Judaísmo e Sionismo no Estado de Israel: o que são, o que os distingue e como moldam um país.[Fonte]
Sionismo e judaísmo são coisas bem diferentes. O judaísmo tem no seu cerne a busca pela paz. A palavra Shalom, no fundo, vai muito além de um simples "não haver guerra" - fala de plenitude, de harmonia, de estar bem com os outros e com o espiritual. Daí a saudação Shalom Aleichem ("A paz esteja convosco").
Se olharmos para a história, antes de Israel ser criado em 1948, já existiam grupos paramilitares de extrema-direita ligados ao sionismo revisionista - como o Irgun e o Lehi (a chamada Gangue de Stern). Eles usaram táticas de terror e violência tanto contra os britânicos como contra a população árabe local. Na altura, essas ações foram criticadas e condenadas até pela própria liderança sionista oficial (a Haganah) e por grandes intelectuais judeus pelo mundo fora. Hoje em dia, vemos fações do ultranacionalismo religioso a serem igualmente acusadas de extremismo e violência.
O mesmo se aplica ao Islão, que é uma religião intrinsecamente ligada à paz. A própria palavra "Islão" vem da mesma raiz que Salam ("paz" em árabe), e a saudação As-salamu alaykum significa exatamente "A paz esteja convosco".
Quanto à Sharia (que significa "o caminho para a fonte de água"), ela é a estrutura ética e jurídica do Islão, mas não é um código penal rígido num livro único. É uma tradição viva de interpretação baseada em quatro pilares: o Alcorão, a Sunnah (os ensinamentos do profeta Maomé), o Ijma (o consenso dos sábios) e o Qiyas (o raciocínio por analogia). Grupos radicais e terroristas, como o Daesh, pegam numa versão completamente descontextualizada e brutal da Sharia, que é rejeitada pela esmagadora maioria dos juristas islâmicos no mundo inteiro.
Aliás, a esmagadora maioria dos cerca de 1,9 mil milhões de muçulmanos condena estes radicais - até porque as próprias populações muçulmanas são, muitas vezes, as suas principais vítimas.
Olhando agora para os factos mais recentes: no dia 16 deste mês, a administração Trump aprovou um pacote de venda de armas a Israel no valor de 2,8 mil milhões de dólares, que inclui 40 mil bombas (20 mil Mk84 de 2000 libras e 20 mil BLU-117). O Congresso já foi notificado informalmente.[Fonte]
A questão essencial aqui é como isto é financiado: a maior parte do valor vem do programa de Financiamento Militar Estrangeiro dos EUA. Ou seja, no papel, os EUA dão subsídios ou empréstimos a países aliados, mas com uma regra fixa: o dinheiro dos contribuintes americanos doado a Israel tem obrigatoriamente de ser gasto a comprar armas a fabricantes norte-americanos. Na prática, o dinheiro sai dos impostos dos americanos, passa por Israel e volta diretamente para injetar capital na indústria de defesa dos próprios Estados Unidos.

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