sábado, 9 de dezembro de 2023

Prémio Ernst Haeckel 2024 a Helena Freitas


A candidata proposta pela SPECO ao prémio Ernst Haeckel promovido pela European Ecological Federation (EEF), Professora Helena Freitas, foi a premiada do ano 2024. É o segundo candidato premiado que a SPECO propõe. O primeiro foi atribuído a Miguel Bastos Araújo, no ano 2018.

Este prémio foi atribuído pela primeira vez em 2011 e destina-se a homenagear um(a) ecólogo(a) pela sua contribuição notável para a ciência ecológica europeia.

Partilhamos convosco uma breve resenha histórica do seu percurso académico, profissional e de investigação na área da Ecologia:

Helena Freitas (Famalicão, 1962) obteve uma das primeiras teses de doutoramento em Ecologia em Portugal (1993). O Doutoramento, estudo sobre as respostas das plantas em ambientes extremos, foi desenvolvido na Universidade de Coimbra, em colaboração com a Universidade de Bielefeld, na Alemanha. Entre 1994 e 1996 realizou um pós-doutoramento na Universidade de Stanford, EUA, com Harold Mooney para melhor compreender o impacto do carbono nas alterações globais, particularmente nas alterações climáticas. Desde então, tem estado envolvida em projetos globais.

Diretora do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (2004 - 2012), preparou e coordenou o programa de requalificação deste espaço único de Coimbra e implementou estratégias de conservação. Para além da sua evolução académica no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Helena Freitas ocupa a Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável desde 2014. Dentro desta Cátedra tem implementado e apoiado uma rede de investigadores e instituições nas áreas da biodiversidade, ecologia, conservação e desenvolvimento sustentável.

Ao longo da sua carreira tem contribuído para um melhor conhecimento sobre a ecologia funcional da vegetação mediterrânica e sobre a gestão de espécies exóticas e invasoras como estratégia para minimizar a perda de diversidade dos ecossistemas. Com todos estes conhecimentos adquiridos fundou o Centro de Ecologia Funcional - Ciência para as Pessoas e para o Planeta (cfe.uc.pt) onde ainda é actualmente Coordenadora. Recentemente, lançou o Laboratório Associado TERRA – Laboratório de Sustentabilidade do Uso da Terra e Serviços de Ecossistema.

O conhecimento de Helena Freitas é reconhecido a nível internacional sendo convidada (2019 até agora) para a Assembleia da Missão de Adaptação às Alterações Climáticas, incluindo a Transformação Social, da Comissão Europeia. Actualmente é Ponto Focal Português do IPBES (sigla inglesa para Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e os Serviços de Ecossistema).

Coordenou ou participou em vários projetos e consórcios nacionais e internacionais, incluindo o Millennium Ecosystem Assessment. Orientou ou co-orientou mais de 30 dissertações de doutoramento sendo autor de mais de 200 publicações científicas internacionais indexadas e de diversas publicações de promoção e divulgação da ciência. Publica regularmente na imprensa nacional e regional, nomeadamente sobre ambiente, territórios e sociedade, planeamento e políticas de desenvolvimento baseadas no conhecimento. Em Março de 2000 foi agraciada com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio.

Esteve também envolvida em organizações não governamentais de ecologia e conservação, tais como: Presidente da Liga para a Protecção da Natureza (2002-2005), fundadora e Presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia (2004-2013) e Vice-Presidente da Sociedade Europeia de Ecologia (2009-2012).

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Sobre a Literatura


Ler um livro não é só passar um tempo lúdico e prazeroso. Se é verdade que muitas vezes, como diz Pessoa, acabo de viver outra vida dentro de minha vida, a literatura vai mais além. A literatura, os romances, os livros modificam-nos mesmo. As escolhas que tomámos, dão-nos um novo olhar, mais tolerância, mais abertura de mundos, novas e intrigantes personalidades, que nos agitam, confrontam os nosso preconceitos. A literatura (a boa literatura) ajuda-nos a amar mais!

Cartoon sobre as COP - Bado


Portugal melhora posição no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas




Portugal ocupa atualmente o 13.º lugar, ou a 10.ª em termos dos países elencados, no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas 2024 (CCPI – Climate Change Performance Index), subindo um lugar no ranking climático face à avaliação do ano anterior.

