quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Google, Greenwashing and Information Dystopia


When a student in a school in Copenhagen, Connetticut or Calcutta turn to the world’s biggest search machine, Google, and ask “How to reduce greenhouse gas emissions?” or about “eco-friendly companies” or “net zero”, it is not unlikely that the results are directly paid for by the oil and gas industry.

A new report from the nonprofit, Center for Countering Digital hate, reveal that nearly half of the $23.7 million spent on Google search ads by oil and gas companies in the last two years have targeted search terms on environmental sustainability. As they conclude: “Google sell search terms to the highest bidder, no matter the consequences“.

In total Google accepted $23.7m for ads from Big Oil within the last two years. And today, according to the new report, Google Search is among the “newest weapons of choice” in greenwashing. Out of the $23.7m in total, Big Oil spent $10.9m to target US Google Search users with greenwashing ads in the last two years, which were viewed an estimated 58.6m times. These money include:
  • $1.8m to target users searching for information on greenhouse gasses
  • $1.7m to target queries about renewables
  • $1.2m to target queries about carbon offsets
  • $5.2m to target users searching for information about Big Oil companies
But, isn’t it obvious where to the line is between advertisement, propaganda and neutral information?

Well, not in Google search, it seems.

As an example, Google sells ads to the US’s largest oil company, ExxonMobil, at the top of the page. But 68% of users are unable to spot the difference between ads and organic search results. Moreover, studies show that only 0.63% of Google searchers will click on links shown in the second page of results.

Google dominates the global search engine market share, averaging an 86–96% market share worldwide. In the US Google is commanding a market share of 87% and here users have a high degree of trust in search engines: 73% believe that most or all of the information they find in search is accurate and trustworthy.

As the report concludes: “Google is not only complicit in the latest disinformation campaign of the fossil fuel industry, but actively profiting from this deception”.

Before Google became our outsourced cognitive facility PR companies were main actors in the acts of “greenwashging” /that is the when companies use green messaging to appear more climate friendly and environmentally sustainable than they really are). For oil and gas companies this could be to: “distract and deceive the public about their role in the climate crisis, particularly when their business models and activities are undeniably key drivers of climate change”.

It could look something like this:


I guess this it what Ian Brenner meant when in 2018 he tweeted: “The idea that we get our information as citizens through algorithms determined by the world’s largest advertising company is my definition of dystopia”.

What I wonder is: Will we ever learn?

Pedofilia nos estados islâmicos


Infelizmente não é só na Igreja Católica que existe pedofilia e encontrar caminhos para que jamais volte a acontecer [ler artigo aqui]. O relatório da Internet Watch Fondation de 2021, concluiu que a cada dois minutos, uma página da web mostrava uma criança sendo abusada sexualmente.

Já uma reportagem da Revista Veja, da Editora Abril, edição nº 1982, ano 39, nº 45, de 15 de novembro de 2006, no escritório de advogados entrevistados já processaram pedófilos católicos, islâmicos, luteranos, mórmons, testemunhas de Jeová, protestantes e evangélicos.

Este livro " A Jóia de Medina" é fruto de extensa pesquisa e escrito com elegância pela jornalista americana Sherry Jones e mescla romance, história e aventura para narrar a emocionante saga da jovem A’isha, que se tornou a esposa favorita de Maomé e uma das mulheres mais reverenciadas do mundo islâmico. Na dura e exótica sociedade árabe do século XVII que presenciou a fundação do Islão, uma menina de 6 anos está prestes a dar o primeiro passo para se tornar uma das mulheres mais poderosas de sua época. A’isha bint Abi Bakr é a filha de um rico comerciante de Meca e acaba de ficar noiva do profeta Maomé. Quando se casa, aos 9 anos, ela se vê obrigada a confiar na própria inteligência e coragem. Agora é senhora de seu destino e deve estabelecer o seu lugar na comunidade, lutando contra a perseguição religiosa, intrigas políticas, ciúmes das outras esposas do harém e as próprias tentações. Conforme passa a amar Maomé, sua devoção e perspicácia fazem dela uma conselheira indispensável, tornando-a a mulher mais importante do Islão, uma defensora fervorosa das palavras e do legado do marido. Neste livro evoca a beleza e a árdua realidade da vida em uma época perdida no tempo, durante um tempo de guerra, aprendizado e iluminação. A primorosa descrição das origens da fé islâmica e de cenas da vida do profeta causou inquietação na comunidade muçulmana. Em agosto de 2008, a Random House, uma das maiores editoras do mundo, anunciou o cancelamento da publicação do romance, preocupada com uma eventual retaliação da comunidade muçulmana, gerando uma enorme onda de indignação pelo mundo. Salman Rushdie, o consagrado autor dos "Versículos Satânicos", classificou o episódio de “censura”. Depois de anunciar que publicaria a obra, Martin Rynja, editora da britânica Gibson Square, teve a sua casa atacada. Cercado de polémica, este livro é uma rara oportunidade de observar um relato histórico sobre o nascimento do Islão e o poder das mulheres através dos olhos de uma inesquecível heroína. 

Os estudiosos do Corão e da vida de Maomé estão divididos. Alguns dos hadiths (tradições do Profeta) em relação a idade de Aisha no tempo de seu casamento com o profeta são problemáticos. 
Uns apresentam evidências contra a aceitação das fictícias histórias de Hisham ibn ‘Urwah, para limpar o nome do Profeta como um homem velho irresponsável predando uma menina inocente [ler aqui]. Outros estudioso vêm Maomé pedófilo, guerreiro sanguinário e sem escrúpulos [ler aqui] 

A maioria dos países islâmicos têm leis para maioridade que variam dos 15 até os 21 anos. No entanto, alguns países afetados pela pobreza extrema, falta de infraestrutura social, pouca escolaridade e expectativa de vida baixa são mais propensos a terem números maiores de casamentos infantis. 

