Este comboio de tempestades não é único. Muitas destas tempestades em sucessão são alimentadas por rios atmosféricos. São faixas estreitas de humidade tropical concentrada que atravessam o Atlântico. Quando o "corredor" se abre em direção à Península Ibérica, as tempestades seguem esse rasto como se estivessem em carris. Tudo depende de um "braço de ferro" de pressão entre os Açores e a Islândia. Quando esta oscilação está numa determinada fase, o jet stream (uma corrente de ar a grande altitude) empurra todas as tempestades diretamente para nós, em vez de as desviar para o Reino Unido ou Escandinávia. Antigamente não dávamos nomes às tempestades (como Joseph, Leonardo e Kristin), o que dava a ideia de que era apenas "um inverno chuvoso". Hoje, ao darmos nomes individuais a cada depressão, temos muito mais consciência de quantas estão a passar por nós seguidas. A perceção de excecionalidade resulta, em grande parte, da forma como os fenómenos recentes são lembrados. A nossa memória meteorológica é curta e estamos mais marcados pelos episódios de secas severas que têm sido a marca dos últimos ano. 𝐃𝐞𝐯𝐢́𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐫 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐩𝐫𝐞𝐯𝐞𝐧𝐭𝐢𝐯𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐡𝐢𝐬𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐢𝐧𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐨𝐬𝐨𝐬. Aprender a não voltar a repetir a tragédia de 1967 (25 para 26 de novembro) em que choveu num só dia o equivalente a um quinto de todo o ano. A região da Grande Lisboa e do Vale do Tejo foi devastada. O regime de Salazar tentou "abafar" a dimensão da tragédia. Oficialmente falou-se em cerca de 460 mortos, mas estimativas reais apontam para mais de 700 vítimas.
𝐆𝐨𝐧𝐜̧𝐚𝐥𝐨 𝐑𝐢𝐛𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐓𝐞𝐥𝐥𝐞𝐬 𝐚𝐥𝐞𝐫𝐭𝐨𝐮-𝐧𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐞 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐞𝐯𝐢𝐭𝐚𝐫 𝐝𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐦𝐚𝐭𝐞𝐫𝐢𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐮𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐞𝐬 𝐢𝐧𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐨𝐬𝐨𝐬 𝐞 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐯𝐚 𝐬𝐨𝐥𝐮𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬. 𝐍𝐚̃𝐨 𝐚𝐬 𝐨𝐮𝐯𝐢𝐦𝐨𝐬. 𝐈𝐧𝐬𝐢𝐬𝐭𝐢𝐦𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐫𝐮𝐢𝐫 𝐞𝐦 𝐥𝐞𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐜𝐡𝐞𝐢𝐚, 𝐞𝐧𝐭𝐮𝐛𝐚𝐫 𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐞 𝐫𝐢𝐛𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐞 𝐚 𝐩𝐚𝐯𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐚𝐬𝐟𝐚𝐥𝐭𝐨 𝐞 𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨.
𝐎 𝐂𝐨𝐫𝐫𝐞𝐝𝐨𝐫 𝐕𝐞𝐫𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐌𝐨𝐧𝐬𝐚𝐧𝐭𝐨, 𝐞𝐦 𝐋𝐢𝐬𝐛𝐨𝐚 𝐞́ 𝐮𝐦 𝐞𝐱𝐞𝐦𝐩𝐥𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚𝐝𝐢𝐠𝐦𝐚́𝐭𝐢𝐜𝐨: 𝐝𝐞𝐦𝐨𝐫𝐨𝐮 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝟑𝟎 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐥𝐮𝐢́𝐝𝐨 𝐞𝐱𝐚𝐭𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐩𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐥𝐞 𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐝𝐞 𝐥𝐮𝐭𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐬𝐬𝐞𝐬 𝐢𝐦𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐚́𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐦𝐚𝐧𝐭𝐞𝐫 𝐚𝐪𝐮𝐞𝐥𝐞 "𝐞𝐬𝐜𝐨𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨" 𝐧𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐜𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞.

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