quinta-feira, 10 de maio de 2018

Descoberta a origem da água?

Fonte: Notícias ao Minuto
Apontada como um dos bens mais imprescindíveis à vida humana, a água é matéria de estudo a inúmeros cientistas que a desvendam por diversos meios, entre eles, a forma como chegou ao planeta terra. É essencial para qualquer ser vivo do nosso planeta, sendo também necessário para a evolução dos planetas”. Por toda esta importância, e como forma de antecipar qualquer possível cenário que se preveja com a global poluição desta matéria, torna-se imprescindível para a ciência conhecê-la.

“Sabemos desde há algum tempo que os asteroides e cometas carregam água e foi provavelmente desta forma que a mesma chegou à Terra”,refere Terik Daly, geólogo planetário, que acrescenta, “mas os detalhes de todo este processo têm estado numa caixa fechada”. Atuais estudos, publicados esta semana, parecem garantir que a ciência está mais perto de conhecer tais respostas.

Para conhecer o processo da chegada da água à Terra, é necessário ver o referido processo. Contudo, a chegada de asteroides é totalmente imprevisível, por isso os cientistas criaram um artificial, com apoio do AVGR, da NASA – ferramenta usada em 1960, para se conhecer e estudar a superfície lunar, e que é usada também noutras experiências em que seja necessário simular a alta velocidade e posterior impacto que um corpo tem, em pequena escala.

O instrumento foi aquecido a uma temperatura superior a 1500 graus, valor mais que suficiente para fazer evaporar qualquer água presente no instrumento (e asteroide que se pretendia recriar). Contudo, o resultado demonstrou que parte da água presente no objeto preserva-se e resiste à temperatura e velocidade ao ficar ‘presa’ entre os materiais que são expostos às condições de impacto do meteorito.

Na recriação deste processo natural, verificou-se o efeito do impacto entre dois meteoros. Para testar o impacto de um meteorito em algo de uma escala bem superior, como a própria terra, seriam necessários outros meios – não existentes – contudo, as atuais observações já permitem confirmar alguns dados que permitem sugerir uma possível teoria para a chegada da água ao nosso planeta.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Dizer Não, por Vergílio Ferreira

Dizer Não

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros. 

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios. 

Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de «elitismo», mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude. 

Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação. 

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo. 

Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela. 

Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos. 

Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenarmo-nos em gado sob o comando de um pastor. 

Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue. 

Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal. 

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade. 

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1' 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Vencedores dos prémios Goldman 2018


Vencedores dos prémios Goldman: 


1. Makoma Lekalakala e Liz McDaid (África do Sul), líderes de uma coligação contra o acordo nuclear entre a África do Sul e a Rússia;

2. Khanh Nguy Thi (Vietname), empenho na luta contra o carvão e a favor das energias renováveis;

3. Claire Nouvian (França) ativista contra a sobrepesca, contra a destruição do fundo dos mares por parte dos arrastões, pressionou com sucesso o governo francês para obrigar a cadeia dos supermercados Intermarché a comercializar peixe de capturas sustentáveis;

4. Manny Calonzo (Filipinas) na luta pela abolição de chumbo nas tintas;

5. LeeAnne Walters (EUA) as denúncias da contaminação da água de Flint obrigaram o governo local a tomar medidas e a garantir água segura

6. Francia Márquez (Colômbia) liderou uma campanha pelo fim da extração do ouro em La Toma

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Eduard Punset: Breve biografia de um comunicador de media científica


Nos últimos anos, Eduard Punset tem sido uma das vozes de divulgação científica mais ouvidas, respeitadas e aclamadas nos meios de comunicação espanhóis. No entanto, este homem não é realmente um cientista ou algo parecido. Na verdade, foi político durante a ditadura franquista e é formado em Direito e Economia. Curioso, certo?

O que aconteceu para um político e advogado se tornar uma das vozes mais respeitadas na divulgação científica ao longo do tempo? Pois bem, uma extensa carreira que levou Punset da sua cidade natal, Barcelona, ​​​​à criação de um dos programas mais lendários da televisão espanhola, denominado ' Redes ', transmitido pela La 2 .

Punset era filho de um médico rural que trabalhava em Tarragona. Porém, o jovem logo demonstrou as suas preocupações, e viajou para Los Angeles para estudar na North Hollywood High School .

Depois, retornará à Espanha para estudar Direito na Universidade Complutense de Madrid , e começará a servir no Partido Comunista. Obviamente, acabou exilando-se em Londres, onde estudou Ciências Económicas na Universidade de Londres, e mais tarde estudaria também na École Pratique des Hautes Études de Paris.

O que aconteceu para esse homem acabar se dedicando à ciência? Os seus primeiros empregos foram como editor económico na BBC , director económico do ' The Economist ' e economista no FMI .

Além disso, após a morte de Franco, Punset regressou a Espanha para ingressar na UCD de Adolfo Suárez , com quem se tornou deputado ao Parlamento espanhol, e esteve presente em diversas instituições durante os anos 80 e início dos anos 90 em partidos como o CDS e a Convergência. eu Unió .

Eduard Punset e a divulgação científica
No entanto, o interesse de Punset pelas novas tecnologias, após o fracasso do partido político Foro em 1995, a sua última tentativa institucional, levou-o a aceitar em 1996 um programa que mudaria a sua vida e a de muitos espanhóis, o 'Redes'.

Há quase uma década, com um tom descontraído e compreensível, com o seu cabelo distraído de sábio e o seu tom de voz único, Punset traz aos espanhóis as ideias e teorias de grandes cientistas a nível mundial, como Roger Penrose ou Jane Goddall, entre muitos outros . .

Curiosamente, foram a voz e a aparência de Punset que chamaram a atenção dos comediantes. Quando metade da Espanha ria das imitações deste divulgador, a outra metade se aproximava timidamente do mundo da ciência através de suas interessantes entrevistas em inglês que ele mesmo apelidou.

Mais tarde, Eduard Punset começaria a publicar livros informativos que, finalmente, se aproximavam cada vez mais do mundo da autoajuda do que da ciência. No entanto, ninguém pode negar que foi um dos grandes comunicadores científicos espanhóis. Curiosamente, sem qualquer tipo de formação oficial nessas áreas.

Petição: Refundar os Serviços Florestais e Aquícolas em Portugal Continental

Azinhal (Quercus rotundifolia)


Nós, cidadãos, que nos preocupamos com o futuro da floresta nacional, considerando que:

• A área florestal com gestão pública, responsabilidade do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), é de 525.400 ha. São património público, e por isso têm gestão plena do ICNF, apenas 55.000 ha. Chamam-se Matas Nacionais e estão sob o Regime Florestal Total. As restantes áreas são constituídas essencialmente por terrenos comunitários (baldios), bem como alguns terrenos particulares e autárquicos, que estão no Regime Florestal Parcial e são geridas pelo ICNF através desse regime num sistema de gestão partilhada com os seus legítimos proprietários.

