quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Alfredo Sendim - Histórias de Mudança


Alfredo Sendim, em Portugal, tinha sempre vivido em Lisboa e era um apaixonado pelo mar – a sua ligação à terra era inexistente. Queria entrar em Oceanografia mas acabou por entrar em Engenharia Zootécnica em Évora, na altura um desterro aos seus olhos. Acabou por se render aos encantos da cidade e, consequentemente, do campo.

Inesperadamente, após um período de 15 anos de nacionalização, surgiu a oportunidade de voltar à Herdade do Freixo do Meio, outrora da sua família e, acabado de se licenciar, abraçou o projecto com a mãe, ainda que sem qualquer experiência. Voltaram à Herdade no ano de 1990 com três culturas: a cortiça, as ovelhas e o trigo (já em completo declínio).

No início não tinha quaisquer noções de questões relacionadas com a natureza mas foi descobrindo através da experiência e também por casualidade – por exemplo, começou a trabalhar com Ana Fonseca no Freixo, que acabada de se licenciar em Ciências do Ambiente lhe pediu para fazer uma tese de mestrado sobre o montado. E, de repente, metade da sua vida é investida e dedicada à produção de alimentos e matérias primas na agricultura, na floresta e na pecuária.

Alfredo não identifica um momento em que mudou radicalmente e passou a ser muito mais consciente em relação a problemas sociais ou ambientais, olha apenas como uma construção gradual, de consciência crescente, que provavelmente terá começado a ser mais firme a partir dos seus 30 anos.

É perante esta consciência de colaboração activa com a Natureza, numa linha muito humilde entre a responsabilidade e desapropriação da terra, que Alfredo foi percebendo e vai concretizando a sua vocação em voltar a investir no montado, através da agroecologia.
A agroecologia surge como a solução por excelência: resolve todas as nossas necessidades respeitando a lógica e os tempos da Natureza, não matando os bichos que matamos diariamente, não saturando a terra mas contribuindo para o melhor funcionamento da terra, dos seus ecossistemas e biodiversidade – dá-nos exactamente o que precisamos, na quantidade e diversidade que precisamos.

E é assim que o grande projecto Herdade do Freixo do Meio ganhou bases firmes para se lançar e acolher os demais projectos que lá podemos encontrar hoje em dia, procurando a sustentabilidade económica a par da prática efectiva de políticas sociais e ambientais adequadas.

Por exemplo, quando percebeu que a falta de clientes se devia a uma enorme ignorância, da qual o próprio Alfredo já tinha sido alvo, relativamente às vantagens deste modo de gestão e produção, criou também serviços turístico-didácticos, para promover a informação e, desta forma, maior consciência. Também nesta lógica, integrou e fez outros integrarem o programa CSA, gerando mais comunidade, mais partilha, mais cooperação e, claro, mais segurança. O programa CSA combate, também, a desresponsabilização de tudo o que é importante e comum tornando todos aqueles que o integram co-responsáveis por tudo o que se pratica na Herdade do Freixo, neste caso.

A este projecto já se renderam agricultores, escolas, consumidores… isto porque a Herdade do Freixo do Meio garante uma sustentabilidade e segurança alimentar inigualáveis. Hoje em dia o Freixo do Meio acolhe também pequenos negócios complementares (produção de ovos, mel, entre outros), assentando a sua gestão na complementaridade. 

Alfredo é um exemplo de alguém que não desistiu até encontrar soluções sustentáveis e rentáveis para a agricultura biológica. E mostra-nos como é acessível a todos, não numa perspectiva imediata mas gradual e sobretudo de desenvolvimento pessoal, sugerindo a consciência como primeiro passo.

“Estou cada vez mais convencido de que um dos papéis mais dignos do homem é a capacidade de entendermos o funcionamento do que está à nossa volta. Temos essa capacidade por termos a ligação com o material e o espiritual. Quando percebemos o funcionamento da natureza, somos capazes de verdadeiramente criar édenes.”

Alfredo Sendim desafia-nos a uma função muito simples: contribuirmos para a construção de uma realidade maravilhosa neste planeta quer a nível de relacionamento humano, quer a nível da natureza.

Livro: Agroecologia- Miguel Altieri

Conceitos:

Agricultura Biológica: tipo de produção que visa produzir alimentos e fibras têxteis de elevada qualidade, saudáveis, ao mesmo tempo que promove práticas sustentáveis e de impacto positivo no ecossistema agrícola. Através do uso adequado de métodos preventivos e culturais, tais como as rotações, os adubos verdes (não se recorre à aplicação de pesticidas nem adubos químicos de síntese, nem ao uso de organismos geneticamente modificados), a compostagem, as consociações e a instalação de sebes vivas, entre outros, melhora a fertilidade do solo e a biodiversidade.