Divulgado recentemente no âmbito da 28ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (COP 28), que se realizou recentemente no Dubai, o CCPI é um instrumento que traduz o desempenho das políticas climáticas de cada país e no seu cálculo entram os progressos em matéria de mitigação climática de 63 países e da União Europeia, que representam 90% das emissões no mundo inteiro. As quatro categorias avaliadas são: emissões de gases com efeito de estufa (com um peso de 40%), energias renováveis (20%), uso de energia (20%) e política climática (20%).

Qual foi o desempenho de Portugal?
Portugal é um dos país com bom desempenho no CCPI de 2024, com uma pontuação média em política climática e energias renováveis (ambas no 20.º lugar) e alta em uso de energia e emissões de gases de efeito de estufa (17.º lugar e 16.º lugar respetivamente).

Principais metas e objetivos de Portugal
— De acordo com a Lei de Bases do Clima, o país deve alcançar uma redução de 55% nas emissões até 2030.

— O Plano Nacional de Energia e Clima revisto, mostra um aumento significativo da capacidade instalada de energia renovável até 2030 (principalmente de energia solar e eólica) e inclui ainda a produção de hidrogénio para exportação. Em relação à neutralidade climática o objetivo de longo prazo de Portugal prevê uma antecipação para 2045.

— Portugal pretende atingir uma quota de 80% de energia renovável na produção de eletricidade até 2026.

— Em termos de transportes, Portugal precisa de melhorar os seus esforços, pois poucas cidades têm planos de mobilidade urbana sustentável, o trânsito tem vindo a aumentar e o automóvel continua a ser o meio de transporte urbano e extraurbano dominante, sendo a utilização do transporte público extremamente baixa. As emissões do transporte rodoviário também têm vindo a aumentar.

— Para a indústria, a Estratégia Industrial Verde deve estar pronta até fevereiro de 2024.

— Portugal também precisa de melhorar na agricultura pois este setor regista uma tendência de crescimento das emissões.

Classificações dos restantes países
Tal como nas edições anteriores, os três primeiros lugares do ranking não foram atribuídos, uma vez que nenhum país está completamente alinhado com o objetivo de manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C.

— O país com a melhor classificação continua a ser a Dinamarca que ocupa o 4º lugar da lista, mas o 1º lugar relativamente aos países integrados. A Estónia e as Filipinas ocupam os restantes lugares do pódio.

— Com um ‘alto’ desempenho estão ainda países com a Índia, Noruega e Reino Unido, que apesar de pertencerem ao grupo dos maiores produtores de petróleo, gás e carvão, são distinguidos principalmente por causa da forte aposta nas energias renováveis.

— A Índia, a Alemanha (14.º) e a União Europeia (16.º) são os únicos três membros do G20 com classificação alta, sendo que os restantes recebem uma classificação baixa ou muito baixa, com o Canadá (62.º), Rússia (63.º), Coreia do Sul (64.º) e Arábia Saudita (67.º) nos piores lugares.

— Em 2023, a UE adotou o pacote Fit For 55, com uma série de medidas destinadas a melhorar a legislação climática e energética da UE. O Objetivo passa por alcançar uma redução de 55% das emissões líquidas até 2030 e a neutralidade climática até 2050.

— A Polónia, em 54.º lugar, é o único país da UE com classificação muito baixa.

— O maior emissor mundial, a China, estagnou em 51.º lugar, entre os países de baixo desempenho. Já os Estados Unidos, o segundo maior emissor, ocupa o 57.º lugar da lista.

— O anfitrião da COP28, os Emirados Árabes Unidos, está em 65.º lugar, sendo um dos países com pior desempenho.

Música do BioTerra: Echo And The Bunnymen - Show of Strength


Realistically, it's hard to dig it all, too happily
But I can see it's not always that real to me
A funny thing is always a funny thing
And though sadly things just get in the way

Open to suggestion
Falling over questions

Hopefully but that's as well as maybe
A shaking hand won't transmit all fidelity
And your golden smile would shame a politician
Typically, I'll apologize next time

Bonds will break and fade
Go snapping all in two
The lies that bind the tie
Come sailing out of you

Show of strength, is all you want
You can never set it down
Guts and passion
Those things you can't even set down
Don't ever set down, won't ever set down

Hey, I came in right on cue
One is me and one is you
Hey, I came in right on cue
One is me and one is you

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Dia de nascimento de Kateryna Bilokur



Hoje é o aniversário da grande artista ucraniana – Kateryna Bilokur (1900-1961). Ela poderia ter sido mais reconhecida durante a sua vida, mas não foi porque era mulher e camponesa. Mas agora podemos celebrar a arte dela como ela merece!

