quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Holistic Management by Allan Savory


Savory’s core methodology, Holistic Management, is a time-tested framework for decision-making and grazing planning that is adaptable to anyone’s unique situation, while our Ecological Outcome Verification protocol provides the feedback to ensure your management is moving in the right direction.

O Holistic Management, desenvolvido por Allan Savory, é uma abordagem integrada de gestão de terras e tomada de decisões que procura restaurar ecossistemas, aumentar a produtividade agrícola e criar sistemas socioeconómicos resilientes. A base do método é a tomada de decisões holística, que obriga o gestor a considerar simultaneamente fatores ecológicos, económicos e sociais, avaliando sempre as consequências de longo prazo. Uma das componentes mais conhecidas é o manejo holístico de pastoreio, segundo o qual a degradação de muitas zonas áridas não resulta da presença de gado, mas sim da sua gestão inadequada. Savory defende que manadas densas, em movimento constante — imitando o comportamento dos herbívoros migratórios — podem estimular a regeneração da vegetação ao pisarem, fertilizarem e cobrirem o solo, desde que permaneçam em cada área por períodos muito curtos, seguidos de longos intervalos de descanso. Este tipo de gestão visa aumentar a cobertura vegetal, melhorar a infiltração da água, reduzir a erosão e reforçar a matéria orgânica do solo, contribuindo também para a captura de carbono. Para além dos aspetos ecológicos, o Holistic Management integra práticas económicas e sociais, promovendo uma visão completa dos custos, o envolvimento das comunidades e o desenvolvimento de competências locais. Apesar de existirem relatórios de campo positivos, sobretudo em ambientes semiáridos, o método é alvo de controvérsia científica, com estudos que apoiam os seus benefícios e outros que questionam a validade dos resultados ou alertam para riscos de sobrepastejo. Em suma, o Holistic Management propõe um modo de gerir terras e sistemas produtivos que procura alinhar a ecologia com a economia e a cultura, orientando decisões de forma sistémica e contextualizada.

Os 4 pilares desta teoria são: 
1. A natureza funciona como um todo integrado
Ecossistemas, economia e sociedade estão interligados; nenhuma decisão pode ser entendida isoladamente. Tudo está conectado e qualquer intervenção terá efeitos múltiplos, diretos e indiretos.

2. A importância do contexto
A mesma prática agrícola ou ambiental pode ter resultados completamente diferentes dependendo do contexto ecológico, social e económico. Assim, decisões devem ser tomadas tendo sempre em conta um contexto holístico, definido previamente.

3. O papel crítico dos grandes herbívoros e dos predadores
Savory argumenta que, em ambientes de zonas áridas e semiáridas, a interação entre grandes herbívoros em movimento e predadores é essencial para a saúde do solo. O pastoreio deve imitar esse ciclo natural: animais em alta densidade, movendo-se frequentemente.

4. O tempo, e não o número de animais, é o fator central
Segundo Savory, a degradação não resulta principalmente da quantidade de gado, mas do tempo de exposição do solo ao pastoreio e, sobretudo, do tempo de recuperação das plantas. O manejo deve focar-se no ritmo de pastoreio e descanso.

The Art of Arctic Destruction (Greenpeace) - Bailado alertando o público para o problema ambiental no Árctico


Just before the beginning of the concert «Classical Highlights» on Saturday 19 October 2013 in Zurich’s Tonhalle a Greenpeace ballet dancer premières her own interpretation of the in oil mud dying swan. Background is the sponsoring by the Russian energy company Gazprom that puts life substance of many humans and animals in the arctic at risk. The credits of the projection carry the message «The Art of Arctic Destruction – sponsored by Gazprom» and reveal that the «Classical Highlights» are sponsored by one of the biggest destroyer of the environment. Gazprom plans to drill for oil in the Arctic.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O fruto mais brilhante da natureza

Fonte: Ciência Hoje
O fruto da planta africana Pollia condensata é o 'objecto' com a cor mais intensa e brilhante da natureza, segundo um estudo da Universidade de Cambridge.