Agroecologia: é uma abordagem integrada da agricultura e alimentação, a nível local, espelho da sabedoria e experiências tradicionais. Que une a ecologia, a cultura, a economia e a sociedade e permite a manutenção de uma agricultura produtiva que assegura rendimentos regulares e optimiza a utilização de recursos locais ao mesmo tempo que reduz os impactos ambientais e socio-económicos negativos resultantes de práticas intensivas. Conserva o ambiente saudável e potencializa o futuro das comunidades exactamente porque respeita activamente os ecossistemas.

CSA - Community-Supported Agriculture: agricultura que é suportada pela comunidade, isto é, uma forma alternativa de produção alimentar em que os consumidores e produtores cooperam e partilham os riscos e benefícios.


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Livres pensadores, por Leo Tolstoi

Foto: Sepultura de Tolstói na Rússia

"Livres-pensadores são aqueles que estão dispostos a usar suas mentes sem preconceito e sem medo para entender as coisas que se chocam com seus próprios costumes, privilégios ou crenças"~ Tolstoi

Tudo sobre Leo Tolstoi
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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Curta-Metragem da Semana: A Maior Lição do Mundo

Objectivos Globais da ONU, UNICEF Portugal


A Maior Lição do Mundo destina-se a dar a conhecer às crianças dos 8 aos 14 anos, de forma lúdica e interactiva, os novos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável que foram adoptados pela Assembleia-Geral da ONU a 27 de Setembro de 2015.

Mais informações:
  1. Maior Lição Unicef
  2. Conheça os novos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

domingo, 23 de outubro de 2016

Música do Bioterra: Juan de la Encina - Triste España sin ventura



"Triste Espanha sem sorte" é um Lamento à morte do príncipe Don Juan, em quem tantas esperanças tinha colocado o povo e os seus país, os Reis Católicos.


Com a Troika e o impasse nas eleições em Espanha e uma discriminação que sentimos em relação ao BCE é bom manifestar como nos lamentamos e estamos triste pela falta de reconhecimento do Norte e Centro da Europa do esforço presente e respeito da nossa gloriosa jangada de pedra. Fundadora de Pensadores Universais, como Fernando Pessoa, Cervantes, Camões e Lorca.

sábado, 22 de outubro de 2016

Lebanon Hanover - Babes Of The 80s (Tobias Bernstrup Remix)


Ao questionar a desconexão e a postura estática da juventude, o Lebanon Hanover aponta para um sentimento sufocante de alienação e falta de rumo. A ausência de espaços de liberdade e de verdadeira atitude é apresentada como a causa principal para a estagnação cultural do presente. Há uma clara nostalgia, não do glamour superficial do passado, mas do tempo em que as pessoas ainda possuíam imaginação, radicalismo e um desejo genuíno de transformação. No fundo, a faixa consolida-se como uma reflexão amarga sobre uma sociedade que perdeu a capacidade de se revoltar e se rendeu à conformidade.

Na versão remista por Tobias Bernstrup para Babes Of The 80s, este contraste ganha uma nova dimensão funcional ao transitar da sonoridade coldwave original para uma estética pulsante marcada pelo Italo Disco e pelo Synthwave. A introdução de uma batida four-on-the-floor mais rápida e de arpejos de sintetizador cintilantes confere à faixa uma energia eufórica desenhada para as pistas de dança, sem nunca rasurar a sua carga lírica. Ao preservar a linha de baixo estruturante e a interpretação vocal gélida e distante de Larissa Iceglass, Bernstrup não anula a crítica geracional à apatia e ao consumo superficial da nostalgia; pelo contrário, amplifica o paradoxo central da obra ao forçar o ouvinte a dançar sobre o próprio vazio e alienação que a canção denuncia.

Existe também uma fascinante camada de ironia geracional neste encontro sonoro: enquanto os membros do Lebanon Hanover (Geração Y) tecem uma crítica mordaz ao consumo desprovido de substância da cultura dos anos 80, o remix é assinado por Tobias Bernstrup, um veterano da Geração X que viveu essa mesma década em primeira mão. Ao reinterpretar a faixa, Bernstrup traz a vivência autêntica e a memória afetiva da era para o centro da pista de dança, criando um diálogo direto entre o olhar melancólico de quem herdou o passado e a energia de quem o viveu na forma original.


Pioneiro no renascimento do Italo Disco e do Synthpop eletrónico, o artista e performer sueco Tobias Bernstrup é uma figura de culto na cena alternativa europeia. A sua obra cruza sintetizadores analógicos retro, melancolia pop e uma estética andrógina inconfundível. Embora a sua sonoridade seja essencialmente orientada para as pistas de dança, o seu universo visual e a profundidade dramática das suas composições mantêm-no em constante diálogo com a cultura gótica, a Darkwave e o circuito do Post-Punk.