• O Regime Florestal, “consciencializado e assumido como princípio de Direito e plasmado na lei [notável] em 1901 e 1903”, e que define o uso florestal como uso imperativo (PARDAL 2014), tem sido a base de uma política florestal esclarecida que se quedou nos 525.400 ha referidos, porém, embora a legislação esteja em vigor e toda área de gestão pública atual se enquadre nele, ele tem vindo a ser incorretamente desconsiderado e pouco promovido.

• Portugal é um dos países do mundo com menor percentagem de floresta pública (2% e 55 mil ha, ou 0,055 milhões ha), e definitivamente aquele que tem menos floresta pública na Europa. Manda o bom senso perguntar aos nossos vizinhos espanhóis (27% e 7,396 milhões ha) e franceses (11% e 1,702 milhões ha) porque lhes convém que o Estado disponha de uma percentagem elevada da área florestal.

• Os Serviços Florestais já haviam sido criados em 1886, todavia, foi no âmbito da grande reforma de 1901 que os modernos Serviços Florestais e Aquícolas (SFA) foram criados. Estes serviços fizeram um trabalho notável durante quase um século, com muitos períodos áureos e outros não tão felizes. Importa referir alguns bons um pouco esquecidos: a partir dos finais dos anos 30 do século passado começavam a estruturar-se no seu seio as competências para a conservação da natureza. Tendo surgido em 1956, dentro dos SFA, o Serviço de Caça, Pesca, Regime Florestal e Protecção da Natureza, que cria a primeira área protegida de Portugal Continental (Reserva Ornitológica do Mindelo). Nos finais da década de 60, fez-se a identificação das principais áreas a proteger, a maior parte das quais veio a estar na origem na constituição de parques naturais e foi ainda no interior dos SFA que surgiu a iniciativa da criação, em 1970, do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Nesses tempos, em 1948, surge na sociedade civil um silvicultor, Prof. Carlos Baeta Neves, que cria a Liga para a Protecção da Natureza (LPN). Tendo sido a primeira Organização Não Governamental de Ambiente a ser criada na Península Ibérica. Por falta de estratégia e visões esclarecidas, as competências nas áreas da conservação da natureza foram, sem medo da sua ineficiência, retiradas dos serviços florestais até que “em 1996 a estrutura [da instituição florestal] foi desmantelada e regionalizada, com o pressuposto de criação de uma empresa pública [ENGEF] para a gestão das áreas a cargo do Estado” (AFN 2012). “A proposta viria a ser submetida pelo Governo a parecer do Conselho Económico e Social, entidade que ‘rejeita frontalmente a alienação do património florestal do Estado, ainda que a favor de uma empresa pública’ e que questiona os objetivos marcadamente produtivistas da abordagem seguida no Projeto” (AFN 2012). Conclusão: foi em 1996 que se destruiu por fim os Serviços Florestais centenários de Portugal Continental para se criar o NADA.

• Temos consciência que o futuro da floresta em Portugal não se resolve exclusivamente por alcançar a boa gestão das áreas de Regime Florestal existentes atualmente. A maior parte da área florestal em Portugal é privada, pelo que, noutro âmbito, terão de ser encontradas soluções para o ordenamento dessa floresta. Entendemos que, se voltarmos no imediato a gerir efetivamente no terreno 525.400 ha de área florestal, estaremos no caminho certo e um pouco mais próximos de resolver o problema da floresta em Portugal.

• A Comissão Técnica Independente no seu relatório “Avaliação dos incêndios ocorridos entre 14 e 16 de outubro de 2017 em Portugal Continental”, de março de 2018, faz uma total razia à atuação do ICNF (e designações anteriores) em Portugal Continental desde, pelo menos, 1981 até aos dias de hoje (CTI 2018).

• A CTI (2018) refere que o ICNF está numa grave situação; que não assegura a proteção das Matas Nacionais; que as áreas florestais sob sua responsabilidade ardem ainda mais que as restantes; que o facto de ter ardido 34% da totalidade da área de Matas Nacionais em 2017 é demasiado evidente e grave; que a instituição é um constrangimento para o setor florestal quando deveria ser o seu principal promotor; que esta nunca assumiu a degradação de um património público [e comunitário] de ½ milhão de hectares; que a má gestão de um bem público [e de um bem comunitário] constitui um péssimo serviço; que é nas florestas sob sua responsabilidade que é mais grave o problema das invasoras lenhosas [acácias] em Portugal.

• Deveria ser ainda mais crescente a importância da caça e da pesca desportiva em águas interiores como atividades económicas de relevo no interior do país, nomeadamente na vertente turística, porém, muitas dos nossos rios e albufeiras encontram-se depauperados por falta de gestão aquícola efetiva, nomeadamente devido à inexistência de regras de pesca específicas e dinâmicas, para cada massa de água, conjugada com uma total falta de fiscalização. A gestão da caça, embora tendo melhorado muito nas zonas de gestão privada, está longe da capacidade que poderia representar e, sobretudo no aspeto turístico, não houve capacidade para organizar e desenvolver um turismo cinegético capaz de valorizar realmente o potencial existente em muitas regiões do interior do país.

• O problema da instituição florestal em Portugal não é exclusivamente político. A situação só chegou a este estado de extrema gravidade devido também à evidente incúria de seus dirigentes que nunca se insurgiram e que, por acomodação, a deixaram apodrecer.

• A existência de áreas florestais sob gestão pública faz sentido. Dada a sua natureza ecológica, não foi encontrada até agora nenhuma forma melhor de explorar florestas de baixa produtividade senão transformando-as num uso imperativo florestal de utilidade pública. Todos os países com governos democráticos bem sucedidos nesta matéria, sejam de esquerda ou de direita, chegaram à mesma conclusão (PEDRO BINGRE com. pessoal). O facto da nossa instituição florestal em Portugal ter sido desmantelada nos últimos 40 anos e se encontrar atualmente ao nível da de um Estado Falhado fará parecer lógico alegar que o serviço público florestal não funciona e que a gestão pública florestal em Portugal deve ser de vez entregue a privados. Ocorre que temos a vantagem de termos uma recente história florestal rica e bem sucedida, temos ainda o mundo à nossa volta com excelentes exemplos do que é um bom serviço público florestal. Portugal tem-se fechado sobre si mesmo e se revelado ignorante em politicas florestais; devemos antes procurar copiar aquilo que funciona lá fora e atualizar aquilo que já funcionou entre nós. Temos de assumir humildemente que somos atualmente um dos piores países do mundo em termos de políticas e governança florestal - os factos estão aí, duros, mas reais: 112 pessoas mortas e 442 mil ha ardidos apenas em 2017. Alternativas, provenientes da ignorância e do imediatismo, nos parecem por isso aventureirismos por testar ou fracassos a não repetir.