Relatos de muçulmanos que fazem sexo com meninos menores de idade também ocorrem. Um dos exemplos recorrentes são os casos dos bachar bazis no Afeganistão, que são meninos com traços mais femininos que são obrigados a dançar e servir como escravos sexuais para homens mais velhos. Embora isso seja parte da cultura do país, é considerado um crime pela lei islâmica e é passível de punição severa de acordo com a sharia.

Não é permitido obrigar os meninos a agirem como meninas e, de acordo com os relatos da vida do Profeta Muhammad, os estupros podem ser punidos com morte.

É comum que, em regiões mais pobres, os pais busquem emancipar os filhos cada vez mais cedo para aliviar as despesas da família. Não é por acaso que também há uma grande incidência de trabalho infantil nesses lugares. Além disso, a dificuldade em colocar e manter as crianças nas escolas faz com que o período da adolescência seja encurtado por causa das necessidades mais urgentes das famílias.

No entanto, podemos ver abaixo que alguns países islâmicos estão a tentar mudar esta realidade. Exemplos:
  1. No Egito, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos.
  2. Na Turquia, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos. O casamento aos 17 é permitido somente com o consentimento dos pais. Aos 16, é necessária uma autorização da justiça do país e, antes disso, é proibido.
  3. Na Arábia Saudita, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos.
  4. Nos Emirados Árabes Unidos, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos.
  5. Na Palestina, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos.
  6. Na Indonésia, o casamento só é permitido pela lei após os 19 anos.

ONU considera "horríveis" declarações de ministra britânica sobre migrantes

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, considerou hoje “horríveis” as recentes declarações da ministra do Interior britânica, Suella Braverman, que evocou uma “invasão” de requerentes de asilo no Reino Unido.


No início da semana, Braverman provocou indignação quando descreveu o número recorde de pessoas que procuram asilo no país como uma “invasão”.

Questionado sobre os comentários, Türk disse que tais palavras não eram admissíveis e alertou contra a desumanização dos migrantes.

“Invasão. Palavra horrível”, disse o novo alto comissário da ONU durante a sua primeira conferência.

“Estou feliz que tenha havido uma reação forte na Grã-Bretanha a esse uso da palavra”, salientou.

Türk lembrou que quando era o número dois na agência de refugiados da ONU (ACNUR) durante a crise migratória de 2015-2016 na Europa era precisamente “o tipo de palavras e linguagem desumanizantes” que ouviu de políticos europeus.

O alto comissário da ONU disse estar preocupado com o reaparecimento desse tipo de linguagem.

“Nós temos de trabalhar com firmeza para que não se intoxique questões que preocupam os seres humanos”, apontou.


Dados divulgados pelo Ministério da Defesa indicam que entre as 00:00 de sexta-feira e sábado, 990 pessoas foram detetadas a tentar atravessar o Canal da Mancha da França para o Reino Unido em 24 pequenas embarcações.

O número de pessoas que arriscam a perigosa viagem através de uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo aumentou acentuadamente nos últimos anos.

Só este ano chegaram ao Reino Unido 40.000 pessoas, contra 28.000 em todo o ano de 2021 e 8.500 em 2020. Dezenas de pessoas morreram a tentar, incluindo 27 em novembro de 2021, quando um barco em que viajavam virou.

Ainda assim, o Reino Unido recebe menos requerentes de asilo do que outros países europeus, incluindo França e Alemanha.

Reino Unido e França têm discutido sobre como deter os grupos organizados de tráfico de pessoas e reforçaram os meios de controlo, mas não estão de acordo sobre como fazê-lo.

O governo Conservador britânico anunciou um plano controverso para enviar pessoas que chegam em pequenos barcos para o Ruanda, onde os pedidos de asilo seriam processados.

Os críticos dizem que o plano é imoral e impraticável, estando atualmente suspenso enquanto é contestado nos tribunais.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

COP27. Prémios Nobel alertam líderes para presos políticos no Egito



A maioria dos autores ainda vivos que foram condecorados com o Prémio Nobel da Literatura, assim como dois laureados em outras áreas, apelaram esta quarta-feira para que os vários líderes mundiais presentes na COP27, no Egito, ajudem na libertação dos milhares de presos políticos detidos no país.



Numa carta aberta, os premiados alertam para a situação do escritor Alaa Abd El-Fattah, um ativista que tem sido detido ao longo da última década e que se tornou num dos rostos dos protestos pró-democracia na Praça Tahir, em 2011.

Alaa está em greve de fome há cerca de seis meses e anunciou que deixará de beber água no dia 6 de novembro, dia em que começa a conferência.

A carta foi organizada pelos editores do escritor egípcio no Reino Unido e assinada por Svetlana Alexievich, JM Coetzee, Annie Ernaux, Louise Glück, Abdulrazak Gurnah, Kazuo Ishiguro, Elfriede Jelinek, Mario Vargas Llosa, Patrick Modiano, Herta Müller, Orhan Pamuk, Wole Soyinka e Olga Tokarczuk. Além destes 13 premiados com o Nobel da Literatura, assinaram também a carta George P. Smith, vencedor do Nobel da Química, e Roger Penrose, galardoado com o Nobel da Física.