Kateryna Bilokur (1900–1961) foi uma proeminente artista ucraniana reconhecida internacionalmente pelo seu talento singular, tendo chegado a encantar Pablo Picasso, que declarou em 1954: "Se tivéssemos uma artista deste nível, faríamos o mundo inteiro falar dela." A sua vida e obra desenrolaram-se num contexto histórico de profundas e violentas transformações políticas, sociais e económicas que devastaram o campo ucraniano ao longo da primeira metade do século XX.

Nascida no seio de uma família camponesa na aldeia de Bohdanivka, na região de Poltava, sob o domínio do Império Russo, Bilokur cresceu numa época em que a educação das mulheres no campo era profundamente limitada e vista como desnecessária. A mentalidade patriarcal vigente ditava que o seu dever se devia restringir ao trabalho agrícola e à gestão do lar. Totalmente autodidacta, aprendeu a desenhar em segredo, enfrentando a forte oposição e as punições da família, que temia que a sua paixão pela arte prejudicasse as suas hipóteses de casamento.

Mais tarde, com a queda do império e a criação da União Soviética, a vida rural sofreu um golpe devastador durante o final da década de 1920 com a coletivização forçada imposta por Joseph Stalin. O regime soviético negou passaportes internos aos camponeses dos kolkhozes (quintas coletivas), prendendo-os de forma efetiva às suas aldeias. Devido a este impedimento burocrático e ao facto de não possuir o diploma da escolaridade básica de sete anos, viu ser-lhe recusada a admissão em várias instituições de ensino artístico, como a Escola Técnica de Cerâmica de Myrhorod e o Colégio de Belas Artes de Kiev.

Bilokur sobreviveu também ao Holodomor (1932–1933), a fome devastadora provocada pelas políticas de requisição de grãos do regime soviético que vitimou milhões de ucranianos. Diante do horror, da escassez e da morte ao seu redor, a pintura funcionou como um refúgio estético e de resistência espiritual. Em 1934, exausta dos conflitos familiares e da impossibilidade de pintar livremente, tentou o suicídio ao atirar-se às águas geladas do rio Chumhak. Embora tenha sobrevivido, o incidente deixou-lhe sequelas permanentes nas pernas, o que acabou por levar a sua família a aceitar, ainda que com relutância, a sua vocação artística.

Sem acesso a materiais profissionais durante a maior parte da vida, desenvolveu uma técnica inteiramente artesanal: fabricava os seus próprios pincéis com pelos de rabo de gato e finos ramos de salgueiro, extraía pigmentos de plantas e minerais locais (como beterraba, calêndula e bagas) e misturava-os com óleos. Aplicava a tinta a óleo diretamente na tela sem esboços ou rascunhos prévios, trabalhando detalhe por detalhe com pinceladas extremamente finas. Recusando-se a colher as flores para pintar no estúdio, caminhava quilómetros até aos campos para pintar a flora viva ao ar livre.

O seu estilo enquadra-se na Arte Naïf e no Primitivismo Folclórico, destacando-se pelas suas composições de natureza-morta botânica de uma densidade e riqueza cromática impressionantes, onde frequentemente combinava plantas de diferentes estações do ano numa única cena sobre fundos escuros ou céus limpos.

As suas influências transcendem o âmbito técnico. No plano literário e cultural, a sua maior inspiração moral foi o poeta e pintor Taras Shevchenko, cujos textos lhe deram força espiritual para perseverar. Nutriu-se igualmente das descrições místicas do folclore rural na obra de Nikolai Gogol, do patriotismo de Ivan Kotlyarevsky e da poesia oral e canções populares ucranianas. Visualmente, foi influenciada pela tradição dos pintura decorativa de Petrykivka, pelos bordados tradicionais (vyshyvanka) e pela iconografia religiosa ortodoxa. Sob o ponto de vista filosófico, a sua obra é marcada pelo panteísmo e pelo vitalismo, encarando as flores não como meros ornamentos, mas como seres vivos dotados de alma - a que chamava "os seus filhos" -, traduzindo uma celebração contemplativa da harmonia entre a terra, o cosmos e a natureza.

