"We're beautiful golden sunflowers inside, blessed by our own seed and golden hairy, naked accomplishment-bodies, growing into mad black formal sunflowers in the sunset, spied on by our own eyes, under the shadow of the mad locomotive riverbank sunset Frisco hilly tin can evening sit down vision. " - Allen Ginsberg
Allen Ginsberg (1926–1997) foi a voz mais estridente, célebre e provocadora da Geração Beat — o movimento literário dos anos 50 que funcionou como o rastilho para a contracultura hippie dos anos 60. Poeta, ativista budista e provocador profissional, ele passou a vida a implodir os valores conservadores da América do pós-guerra.
Allen Ginsberg, a força motriz da poesia contracultural. Fonte: Wikipedia
Uma Vida na Vanguarda
Nascido em Nova Jérsia numa família judia, Ginsberg cresceu marcado pela doença mental da mãe (uma comunista convicta) e pela poesia do pai. Na Universidade de Columbia, nos anos 40, conheceu Jack Kerouac e William S. Burroughs. Juntos, formaram o núcleo do que seria a Geração Beat: um grupo focado na espontaneidade, na rejeição do materialismo e na exploração da consciência.
Ginsberg tornou-se o "ministro das relações públicas" do grupo, unindo a literatura ao ativismo político e social até à sua morte em 1997.
Os Factos Mais Polémicos e Contraculturais
O que tornou Ginsberg uma figura magnética (e profundamente odiada pelo establishment) foi a sua recusa absoluta em esconder quem era ou o que pensava.
1. O Julgamento por Obscenidade de "Uivo" (Howl)
Em 1955, Ginsberg leu em público o seu poema mais famoso, "Uivo" (Howl), em São Francisco. O poema abre com o lendário verso: "Eu vi os melhores cérebros da minha geração destruídos pela loucura...".
A polémica: quando o poema foi publicado pelo editor (e também poeta) Lawrence Ferlinghetti, as autoridades apreenderam o livro. O teor explicitamente homossexual e as referências a drogas levaram a um julgamento histórico por obscenidade em 1957.
O desfecho: o juiz declarou que a obra tinha "valor social redentor", transformando o livro num manifesto contracultural e dando a Ginsberg uma plataforma nacional.
2. Homossexualidade Aberta e a NAMBLA
Numa época em que a homossexualidade era considerada crime e doença mental nos EUA, Ginsberg vivia abertamente com o seu parceiro de uma vida, Peter Orlovsky. Ele usava a sua poesia para celebrar o sexo gay e desafiar a hipocrisia puritana.
A maior mancha no seu legado: anos mais tarde, o seu compromisso radical com a liberdade de expressão levou-o a defender e a afiliar-se à NAMBLA (North American Man/Boy Love Association), uma organização que defendia a legalização de relações sexuais entre homens e menores. Embora Ginsberg argumentasse que defendia apenas o direito à livre expressão e ao debate, esta posição continua a ser o ponto mais sombrio e indefensável da sua biografia.
3. O "Evangelista" do LSD e das Drogas Psadélicas
Ginsberg não consumia drogas apenas por recreação; ele via-as como ferramentas de expansão espiritual e política.
Participou nas primeiras experiências científicas com psilocibina em Harvard com Timothy Leary.
Defendeu publicamente o uso do LSD para "libertar a mente humana do controlo do Estado".
Foi deportado de Cuba em 1965 por chamar "atraente" a Che Guevara e criticar a perseguição do regime castrista aos homossexuais. No mesmo ano, foi expulso da Checoslováquia comunista após ser eleito "Rei de Maio" (Královna Máje) pelos estudantes de Praga, por ser considerado uma ameaça corruptora para a juventude.
4. Ativismo Político e o Conceito de Flower Power
Ginsberg esteve na linha da frente dos protestos contra a Guerra do Vietname. Durante os violentos protestos na Convenção Nacional Democrata de 1968, em Chicago, ele passou horas a entoar o mantra budista "Om" para tentar acalmar a tensão entre os manifestantes e a polícia militarizada.
Ele foi o criador do termo Flower Power (Poder das Flores), uma estratégia que desenhou em 1965 sugerindo que os manifestantes anti-guerra distribuíssem flores aos polícias e jornalistas para transformar os protestos políticos em espetáculos de paz e teatro visual.
O Vigilante do FBI: J. Edgar Hoover, o eterno diretor do FBI, considerava Ginsberg uma das maiores ameaças à segurança nacional dos EUA. O FBI manteve um ficheiro detalhado sobre o poeta com centenas de páginas, vigiando de perto os seus passos e as suas ligações à esquerda radical.
Ginsberg conseguiu a proeza rara de começar a carreira no submundo literário, ser perseguido pela polícia e terminar a vida como um membro consagrado da Academia Americana de Artes e Letras, sem nunca ter pedido desculpa por chocar o mundo.

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