A Live Nation, a maior promotora de espetáculos do mundo e detentora da maior empresa de venda de bilhetes, a Ticketmaster, foi condenada por um júri norte-americano por ter estabelecido um monopólio ilegal no mercado da música ao vivo. Poderá ter de pagar uma multa avultada ou separar-se mesmo da empresa de bilhética. A empresa vai recorrer.
A Live Nation, a maior promotora de música do mundo e em Portugal dona da Meo Arena, em Lisboa, foi formalmente condenada por um júri norte-americano por ter estabelecido um monopólio ilegal no mercado dos eventos ao vivo.
A Live Nation e a Ticketmaster, gigante da bilhética adquirida pela Live Nation em 2010, foram levadas a tribunal por mais de trinta estados norte-americanos, que conseguiram demonstrar ao júri do caso de que a empresa violou leis de direito à concorrência.
De acordo com esses mesmos estados, a Live Nation - que em Portugal assumiu também o controlo da promotora Ritmos e Blues - recorreu a ameaças contra artistas e salas de espetáculos para que recorressem aos seus serviços, retaliando quando não o faziam - excluindo, por exemplo, certas salas de algumas das digressões mais lucrativas que promoveu.
Multa ou separação
Segundo noticia a imprensa norte-americana, a Live Nation poderá, agora, ser condenada a pagar uma multa avultada ou, em último caso, a separar-se da Ticketmaster. Em comunicado citado pela “Rolling Stone”, a promotora afirmou que o veredicto do júri não constitui “a última palavra neste caso”, prometendo recorrer da decisão. O caso poderá vir a arrastar-se, nos tribunais, durante anos.
Já Stephen Parker, diretor executivo da National Independent Venue Association, que representa salas de espetáculos independentes nos Estados Unidos, exigiu a separação da Live Nation e da Ticketmaster. “Não deviam ser responsáveis por mais de 50% das digressões”, afirmou à revista norte-americana. “As indemnizações pagas aos estados devem ser entregues às salas de espetáculos, promotoras, festivais independentes e aos fãs, que há 15 anos que sofrem com este monopólio”.
Sem acordo
No início de março, uma semana após o início do julgamento, a Live Nation anunciou ter chegado a acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, comprometendo-se a pagar uma indemnização no valor de 200 milhões de dólares e a permitir que a Ticketmaster passe a poder ser utilizada por plataformas concorrentes.
Porém, apenas sete desses estados aceitaram o acordo oferecido pelo Departamento de Justiça, com os restantes a decidir continuar com o caso.
Ao longo das últimas seis semanas, foram tornados públicos vários documentos ligados ao caso, entre eles uma troca de mensagens entre dois dos executivos da Live Nation, na qual se vangloriavam de “roubar” os fãs.
O julgamento também ganhou contornos políticos, com a Live Nation a pedir à administração Trump para que interviesse no caso. O “Wall Street Journal” escreveu que o presidente tomou parte em algumas discussões pré-acordo.
Em Portugal, a Live Nation é promotora de alguns dos maiores espetáculos do ano, como os dois concertos de Bad Bunny no Estádio da Luz, em maio, ou os recentes espetáculos de Rosalía na Meo Arena.
Impacto Ambiental
A Live Nation é frequentemente criticada pelo impacto ecológico das digressões globais ("Stadium Tours"), que geram emissões massivas de CO2 devido ao transporte de toneladas de equipamento e deslocações aéreas.
Greenwashing vs. Ação
A empresa lançou a plataforma Green Nation, prometendo reduzir emissões em 50% até 2030 e eliminar plásticos de uso único.
Charter de Sustentabilidade da Live Nation para veres as promessas oficiais (como a redução de 50% nas emissões até 2030).
No entanto, críticos argumentam que estas medidas são insuficientes face à escala do desperdício gerado em festivais e à logística global que a empresa incentiva para manter o seu domínio.
Por outras palavras, enquanto a empresa instala painéis solares nalguns recintos, o seu modelo de negócio baseado na exclusividade e em "mega-festivais" aumenta a pegada carbónica per capita comparado com concertos locais menores.