Esta baga não obtém a sua cor azul metálica de nenhum pigmento, mas apenas da luz que reflecte em comprimentos de ondas específicos. A investigação está publicada na«PNAS».

A maioria das cores que nos rodeiam resultam de pigmentos. No entanto, existem alguns exemplos na natureza que utilizam o que se chama de 'cor estrutural', um truque óptico através do qual a cor aparece na reflexão da luz.

Os investigadores descobriram que a celulose desta baga forma uma estrutura assimétrica capaz de interagir com a luz e proporcionar o reflexo selectivo de uma cor específica. Resultante desta estrutura única, a baga reflecte predominantemente o azul.

Os cientistas descobriram também que cada célula gera, individualmente, uma cor independente, produzindo um efeito de pontilhismo (como nas pinturas de Seurat). Apesar deste fruto não possuir qualquer valor nutritivo, as aves são atraídas pela sua cor brilhante e utilizam-no na decoração dos seus ninhos para impressionar potenciais parceiros.

Devido às suas características, a cor do fruto não se desvanece. As amostras que existem nas colecções que datam do século XIX mantêm-se tão coloridas como os frutos actuais.

Silvia Vignolini, investigadora do departamento de Física da Universidade de Cambridge e autora principal do artigo, acredita que a natureza pode inspirar a criação de materiais inteligentes e multifuncionais a partir de celulose.

“A partir da celulose podem criar-se materiais coloridos com aplicações industriais, tais como elementos com cor estrutural que substituam os corantes tóxicos em alimentos e cosméticos”, defende.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Hábitos antigos que você deveria colocar em prática hoje

Nossos avós faziam, você também pode fazer. Confira alguns hábitos do passado que fazem bem para nós e para o meio ambiente .Muitas pessoas acham que o passado é algo chato e sem muita importância; outros, já pensam nele de forma saudosista e até tentam revivê-lo. Odiando ou amando, uma coisa é certa: podemos encontrar muitas dicas valiosas de como viver uma vida mais verde e com mais qualidade seguindo alguns hábitos praticados e aconselhados pelos mais velhos. Vamos a eles:

Ande mais
Nossos avós andavam bem mais do que a gente para fazer coisas simples do dia a dia. Tente fazer as pequenas tarefas sem a necessidade de ir de carro. Caminhar é bom para o corpo e para a mente. Se para você é impossível encaixar esse hábito durante o seu dia, tente depois do expediente. Caminhar melhora a sua pressão arterial, aumenta a sensação de bem-estar e afasta a depressão.

Cozinhe mais em casa
Cozinhar é algo que muitos consideram uma perda de tempo, principalmente tendo todas as facilidades dos serviços de delivery. Entretanto, cozinhar pode ser algo relaxante e prazeroso. Além disso, é um hábito que pode ser saudável, pois você escolhe os ingredientes e controla o modo de preparo. Dê uma chance para o “faça você mesmo”. Procure receitas rápidas e práticas. Transforme esse momento do seu dia em algo especial.

Cuide de um jardim
Tudo bem, muitos não têm espaço para ter um super jardim como nossos avós tinham. Mas uma planta ou flores em um vaso já fazem diferença. Qualquer coisa que você cuide e veja crescer já contribui para o seu bem-estar. O objetivo é ter um hobbie terapêutico, que te ajude a tirar a cabeça do trabalho e dos problemas. A horta vertical, fazendo uso de garrafas PET, é uma boa dica para quem não tem espaço. Fica super bonito e você ainda ajuda o meio ambiente, reutilizando em vez de descartar. Clique aqui para saber como fazer.

Escreva cartas
Nós sabemos: faz bastante tempo que você não pega uma caneta e um papel e escreve uma carta pessoal para alguém importante e a coloca no correio. Todos sofremos do mesmo mal: a preguiça de escrever cartas quando se tem e-mail. Nossos avós faziam sempre, eles não tinham escolha. Mas nós temos. Pense que escrever uma carta hoje em dia demonstra atenção. E convenhamos: é bem mais gostoso receber uma carta no correio do que abrir um e-mail. Além disso, parar para escrever uma carta pode ser algo bem relaxante.