Aqui estão algumas das faixas autorais mais marcantes em que Tobias Bernstrup assume os vocais com a sua voz grave e dramática, acompanhadas pelos respetivos links para ouvir no YouTube:
  1. Tobias Bernstrup - 27 (Laser Mix) - Um dos seus maiores clássicos. É uma faixa vibrante de Italo Disco e synth-pop, recheada de arpejos marcantes e vocais expressivos. (A versão em italiano chama-se "Ventisette").
  2. Tobias Bernstrup - 1984 - Inspirada na atmosfera distópica e sombria do livro de George Orwell, mistura vocais graves com uma linha de sintetizador melancólica e futurista.
  3. Tobias Bernstrup - Private Eye - Com uma sonoridade que remete para as bandas sonoras retrofuturistas de suspense e film noir, destaca-se pelo clima cinematográfico e vocal envolvente.
  4. Tobias Bernstrup - Videodrome - Com referências ao cinema de terror dos anos 80, esta faixa autoral traz batidas enérgicas de synthwave e vocais teatrais.
  5. Tobias Bernstrup - Utopia (Italoconnection Remix) -  Uma das suas faixas mais celebradas na cena eletrónica/synth-pop, muito tocada em pistas e por DJs da cena alternativa.
  6. Tobias Bernstrup - Moments Lost - Do álbum Romanticism, é uma música com uma cadência mais melancólica, evidenciando o tom de voz sombrio e sentimental do artista.

Do DDT ao Glifosato: Rachel Carson estamos a precisar de ti novamente


Os perigos do glifosato (Roundup) na nossa alimentação são claros e presentes (ver aqui uma compilação de 245 artigos científicos que descrevem os malefícios do glifosato sobre o ambiente, os animais e a saúde pública).
Porque razão a indústria e os governos não agem como deveriam? Assim como foi o caso nos anos 50 com o DDT e o tabaco, estamos à beira de danos desastrosos para a saúde em todo o mundo. Esta entrevista (num inglês muito acessível) começa a explicar porquê e o que ainda podemos fazer. 


Tudo sobre Rachel Carson no Bioterra


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

As florestas são garantia de água em 10 anos (análise de caso no Brasil)

Especialistas apontam acções para evitar falta de água

Se em cada dia for plantado meio hectare de árvores – o que equivale a meio campo de futebol –, por cem mil agricultores, em um ano teríamos uma bela floresta, com 50 mil hectares. Uma ação diária que pode evitar a falta de água nos próximos 10 anos.

O reflorestamento é uma das ações – de curto a longo prazo –, apontadas por especialistas, que precisam ser postas em prática para que o Estado do  Espírito Santo consiga reverter a situação de déficit hídrico que já levou várias cidades ao racionamento, inclusive Vitória.
Um dos passos mais importantes, ressalta Renato Moraes de Jesus, engenheiro florestal e doutor em Ecologia, é começar a plantar árvores: “E logo. Se fizermos isto, em dez anos teríamos 500 mil hectares de floresta. Um bom começo”.

Um córrego deu lugar ao Rio Santa Maria da Vitória, no distrito de Recreio. O manancial está sendo castigado pela escassez de água no interior do Estado. Fonte: Gazeta Online
Com cerca de dois anos as mudas vão ter de 2 a 3 metros e vão ajudar a acabar com a impermeabilização do solo. “A gota de chuva não cairá direto no solo, mas vai na folha, no tronco e chega ao solo numa velocidade menor, o que ajuda na infiltração. Não escorre, lavando o solo”, relata.
A prioridade seria para as matas ciliares - ao longo das margens dos rios e nascentes – e os topos de morro, que são as áreas de recarga. “Chove no Estado cerca de 1.200 milímetros por ano e 60% desta chuva seria absorvida pelo solo, se tivesse floresta”, pondera o engenheiro.

Desmatamento
É assim, que se começa a mudar as características do solo, relata. “O Espírito Santo já chegou a ter 90% de sua área coberta por florestas. Desmataram tudo e estamos vendo o resultado”, assinala o engenheiro, lembrando que em 2013 toda a água da enchente que assolou o Estado foi perdida.
Na avaliação dele os agricultores seriam os responsáveis pelo plantio. “Não chega a um dia de trabalho”, pontua Renato. Mas caberia ao governo o custo das mudas, dos insumos e da tecnologia. Mas a cidade também teria que pagar o preço. “Consomem o que não produzem e há um custo”, destaca.