Requeremos à Assembleia da República:

1.  Que refunde um novo Serviço Florestal e Aquícolas (ou outra designação) em Portugal Continental, criando no seu seio uma estrutura com capacidade idêntica à que tiveram os Serviços Florestais e Aquícolas em Portugal nomeadamente no que respeita: 1) à efetiva capacidade de gestão, plena e partilhada, das áreas de Regime Florestal, com serviços próximos das comunidades locais, com dinamismo e célere capacidade de decisão, com técnicos, guardas florestais e operacionais qualificados e motivados, com estrutura, equipamento, capacidade de investimento alargada e autonomia financeira; 2) à efetiva gestão de recursos aquícolas dos nossos rios e albufeiras, com viveiros, repovoamento piscícola adequado, e fiscalização; 3) ao efetivo apoio à gestão dos recursos cinegéticas, estimulando e garantindo o apoio a um verdadeiro turismo cinegético internacional; 4) que desenvolva o sector da silvopastorícia, promovendo o desenvolvimento de uma atividade moderna capaz de contribuir para a criação de espaços resistentes aos incêndios através de áreas de pastagens renovadas com capacidade de sustentar uma economia pastoril; 5) que desenvolva e aperfeiçoe os serviços de gestão dedicados à conservação da natureza, que garantam o desenvolvimento da biodiversidade e em especial a recuperação das espécies ameaçadas e em risco de extinção, que sejam harmonicamente complementares da economia dos espaços rurais, do turismo de natureza e, sobretudo, para a melhoria das condições de vida das respetivas populações; 6) que sirva para apoiar permanentemente (extensão rural) as áreas de Regime Florestal Parcial e nomeadamente, nas áreas comunitárias, dinamizar e apoiar a constituição de assembleias de compartes e respetivos conselhos diretivos; 7) que reponha a Estação Florestal Nacional (pesquisa aplicada à floresta) e que, entre outras linhas de pesquisa, retome urgentemente os programas de melhoramento florestal, articulando-se com o CENASEF (Centro Nacional de Sementes Florestais); 8) que se dedique à correção de regimes torrenciais (controlo de erosão) e por fim ao lazer e recreio nomeadamente através da reabilitação dos parques de merendas.

2. Que, tendo em vista a refundação dos referidos serviços, promova um profundo debate que envolva um pequeno grupo, a requerer pela AR, de pensadores de políticas florestais, de pensadores de planeamento regional, de silvicultores experientes e com mundo, e de representantes das áreas comunitárias. Que discutam várias alternativas de modelos de gestão pública (benchmarking) tendo como premissa que “não pode haver uma condução correta da floresta e da conservação dos recursos naturais sem serviço público, mas este, para existir, tem de estar aplicado à exploração rentável dos recursos naturais, tendo nessa rentabilidade o principal alicerce da sua existência” (PARDAL 2014).

3. Que sejam feitas estimativas dos investimentos necessários nas várias áreas de gestão de recursos naturais. Em particular, na área de produção florestal sejam feitos, no imediato, inventários florestais (se não os houver recentes) e a finalização do mapeamento dos 525.400 ha de terrenos de Regime Florestal, para servir de base de trabalho para que os melhores técnicos, a requerer pela AR, de planeamento florestal, de SIG e de economia florestal, possam calcular as reais necessidades financeiras dos novos Serviços Florestais, tendo em conta as despesas (estrutura e investimentos) e as receitas (cortes e demais recursos naturais).

4. Que se cubram as necessidades financeiras deste imperativo projeto de investimento florestal recorrendo ao Orçamento de Estado, à União Europeia e/ou ao Banco Mundial (o que já ocorreu em anterior projeto florestal, de 1980 a 1987, lançado pelo então Secretário de Estado das Florestas Prof. António Azevedo Gomes).

5. Que garanta que a orgânica que vier a ser definida seja resultado de um amplo consenso político, capaz de garantir a sua estabilidade a muito longo prazo (100 anos).

6. Que garanta que os prédios rústicos em estado de abandono e pertencentes a proprietários desconhecidos, e que não respondem à chamada, sejam integrados nas Matas Nacionais em Regime Florestal Total (publique-se uma nota - ad perpetuam rei memoriam - que sirva de base à negociação caso futuramente apareçam os legítimos proprietários) (PARDAL 2017). Desta forma “ampliando o património público” conforme “compete ao Estado” pelo artigo 8.º da Lei de Bases da Política Florestal (Lei n.º 33/96). Segundo BEIRES (2013) o problema não está quantificado, porém sugere uma estimativa grosseira de 10% do território se encontre nesta situação, e refere ainda: “importa deixar claro que estas terras sem dono conhecido ocorrem quase sempre em zonas marginais ou de incultos florestais, sendo muito raras ou inexistentes em terras agrícolas”. Os vários trabalhos em curso, nomeadamente o Cadastro Simplificado, legislado recentemente, vos permitirá a localização desses prédios rústicos, de forma a seguirem a política referida.

7. Que assegure que se os proprietários de uma ZIF, que viram todo o seu património florestal ardido e que por isso ficaram sem recursos financeiros para alavancar novamente a gestão florestal, possam recorrer ao Governo para submeter a mesma ao Regime Florestal Parcial. Tendo o Estado a obrigação (conforme lei do Regime Florestal) de arborizar e explorar através dos Serviços Florestais (ou, liberdade nossa, de entregar os apoios financeiros necessários ao mesmo fim), de dar apoio contínuo técnico e de polícia à ZIF, salvaguardando para o Estado uma parte dos lucros líquidos da mata. A gestão manter-se-á privada e em sede de ZIF sendo supervisionada pelos Serviços Florestais com base no plano de exploração aprovado, num sistema de gestão partilhada que garantirá, a muito longo prazo, a utilidade pública florestal.

8. Que rejeite a privatização ou municipalização das Matas Nacionais e a municipalização dos terrenos comunitários, no todo ou em parte, a não ser a devida à expropriação por motivos de utilidade pública.

9. Que entenda que refundar é promover uma mudança radical. A instituição que nascerá deve ser transparente e responsável pelo cumprimento de objetivos, devendo a escolha dos seus novos dirigentes ocorrer por meritocracia.

10. Que assegure que as áreas de Regime Florestal geridas pelos Serviços Florestais voltem a ter a capacidade própria de proteção, deixando de fazer depender a extinção do fogo apenas em terceiros (CTI 2018).