Faça mais uso de remédios naturais
Resfriado, tosse, dor de garganta? Por que não tentar remédios naturais primeiro, como nossos avós? Aqui vão algumas dicas da eCycle:


Cuide de suas roupas. Conserte-as quando necessário
O que pensamos quando vemos um furo em uma blusa é 1) jogar fora; ou 2) simplesmente não usar mais. Isso é uma perda de dinheiro e também uma agressão ao meio ambiente. Nos tempos dos nossos avós, remendar e reutilizar era muito comum. Adotar esse hábito é algo que tem muito a ver com sustentabilidade, com consumo responsável. Há também espaço para a criatividade: quando não dá mais para remendar, transformar uma peça em outra ou dar uma outra utilidade a ela também é uma boa solução. Como, por exemplo, a meia-calça (clique aqui e veja como)!

E se você estiver inspirado pelo “reutilizar”, por que não fazer compras em um brechó?Damos cinco motivos para você!

Aproveite mais o sol
Moramos em um país tropical. E temos boa parte dos dias ensolarados e com bom tempo para secar a roupa naturalmente, no varal, como nossos avós. Utilizando menos a secadora, diminuímos o gasto com energia. Além de ser bom para o nosso bolso, também é bom para o meio ambiente, pois reduzimos nosso impacto sobre ele. De forma geral, tente ser mais consciente a respeito do usos de seus eletrodomésticos.

Utilize as coisas até que elas se acabem
Nossos avós não trocavam de TV assim como trocamos de camiseta. Eles usavam até todos “pifarem”. Ainda se tentava mandar para o conserto. Assim, quando não tinha mais jeito, comprava-se outra. É esse pensamento que devemos ter. Comprar menos e utilizar até quando puder. Sabemos que é difícil, pois as coisas hoje são feitas para durarem menos. Mas resista. Pelo menos, você não estará contribuindo para aumentar o tamanho de nossos aterros.

Recorra à cozinha na faxina
Sim, é verdade. Nossos avós encontravam na cozinha soluções para a sujeira. Recorriam muitas vezes ao fermento (bicarbonato de sódio) e ao velho conhecido vinagre. O Portal eCycle dá as dicas:


Esses tipos de produtos agridem muito menos a natureza, e são tão eficientes quanto.

Gostou das dicas da vovó? Então comece a praticá-las e compartilhe sua experiência conosco.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Norte-americano cria bike que não precisa de manutenção

Cansado de sofrer com as constantes manutenções em bicicletas comuns, o norte-americano Dave Weiner decidiu criar uma bicicleta altamente resistente. O projeto foi para o Kickstarter, em busca de financiamento coletivo, e arrecadou quase 20 vezes o valor planejado.



A bicicleta ganhou o apelido de Priority e é ideal para quem pedala nas cidades, usa a bike como meio de transporte, mas não tem tempo a perder em uma oficina. O design do modelo é simples e foi pensado para ser eficiente em sua funcionalidade.

O quadro usado na bicicleta é todo em alumínio. Esta é uma opção mais barata do que a fibra de carbono, mas altamente resistente, inclusive à ferrugem, essencial para quem mora no litoral. Essa matéria-prima também deixa a bike mais leve, facilitando o transporte, principalmente em meios urbanos.

Outro cuidado tido por Weiner foi em relação às correntes. Este é um item que constantemente exige manutenção nas bicicletas tradicionais, principalmente em relação à lubrificação e ferrugem. Assim sendo, o norte-americano se inspirou na Harley Davidson. A fabricante de motos usa, desde 1984, correias de transmissão em seus equipamentos. A opção é muito mais durável e torna a pedalada mais suave e limpa.

Quanto aos pneus, os modelos utilizados são de alta resistência. O criador garante que será necessário muito esforço para perfura-los.

Não que os furos sejam impossíveis, mas serão bem menos comuns do que em pneus tradicionais. As rodas são fixadas à bicicleta no modelo antigo, com parafusos. Isso dificulta o roubo, por tornar a retirada muito mais lenta do que com as simples alavancas.