Acções
Mas até que as florestas consigam mudar o atual cenário de escassez, é preciso aprender a conviver com pouca água. “A tarefa é aprender o uso racional. E pôr em prática algumas medidas importantes”, destaca Élio de Castro, presidente do Fórum Estadual dos Comitês de Bacias Hidrográficas. (Veja as ações aqui)

Há mudanças que começam no campo, com o uso de equipamentos mais eficientes para a irrigação, que economizem água. “Somos o segundo Estado que mais irriga no Brasil. E ainda estamos muito atrasados na tecnologia. Temos que utilizar, por exemplo, espécies (plantas) que sejam produtivas, mas que consumam menos água”, pondera.

Outras ações passam pela cidade, com o reaproveitamento da água da chuva, hoje toda ela descartada. E também nas indústrias, que precisam lançar mão do reúso de água. “É inconcebível a construção civil lançar mão de água tratada para fazer seus prédios”, destaca Castro. Ações que dependem de mudanças na legislação.

Outro ponto importante é a gestão plena dos comitês de bacias hidrográficas, os responsáveis por cuidar dos mananciais. E isto inclui a cobrança pelo uso da água, recursos que vão ajudar na recuperação dos rios. “A política nacional de recursos hídricos é de 1997. A estadual é de 1998. E nada foi feito até agora. Isto tem que mudar”, assinala Castro.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Criação, Uso e Destruição de Moedas Locais Alternativas

Com os euros no bolso cada vez mais escassos, em diversos bairros, vilas e mercados da Europa - e além - têm circulado moedas locais alternativas. São iniciativas que trazem boas perspectivas sobre formas de revitalizar economias locais socialmente fragilizadas, resgatando de volta para a comunidade a cultura participativa e as trocas solidárias.

Como começar? 


Na Grécia, em Volos
Em Volos, no centro do país, a população juntou-se para criar a sua própria moeda, o Tem, que junta já mais de 800 participantes.
"São estruturas que têm tanto de sociais como de económicas. Fomentam a proximidade e o apoio mútuo", diz uma das fundadoras neste artigo do Guardian, no qual são apresentados mais detalhes sobre a TEM.

Em Espanha, nos Países Catalães e na Galiza há  várias moedas alternativas a funcionar:
"Umha delas é a moeda eletrónica RES, a imagem da Rede belga RES, que tem já 15 anos e 5.000 pequenos comércios a a utilizarem. Cada transaçom tem umha taxa de 3,4%, que é reinvestida em créditos sem juros aos comércios membros e ofertas para as compradoras, visando criar um sistema de fidelizaçom e confiança.
Mas também há moedas físicas, como o Ecoseny e a Eco, que à sua vez tenhem formato virtual. A Eco é gerida pola Xarxa Eco de Tarragona, e a Ecoseny pola EcoXarca Montseny. As duas usam o programa CES (Community Exchange System), que dá infraestrutura a umhas 180 experiências semelhantes em todo o mundo [e 73 comunidades em Espanha ] . O objetivo é chegar a criar umha rede de usuárias a nível nacional, com umha moeda única. De momento é usada em feiras de troca de produtos e serviços, e contam com comércios que as aceitam."

No bairro de Brixton, em plena metrópole londrina, circula o Brixton Pound desde 2009, com o objectivo de apoiar os os pequenos negócios do bairro, e de promover as trocas e as produções locais.  É uma moeda complementar à libra, que pode ser usada por lojas e comerciantes independentes e locais. Para além da moeda, os "brixtonites" juntaram-se também numa plataforma online que junta "fazedores" com compradores locais;  ajuda quem quer aprender a fazer coisas a encontrar cursos e workshops; assim como disponibiliza um espaço de partilha de informação e esclarecimentos com tudo o que tenha a ver com fazer coisas.

Uma experiência semelhante na Alemanha, levou o chiemgauer a tornar-se nos últimos anos a moeda alternativa melhor sucedida do mundo. "Num mundo obcecado com a especulação e a poupança, não há dúvida que o chiemgauer recordou aos alemães para que serve essencialmente o dinheiro: pagar a pessoas pelos seus produtos e serviços, e criar emprego."

Na cidade de Ithaca, no estado de Nova Iorque, existe há 20 anos a moeda local Ithaca Hours, que hoje conta já com $100,000 em circulação. 

O objectivo é o mesmo: ajudar a manter o dinheiro na comunidade, contribuindo para a construção da sua própria economia. Pelo caminho, são fomentadas as ligações entre as pessoas, o bem estar, resiliência, e confiança da comunidade

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Forest Bathing - Shinrin-Yoku - Healing in Nature


Forests are known to have great healing properties. As humans, we have evolved in nature. It’s where we feel most comfortable. It has been scientifically proven that when we spend time in nature, our brain behaves differently. It affects how we feel and think, which has a direct impact on our immunity and healing powers.