11. Que garanta que nas áreas de Regime Florestal geridas pelos Serviços Florestais sejam rentabilizadas através da produção de lenho, da resinagem (nomeadamente à vida), da produção de cogumelos, da caça, da pesca desportiva, da apicultura, da silvopastorícia e/ou outros recursos naturais numa óbvia gestão harmoniosa com a conservação da natureza. E que se recuperem, e se tire proveito, das Casas dos Guardas Florestais e outro importante património construído (sem alienação) para o apoio a essa gestão.

12. Que assegure que as receitas das licenças de caça e de pesca e as receitas da gestão das Matas Nacionais revertam na totalidade para os Serviços Florestais, bem como a parte da receita que lhe é devida nas áreas Regime Florestal Parcial, e que estas sejam aplicadas na gestão do Regime Florestal e no seu fomento.

13. Que reponha os Guardas Florestais no Ministério da Agricultura, com as funções de polícia, fiscalização e apoio à gestão dos recursos florestais, como sempre sucedeu desde, pelo menos, 1886 até 1998/2006 (respetivamente: competência exclusiva de polícia / transferência para a GNR no Ministério da Administração Interna).

14. Que invista na reflorestação das vastas áreas ardidas e áreas atualmente incultas do Regime Florestal, sobretudo com espécies autóctones, incluindo o pinheiro bravo, promovendo as espécies folhosas sempre que tecnicamente aconselhável e promovendo a erradicação de espécies invasoras lenhosas exóticas, nomeadamente as acácias.

Resumo: que a Assembleia da República dote com urgência o país de uns novos Serviços Florestais e Aquícolas (ou outra designação), com a mais conveniente estrutura orgânica, apoiado num corpo técnico competente desde o nível dos guardas florestais até aos seus mais altos dirigentes, que seja capaz de, adotando uma visão moderna de conservação dos recursos naturais e da biodiversidade, dirigir e coordenar a gestão dos recursos florestais de Portugal Continental de modo a que estes contribuam na sua plenitude para a nossa economia e para o desempenho das funções sociais e do bem estar das populações rurais que deles dependem. Para tanto, será necessário que ocorra um investimento elevado para recuperar as perdas dos últimos anos e um orçamento anual capaz de suportar tal estrutura, dentro do Ministério da Agricultura, podendo-se recorrer não apenas aos recursos disponíveis no Estado português, mas também a outras fontes de financiamento existentes para estes fins.

Com respeitosos cumprimentos, os peticionários.

(atenção: deve obrigatoriamente colocar o seu nome COMPLETO e o nº do seu BI).

BIBLIOGRAFIA:


BEIRES, R. S.; GAMA AMARAL, J.; RIBEIRO, P., 2013. O cadastro e a propriedade rústica. Fundação Francisco Manuel dos Santos. Páginas 83 e 84 

CTI, 2018. Avaliação dos incêndios ocorridos entre 14 e 16 de outubro de 2017 em Portugal Continental. Comissão Técnica Independente. Páginas 195-201 e 239-240 

PARDAL, SIDÓNIO, 2014. A Politíca Florestal no Nosso País.In Questões Atuais de Direito Local. AEDRL – Associação de Estudos de Direito Regional e Local. 

PARDAL, SIDÓNIO, 2017. Apontamento para uma política florestal. 

Carpino - European Hornbeam (Carpinus betulus)


Conhecida pela sua beleza e versatilidade, o Carpinus betulus é uma árvore de grande porte que apresenta um crescimento relativamente lento a moderado, podendo atingir uma altura de 15 a 25 metros.

Intrigante a geometria das suas folhas.

A sua forma elegante, folhagem exuberante, casca acinzentada e facilidade de manutenção e adaptabilidade, tornaram-no uma escolha perfeita formatar este magnífico bonsai, sendo uma adição encantadora a qualquer jardim.

Luz: Necessita de luz solar direta, mas tolera sombra parcial.
Rega: Regue com regularidade, de modo a manter o substrato ligeiramente húmido.
Clima: Tolera frio extremo e geadas.

domingo, 6 de maio de 2018

O mundo está a ficar melhor ou pior? Uma análise aos números


O ano de 2017 terá sido mesmo o "pior ano de todos", como algumas pessoas querem que acreditemos? Nesta análise dos dados recentes sobre homicídios, guerra, pobreza, poluição, entre outros, o psicólogo Steven Pinker descobre que temos melhorado em todos esses aspetos em comparação com os dados de há 30 anos. Mas o progresso não é inevitável e isso não significa que tudo melhora para todos, diz Pinker. Pelo contrário, o progresso é a solução de problemas e devemos olhar para coisas como a alteração climática e a guerra nuclear como problemas a serem resolvidos, e não um apocalipse anunciado. "Nunca teremos um mundo perfeito e seria perigoso querer isso", diz ele. "Mas não há limites para as melhorias que podemos conquistar se continuarmos a aplicar o conhecimento para aumentar a prosperidade humana."

Música do BioTerra: Fraunhofer Diffraction - Apology


A minha esposa, Teresa, cometeu suicídio em 6 de Maio de 2016. Estes sons e foto ajudam-me a aliviar minha dor além da meditação

My wife, Teresa,  committed suicide in 6th May of 2016. These sounds and photo help me to relief my pain besides meditation

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Em todos os jardins, por Sophia Mello Breyner



Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como um beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Documentário: Food Inc, 2008, por Robert Kenner


O documentário Food Inc apresenta a realidade por trás das indústrias de alimentos, que dificultam ao máximo que os consumidores saibam a verdadeira origem do que estão a comprar ou ingerir.

A realidade que a indústria pretende esconder a todo custo é baseada num cenário perverso: uma vida de sofrimento, tortura e confinamento de animais que são explorados para o consumo humano. O filme foi produzido e dirigido por Robert Kenner.

O documentário retrata a indústria alimentar americana e faz uma abordagem profunda sobre o modo de produção dos alimentos que vão parar às prateleiras de mercados e às nossas mesas. O filme procura fazer uma crítica a esse sistema, que em busca do aumento da produtividade e do lucro, cria e abate os animais de forma desumana, faz uso de hormonas e antibióticos nos animais, insere variedades de grãos geneticamente modificados nos nossos alimentos e uma série de outros componentes que contribuem para o aumento de sua contaminação. O documentário também aborda o facto de que esse modo de produção contribui com os problemas de saúde pública, como diabetes e obesidade, que atinge principalmente as populações mais carentes.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Earthship e os seus sistemas integrados

Michael Raynolds- Arquitetura Sustentavel

Earthship’s são edifícios construídos a partir de materiais reciclados e reutilizados, produzem electricidade através de energias renováveis, como o sol e o vento, reutilizam a água da chuva e produzem a sua própria alimentação. 