A sua vida mudou radicalmente em 1940, quando a cantora de ópera Oksana Petrusenko, impressionada por um desenho que a artista lhe enviara por carta, intercedeu junto do meio artístico para a organização da sua primeira exposição individual em Poltava. Após a Segunda Guerra Mundial e o fim da ocupação nazi da sua aldeia, o regime soviético acabou por promovê-la como uma "artista do povo", aproveitando a sua origem camponesa para a propaganda cultural. Contudo, o estilo de Bilokur manteve-se imune às exigências ideológicas do Realismo Socialista, preservando a sua liberdade poética.

O ápice do seu reconhecimento internacional ocorreu em 1954, quando três das suas obras foram exibidas na Exposição Internacional de Paris e elogiadas por Picasso. Apesar dos títulos e da aclamação tardia, viveu os seus últimos anos em condições financeiras modestas na sua aldeia natal, cuidando da mãe doente antes de falecer em 1961, deixando um legado indelével na história da arte ucraniana e mundial.

Biografia

COP28: Afinal, o que é isto do ‘unabated’?



Na 28.ª cimeira climática global das Nações Unidas (COP28), o fim dos combustíveis fósseis é reivindicado por muitos, não apenas por movimentos e organizações ambientalistas, mas também por povos indígenas e alguns países, sobretudo os mais vulneráveis aos efeitos devastadores das alterações climáticas.

Estima-se que, atualmente, mais de 100 países de África, das Caraíbas, do Pacífico e da União Europeia tenham já publicamente defendido o fim progressivo de todos os combustíveis fósseis, mas outros, como a Rússia, a Arábia Saudita e a China, posicionam-se do outro lado da barricada.

As negociações ainda decorrem e muita água há ainda para correr debaixo da ponte, mas é importante perceber o que está em causa. Alguns governos defendem o fim, mesmo que progressivo, de todos os combustíveis fósseis, outros pedem o abandono dos combustíveis fósseis cujas emissões não possam ser neutralizadas, por exemplo, por tecnologias de captura de carbono, outros pedem apenas uma redução do uso dessa energia e há ainda os que querem que tudo fique como está.

Na discussão, um termo que muito tem sido debatido é o ‘unabated’. Esta expressão refere-se, no jargão climático, às emissões de gases com efeito de estufa, não apenas o dióxido de carbono, mas também o metano, que não podem ser capturadas e armazenadas e, por isso, são libertadas na atmosfera e agravam as alterações climáticas.

Embora seja usada prolificamente num sem-número de documentos relativos a negociações e compromissos climáticos, a definição do que é essa neutralização, ou ‘abatement’, frequentemente não gera consenso. Contudo, num relatório deste ano do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), uma nota de rodapé explica que isso poderá ser definido como “as intervenções humanas que reduzem a quantidade de gases com efeito de estufa que é libertada para a atmosfera a partir de infraestruturas de combustíveis fósseis”.

Adicionalmente, outra nota de rodapé aponta que combustíveis fósseis ‘unabated’ são aqueles “produzidos e usados sem intervenções que reduzam substancialmente a quantidade de [gases com efeito de estufa] emitidos ao longo do seu ciclo de vida”.

Numa altura em que o fim dos combustíveis fósseis está em cima da mesa na COP28, a indefinição do que é ‘unabated’ poderá gerar ainda mais dissensos no âmbito dos trabalhos de negociação climática.

Na ausência de uma definição clara, a palavra ‘unabated’ poderá, por exemplo, permitir a continuação de emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, pois há espaço para argumentar que capturar 50% dessas emissões é neutralizar parte delas.

Outro debate acontece em torno do ‘phaseout’, ou abandono progressivo, e do ‘phasedown’, ou redução progressiva. Embora nenhum país defenda o fim dos combustíveis fósseis de um dia para o outro, a opção mais amplamente aceite é ‘phaseout’, permitindo uma transição energética justa que cause os menores impactos negativos sobre as sociedades e economias.