Encontros Improváveis:José Saramago (2004) e José Afonso- De quem foi a traição? (1979)



"Aprendi neste ofício que os que mandam não só não se detêm diante do que nós chamamos absurdos, como se servem deles para entorpecer as consciências e aniquilar a razão."~ José Saramago in "Ensaio sobre a Lucidez"

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Documentário: Seeds of Permaculture - Tropical Permaculture (Legendado em Português)


One of the reasons for shooting this film is the global climate change. All around the world, as you know, places are experiencing odd weather events.

All around the world, whether you're in South America, in North America, in Europe, in Asia, people are experiencing weather patterns that are out of the norm.

So, one of the reasons that permaculture is getting so popular right now, growing faster than ever before, on an exponential curve of growth, is because our planet needs it. It's time for the important changes that permaculture has to give.
People are becoming less and less self-sufficient around the world, these local communities that were previously growing everything themselves and knew how to build their own houses out of natural materials are completely dependent on big foreign powers and import from other countries.

One of the challenges that permaculture has out in front of it is proving to the world that it can be a viable form of profitable agriculture. Through the development of a master plan for your site or your project, it's possible to really lay out enhancement strategies that make it more likely that you and your project can become profitable.

One of the most important aspects to the ecological farm is the making of compost, about improving the soil, and constantly bringing more organic matter and more life into the soil. The compost production process is actually really easy. It's accessible to anyone, it doesn't take expensive parts, and it doesn't take that much space. All you need are several simple ingredients, and those ingredients can come from any number of sources.

Ultimately with the master plan, what we're looking for is to achieve our holistic goals. We want the economics of the site to be in line, we want the ecology of the site to be continuously improving, and we want the personal needs of the residents there to be met.

Sitio oficial do filme
Seeds of Permaculture

Mais Informações
  1. Cidades em Transição: Os 12 passos da transição
  2. Dossiê Permacultura
  3. A Flor da Permacultura e Cultura de Transição

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza - o bom exemplo de Jhuma

Jhuma, 14 anos, do Bangladesh, faz os TPC à luz de um candeeiro na rua, pois a sua família não tem electricidade em casa. Um programa de subsídios em dinheiro atribuídos pela UNICEF, ajudou-a a deixar de trabalhar e a voltar à escola, e a tornar-se numa das melhores alunas da sua turma. A sua determinação inspira-nos!

Leia aqui o  relatório  da UNICEF  - Situação Mundial da Infância 2016


Consulte também os Dossiês
Educação- Ensino
Ecofeminismo

domingo, 16 de outubro de 2016

Música do Bioterra: Kill It Kid- Wild and Wasted Waters


Animação/ Curta-metragem por Matthew Robinson, com desenhos de Astrid Jaekel


(Strange things happening in the land.
Wars going on. Hold our heart to mourn.
Strange things happening in the land.)

Wild and wasted waters.
(Strange things happening)
Wild and wasted waters.
(Wars going on.)
Have come to carry me, carry me on.

Carry me on, my mother's prayers.
Dark waters have come to carry my cares,
So take me on my mother's prayers.
Don't you leave no candle to burn. I leave with the waves, 'neath the stern.

Wild and wasted waters.
Have come to carry me on.

I'll leave with the evening on my breath.
You'll find my letters when I've left.
I'm gonna leave. The evening on my breath.

I won't remember the fires of home
Won't remember the fires of my home.
My homeless bones churn them ragged stones.
I won't remember fires of my home.
May the sickness of my heart be told.
Let it bleed out in the coffee shop and stagger in the road.

Carry me on, carry me on,
Carry me - yes, on.

sábado, 15 de outubro de 2016

A Quarta Revolução dos semideuses, por Filipe Duarte dos Santos

A ler com muita atenção.


O anúncio de uma iminente Quarta Revolução Industrial atraiu a atenção dos media e Governos de todo o mundo como se se tratasse da revelação de uma profecia de um oráculo inelutável. A Quarta Revolução é apresentada como sendo imparável e incontornável. Segundo Klaus Schwab, fundador e diretor executivo do World Economic Forum, que reúne anualmente em Davos, e cujo tema este ano foi “Mastering the Fourth Industrial Revolution”, a nova Revolução irá modificar fundamentalmente o modo como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros. Ainda de acordo com Schwab, “as mudanças que irá trazer são tão profundas do ponto de vista da perspetiva da história humana que nunca houve um tempo com maior promessa ou perigo potencial”.

Não há alternativa à Quarta Revolução industrial. Ser uma promessa ou um perigo depende dos povos, dos eleitores e dos governantes de todo o mundo saberem ou não adaptar-se e beneficiar das forças de disrupção tecnológica que avançam inexoravelmente sobre todos nós. É como se a Quarta Revolução Industrial fosse uma profecia de semideuses que conhecem o melhor destino para os homens. Estes podem aceitá-lo ou correr o enorme perigo de o tentar rejeitar.