O norte-americano também garante que a montagem da bicicleta é feita em apenas cinco minutos e não necessita de conhecimento prévio. Confiante em seu produto, Weiner começa a entregar a bicicleta aos primeiros compradores que apoiaram o projeto já no próximo mês. Ele também possui uma loja em Nova York e faz questão de lembra que “a vida é curta demais para pedalar uma bicicleta ruim”.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O preço do desperdício de comida

Das quintas às lojas, passando pela mesa das nossas casas, um terço do alimento que produzimos perde-se ou é desperdiçado. Temos muito por onde melhorar.
Texto de Elizabeth Royte, National Geographic, Agosto 2014

Mais Leituras
Os alimentos desperdiçados por uma família típica americana de quatro membros pesam, ao fim de um ano, meia tonelada. Compilados na sala de estar dos Waldt, de New Jersey, estes produtos representam os 1,2 milhões de calorias que uma família desperdiça todos os anos – mais do que o suficiente para alimentar outra pessoa. Fotografia de Robert Clark
Estamos na época da alface no vale de Salinas, uma região no centro da Califórnia que produz cerca de 70% dos legumes de folha verde vendidos nos EUA. Numa manhã típica de nevoeiro, uma procissão de veículos carregados de plantas sai das unidades transformadoras e dirige-se para norte, sul e leste.

Entretanto, um camião entra lentamente na estação de transferência de Sun Street, perto da baixa de Salinas. O condutor detém-se sobre uma balança e, de seguida, posiciona a caixa amolgada do camião sobre uma plataforma de betão. Depois de manobrar uma alavanca, ouve-se um silvo pneumático e cerca de 15 metros cúbicos de alface e espinafres são descarregados no solo. Acondicionados em caixas e sacos de plástico e empilhados a dois metros de altura, os legumes parecem frescos, rijos e incólumes. Mas devido a vários pequenos erros, irão em breve ser condenados ao aterro sanitário: as suas embalagens foram irregularmente cheias, rotuladas, vedadas ou cortadas.

Qualquer observador diria que esta montanha do tamanho de dois elefantes africanos representa um desperdício horrível, talvez mesmo criminoso. Mas isto não é nada. Ao longo desse mesmo dia, a estação de transferência receberá mais dez a vinte carregamentos de legumes perfeitamente comestíveis, provenientes de agricultores das redondezas. Entre Abril e Novembro, a Autoridade para os Resíduos Alimentares do Vale de Salinas envia para o aterro sanitário dois a quatro milhões de quilogramas de legumes frescos vindos dos campos. E é apenas uma de muitas estações de transferência que prestam serviço aos vales agrícolas da Califórnia.

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que mantém sob vigilância tudo o que é cultivado e consumido como alimento em todo o mundo, calcula que, todos os anos, um terço dos géneros alimentares produzidos para consumo humano no planeta perde-se ou é desperdiçado ao longo da cadeia que vai das quintas às unidades transformadoras, aos mercados, aos pontos de venda, aos restaurantes e às nossas cozinhas. Representando 1.300 milhões de toneladas, esse total seria suficiente para alimentar três mil milhões de pessoas.

O desperdício é gerado em lugares diferentes por razões diferentes. Em geral, os países industrializados desperdiçam mais alimentos nas fases de retalho e consumo da cadeia alimentar do que os países menos desenvolvidos. Nos países em vias de desenvolvimento, que muitas vezes não possuem infra-estruturas para distribuir todos os seus géneros alimentares em boas condições, as perdas ocorrem, na sua maioria, durante as fases de produção, pós-safra e transformação.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Etnobotânica- o balsamo de Gileade

O bálsamo-de-Gileade, secreção vegetal extraída da planta Commiphora gileadensis, era, para os Hebreus, uma substância com propriedades medicinais maravilhosas. Um bálsamo para o espírito, que estimulava a transcendência. Durante séculos a sua recolha e comércio foram estritamente regulados. O seu preço era superior ao do ouro.
Uma tradição refere que as plantas foram trazidas do sul da península arábica, pela Rainha de Sabá, e oferecidas ao rei Salomão, que as teria mandado plantar junto do monte de Gileade. Foi assim que Georg Haendel recriou "A Chegada da Rainha de Sabá", na oratória "Salomão"

