Vitaliy Mashchenko (pintor Ucraniano, nascido em 1975)"Permanency", 2021
Apesar dos objetivos globais para a redução de emissões de gases com efeito de estufa, uma análise recente da Carbon Majors mostra que, em 2024, a poluição com origem na produção de combustíveis fósseis e cimento continuou a aumentar. A base de dados aponta que 166 produtores foram responsáveis por 34,7 gigatoneladas de CO2 equivalente, mais 0,8% do que no ano anterior.
O dado mais expressivo do relatório é a forte concentração das emissões em “apenas 32 empresas” que “estiveram associadas a mais de metade das emissões globais de CO2 provenientes de combustíveis fósseis e cimento em 2024”. Há cinco anos, eram 38 as empresas responsáveis por essa fatia de emissões, evidenciando uma tendência de concentração progressiva da produção poluente.
A maioria das 166 organizações são controladas pelo Estado, que representam “54% das emissões globais em 2024”, enquanto 93, com capital privado, originaram 23,7%. No topo da tabela, a concentração é ainda mais evidente, mostram os dados. “As dez empresas com maiores emissões, responsáveis em conjunto por 27,6% das emissões globais de CO2 fóssil em 2024, eram todas total ou maioritariamente detidas pelo Estado”, lê-se no relatório.
A base de dados Carbon Majors, gerida pela InfluenceMap, agrega informação histórica e atualizada sobre a produção de petróleo, gás, carvão e cimento, e atribui emissões às empresas produtoras e não aos países.
Os números de 2024 surgem num contexto climático particularmente crítico, já que aquele foi o ano em que, segundo o Copernicus, pela primeira vez a temperatura média global ultrapassou 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais. No mesmo ano, as emissões globais de gases com efeito de estufa atingiram um novo máximo histórico e as emissões de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis subiram para cerca de 38,6 gigatoneladas.
Em declarações citadas pelo The Guardian, Emmett Connaire, analista sénior da InfluenceMap, afirma que “as empresas petrolíferas e de gás têm sido, durante décadas, dos lóbis mais negativos para a política climática a nível mundial”. O responsável acrescenta que estas empresas “desenvolveram um manual de táticas que passa por enganar decisores políticos e a opinião pública, tendo feito campanha repetidamente contra políticas destinadas a permitir uma transição justa”.
Os dados do Carbon Majors estão, por isso, a ser cada vez mais utilizados como base para mecanismos de responsabilização. O relatório destaca que, no estado norte-americano de Nova Iorque, está em discussão legislação que poderá exigir até 75 mil milhões de dólares em compensações por danos climáticos a grandes produtores de combustíveis fósseis. Numa declaração citada no relatório, a senadora Liz Krueger defende que “é agora possível utilizar os registos das empresas para determinar a quantidade de produto colocada no mercado e traduzi-la num volume de gases com efeito de estufa emitidos para a atmosfera”.
Recorde-se que, de acordo com dados mais recentes do Copernicus, 2025 voltou a ser um dos anos mais quentes de sempre desde que há registo, apenas 0,01 graus abaixo de 2023 e 0,13 graus abaixo de 2024. Pela primeira vez, o planeta viveu três anos seguidos acima do limite de 1,5 graus definido pelo Acordo de Paris como sendo o teto máximo a manter até ao final deste século.
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