Os 15 laureados pedem que os líderes presentes na COP27 "abordem os nomes dos prisioneiros, peçam a sua liberdade e convidem o Egito a virar a página e tornar-se num parceiro num futuro diferente, um futuro que respeite a vida humana e a dignidade".

"Alaa passou os últimos dez anos - um quarto da sua vida - na prisão, por palavras que escreveu. Como laureados do Nobel, acreditamos no poder das palavras de mudar o mundo, e na necessidade de defendermos as palavras se quisermos conseguir um futuro mais sustentável e genuinamente justo", acrescentam os autores e cientistas.

Em 2014, Alaa Abd El-Fattah foi condenado a cinco anos de prisão por ter participado em protestos não autorizados. E, em 2019, foi novamente detido por espalhar "notícias falsas" sobre o regime, tendo sido condenado a mais cinco anos de prisão. As irmãs do autor têm acampado à porta do Ministério do Negócios Estrangeiros britânico, em Londres, para exigir que o governo do Reino Unido faça mais para libertar Alaa.

Em Portugal, uma carta aberta assinada por vários políticos, jornalistas, ativistas e muitos outros cidadãos pediu em setembro o boicote à COP27, assim como a libertação de Alaa Abd El-Fattah, que está em greve de fome contra a sua prisão há mais de 200 dias.

Muitos governos e ONGs acusam a organização do evento de ajudar o regime do Egito, liderado por Abdul Fatah Al-Sisi, ao legitimar o governo através da conferência, apontando o dedo para os mais de 60 mil presos políticos no país.

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American historian Timothy Snyder becomes an ambassador for the United24 platform, launching the ‘Shahed Hunter’ fundraiser


Professor of History at Yale University, Timothy Snyder, has joined the United24 team, becoming the second ambassador after actor Mark Hamill who will focus his efforts on fundraising for Defence and Demining.

Recently, the famous historian made his course of Yale University lectures, "The Making of Modern Ukraine," available for everyone. The lectures have already gained almost three million views. Now he will be supporting Ukraine in his new role as United24 ambassador. Snyder will raise funds for an anti-drone system to counter the UAVs constantly used by Russia to attack Ukraine's critical infrastructure 

Timothy Snyder met with the President of Ukraine, Volodymyr Zelenskyy, in person, during his September visit to Kyiv.

"Timothy Snyder is an outstanding historian and a true friend of Ukraine, who tells the whole world about the importance of Ukraine, its true history, values, the way they were shaped, and why we need to protect them, in his works. I am also grateful that more people will understand, not only about the reasons and preconditions of our fight, but also learn about how they can help us," said Zelenskyy.

"I'm supporting Ukraine because Ukraine must win this war. Ukraine must win to lead the way into a better century. Ukrainian victory will open the region and the world to democracy and give us all hope. But for now, Ukraine is threatened. Much of Ukraine is under occupation. Ukraine's attackers, breaking all the laws of war, seek to kill civilians and to deprive them of the basic means of existence such as food, water, and electricity. To protect Ukrainians, to protect Ukraine, and thereby to defend all these values, we must be able to stop these attacks. I'm a historian and a scholar and in the long run I want to be raising money to rebuild libraries, schools, and universities. But right now, we have to do what is more urgent, which is to raise money to help Ukraine to defend itself from murderous drones. That is why I have set my goal as raising 1.25 million dollars for anti-drone defense," said Snyder.

United24 is a fundraising platform, initiated by the President of Ukraine. It is the central venue for charitable donations in support of Ukraine. During the first six months of operation, United24 collected $213 million from citizens of 110 countries worldwide. Among United24 ambassadors are famous athletes – Andriy Shevchenko, Elina Svitolina and Oleksandr Usyk, creative director of Balenciaga – Demna, American actors – Liev Schreiber and Mark Hamill, music band Imagine Dragons, singer and actress Barbra Streisand, astronaut Scott Kelly.

What is the «Shahed Hunter»?

It is an anti-drone system that will:

  • help detect and intercept enemy drones;
  • jam enemy drones GPS signals when they approach infrastructure or cities;
  • release ultra-fast drones that will follow and destroy enemy UAVs in the sky;
  • increase the overall effectiveness of the Ukrainian Air Force.

A ativista climática sueca Greta Thunberg não vai participar na Cimeira do Clima no Egipto


Jovem sueca alega que a conferência da ONU vai ser uma “oportunidade para líderes e pessoas no poder chamarem a atenção”

A jovem ativista climática sueca Greta Thunberg vai falhar a conferência climática da COP27, em novembro, no Egito.

A jovem critica o encontro das Nações Unidas e apelida-o de “lavagem verde”, alegando que servirá apenas para “os líderes mundiais chamarem a atenção, mentirem e enganarem”.

A ativista climática sublinha que a reunião vai ter lugar “num paraíso turístico que viola vários direitos humanos básicos”.

“Não vou à COP27 por muitas razões, mas o espaço para a sociedade civil este ano é extremamente limitado”, disse Greta Thunberg, numa entrevista durante o lançamento de seu último livro, em Londres.

“As COPS são usadas ​​principalmente como uma oportunidade para líderes e pessoas no poder chamarem a atenção, usando muitos tipos diferentes de ‘lavagem verde’”, alegou.

A ativista acrescentou que estas reuniões “não são realmente destinadas a mudar todo o sistema”, mas incentivam o progresso gradual.