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Arquitectura da densidade- estudo de caso Hong-Kong

 Michael Wolf
 Michael Wolf
A favor da “Cidade Compacta” tem sido argumentado que: 
1. Favorece reduz a dimensão e o tempo das deslocações, ao encurtar as distâncias entre locais de trabalho e residência (assumindo que se localizam no mesmo núcleo); possibilita a utilização de modos mais sustentáveis de transporte e deslocação, nomeadamente os transportes colectivos em massa e promoção dos percursos pedonais e do uso da bicicleta; 

2. Promove uma ocupação mais eficiente do solo, reduzindo a o consumo de solo rural e natural, através da aposta do preenchimento dos vazios urbanos (“infill”) em detrimento das operações de expansão; 

3. Promove a coesão, a diversidade social e reunião de massa crítica, essencial para a criação de um ambiente de inovação, oportunidades e desenvolvimento cultural; neste contexto, reunem-se condições propícias à localização de actividades económicas, que beneficiam da proximidade da população;

4. Permite uma melhor economia de recursos (na relação custo-benefício per capita), quer a nível do suporte das infra-estruturas (vias, espaços públicos, iluminação, redes de abastecimento, redes de comunicação, etc.), quer dos serviços municipalizados (recolha de resíduos), quer ao nível da construção e manutenção dos equipamentos público;

Aspectos negativos:
A abordagem da cidade compacta deve ser vista como uma possibilidade para a criação de novos empreendimentos urbanos, que podem ser simultâneamente sustentáveis mas igualmente atraentes para quem viva na cidade. O sucesso ou o fracasso das políticas da “cidade compacta” vai depender tanto da disponibilidade da sociedade para reconhecer a insustentabilidade da situação actual e do seu estilo de vida, como a necessidade de fazer sacrifícios, tais como viver em espaços menores. J. Arbury, 2005

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Webinar: Seed Starting

Can't wait for the ground to thaw before you start gardening? 
Sowing seeds indoors and producing your own transplants is a great way to get the growing season started sooner. 
For northern gardeners, transplants for tomatoes, peppers, onions, and kale are a necessity, and producing your own transplants is much more cost-effective than purchasing them. 
Growing your own transplants can make your garden more productive and increase the diversity of varieties available to you. 
Join SSE Seed Technician Jennifer Zoch to learn how you can produce your own transplants at home and start the gardening season sooner!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Misteriosa doença fatal tem sua causa descoberta: os agrotóxicos da Monsanto


Há anos, que cientistas tentam desvendar o mistério de uma epidemia de doença renal crónica que atingiu a América Central, a Índia e o Sri Lanka. A doença ocorre em agricultores pobres que realizam trabalho braçal pesado em climas quentes. Em todas as ocasiões, os trabalhadores tinham sido expostos a herbicidas e metais pesados. A doença é conhecida como CKDu (Doença Renal Crónica de etiologia desconhecida).

O “u” (de “unknown”, desconhecido) diferencia essa enfermidade de outras doenças renais crónicas cuja causa é conhecida. Poucos profissionais médicos estão cientes da CKDu, apesar das terríveis perdas impostas à saúde dos agricultores pobres, de El Salvador até ao sul da Ásia.

Catharina Wesseling, diretora regional do Programa Saúde, Trabalho e Ambiente (Saltra) na América Central, pioneiro nos estudos iniciais sobre o surto ainda não esclarecido na região, diz o seguinte: “Os nefrologistas e os profissionais de saúde pública dos países ricos não estão familiarizados com o problema ou duvidam inclusive que ele exista”.

Wesseling está a ser diplomática. Na cúpula da saúde de 2011, na cidade do México, os EUA recusaram uma proposta dos países da América Central que teria listado a CKDu como uma das prioridades para as Américas.

David McQueen, um delegado norte-americano do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, que posteriormente se desligou dessa agência, explicou a posição do seu país. “A ideia era manter o foco nos fatores de risco chave que poderíamos controlar e nas grandes causas de morte: doença cardíaca, cancro e diabetes. E sentíamos que a posição que assumimos incluía a CKD”.