Mas afinal o que é a Quarta Revolução Industrial e quais as forças que a movem? A Primeira Revolução Industrial, que foi provavelmente a transição mais importante da história da humanidade e hoje consideramos ter surgido em meados do século XVIII, só foi identificada e nomeada em meados do século XIX. A expressão Revolução Industrial foi inicialmente utilizada em França cerca de 1820, para designar de forma algo escarnecedora, comparativamente à verdadeira revolução política de 1789, a mecanização da indústria têxtil na Normandia, Flandres Francesa e Picardia.
Na Grã-Bretanha, ao contrário da França e Alemanha, a expressão revolução industrial raramente se usava. Porém, o historiador da economia Arnold Toynbee (1852-1883), tio do conhecido historiador das civilizações Arnold Joseph Toynbee (1889-1975), ao analisar o desenvolvimento económico na Grã-Bretanha de 1760 a 1840, identificou e caracterizou uma transformação social, económica e tecnológica que marcou profundamente o país e serviu depois de modelo de desenvolvimento através do mundo, à qual deu o nome de Revolução Industrial. A expressão passou a ter um sentido específico bem definido e conheceu uma enorme divulgação, em parte com a publicação póstuma das Lectures on the Industrial Revolution in England de Arnold Toynbee. Segundo ele a essência da Revolução Industrial “foi a competição para substituir as regulamentações medievais que anteriormente controlavam a produção e distribuição da riqueza”.

Na Primeira Revolução Industrial a maior eficiência no aproveitamento da força motora da água e a invenção da máquina a vapor transformou profundamente a utilização da energia. A Segunda Revolução Industrial teve início na segunda metade do século XIX e apoiou-se no uso da eletricidade o que permitiu desenvolver as cadeias de produção nas fábricas. Foi nesse período que se fizeram invenções tecnológicas notáveis baseadas na ciência moderna, tais como o motor de combustão interna, telefone, fotografia, cinema, lâmpada elétrica, avião, televisão e antibióticos. A Terceira começou na década de 1960, baseou-se na chamada Revolução Digital, no contínuo e acelerado desenvolvimento das TIC (tecnologias da informação e computação), e permitiu aumentar a automatização da produção nos mais diversos domínios da atividade económica. Finalmente a Quarta Revolução Industrial é uma extensão da terceira mas distingue-se dela em termos de novos horizontes programáticos de automatização, robotização, interoperabilidade, uso de sistemas inteligentes de assistência técnica, decisão descentralizada e troca de informação nas tecnologias de produção de bens e serviços. Os principais domínios de atividade e tecnologias emergentes que irão suportar a Quarta Revolução estão as TIC, inteligência artificial, robótica, internet das coisas, big data, impressão 3D, blockchain, automatização dos veículos automóveis, agricultura de precisão, nanotecnologia, engenharia genética e a biologia sintética.

As ideias fundadoras da Quarta Revolução Industrial surgiram em 2011 na iniciativa de construção de um programa estratégico, com o horizonte temporal de 2020, liderado por empresários, políticos e académicos, designado Industry 4.0, destinado a aumentar a competitividade das indústrias alemãs por meio da crescente integração dos “sistemas ciber-físicos baseados na internet” nos processos fabris. Nos EUA há vários projetos análogos, como por exemplo a Industrial Internet Consortium fundada em 2014 e que reúne a General Electric, AT&T, IBM e Intel.

A grande divulgação da Quarta Revolução Industrial nos media e nos meios empresariais e governamentais de todo o mundo, em particular através do World Economic Forum, é uma iniciativa filantrópica de aviso urbi et orbi sobre a nova direção da competição industrial e económica promovida pelas elites económicas e financeiras dos países com as economias mais avançadas e competitivas do mundo. Na sua génese e evolução não cabe qualquer tipo de atenção sobre o seu impacto, nos próprios países e no resto do mundo, em termos de emprego, coesão social e desigualdades, mas apenas a ambição própria da natureza humana, de manter a liderança e a competitividade desses países. O encadeamento das inovações tecnológicas tem uma dinâmica própria imparável que, para além de criar e satisfazer a procura por novos produtos, serviços e mercados tem também, ao longo do tempo, efeitos sociais, políticos e económicos através de um mundo progressivamente globalizado.

Não é possível travar o progresso da tecnologia porque ela nos deslumbra, diverte, distrai, cativa, aliena e vicia. É ela que dá um sentido linear ao tempo e o acelera. Sem progresso tecnológico a grande maioria das pessoas acharia que o tempo teria parado e que regressaríamos inevitavelmente ao primitivismo do passado.

