários) controlam plataformas, dados e serviços essenciais — o que lhes dá grande poder sobre a “economia da atenção” e dos dados.

8. Propriedade intelectual
Patentes, direitos de autor, marcas registradas são ativos intangíveis muito valiosos. Bilionários em tecnologia, farmacêutica ou biotecnologia frequentemente detêm patentes que lhes garantem receitas futuras e vantagem competitiva.

9. Redes de capital social
Além do capital formal (dinheiro, ativos), há recurso social: os bilionários geralmente têm redes poderosas de influenciadores, outros bilionários, políticos, investidores. Essas redes são um recurso estratégico porque permitem parcerias, financiamento, influência e acesso privilegiado a oportunidades.

10. Estruturas offshore e otimização fiscal
Muitos usam jurisdições fiscais favoráveis para armazenar parte de sua riqueza, o que lhes permite preservar capital, reduzir impostos e reinvestir de forma eficiente.
Isso também significa que parte da sua riqueza está “fora do radar” direto de muitos sistemas fiscais nacionais.

Ninguém devia ter mil milhões de euros

Vamos começar por aqui. E não, isto não é inveja, é matemática. É uma quantia absurda. A maior parte destas fortunas gigantescas é herdada. E a outra parte? Foi acumulada à custa do que não foi pago a quem realmente ajudou a construí-la. Por outro lado a tecnologia permite lucros globais com poucos custos; o valor das ações aumenta fortunas rapidamente; os impostos baixos e influência política protegem os ricos e finalmente a globalização, que concentra lucros nas grandes empresas.

Antigamente, alguns magnatas construíam bibliotecas, ou fundavam universidades, pelo menos sentiam a obrigação de devolver algo estrutural à sociedade.

Hoje? A ambição é ir ao espaço, ter o iate maior, o relógio mais caro e 50 carros na garagem. Não se importam de pagar valores absurdos por caprichos, só lhes custa pagar pelo trabalho. E o trabalho, a produção, o esforço humano, é a única coisa que realmente gera riqueza.

Mas para perceber o quão doentio isto é, temos de sair dos milhões e ir para o tempo de vida.
A nossa medida vai ser o Salário Mínimo em Portugal, €870 por mês. Com subsídios, são €12.180 por ano. Este é o valor de um ano inteiro da nossa vida de trabalho.

À escala de Portugal, a Família Amorim tem €5,4 mil milhões.
Para eles gastarem isto, ao ritmo de um ano inteiro do nosso trabalho, demorariam 443 000 ANOS.

A nossa espécie, o Homo Sapiens, existe há 300 000 anos. A totalidade da nossa história não chega.
À escala do Mundo, o homem mais rico, Elon Musk, tem €426 mil milhões. Demoraria 35 MILHÕES DE ANOS a gastar tudo.

Os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos. Isto não é tempo de vida. É tempo geológico.

Quem resumiu isto na perfeição foi a Billie Eilish esta semana. 
Billie Eilish pertence à Geração Z.

Num evento com bilionários na audiência, depois de anunciar que ia doar 11.5 milhões de dólares, confrontou-os diretamente: "És bilionário, porquê?"

Ela não está a falar de culpa pessoal. Está a falar desta distorção completa da escala humana.
O problema é um sistema que permite que um indivíduo acumule o equivalente a 35 milhões de anos de trabalho de outra pessoa, enquanto essa outra pessoa mal consegue sobreviver com o salário de um ano.

Kælan Mikla - Næturblóm




O que significa “Næturblóm”


Amizade profunda
Segundo a banda, a letra da música era originalmente um poema que a vocalista Laufey deu à teclista Sólveig como presente de aniversário quando ela fez 20 anos.

Portanto, há um forte componente pessoal: é uma homenagem à amizade — Laufey vê Sólveig como uma “flor noturna” especial.

Beleza no meio da escuridão
A imagem das “næturblóm” (flores da noite) simboliza algo que floresce na escuridão, especialmente durante o inverno (“quando o meio-inverno está no seu escuro mais profundo”). 

Isso sugere que essas flores (ou essa pessoa/amizade) brilham mais precisamente onde há mais escuridão — uma metáfora para momentos difíceis, solidão, ou para a parte mais sombria da vida.

Renascimento / transformação
A letra diz que “they ripped themselves up by the roots and now they’re standing on two feet” (“eles se arrancaram pelas raízes e agora estão em pé sobre dois pés”) 

Isso pode representar uma espécie de libertação ou renascimento, superar suas origens ou traumas, levantar-se e crescer — não mais enraizados no passado, mas existindo de forma mais autônoma.

Amor ou admiração mútua
A frase “and bloom in the lady that’s dancing next to me” (“e florescem na dama que dança ao meu lado”) sugere uma admiração profunda, talvez romântica, ou simplesmente uma forte ligação emocional e poética. Essa “dama” pode ser Sólveig, ou uma figura simbólica da amizade/irmandade entre elas.

Conforto na noite
A repetição de “a noite nos veste melhor” (“The night suits us best”) indica que para elas (ou para a “flor da noite”) é na escuridão que se sentem mais à vontade, mais autênticas. Pode simbolizar que a noite (ou os momentos difíceis) não são apenas algo a temer, mas também algo que potencializa sua beleza interior.

Conclusão
A canção “Næturblóm” da banda islandesa Kælan Mikla é uma homenagem poética à amizade, à transformação e à beleza que floresce na escuridão. Originalmente escrita como um poema de aniversário entre duas das integrantes, a música celebra a força e a luz que surgem mesmo nos períodos mais sombrios. As “flores da noite” simbolizam seres que se reinventam, arrancando-se das suas raízes para renascer e dançar sob a noite que melhor as veste. É uma canção sobre resiliência, irmandade e o poder silencioso que habita a escuridão. É uma celebração poética da amizade, da transformação e da beleza nas sombras.