O Fundador do Sistema Earthship Michael Reynalds (ver TEDTalk Garbage Warrior) é especializado em construir utilizando materiais que são considerados como lixo pela maioria das pessoas - garrafas, latas, pneus – e também com materiais naturais, como madeira e terra.

Especificamente na utilização de pneus, Reynolds se destaca: o arquiteto os enfileira e recheia de terra prensada manualmente com uma grande marreta. Desta forma ele cria uma espécie de muro de pneus e terra tem com uma capacidade incrível de deixar a temperatura interior agradável devido à inércia térmica dos materiais.

Em alguns testes as casas estruturadas com pneus e terra apresentaram alta resistência a terramotos e enchentes.

Em 1990 essas técnicas inovadoras foram consideradas arriscadas e viraram alvo de processos do governo americano, o que tirou, temporariamente, o direito de assinar projetos do arquiteto. Sem poder trabalhar, M. Reynolds se dedicou a elaborar um projeto de lei para criar uma área de experimentação em bioconstrução.

Em 2007 foi lançado o documentário Garbage Warrior (Guerreiro do Lixo) que conta um pouco do trabalho do arquiteto na região de Taos, no Novo México.

As casas projetadas no deserto têm 50% de sua área destinada ao cultivo de alimentos, o que faz com que atinjam índices de conforto naturalmente num ambiente com clima bastante extremo.

Michael afirma que após rodarem 40 mil quilómetros os pneus não emitem mais toxinas nocivas ao ser humano.

A Biotectura e os seis parâmetros principais do modelo Earthship são: 
- Biotecture – incorporação da Biologia na Arquitectura 
- Captação de água da chuva e da neve 
- Aquecimento e arrefecimento através de massa térmica 
- Produção de electricidade através do sol e do vento 
- Tratamento de esgoto no local 
- Produção de alimentos numa estufa coberta integrada 
- Construção com materiais naturais e reciclados

Vejamos um belo documentário de novas propostas de casas saudáveis vindo da Nova Zelândia onde se conjugam os seis parâmetros acima referidos.

terça-feira, 1 de maio de 2018

The Sisters of Mercy - Some Kind of Stranger


Melhor som aqui
Letra
And yes I believe in what we had 
But words got in the way 
And only yesterday as I was leaving 
Lord knows I've tried to say but 
I've heard a million conversations 
Going where they've been before 
Seen the way that careful lingers 
Undecided at the door 

And all I know for sure 
All I know for real Is knowing doesn't mean so much 
When placed against the feeling 
The heat inside 
When bodies meet 
When fingers touch 

All my words are second-hand and 
Useless in the face of this 
Rationale and rhyme and reason 
Pale beside a single kiss 
And I've heard so many things 
I fail to understand at all I'd settle anytime for 
Unknown footsteps in the hall outside 

And all I know for sure 
All I know for real Is knowing doesn't mean so much 
When placed against the feeling 
The heat inside 
When bodies meet 
When fingers touch 
Because the world is cruel 
And promises are broken 
Don't try to tell me anything 
Don't try to tell me 
You'll be true to me you know 
The real truth is never spoken 

And I know the world is cold 
But if you hold on tight to what you find 
You might not mind too much though 
Even this must pass away 

And memories may last for years 
But names are just for souvenirs 
Some kind of angel 
Let me look into your eyes 

Don't give me whys and wherefores 
Reason or surprise 
I don't care for words that don't belong 

And I don't care what you're called 
Tell me later if at all I can wait a long long time 
Before I hear another love song 

Come here I think you're beautiful 
My door is open wide 
Some kind of angel come inside 

Come here I think you're beautiful 
I think you're beautiful beautiful 
Some kind of angel come inside  [4X]

Significado da canção
"Some Kind of Stranger" é a faixa que encerra de forma épica e melancólica o álbum de estreia dos The Sisters of Mercy, First and Last and Always (1985). Escrita pelo vocalista Andrew Eldritch e pelo guitarrista Gary Marx, a canção carrega uma atmosfera fúnebre, lenta e profundamente introspectiva, cujo significado central gira em torno do vazio emocional, da falência da comunicação e da busca por um refúgio temporário na intimidade com desconhecidos.

A música abre com um desabafo sobre o desgaste de um relacionamento de longo prazo, quando Eldritch canta que acredita no que eles tinham, mas que as palavras se atravessaram no caminho. O vocalista expressa um cansaço profundo em relação ao diálogo e às convenções sociais das relações, argumentando que ouviu um milhão de conversas que iam dar exatamente ao mesmo sítio. Existe aqui um forte sentimento de desilusão, onde as promessas são feitas para serem quebradas e a linguagem perdeu totalmente o poder de conectar as pessoas de verdade, deixando claro que, para o narrador, a verdade real nunca é dita.

Diante da frieza do mundo exterior e do fracasso das suas relações afetivas, o eu lírico clama por uma presença que não exija bagagem emocional, nomes ou promessas futuras, implorando para que algum tipo de anjo ou algum tipo de estranho entre na sua vida. Ele escancara as portas da sua intimidade e assume que não se importa com o nome da outra pessoa, sugerindo que lho diga mais tarde, se é que o fará. Neste contexto, o encontro passageiro com alguém desconhecido deixa de ser apenas uma futilidade e passa a ser uma busca desesperada por calor humano puramente físico e instintivo, livre das amarras, das expectativas e das mentiras do convívio quotidiano.

O significado da música ganha camadas ainda mais melancólicas quando olhamos para o que acontecia nos bastidores da banda em 1985. Andrew Eldritch estava a passar pelo término de um namoro de longa data durante as gravações e o clima interno nos The Sisters of Mercy estava insustentável. Gary Marx, o coautor da faixa, já tinha decidido que deixaria o grupo assim que o álbum ficasse pronto. Mais tarde, o próprio guitarrista comentou em entrevistas que versos que falam sobre ver a forma como o cuidado hesita, indeciso à porta, pareciam referências diretas às tensões e à indecisão dos membros da banda, que sabiam que o fim daquela formação estava anunciado.

Resumindo, "Some Kind of Stranger" é o retrato de um isolamento niilista e a trilha sonora de alguém que, exausto de tentar fazer-se entender através de palavras inúteis e cansado de promessas vazias, decide abrir a porta à noite e aceitar qualquer conexão efémera e sem nome, contanto que ela afaste a solidão por algumas horas.