A 27ª conferência da ONU sobre o clima começa na cidade turística de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, a 6 de novembro. As manifestações públicas estão proibidas e há fortes limites à acreditação de ativistas para participarem no encontro.

Thunberg estava entre aqueles que na semana passada assinaram uma petição de uma coligação cívica e política  de direitos humanos pedindo às autoridades egípcias que abram espaço cívico, liberdade de expressão e libertem os prisioneiros políticos.

A petição teve quase mil signatários organizacionais e individuais, incluindo 350.org, Amnistia Internacional e Climate Action Network, a maior rede climática do mundo composta por mais de 1.500 organizações da sociedade civil.

Muitos governos e ONGs acusam a organização de ajudar o regime do Egito, liderado por Abdul Fatah Al-Sisi, ao legitimar o governo através da conferência, apontando o dedo para os mais de 60 mil presos políticos no país.

Entre esses presos políticos está Alaa Abd El-Fattah, uma das principais vozes da revolução egípcia durante a Primavera Árabe de 2011, que derrubou a ditadura de Hosni Mubarak. No entanto, anos mais tarde, o Egito está de novo sob o controlo de um regime ortodoxo que reprime liberdade de expressão e liberdade de imprensa - segundo a ONG Reporters Without Borders, o Egito é dos países que mais jornalistas prende no mundo, situando-se no 168.º na lista de 180 países medidos (apenas à frente de países como a Síria, a China, Cuba, Irão ou a Coreia do Norte).

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Mais uma ecoparolice - Passadiços do Mondego


“Haverá um antes e um depois dos passadiços”, garante o presidente da autarquia. Abrem no domingo, dia 6, e incluem travessias, pontes suspensas, cascatas, levadas... Veja as primeiras imagens.

Os Passadiços do Mondego, no concelho da Guarda, integrados no Parque Natural da Serra da Estrela e no Estrela Geopark Mundial da UNESCO, vão abrir ao público no domingo, anunciou a Câmara Municipal.

Em comunicado, a autarquia informou que a inauguração dos Passadiços do Mondego “será no domingo, pelas 12h30 e contará com a presença da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa”.

“Garanto-vos que haverá um antes e um depois dos Passadiços do Mondego. Este é um investimento fundamental para o Turismo da Guarda e para toda a região. Esta obra será a referência para o turismo e lazer do nosso concelho e de todo o nosso território, com a qual poderemos pensar positivamente no seu sucesso futuro”, referiu o presidente da Câmara, Sérgio Costa.

Segundo aquele responsável, a Guarda “está pronta para começar a sua viagem para o sucesso na atracção do turismo e da actividade económica a nível nacional e internacional”.

Com um percurso pelas margens do rio Mondego e os seus afluentes de cerca 12 quilómetros, os passadiços começam junto à barragem do Caldeirão, estendendo-se depois pelo vale do Mondego, nos territórios das localidades de Trinta, Vila Soeiro e terminando já na montanha, em Videmonte.

“O percurso aproveita cinco quilómetros de caminhos já existentes e integra uma zona de sete quilómetros de travessias, passadiços e três pontes suspensas com paisagens de cortar a respiração e onde abundam as veredas, açudes, cascatas, levadas e moinhos”, salientou o município.

Os Passadiços do Mondego estão integrados no Parque Natural da Serra da Estrela e no Estrela Geopark Mundial da UNESCO.

O seu itinerário compreende geossítios como o Miradouro do Mocho Real, escombreiras e cascalheiras do Alto Mondego e ainda os vestígios de património industrial de antigas fábricas e engenhos de lanifícios ou de produção de electricidade (na aldeia de Trinta), “testemunhos de um passado ligado à indústria têxtil deste território, onde teve origem o afamado cobertor de papa”.

Também abrange “vestígios mais antigos como uma ponte medieval (entre Pêro Soares e Mizarela) que se acredita ter surgido sobre uma ponte já existente da época romana”.

No percurso, há “muito para descobrir e aprender” num local “onde se pode ver a Natureza em harmonia com a passagem humana pela paisagem”.

“Esta é uma obra de valorização do património natural da Guarda que pretende mostrar a importância deste rio para a região e para o país, destacando o valor cultural e paisagístico das aldeias de montanha que atravessa”, referiu o município.

Os Passadiços do Mondego representam um investimento na ordem dos quatro milhões de euros, em parte co-financiados a 85% por fundos europeus, no âmbito do Centro 2020, FEDER.

Em Maio, durante uma visita ao local, o presidente da Câmara Municipal da Guarda, que considerou os Passadiços do Mondego como os “mais bonitos do país”, adiantou que iriam abrir ao público no verão.

No entanto, segundo Sérgio Costa, tal não aconteceu devido a factores que atrasaram a execução das obras, como o período crítico de incêndio.

O autarca também informou, no final da reunião do executivo municipal do dia 10 de Outubro, que “apenas no dia 29 de Setembro” ficou concluída a regularização da titularidade dos terrenos abrangidos.

Hai-Kai de Outono

Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

Mário Quintana

É machão? Saiba que já foi uma menina quando ainda era um embrião

Sim! No início todos os embriões são do sexo feminino e só 'ganham' as famosas características masculinas após o cromossoma 'Y' ser ativado. Entre as 'recordações' daquele período no corpo do homem estão os mamilos.

Todo homem já foi do 'sexo feminino' quando ainda era um embrião. Pode parecer ‘loucura’ ou teoria feminista, mas a genética explica a curiosa situação. Ao ser fecundado, o óvulo, que já possui 23 cromossomas, recebe outros 23 que vem com o espermatozoide criando um embrião com 46 cromossomas, dispostos em 23 pares.