O avanço da Quarta Revolução Industrial irá tornar um número crescente dos atuais empregos inúteis ou redundantes, devido principalmente ao carater disruptivo das novas tecnologias, e ao avanço da automatização e robotização. Provavelmente haverá novas multidões de desempregados e o próprio conceito social, político e económico de emprego irá transformar-se profundamente. Será provavelmente necessário introduzir o rendimento de cidadania. A maior perda de emprego irá ter lugar nos setores da saúde, energia, bancos, serviços financeiros, logística, transportes e apoio administrativo nos escritórios. O trabalho que é repetitivo ou que envolve rotinas de atividade manual tem elevado risco de ser eventualmente automatizado. Em contrapartida o trabalho que depende do exercício de pensar, do espírito de curiosidade, da criatividade, da capacidade de reflexão e análise, da experiência e da empatia com o próximo tem um risco baixo de automatização. De um modo geral a automatização e a robotização atinge mais a produção e o trabalho técnico e menos o trabalho que requer reflexão e inovação. Em contrapartida haverá criação de emprego nas TIC, serviços profissionais, informação, entretenimento e marketing.

Um dos avanços tecnológicos futuros mais decisivos para promover a automatização e robotização em larga escala será os computadores compreenderem a comunicação entre pessoas, ou seja, tornarem-se virtualmente mais uma pessoa ativa no ambiente de trabalho ou nas nossas casas. A combinação da robótica com a inteligência artificial, que permite aos robots adaptarem-se e reagirem ao que se passa em seu redor, tem a potencialidade de substituir um grande número de empregos e eventualmente transformar a sociedade. Estimativas recentes de Carl Frey indicam que 47% do total dos empregos nos EUA têm um risco elevado de desaparecerem nas duas próximas décadas. Note-se que a rarefação de empregos nas áreas de penetração das tecnologias mais avançadas está já a observar-se. De acordo com o mesmo autor, na década de 1980, 8,2% da força de trabalho nos EUA estava empregada nas novas tecnologias introduzidas nessa década. Porém, na década de 1990 essa percentagem desceu para 4,4% e na década de 2000 é menor do que 0,5%, incluindo novas industrias, tais como os leilões online, vídeo e áudio streaming, e web design.

Os que vão beneficiar mais das aplicações dos robots e da inteligência artificial vão ser os que têm a capacidade de investir nas tecnologias emergentes, ou seja, os detentores de capital. Devido às suas características intrínsecas a Quarta Revolução Industrial promove a substituição do trabalho pelo capital agravando ainda mais a tendência das últimas décadas de aumento das desigualdades. Os empresários que descobrem um produto ou serviço de sucesso enriquecem rapidamente porque com as novas tecnologias os custos marginais por unidade de produção tendem para valores baixos ou próximos de zero e os rendimentos de escala são elevados. Atualmente as empresas procuram avidamente as novas tecnologias porque lhes permitem aumentar a produtividade e baixar os custos marginais de produção e distribuição de bens e serviços, conseguindo assim, reduzir os preços, conquistar mais consumidores e aumentar os lucros. O papel do emprego na distribuição da riqueza, que se consolidou no último século, pode ficar comprometido. As implicações socias e económicas da Quarta Revolução Industrial têm um alto risco de desestabilizar profundamente a sociedade contemporânea, tanto nos países com economias avançadas como no resto do mundo. A probabilidade de tal suceder é muito elevada porque as forças motoras da Quarta Revolução Industrial são as mesmas que dinamizam o atual sistema económico e financeiro. Será provavelmente necessário reformar os conceitos de trabalho, emprego e rendimento. Provavelmente estamos mesmo num tempo de grandes promessas e perigos que os semideuses controlam.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A semente do mal, por Virgílio Azevedo

Entre hoje e até 16 de Outubro pode acompanhar ao vivo o Tribunal Internacional contra a Monsanto