1. O Estudo do MIT (Janeiro de 2026)
Recentemente, o MIT (Climate Machine) publicou aquela que é considerada a primeira avaliação abrangente das emissões da música ao vivo nos EUA e no Reino Unido, com o apoio da própria Live Nation e de bandas como os Coldplay.
O que diz: o estudo revela que as emissões não vêm apenas do palco, mas de decisões logísticas.
Dados: as viagens dos fãs representam entre 62% (EUA) e 77% (Reino Unido) das emissões totais de um evento.
2. O Peso do "Scope 3" (Emissões Indiretas)
A Live Nation foca-se muito no "Scope 1 e 2" (emissões diretas dos seus recintos), mas especialistas em sustentabilidade apontam que o verdadeiro impacto está no Scope 3:
Logística Global: a promoção de mega-digressões mundiais exige o transporte de centenas de toneladas de aço, luzes e ecrãs em aviões de carga e dezenas de camiões.
Resíduos Sólidos: estudos citados pela Greenly indicam que a indústria de eventos gera cerca de 1.2 mil milhões de toneladas de CO₂ anualmente. Festivais de grande escala (como os geridos pela Live Nation) produzem, em média, 100 toneladas de resíduos por dia.
3. O Impacto da Tecnologia (NFTs e Streaming)
Embora menos visível, a Live Nation explorou o mercado de bilhetes NFT e colecionáveis digitais. Estudos da Digiconomist mostram que a infraestrutura de blockchain para estes ativos (dependendo da rede utilizada) pode ter um consumo energético equivalente ao de pequenas cidades, algo que colide com as metas ambientais da empresa.
Recentemente, o MIT (Climate Machine) publicou aquela que é considerada a primeira avaliação abrangente das emissões da música ao vivo nos EUA e no Reino Unido, com o apoio da própria Live Nation e de bandas como os Coldplay.
O que diz: o estudo revela que as emissões não vêm apenas do palco, mas de decisões logísticas.
Dados: as viagens dos fãs representam entre 62% (EUA) e 77% (Reino Unido) das emissões totais de um evento.
2. O Peso do "Scope 3" (Emissões Indiretas)
A Live Nation foca-se muito no "Scope 1 e 2" (emissões diretas dos seus recintos), mas especialistas em sustentabilidade apontam que o verdadeiro impacto está no Scope 3:
Logística Global: a promoção de mega-digressões mundiais exige o transporte de centenas de toneladas de aço, luzes e ecrãs em aviões de carga e dezenas de camiões.
Resíduos Sólidos: estudos citados pela Greenly indicam que a indústria de eventos gera cerca de 1.2 mil milhões de toneladas de CO₂ anualmente. Festivais de grande escala (como os geridos pela Live Nation) produzem, em média, 100 toneladas de resíduos por dia.
3. O Impacto da Tecnologia (NFTs e Streaming)
Embora menos visível, a Live Nation explorou o mercado de bilhetes NFT e colecionáveis digitais. Estudos da Digiconomist mostram que a infraestrutura de blockchain para estes ativos (dependendo da rede utilizada) pode ter um consumo energético equivalente ao de pequenas cidades, algo que colide com as metas ambientais da empresa.
Links e Recursos Sugeridos para Aprofundar:
Estudo MIT Climate Machine:
Relatório sobre Emissões da Música ao Vivo (Análise do impacto real).
Carbonmark:
Análise da pegada de carbono da indústria de eventos.
The Guardian: Frequentemente publicam investigações sobre o lixo deixado em festivais geridos por grandes promotoras [como este sobre progressos ecológicos destes eventos na Austrália]
Estudo MIT Climate Machine:
Relatório sobre Emissões da Música ao Vivo (Análise do impacto real).
Carbonmark:
Análise da pegada de carbono da indústria de eventos.
The Guardian: Frequentemente publicam investigações sobre o lixo deixado em festivais geridos por grandes promotoras [como este sobre progressos ecológicos destes eventos na Austrália]

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