O ‘phaseout’ implica um abandono progressivo com vista ao seu eventual fim definitivo.

Contudo, há países que defendem o ‘phasedown’, sobretudo aqueles cujas economias dependem mais fortemente dos combustíveis fósseis, em que existiria uma redução faseada do uso de combustíveis fósseis, mas não o seu fim.

Quem são os grandes patrocinadores do Chega?


A extrema-direita não está contra o sistema. A extrema-direita é o pior que o sistema tem.

Além disso é incrível ouvir uma grande mentira por parte do André Ventura. É mesmo racista. André Ventura defende a teoria racista da substituição que inspirou massacres nos EUA, Europa e Nova Zelândia, apesar da Europa ter apenas 5% de imigrantes, que muito jeito dão para trabalhos que ninguém quer fazer.

O que ninguém diz sobre o novo aeroporto de Lisboa


Hoje, dia 6 de Dezembro de 2023, o velho aeroporto de Lisboa está saturado. Suponho que amanhã também estará, assim como para a próxima semana e possivelmente no próximo ano (já sem tantas certezas). Contudo, depois não sei.

O que eu aprendi nos estudos que fiz sobre obras de vulto foi que é necessário cenarizar o futuro. Atenção, cenários não são predições, nem são truques de astrologia – são futuros plausíveis!
No desenvolvimento dos cenários são utilizados modelos quantitativos e análises qualitativas. São simulações de sistemas multivariados que permitem perceber tendências.
Ou seja, quais as tendências do tráfego aéreo nos próximos 10-30-50 anos.
À partida ter-se-ão que avaliar todas as hipóteses: (a) o tráfego aéreo vai aumentar? (b) o tráfego aéreo vai manter-se? (c) o tráfego aéreo vai diminuir? e (d) a que velocidade?

Quais as variáveis que condicionam o tráfego aéreo?
A elaboração dos cenários que estão em cima da mesa baseia-se nas actuais condições e tendências e essas apontam claramente para um rápido aumento do tráfego aéreo.
Mas a questão não é linear e um estudo sério deverá considerar outros cenários hipotéticos que levem em conta outras variáveis plausíveis. Dou apenas um exemplo que tem a ver com as alterações climáticas que são uma realidade dramática.
Os acordos internacionais sobre a redução da emissão de gases com efeito de estufa são manifestamente insuficientes para retardar de forma significativa os efeitos do aquecimento global: alterações do calendário agrícola, alterações biogeográficas, alterações demográficas, conflitos territoriais, fomes, secas, cheias, aumento da frequência de acontecimentos imprevisíveis, subida do nível do mar particularmente acentuada no Atlântico, etc..
A breve prazo, a fim de evitar o descalabro ambiental e o social dele decorrente, novos acordos muito mais draconianos terão de ser assinados. A redução significativa de gases com efeito de estufa será feita, de forma significativa, à custa da redução do tráfego terrestre e aéreo.
Serão impostas quotas de tráfego e tudo leva a crer, importantes ao nível do tráfego aéreo. A decisão é simples: ou temos planeta, ou o destruímos a uma velocidade estonteante.
Portanto o que é espectável, em alternativa ao suicídio planetário, é uma diminuição significativa do tráfego aéreo. Isto leva de novo à questão: justificar-se-á um novo aeroporto?
Obviamente que isto é mau para uma economia de acumulação cada vez mais baseada no turismo (e não directamente no trabalho) como a nossa. Porque numa primeira fase a única forma que o sistema económico tem de cumprir acordos de diminuição de tráfego aéreo será tornar os preços das viagens proibitivos. Volto a questionar: justificar-se-á um novo aeroporto?
A minha resposta não é um não imediato. É, simplesmente, que faltam estudos sérios, honestos, que considerem os vários cenários plausíveis e que fundamentem a necessidade (ou não) da obra.