Os norte-americanos estavam errados. Os delegados da América Central estavam certos. A CKDu é um novo tipo de doença. Esta afeção dos rins não resulta da diabetes, da hipertensão ou de outros fatores de risco relacionados com a dieta. Diferentemente do que acontece na doença renal ligada à diabetes ou à hipertensão, muitos dos danos da CKDu ocorrem nos túbulos renais, o que sugere uma etiologia tóxica.

Hoje, a CKDu é a segunda maior causa de mortalidade entre os homens em El Salvador. Esse pequeno e densamente povoado país da América Central tem atualmente a maior taxa de mortalidade por doença renal no mundo. Os vizinhos Honduras e Nicarágua também têm taxas extremamente altas de mortalidade por doença renal. Em El Salvador e Nicarágua, mais homens estão morrendo por CKDu do que por HIV/Sida, diabetes e leucemia juntas. Numa região rural da Nicarágua, tantos homens morreram que a comunidade é chamada “A Ilha das Viúvas“.

Além da América Central, a Índia e o Sri Lanka foram duramente atingidos pela epidemia. No Sri Lanka, mais de 20 mil pessoas morreram por CKDu nas últimas duas décadas. No estado indiano de Andhra Pradesh, mais de 1.500 pessoas receberam tratamento para a doença desde 2007. Como a diálise e o transplante de rim são raros nessas regiões, a maioria dos que sofrem de CKDu irão morrer da doença renal.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Crise abriu as portas a negócio de aluguer de brinquedos

swambo / Flickr
Foi na crise actual, com as consequentes dificuldades financeiras das famílias, que Ana Cátia e Andreia encontraram o estímulo decisivo para se aventurarem num negócio de aluguer de brinquedos, amigo da carteira dos pais.
“Ao alugar, leva para casa um brinquedo por 20 por cento do seu custo no mercado”, garante Ana Cátia Ferreira.
Se a crise foi o estímulo do negócio, já a inspiração surgiu na sequência da experiência pessoal departilha de brinquedos entre as filhas de Ana Cátia e Andreia.
Estas irmãs, com filhas pequenas, decidiram comprar brinquedos “não em número mas em qualidade” e montaram um sistema de rotatividade dos mesmos entre as casas de ambos e ainda a dos avós das crianças.
“Daí à ideia de negócio foi um instante”, refere Ana Cátia, enfatizando o “imenso dinheiro” que o aluguer de brinquedos permite poupar.

Além disso, o projecto possibilita também libertar espaço em casa, já que evita o acumular de brinquedos que a criança, por uma razão ou por outra, deixa de usar.
A criança, por sua vez, tem oportunidade de trocar de “ter um brinquedo novo” com muito maior frequência.

Mas as promotoras do “Alugar para Brincar” asseguram que subjacentes ao projecto estão também outros valores, como o consumo sustentável e a importância da partilha.
“O que interessa não é ter o brinquedo, é brincar. A criança quer é brincar. Não é preciso comprar, o que é preciso é brincar”, enfatiza Ana Cátia.
Neste momento, estão disponíveis para aluguer cerca de 150 brinquedos, guardados num armazém em Esposende, mas o stock está em permanente actualização.

Além da vertente do entretenimento, os brinquedos têm ainda uma vocação pedagógica muito vincada.
As encomendas podem ser feitas online, garantindo as promotoras entregas ao domicílio, sem custos adicionais, em todos os concelhos do Grande Porto e ainda no Minho.
Os alugueres são, normalmente, mensais, sendo essa a ideia base do projecto, mas há também pacotes personalizados para festas, férias ou mesmo para salas de espera.

Antes de seguirem para um qualquer cliente, os brinquedos são higienizados e vistoriados, para garantir todas as condições de segurança para as crianças.
O negócio arrancou a 4 de Maio, simbolicamente no Dia da Mãe, e, garantem as promotoras, a adesão tem sido boa, embora ainda haja “algum caminho para percorrer”.
“Vivemos numa sociedade muito consumista, em que as pessoas gostam de comprar, e estes são hábitos que precisam de tempo para se alterarem”, atira Ana Cátia.