All I know for real Is knowing doesn't mean so much
When placed against the feeling
The heat inside
When bodies meet
When fingers touch
All my words are second-hand and
Useless in the face of this
Rationale and rhyme and reason
Pale beside a single kiss
And I've heard so many things
I fail to understand at all I'd settle anytime for
Unknown footsteps in the hall outside
And all I know for sure
All I know for real Is knowing doesn't mean so much
When placed against the feeling
The heat inside
When bodies meet
When fingers touch
Because the world is cruel
And promises are broken
Don't try to tell me anything
Don't try to tell me
You'll be true to me you know
The real truth is never spoken
And I know the world is cold
But if you hold on tight to what you find
You might not mind too much though
Even this must pass away
And memories may last for years
But names are just for souvenirs
Some kind of angel
Let me look into your eyes
Don't give me whys and wherefores
Reason or surprise
I don't care for words that don't belong
And I don't care what you're called
Tell me later if at all I can wait a long long time
Before I hear another love song
Come here I think you're beautiful
My door is open wide
Some kind of angel come inside
Come here I think you're beautiful
I think you're beautiful beautiful
Some kind of angel come inside [4X]
Significado da canção
"Some Kind of Stranger" é a faixa que encerra de forma épica e melancólica o álbum de estreia dos The Sisters of Mercy, First and Last and Always (1985). Escrita pelo vocalista Andrew Eldritch e pelo guitarrista Gary Marx, a canção carrega uma atmosfera fúnebre, lenta e profundamente introspectiva, cujo significado central gira em torno do vazio emocional, da falência da comunicação e da busca por um refúgio temporário na intimidade com desconhecidos.
A música abre com um desabafo sobre o desgaste de um relacionamento de longo prazo, quando Eldritch canta que acredita no que eles tinham, mas que as palavras se atravessaram no caminho. O vocalista expressa um cansaço profundo em relação ao diálogo e às convenções sociais das relações, argumentando que ouviu um milhão de conversas que iam dar exatamente ao mesmo sítio. Existe aqui um forte sentimento de desilusão, onde as promessas são feitas para serem quebradas e a linguagem perdeu totalmente o poder de conectar as pessoas de verdade, deixando claro que, para o narrador, a verdade real nunca é dita.
Diante da frieza do mundo exterior e do fracasso das suas relações afetivas, o eu lírico clama por uma presença que não exija bagagem emocional, nomes ou promessas futuras, implorando para que algum tipo de anjo ou algum tipo de estranho entre na sua vida. Ele escancara as portas da sua intimidade e assume que não se importa com o nome da outra pessoa, sugerindo que lho diga mais tarde, se é que o fará. Neste contexto, o encontro passageiro com alguém desconhecido deixa de ser apenas uma futilidade e passa a ser uma busca desesperada por calor humano puramente físico e instintivo, livre das amarras, das expectativas e das mentiras do convívio quotidiano.
O significado da música ganha camadas ainda mais melancólicas quando olhamos para o que acontecia nos bastidores da banda em 1985. Andrew Eldritch estava a passar pelo término de um namoro de longa data durante as gravações e o clima interno nos The Sisters of Mercy estava insustentável. Gary Marx, o coautor da faixa, já tinha decidido que deixaria o grupo assim que o álbum ficasse pronto. Mais tarde, o próprio guitarrista comentou em entrevistas que versos que falam sobre ver a forma como o cuidado hesita, indeciso à porta, pareciam referências diretas às tensões e à indecisão dos membros da banda, que sabiam que o fim daquela formação estava anunciado.
Resumindo, "Some Kind of Stranger" é o retrato de um isolamento niilista e a trilha sonora de alguém que, exausto de tentar fazer-se entender através de palavras inúteis e cansado de promessas vazias, decide abrir a porta à noite e aceitar qualquer conexão efémera e sem nome, contanto que ela afaste a solidão por algumas horas.
Sobre o filme
"Only Lovers Left Alive", "Só os amantes sobrevivem" (2013) realizado por Jim Jarmusch, afasta-se por completo do típico filme de terror ou de ação com vampiros, revelando-se uma obra poética, melancólica e profundamente focada na atmosfera, na arte e na música. A história acompanha dois vampiros eruditos e apaixonados que estão juntos há séculos. Adam, interpretado por Tom Hiddleston, é um músico de rock underground que vive isolado numa Detroit decadente e deserta. Ele sofre de uma depressão profunda causada pelo rumo que a humanidade tomou, a quem chama "zombies", sentindo-se desiludido com a falta de criatividade e o declínio do mundo moderno. Do outro lado do mundo, em Tânger, Marrocos, vive a sua alma gémea, Eve, interpretada por Tilda Swinton, uma mulher luminosa e apaixonada pela literatura. Ao perceber que Adam está prestes a desistir da própria existência, Eve viaja até Detroit para se reajuntar a ele. Em vez de caçarem humanos, os dois conseguem sangue limpo e de qualidade em hospitais através de subornos, tratando o sangue quase como um vinho raro ou uma droga fina. O ritmo calmo da sua rotina é quebrado com a chegada inesperada da irmã mais nova de Eve, Ava, uma vampira jovem, impulsiva e irresponsável que não partilha do mesmo autocontrolo do casal, provocando o caos na vida pacífica que eles tentavam manter. No fundo, o filme usa a imortalidade dos vampiros como uma metáfora sobre o peso do tempo, a preservação da arte e da ciência, e como o amor é a única coisa capaz de nos salvar da decadência do mundo.
Sem comentários:
Enviar um comentário