O facto curioso ocorre logo nas primeiras semanas de gestação, quando o cromossomo 'Y', responsável pelas características masculinas, ainda não está ativo. Por mais que o sexo da criança seja definido no momento da concepção, no caso dos homens ele só começa a 'atuar' sobre a formação do embrião após a quinta semana de gestação (em alguns casos somente após a sexta semana!). Até então, quem rege o desenvolvimento durante aquele período é o cromossoma 'X', que é o responsável pelas características femininas.

Com isso, ele desenvolve a futura criança como se fosse uma menina e somente após o cromossoma 'Y', se for o caso, entrar em ação que o bebé começará a ganhar as características de um menino. O gene responsável por esta brusca mudança chama-se SRY e é ele que freia o desenvolvimento dos atributos femininos e paralelamente estimula os masculinos. No caso de o embrião ser do sexo feminino, ele permanecerá sob influência do cromossomo 'X'.

Ao longo deste curto período de cinco ou seis semanas, o embrião 'masculino' já ganha algumas características femininas que ficarão para sempre no corpo do homem. O mais famoso de todos os atributos são os mamilos que, em casos extremos, são capazes até de produzirem leite após estímulos. Esta curiosa situação só ocorre porque a glândula, que se desenvolveu antes do gene SRY entrar em ação, possui as células responsáveis pela produção do líquido. Inclusive, na última década, um sueco fez um experiência não-científica estimulando os seus mamilos com uma máquina de extração de leite humano e conseguiu obter o produto em pequena quantidade. Outra situação onde também é comum ocorrer a lactação masculina é quando o homem possui um tumor da hipófise, que acaba gerando uma hormona que induz a produção do leite.

Já outras características femininas acabam sendo 'transformadas' com a ação do gene SRY, entre elas os grandes lábios vaginais que se convertem no escroto. No caso do símbolo máximo da masculinidade, os testículos eram inicialmente o ovário do embrião. Somente após as transformações que ele ganha a tradicional aparência, além da capacidade de produzir espermatozoides.

1 de Novembro de 1755 - Terramoto de Lisboa


E a 1 de novembro de 1755, pelas 9h 40m, ocorreu um dos maiores terramotos e tsunamis da História , com a magnitude 9 da escala de Richter. Lisboa comemorava em todas as igrejas o Dia De Todos os Santos.
O sol brilhava , dizia Charles Davy, um dos muitos estrangeiros que residia na cidade bela. 
O céu claro, a manhã perfeita, lindíssima.
De repente, muito de repente, um barulho enorme eclodia. Pareciam carruagens e carruagens trotando. Mas, não. Eram estrondos e estrondos , explosão, trovões, coisas nunca acontecidas ou vivenciadas.
Numa praça junto ao Tejo, centenas e centenas de pessoas acorriam, muitas de joelhos a orar, outras seminuas, outras clamando por Misericórdia.
Um segundo abalo se seguiu.  E rugia na direção das multidões em suplica. O Horror. Lisboa destruída. Lisboa, desaparecida, amortalhada.
Rapidamente , pela Europa culta, se soube do horrendo terramoto. Voltaire em poucas semanas lhe dedicou um longo poema.
Um excerto, traduzido em português:
(...) "Ide interrogar as margens do Tejo
Revolvei os escombros deste sangrento despejo(...)".
Voltaire , de tão impressionado, publicou após, o Poème sur le désastre de Lisbonne, e os Précis du siècle de Louis XV. Ainda os Romans et contes.
Rousseau, o Filósofo, muito assinalou o Terramoto.
Há cientistas que opinam que foi a partir deste Desastre Natural que nasceu a sismologia.
Quanto ao Marquês de Pombal, o braço direito do rei Dom José, o qual escapara da morte mais a nobreza porque se escondeu no Alto da Ajuda, esse , reconstituiu do nada a cidade formosa, Era um Iluminista . Estivera em Londres. Era um genial estadista. A cidade pombalina, a ele tudo deve. As más línguas também assinalam que Pombal aproveitou para, passados escassos anos, expulsar os Jesuítas. E matar em autos de fé os Távoras, por causa de uma tentativa de regicídio ocorrido a 3 de setembro de 1758. Mas, mais uma vez, o rei escapou e o Marquês de Pombal mandou queimar viva a ilustre Leonor de Távora. 
Camilo Castelo Branco, em 1882, escreveu sobre esse auto de fé no livro O perfil do Marquês de Pombal em 1882.
Sobre o Terramoto dele falaram o filósofo Immanuel Kant. Walter Benjamin, no século XX, também 
.A filosofia cartesiana sofreu , também ela, um abalo.
Tudo prenunciava uma imensa revolução nesses finais do século XVIII . Ao que se chegou, em 1789, à Revolução Francesa. E nas Américas, tudo se desencadeava. E o mundo não voltaria a ser o mesmo.

Entrevista a William Browder - Putin can't back out, so the only option is to totally destroy him


Site
Bill Browder

Bill Browder, o homem que há mais de uma década dedica a vida a lutar contra a corrupção dos oligarcas, diz à TSF que o presidente russo é um criminoso, mas não é louco.

A invasão da Ucrânia não o surpreendeu mas diz que nada está a correr como Vladimir Putin queria. Os planos não se concretizaram e a segunda fase da guerra também não está a ter os resultados previstos. Bill Browder considera, por isso, que Putin é agora mais imprevisível, "ele foi totalmente humilhado e não lida bem com isso. Penso que como resultado Putin pode fazer algumas loucuras, não sei quais, mas podemos esperar ações desagradáveis, perversas e desoladoras por parte do presidente."