E coloca-se a questão central do Impacto ambiental.
Claro que há estudos de impacto ambiental honestos e também desonestos. Conheço exemplos de ambos os tipos.
Um estudo de impacto ambiental do presumível novo aeroporto, obrigatoriamente, vários capítulos. Logo o primeiro deverá incidir sobre a própria obra: o impacto da construção de estaleiros, o impacto do tráfego de camiões (ou outros meios) para transporte de materiais, o impacto da própria obra, depois o levantamento dos estaleiros, depois o próprio tráfego aéreo em função da época do ano (por exemplo, será diferente o impacto durante a nidificação das aves do impacto durante as migrações e do impacto durante o inverno, etc.), depois o impacto do transporte de passageiros ou de mercadorias para os seus destinos (não imagino que, por exemplo os turistas, venham fazer turismo exclusivamente para o Alcochete ou trincar bifanas para Vendas Novas)… e, um dia, o impacto da desactivação do aeroporto (para quem não sabe as regras aconselham). 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Urbano Tavares Rodrigues – 100.º aniversário do nascimento

Marcha pela Paz, Lisboa, 1983: José Saramago, Piteira Santos, Maria Rosa Colaço, Lopes Graça, Manuel da Fonseca, José Cardoso Pires e Urbano Tavares Rodrigues.

Urbano Tavares Rodrigues – 100.º aniversário do nascimento de um homem bom, antifascista e muito culto – 6 de dezembro de 1923.

"Não quer dizer que não haja coisas boas na União Soviética, porque há, mas os mandantes estão um bocado fossilizados."
Estavam. Agora é aquele canalha do Putin. Um bandido da pior espécie. Um miserável do KGB. 

O Amolecimento pela Sociedade de Consumo
Nos países subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder instituído, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, originário por via de regra da média e da pequena burguesia ou mais raramente das classes proletárias, contesta o status quo, propõe soluções revolucionárias ou, quando estas não podem sequer divisar-se, limita-se a derruir (ou a tentar fazê-lo pela crítica, violenta ou irónica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os beneficiários do sistema de produção ergueram contra as aspirações da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude idêntica de inconformismo; porém, os resultados da sua actividade de criação e reflexão tornam-se matéria vendável e, nalguns casos, matéria integrável.
O consumo do objecto artístico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opinião, que os meios de comunicação de massa, em escala larguíssima , exercem, torna-se, senão totalmente inócuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conteúdo crítico. Despotencializa-se. Amolece. É o que se verifica, por exemplo, em boa parte, nos Estados Unidos. A ideologia repressiva da liberdade no mundo capitalista monopolista torna-se tanto mais perigosa quanto aborve, ou procura absorver, as próprias formas políticas de exercício das liberdades ditas essenciais, quando aceita no seu seio o escritor, acusador iconoclasta por natureza, recuperando-o em banho asséptico, limando-lhe os dentes. Mas, entendamo-nos, nem sempre o artista se dá conta dessa operação, até porque nem sempre, de facto, é ele próprio o paciente da operação que lhe reduz a perigosidade, senão que o é, sim, a sua obra, a qual, pelo poder diminutivo de uma dada comercialização, se rectifica.

Urbano Tavares Rodrigues, in "Ensaios de Escreviver"

Ativistas do Climáximo entram no aeródromo de Tires e pintam jato privado


Elementos do movimento Climáximo entraram hoje no aeródromo de Tires, Cascais, pintaram um jato privado e acorrentaram-se às rodas do aparelho, num protesto contra as emissões de gases com efeito de estufa dos voos de luxo, anunciou a organização.

Em comunicado, o movimento refere que uma viagem num jato privado entre Londres e Nova Iorque "emite mais CO2 [dióxido de carbono] do que uma família portuguesa num ano inteiro".

"Estar aqui corta mais emissões do que qualquer escolha individual. Os donos do mundo culpam pessoas normais de forma ingrata pelos seus hábitos, quando na realidade esta é de longe a forma de transporte com mais emissões per capita, e é usada quase exclusivamente por ultra ricos", afirma Noah Zino, do Climáximo, citado no comunicado.

A agência Lusa tentou obter mais informações sobre o caso junto da esquadra do aeródromo de Tires, mas em vão. O Expresso entrou também em contacto com o aeródromo de Cascais mas não foram tecidos comentários ao sucedido.

Fonte da esquadra da PSP de São Domingos de Rana, freguesia onde se insere o aeródromo, disse que alguns dos seus elementos foram para o local.

