sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Sisters of Mercy - Never Land - A Fragment

Melhor som aqui
Letra
I had a face on the mirror
I had a hand on the gun
I had a place in the Sun and a
Ticket to Syria

I had everything within my reach
I had money and stuff
Each and every call
Too much but never enough
Tear it up and watch it fall

O excerto em vídeo combina o segmento Magnetic Rose - uma curta-metragem de animação japonesa realizada por Kōji Morimoto, com argumento de Satoshi Kon, integrada na antologia Memories (1995) - com o tema "Never Land (A Fragment)", da banda britânica de rock gótico The Sisters of Mercy, originalmente editado no álbum Floodland (1987).

A combinação do vídeo com a música enquadra-se melhor na subcultura de AMV (Anime Music Video) de culto / Synthwave / Darkwave, onde o romantismo sombrio do gótico se funde com a melancolia retro-futurista da ficção científica dos anos 90.

A relação entre as duas obras assenta numa ressonância temática e atmosférica profunda, onde a imagem anima a música e a música dá tom à imagem. No plano narrativo e espacial, ambas colocam o indivíduo perante a imensidão hostil do cosmos e o isolamento absoluto. Em Magnetic Rose, uma equipa de resgate responde a um sinal de socorro e descobre uma nave abandonada em forma de rosa gigante, que serve de túmulo a uma antiga cantora de ópera chamada Eva. Esta premissa espelha a imagética sonora de "Never Land", cuja instrumentação contínua e repetitiva evoca uma deriva sem rumo pelo vácuo espacial, tornando a perda de pontos de referência - física e psicológica - o motor central de ambas as criações.

Do ponto de vista sonoro, a canção destaca-se pelo uso de vocais graves e quase totalmente sussurrados por Andrew Eldritch. Em contraste com a produção grandiosa de outros temas de Floodland, esta opção estética cria uma atmosfera hipnótica, intimista e claustrofóbica, evocando uma transmissão ecoada à distância. Esta voz distante funciona como o eco de uma armadilha mental, ligando-se diretamente ao universo do anime: tal como na música, onde a letra aborda a queda livre, a desorientação e o colapso inevitável rumo ao nada, em Magnetic Rose os astronautas são manipulados pelas memórias holográficas de Eva, que recusa aceitar o fim da sua glória e transforma a nave num pesadelo nostálgico.

O contraste entre a grande escala e a ruína íntima une definidamente os dois universos. Enquanto a animação contrapõe a imponência operática da estrutura cósmica com a decomposição do corpo e da mente, a faixa dos The Sisters of Mercy contrapõe a promessa de libertação com a realidade da ruína pessoal. Esta dinâmica é reforçada por influências literárias e filosóficas do século XX: o título estabelece um diálogo invertido com o universo de J. M. Barrie (Peter Pan), transformando a "Terra do Nunca" num espaço de não-retorno em vez de um refúgio. Além disso, a obra reflete a ficção científica distópica de J. G. Ballard, focada na alienação e no isolamento psíquico, alinhando-se com o existencialismo e o niilismo ao confrontar o indivíduo com o absurdo da existência, o peso da memória e a solidão intransponível do vácuo.

Filme completo

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