Sobre o filme
"Only Lovers Left Alive", "Só os amantes sobrevivem" (2013) realizado por Jim Jarmusch, afasta-se por completo do típico filme de terror ou de ação com vampiros, revelando-se uma obra poética, melancólica e profundamente focada na atmosfera, na arte e na música. A história acompanha dois vampiros eruditos e apaixonados que estão juntos há séculos. Adam, interpretado por Tom Hiddleston, é um músico de rock underground que vive isolado numa Detroit decadente e deserta. Ele sofre de uma depressão profunda causada pelo rumo que a humanidade tomou, a quem chama "zombies", sentindo-se desiludido com a falta de criatividade e o declínio do mundo moderno. Do outro lado do mundo, em Tânger, Marrocos, vive a sua alma gémea, Eve, interpretada por Tilda Swinton, uma mulher luminosa e apaixonada pela literatura. Ao perceber que Adam está prestes a desistir da própria existência, Eve viaja até Detroit para se reajuntar a ele. Em vez de caçarem humanos, os dois conseguem sangue limpo e de qualidade em hospitais através de subornos, tratando o sangue quase como um vinho raro ou uma droga fina. O ritmo calmo da sua rotina é quebrado com a chegada inesperada da irmã mais nova de Eve, Ava, uma vampira jovem, impulsiva e irresponsável que não partilha do mesmo autocontrolo do casal, provocando o caos na vida pacífica que eles tentavam manter. No fundo, o filme usa a imortalidade dos vampiros como uma metáfora sobre o peso do tempo, a preservação da arte e da ciência, e como o amor é a única coisa capaz de nos salvar da decadência do mundo.

12 perguntas a Jakob von Uexküll


1. From your point of view, what are today's most pressing environmental problems?

In my opinion, climate breakdown is the most pressing environmental problem which is related to all the other major challenges, for example, biodiversity loss, oceans acidification, water and food security, and peace.

2. When looking at potential improvements in our environment, what gives you hope?

The problems are still growing faster than the solutions so the hope can only be that we implement what we know much faster from now on. The Paris Agreement is not binding and reaching its goals assumes unproven technologies. Nothing agreed --or even officially discussed--so far comes close to eliminating the likelihood of catastrophic climate breakdown. This would require, for example, globally binding carbon prices, rising quickly.

3. Is there a particular environmental policy reform you admire the most?

Feed-in tariffs to speed up the spread of renewable energies have worked quickly and effectively whenever they have not been reduced too quickly.

4. Which trend in environmental policy and politics do you consider an aberration?

In my eyes it's a failure to fully internalise costs. Fully internalising production costs would bankrupt most producers, unless accompanied by, for example, a shift to "green" taxes to create a new level playing field. It will be complex, as many costs are in the supply chains. But, above all, it will be politically very unpopular, as consumers will have to pay many costs hitherto externalised (at the expense of the environment and future generations).

5. Why environmental research?

In-depth research must inform advocacy as well as policy making. Legislators need to take decisions that are based on facts. Environmental research is therefore the basis for future-just policy making that protects the rights of future generations and life on planet Earth.

6. What are your experiences of the transfer of scientific insights into practice?

The scientific community speaks a different language and works at a different speed than policy or business stakeholders. One example is the IPCC report (Intergovernmental Panel on Climate Change), which is fundamental to sound climate policy making. However, it only relies on peer-reviewed science, which does not reflect the actual reality of, for example, fast declining costs of renewable energy or the overestimated potential of carbon capture and storage (CCS). The latter is in reality far from being a market-ready or cost-effective solution.

7. Besides the one you're working in, what field of research in environmental sciences do you consider most exciting?

All practical policy research, focusing on the "how" to actually do what is necessary, is exciting. A key issue is generating sufficient finance for the massive and urgent energy, transport, construction, and so forth, transition, which the private and state sectors cannot provide in time--so how can we bring in Central Banks to create new funding, as they did to save the financial system? Such research is of course not strictly environmental science, but another example of the need for interconnected solutions.

8. Can you name any person or event that has had particular influence on your commitment to environmental issues?

I was inspired by Hermann Scheer, the visionary German politician who developed the feed-in tariff legislation and proposed the International Renewable Energy Agency (IRENA). I was also influenced by Bill McKibben, leader of the anti-carbon campaign group 350.org. Another person who inspired me is the former editor of the Guardian, Alan Rusbridger, who initiated the successful climate divestment campaign which made even fossil companies call for carbon pricing!

9. What knowledge about the environment would you like to pass on to young people?

The environment is a very complex system. We tend to separate and reduce things to make it easier for us to understand. However, nature is interconnected and intertwined. Our actions must therefore be holistic. Furthermore, collaboration and communication is crucial--we cannot protect our environment within silos.

10. As a scientist who is concerned with sustainability problems, what contradictions are you faced with in everyday life?

I am a political, not a natural scientist. But I am aware that the Western way of life is not globally possible and therefore not sustainable.

11. What are you reading at the moment?

I'm reading the book Unprecedented Crime: Climate Science Denial and Game Changers for Survival by Peter D. Carter and Eliz abeth Woodworth. This book summarises the extent and immediacy of the climate emergency, including crimes of denial, breaches of trust, media collusion, corporate and bank crimes. It also highlights solutions including tax reforms, legal challenges, innovation (unfortunately putting too much faith in nuclear), market leadership, and civil resistance strategies.

12. Apart from the ones we've raised here, what is the most important question?

Can we build "ecocracies", that are democracies respecting ecological limits in time, or will natural laws enforce eco-dictatorships?

Jakob von Uexkull,

founder of the Right Livelihood Award and the World Future Council (WFC).

Born 1944 in Uppsala, Sweden. MA in politics, philosophy and economics from Christ Church, Oxford. Founder of the Right Livelihood Award (1980), often referred to as the Alternative Nobel Prize. Cofounder( 1984) of The Other Economic Summit.1987 to 1989 member of the European Parliament.1998 to 2000 UNESCO Commission on Human Duties and Responsibilities. Founder of the World Future Council (WFC).

Awards: Erich-Fromm-Prize | Great Binding Prize for Environmental Protection | Time Magazine European Heroes Award | Order of Merit of the Federal Republic of Germany, Grand Cross First Class.

Memberships: Patron Friends of the Earth International | Council of Governance of Transparency International | Global Commission to Fund the United Nations.

Selected publications: Zukunft Gestalten: JETZT (Europaische Verlagsanstalt, 2017) | Das sind wir unseren Kindern schuldig (Europaische Verlagsanstalt, 2007).

[c]2018 J. v. Uexkull; licensee oekom verlag. This is an article distributed under the terms of the Crea tive Commons Attribution License (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0), which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.

JAKOB VON UEXKULL...

... was elected European Hero by Time Magazine in 2005--a beautiful and very fitting accolade for someone who is the embodiment of a future-safeguarding protagonist for subsequent generations.