O antigo empresário que em meados dos anos 90 começou a investir na Rússia, diz que Putin foi humilhado e está também assustado e foi isso que o levou a invadir a Ucrânia. O chefe de estado teve medo que o povo se revoltasse por causa das dificuldades económicas causadas por todos os roubos. Ele decidiu, por isso, avançar para esta guerra como uma distração, como forma de garantir a popularidade. Browder defende que as palavras sobre a Nato e o grande império russo são para consumo interno, a razão da guerra é mais simples, ele está com medo.

Apesar de Putin estar assustado, o antigo empresário britânico, nascido nos Estados Unidos, não acredita que ele concretize as ameaças que tem feito. "Vamos supor que a Suécia e a Finlândia se juntam à Nato e ele quer atacá-los. Isso significa que vai entrar em guerra com a Aliança Atlântica. Ele mal se aguenta na Ucrânia e vai perder quase de imediato uma guerra com a NATO. Ele não é estúpido e sabe que se tentar usar uma arma nuclear haverá destruição mutua. É assim que a dissuasão nuclear funciona, aquele que tentar utilizar essas armas entende que será destruído rapidamente," explicou Browder em entrevista à TSF.

Bill Browder disse à TSF que Putin "foi humilhado", o que o torna "imprevisível".

Para Browder as sanções que têm sido aplicadas pelo ocidente são corretas mas devem ir mais longe. Ele sublinha que Vladimir Putin só vai ser travado se lhe cortarem o acesso ao dinheiro e para isso é preciso que a Europa deixe de comprar gás e petróleo à Rússia.

Browder lembra que durante décadas o ocidente optou por ignorar a ameaça colocada por Putin, mas a invasão da Ucrânia mudou esse cenário. Reconhece que ele próprio, quando o antigo agente do KGB se tornou primeiro-ministro e depois presidente, se convenceu que Putin seria benéfico para o país. Na altura Browder tinha criado o Hermitage Fund, gerido pelo Hermitage Capital Management, que chegou a ter o maior portefólio de investidores estrangeiros na Rússia. O fundo investiu em diversas companhias estatais, entre elas a Gazprom.



Com o descalabro económico do país, Browder apercebeu-se que havia oligarcas a roubar dinheiro em empresas nas quais tinha investido. Para proteger os investimentos começou a denunciar os homens mais ricos da Rússia e Putin apoiou-o. Só mais tarde o antigo empresário percebeu que o presidente não queria combater a corrupção, queria apenas ser o maior oligarca de todos.

Vladimir Putin conseguiu atingir esse objectivo prendendo aquele que era na altura o homem mais rico do país, Mikhail Khodorkovsky. Em 2003 ele foi detido, julgado por fraude e condenado a 10 anos de prisão. Os outros oligarcas viram isso e pensaram que se uma pessoa muito mais rica e mais poderosa do que eles tinha caído em desgraça, então tinham que se entender com Putin. "Foi nessa altura que todos chegaram a um acordo com Putin. Ficavam em liberdade e não seria perseguidos se entregassem ao líder do país 50% das fortunas," revelou Browder à TSF.

A partir daí o britânico deixou de estar em consonância com os interesses de Putin e rapidamente percebeu isso. "Fui expulso do país, em 2005, e declarado uma ameaça à segurança nacional. Os meus escritórios em Moscovo foram alvo de rusgas em 2007, apreenderam todos os documentos que foram, mais tarde, usados numa fraude complexa para roubar 230 milhões de dólares que a empresa tinha pago em impostos ao governo russo."

Browder conta à TSF o início de Putin à frente da Rússia.

Foi nessa altura que o antigo empresário contratou o advogado moscovita, Sergei Magnitsky, que descobriu os responsáveis pela fraude contra o estado russo. Confiantes de que Putin não podia estar envolvido, Browder divulgou o caso publicamente no estrangeiro e Magnitsky fez queixa às autoridades, um gesto que teve consequências devastadoras. "Ele testemunhou contra os funcionários envolvidos, foi preso por eles, torturado durante 358 dias e assassinado quando estava à guarda da polícia. Tinha 37 anos," Browder admite que foi um crime que lhe mudou a vida. Decidiu abandonar todos os negócios e lutar para que os responsáveis do assassinato fossem levados à justiça.

Incapaz de agir dentro da Rússia, criou a lei Magnitsky, aprovada já por 34 países e que prevê o congelamento dos bens e o cancelamento dos vistos a todos os que violam os direitos humanos no mundo.

Há nesta altura 150 pessoas abrangidas pela lei, mas Bill Browder diz que há milhares que temem cair nas teias da legislação.

Adaptação Profunda: navegando a realidade do caos climático


O conceito Adaptação Profunda foi cunhado em um artigo publicado pelo professor Jem Bendell como alternativa ao termo mais comumente usado ‘adaptação climática’. A palavra ‘profunda’ indica que medidas fortes são necessárias para nos adaptarmos ao colapso do estilo de vida ocidental industrializado. Desde sua publicação em 2018 mais de 1 milhão cópias foram baixadas pela internet.

O artigo Adaptação Profunda: Um Mapa para Navegar pela Tragédia Climática analisou estudos recentes sobre as mudanças climáticas e suas implicações para nossos ecossistemas, economias e sociedades e propôs que, dada a dificuldade de revertermos as tendências de mudanças climáticas drásticas, o colapso social de curto prazo é o cenário mais provável com graves consequências para a humanidade.