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Agora, a pior companhia da Europa absorveu a pior companhia da América. O lema da nova corporação deveria ser: 'Matar abelhas e borboletas por diversão e lucro'." É com esta conclusão absolutamente demolidora que Dave Murphy se refere ao maior negócio mundial do ano: a compra da americana Monsanto pela alemã Bayer por 59 mil milhões de euros. Murphy é diretor executivo da organização Food Democracy Now!, um movimento de mais de 650 mil agricultores e cidadãos americanos que defende a reforma das políticas relacionadas com a alimentação, a agricultura e o ambiente. A revolta do dirigente associativo era inevitável. No anúncio conjunto do negócio feito pelos presidentes executivos das duas companhias, ambos sublinharam que a biotecnologia ajuda a aumentar os rendimentos das colheitas agrícolas de uma forma amiga do ambiente e é uma solução para alimentar uma população mundial em crescimento. "Estamos totalmente empenhados em ajudar a resolver um dos maiores desafios da sociedade: como alimentar uma população mundial em rápido crescimento de uma maneira ambientalmente sustentável", afirmou Werner Baumann, presidente executivo da Bayer. "O que fazemos é bom para os consumidores, porque ajudamos a produzir alimentos eficientes, seguros, saudáveis e acessíveis." E também "é bom para os nossos cultivadores porque têm melhores escolhas para aumentarem os rendimentos de uma forma sustentável". No entanto, este cenário cor de rosa e promissor contrasta fortemente com a realidade. A Monsanto, o maior produtor mundial de organismos geneticamente modificados (OGM) ou transgénicos e fabricante do Roundup, baseado no controverso herbicida glifosato, tem estado envolvida nos últimos anos numa crescente polémica e em numerosas ações judiciais, devido ao impacto negativo dos seus produtos na saúde e no ambiente. A Bayer, por sua vez, tem sido alvo de críticas devido ao uso generalizado do inseticida Imidacloprid, pertencente à classe dos produtos químicos conhecidos por neocotinoides, que têm sido relacionados em vários estudos com a morte dos insetos polinizadores, em especial as abelhas. Por isso, Dave Murphy argumenta, em declarações à publicação online "EcoWatch", que "a biotecnologia agrícola nunca foi 'sobrealimentar o mundo', mas sobre-enriquecer as companhias que têm uma longa história de produção de químicos mortais para as populações humanas e para o ambiente".

ALERTAS EM PORTUGAL
A reação das organizações ambientalistas ao negócio transatlântico que levou à venda da americana Monsanto à alemã Bayer foi imediata. Em Portugal, a Plataforma Transgénicos Fora!, formada por 11 ONG, afirmou que com a aquisição da Monsanto pela Bayer e a iminência "de outra megacorporação estar em vias de facto para ser comprada por um colosso estatal chinês, as sementes - primeiro pilar da subsistência da espécie humana - pertencem a cada vez menos empresas". E se esta onda de aquisições se concretizar, em breve "três multinacionais ficarão donas de 75% do mercado mundial". A plataforma ambientalista portuguesa referia-se concretamente à rápida consolidação mundial que neste momento atravessa a indústria agroquímica, com a constituição de três megagrupos que vão controlar, na realidade, mais de 75% do sector: a anunciada fusão entre as companhias americanas DuPont e Dow Chemical, a compra da Syngenta AG (Suíça) pela China National Chemical Corporation e a aquisição da Monsanto pela Bayer. E nos restantes 25% ainda se destacam duas grandes multinacionais - a alemã BASF e a japonesa Sumitomo. No caso da Syngenta, será a maior compra de sempre feita no estrangeiro por uma empresa da China e já levou à divulgação de uma carta aberta assinada por um antigo ministro da Indústria Química e por ativistas anti-OGM chineses, que denunciam os impactos negativos dos agroquímicos nos agricultores e nos consumidores do país. Como sublinhou na altura a Quercus, uma das organizações que integra a plataforma, "a Bayer, que tinha a sua própria produção de sementes, terá agora acesso a mais de 2000 variedades de organismos geneticamente modificados (OGM)" da Monsanto, o que lhe dará "um grande poderio sobre a produção agrícola mundial". A união destes dois gigantes "poderá ter implicações graves para o ambiente e a saúde pública, bem como para os pequenos agricultores, que não terão condições para competir neste mercado cada vez mais monopolizado". E os consumidores "veem decrescer o seu poder sobre os alimentos que consomem e o modo como são produzidos". Segundo a agência noticiosa Bloomberg, adicionar as 2000 variedades de sementes geneticamente modificadas de milho, soja ou trigo da Monsanto às sementes de leguminosas, arroz, vegetais e algodão da Bayer criará a maior empresa agroquímica mundial, "que irá controlar mais de 25% do mercado global combinado de sementes e pesticidas". E a BBC refere que há grupos e empresas agrícolas preocupados com o negócio da Bayer, porque pode reduzir a escolha de variedades de sementes e fazer subir os preços de produção para os agricultores. Em Portugal, os dados oficiais do Ministério da Agricultura indicam que apenas é cultivado milho transgénico numa área de cerca de 8000 hectares, o que representa uma pequena parcela (6%) da área total de milho plantada no país. E mais de 60% dessa área está concentrada nas zonas de regadio do Alentejo. A superfície máxima de cultivo foi registada em 2012, com mais de 9200 hectares. E numa análise feita em 2013 pela Plataforma Transgénicos Fora! aos produtos alimentares vendidos nas dez maiores cadeias de hipermercados portuguesas, das 229 referências de óleos registadas, 48 continham ingredientes transgénicos, o que correspondia a 21% de todos os óleos.