Jakob studied philosophy, political science and economics at Oxford, while also acquiring a deep scientific expertise and way of thinking. This serves him well as he stands his ground in the face of scientists, engineers and economists, and even in rounds of hard-boiled critics. Especially when it comes to economists, it's often crucial to underline the laws of nature and the finiteness of the Earth with facts and scientific insight. It's not just Jakob's negotiating skills that make him stand out--it's also his deep-seated fearlessness. How else could he have mustered the courage to initiate the Right Livelihood Award and donate the entirety of his assets to this purpose? For almost 40 years now, this award has been honoring people, groups and organizations whose projects and initiatives make the world more peaceful and sustainable. To this end, Jakob seeks out the best role models and paragons from every continent, guided by his knowledge and optimism about the future as well as his intuition. We could live in a far better world if the wonderful projects and initiatives of mostly everyday people were to inspire millions of imitators.

It was also primarily Jakob's idea, together with Herbert Girardet, Hermann Scheer, Wangari Maathai, Vandana Shiva, Hans-Peter Durr and others, to found the World Future Council (WFC) in 2007. I'm grateful to be involved in the Council. We identify viable solutions for the future and develop political, social and ecological strategies and measures for a long-term sustainable world. The WFC is an effective instrument that we use in our global struggle for the regenerative transformation of energy, energy and resource efficiency, effective legislation regarding hunger and poverty reduction, for education, social justice, an ecological agricultural turnaround and understanding among nations. First and foremost, however, our most important action areas include the fight against violence toward children and women and the advocating of all measures aimed at helping children who are at risk of hunger, poverty, and destitution.

Jakob is a genius: early on, when doubters and critics of the shameless exploitation of the developing world and of nature were dismissed as unworldly fools, he took a resolute stance for social justice and equal opportunities, environmental conservation and the saving of resources, a reversal of predatory capitalist exploitation into an eco-social market economy, the preservation of the cultural diversity of states and regions along with the protection of ethnic groups and indigenous peoples. This is his credo, for which he doggedly and tenaciously fights to this day, in the face of established mainstream politics in industrial, emerging and developing countries. He asserts himself with the same intensity against the powerful interests of the business and financial elites and their compliant helpers from the academic fields of economics and finance, using simple yet clever means as well as his powerful global network of friends. Quite simply, he's a European hero.

Rolf Kreibich, Director of the Secretariat for Future Studies (SFZ), Founding Director of the IZT--Institute for Future Studies and Technology Assessment, Berlin

Grande Entrevista a Noam Chomsky: “As pessoas já não acreditam nos factos”

Prestes a fazer 90 anos, acaba de abandonar o MIT. Ali revolucionou a linguística moderna e se transformou na consciência crítica dos EUA.



Noam Chomsky (Filadélfia, 1928) superou faz tempo as barreiras da vaidade. Não fala de sua vida privada, não usa celular e em um tempo onde abunda o líquido e até o gasoso, ele representa o sólido. Foi detido por opor-se à Guerra do Vietnã, figurou na lista negra de Richard Nixon, apoiou a publicação dos Papéis do Pentágono e denunciou a guerra suja de Ronald Reagan. Ao longo de 60 anos, não há luta que ele não tenha travado. Defende tanto a causa curda como o combate à mudança climática. Tanto aparece em uma manifestação do Occupy Movement como apoia os imigrantes sem documentos. 

Mergulhado na agitação permanente, o jovem que nos anos cinquenta deslumbrou o mundo com a gramática gerativa e seus universais, longe de descansar sobre as glórias do filósofo, optou pelo movimento contínuo. Não se importou com que o acusassem de antiamericano ou extremista. Sempre seguiu em frente com valentia, enfrentando os demónios do capitalismo − sejam os grandes bancos, os conglomerados militares ou Donald Trump. À prova de fogo, sua última obra volta a confirmar sua tenacidade. Em Réquiem para o sonho americano , ele põe no papel as teses expostas no documentário homônimo e denuncia a obscena concentração de riqueza e poder que exibem as democracias ocidentais. O resultado são 192 páginas de Chomsky em estado puro. Vibrante e claro. 


Preparado para o ataque.

Pergunta. O senhor se considera um radical?
Resposta. Todos consideramos a nós mesmos moderados e razoáveis.

P. Defina-se ideologicamente. 

R. Acredito que toda autoridade tem de se justificar. Que toda hierarquia é ilegítima enquanto não demonstrar o contrário. Às vezes pode se justificar, mas na maioria das vezes, não. E isso... isso é anarquismo.

Uma luz seca envolve Chomsky. Depois de 60 anos dando aulas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), o professor veio viver nos confins do deserto de Sonora, no Arizona. Em Tucson, a mais de 4.200 quilómetros de Boston, ele se instalou e estreou um escritório no Departamento de Linguística da Universidade do Arizona. O centro é um dos poucos pontos verdes dessa cidade abrasadora. Freixos, salgueiros, palmeiras e nogueiras crescem em torno de um edifício de tijolos vermelhos de 1904 onde tudo fica pequeno, mas tudo é acolhedor. Pelas paredes há fotos de alunos sorridentes, mapas das populações indígenas, estudos de fonética, cartazes de atos culturais e, no fundo do corredor, à direita, o escritório do maior linguista vivo. 

O lugar não tem nada a ver com o espaço inovador do Frank Gehry que o abrigava em Boston. Aqui, mal cabe uma mesa de trabalho e outra para sentar-se com dois ou três alunos. Recém-estreado, o escritório de um dos acadêmicos mais citados do século XX ainda não tem livros próprios, e seu principal ponto de atenção recai em duas janelas que inundam a sala de âmbar. Chomsky, de calças jeans e longos cabelos brancos, gosta dessa atmosfera calorosa. A luz do deserto foi um dos motivos que o levaram a se mudar para Tucson. “É seca e clara”, comenta. Sua voz é grave e ele deixa que se perca nos meandros de cada resposta. Gosta de falar longamente. Pressa não é com ele.

P. Vivemos uma época de desencanto? 
R. Já faz 40 anos que o neoliberalismo, liderado por Ronald Reagan e Margaret Thatcher, assaltou o mundo. E isso teve um efeito. A concentração aguda de riqueza em mãos privadas veio acompanhada de uma perda do poder da população geral. As pessoas se sentem menos representadas e levam uma vida precária, com trabalhos cada vez piores. O resultado é uma mistura de aborrecimento, medo e escapismo. Já não se confia nem nos próprios fatos. Há quem chama isso de populismo, mas na verdade é descrédito das instituições.


P. E assim surgem as fake news (os boatos)? 
R. A desilusão com as estruturas institucionais levou a um ponto em que as pessoas já não acreditam nos fatos. Se você não confia em ninguém, por que tem de confiar nos fatos? Se ninguém faz nada por mim, por que tenho de acreditar em alguém?