Adaptação Profunda é um termo amplo que pode significar um ethos, uma abordagem analítica, um movimento ou comunidade.

Tanto a abordagem como o movimento presumem que eventos climáticos extremos e outros efeitos das mudanças climáticas irão causar rupturas nos sistemas alimentares, hídricos e de moradia, assim como os de poder e governança. Essas rupturas irão provavelmente ou inevitavelmente causar um colapso social desigual nas próximas datas.

O ethos é compromisso para que trabalhemos juntos fazendo o que será útil durante a grande ruptura ou colapso da sociedade em função do impacto direto e indireto da degradação ambiental e mudanças climáticas.

A abordagem analítica é um enquadramento que ajuda as pessoas a explorar idéias sobre como reagir à degradação ambiental, a perda da biodiversidade e às mudanças climáticas. Essa abordagem traz 4 perguntas, também chamadas de ‘4 Rs’.

A primeira é sobre Resiliência. O que mais valorizamos e queremos manter durante o colapso e como vamos fazer isso?

A segunda é sobre Renúncia. Do que precisamos abrir mão a fim de não piorar ainda mais a situação?

Restauração é o tema da terceira pergunta. O que podemos trazer de volta (de um passado pré-industrial) para nos ajudar nesses tempos difíceis?

E a Reconciliação constitui a quarta pergunta. Com quem e o que podemos fazer as pazes quando acordamos para nossa mortalidade mútua.

Quando acordamos para a extensão do estrago já feito e a magnitude da crise vindo em nossa direção ficamos assoberbados, perturbados e nos faltam ferramentas para conversar sobre o tema. Daí a importância da estratégia ser deliberadamente baseada em perguntas. Assim evitamos nos apressar nas respostas e soluções rápidas que nos tornam menos criativos e curiosos como poderíamos ser.

O Fórum para Adaptação Profunda surgiu para que pudéssemos debater sobre o impacto dessas perguntas em nossas vidas e como reagir.

Do Fórum também surgiu uma comunidade de apoio mútuo que busca amparar os processos emocionais vividos pelos participantes que, por sua vez, buscam antecipar a ruptura e colapso. A comunidade também é de prática e os participantes se apoiam e se capacitam no sentido de melhorar a comunicação sobre o tema e de como redesenhar suas vidas daqui para frente.

À partir da abordagem, do Fórum e da comunidade surgiu um movimento que, em muitas partes do globo, busca garantir a soberania alimentar, o acesso a água e a medicamentos naturais em uma situação de colapso. A agenda do movimento inclui valores como não-violência, compaixão, curiosidade e respeito em uma abordagem para ação construtiva.

Em muitos núcleos da Adaptação Profunda, quando a pandemia rendeu milhares de pessoas sem assistência e ainda mais refugiados políticos e climáticos, a abordagem e a articulação já existente permitiu com que muitas pessoas pudessem ser amparadas de imediato.

Jem Bendell alerta para o fato de que os maiores centros de pesquisa apontam a crescente degradação ambiental como principal possível causa de novas pandemias. Ele alerta também para o fato de que as instituições públicas, privadas e do terceiro setor apontam as mudanças climáticas e a degradação ambiental como principal ameaça para nossos sistemas alimentares. Bendell é mais um académico que ao fazer o estudo profundo dos sistemas de suporte a vida no planeta, perceber e sentir a gravidade da crise que já se estabelece rapidamente, nos urge a praticar o protagonismo coletivo e a cultura da dádiva e a buscar alternativas locais autogeridas para suprirmos nossas necessidades de moradia, alimentação, água, saúde e transporte.

E você, como tem planeado suprir essas áreas essenciais na sua vida num mundo que colapsa cada vez mais rápido?


Site Oficial Jem Bendell

Saber mais:
Artigo Científico

Arundhati Roy - O Deus das Pequenas Coisas


A ler o artigo: The Dismantling of the World as We Know It

O Deus das Pequenas Coisas, da indiana Arundhati Roy (Companhia de Bolso, 352 páginas), poderia ser descrito como um livro sobre a relação quase siamesa entre irmãos gémeos. Ou sobre a Casa Ayenemen, um lugar em que realidade e imaginação se misturam de forma fluída. Mas a melhor definição é da própria autora: essa é uma obra sobre as leis que determinam “quem deve ser amado, e como. E quanto”.

O livro fala de castas e toca em temas tabus. Por isso, a autora foi levada a tribunal por obscenidade.

O livro tem como ponto de partida o retorno de Rahel, uma das metades do casal de gémeos bivitelinos que protagoniza a narrativa, para a cidade em que nasceu, após um longo tempo distante da Índia. Essa volta é significativa porque é a partir dos fragmentos da história que persistem em móveis, objetos e paredes de sua antiga casa que a escritora nos guiará até o dia fatídico em que tudo mudou. Logo na primeira página, Arundhati Roy nos encanta com seu poder descritivo, sua capacidade de criar imagens fortes e vívidas, nos deixando familiarizados com o ambiente que ela busca retratar:

Maio em Ayemenem é um mês quente, parado. Os dias são longos e húmidos. O rio encolhe, e corvos pretos se banqueteiam com belas mangas em árvores imóveis, verde-empoeiradas. Bananas vermelhas amadurecem. Jacas explodem. Varejeiras dissolutas zunem vagabundas no ar perfumado. Depois se estatelam contra vidraças transparentes e morrem, totalmente enganas, ao sol. (…) Mas no começo de junho irrompe a monção sudoeste, e vem três meses de vento e água com curtos intervalos de sol duro e brilhante em que crianças excitadas aproveitam pra brincar.