No comunicado, acompanhado de fotos onde se podem ver alguns jovens acorrentados às rodas de um dos jatos estacionado e que foi pintado com tinta vermelha, o Climáximo lembra ainda: "A ONU afirma que o 1% tem de cortar mais de 97% das suas emissões, mas os voos duplicaram no ano passado".

"Jatos privados são armas de destruição em massa, não têm lugar numa sociedade em chamas. Só a poluição da queima de combustíveis fósseis já mata, todos os anos, mais pessoas que os campos de concentração", refere o movimento.

O movimento critica o facto de os líderes mundiais se deslocarem "de jato privado aos Emirados Árabes Unidos para 'negociações climáticas", considerando que "pintam uma imagem da realidade tão nítida como a tinta vermelha que os denuncia".

Cortar as emissões de luxo e "voos supérfluos", como os de jato privado e os voos de curta distância, travar qualquer plano de aumento da aviação -- "seja um novo aeroporto em Lisboa ou a expansão em curso do Aeroporto de Cascais" - e requalificar milhares de trabalhadores, desenvolvendo amplamente a rede ferroviária nacional e internacional, são algumas propostas avançadas pelo Climáximo para travar a crise climática.

O movimento convida ainda todas as pessoas a juntarem-se e saírem à rua no próximo sábado, numa "manifestação de resistência climática".

Ler mais:

Long Lines Building - O mistério escondido num arranha-céu sem janelas de Nova York


Arquitectura brutalista
Projetado em 1974, pelo arquiteto John Carl Warneke, o Long Lines Building (Prédio de longas linhas, em tradução livre) fica bem no centro de Manhattan. A sua construção, contudo, não é nada usual e parece um pouco deslocada no mar de edifícios da região. Construído a partir de lajes de betão e painéis de granito, tem uma aparência cinza e funcional.

Fachadas sem aberturas não só impedem a entrada de elementos externos no edifício, mas também ajudam a manter uma temperatura constante, segundo o NYV Urbanism.

No total, o prédio conta com 170 metros de altura, divididos por 29 andares - sendo que o famoso Empire State Building mede 381 m. Só que, no caso do Long Lines, além da visível falta de janelas, cada um dos andares também conta com um pé direito altíssimo.

Ainda mais impressionante, de acordo com o site Atlas Obscura, a construção foi projetada para suportar uma quantidade absurda de peso por metro quadrado. Tudo isso com o objetivo de servir como uma grande central de telecomunicações.

Comunicação é a chave
Acontece que, desde sua criação, até hoje, o prédio na 33 Thomas Street pertence à AT&T, uma gigante da comunicação nos Estados Unidos. Quase tão resistente quanto uma fortaleza, então, o prédio servia como base para os computadores da empresa.

Os equipamentos antigos, contudo, não eram tão fáceis de transportar e de manter como os dos dias atuais. Por isso, os andares deveriam ser mais altos, devido ao tamanho das caixas de metal, e o prédio deveria ser mais resistente, pensando no peso.

Naquela época, a sede da AT&T também guardava equipamentos telefônicos de longa distância. Atualmente, além dos aparelhos, o prédio ainda serve como central de armazenamento de uma parte de dados importantes detidos pela empresa.

Planta suspeita
Projetado para guardar uma grande quantidade de informações bastante valiosas, o edifício tem uma segurança quase impenetrável. Isso sem contar as paredes resistentes, que podem resistir a uma explosão nuclear, permitindo que os sistemas continuem em pleno funcionamento por duas semanas, mesmo sem contato com uma rede fixa.

O problema é que, segundo o The Intercept, as potentes estruturas do Long Lines estão sendo usadas para um segundo propósito, que não o comercial da AT&T. Em matéria publicada em novembro de 2016, o veículo afirmou que o edifício também serve como um centro de espionagem da NSA (Agência de Segurança Nacional).

De acordo com a denúncia, o arranha-céu teria o codinome de ‘Titanpointe’ e, entre as suas paredes sem janelas, guardaria escutas telefónicas e equipamentos utilizados para coletar dados governamentais. Por isso, inclusive, poucos teriam acesso ao seu interior.

O edifício também conta, segundo a reportagem, com três subsolos, abastecidos com comida o suficiente para que 1,5 mil pessoas se alimentem por duas semanas em caso de catástrofe. 
Segundo o The Sun é uma das construções mais seguras dos Estados Unidos, capaz, inclusive de resistir a uma explosão nuclear!