P. Nem mesmo nos veículos de comunicação? 
R. A maioria está servindo aos interesses de Trump.



P. Mas há alguns muito críticos, como The New York Times, The Washington Post, CNN… 
R. Olhe a televisão e as primeiras páginas dos jornais. Não há nada mais que Trump, Trump, Trump. A mídia caiu na estratégia traçada por Trump. Todo dia ele lhes dá um estímulo ou uma mentira para se manter sob os holofotes e ser o centro da atenção. Enquanto isso, o flanco selvagem dos republicanos vai desenvolvendo sua política de extrema direita, cortando direitos dos trabalhadores e abandonando a luta contra a mudança climática, que é precisamente aquilo que pode acabar com todos nós. 



P. O senhor vê em Trump um risco para a democracia? 
R. Representa um perigo grave. Liberou de forma consciente e deliberada ondas de racismo, xenofobia e sexismo que estavam latentes, mas que ninguém tinha legitimado.



P. Ele voltará a ganhar? 
R. É possível, se conseguir retardar o efeito letal de suas políticas. É um demagogo e showman consumado que sabe como manter ativa sua base de adoradores. Também joga a seu favor o fato de que os democratas estão mergulhados na confusão e podem não ser capazes de apresentar um programa convincente.



P. Continua apoiando o senador democrata Bernie Sanders? 
R. É um homem decente. Usa o termo socialista, mas nele significa mais um New Deal democrata. Suas propostas, de fato, não seriam estranhas a Eisenhower[presidente dos EUA pelo Partido Republicano de 1953 a 1961]. Seu sucesso, mais que o de Trump, foi a verdadeira surpresa das eleições de 2016. Pela primeira vez em um século houve alguém que esteve a ponto de ser candidato sem apoio das corporações nem dos veículos de comunicação, só com o apoio popular. 



P. Houve um deslizamento para a direita do espectro político?
R. Na elite do espectro político sim, ocorreu esse deslizamento, mas não na população em geral. Desde os anos oitenta se vive uma ruptura entre o que as pessoas desejam e as políticas públicas. É fácil ver isso no caso dos impostos. As pesquisas mostram que a maioria quer impostos mais altos para os ricos. Mas isso nunca se leva a cabo. Frente a isso se promoveu a ideia de que reduzir impostos traz vantagens para todos e que o Estado é o inimigo. Mas quem se beneficia da reduzir [verbas para] estradas,hospitais, água limpa e ar respirável?



P. Então o neoliberalismo triunfou?
R. O neoliberalismo existe, mas só para os pobres. O mercado livre é para eles, não para nós. Essa é a história do capitalismo. As grandes corporações empreenderam a luta de classes, são autênticos marxistas, mas com os valores invertidos. Os princípios do livre mercado são ótimos para ser aplicados aos pobres, mas os muito ricos são protegidos. As grandes indústrias de energia recebem subvenções de centenas de milhões de dólares, a economia de alta tecnologia se beneficia das pesquisas públicas de décadas anteriores, as entidades financeiras obtêm ajuda maciça depois de afundar… Todas elas vivem com um seguro: são consideradas muito grandes para cair e são resgatadas se têm problemas. No fim das contas, os impostos servem para subvencionar essas entidades e com elas, os ricos e poderosos. Mas além disso se diz à população que o Estado é o problema e se reduz seu campo de ação. E o que ocorre? Seu espaço é ocupado pelo poder privado, e a tirania das grandes corporações fica cada vez maior.



P. O que o senhor descreve soa a George Orwell.
R. Até Orwell estaria assombrado. Vivemos a ficção de que o mercado é maravilhoso porque nos dizem que está composto por consumidores informados que adotam decisões racionais. Mas basta ligar a televisão e ver os anúncios: procuram informar o consumidor para que tome decisões racionais? Ou procuram enganar? Pensemos, por exemplo, nos anúncios de carros. Oferecem dados sobre suas características? Apresentam informes realizados por entidades independentes? Porque isso sim que geraria consumidores informados capazes de tomar decisões racionais. Em vez disso, o que vemos é um carro voando, pilotado por um ator famoso. Tentam prejudicar o mercado. As empresas não querem mercados livres, querem mercados cativos. De outra forma, colapsariam.



P. Diante dessa situação, não é muito fraca a contestação social?
R. Há muitos movimentos populares muito ativos, mas não se presta atenção neles porque as elites não querem que se aceite o fato de que a democracia pode funcionar. Isso é perigoso para elas. Pode ameaçar seu poder. O melhor é impor uma visão que diz a você que o Estado é seu inimigo e que você tem de fazer o que puder sozinho.



P. Trump usa frequentemente o termo antiamericano. Como o senhor entende esse termo? 
R. Os Estados Unidos são o único país onde, por criticar o Governo, te chamam de antiamericano. E isso representa um controle ideológico, acendendo fogueiras patrióticas por toda parte.



P. Em alguns lugares da Europa também ocorre isso.
R. Mas nada comparável ao que ocorre aqui, não há outro país onde se vejam tantas bandeiras.



P. O senhor teme o nacionalismo?
R. Depende. Se significa estar interessado em sua cultura local, é bom. Mas se for uma arma contra outros, sabemos aonde pode conduzir, já vimos e experimentamos isso.



P. Acha possível que se repita o que ocorreu nos anos trinta?
R. A situação se deteriorou. Depois da eleição de Barack Obama se desencadeou uma reação racista de enorme virulência, com campanhas que negavam sua cidadania e identificavam o presidente negro com o anticristo. Houve muitas manifestações de ódio. No entanto, os EUA não são a República de Weimar [democracia alemã anterior ao nazismo]. Precisamos estar preocupados, mas as probabilidades de que se repita algo assim não são altas.



P. Seu livro começa lembrando a Grande Depressão, uma época em que “tudo estava pior que agora, mas havia um sentimento de que tudo iria melhorar”.
R. Eu me lembro perfeitamente. Minha família era de classe trabalhadora, estava desempregada e não tinha educação. Objetivamente, era uma época muito pior que agora, mas havia um sentimento de que todos estávamos juntos naquilo. Havia um presidente compreensivo com o sofrimento, os sindicatos estavam organizados, havia movimentos populares… Tinha-se a ideia de que juntos podíamos vencer a crise. E isso se perdeu. Agora vivemos a sensação de que estamos sozinhos, de que não há nada a fazer, de que o Estado está contra nós…



P. Ainda tem esperanças?
R. Claro que há esperança. Ainda há movimentos populares, gente disposta a lutar… As oportunidades estão aí, a questão é se somos capazes de aproveitá-las.


Chomsky termina com um sorriso. Deixa vibrando no ar sua voz grave e se despede com extrema cortesia. Em seguida, sai do escritório e desce as escadas da faculdade. Fora, esperam-lhe Tucson e a luz seca do deserto de Sonora.

Fonte: El Pais 2018/03/06