Conforme Rahel explora o entorno da casa, ela nos apresenta o “microcosmo” composto por sua família, uma representação da Índia presa entre tentativas de modernização e velhos preconceitos arraigados na sociedade. No mosaico familiar composto pela mãe divorciada, pelo tio sem rumo, por uma avó de personalidade forte e por uma tia cujos sonhos desabaram, um a um, até que só sobrasse o rancor e a inveja, vamos conhecendo os personagens decisivos para a noite do Terror, como é descrito o dia em que “tudo mudou”.

A chegada de Sophie Mol, filha do tio Chacko, inglesa de peles claras e cabelo afogueado, estará indelevelmente associada à esses acontecimentos, mas é apenas aos poucos que a autora constrói esse quebra-cabeça.

Antes de tudo, ela parece querer nos mostrar que o mais insignificante dos acontecimentos, a menor das vergonhas, a mais banal conversa, podem levar a tragédias familiares sem precedentes.

No entanto, sua escrita quase lírica, em que substantivos viram verbos, em que palavras e termos se repetem, em que o onírico estado de ser da infância se confronta com a dureza crua do mundo dos adultos, pode ser um pouco cansativa e arrastada em alguns momentos, até que a narrativa engrene, na metade final do livro. A leitura, no entanto, continua a fluir, especialmente por causa da capacidade de Roy de elaborar imagens pungentes em metáforas que poderiam ser banais:

O silêncio encheu o carro como uma esponja encharcada. Derrotado cortou como uma faca numa coisa macia. O sol brilhava com um suspiro estremecido. Era esse o problema das famílias. Assim como médicos hostis, elas sabiam exatamente onde machucar.

Atravessar a primeira parte, mais morosa, vale a pena pelo desfecho triste, mas muito belo dessa narrativa, que levou a autora a ser a primeira indiana premiada com o Man Booker Prize, em 1987. Ao falar de quem pode amar a quem, e quanto – e o potencial trágico de se romper essas regras não-escritas, Roy constrói um lindo romance sobre o arcaico sistema de castas indiano, que prevalece até hoje, num paradoxo que o “mundo não discute, não questiona”, como declarou a autora.

Biografia e Obra
Arundhati Roy

Poesia da Semana: Serhiy Zhadan - "Eles enterraram seu filho no inverno passado"

Mulher em casa destruída pelo conflito no leste da Ucrânia

"Eles enterraram seu filho no inverno passado.

Um tempo estranho para o inverno — chuva, trovão.
Eles o enterraram silenciosamente — todos estavam ocupados.
Por quem ele lutou? Eu perguntei. Não sabemos, eles dizem.
Ele lutou por alguém, dizem eles, mas quem — quem sabe?
Vai mudar alguma coisa, dizem eles, qual é o ponto agora?
Eu mesmo o teria perguntado, mas agora — já não há necessidade.
E ele não responderia — ele foi enterrado sem a cabeça.
É o terceiro ano de guerra; estão consertando as pontes.
Sei tantas coisas sobre você, mas quem ouviria?
Eu sei, por exemplo, a música que você costumava cantar.
Conheço sua irmã. Sempre tive uma queda por ela.
Eu sei do que você estava com medo, e até mesmo, o porquê.
Quem você encontrou naquele inverno, o que você disse a ele.
O céu brilha, cheio de cinzas, todas as noites agora.
Você sempre jogou para uma escola vizinha.
Mas por quem você lutou?
Por vir aqui todo ano, para a grama seca.
Por cavar a terra todos os anos — pesado, sem vida.
Por ver a calma após a tragédia todos os anos.
Por insistir que você não atirou em nós, no seu povo.
Os pássaros desaparecem atrás de ondas de chuva.
Por pedir perdão por seus pecados.
Mas o que eu sei sobre seus pecados?
Por implorar para que a chuva finalmente pare.
É mais fácil para os pássaros, que não sabem nada de salvação, sobre alma."
Serhiy Viktorovych Zhadan -poeta Ucraniano

Projecto Andorin: A ajudar a salvar vidas!








Todos os anos morrem mais de meio milhão de pessoas, sobretudo crianças, devido a doenças transmitidas por mosquitos. A malária, a febre amarela, o dengue e a zica são apenas algumas das enfermidades que usam os mosquitos como vetores, ou seja, os vírus e os parasitas que causam as doenças, passam de pessoa em pessoa através das picadas destes insetos.

A transmissão destas doenças é sazonal, uma vez que os mosquitos não são comuns ao longo de todo o ano. Existe por isso, um pico de transmissão que ocorre precisamente agora, entre outubro e novembro, na época de proliferação de mosquitos. 

Este pico de transmissão coincide com a presença das andorinhas e dos andorinhões em África, aves que são muito importantes no controlo das populações de muitos invertebrados, incluindo os que são transmissores de doenças. 

Por isso, a sua presença deverá ser um fator determinante para que este cenário não seja ainda mais catastrófico.

Proteger as andorinhas e os andorinhões que nidificam em Portugal é muito mais do que cuidar do nosso cantinho! Onde estão as andorinhas e os andorinhões que nasceram este ano na tua vila ou cidade? Estão em África, a ajudar a salvar vidas!

Mais informações sobre o projeto Andorin