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

E o «descalabro» do PISA nos liberais países do norte europeu?


Numa reação precipitada aos resultados do PISA 2022, dois dos nossos liberais de serviço coincidiram num adjetivo: «descalabro». Assim se expressou o habitualmente ponderado Alexandre Homem Cristo: «PISA 2022. Descalabro. Resultados de Portugal são os piores desde PISA 2006 (...)». Quase se limitando a citar, diz Rui Rocha, da Iniciativa Liberal: «As avaliações do PISA 2022 são um descalabro. A gestão socialista fez os resultados retrocederem praticamente duas décadas. Piores resultados desde 2006 (...)».

Não fora tanta a pressa e talvez Homem Cristo e Rui Rocha tivessem podido constatar que se trata de uma queda generalizada e «sem precedentes» ao nível da OCDE. E que traduz, no essencial, o impacto da pandemia nas escolas e nas aprendizagens. De facto, como assinala o IAVE no Relatório Nacional, o desempenho global na OCDE caiu em média, entre 2018 e 2022, «15 pontos a matemática e 10 pontos a leitura», quando «em duas décadas de estudo PISA, a pontuação média da OCDE nunca flutuou mais de quatro pontos a matemática ou cinco pontos a leitura entre avaliações consecutivas». É isto, «que torna os resultados do PISA 2022 tão singulares».

Analisando o relatório PISA 2022 com a devida calma e ponderação, estes nossos liberais poderiam constatar, ainda, que depois da melhoria gradual dos resultados dos alunos portugueses, que permitiu uma aproximação progressiva às médias da OCDE, na primeira década deste século (sim, na tal «década perdida», segundo Crato), Portugal passou a estar alinhado com os valores da organização. E isso que, como mostra o mapa aqui em cima, sucede no PISA 2022: a descida de Portugal no PISA, entre 2018 e 2022, acompanha o ritmo de descida da OCDE, sem diferenças estatisticamente relevantes.

Coisa que não sucede, já agora, nos sistemas educativos de insuspeitos países do norte europeu, em que as quebras de valores médios do PISA, entre 2018 e 2022, vão além dos -14 pontos registados em Portugal e na média da OCDE (como sucede no caso da Alemanha, França, Países Baixos, Finlândia ou Noruega).

Na verdade ninguém quer saber do Pisa. Os 20% q se poderiam interessar já têm os filhos em escolas privadas. E isso é que preocupa a IL e o Chega. Investem em colégios e os vossos estudantes/filhos afinal não são "excelentes".

Música do BioTerra: Lowlife - Loaded Primed and Pulled


Now that he knew how it grew
He powered down slightly
As much air as he could
Swallowed down quickly
As fast as he saw fit
He pulled himself inside it
As fast as he could do it
As fast as he could

It was ready to be
Slowly sucked from him
As much as he could make
They could have from him
Loaded primed and pulled
He dragged himself inside it
As slow as he could do it
As slowly as he could

Now that he knows how it goes
He doesn't look behind him
Leaves it dying in the cold
The thought of it warms him
Leaves it lying in the cold
The thought of it warms him
As slow as he could do it
As slowly as he could

Embora o grupo nunca tenha obtido popularidade mainstream, eles desenvolveram um culto de seguidores que continua até hoje. Lowlife produziu 5 álbuns. O vocalista Craig Lorentson faleceu em 4 Junho 2010.

Cartoon - As alterações climáticas são causadas por duas coisas: atividade humana...e inação humana


Não votem na Iniciativa Liberal, nem no Partido Chega. São cépticos climáticos e vendidos ao lóbi das petrolíferas.
Dr Friederike Otto, of Imperial College London said: “The science of climate change has been clear for decades: we need to stop burning fossil fuels. A failure to phase out fossil fuels at Cop28 will put several millions more vulnerable people in the firing line of climate change. This would be a terrible legacy for Cop28.”

The Global Carbon Project, an international collaboration of scientists, estimates that worldwide carbon dioxide emissions from burning fossil fuels will rise 1.1% this year over 2022, to 36.8 billion metric tons. That’s a new peak and 1.4% higher than the level in 2019, prior to the Covid-19 pandemic. [Bloomberg]